{"id":2884,"date":"2012-05-21T18:53:08","date_gmt":"2012-05-21T18:53:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2884"},"modified":"2012-05-21T18:53:08","modified_gmt":"2012-05-21T18:53:08","slug":"cgu-ve-irregularidades-em-aplicacoes-do-fgts","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2884","title":{"rendered":"CGU v\u00ea irregularidades em aplica\u00e7\u00f5es do FGTS"},"content":{"rendered":"\n<p>Investiga\u00e7\u00e3o da Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) apontou que a libera\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 3 bilh\u00f5es para incorporadoras imobili\u00e1rias pelo Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) foi alvo de um esquema irregular que teria beneficiado funcion\u00e1rios da Caixa Econ\u00f4mica Federal e conselheiros do fundo. Para a CGU, ficou caracterizada &#8220;situa\u00e7\u00e3o de conflito de interesses na gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos e privados&#8221;. Com R$ 260 bilh\u00f5es em ativos, o FGTS auxilia o trabalhador demitido sem justa-causa.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios da CGU aos quais o Valor teve acesso mostram que a funcion\u00e1ria da Caixa Marcelita Marques Marinho, o integrante do conselho curador do FGTS Celso Petrucci e o membro do Grupo de Apoio Permanente (GAP) do conselho curador do FGTS e do comit\u00ea de investimento do FI-FGTS Andr\u00e9 Luiz de Souza s\u00e3o ou foram s\u00f3cios ou dirigentes da Sscore, empresa que prestou servi\u00e7os para seis das sete emiss\u00f5es de deb\u00eantures de incorporadoras compradas pelo FGTS entre 2009 e 2010 e analisadas pela CGU no ano passado. Hoje, nenhum dos tr\u00eas ocupa esses cargos. O FGTS comprou pap\u00e9is de 13 empresas, mas a CGU fez uma auditoria parcial.<\/p>\n<p>A Caixa \u00e9 respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o do FGTS, decidindo suas aplica\u00e7\u00f5es. Depois de tomar conhecimento da auditoria da CGU, o banco decidiu refor\u00e7ar a estrutura de governan\u00e7a do fundo (ler texto abaixo). O conselho curador \u00e9 a inst\u00e2ncia do FGTS que decide suas principais linhas de investimento, entre elas, a aplica\u00e7\u00e3o em deb\u00eantures e em fundos de investimento. \u00c9 presidido pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego e composto por entidades representativas dos trabalhadores, dos empregadores e do governo. O GAP faz o assessoramento t\u00e9cnico dos curadores. Por causa dessas rela\u00e7\u00f5es, a CGU apontou &#8220;participa\u00e7\u00e3o conflituosa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ficou claramente evidenciada a exist\u00eancia de interesses alheios aos da defesa da regular aplica\u00e7\u00e3o dos recursos do FGTS, visto que tanto um conselheiro, um representante integrante do GAP e do comit\u00ea de investimentos do FI-FGTS, como servidores da Caixa participaram de empresas que fizeram neg\u00f3cios com empresas beneficiadas pelas opera\u00e7\u00f5es com recursos do FGTS&#8221;, diz o relat\u00f3rio da CGU de novembro de 2011.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o da auditoria \u00e9 que essas tr\u00eas pessoas podem ter exercido influ\u00eancia no processo de decis\u00e3o de investimento do FGTS, ao mesmo tempo em que teriam recebido parte do dinheiro liberado pelo fundo como pagamento por servi\u00e7os privados prestados. Algumas das companhias que captaram recursos do FGTS por meio da emiss\u00e3o de deb\u00eantures foram Gafisa, Odebrecht, Trisul, Rodobens, MRV, PDG e Rossi (ler texto abaixo).<\/p>\n<p>Figura central da auditoria da CGU \u00e9 Andr\u00e9 Luiz de Souza. Integrante do conselho curador do FGTS pela Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) at\u00e9 2007, Souza \u00e9 s\u00f3cio de sete empresas de consultoria imobili\u00e1ria que, segundo a CGU, s\u00e3o &#8220;parceiras&#8221; da Caixa, entre elas Sscore, Contrathos e Arche.<\/p>\n<p>Depois de renunciar ao assento que tinha no conselho curador, Souza permaneceu como membro do comit\u00ea de investimentos do FI-FGTS, fundo que aplica recursos em a\u00e7\u00f5es e pap\u00e9is de d\u00edvida de empresas de infraestrutura, e do Grupo de Apoio Permanente do FGTS. Mesmo tendo mudado de fun\u00e7\u00e3o, Souza continuou tendo participa\u00e7\u00e3o ativa nas reuni\u00f5es do conselho curador, segundo a CGU.<\/p>\n<p>Nas emiss\u00f5es de deb\u00eantures, a Sscore &#8211; sociedade de Souza, Petrucci e Marcelita &#8211; exerceu o papel de agente de garantia, isto \u00e9, de respons\u00e1vel por zelar pelas garantias dadas pelas incorporadoras ao FGTS. \u00c9 uma figura que, de acordo com a CGU, \u00e9 facultativa nas opera\u00e7\u00f5es de deb\u00eantures.