{"id":28765,"date":"2022-05-11T10:15:11","date_gmt":"2022-05-11T13:15:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28765"},"modified":"2022-05-11T10:15:11","modified_gmt":"2022-05-11T13:15:11","slug":"os-efeitos-da-pandemia-sobre-os-casos-de-suicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28765","title":{"rendered":"Os efeitos da pandemia sobre os casos de suic\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-20.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Entrevista com R\u00f4mulo Caires, m\u00e9dico e militante do PCB da Bahia\u00a0por Angelo Barreto &#8211; <a href=\"https:\/\/revistaoipe.org\/2022\/05\/10\/os-efeitos-da-crise-pandemica-sobre-as-mortes-por-suicidio-entrevista-com-romulo-caires\/\">Revista O Ip\u00ea<\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>O adoecimento ps\u00edquico durante a pandemia de covid-19 refletiu n\u00e3o apenas a precariedade das pol\u00edticas nacionais de sa\u00fade, como tamb\u00e9m o agravamento das contradi\u00e7\u00f5es sociais.<\/em><\/p>\n<p>Nesta passagem do s\u00e9culo XX para o s\u00e9culo XIX o suic\u00eddio tem sido considerado um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de\u00a0800 mil pessoas\u00a0se suicidam todos os anos. O suic\u00eddio afeta fam\u00edlias, comunidades e pa\u00edses inteiros, al\u00e9m de promover efeitos duradouros nas pessoas que se relacionavam afetivamente com o\/a suicida. A morte autoinfligida, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecida, foi a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todas as regi\u00f5es do mundo, no ano de 2016. Nesse mesmo ano, 79% dos casos ocorreram em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, ainda de acordo com a OMS.<\/p>\n<p><strong>Os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre as mortes por suic\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p>Objetivando estimar o excesso de suic\u00eddios no Brasil e avaliar padr\u00f5es dentro e entre as regi\u00f5es do pa\u00eds em 2020, o estudo\u00a0realizado pelos pesquisadores Jesem Orellana (Fiocruz Amaz\u00f4nia) e Maximiliano Ponte (Fiocruz Cear\u00e1) mostrou \u201cparte dos efeitos indiretos associados \u00e0 primeira onda da pandemia de Covid-19 sobre as mortes por suic\u00eddio, com aumento significativo nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, socioeconomicamente mais vulner\u00e1veis\u201d. Na regi\u00e3o Norte, as mortes por suic\u00eddio alcan\u00e7aram um excesso de 26% entre homens com 60 anos ou mais. Enquanto que na regi\u00e3o Nordeste esse padr\u00e3o foi observado entre mulheres com 60 anos ou mais, com excesso de suic\u00eddios de 40%.<\/p>\n<p>Se\u00a06.249.700 vidas\u00a0foram ceifadas diretamente pela pandemia de Covid-19, outras tantas foram levadas em decorr\u00eancia de efeitos indiretos da pandemia em outras causas de morte, como o suic\u00eddio. Os autores conclu\u00edram que \u201capesar da diminui\u00e7\u00e3o geral (13%) na taxa de suic\u00eddios no Brasil no per\u00edodo avaliado, houve um excesso substancial de suic\u00eddios em diferentes faixas et\u00e1rias e sexos das regi\u00f5es Norte e Nordeste do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o diversos os fatores associados ao suic\u00eddio: tentativa pregressa de suic\u00eddio, transtornos depressivos, transtorno de personalidade, situa\u00e7\u00f5es de estresse e press\u00e3o, alcoolismo, viv\u00eancia de conflitos, uso de subst\u00e2ncias psicoativas, hist\u00f3ria de abuso sexual, casos de suic\u00eddio na fam\u00edlia, idade (jovem ou idoso), trabalho militar ou paramilitar, profiss\u00f5es de sa\u00fade (especialmente m\u00e9dico\/a), desemprego, baixa escolaridade, baixa renda, condi\u00e7\u00e3o de solteiro\/a, adversidades variadas encontradas em contexto de desastres (ambientais ou provocados por a\u00e7\u00e3o humana) tais como les\u00f5es f\u00edsicas ou danos \u00e0 propriedade e pertencimento a grupos que sofrem discrimina\u00e7\u00e3o (refugiados, migrantes, ind\u00edgenas, pessoas l\u00e9sbicas, gays, bissexuais,\u00a0transexuais, intersexuais (LGBTI), pessoas em situa\u00e7\u00e3o prisional).<\/p>\n<p>No Brasil, o cen\u00e1rio de\u00a0adoecimento ps\u00edquico\u00a0e suic\u00eddio da classe trabalhadora tem se intensificado n\u00e3o somente em decorr\u00eancia da crise sanit\u00e1ria e pand\u00eamica dos \u00faltimos dois anos, mas tamb\u00e9m pelo hist\u00f3rico processo de precariza\u00e7\u00e3o e\u00a0financiamento insuficiente\u00a0da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. Em s\u00edntese, o suic\u00eddio \u00e9 um desfecho resultante de uma complexa rede de condi\u00e7\u00f5es degradantes que incluem fatores de vulnerabilidade e condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade pr\u00e9-existentes ao n\u00edvel pessoal, mas tamb\u00e9m de manifesta\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas, agravadas pelo atual est\u00e1gio do capitalismo.<\/p>\n<p>Para melhor compreender as nuances relativas ao fen\u00f4meno do suic\u00eddio num cen\u00e1rio de crise pand\u00eamica, a Revista O Ip\u00ea entrevistou o m\u00e9dico R\u00f4mulo Caires, que atua na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS) na regi\u00e3o metropolitana de Salvador e, \u00e9 militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da corrente sindical Unidade Classista (UC).