{"id":28840,"date":"2022-05-30T08:43:04","date_gmt":"2022-05-30T11:43:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28840"},"modified":"2022-05-30T08:43:04","modified_gmt":"2022-05-30T11:43:04","slug":"o-jovem-eleitor-e-os-limites-institucionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28840","title":{"rendered":"O jovem eleitor e os limites institucionais"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/976\/cpsprodpb\/F583\/production\/_106015826_hi051976448.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Guilherme Monteiro, via <a href=\"https:\/\/revistaoipe.org\/2022\/05\/26\/o-jovem-eleitor-e-os-limites-institucionais\/\">Revista O Ip\u00ea<\/a><\/strong><\/p>\n<p><em>Com a prolifera\u00e7\u00e3o de campanhas para que jovens tirassem o t\u00edtulo de eleitor, surgiram tamb\u00e9m os questionamentos sobre qual o real poder do voto para mudar o nosso pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p>Gera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s gera\u00e7\u00f5es, o jovem, termo que aqui usamos para nos referir tanto aos que est\u00e3o se encaminhando para o final da adolesc\u00eancia ou nos primeiros anos da vida adulta, \u00e9 caracterizado como um rebelde sem causa, uma pessoa com pouco conhecimento da \u201cvida real\u201d, aquela que ainda n\u00e3o entendeu as complexas regras da vida adulta.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao mesmo tempo que se subjuga a capacidade dos jovens de pensar e fazer pol\u00edtica, s\u00e3o em momentos como esse, de ascens\u00e3o do fascismo nas ruas e nas urnas, que uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o espera que esses jovens se comprometam a comparecer \u00e0s urnas para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais e afastar de vez as amea\u00e7as de mais quatro anos da extrema direita no poder. No entanto, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/gabrielasampaio\/status\/1521629347693617152?t=hKTe8m9d2QLdMRLyV8sWmw&amp;s=19\">uma pergunta<\/a> parece inquietar v\u00e1rios jovens que sonham com um outro Brasil: ser\u00e1 que as coisas v\u00e3o mudar apenas trocando de presidente?<\/p>\n<p><strong>O fundo do po\u00e7o de um po\u00e7o sem fundo<\/strong><\/p>\n<p>Nos aprofundemos na quest\u00e3o que encerrou o \u00faltimo par\u00e1grafo. \u00c9 evidente que os resultados de uma elei\u00e7\u00e3o impactam fortemente o rumo de um pa\u00eds. Se existia alguma d\u00favida sobre isso, elas foram exauridas ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2018, quando o candidato abra\u00e7ado pela burguesia brasileira passou a ocupar o cargo mais alto do Executivo para aplicar seu plano de morte e destrui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>Em 2018, quando a vit\u00f3ria de Bolsonaro se mostrava cada vez mais inevit\u00e1vel, v\u00e1rias faces da esquerda brasileira convulsionavam incr\u00e9dulas tentando achar explica\u00e7\u00f5es para o que estava acontecendo. Como podia ser eleito um candidato racista, capacitista, mis\u00f3gino, homof\u00f3bico, transf\u00f3bico, xen\u00f3fobo, miliciano e fascista? Explica\u00e7\u00f5es de todo o tipo come\u00e7aram a surgir: \u201ca esquerda perdeu porque estava preocupada demais com pautas <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2018\/03\/esquerda-deve-tirar-foco-da-pauta-identitaria-para-ser-eleita-diz-mark-lilla.shtml\">identit\u00e1rias<\/a>\u201d, \u201ca esquerda perdeu porque n\u00e3o se <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=a7B6p_iT8Jw&amp;ab_channel=JonesManoel\">une<\/a>\u201d, \u201ca esquerda perdeu porque n\u00e3o apostou no <a href=\"https:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/no-segundo-turno-bolsonaro-so-perderia-para-lula-e-ciro-mostra-exame-ideia\/\">Ciro<\/a>\u201d. Para al\u00e9m de todas as poss\u00edveis raz\u00f5es, uma coisa estava clara: o discurso bolsonarista de rompimento institucional \u00e0 direita havia conquistado uma parte enorme da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 n\u00e3o acreditava mais nas nossas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o era o caso da maioria da esquerda brasileira. Nos \u00faltimos anos, parte da esquerda assumiu para si o papel de basti\u00e3o da defesa da institucionalidade brasileira e seus poderes dos ataques bolsonaristas. Ora, nada mais que \u00f3bvio: se um lun\u00e1tico quer destruir o nosso pa\u00eds cabe a mim proteg\u00ea-lo. E o que \u00e9 meu pa\u00eds? O Estado burgu\u00eas e suas institui\u00e7\u00f5es. \u201cComo pode Bolsonaro querer <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2021\/09\/na-paulista-bolsonaro-repete-ameacas-golpistas-ao-stf-e-diz-que-canalhas-nunca-irao-prende-lo.shtml\">fechar o STF?<\/a>\u201d, \u201ccomo pode ele rasgar a nossa Constitui\u00e7\u00e3o?\u201d. Era como se tudo que aconteceu na \u00faltima d\u00e9cada tivesse ca\u00eddo no esquecimento.