<\/p>\n<p>Em outro caso, a Contrathos, empresa de Andr\u00e9 Souza, foi contratada como agente de cr\u00e9dito por um fundo de direitos credit\u00f3rios criado pela RB Capital e que recebeu recursos do FGTS. Se alcan\u00e7asse o limite m\u00e1ximo de patrim\u00f4nio permitido, de R$ 450 milh\u00f5es, o fundo pagaria \u00e0 Contrathos R$ 2 milh\u00f5es por ano pelos servi\u00e7os de agente de cr\u00e9dito, segundo a CGU. Hoje, o fundo gerido pela RB tem patrim\u00f4nio de R$ 235 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Petrucci \u00e9 economista-chefe do Secovi-SP (sindicato do setor imobili\u00e1rio) e ex-integrante do conselho curador do FGTS pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio. Tamb\u00e9m chegou a presidir, at\u00e9 o ano passado, a Contrathos. Nos relat\u00f3rios da CGU, ele aparece como representante legal da Sscore, mas Pettrucci afirmou ao Valor ser s\u00f3cio da Sscore. At\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o Souza n\u00e3o foi localizado no escrit\u00f3rio da Sscore. Petrucci justificou que Souza estava em viagem.<\/p>\n<p>Petrucci negou conflito de interesse. &#8220;N\u00e3o tem como ligar as coisas, o fato de eu ter sido conselheiro do FGTS e s\u00f3cio da Sscore. Como conselheiro, n\u00e3o tinha influ\u00eancia nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do fundo, que s\u00e3o aprovadas pela Caixa&#8221;, disse Petrucci, que renunciou ao conselho em julho de 2011, depois que a apura\u00e7\u00e3o da CGU teve in\u00edcio. No mesmo m\u00eas, Souza tamb\u00e9m renunciou aos cargos no FI-FGTS e no Grupo de Apoio Permanente.<\/p>\n<p>&#8220;Fui parar no FGTS porque sou um t\u00e9cnico. Durante todos esses anos [2005 a 2011] fiz um trabalho volunt\u00e1rio. S\u00f3 que ao mesmo tempo em que ajudava no crescimento do fundo, tinha que continuar meus neg\u00f3cios&#8221;, alegou Petrucci.<\/p>\n<p>A Sscore foi fundada em 2008, um ano antes de o FGTS come\u00e7ar a comprar deb\u00eantures do setor imobili\u00e1rio e de infraestrutura para fomentar a constru\u00e7\u00e3o num momento em que a economia brasileira sofria os efeitos da crise mundial. &#8220;A Sscore fez um primeiro trabalho para uma emiss\u00e3o de deb\u00eanture do FGTS e depois as outras empresas tamb\u00e9m nos procuraram, por isso, fizemos tantas opera\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou Petrucci.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a Marcelita Marques Marinho, a CGU afirma que ela permaneceu durante oito meses como superintendente nacional de risco de cr\u00e9dito da Caixa e s\u00f3cia da Sscore, at\u00e9 se aposentar do banco. Dona de outra consultoria, a MMM &amp; Associados, Marcelita tinha como s\u00f3cias tr\u00eas funcion\u00e1rias da \u00e1rea de risco da Caixa: Edna Lima, Nat\u00e1lia Evangelista e Tha\u00eds Rodrigues da Silva. Marcelita n\u00e3o foi localizada pela reportagem.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios da CGU foram produzidos entre julho e dezembro de 2011. Agora, o caso est\u00e1 na Procuradoria Geral da Rep\u00fablica, que iniciou um inqu\u00e9rito no m\u00eas passado para investigar as constata\u00e7\u00f5es. Dependendo da conclus\u00e3o, o caso pode parar na Justi\u00e7a. Procurada desde quarta-feira, a CGU n\u00e3o retornou os pedidos de entrevista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>BNDES vai ganhar R$ 10 bi para linhas de cr\u00e9dito<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Tesouro vai liberar R$ 10 bilh\u00f5es para refor\u00e7ar as linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Os recursos fazem parte do esfor\u00e7o para irrigar o mercado com cr\u00e9dito e acelerar a expans\u00e3o da atividade, que teve baixo desempenho no primeiro quadrimestre deste ano.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m prepara novas medidas de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito, que podem ser anunciadas nesta semana. &#8220;O governo quer animar a economia para acelerar o crescimento&#8221;, disse uma fonte.<\/p>\n<p>No card\u00e1pio, redu\u00e7\u00f5es de taxas de juros nos empr\u00e9stimos para a habita\u00e7\u00e3o oferecidos pela Caixa Econ\u00f4mica Federal e medidas para destravar o cr\u00e9dito para a aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Entre elas, a libera\u00e7\u00e3o de parte dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios que as institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o obrigadas a deixar no Banco Central, o barateamento do custo do dinheiro, a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de presta\u00e7\u00f5es e a redu\u00e7\u00e3o do valor da entrada.<\/p>\n<p>Uma fonte do governo informou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acertou na semana passada com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, o in\u00edcio do repasse dos R$ 45 bilh\u00f5es anunciados entre as medidas da segunda fase do Plano Brasil Maior. O banco receber\u00e1 R$ 10 bilh\u00f5es em junho e outros R$ 10 bilh\u00f5es no segundo semestre. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o BNDES n\u00e3o precisar\u00e1, este ano, de todo o montante anunciado. O restante ficar\u00e1 para 2013.<\/p>\n<p>Mais recursos. Mantega decidiu anunciar um valor maior do que a necessidade estimada para o BNDES em 2012 para sinalizar que o governo n\u00e3o deixar\u00e1 faltar recursos para o setor produtivo. Foi justamente para emitir esse recado ao mercado, que o valor inicialmente trabalhado foi ampliado de R$ 30 bilh\u00f5es para R$ 45 bilh\u00f5es. As linhas operadas com recursos do Tesouro t\u00eam taxas de juros subsidiadas e s\u00e3o destinadas a capital de giro e investimentos das empresas.