<\/p>\n<p>Revista O Ip\u00ea: Considerando o hist\u00f3rico de precariedade da sa\u00fade p\u00fablica brasileira, com seu financiamento insuficiente e longo processo de privatiza\u00e7\u00e3o, quais os impactos disso na degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e, por tabela, na amplia\u00e7\u00e3o dos casos de suic\u00eddio no Brasil?<\/p>\n<p>R\u00f4mulo Caires:\u00a0De fato, observamos uma grande contradi\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. Se o desenvolvimento capitalista traz consigo demandas de maior interven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no corpo social com o intuito de garantir a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, se a sa\u00fade p\u00fablica se faz necess\u00e1ria como condi\u00e7\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas, o n\u00edvel de reconhecimento social do que sejam condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para a reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho varia historicamente, varia geograficamente e varia de acordo com a din\u00e2mica das lutas sociais.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Brasil engendrou uma via de desenvolvimento capitalista no qual a vida das classes trabalhadoras nunca foi tomada como uma prioridade. A necessidade de m\u00e3o de obra para o processo de moderniza\u00e7\u00e3o brasileiro foi garantida pela imensa massa de expropriados, sendo o passado escravagista continuamente atualizado na forma como a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 exterminada, seja por meio de imensas jornadas de trabalho, seja pela manuten\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o de desempregados v\u00edtimas da fome, seja por seu assassinato pelas pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Esse pre\u00e2mbulo se faz necess\u00e1rio para entender como a sa\u00fade p\u00fablica brasileira se desenvolveu no seio dessa sociedade eivada pelo conflito de classe e pelo racismo. Em muitos sentidos, a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil seguiu a din\u00e2mica de \u201crevolu\u00e7\u00e3o pelo alto\u201d, no qual as transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o se engendraram a partir da luta radical dos que vem de baixo, mas pela articula\u00e7\u00e3o das classes dominantes, que nunca se interessaram realmente em proteger a vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>As lutas que mobilizaram toda uma gama de trabalhadores da sa\u00fade, partidos pol\u00edticos, sindicatos, intelectuais e usu\u00e1rios de sa\u00fade nos anos 70 e 80 conseguiram arrancar o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), mas n\u00e3o puderam enfrentar radicalmente a din\u00e2mica de acumula\u00e7\u00e3o capitalista no setor sa\u00fade e perderam o \u00edmpeto contestat\u00f3rio ao se limitarem ao \u00e2mbito institucional. O SUS foi assim subfinanciado, desfinanciado e ainda contribuiu para reproduzir a l\u00f3gica privatista no seu pr\u00f3prio seio.<\/p>\n<p>Se o SUS p\u00f4de apresentar um programa que visava alcan\u00e7ar a sa\u00fade do trabalhador em sua integralidade foi por reconhecer as doen\u00e7as e o sofrimento ps\u00edquico como determinados pela pr\u00f3pria forma de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade. O suic\u00eddio precisa ser compreendido assim como um fen\u00f4meno que emerge das condi\u00e7\u00f5es de cada per\u00edodo hist\u00f3rico. A sociedade capitalista sempre contaminou, capturou ou extinguiu as diversas formas de vida e rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. O imperativo do lucro, o individualismo hegem\u00f4nico, a pr\u00f3pria dureza das condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dias de vida do trabalhador brasileiro os coloca em situa\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a sucumbirem diante dos conflitos existentes.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio n\u00e3o deixa de ser um efeito da destrui\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os comunit\u00e1rios e da dissolu\u00e7\u00e3o da riqueza de sentidos que uma vida humana pode comportar. Quando pensamos em um sistema de sa\u00fade que d\u00ea conta da integralidade de um ser humano estamos tamb\u00e9m pensando num sistema capaz de atuar nas diversas dimens\u00f5es desta vida, seja no \u00e2mbito do trabalho ou da vida cotidiana. A precariza\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os impede o acesso aos cuidados em sa\u00fade que poderiam se n\u00e3o impedir a exist\u00eancia do suic\u00eddio, dar suporte na recupera\u00e7\u00e3o de quadros graves de sofrimento ps\u00edquico.