{"id":28697,"date":"2022-04-20T14:30:08","date_gmt":"2022-04-20T17:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28697"},"modified":"2022-04-20T14:30:08","modified_gmt":"2022-04-20T17:30:08","slug":"o-caminho-dos-comunistas-do-pcb-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28697","title":{"rendered":"O caminho dos comunistas do PCB nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 40px;\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"374\" width=\"747\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/omomento.org\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/capaeditorial-750x375.jpg?resize=747%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Giovani Damico, via\u00a0Jornal O <a href=\"https:\/\/omomento.org\/o-caminho-dos-comunistas-do-pcb-nas-eleicoes\/\">MOMENTO<\/a> &#8211; PCB da Bahia<\/strong><\/p>\n<p>O ano de 2022 bateu em nossa porta, entrou, e finalmente serviu \u00e0 mesa um menu repleto de contradi\u00e7\u00f5es, embates, reviravoltas e crises. Ainda que o ano ainda esteja no in\u00edcio, come\u00e7a com um sentimento de d\u00e9j\u00e0-vu, uma vez que o xadrez eleitoral j\u00e1 vinha movimentando suas pe\u00e7as, queimando largada desde o final de 2018. Afinal de contas, a maior parte das for\u00e7as pol\u00edticas no pa\u00eds enxergam na institucionalidade e nas disputas eleitorais o cerne do movimento da hist\u00f3ria. Os comunistas, por sua vez, j\u00e1 de longa data, v\u00eam apontando uma centralidade diferente, para a qual reside nas ruas o verdadeiro n\u00f3 que embara\u00e7a as contradi\u00e7\u00f5es sociais e a luta de classes. Para os comunistas, em especial para o centen\u00e1rio PCB, o momento eleitoral se trata exatamente de um momento, uma parte da pol\u00edtica com um potencial limitado para conduzir as transforma\u00e7\u00f5es sociais. As elei\u00e7\u00f5es seriam, assim, a express\u00e3o institucional do atual estado das coisas e deveriam ser pensadas como uma brecha para alavancar aquilo que se espera de mudan\u00e7as substanciais na sociedade.<\/p>\n<p>O PCB, popularmente conhecido como Partid\u00e3o, marca neste ano o seu centen\u00e1rio, completado no dia 25 de mar\u00e7o de 2022. Al\u00e9m disso, o partido completa, tamb\u00e9m, um segundo anivers\u00e1rio: os 30 anos de seu movimento de refunda\u00e7\u00e3o, conhecido como a \u201cReconstru\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria\u201d. Neste ano, com dois anivers\u00e1rios importantes e em um cen\u00e1rio no qual as elei\u00e7\u00f5es assumem papel de grande relev\u00e2ncia, se faz mister revisitar o papel hist\u00f3rico do PCB nas elei\u00e7\u00f5es, mas sobretudo olhar para a interven\u00e7\u00e3o atual que os comunistas v\u00eam pautando no processo eleitoral. O partido marcou os anais da hist\u00f3ria do Brasil, elegendo 14 deputados constituintes em 1946, al\u00e9m de Lu\u00edz Carlos Prestes para o Senado, e tendo, tamb\u00e9m, lan\u00e7ado o primeiro candidato negro \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O PCB chega em 2022 renovado, e com uma pol\u00edtica eleitoral alinhada \u00e0s suas media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas, ou seja, parte dos esfor\u00e7os que pavimentam caminho para seu programa m\u00e1ximo na constru\u00e7\u00e3o do Poder Popular.<\/p>\n<p>Nos anos da ditadura o PCB teve um papel de enorme import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o das lutas em torno da pauta democr\u00e1tica, na resist\u00eancia popular e nos processos que culminaram na reabertura da democracia. Tendo sido alvo n\u00famero um em persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, o PCB terminou os anos 80 sofrendo com as mazelas dos anos de ilegalidade, baixas pol\u00edticas e perda de quadros importantes, criando uma situa\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica, na qual um fundamental operador pol\u00edtico das lutas no Brasil terminou se submetendo a uma deriva pol\u00edtica de car\u00e1ter taticista, a partir da qual se esvaziou pouco a pouco o teor revolucion\u00e1rio do Partido, o que culminou no tr\u00e1gico processo de liquida\u00e7\u00e3o do PCB que sucedeu o final da d\u00e9cada de 80 e in\u00edcio dos anos 90.