<\/p>\n<p>Para o setor da constru\u00e7\u00e3o civil, a Fazenda negocia com a Caixa a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros das linhas de financiamento habitacional operadas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pedido da Associa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de Material de Constru\u00e7\u00e3o (Abramat), tenta destravar o cr\u00e9dito para pessoas f\u00edsicas comprarem material de constru\u00e7\u00e3o at\u00e9 R$ 20 mil. Essa linha tem R$ 1 bilh\u00e3o do FGTS, mas n\u00e3o deslanchou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o em acelerar o cr\u00e9dito para habita\u00e7\u00e3o do programa Minha Casa Minha Vida. A presidente Dilma Rousseff j\u00e1 anunciou que a meta do programa passar\u00e1 de 2 milh\u00f5es para 2,4 milh\u00f5es de unidades at\u00e9 2014.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 com o setor automotivo. As empresas est\u00e3o com estoques elevados e o governo teme demiss\u00f5es. A equipe econ\u00f4mica tem mantido reuni\u00f5es com representantes do setor e dos bancos para destravar o cr\u00e9dito, que secou com a alta da inadimpl\u00eancia. Mantega j\u00e1 determinou que Caixa e Banco do Brasil ofere\u00e7am mais empr\u00e9stimos para a compra de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Krugman: &#8216;Sa\u00edda da Gr\u00e9cia \u00e9 inevit\u00e1vel&#8217;<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O Nobel de Economia Paul Krugman afirmou, em entrevista \u00e0 revista alem\u00e3 &#8220;Der Spiegel&#8221;, que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro \u00e9 inevit\u00e1vel. O economista sugeriu, ainda, que pa\u00edses como Espanha e It\u00e1lia n\u00e3o devem iniciar investimentos p\u00fablicos elevados porque ter\u00e3o dificuldade de financiamento.<\/p>\n<p>&#8220;Odeio dizer isto porque \u00e9 como gritar fogo em um cinema cheio de gente. Mas n\u00e3o h\u00e1 alternativa. Todas as solu\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em debate n\u00e3o servem para resolver o desastre&#8221;, disse o economista \u00e0 publica\u00e7\u00e3o alem\u00e3.<\/p>\n<p>Krugman afirmou, ainda, que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro deve provocar fuga de capital dos pa\u00edses vizinhos e sugeriu que o Banco Central Europeu reaja com uma inje\u00e7\u00e3o de liquidez. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, no entanto, a situa\u00e7\u00e3o de Espanha e It\u00e1lia \u00e9 mais f\u00e1cil porque os problemas n\u00e3o s\u00e3o consequ\u00eancia de irresponsabilidade, como \u00e9 o caso da Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Na entrevista, Krugman tamb\u00e9m n\u00e3o poupou cr\u00edticas \u00e0 postura da chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, de defender a austeridade fiscal a todo custo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Receita estimada para 2012 diminui em R$ 10 bi<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo federal confirmou na sexta-feira que a receita estimada para o ano diminuiu em quase R$ 10 bilh\u00f5es. No relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o fiscal relativo ao per\u00edodo de mar\u00e7o\/abril, a receita administrada pela Receita Federal projetada para 2012 caiu para R$ 690,02 bilh\u00f5es, ante os R$ 700 bilh\u00f5es da previs\u00e3o anterior. O relat\u00f3rio divulgado pelo Minist\u00e9rio do Planejamento traz a reavalia\u00e7\u00e3o do governo para a execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, \u00e0 luz do que ocorreu no segundo bimestre do ano.<\/p>\n<p>Assim, os n\u00fameros apontam que, apesar de esperar uma receita com tributos (n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica, mas constitui a parcela majorit\u00e1ria das receitas do governo) mais elevada no primeiro bimestre do ano, o que realmente entrou nos cofres do governo foi menor, gerando uma queda nas proje\u00e7\u00f5es para 2012 no valor de R$ 9,98 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, o governo mant\u00e9m proje\u00e7\u00e3o de alta de 4,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) no ano, apostando no efeito ben\u00e9fico que a redu\u00e7\u00e3o dos juros e o aumento do cr\u00e9dito via bancos oficiais ter\u00e1 na economia.<\/p>\n<p>A aposta do governo destoa dos analistas do mercado, que j\u00e1 cogitam crescimento da economia mais fraco que os 2,7% observados em 2011. O pr\u00f3prio ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que chegar a 4,5% em 2012 ser\u00e1 muito dif\u00edcil, &#8220;aspirando algo em torno de 4%&#8221; (ver mais sobre o assunto na p\u00e1gina A6).<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelos n\u00fameros, a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda justifica que &#8220;ap\u00f3s apresentar ligeira contra\u00e7\u00e3o no terceiro trimestre de 2011, influenciada pela deteriora\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio internacional&#8221;, a economia brasileira voltou a &#8220;recuperar o dinamismo j\u00e1 no fim do ano passado, acelerando o crescimento de forma gradual no primeiro trimestre de 2012&#8221;. Justifica ainda no texto que as medidas de est\u00edmulo adotadas pelo governo &#8220;ainda n\u00e3o afetaram, plenamente, a atividade econ\u00f4mica&#8221;.