{"id":28817,"date":"2022-05-21T15:33:35","date_gmt":"2022-05-21T18:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28817"},"modified":"2022-05-21T15:33:35","modified_gmt":"2022-05-21T18:33:35","slug":"quem-tem-direito-a-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28817","title":{"rendered":"Quem tem direito \u00e0 mem\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-28.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Ivie Mendon\u00e7a e Ruggeron Reis*<\/strong><\/p>\n<p><em>O caso do Memorial do Jacarezinho e a disputa pelo espa\u00e7o p\u00fablico<\/em><\/p>\n<p>No dia 11 de maio, a Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro destruiu o Memorial \u00e0s v\u00edtimas da Chacina do Jacarezinho, localizado na favela de mesmo nome. Como consta em nota do Observat\u00f3rio Cidade Integrada:<\/p>\n<p>\u201cO Memorial foi uma a\u00e7\u00e3o concreta para lembrar as 28 vidas perdidas, sejam elas civis ou policiais, v\u00edtimas da pol\u00edtica de viol\u00eancia que os governos do Estado do RJ v\u00eam aplicando contra a popula\u00e7\u00e3o de favela, em sua maioria composta por pessoas negras, ano ap\u00f3s ano, por diferentes governantes que ocupam esta posi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A nota destaca ainda o Memorial como pertencente a uma s\u00e9rie de atividades realizadas no Jacarezinho por organiza\u00e7\u00f5es populares locais e coletivos que intervinham no estado urbano imediato da Favela para pensar outras formas de presen\u00e7a do Estado, que n\u00e3o por meio da viol\u00eancia, esquecimento e silenciamento da juventude e trabalhadores.<\/p>\n<p>Tal epis\u00f3dio marca mais uma ofensiva aos direitos de pessoas pretas e pobres: neste caso, o direito \u00e0 mem\u00f3ria. A disputa pela mem\u00f3ria marcada em espa\u00e7os p\u00fablicos traz consigo a emerg\u00eancia do debate sobre o que deve ser esquecido e o que merece ser lembrado. Assim, tal processo de sele\u00e7\u00e3o pode ser considerado mais uma express\u00e3o da luta de classes, sendo a mem\u00f3ria dominante a mem\u00f3ria da classe dominante. \u00c9 a a\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da burguesia em pr\u00e1tica, em constante ataque \u00e0s classes trabalhadoras e \u00e0 chamada franja marginal.<\/p>\n<p>Os ataques s\u00e3o feitos pois sabem que, neste caso espec\u00edfico e em tantos outros, o uso da mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas para atender ao processo de luto, mas tamb\u00e9m ao processo de den\u00fancia e articula\u00e7\u00e3o das demandas concretas da popula\u00e7\u00e3o do Jacarezinho. O papel reivindicat\u00f3rio da mem\u00f3ria se coloca ent\u00e3o no horizonte de se escrever uma hist\u00f3ria a contrapelo, uma resposta de quem \u00e9 atacado. Enquanto h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o pelo Estado de monumentos dedicados a preservar a mem\u00f3ria dos ditos grandes her\u00f3is nacionais, que em verdade s\u00e3o documentos da barb\u00e1rie que constitui a forma\u00e7\u00e3o do Brasil, h\u00e1 por parte deste mesmo Estado investidas contra a valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria popular.<\/p>\n<p><strong>Apagar a mem\u00f3ria da nossa luta s\u00f3 serve aos interesses de quem n\u00e3o tem interesse na nossa vit\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p>Se apresenta como um dos nossos deveres enquanto comunistas denunciar mais essa face do cen\u00e1rio de guerra declarada aos pobres e oprimidos, uma vez que a pol\u00edtica da burguesia se desdobra sobre a mem\u00f3ria individual e coletiva do nosso povo. Assim, pensar criticamente os processos de mem\u00f3ria, esquecimento e sil\u00eancio, \u00e9 amplificar a vis\u00e3o para as mem\u00f3rias marginalizadas. O processo de monumentaliza\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria de nossa classe, ainda que por meio de marcos traum\u00e1ticos, \u00e9 uma contraofensiva \u00e0 mem\u00f3ria oficializada e um lembrete \u00e0 classe dominante: Aos nossos mortos, nem um minuto de sil\u00eancio, mas toda uma vida de luta.<\/p>\n<p>*Militantes da UJC e Minervino do Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28817\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Se apresenta como um dos nossos deveres enquanto comunistas denunciar mais essa face do cen\u00e1rio de guerra declarada aos pobres e oprimidos, uma vez que a pol\u00edtica da burguesia se desdobra sobre a mem\u00f3ria individual e coletiva do nosso povo.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[222],"class_list":["post-28817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7uN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}