<\/p>\n<p>Com a virada pol\u00edtica ocasionada pela reconstru\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, se abriu um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria do Partid\u00e3o, que por um lado tem renovado seu \u00edmpeto e firmeza em suas formula\u00e7\u00f5es, mas por outro lado sentiu o peso da queda do bloco socialista e da URSS, al\u00e9m das perdas pol\u00edticas geradas pelas tentativas de liquida\u00e7\u00e3o. Veio, assim, um per\u00edodo complexo, no entanto riqu\u00edssimo de novos aprendizados. \u00c9 neste cen\u00e1rio em que a quest\u00e3o eleitoral se v\u00ea reposicionada na linha pol\u00edtica do partido, que, ao mesmo tempo em que abandona qualquer ilus\u00e3o de car\u00e1ter reformista, social-democrata ou eurocomunista, com uma cren\u00e7a cega na institucionalidade, o partido est\u00e1 promovendo uma linha que foge de um sectarismo esquerdista, e localiza no processo eleitoral um terreno f\u00e9rtil para disputa ideol\u00f3gica, para o fortalecimento das bases sociais, e quando poss\u00edvel, para adentrar as brechas da institucionalidade, refor\u00e7ando o trabalho pol\u00edtico no seu sentido amplo e no seus objetivos centrais em torno da luta de massas a ser constitu\u00edda nas ruas e no campo.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva das elei\u00e7\u00f5es enquanto \u201ctrampolim\u201d para organiza\u00e7\u00e3o geral do Partido e da classe trabalhadora, o PCB vem construindo lentamente uma trajet\u00f3ria de disputa eleitoral associada a movimentos de massas, \u00e0 inser\u00e7\u00e3o direta e concreta na classe, seja nas lutas populares, nos bairros, nos sindicatos, no campo, na organiza\u00e7\u00e3o da juventude, ou nos movimentos de lutas contra as opress\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e sexualidade. As elei\u00e7\u00f5es figuram assim como express\u00e3o institucional daquilo que o Partido coloca em pr\u00e1tica em suas bases sociais. Desde os idos dos anos 2000 se intensificam paulatinamente as constru\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas de candidaturas do PCB, que n\u00e3o se exime de constru\u00e7\u00f5es conjuntas, analisando as diferentes situa\u00e7\u00f5es e conjunturas. Com a guinada \u00e0 direita promovida pelo Partido dos Trabalhadores, sobretudo a partir de 2005, o PCB rompe com o PT, refor\u00e7ando a constru\u00e7\u00e3o de um programa eleitoral pr\u00f3prio, que vir\u00e1 a compor algumas alian\u00e7as t\u00e1ticas com partidos da esquerda nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Na atual conjuntura, marcada pela crise em partes expressivas da esquerda que transitam aceleradamente de um programa social-democrata j\u00e1 t\u00edmido, para o neoliberalismo com um verniz suave de preocupa\u00e7\u00f5es sociais, se cria um cen\u00e1rio de composi\u00e7\u00f5es entre esta esquerda moderada e setores da direita. Alian\u00e7as como estas se expressam em candidaturas como Lula-Alckmin, ou nas vacila\u00e7\u00f5es do PSOL, que para al\u00e9m da perda de quadros para setores ainda mais recuados, tem promovido um giro em dire\u00e7\u00e3o ao PT, apostando na composi\u00e7\u00e3o ministerial com o Partido dos Trabalhadores, abrindo m\u00e3o de candidaturas pr\u00f3prias para presid\u00eancia da rep\u00fablica, e para o governo de diversos estados, como no caso de Guilherme Boulos em S\u00e3o Paulo. A pol\u00edtica de federa\u00e7\u00f5es anuncia agora como farsa aquilo que j\u00e1 se apresentara como trag\u00e9dia, confirmando associa\u00e7\u00f5es cada vez mais duvidosas pautadas em um suposto pragmatismo, que coloca no balc\u00e3o de neg\u00f3cios os ide\u00e1rios pol\u00edticos, rifados em projetos de concilia\u00e7\u00e3o com representantes do capital.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio o PCB tem apostado cada vez mais em suas candidaturas pr\u00f3prias e alian\u00e7as pontuais com segmentos mais avan\u00e7ados. Em 2014 o Partido lan\u00e7ou sua pr\u00e9-candidatura para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica na chapa Mauro Iasi e Sofia Manzano, e embora tenha optado por apoiar Guilherme Boulos em 2018 para presid\u00eancia, vem revendo a pol\u00edtica de alian\u00e7as, uma vez constatadas as vacila\u00e7\u00f5es de setores outrora aliados. Em 2020 o PCB optou por um programa pol\u00edtico mais voltado para sua autoconstru\u00e7\u00e3o, contando com importantes candidaturas para verean\u00e7a em diversas capitais, mas \u00e9 em 2022 que o PCB firma efetivamente uma pol\u00edtica eleitoral coesa, coerente com sua linha, colocando em marcha diversas pr\u00e9-campanhas pr\u00f3prias seja nas pr\u00e9-candidaturas proporcionais, seja nas pr\u00e9-candidaturas majorit\u00e1rias Brasil afora.