{"id":28769,"date":"2022-05-12T12:16:30","date_gmt":"2022-05-12T15:16:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28769"},"modified":"2022-05-12T12:16:30","modified_gmt":"2022-05-12T15:16:30","slug":"e-um-erro-acreditar-em-acordo-com-a-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28769","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 um erro acreditar em acordo com a direita&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-22.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 um erro acreditar em acordo com a direita&#8221;, diz pr\u00e9-candidata comunista Sofia Manzano, pr\u00e9-candidata do PCB \u00e0 presid\u00eancia<\/em><\/p>\n<p><strong>Entrevista de Sofia Manzano para Lucas Borges Teixeira do UOL<\/strong><\/p>\n<p>Industrializa\u00e7\u00e3o, reestatiza\u00e7\u00e3o de empresas, controle da taxa de c\u00e2mbio, revoga\u00e7\u00e3o das reformas e organiza\u00e7\u00e3o do estado em torno da classe trabalhadora. Se, ao ler essas propostas, a palavra comunista vier \u00e0 mente, a associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 correta. A forma\u00e7\u00e3o de um Estado que possibilite o fim das diferen\u00e7as entre classes sociais \u00e9 o centro do pr\u00e9-candidatura da economista paulistana Sofia Manzano ao Pal\u00e1cio do Planalto pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). Para ela, &#8220;\u00e9 um erro&#8221; partidos de esquerda acreditarem em qualquer tipo de alian\u00e7a com a direita.<\/p>\n<p>No ano do seu centen\u00e1rio, o Partid\u00e3o de Jorge Amado e Carlos Marighella viu novamente a necessidade de lan\u00e7ar candidatura pr\u00f3pria \u00e0 presid\u00eancia e tem investido em pr\u00e9-candidaturas a governos estaduais, incluindo Pernambuco, com o produtor de conte\u00fado Jones Manoel (PCB).<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que Manzano se lan\u00e7a a um cargo majorit\u00e1rio. Em 2014, comp\u00f4s a chapa de Mauro Iazi (PCB) como vice, mas acabou em d\u00e9cimo lugar, com 0,05% dos votos, \u00e0 frente apenas do PCO. Economista com doutorado na USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), \u00e9 professora da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) em Vit\u00f3ria da Conquista (BA) e produz pesquisas sobre mercado de trabalho e desigualdade social.<\/p>\n<p>Ao UOL, ela explica parte do seu plano de governo, defende o modelo comunista &#8220;voltado \u00e0 classe trabalhadora&#8221; e a revoga\u00e7\u00e3o &#8220;de todas as reformas&#8221;, reavalia os erros da esquerda desde que chegou ao poder, com Lula (PT), em 2002, e explica por que o partido mais uma vez n\u00e3o aderiu \u00e0 alian\u00e7a coordenada pelo PT.<\/p>\n<p><strong>Os erros da esquerda<\/strong><\/p>\n<p>Filiada ao PCB desde 1989, quando tinha 18 anos, Manzano participou de todas as elei\u00e7\u00f5es presidenciais junto ao partido desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Em tr\u00eas momentos, apoiou e foi \u00e0s ruas pela candidatura do PT e de Lula: em 1994, 1998 e 2002, quando veio a vit\u00f3ria. Com a ascens\u00e3o do ex-presidente, o PCB tornou-se cr\u00edtico ao ent\u00e3o governo petista (tanto que apoiou o PSOL em 2006 e 2018), em especial por causa da &#8220;alian\u00e7a com a centro-direita&#8221;. Este foi, para Manzano, um dos principais erros da esquerda no governo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um erro acreditar que \u00e9 poss\u00edvel fazer algum tipo de alian\u00e7a mais org\u00e2nica com a direta, que representa seus pr\u00f3prios interesses &#8211; por mais variados que sejam &#8211; e que estes acordos ser\u00e3o cumpridos. \u00c9 s\u00f3 estudar um pouco da hist\u00f3ria do Brasil que vemos que a direita brasileira \u00e9 extremamente autorit\u00e1ria. Quando seus interesses n\u00e3o s\u00e3o atendidos na integralidade, ela ou d\u00e1 um golpe como o de 1964, ou derruba o presidente &#8211; ou a presidenta&#8221;, completa, referindo-se ao golpe que implantou a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.<\/p>\n<p>Isso, ela avalia, segue acontecendo na pr\u00e9-campanha petista \u2014e n\u00e3o s\u00f3 na figura da escolha do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), ex-tucano, mas de outras alian\u00e7as que Lula tem costurado na sua pr\u00e9-candidatura. &#8220;Todas essas poss\u00edveis costuras, a conversa com o MDB, essa procura de coaliz\u00e3o que chamo de centro-direita, est\u00e3o muito mais voltadas a reproduzir uma rela\u00e7\u00e3o de classe mais rebaixada ainda do que era em 2003 [quando Lula assumiu]&#8221;, critica.<\/p>\n<p>Esse foi um dos motivos pelos quais o partido comunista mais uma vez decidiu seguir cr\u00edtico \u00e0s propostas petistas e n\u00e3o se juntar ao partido. &#8220;Acreditamos que essa polaridade que est\u00e1 se consolidando, de uma candidatura de extrema-direita e outra que representa centro-esquerda, mas tamb\u00e9m setores da direita, n\u00e3o est\u00e1 colocando em debate quest\u00f5es centrais da vida trabalhadora. [Devemos colocar,] em primeiro lugar, a classe trabalhadora, e n\u00e3o os interesses de estabilidade pol\u00edtico-eleitoral de manuten\u00e7\u00e3o de cargos&#8221;, afirma a candidata.<\/p>\n<p>Ela ainda n\u00e3o fala em apoio a Lula num eventual segundo turno com Bolsonaro por argumentar que isso cabe a &#8220;uma decis\u00e3o coletiva&#8221;, mas diz que \u00e9 preciso impedir a reelei\u00e7\u00e3o do presidente &#8220;de qualquer jeito&#8221;. Uma coisa n\u00f3s [do PCB] temos: responsabilidade pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao momento que n\u00f3s vivemos e temos a certeza de que, nesse processo eleitoral, a principal quest\u00e3o \u00e9 derrotar Bolsonaro, [o vice-presidente Hamilton] Mour\u00e3o, [o ministro da Economia Paulo] Guedes e toda essa quadrilha.