<\/p>\n<p><strong>RI: De que modo as crises sanit\u00e1ria e pand\u00eamica impactam na amplia\u00e7\u00e3o dos casos de suic\u00eddio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RC:\u00a0<\/strong>A crise sanit\u00e1ria e pand\u00eamica expressou um sintoma de outra crise maior que \u00e9 do sistema metab\u00f3lico do capital. Ao agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida da imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o se acrescentou a devasta\u00e7\u00e3o causada pelas mais de 650 mil mortes por Covid-19. A pandemia n\u00e3o apenas deflagrou imenso sofrimento pelas perdas de vida que poderiam ter sido poupadas, mas tamb\u00e9m intensificou o isolamento e a individualiza\u00e7\u00e3o. Os casos de suic\u00eddio nesse per\u00edodo refletem n\u00e3o apenas a precariedade das pol\u00edticas nacionais de sa\u00fade como tamb\u00e9m o agravamento das contradi\u00e7\u00f5es sociais, o aumento da sensa\u00e7\u00e3o de abandono e desamparo.<\/p>\n<p><strong>RI: \u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar uma rela\u00e7\u00e3o entre adoecimento ps\u00edquico, suic\u00eddio e as manifesta\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas, agravadas pelo atual est\u00e1gio do capitalismo? Quais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RC:\u00a0<\/strong>O est\u00e1gio atual do capitalismo \u00e9 por muitos denominado de etapa neoliberal ou etapa de reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva. O enorme desenvolvimento das for\u00e7as produtivas no s\u00e9culo XX, principalmente ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o microeletr\u00f4nica, operou grande transforma\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es trabalhistas e aumento do n\u00famero de desempregados. Vivenciamos avan\u00e7o da l\u00f3gica da mercadoria nos mais diversos \u00e2mbitos da vida humana e a grande derrota da classe trabalhadora representada pelo fim da URSS fez muitos acreditarem no fim da hist\u00f3ria e na vit\u00f3ria final do capitalismo como modo de vida.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 que o capitalismo n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi capaz de dar respostas satisfat\u00f3rias aos dilemas societ\u00e1rios do s\u00e9culo XXI, como agravou uma s\u00e9rie de problem\u00e1ticas que j\u00e1 estavam latentes desde sua forma\u00e7\u00e3o. Me refiro \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental, ao racismo, \u00e0 domina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e sexualidade, ao desemprego estrutural e \u00e0 perda de qualquer horizonte de soberania alimentar. Assistimos novamente \u00e0 explos\u00e3o no n\u00famero de pessoas passando fome em todo o mundo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que estimula os trabalhadores a serem gestores de sua pr\u00f3pria vida e de sua pr\u00f3pria sa\u00fade. S\u00e3o assim responsabilizados pelas suas condi\u00e7\u00f5es de vida e muitas vezes internalizam mecanismos de inferioriza\u00e7\u00e3o que promovem intenso sofrimento.<\/p>\n<p>A perda do horizonte de uma nova sociedade que de fato consolide pr\u00e1ticas de liberdade substantiva deixa a maioria das pessoas entregues a falsos \u00eddolos e p\u00edlulas m\u00e1gicas. Nesse sentido, o desenvolvimento capitalista representa hoje a destrui\u00e7\u00e3o de vidas e sonhos e determina o quadro geral de muitas das formas de sofrimento ps\u00edquico contempor\u00e2neo e a intensifica\u00e7\u00e3o nos casos de suic\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>RI: Pensando a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista, pela qual n\u00f3s comunistas tanto lutamos, qual o modelo de sa\u00fade mental podemos esperar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>RC:<\/strong>\u00a0Devemos esperar que o modelo de sa\u00fade mental de uma sociedade emancipada n\u00e3o seja baseado em paradigmas naturalizantes e que abordem o ser humano inserido na din\u00e2mica totalizante da vida societal. Nessa via, a abordagem e o cuidado \u00e0s patologias e sofrimentos da psiqu\u00ea n\u00e3o ser\u00e3o baseadas em teorias individualistas e que reificam a subjetividade humana.<\/p>\n<p>Podemos assim propor que a sociedade socialista ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de abordar o problema da sa\u00fade mental umbilicalmente ligado \u00e0 din\u00e2mica de reprodu\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo. A oferta de diversos servi\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es materiais que possibilitem uma vida mais plena de sentido ser\u00e1 acompanhada de tratamentos individuais que possibilitem os seres humanos enfrentarem os n\u00f3s e inconsist\u00eancias de suas vidas subjetivas, sempre comunicando essa elabora\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o dos diversos \u00e2mbitos da vida social, sejam eles afetivos, pol\u00edticos e culturais.<\/p>\n<p>O poder da classe trabalhadora ser\u00e1 o ponto de apoio para a reestrutura\u00e7\u00e3o de todo um modo de viver a vida mais livre e sem as amarras da explora\u00e7\u00e3o capitalista. Isso n\u00e3o se confunde com o sonho religioso de fim de qualquer tens\u00e3o e sofrimento humano, mas indica a constru\u00e7\u00e3o de vidas menos dilaceradas e alienadas de suas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28765\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"A perda do horizonte de uma nova sociedade que consolide pr\u00e1ticas de liberdade substantiva deixa a maioria das pessoas entregues a falsos \u00eddolos e p\u00edlulas m\u00e1gicas. 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