{"id":2867,"date":"2012-05-16T19:50:49","date_gmt":"2012-05-16T19:50:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2867"},"modified":"2012-05-16T19:50:49","modified_gmt":"2012-05-16T19:50:49","slug":"governo-reve-numero-de-vitimas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2867","title":{"rendered":"Governo rev\u00ea n\u00famero de v\u00edtimas da ditadura"},"content":{"rendered":"\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>O governo concluiu um estudo que prop\u00f5e a inclus\u00e3o de pelo menos 370 nomes na lista oficial de mortos e desaparecidos pol\u00edticos durante a ditadura militar. Na pr\u00e1tica, a mudan\u00e7a pode dobrar o n\u00famero de pessoas que o Estado j\u00e1 reconheceu como v\u00edtimas da repress\u00e3o pol\u00edtica. Hoje, pelos crit\u00e9rios da Comiss\u00e3o da Anistia e da Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, 457 pessoas est\u00e3o nesse grupo. Desenvolvido pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH), o trabalho examinou 858 mortes e desaparecimentos for\u00e7ados ocorridos no campo e filtrou aqueles diretamente ligados \u00e0 repress\u00e3o. O relat\u00f3rio ser\u00e1 apresentado hoje na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara dos Deputados, pouco depois de a presidente Dilma Rousseff dar posse \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>O per\u00edodo analisado vai de 1961, o chamado pr\u00e9-golpe, a 1988, na redemocratiza\u00e7\u00e3o. Entre os casos, 832 s\u00e3o de camponeses e 26 dos chamados apoiadores, principalmente padres e advogados. A an\u00e1lise da Secretaria de Direitos Humanos identificou que 370 desses casos s\u00e3o de sindicalistas ou lideran\u00e7as de lutas coletivas, mortos ou desaparecidos em situa\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o pol\u00edtica. Foram exclu\u00eddos aqueles em que n\u00e3o foram encontradas informa\u00e7\u00f5es suficientes para caracterizar motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. De acordo com Gilney Viana, assessor da SDH respons\u00e1vel pelo estudo, a reda\u00e7\u00e3o das leis 6.683\/79 (Lei da Anistia) e 9.140\/95 (Lei da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos) acabou considerando apenas as mortes em contexto urbano.<\/p>\n<p>O assessor defende que, no campo, n\u00e3o existiam os tipos de provas que s\u00e3o exigidos para que algu\u00e9m se adeque ao texto das leis, como um contrato de trabalho de algu\u00e9m demitido por quest\u00f5es pol\u00edticas, uma ficha no Dops ou a milit\u00e2ncia em um partido pol\u00edtico. Outro problema \u00e9 a obrigatoriedade de envolvimento de agentes estatais. Dos casos, apenas 15% foram diretamente associados a pessoas do Estado, como policiais, delegados ou integrantes das For\u00e7as Armadas. O restante esteve ligado a agentes privados, como pistoleiros, jagun\u00e7os, grileiros, fazendeiros ou capatazes. &#8220;Tivemos que fazer uma grande gin\u00e1stica para enquadrar casos como o do Chico Mendes. O fato \u00e9 que a ditadura militar terceirizou a repress\u00e3o no campo para os fazendeiros. Al\u00e9m disso, houve omiss\u00e3o do Estado diante das mortes e da Justi\u00e7a por n\u00e3o dar prosseguimento aos processos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos epis\u00f3dios mostra uma coincid\u00eancia temporal nas mortes no campo. O per\u00edodo que mais concentra casos, com 44% dos nomes, \u00e9 o de transi\u00e7\u00e3o militar, de 1979, quando \u00e9 aprovada a Lei da Anistia, at\u00e9 1985, ano em que termina o \u00faltimo governo dos generais, de Jo\u00e3o Figueiredo. &#8220;A resist\u00eancia urbana j\u00e1 havia sido exterminada, e o meio rural estava se reorganizando. A repress\u00e3o foi redirecionada&#8221;, avalia Gilney.