<\/p>\n<p><strong>Um governo voltado \u00e0 classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a quarta vez desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o que o PCB aponta candidato pr\u00f3prio \u00e0 presid\u00eancia (antes, em 1989, 2010 e 2014). Ap\u00f3s quase quatro anos de um governo de direita e conservador, comandado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), e com taxa de desemprego acima dos dois d\u00edgitos, Manzano diz que \u00e9 o momento mais prop\u00edcio para retomar a empreitada.<\/p>\n<p>Para ela, o Brasil precisa, mais do que nunca, pensar na organiza\u00e7\u00e3o de um estado &#8220;em torno da classe trabalhadora&#8221;. Se a classe trabalhadora n\u00e3o estiver organizada a partir dos seus pr\u00f3prios interesses, independente das estruturas do Estado, ela n\u00e3o alcan\u00e7a os objetivos m\u00ednimos, e, por mais que o Estado possa fazer alguma pol\u00edtica de aux\u00edlio, quando ela n\u00e3o est\u00e1 organizada, esses direitos s\u00e3o rapidamente desmontados, como vimos em todas as reformas.&#8221;<\/p>\n<p>Como base central da candidatura, Manzano prega a revoga\u00e7\u00e3o de todas as reformas realizadas no governo Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018, e a revers\u00e3o do processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil. &#8220;[As reformas] precarizaram n\u00e3o s\u00f3 as condi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, mas da pr\u00f3pria estrutura produtiva nacional. O Brasil passa a ser exportador de produtos com baixo valor agregado&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>De acordo com uma pesquisa da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) publicada em mar\u00e7o de 2021, o Brasil acentuou o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o a partir de 2015. Em seis anos (2015-2021), o pa\u00eds fechou 36,6 mil f\u00e1bricas \u2014 equivalente a 17 unidades por dia. &#8220;Um pa\u00eds desse tamanho, que j\u00e1 teve parque industrial significativo, com popula\u00e7\u00e3o urbanizada, voltar a ser exportador de commodities simplesmente, \u00e9 fazer uma regress\u00e3o social com um empobrecimento brutal da popula\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Como reverter, ent\u00e3o? Est\u00edmulo ao processo de industrializa\u00e7\u00e3o por meio do estado, com nacionaliza\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias de setores-chave, e controle da taxa de c\u00e2mbio, sugere a economista. &#8220;Tradicionalmente, o Estado foi o grande impulsionador da industrializa\u00e7\u00e3o [no Brasil]. Somos completamente favor\u00e1veis \u00e0 reestatiza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos: petr\u00f3leo, energia, utiliza\u00e7\u00e3o do subsolo. O Estado precisa investir e dinamizar esses setores&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m diz ser preciso controlar a taxa de c\u00e2mbio. &#8220;Todo pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina que fez processo de industrializa\u00e7\u00e3o intensa o fez. Se ela fica totalmente livre e, principalmente, vinculada ao capital estrangeiro especulativo, sempre vai prejudicar o investimento interno, tendo como prioridade apenas os interesses desse mercado.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Desigualdade e concentra\u00e7\u00e3o de renda &#8216;provam que capitalismo n\u00e3o deu certo&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro nasceu \u00e0 luz da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique, na R\u00fassia, sob o objetivo de trazer a mesma revolu\u00e7\u00e3o para c\u00e1. Cem anos depois, se algumas demandas mudaram, Manzano argumenta que a concentra\u00e7\u00e3o de renda e a desigualdade social em grande parte do globo &#8220;s\u00e3o a prova de que o capitalismo, de fato, n\u00e3o deu certo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma quantidade gigantesca da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 exclu\u00edda do processo produtivo [empregadas] como exclu\u00edda de condi\u00e7\u00f5es de vida minimamente dignas. O comunismo \u00e9 o projeto que nunca foi experimentado \u2014 o que tivemos foram experi\u00eancias socialistas \u2014, que \u00e9 acabar com a desigualdade fundamental da nossa sociedade, que \u00e9 a sociedade de classes&#8221;, afirma a presidenci\u00e1vel. &#8220;O meu governo pretende colocar as pol\u00edticas econ\u00f4micas, p\u00fablicas, sociais, de desenvolvimento, de meio ambiente, a servi\u00e7o de uma estrutura\u00e7\u00e3o de uma classe trabalhadora que entenda a necessidade desse processo revolucion\u00e1rio&#8221;, diz a economista.<\/p>\n<p>Ela reconhece, no entanto, que n\u00e3o se transforma uma sociedade capitalista em comunista por meio de uma elei\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas por meio eleitoral pode se chegar a prioridades que levem em considera\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, os interesses da classe trabalhadora e n\u00e3o os interesses da classe dominante.&#8221;<\/p>\n<p><em>[Imagem: Luiza Magalh\u00e3es\/PCB RJ]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28769\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Industrializa\u00e7\u00e3o, reestatiza\u00e7\u00e3o de empresas, controle da taxa de c\u00e2mbio, revoga\u00e7\u00e3o das reformas e organiza\u00e7\u00e3o do estado em torno da classe trabalhadora. 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