<\/p>\n<p>A SPE diz ainda que a economia deve acelerar nos pr\u00f3ximos trimestres, &#8220;como resultado da redu\u00e7\u00e3o nas taxas b\u00e1sicas de juros, da eleva\u00e7\u00e3o da oferta de cr\u00e9dito pelos bancos p\u00fablicos, al\u00e9m da implementa\u00e7\u00e3o de medidas&#8221; do Plano Brasil Maior.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio, entretanto, h\u00e1 a ressalva de que as incertezas no front internacional recomendam manuten\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros macroecon\u00f4micos &#8220;elaborados em mar\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>A taxa b\u00e1sica de juros Selic m\u00e9dia esperada caiu de 10,48% para 9,86% em 2012, enquanto a proje\u00e7\u00e3o do \u00edndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), \u00edndice que mede a infla\u00e7\u00e3o oficial, se manteve em 4,7% no ano.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bom da Rio+20 \u00e9 a sociedade, dizem cientistas<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A exatamente um m\u00eas da Rio+20, membros da sociedade civil reunidos ontem em S\u00e3o Paulo em debate sobre a confer\u00eancia para o desenvolvimento sustent\u00e1vel manifestaram que, nessa altura dos acontecimentos, o melhor que se pode esperar do evento \u00e9 que ele sirva para fortalecer a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;Os temas que est\u00e3o colocados na Rio+20 &#8211; economia verde, governan\u00e7a e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza &#8211; s\u00e3o como recome\u00e7ar o mundo. Sem d\u00favida s\u00e3o coisas que dependem de acordos entre governos, mas temos a sensa\u00e7\u00e3o de que esses acordos v\u00e3o demorar cada vez mais. Ent\u00e3o \u00e9 fundamental a sociedade se mobilizar por esses temas, pressionar&#8221;, afirmou o pesquisador da USP Pedro Roberto Jacobi, do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Ambiental. Ele falou durante debate no evento Viva a Mata, que celebra o Dia Nacional da Mata Atl\u00e2ntica, no domingo.<\/p>\n<p>Jacobi resumiu um sentimento que prevalece na academia, entre organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e at\u00e9 entre os negociadores de alto n\u00edvel de certo pessimismo que a confer\u00eancia n\u00e3o resulte em compromissos mais concretos para que o mundo se encaminhe para o t\u00e3o falado desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel \u00e9 com a Rio-92, vista como um momento que representou uma mudan\u00e7a de paradigma.<\/p>\n<p>&#8220;A Rio+20 significa um nada, um vazio. De 92 para c\u00e1 o que aconteceu foi a n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o de tudo o que foi acordado. S\u00f3 que passados 20 anos, temos hoje muito mais dados e certezas de que caminhamos para um desastre ambiental e o que acontece? Nada&#8221;, disse Jo\u00e3o Paulo Capobianco, do Instituto Democracia e Sustentabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma reuni\u00e3o sem entendimento m\u00ednimo sobre o que se espera dela, marcada pela falta de l\u00edderes, e que n\u00e3o vai enfrentar nosso pior problema, que \u00e9 a falta de governan\u00e7a, a incapacidade de implementar acordos que n\u00f3s mesmos fizemos&#8221;,<\/p>\n<p>Para o economista Ricardo Abramovay, tamb\u00e9m da USP, s\u00f3 uma forte press\u00e3o social poderia levar a confer\u00eancia a alcan\u00e7ar pelo menos uma nova forma de medir e avaliar o crescimento econ\u00f4mico que seja alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB). &#8220;Precisamos entrar no m\u00e9rito do que o sistema econ\u00f4mico de fato est\u00e1 oferecendo para a sociedade para podermos julgar se essa oferta aumenta o bem-estar das pessoas ou n\u00e3o e se est\u00e1 comprometendo os servi\u00e7os ofertados pela natureza ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Lista de produtos de material de constru\u00e7\u00e3o com IPI reduzido pode ser ampliada<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo federal avalia a possibilidade de ampliar a lista de produtos de material de constru\u00e7\u00e3o beneficiados com a redu\u00e7\u00e3o de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Na quarta-feira, os representantes do setor pediram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mais 30 produtos fossem inclu\u00eddos no grupo dos desonerados de IPI, o que implicaria a queda de pre\u00e7o ao consumidor e, consequentemente, aumento das vendas. A \u00e1rea econ\u00f4mica est\u00e1 estudando a proposta.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Materiais de Constru\u00e7\u00e3o (Abramat), Walter Cover, a solicita\u00e7\u00e3o foi para que o governo zerasse a al\u00edquota de todos os produtos de material de constru\u00e7\u00e3o. Mas ele admite que uma redu\u00e7\u00e3o parcial j\u00e1 daria um al\u00edvio. &#8220;Seria importante esse est\u00edmulo porque como a concorr\u00eancia \u00e9 forte, a diminui\u00e7\u00e3o da al\u00edquota seria repassada para os pre\u00e7os&#8221;, afirmou. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, no entanto, \u00e9 fundamental destravar o cr\u00e9dito para que o setor consiga atingir o crescimento projetado de 4,5% neste ano.<\/p>\n<p>Em 2011, a baixa do IPI para materiais de constru\u00e7\u00e3o foi prorrogada para o fim deste ano. A proposta do setor, que est\u00e1 sendo analisada pela \u00e1rea econ\u00f4mica, \u00e9 aumentar a lista de beneficiados e por um prazo maior.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o da lista de desonerados de IPI, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Comerciantes de Materiais de Constru\u00e7\u00e3o (Anamaco), Cl\u00e1udio Conz, refor\u00e7ou ao ministro que os bancos t\u00eam dificultado o acesso ao cr\u00e9dito. Conz destacou que nem o dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) para a compra de material de constru\u00e7\u00e3o pela classe m\u00e9dia est\u00e1 sendo liberado pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Em janeiro, o conselho curador do FGTS aprovou o uso do recurso do trabalhador para compra de material de constru\u00e7\u00e3o. Inicialmente, foram aprovados R$ 300 milh\u00f5es do fundo para a opera\u00e7\u00e3o, que dependendo da demanda poderia ser elevado para at\u00e9 R$ 1 bilh\u00e3o. A regulamenta\u00e7\u00e3o foi finalizada em mar\u00e7o, mas ainda n\u00e3o houve libera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo um representante do conselho do FGTS, os bancos alegam que n\u00e3o querem atuar com a linha porque o risco de inadimpl\u00eancia \u00e9 alto. O FGTS determinou uma remunera\u00e7\u00e3o de 6% ao ano e as institui\u00e7\u00f5es financeiras n\u00e3o podem cobrar uma taxa superior a 12% ao ano, que \u00e9 o teto para opera\u00e7\u00f5es do Sistema Financeiro da Habita\u00e7\u00e3o (SFH).<\/p>\n<p>Para o consultor do setor de material de constru\u00e7\u00e3o Melvin Fox, ex-presidente da Abramat, houve um aumento do endividamento das fam\u00edlias que n\u00e3o querem pegar dinheiro emprestado com um juro t\u00e3o alto. A diminui\u00e7\u00e3o do custo do empr\u00e9stimo pelos bancos p\u00fablicos \u00e9 importante para alavancar o setor, mas deveria ser maior. Ele defende tamb\u00e9m a desonera\u00e7\u00e3o do IPI para todos os produtos de material de constru\u00e7\u00e3o. &#8220;Estudos mostram que a redu\u00e7\u00e3o do IPI acaba estimulando o setor. S\u00f3 n\u00e3o vejo agora uma queda radical&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>A queda do ritmo de crescimento da arrecada\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, no entanto, pode ser utilizada pela \u00e1rea econ\u00f4mica como argumento para limitar as desonera\u00e7\u00f5es de impostos. A previs\u00e3o de receitas administradas neste ano teve uma queda de quase R$ 10 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cr\u00e9dito restrito explica PIB menor, diz Mantega<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, est\u00e1 convencido de que o fraco desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano decorreu, em boa parte, de uma restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito verificada no per\u00edodo. &#8220;Uma a\u00e7\u00e3o pr\u00f3-c\u00edclica dos bancos, no sentido de reduzir a disponibilidade de cr\u00e9dito&#8221;, disse, em entrevista ao Valor.<\/p>\n<p>Segundo ele, essa restri\u00e7\u00e3o afetou de forma mais n\u00edtida o setor automobil\u00edstico, que depende muito do cr\u00e9dito. &#8220;De cada dez propostas de financiamento, s\u00f3 duas ou tr\u00eas estavam sendo aprovadas, o que causa uma contra\u00e7\u00e3o&#8221;, analisou. Para agravar a situa\u00e7\u00e3o, os bancos diminu\u00edram o n\u00famero das presta\u00e7\u00f5es dos financiamentos e aumentaram o valor da entrada para a aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos. &#8220;Isso atrapalhou bastante&#8221;.<\/p>\n<p>Outro fator que afetou o crescimento neste in\u00edcio de ano foi o agravamento da crise internacional. &#8220;Isso acaba afetando as expectativas, embora todos saibam que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais protegidos da crise.&#8221;<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) mostrou queda de 0,35% em mar\u00e7o na compara\u00e7\u00e3o com fevereiro, feito o ajuste sazonal. O IBC-Br \u00e9 uma tentativa de antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, o IBC-Br cresceu 0,15% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do ministro sobre os fatores que contribu\u00edram para o baixo crescimento do primeiro trimestre explica a atua\u00e7\u00e3o do governo nas \u00faltimas semanas, no sentido de ampliar a oferta do cr\u00e9dito e for\u00e7ar uma redu\u00e7\u00e3o dos spreads banc\u00e1rios. Para isso, o governo vem utilizando os bancos p\u00fablicos, que baratearam o custo de seus financiamentos, o que levou os bancos privados a seguir o mesmo caminho, embora de forma mais lenta e comedida.<\/p>\n<p>Para ajudar a ampliar o cr\u00e9dito, v\u00e1rios economistas defendem que o governo reduza os dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios dos bancos no Banco Central. Mantega foi cauteloso ao tratar desse assunto, mas n\u00e3o afastou a possibilidade. &#8220;O governo est\u00e1 estudando um conjunto de medidas para viabilizar um cr\u00e9dito maior e mais barato para diversos setores&#8221;, anunciou.