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 uma coincid\u00eancia espacial. Segundo o estudo, 55% dos casos se concentram em estados de fronteira agr\u00edcola, principalmente no Par\u00e1 e no Maranh\u00e3o, aqueles que foram incentivados pela ditadura a serem ocupados. &#8220;S\u00e3o estados em que, depois de ocupados, surgem quest\u00f5es sobre a posse da terra. Acobertado pelo Estado, o fazendeiro, por exemplo, vai l\u00e1 e mata o posseiro&#8221;, defende o assessor.<\/p>\n<p>Revis\u00e3o<\/p>\n<p>O objetivo da SDH \u00e9 que os casos sejam analisados pelos integrantes da Comiss\u00e3o da Verdade, al\u00e9m das Comiss\u00f5es da Anistia e de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos. &#8220;Muitas comiss\u00f5es da verdade, em outros pa\u00edses, propuseram repara\u00e7\u00f5es morais e materiais para camponeses ou \u00edndios&#8221;, sugere Gilney. N\u00e3o est\u00e1 descartada que seja proposta a revis\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o, para que esses nomes possam, por exemplo, ser contemplados com eventuais repara\u00e7\u00f5es materiais. J\u00e1 houve mudan\u00e7as na lei para que fossem reconhecidos oficialmente estudantes mortos e tamb\u00e9m pessoas que tenham sido v\u00edtimas de tortura e, mais tarde, tenham se suicidado.<\/p>\n<p>Na lista, est\u00e3o nomes como o de Jo\u00e3o Pedro Teixeira, l\u00edder dos trabalhadores rurais nordestinos e um dos fundadores das Ligas Camponesas, morto na Para\u00edba com cinco tiros por tr\u00eas homens armados com fuzil, em 2 de abril de 1962. Seu processo foi indeferido pela Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos por n\u00e3o ter sido encontrada &#8220;responsabilidade do Estado no epis\u00f3dio&#8221;. O campon\u00eas teve sua vida mostrada no document\u00e1rio Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho.<\/p>\n<p>Outro que consta da rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o l\u00edder seringueiro Wilson Pinheiro, assassinado com um tiro na nunca, no Acre, em 21 de julho de 1980. Presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia (AC), Wilson estava jurado de morte por latifundi\u00e1rios da agropecu\u00e1ria no estado.<\/p>\n<p>&#8220;O fato \u00e9 que a ditadura militar terceirizou a repress\u00e3o no campo para os fazendeiros. Al\u00e9m disso, houve omiss\u00e3o do Estado diante das mortes e da Justi\u00e7a por n\u00e3o dar prosseguimento aos processos&#8221;, afirmou Gilney Viana, assessor da SDH<\/p>\n<p>Investiga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em Campos (RJ) instaurou ontem procedimento investigat\u00f3rio criminal para apurar den\u00fancia de incinera\u00e7\u00e3o de pelo menos dez corpos durante a ditadura militar, conforme relato do ex-delegado Cl\u00e1udio Antonio Guerra, chefe do extinto Departamento de Ordem e Pol\u00edtica Social (Dops). O ex-delegado narra no livro Mem\u00f3rias de uma guerra suja como os corpos de opositores do regime militar foram incinerados na Usina Camba\u00edba, em Campos. Na portaria que instaura o procedimento, o procurador da Rep\u00fablica Eduardo Santos de Oliveira pede que sejam expedidos of\u00edcios \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade e \u00e0 Comiss\u00e3o Especial de Mortos Desaparecidos, requisitando informa\u00e7\u00f5es e documentos relacionados ao caso.<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Governo deve reduzir taxa\u00e7\u00e3o da conta de energia el\u00e9trica<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo vai mexer nos impostos e encargos que aplica sobre a conta de energia el\u00e9trica. O recado foi dado ontem pela presidente Dilma Rousseff. S\u00e3o grandes as chances de que a Uni\u00e3o reduza os encargos cobrados sobre a conta de luz para viabilizar pol\u00edticas p\u00fablicas. A possibilidade \u00e9 aguardada h\u00e1 anos pela ind\u00fastria. Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace), cerca de 10% da conta de energia est\u00e1 atrelada a encargos que financiam projetos sociais do governo. S\u00f3 em 2011 foram arrecadados R$ 18,46 bilh\u00f5es com a cobran\u00e7a de taxas como a Conta de Consumo de Combust\u00edveis (CCC), que subsidia a gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica na regi\u00e3o Norte, e cujo custo anual para este ano foi estabelecido em R$ 3,2 bilh\u00f5es. &#8220;Estamos muito otimistas porque governo realmente se sensibilizou com a quest\u00e3o&#8221;, disse Fernando Umbria, assessor da Abrace.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o poder\u00e1 mexer ainda na redu\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins, que hoje toma 9% da conta. Em outros setores, como o de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, essa cobran\u00e7a j\u00e1 foi zerada. A Uni\u00e3o deve procurar Estados para que haja uma redu\u00e7\u00e3o do ICMS.<\/p>\n<p>Atualmente, 50% da conta de energia est\u00e1 atrelada a encargos, taxas e tributos. Outros 21% s\u00e3o custo de distribui\u00e7\u00e3o, 5% ficam com o custo de transporte e, finalmente, 24% \u00e9 o custo da energia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fiesp projeta retra\u00e7\u00e3o no emprego industrial no ano<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A disparada do d\u00f3lar e o movimento de redu\u00e7\u00e3o dos juros n\u00e3o devem reverter a tempo o quadro negativo para o emprego na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o paulista em 2012, de acordo com Walter Sacca, diretor-adjunto do Departamento de Pesquisas Econ\u00f4micas da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp). &#8220;Agora temos um c\u00e2mbio mais favor\u00e1vel, ainda que n\u00e3o seja o ideal. Temos tamb\u00e9m uma queda significativa dos juros, o que vinha sendo solicitado para devolver competitividade \u00e0 ind\u00fastria. Essas medidas, entretanto, levam seis meses para refletir na economia e na atividade industrial&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de emprego da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o paulista caiu 1,14% em abril, ante mar\u00e7o, com ajuste sazonal. Na s\u00e9rie sem ajuste sazonal, o emprego cresceu 0,55% em abril, ante mar\u00e7o, com a contrata\u00e7\u00e3o de 14 mil pessoas. Ambos os resultados foram os piores para o m\u00eas desde o in\u00edcio da s\u00e9rie da entidade, em 2006.<\/p>\n<p>Nos 12 meses acumulados em abril houve um crescimento de 0,16% no emprego industrial paulista, mas a previs\u00e3o da Fiesp \u00e9 que esse n\u00famero fique negativo antes do fim do primeiro semestre. Para Sacca, as medidas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, anunciadas no in\u00edcio de abril pelo governo, come\u00e7ar\u00e3o a surtir efeito entre outubro e dezembro, o que n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para reverter uma taxa negativa no emprego.<\/p>\n<p>Segundo explicou, o d\u00f3lar, que tem flutuado na casa de R$ 2,00, ainda tem espa\u00e7o para se valorizar sem prejudicar o setor produtivo. Sacca avalia que diferentes setores da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o apontam suas prefer\u00eancias para o c\u00e2mbio na casa que vai de R$ 1,80 a R$ 2,40. &#8220;Quem acha que o c\u00e2mbio de equil\u00edbrio \u00e9 de R$ 1,80 vai come\u00e7ar a reclamar que est\u00e1 dif\u00edcil para importar insumos e quem prefere o c\u00e2mbio a R$ 2,40 vai continuar achando que o d\u00f3lar precisa se valorizar mais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Sacca acredita que o c\u00e2mbio de equil\u00edbrio para a maior parte da ind\u00fastria esteja entre R$ 2,10 e R$ 2,20. Por isso, a recente valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar \u00e9 vista com bons olhos pela equipe econ\u00f4mica. &#8220;Acredito que o governo tem se empenhado para que o c\u00e2mbio fique melhor. Entendo que o Mantega esteja satisfeito com o resultado, porque disse que o c\u00e2mbio continuar\u00e1 flutuante. Se n\u00e3o estivesse satisfeito, n\u00e3o estaria tranquilo com o c\u00e2mbio flutuante&#8221;.