{"id":28736,"date":"2022-05-04T13:01:58","date_gmt":"2022-05-04T16:01:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28736"},"modified":"2022-05-04T13:01:58","modified_gmt":"2022-05-04T16:01:58","slug":"nao-a-extradicao-de-facundo-molares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28736","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 extradi\u00e7\u00e3o de Facundo Molares!"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 40px;\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/adelantepymatic.files.wordpress.com\/2022\/05\/diseno-sin-titulo-4.png?w=747\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Facundo Molares: \u00abMinha incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 luta na Col\u00f4mbia foi pol\u00edtica e ainda a reivindico, creio que era justa\u00bb<\/p>\n<p>Jornal Adelante! &#8211; Partido Comunista Paraguaio<\/p>\n<p>O juiz federal argentino Guido Otranto (defensor da oligarquia, encobridor do crime de Santiago Maldonado e raivoso antimapuche) julgou contra o militante popular Facundo Molares, no processo de extradi\u00e7\u00e3o solicitado pelo Estado da Col\u00f4mbia. Otranto ignorou tanto os Acordos de Paz como o risco que corre Molares em territ\u00f3rio colombiano, repleta de crimes no \u00e2mbito do terrorismo de Estado.<\/p>\n<p>O magistrado de Esquel ignorou tamb\u00e9m todas as provas apresentadas pela defesa exercida pela Uni\u00e3o de Advogadas e Advogados. Se a Corte ratificar o apelo de Otranto, caber\u00e1 ao presidente argentino, Alberto Fern\u00e1ndez, decidir finalmente se Molares ser\u00e1 transladado ou n\u00e3o para a Col\u00f4mbia. Militantes de diversas organiza\u00e7\u00f5es do campo popular seguem a batalha pela liberdade e contra a extradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a audi\u00eancia no dia 02 de maio, o camarada Facundo saudou todos os dirigentes e militantes populares que se solidarizaram com a luta contra sua extradi\u00e7\u00e3o, em particular aqueles que se encontravam \u00e0s portas da Penitenci\u00e1ria de Ezeiza num acampamento. &#8220;Desde crian\u00e7a senti a necessidade de lutar por justi\u00e7a, creio que isto \u00e9 um imperativo \u00e9tico e moral que muitos jovens possuem. Fui refinando minhas convic\u00e7\u00f5es, meus conhecimentos, e j\u00e1 na juventude optei por tomar partido na luta pela justi\u00e7a social, pela igualdade dos seres humanos. Essa luta que assumi me levou a tomar decis\u00f5es de muito compromisso, entre elas, creio que a mais importante que tomei na minha vida foi me vincular a uma luta num pa\u00eds irm\u00e3o, na Col\u00f4mbia, luta na qual investi quase a metade de minha vida, e na qual aprendi muito&#8221;, expressou Facundo.<\/p>\n<p>Facundo prosseguiu sua interven\u00e7\u00e3o assinalando que &#8220;Col\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds de grandes contradi\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 um pa\u00eds onde os camponeses, a gente humilde possuem grandes valores. \u00c9 um povo de muita nobreza, de muita irmandade e possui tamb\u00e9m uma classe dominante atroz (somente compar\u00e1vel \u00e0s ditaduras militares na Argentina ou no Chile) que, nos \u00faltimos 40 ou 50 anos, produziu cem mil desaparecidos, trezentos mil assassinados, tr\u00eas milh\u00f5es de camponeses expulsos de suas terras, oito milh\u00f5es de hectares de terras de camponeses tomados \u00e0 for\u00e7a pelos grandes propriet\u00e1rios rurais. Essa situa\u00e7\u00e3o de abuso e arbitrariedade comoveram meu esp\u00edrito e decidi conscientemente me juntar, com a mod\u00e9stia e a convic\u00e7\u00e3o que sempre tive, a uma luta pol\u00edtica por uma grande mudan\u00e7a nessa sociedade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Foi assim que me incorporei \u00e0s For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia, uma organiza\u00e7\u00e3o que tinha objetivos pol\u00edticos muito claros, e o fiz com clareza pol\u00edtica do que estava fazendo. No transcurso do tempo em que estive ali desempenhei tarefas muito diversas. Fui organizador social, assumi tarefas de solu\u00e7\u00e3o de problemas comunit\u00e1rios, o que na Col\u00f4mbia chamam &#8216;Comit\u00ea de concilia\u00e7\u00e3o&#8217;, onde se chamam as partes envolvidas num conflito e, com um mediador, como era o meu caso, facilit\u00e1vamos a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas comunit\u00e1rios para que n\u00e3o chegassem a situa\u00e7\u00f5es maiores. Desempenhei muitas tarefas desse tipo assim como outras tarefas pol\u00edticas, e aprendi muito, aprendi que, quando n\u00e3o se luta por justi\u00e7a social, o que vem \u00e9 um grande estado de decomposi\u00e7\u00e3o da sociedade, creio que essa \u00e9 uma experi\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o universal&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso creio que o compromisso de toda esta gente que tem me acompanhado nestes dias na porta da penitenci\u00e1ria, em todas as cidades do pa\u00eds, em todas as prov\u00edncias, \u00e9 um compromisso muito grande e valoroso, os abra\u00e7o muito fraternalmente, aos jornalistas, dirigentes de Direitos Humanos e pol\u00edticos, expresso meu maior agradecimento, e sei que n\u00e3o o est\u00e3o fazendo apenas por solidariedade comigo, mas porque s\u00e3o suas convic\u00e7\u00f5es, e os homens e mulheres de convic\u00e7\u00f5es atuamos dessa maneira, pelo fato de fazer o bem&#8221;, assinalou.<\/p>\n<p>&#8220;Senhor juiz, minha incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 luta na Col\u00f4mbia foi uma incorpora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a qual continuo reivindicando, pois creio que era justa. Esta luta pol\u00edtica, por outros meios, \u00e9 a que tamb\u00e9m continuo exercendo num pa\u00eds como a Argentina, que n\u00e3o est\u00e1 em guerra, onde pelo menos h\u00e1 outro trato com as lutas sociais, se nem sempre respeitoso, ao menos n\u00e3o chega ao n\u00edvel de barb\u00e1rie que se desenvolveu na Col\u00f4mbia. Aqui, portanto, podemos promover uma luta por um pa\u00eds melhor em outros termos, pelo menos no momento&#8221;, enfatizou.<\/p>\n<p>Recordou que h\u00e1 30 anos milita na pol\u00edtica e que, ao retornar de sua milit\u00e2ncia na Col\u00f4mbia, &#8220;decidi voltar ao antigo of\u00edcio que tinha antes de partir para o norte, de rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico, tendo a sorte de ser admitido em duas revistas digitais, e fui escalado para cobrir o golpe de Estado na Bol\u00edvia, em fins de 2019. Nessas circunst\u00e2ncias, tirando fotos, fui ferido e tive uma complica\u00e7\u00e3o renal, terminei em um hospital em estado de coma. A surpresa foi que, ao despertar ap\u00f3s 25 dias de coma, estava preso \u00e0 cama e detido por um governo ditatorial que se havia instalado naqueles dias, enquanto eu estava agonizante. Passei treze meses preso na Bol\u00edvia, mas a luta do povo argentino e de amigos, homens e mulheres de bem no mundo, com um grande apoio popular, conseguiu sensibilizar o novo governo argentino e fui resgatado gra\u00e7as a uma a\u00e7\u00e3o da embaixada e do novo presidente, Alberto Fern\u00e1ndez, que enviou um avi\u00e3o presidencial para me buscar na Bol\u00edvia, remediando em alguma medida o abandono a que fui deixado naquelas circunst\u00e2ncias. Voltei \u00e0 Argentina e ao meu trabalho, ao meu compromisso com o povo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Sobre o pedido de extradi\u00e7\u00e3o, creio que, como meus advogados e as testemunhas j\u00e1 t\u00eam demonstrado irrefutavelmente, a Jurisdi\u00e7\u00e3o Especial de Paz (JEP) \u00e9 o tribunal que deveria assumir o meu caso, e se sua senhoria comunicar \u00e0 JEP, eu estou disposto a fazer o que a JEP estabelecer&#8221;, finalizou.