<\/p>\n<p>Mantega observou que o setor de material de constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi afetado pela redu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. &#8220;Ele cresceu em torno de 5%, por\u00e9m \u00e9 menos do que vinha ocorrendo&#8221;, disse, dando a entender que o governo poder\u00e1 adotar alguma medida direcionada a este segmento. A hip\u00f3tese de redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito tamb\u00e9m n\u00e3o foi descartada. &#8220;Tudo isso faz parte do arsenal que temos. Mas n\u00e3o podemos antecipar medidas que podem afetar o funcionamento dos mercados.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, o governo est\u00e1 preparado para utilizar inclusive recursos fiscais para garantir que o crescimento brasileiro vai continuar. Ele disse que mesmo a queda de R$ 10 bilh\u00f5es na estimativa de arrecada\u00e7\u00e3o da receita administrada pela Receita Federal neste ano, anunciada na semana passada, n\u00e3o reduzir\u00e1 o espa\u00e7o fiscal para as medidas. &#8220;O que ser\u00e1 menor \u00e9 a receita administrada. Outras receitas est\u00e3o se expandindo, de forma que uma coisa compensa a outra&#8221;, explicou. &#8220;No primeiro trimestre, n\u00f3s fizemos um super\u00e1vit prim\u00e1rio muito confort\u00e1vel, superamos a meta para todo o quadrimestre e acumulamos poupan\u00e7a. Temos recursos dispon\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p>Ele assegurou que o governo continuar\u00e1 adotando medida para estimular a economia. &#8220;Na pr\u00f3xima semana sair\u00e3o novas medidas e n\u00f3s vamos tomando medidas diante das necessidades.&#8221; A entrevista ao Valor foi dada na sexta-feira.<\/p>\n<p>O Brasil tem as bases para a continuidade do seu crescimento econ\u00f4mico, na avalia\u00e7\u00e3o de Mantega. Ele lembrou que o emprego continua aumentando e a massa salarial cresce acima de 5%. &#8220;O com\u00e9rcio varejista ampliado cresceu 0,6% em mar\u00e7o sobre fevereiro. Se pegarmos o acumulado do ano, o crescimento \u00e9 de 7,3%&#8221;, informou.<\/p>\n<p>Mantega relativizou a an\u00e1lise que aponta a inexist\u00eancia de espa\u00e7o para sustentar a retomada da economia pela via do cr\u00e9dito, por causa do endividamento das fam\u00edlias. Embora admita que o endividamento aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2007 e 2008, ele observou que a demanda no Brasil continua em expans\u00e3o e apenas foi afetada por uma defici\u00eancia de cr\u00e9dito. &#8220;Se reduzirmos o custo financeiro, e isso vai ocorrer, e aumentarmos a disponibilidade de cr\u00e9dito, recolocaremos no mercado os consumidores, que podem ter sa\u00eddo por causa da eleva\u00e7\u00e3o do custo financeiro ou por dificuldade de libera\u00e7\u00e3o de novo cr\u00e9dito&#8221;, analisou.<\/p>\n<p>Para ele, n\u00e3o se pode esperar e n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel que o cr\u00e9dito e o consumo cres\u00e7am \u00e0s taxas de 2010, quando o cr\u00e9dito teve uma expans\u00e3o de 30%. &#8220;Claro que, com endividamento maior, n\u00e3o se deve esperar isso. Mas se pode esperar um crescimento do com\u00e9rcio varejista de 7% ou 8%, o que \u00e9 poss\u00edvel para alimentar um crescimento da economia de 4% ou 4,5%&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Desde o final de abril, as empresas brasileiras n\u00e3o tomam empr\u00e9stimos no mercado internacional. Nas duas primeiras semanas de maio n\u00e3o houve uma \u00fanica capta\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, o ministro da Fazenda colocou em d\u00favida se essa paralisa\u00e7\u00e3o das capta\u00e7\u00f5es j\u00e1 \u00e9 um sinal do cont\u00e1gio da crise europeia no Brasil. &#8220;N\u00e3o sabemos se foram as empresas que protelaram a tomada de cr\u00e9dito&#8221;, disse. &#8220;Provavelmente, elas est\u00e3o pensando duas vezes em recorrer ao cr\u00e9dito externo porque ele ficou mais caro&#8221;, afirmou. Ele lembrou que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real encareceu o cr\u00e9dito externo e tornou o risco cambial mais elevado. &#8220;Mas n\u00e3o d\u00e1 para dizer que est\u00e1 faltando cr\u00e9dito&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda admitiu que alguma restri\u00e7\u00e3o maior ao cr\u00e9dito externo poder\u00e1 ocorrer com o agravamento da situa\u00e7\u00e3o, mas ele n\u00e3o acredita que a crise chegue ao ponto de 2008, quando o suprimento para o Brasil foi totalmente cortado. &#8220;Se houver agravamento, eu acredito que ele ser\u00e1 de menor intensidade e de mais curta dura\u00e7\u00e3o do que em 2008&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo se faltar cr\u00e9dito externo, Mantega diz que o governo tem condi\u00e7\u00f5es de suprir com rapidez o mercado interno. &#8220;Se houver problema de recursos externos, n\u00f3s temos hoje mais reservas internacionais (do que em 2008). Nossa situa\u00e7\u00e3o cambial \u00e9 s\u00f3lida e supriremos a liquidez rapidamente&#8221;, garantiu. &#8220;Se faltar cr\u00e9dito, n\u00f3s temos os compuls\u00f3rios, temos cr\u00e9dito interno que poderemos disponibilizar. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social] j\u00e1 tem hoje R$ 150 bilh\u00f5es para liberar em 2012. O Brasil est\u00e1 preparado para enfrentar o agravamento da crise europeia. Temos v\u00e1rios instrumentos que n\u00e3o foram utilizados ainda. N\u00e3o usamos nem 10% do arsenal que temos&#8221;.<\/p>\n<p>O fraco desempenho da economia no primeiro semestre afetar\u00e1 o crescimento projetado para este ano, admitiu Mantega. &#8220;Para o ano todo, isso ficou mais dif\u00edcil [crescer 4,5%]. Estamos aspirando algo em torno de 4%&#8221;, disse. &#8220;Mas com certeza o crescimento deste ano ser\u00e1 maior do que o de 2011&#8221;. Para ele, j\u00e1 h\u00e1 indicadores de uma retomada da economia a partir de maio. &#8220;Abril n\u00e3o foi bom, mas em maio houve uma acelera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo ele, os dados de venda de ve\u00edculos nas primeiras duas semanas de maio foram bons, assim como os dados do com\u00e9rcio varejista em geral. Al\u00e9m disso, o ministro lembrou que pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) mostra que a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios aumentou este m\u00eas. Mantega chamou a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o fato de que algumas medidas j\u00e1 adotadas pelo governo, no \u00e2mbito do Programa Brasil Maior, ainda n\u00e3o entraram em vigor, como \u00e9 o caso da desonera\u00e7\u00e3o da folha de 15 novos setores, que s\u00f3 come\u00e7a a partir de julho. Mesmo a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros realizada pelo BC, lembrou, demora um pouco a ter impacto sobre a economia. &#8220;No segundo semestre, n\u00f3s estaremos crescendo nessa faixa de 4,5% at\u00e9 5%&#8221;, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Capacidade ociosa cresce e inibe investimento na ind\u00fastria<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o em ritmo quase ininterrupto desde abril do ano passado contribuiu para diminuir os n\u00edveis de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada em diversos setores da ind\u00fastria no per\u00edodo, principalmente aqueles ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de bens de capital e de itens dur\u00e1veis. Para economistas, a lenta recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria deve demorar a pressionar o uso de capacidade e a consequ\u00eancia prov\u00e1vel ser\u00e1 um retardamento ainda mais pronunciado da retomada dos investimentos, j\u00e1 bastante deprimidos.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o n\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada aferido pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) ficou relativamente est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, com queda de 0,5 ponto, para 83,8%. A produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, na mesma compara\u00e7\u00e3o, caiu 2,3%.<\/p>\n<p>Em abril, dado mais recente disponibilizado pela FGV, o uso da capacidade passou para 83,9%, ainda 0,5 ponto abaixo do n\u00edvel observado no mesmo m\u00eas do ano anterior. Dos 14 setores pesquisados, seis chegaram a abril com utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade inferior ao observado no mesmo m\u00eas do ano passado. Outros tr\u00eas segmentos observaram ociosidade est\u00e1vel no per\u00edodo, enquanto em cinco segmentos houve aumento do uso da capacidade.<\/p>\n<p>Os ramos em queda representam pouco menos de 50% do faturamento bruto da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, de acordo com a \u00faltima Pesquisa Industrial Anual, de 2009. S\u00e3o segmentos relevantes, como metal\u00fargico, mec\u00e2nico, material de transporte (que inclui toda a cadeia automobil\u00edstica), t\u00eaxtil, de produ\u00e7\u00e3o de alimentos e mat\u00e9rias pl\u00e1sticas. Desse conjunto, todos est\u00e3o no m\u00ednimo quatro pontos percentuais distantes do pico observado no per\u00edodo recente, enquanto a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre 10% e 30% menor, na mesma compara\u00e7\u00e3o, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) mostrou um quadro semelhante. Os dados mais recentes da entidade, de mar\u00e7o, desenharam uma cena de recupera\u00e7\u00e3o lenta da ind\u00fastria, com aumento do faturamento e do n\u00edvel de emprego. A capacidade instalada, no entanto, ficou em 81,5%, pior n\u00edvel para um m\u00eas de mar\u00e7o desde 2006, com exce\u00e7\u00e3o de 2009, ano marcado por forte retra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria. Dos 19 setores industriais pesquisados, em apenas seis a ociosidade diminuiu na compara\u00e7\u00e3o entre mar\u00e7o de 2012 e o mesmo m\u00eas do ano passado.<\/p>\n<p>Para o professor da Unicamp e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida, a queda da utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada reflete, em parte, a concorr\u00eancia com o importado &#8211; efeito mais evidente em setores como t\u00eaxtil e de fabrica\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias pl\u00e1sticas &#8211; e tamb\u00e9m o encerramento de um ciclo de consumo de bens de capital e dur\u00e1veis, o que pressiona segmentos como a ind\u00fastria mec\u00e2nica e de material de transporte. &#8220;A economia brasileira inicia o ano com dois problemas: a perda de espa\u00e7o para o importado, que j\u00e1 foi uma grande quest\u00e3o em 2011, e a insufici\u00eancia da demanda efetiva, o que determina a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em alguns setores, como o de ve\u00edculos.