<\/p>\n<p>Sacca comentou que o setor que vinha puxando o emprego na ind\u00fastria paulista neste ano, o sucroalcooleiro, deve desacelerar a contrata\u00e7\u00e3o. &#8220;A gera\u00e7\u00e3o de vagas nesse setor vem diminuindo com a mecaniza\u00e7\u00e3o das lavouras de cana&#8221;, afirmou. &#8220;Com a redu\u00e7\u00e3o das admiss\u00f5es nas usinas de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool e uma poss\u00edvel piora no n\u00edvel de demiss\u00f5es nos outros setores, \u00e9 muito prov\u00e1vel que o emprego feche 2012 no negativo&#8221;.<\/p>\n<p>Ele lembrou que desde 2009, num dos picos da crise financeira internacional, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o paulista nunca tinha acumulado quatro meses seguidos de queda no emprego na compara\u00e7\u00e3o desassonalizada com o m\u00eas anterior. Essas quedas foram se acentuando, em janeiro (-0,19%), fevereiro (-0,29%), mar\u00e7o (-0,72%) e abril (-1,14%).<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Argentina e Brasil devem levantar barreiras ao com\u00e9rcio bilateral<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os produtores brasileiros de carne su\u00edna ter\u00e3o, nos pr\u00f3ximos dias, uma boa not\u00edcia da Argentina, um dos principais mercados consumidores. Ontem, os ministros de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio do pa\u00eds vizinho garantiram que as dificuldades impostas pelo governo Cristina Kirchner \u00e0 carne su\u00edna brasileira ser\u00e3o superadas.<\/p>\n<p>O pol\u00eamico ministro de Com\u00e9rcio Interior argentino, Guillermo Moreno, respons\u00e1vel pelas barreiras impostas aos produtores brasileiros, afirmou que &#8220;com a disposi\u00e7\u00e3o do Brasil em adquirir nossos produtos, obviamente que o problema com a carne su\u00edna some&#8221;. E completou: &#8220;Na realidade, ele j\u00e1 sumiu.&#8221;<\/p>\n<p>Os ministros argentinos e brasileiros se reuniram por quase cinco horas, ontem, no Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Participaram do encontro os ministros argentinos H\u00e9ctor Timerman, de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, e Moreno, e, pelo lado brasileiro, os ministros Ant\u00f4nio Patriota (Rela\u00e7\u00f5es Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Mendes Ribeiro (Agricultura).<\/p>\n<p>As autoridades brasileiras acenaram aos argentinos que h\u00e1 &#8220;plena disposi\u00e7\u00e3o&#8221; do governo Dilma Rousseff, segundo um ministro, em ampliar o consumo de bens exportados pelo vizinho.<\/p>\n<p>Entre esses produtos foram destacados os farmac\u00eauticos, c\u00edtricos e uvas-passas &#8211; hoje &#8220;retidos&#8221; nos \u00f3rg\u00e3os de controle do governo, como a Anvisa, al\u00e9m da recente imposi\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as n\u00e3o autom\u00e1ticas (que ampliam o rigor na verifica\u00e7\u00e3o dos produtos importados) a esses produtos.<\/p>\n<p>Esse compromisso do Brasil em ampliar as importa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, s\u00f3 ocorrer\u00e1 se, antes, os argentinos retirarem as barreiras da carne su\u00edna. O gesto dos l\u00edderes argentinos presentes ontem no Itamaraty foi muito bem recebido pelo governo brasileiro.<\/p>\n<p>As dificuldades impostas pelos argentinos \u00e0 carne su\u00edna brasileira se refletiram imediatamente. No ano passado, os produtores brasileiros exportaram US$ 115,2 milh\u00f5es aos vizinhos, numa m\u00e9dia de US$ 28,8 milh\u00f5es por trimestre.