<\/p>\n<p>Mais abaixo, a reflex\u00e3o de Leonardo Ju\u00e1rez, dirigente do Movimento Rebeli\u00e3o Popular, organiza\u00e7\u00e3o a que pertence Facundo.<\/p>\n<p>Consagra\u00e7\u00e3o da impunidade, senten\u00e7a vergonhosa e arrogante<\/p>\n<p>Desde o estabelecimento de uma sociedade dividida em possuidores e dirigentes de um lado e despossu\u00eddos e trabalhadores do outro, a classe dominante desenvolveu direitos, moral e a lei em defesa de seus privil\u00e9gios. A neglig\u00eancia escrupulosa de tais detalhes transparentes \u00e9 a chave para o absurdo &#8220;vener\u00e1vel&#8221; de economistas, pol\u00edticos e comunicadores que profetizam do altar dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Envoltos em doutrinas e palavras com o mais convincente sotaque democr\u00e1tico, escondem o pano de fundo que n\u00e3o deve ser visto e canonizam a fraude. Pol\u00edticos e ju\u00edzes que representam as classes possuidoras esquecem os votos de justi\u00e7a democr\u00e1tica t\u00e3o fatalmente quanto padres superalimentados e subocupados esquecem o voto de castidade. A pol\u00edtica das classes dominantes \u00e9 e ser\u00e1 seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio gordo e n\u00e3o um parco servi\u00e7o aos despossu\u00eddos e, portanto, pregar moralidade para eles \u00e9 como pregar castidade em um bordel. Enquanto houver propriedade privada e, portanto, divis\u00e3o de classes, as fraudes, roubos e subornos e a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de militantes populares ser\u00e3o constitucionalmente obrigat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Isso ficou plenamente demonstrado com o parecer parcial do Juiz Otranto na causa abra\u00e7ada por ele para extraditar nosso camarada Facundo Molares para a Col\u00f4mbia. A sua posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos surpreende, mas n\u00e3o deixa de nos encher de vergonha e indigna\u00e7\u00e3o pela impunidade com que operam, entregando a um Estado que violou sistematicamente o processo de Paz, um cidad\u00e3o argentino, que tem mais em comum com o combatentes dos ex\u00e9rcitos de San Mart\u00edn e Bol\u00edvar, que lutaram pela independ\u00eancia, sem pedir nada em troca, que deixaram rastros de sua sa\u00fade naquela companhia e voltaram com uma m\u00e3o atr\u00e1s e a outra na frente, pobres, apenas com o orgulho de terem cumprido seu dever. Este juiz quer reduzi-lo a ser portador de uma ideologia criminosa, classificando sua luta como um crime comum. Em nome de seus camaradas da Rebeli\u00e3o Popular e de todos aqueles que comp\u00f5em o comando em defesa de sua liberdade, estamos fazendo um esfor\u00e7o e luta extremos, para n\u00e3o dar nenhuma batalha por perdida.<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o do fundo da consci\u00eancia e do cora\u00e7\u00e3o irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<br \/>\nFonte: https:\/\/adelantenoticias.com\/2022\/05\/02\/facundo-molares-extradicion\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28736\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Durante a audi\u00eancia, o camarada Facundo saudou todos os dirigentes e militantes populares que se solidarizaram com a luta contra sua extradi\u00e7\u00e3o, em particular aqueles que se encontravam \u00e0s portas da Penitenci\u00e1ria de Ezeiza num acampamento.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[227],"class_list":["post-28736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7tu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}