&#8221;<\/p>\n<p>Na ind\u00fastria automobil\u00edstica, de acordo com a Anfavea, entidade que re\u00fane as montadoras instaladas no pa\u00eds, houve queda de 3,4% das vendas nos primeiros quatro meses em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2011, o que colaborou para que o estoque de ve\u00edculos nas f\u00e1bricas e nas concession\u00e1rias alcan\u00e7asse 43 dias em abril, maior n\u00edvel desde novembro de 2008.<\/p>\n<p>Para Marcelo de \u00c1vila, economista da CNI, o alto n\u00edvel de estoques contribui para que as montadoras adiem a retomada da produ\u00e7\u00e3o, o que resulta em queda do uso da capacidade. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o dos estoques \u00e9 um agravante. A quest\u00e3o \u00e9 que quando h\u00e1 um problema maior na ind\u00fastria automotiva, o impacto se d\u00e1 em toda cadeia, o que dificulta ainda mais a rea\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o uso est\u00e1 relativamente baixo, n\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulos para aumentar investimentos, e \u00e9 isso que est\u00e1 ocorrendo&#8221;, diz \u00c1vila. Para ele, a disposi\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio para investir dificilmente deve responder \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito mais barato enquanto a produ\u00e7\u00e3o continuar patinando. &#8220;Se uma ind\u00fastria tem tr\u00eas m\u00e1quinas paradas, n\u00e3o adianta comprar uma nova apenas para aproveitar a queda dos juros&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Em alguns setores em que h\u00e1 queda da produ\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade, argumenta Juan Jensen, economista da Tend\u00eancias Consultoria, o investimento n\u00e3o tem sido suficiente nem mesmo para repor a deprecia\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas. O uso da capacidade instalada \u00e9 a raz\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o e a capacidade de produ\u00e7\u00e3o. Sem investimentos para repor o desgaste f\u00edsico dos bens de capital, ele pode cair, apesar da atividade mais fraca. \u00c9 o caso, por exemplo, de material eletr\u00f4nico e de comunica\u00e7\u00f5es, em que a ociosidade diminuiu em mar\u00e7o, de acordo com a pesquisa da CNI, apesar da forte queda de 18,4% da produ\u00e7\u00e3o no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O resultado esperado dessa din\u00e2mica \u00e9 o recuo do investimento no in\u00edcio deste ano. A Tend\u00eancias projeta queda de 3,1% na Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF) no primeiro trimestre, na compara\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos tr\u00eas meses de 2011, feitos os ajustes sazonais. No ano, Jensen projeta crescimento pr\u00f3ximo a 5% em rela\u00e7\u00e3o a 2011, j\u00e1 que h\u00e1 expectativa de que a economia ganhe dinamismo a partir do segundo semestre, mas ressalta que a resposta deve ser mais dos investimentos em constru\u00e7\u00e3o civil do que em m\u00e1quinas e equipamentos.<\/p>\n<p>Gomes de Almeida, do Iedi, considera 5% uma proje\u00e7\u00e3o &#8220;muito otimista&#8221;, j\u00e1 que a crise externa deve chegar ao Brasil via canal de expectativas e estagnar os investimentos industriais.<\/p>\n<p>Para Aloisio Campelo, coordenador da Sondagem da Ind\u00fastria da FGV, a utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade tende a aumentar no segundo semestre, \u00e0 medida que a atividade industrial responder aos est\u00edmulos j\u00e1 concedidos, como o ciclo de redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros e desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos. Para ele, como n\u00e3o houve acr\u00e9scimos significativos de capacidade recentemente, qualquer avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o deve elevar tamb\u00e9m o uso da capacidade.<\/p>\n<p>Gomes de Almeida, do Iedi, concorda. &#8220;Se pensarmos na economia daqui a um ou dois trimestres, a demanda dever\u00e1 estar mais aquecida, em fun\u00e7\u00e3o das medidas do governo&#8221;, avalia. Ainda assim, diz, h\u00e1 um risco n\u00e3o desprez\u00edvel de que a recess\u00e3o na ind\u00fastria afete o n\u00edvel de emprego e de renda, que por enquanto t\u00eam segurado o consumo de bens n\u00e3o dur\u00e1veis. &#8220;Temos um contexto internacional ruim e um fator que conspira contra, que \u00e9 o fim de um ciclo de consumo. Mas h\u00e1 aspectos favor\u00e1veis, como as medidas de est\u00edmulo. \u00c9 um jogo que ainda est\u00e1 sendo jogado, mas espero um n\u00edvel de atividade melhor no \u00faltimo trimestre do ano&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2884\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Kw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}