<\/p>\n<p>No primeiro trimestre deste ano, as exporta\u00e7\u00f5es despencaram &#8211; apenas US$ 16 milh\u00f5es foram vendidos \u00e0 Argentina. O d\u00e9ficit comercial da Argentina, principal motivo da iniciativa do governo de Cristina Kirchner, tamb\u00e9m caiu muito. No ano passado, o Brasil obteve super\u00e1vit de US$ 5,8 bilh\u00f5es no com\u00e9rcio com a Argentina, e nos primeiros tr\u00eas meses deste ano, o saldo foi de apenas US$ 968 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 fundamental para a Argentina que nosso d\u00e9ficit comercial com o Brasil seja reduzido&#8221;, afirmou o ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores argentino, H\u00e9ctor Timerman. &#8220;Entendemos que o movimento brasileiro de dificultar a entrada de nossos produtos c\u00edtricos, de uvas, uvas-passas, de camar\u00f5es, e lagostinos n\u00e3o s\u00e3o barreiras, mas devem ser superados. Vamos superar as dificuldades com a carne su\u00edna brasileira&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>O Brazil se comprometeu a retirar as barreiras em 120 dias, se a Argentina fizer sua parte com os su\u00ednos. Nas contas de Timerman, se o governo brasileiro superar as barreiras apenas a rem\u00e9dios e camar\u00f5es, os argentinos podem vender US$ 2 bilh\u00f5es em produtos ao pa\u00eds, de imediato.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o foi convocada \u00e0s pressas pelo ministro argentino, a pedido da presidente Cristina Kirchner. O Valor apurou que a necessidade de d\u00f3lares por parte do governo argentino \u00e9 crescente, e as recentes dificuldades impostas pelo Brasil, que aplicou licen\u00e7as n\u00e3o autom\u00e1ticas aos produtos citados por Timerman ontem, n\u00e3o ajudam.<\/p>\n<p>As prov\u00edncias argentinas ter\u00e3o d\u00e9ficit de 12,9 bilh\u00f5es de pesos, e apenas a capital, Buenos Aires, e a prov\u00edncia de Salto, t\u00eam tido acesso ao mercado internacional. Segundo comentaram, ainda assim, com a emiss\u00e3o de t\u00edtulos a taxas de juros elevadas, de 9,5% a 9,9% ao ano.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 o momento para brigarmos entre n\u00f3s, realmente&#8221;, admitiu Timerman. Moreno disse aos ministros brasileiros, na reuni\u00e3o, que tem falado aos empres\u00e1rios argentinos que a crise mundial se prolongar\u00e1 at\u00e9, no m\u00ednimo, meados de 2013.<\/p>\n<p>As autoridades brasileiras entenderam esse cen\u00e1rio como um sinal de que a pol\u00edtica adotada pela Argentina, de condicionar a importa\u00e7\u00e3o \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o em igual valor (&#8220;uno por uno&#8221;, em refer\u00eancia a &#8220;um d\u00f3lar importado igual a um d\u00f3lar exportado&#8221;) por mais um ano.<\/p>\n<p>Os dois governos acertaram a cria\u00e7\u00e3o de um conselho automotivo, que se reunir\u00e1 periodicamente nos dois pa\u00edses, para avaliar o desempenho do com\u00e9rcio de ve\u00edculos e autope\u00e7as entre os dois pa\u00edses. Pelo lado brasileiro participar\u00e3o dois integrantes do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, o secret\u00e1rio-executivo, Alessandro Teixeira, e a secretaria de com\u00e9rcio exterior, Tatiana Prazeres.<\/p>\n<p>O governo argentino tamb\u00e9m antecipou que levar\u00e1 \u00e0 pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Mercosul, que ocorrer\u00e1 em Mendoza (Argentina) no fim de junho, a proposta de elevar a taxa m\u00e1xima da Tarifa Especial Comum (TEC), hoje em 35%, dos pa\u00edses do bloco.<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dilma ataca impostos e quer reforma tribut\u00e1ria pontual<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff resolveu atacar de forma &#8220;espec\u00edfica&#8221; as distor\u00e7\u00f5es do sistema de impostos, um dos entraves ao crescimento da economia. Ao classificar de &#8220;inadequada&#8221; a tributa\u00e7\u00e3o brasileira, Dilma fez quest\u00e3o de enfatizar que a op\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer mudan\u00e7as pontuais. &#8220;J\u00e1 tentamos duas vezes fazer uma reforma de maior f\u00f4lego. Resolvemos agora atuar, em vez de ficar discutindo se a reforma sai ou n\u00e3o sai.