{"id":28757,"date":"2022-05-10T09:56:25","date_gmt":"2022-05-10T12:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28757"},"modified":"2022-05-10T09:56:25","modified_gmt":"2022-05-10T12:56:25","slug":"lituania-um-paraiso-neoliberal-a-beira-do-colapso-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28757","title":{"rendered":"Litu\u00e2nia: um para\u00edso neoliberal \u00e0 beira do colapso econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/16387.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Via<a href=\"https:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/lituania-um-paraiso-neo-liberal-beira-do-colapso-economico\"> AbrilAbril<\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Trabalhadores da LTG, a companhia nacional de transportes ferrovi\u00e1rios da Litu\u00e2nia, afixam cartazes com imagens da guerra na Ucr\u00e2nia, em solidariedade com as v\u00edtimas. Poucas semanas depois, como consequ\u00eancia das san\u00e7\u00f5es, foi anunciada a demiss\u00e3o de cerca de 25% destes trabalhadores.<\/em><br \/>\n<em>Cr\u00e9ditos da inagem: D. Umbrasas \/ LRT<\/em><\/p>\n<p>Frequentemente tida como um caso de sucesso na aplica\u00e7\u00e3o de medidas econ\u00f4micas neoliberais, a Litu\u00e2nia enfrenta, hoje, grandes desigualdades econ\u00f4micas e uma das maiores taxas de infla\u00e7\u00e3o da Europa: 16,6%.<\/p>\n<p>Em confer\u00eancia de imprensa nos finais do m\u00eas de Abril, a LTG, a companhia nacional de transporte ferrovi\u00e1rio da Litu\u00e2nia, anunciou a demiss\u00e3o de, pelo menos, dois mil trabalhadores. Representando 22% de toda a for\u00e7a de trabalho da empresa, \u00e9 a resposta capitalista \u00e0 perda de 50% dos servi\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia das san\u00e7\u00f5es aplicadas \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 Bielorr\u00fasia.<\/p>\n<p>Numa reportagem da Euronews, publicada em 28 de abril, um pequeno empres\u00e1rio da \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o temia n\u00e3o conseguir acompanhar a escala de pre\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o e garantir um sal\u00e1rio digno aos seus funcion\u00e1rios: \u00abtenho de arranjar alternativas ao aumento dos sal\u00e1rios, como benef\u00edcios e vantagens, os que n\u00e3o t\u00eam contrato exigem o ajuste todas as semanas\u00bb.<\/p>\n<p>Por seu lado, uma sondagem realizada pelo Swedbank, um banco sueco, demonstra que nove em cada dez lituanos se encontra muito receoso quanto ao futuro da economia do seu pa\u00eds. As raz\u00f5es s\u00e3o evidentes: ap\u00f3s anos de desinvestimento no setor p\u00fablico, com uma cada vez maior parcela da sociedade sendo ocupada pelo setor privado, o efeito boomerang das san\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e1 sendo sentido pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como resposta, o governo lituano, que reviu em baixa o d\u00e9ficit para este ano, vai come\u00e7ar a financiar diretamente a popula\u00e7\u00e3o, aumentando as pens\u00f5es e isentando parte da sociedade do pagamento de impostos. A a\u00e7\u00e3o do governo vem demasiado tarde e pouco efeito ter\u00e1 num mercado em que os pre\u00e7os aumentam quase diariamente e os produtos alimentares come\u00e7am a faltar nas prateleiras.<\/p>\n<p>Os efeitos desta recess\u00e3o ser\u00e3o sentidos, majoritariamente e como n\u00e3o podia deixar de ser, pelas popula\u00e7\u00f5es com menor poder aquisitivo. No caso da Litu\u00e2nia, a situa\u00e7\u00e3o atinge contornos particularmente graves: a desigualdade econ\u00f4mica atinge de tal forma a sociedade que 54% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 poupan\u00e7as superiores a mil euros, rapidamente consumidas pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com um crescimento de 37,5% no setor da Habita\u00e7\u00e3o, 17,1% na Alimenta\u00e7\u00e3o, 22,1% nos transportes, os trabalhadores da Litu\u00e2nia s\u00e3o as principais v\u00edtimas das san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e comerciais aplicadas \u00e0 R\u00fassia, no contexto da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>Para\u00edso econ\u00f4mico, inferno dos povos<\/strong><\/p>\n<p>Depois de d\u00e9cadas sucessivas de continuado crescimento populacional, o desmembramento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica deu lugar a um aut\u00eantico ex\u00f4do: desde 1991, quase um milh\u00e3o de pessoas, majoritariamente jovens, saiu do pa\u00eds em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho, o que corresponde a uma perda populacional de 25%.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber por qu\u00ea. A esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida na Litu\u00e2nia, 74 anos, \u00e9 uma das mais baixas na Uni\u00e3o Europeia, apenas ligeiramente acima da m\u00e9dia mundial de 72 anos. A inexist\u00eancia de uma boa rede de cuidados m\u00e9dicos e a fragilidade das leis laborais contribuem significativamente para esta realidade.<\/p>\n<p>No fundo da tabela do PIB per capita europeu, Portugal degladia-se com a Litu\u00e2nia, estando, em dados de 2020, ligeiramente acima desse pa\u00eds. Esta realidade \u00e9 frequentemente usada por dirigentes da Iniciativa Liberal (IL) para justificar a defesa da flat-tax, aplicada pelo governo de inspira\u00e7\u00e3o liberal em fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00abA Litu\u00e2nia introduziu reformas liberais na economia e ofereceu a investidores e trabalhadores um sistema fiscal muito atrativo\u00bb, referia, nas suas redes sociais, a IL, em 2019. Sem nunca explicar porque \u00e9 que a atratividade da economia continuava a empurrar dezenas de milhares de jovens lituanos para o estrangeiro, esta aparente liberdade econ\u00f4mica esconde uma realidade menos conveniente aos desmandos dos liberais.<\/p>\n<p>Com uma das despesas mais baixas da UE em termos de gastos com a sa\u00fade e com o encerramento de dezenas de unidades hospitalares desde a sa\u00edda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (52 desde esse per\u00edodo), se explica, em parte, a fraca esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida da popula\u00e7\u00e3o que decide continuar a viver no pa\u00eds. A privatiza\u00e7\u00e3o do setor obriga a uma despesa avolumada da popula\u00e7\u00e3o para ter acesso a cuidados m\u00e9dicos essenciais.<\/p>\n<p>A liberdade econ\u00f4mica, conferida pela m\u00edstica flat tax, pouco fez para reduzir a elevada taxa de suic\u00eddios, a mais alta do mundo: atualmente corresponde a 26 mortes por 100 mil habitantes. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o ajudam. Em 2015, 37% dos trabalhadores afirmavam que o seu trabalho prejudicava seriamente a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OECD), o desempenho acad\u00eamico dos estudantes da Litu\u00e2nia est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia mundial. O investimento na educa\u00e7\u00e3o, t\u00e3o valorizada no per\u00edodo sovi\u00e9tico, est\u00e1 hoje em n\u00edveis m\u00ednimos hist\u00f3ricos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28757\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Trabalhadores da LTG, a companhia nacional de transportes ferrovi\u00e1rios da Litu\u00e2nia, afixam cartazes com imagens da guerra na Ucr\u00e2nia. 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