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica eleitoral do PCB em 2022 aposta, assim, na pr\u00e9-candidatura da Professora e Economista Sofia Manzano para presid\u00eancia da rep\u00fablica, como ponta de lan\u00e7a de um projeto radicalmente popular, orientado tanto para medidas imediatas para retirada do Brasil da crise, como, ao mesmo tempo, para reestrutura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder, tirando da institucionalidade o eixo das lutas e da pol\u00edtica, trazendo \u00e0 tona a pauta das ruas, bem como o papel do proletariado e da luta de classes como articulador e equalizador da pol\u00edtica em geral. Junto \u00e0 candidatura de Sofia Manzano, emergem candidaturas proporcionais nos estados, que j\u00e1 foram anunciadas nos principais estados brasileiros, como no caso da Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>No estado da Bahia o PCB optou por disputar as elei\u00e7\u00f5es com uma pr\u00e9-candidatura pr\u00f3pria para o Governo do Estado, anunciada no \u00faltimo dia 11 de mar\u00e7o e prepara para os pr\u00f3ximos dias o lan\u00e7amento de suas pr\u00e9-candidaturas proporcionais para Deputados Federais. Emerge assim uma plataforma pol\u00edtica com um programa local, pautado nas demandas regionais com suas especificidades, mas ao mesmo tempo, associada a um programa geral que d\u00ea conta de dar in\u00edcio a algumas das transforma\u00e7\u00f5es urgentes da realidade brasileira. O PCB chega em 2022, portanto, com uma agenda eleitoral viva, robusta, e que promete disputar o terreno pol\u00edtico nesta via, tensionando por um programa de esquerda e abra\u00e7ando as bandeiras hist\u00f3ricas deste campo pol\u00edtico que foram abandonadas por diversos de seus outrora signat\u00e1rios.<\/p>\n<p>O programa pol\u00edtico apresentado pelo PCB \u2013 ainda em car\u00e1ter parcial \u2013 aponta alguns elementos centrais: a revoga\u00e7\u00e3o imediata do teto de gastos, rompendo com a agenda neoliberal sob o mantra da \u201cresponsabilidade fiscal\u201d, reconduzindo o Estado para o papel de ator central na economia do pa\u00eds, direcionando assim investimentos p\u00fablico n\u00e3o apenas para infraestrutura, mas para a inser\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do estado como ator econ\u00f4mico, criando e consolidando empresas p\u00fablicas, refor\u00e7ando o servi\u00e7o p\u00fablico, investindo em carreiras e concursos, promovendo um processo de nacionaliza\u00e7\u00e3o e reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas, bancos e todos setores estrat\u00e9gicos, criando condi\u00e7\u00f5es para uma pol\u00edtica de pleno emprego. Ao lado disso vem uma pol\u00edtica de investimento na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter p\u00fablico, gratuito e de qualidade, rompendo com as transfer\u00eancias de recursos p\u00fablicos para a iniciativa privada, bem como com os projetos de precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e da seguridade social. O PCB almeja, ainda, um projeto que contemple as quest\u00f5es ambientais, incorporando novas matrizes energ\u00e9ticas, em associa\u00e7\u00e3o \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es das comunidades tradicionais, povos ind\u00edgenas e quilombolas. Por fim \u00e9 pautada uma nova pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica, pondo fim \u00e0 guerra \u00e0s drogas. Tal proposta traz a desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia como uma de suas bandeiras centrais para p\u00f4r fim ao genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra e das periferias do Brasil.<\/p>\n<p>A quadra hist\u00f3rica baiana carrega ainda alguns elementos extras, como as disputas palacianas no interior do bloco petista com seus aliados internos e externos, gerando cada vez mais fraturas. O Carlismo, por sua vez, busca retomar o centro da pol\u00edtica baiana em um cen\u00e1rio no qual o legado petista, marcado pelos governos Wagner e Rui Costa, pouqu\u00edssimo se diferenciaram das pr\u00e1ticas carlistas e da agenda neoliberal. Tal cena cultiva um fermento extra para a mobiliza\u00e7\u00e3o de alternativas, e o PCB promete n\u00e3o perder a oportunidade de mostrar a que veio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28697\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"A pol\u00edtica de federa\u00e7\u00f5es anuncia como farsa aquilo que j\u00e1 se apresentara como trag\u00e9dia, confirmando associa\u00e7\u00f5es cada vez mais duvidosas pautadas em um suposto pragmatismo, rifando ide\u00e1rios pol\u00edticos em projetos de concilia\u00e7\u00e3o com o capital.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[222],"class_list":["post-28697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7sR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28697"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28697\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}