&#8221;<\/p>\n<p>Dilma deixou claro, em discurso ontem na abertura da marcha dos prefeitos, em Bras\u00edlia, que uma das primeiras \u00e1reas que ser\u00e3o atacadas \u00e9 a de energia. &#8220;N\u00e3o conhe\u00e7o muitos pa\u00edses que tributam energia el\u00e9trica. N\u00f3s tributamos. Tem v\u00e1rias formas de tributa\u00e7\u00e3o nossa que s\u00e3o regressivas.&#8221;<\/p>\n<p>A cobran\u00e7a de impostos sobre esse tipo de insumo \u00e0 ind\u00fastria foi um dos exemplos citados pela presidente para explicar por que a tributa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 inadequada. &#8220;N\u00f3s tributamos insumos fundamentais para o desenvolvimento do Pa\u00eds&#8221;, criticou.<\/p>\n<p>Conforme revelou o Estado na segunda-feira, o governo pretende cortar parte dos encargos setoriais (taxas embutidas na conta de luz que representam 18% do valor) para baratear a eletricidade para as ind\u00fastrias. O corte nos encargos \u00e9 alvo de discord\u00e2ncia dentro do pr\u00f3prio governo &#8211; de um lado, o Minist\u00e9rio da Fazenda defende a redu\u00e7\u00e3o; de outro, parte do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, especialmente a Eletrobr\u00e1s, resiste \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Armadilha. Dilma est\u00e1 preocupada com a possibilidade de a ind\u00fastria de alum\u00ednio Alcoa fechar duas f\u00e1bricas no Brasil por causa do custo da eletricidade. Os encargos subsidiam o custo da eletricidade na Regi\u00e3o Norte e financiam programas como o Luz para Todos e a\u00e7\u00f5es de incentivos ao uso de fontes alternativas.<\/p>\n<p>Ao optar por fazer mudan\u00e7as pontuais no sistema de impostos, Dilma procura evitar a armadilha na qual ficaram presos os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que levaram ao Congresso propostas amplas de reforma tribut\u00e1ria que acabaram n\u00e3o saindo do papel. &#8220;N\u00f3s sabemos as resist\u00eancias que existem no Brasil para se fazer reforma tribut\u00e1ria&#8221;, afirmou Dilma, para em seguida explicitar sua estrat\u00e9gia: &#8220;Tem coisas t\u00e3o prementes; n\u00f3s resolvemos atuar de forma espec\u00edfica em algumas \u00e1reas&#8221;.<\/p>\n<p>A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento de alguns setores da ind\u00fastria e a aprova\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o que p\u00f4s fim \u00e0 &#8220;Guerra dos Portos&#8221; foram dois exemplos da forma de mudar o sistema de impostos adotado pelo Pal\u00e1cio do Planalto. &#8220;O Pa\u00eds praticava incentivo \u00e0 importa\u00e7\u00e3o contra a produ\u00e7\u00e3o local. Era como se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos valorizando o trabalho dos chineses&#8221;, disse Dilma, ao destacar a import\u00e2ncia da aprova\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o que unificou a al\u00edquota do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) sobre produtos importados que chegam por um Estado e seguem para outro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Cai lucro da Petrobr\u00e1s<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O lucro l\u00edquido alcan\u00e7ado pela Petrobr\u00e1s no primeiro trimestre, de R$ 9,214 bilh\u00f5es, caiu 16% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, indica o balan\u00e7o financeiro e operacional dos tr\u00eas primeiros meses do ano divulgado ontem \u00e0 noite pela petroleira.<\/p>\n<p>No primeiro trimestre do ano passado, o lucro l\u00edquido foi de RS 10,985 bilh\u00f5es O diretor financeiro e Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Petrobr\u00e1s, Almir Barbassa, creditou a queda &#8220;ao resultado financeiro melhor no ano passado&#8221;, citando fatores como a varia\u00e7\u00e3o cambial e os pre\u00e7os no mercado externo como importantes para o balan\u00e7o negativo em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre inaugural de 2011. &#8220;Ficamos R$ 1,7 bilh\u00e3o abaixo do resultado l\u00edquido do ano passado&#8221;, lamentou ele.<\/p>\n<p>Ao falar sobre a diminui\u00e7\u00e3o do lucro, o diretor financeiro anunciou que a Petrobr\u00e1s n\u00e3o tem ainda, neste quinto m\u00eas do ano, condi\u00e7\u00f5es de divulgar novas metas de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo porque a efici\u00eancia do atual sistema de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 em xeque.<\/p>\n<p>Barbassa deixou evidente que a dire\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o est\u00e1 satisfeita com a efici\u00eancia das instala\u00e7\u00f5es e procedimentos em curso nas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o. &#8220;Estamos reavaliando a efici\u00eancia dos nossos sistemas de produ\u00e7\u00e3o. A maior parte da produ\u00e7\u00e3o vem da Bacia de Campos (litoral do Estado do Rio), em que as instala\u00e7\u00f5es t\u00eam idade m\u00e9dia j\u00e1 avan\u00e7ada. Produzimos em torno de 80% na Bacia de Campos. A efici\u00eancia operacional dessas unidades \u00e9 muito importante para as quantidades produzidas&#8221;, disse ele, para quem a Petrobr\u00e1s tem de &#8220;retomar a efici\u00eancia que n\u00f3s j\u00e1 tivemos&#8221;.<\/p>\n<p>Equ\u00edvocos. O dirigente acrescentou que nem sempre a queda da produ\u00e7\u00e3o, no caso da Bacia de Campos, decorre do esgotamento dos campos antigos, consequ\u00eancia natural da explora\u00e7\u00e3o de jazidas, mas de a\u00e7\u00f5es equivocadas que precisam ser revistas. &#8220;A efici\u00eancia operacional \u00e9 importante para se fixar as metas de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Presente \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do balan\u00e7o, o diretor de Explora\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Formigli, revelou que a Petrobr\u00e1s, na tentativa de reverter esse quadro, examina &#8220;um a um&#8221; os po\u00e7os, sistemas submarinos e plataformas, especialmente em Campos. &#8220;Como qualquer empresa de petr\u00f3leo, trabalhamos na busca de evitar o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o (por causas naturais). N\u00e3o \u00e9 esse o problema hoje na Bacia de Campos&#8221;, afirmou Formigli.<\/p>\n<p>Barbassa falou que os efeitos negativos observados no quarto trimestre de 2011 n\u00e3o se repetiram com a mesma intensidade no primeiro trimestre deste ano. Entre eles, as deprecia\u00e7\u00f5es de per\u00edodos anteriores e os custos explorat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s tem hoje R$ 76,5 bilh\u00f5es em d\u00edvidas expostas \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial, revelou ele, que preferiu n\u00e3o comentar o impacto que a recente disparada do d\u00f3lar ter\u00e1 no balan\u00e7o da companhia no segundo trimestre. De janeiro a mar\u00e7o, a estatal emitiu US$ 7,2 bilh\u00f5es em b\u00f4nus de 30 anos, a maior j\u00e1 feita por uma empresa de pa\u00eds emergente.<\/p>\n<p>A receita l\u00edquida no trimestre alcan\u00e7ou R$ 66,134 bilh\u00f5es, crescimento de 22% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo trimestre de 2011. O diretor financeiro revelou que efeito total do c\u00e2mbio no resultado da companhia no primeiro trimestre foi positivo em R$ 465 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O volume de vendas (derivados, g\u00e1s natural, \u00e1lcoois e nitrogenados) no mercado interno atingiu 2,571 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios no primeiro trimestre &#8211; 10% de crescimento em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011 e menos 2% na compara\u00e7\u00e3o com o \u00faltimo trimestre do ano passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2867\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2867","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Kf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}