<\/p>\n<p>Vijay Prashad, em seu livro <a href=\"https:\/\/expressaopopular.com.br\/livraria\/balas-de-washington-uma-historia-da-cia-golpes-e-assassinatos\/\">Balas de Washington<\/a> (Express\u00e3o Popular, 2021), relembra os acontecimentos, a come\u00e7ar pelo golpe de 2016. De acordo com o autor, a grande m\u00eddia, encabe\u00e7ada pela Rede Globo, incitou a opini\u00e3o p\u00fablica contra a presidenta Dilma, que mesmo sendo reeleita em 2014, sofreu um golpe por meio de um impeachment sem provas. Um pouco mais a frente, em 2018, foi a vez do poder judici\u00e1rio intervir na poss\u00edvel elei\u00e7\u00e3o de Lula, agora por meio de a\u00e7\u00f5es como a da Lava-Jato, que tanto colaborou para o desmonte ainda em curso da Petrobr\u00e1s quanto para prender Lula sem provas ao mesmo tempo em que garantia uma vaga de ministro a Sergio Moro no atual governo.<\/p>\n<p>Ainda assim, a \u00fanica forma que parte da esquerda consegue enxergar de se fazer pol\u00edtica \u00e9 ficar a reboque dos ataques bolsonaristas e defender as institui\u00e7\u00f5es liberal-democratas do pa\u00eds. Institui\u00e7\u00f5es essas que por v\u00e1rias vezes demonstraram estar muito mais alinhadas com os interesses da burguesia do que com os interesses da classe trabalhadora. Parece dif\u00edcil de entender? Piora.<\/p>\n<p>Se confiar um galinheiro a uma raposa pode virar uma trag\u00e9dia, confiar a segunda vez depois de ter perdido tudo parece uma perigosa piada. Mesmo depois do Partido dos Trabalhadores (PT) ver um vice-presidente ajudar a articular um golpe contra a presidenta Dilma, a sua escolha para 2022 \u00e9 apostar novamente em uma alian\u00e7a com a direita, materializada agora na vice-presid\u00eancia de Geraldo Alckmin. Para al\u00e9m de esc\u00e2ndalos envolvendo a merenda de crian\u00e7as e ter sua pol\u00edcia envolvida em casos de chacina, o ex-tucano, atual PSB, representa tamb\u00e9m uma maior capacidade de di\u00e1logo de Lula com determinados setores da burguesia para proporcionar governabilidade. S\u00e3o nesses pontos que simpatizantes e militantes do PT se apoiam para justificar essa alian\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer, claro, que o governo petista acumulou contradi\u00e7\u00f5es ao longo dos 14 anos em que estiveram no poder. Para al\u00e9m das perigosas alian\u00e7as com o centro e uso de dinheiro p\u00fablico para financiar redes milion\u00e1rias de educa\u00e7\u00e3o privada, podemos citar alguns exemplos tamb\u00e9m na seguran\u00e7a p\u00fablica: entre os anos de 2002 e 2014 o aumento da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria foi de mais de 620%; parte desse crescimento pode ser atribu\u00eddo \u00e0 desastrosa Lei 11.343 de 2006, popularmente conhecida como Lei Antidrogas, que apesar de n\u00e3o criminalizar o usu\u00e1rio, permite que a pessoa seja presa pelo porte. A lei resultou na amplia\u00e7\u00e3o de 14% para 28% do encarceramento por pris\u00f5es relacionadas a drogas entre os anos de 2006 e 2016. A grande maioria dessas pessoas s\u00e3o negras e mulheres; Foi ainda no governo Lula que as UPPs, f\u00e1bricas de mil\u00edcias, foram implementadas, agravando ainda mais a crise de seguran\u00e7a p\u00fablica sobre os dizeres do presidente de que \u201cagora a pol\u00edcia bate em quem tem que bater\u201d.<\/p>\n<p>Mas mesmo com todas as contradi\u00e7\u00f5es petistas, nesses quatro anos do governo Bolsonaro-Mour\u00e3o, o brasileiro pode testemunhar um agravamento daquilo que j\u00e1 era problem\u00e1tico nos governos Lula e Dilma e o surgimento de problemas ainda mais assombrosos com a ascens\u00e3o liberal e fascista de Bolsonaro, Guedes e Cia. Empresas p\u00fablicas fundamentais para a nossa economia, como Caixa e Petrobr\u00e1s, s\u00e3o cada vez mais atacadas e entregues a iniciativa privada; Os pre\u00e7os dos alimentos n\u00e3o param de subir e cada vez mais pessoas entram em situa\u00e7\u00e3o de fome ou inseguran\u00e7a alimentar, enquanto milion\u00e1rios brasileiros fazem fila para comprar jatinhos. Nesse meio tempo, parece que vai caindo no esquecimento dos brasileiros que o presidente e seus aliados foram direta e indiretamente respons\u00e1veis pela morte de pelo menos 665.000 brasileiros e brasileiras nessa pandemia da Covid-19.<\/p>\n<p>Portanto, por mais que a pol\u00edtica institucional brasileira nunca tenha sido no passado mais recente muito favor\u00e1vel aos trabalhadores, o risco de se ter mais 4 anos de Bolsonaro no poder atesta aa import\u00e2ncia dessa elei\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de um horizonte mais simp\u00e1tico aos interesses da popula\u00e7\u00e3o. Dessa forma, n\u00e3o podemos jamais menosprezar as elei\u00e7\u00f5es de 2022 e o impacto que o eleitorado jovem realiza. Mas a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da juventude n\u00e3o pode se encerrar a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Por falar em politicagem<\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, pudemos ver artistas nacionais e internacionais de grande fama fazendo campanhas para estimular jovens brasileiros entre 16 e 18 anos a tirarem o t\u00edtulo de eleitor. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre janeiro e abril de 2022 houve o registro de 2.042.917 novos eleitores nessa faixa et\u00e1ria. De acordo com Miguel, jovem trabalhador brasiliense de 17 anos entrevistado pelo G1, \u201cjuntamente com o voto vem o poder de influ\u00eancia entre os meios que a gente vive. Se quero mudar algo no meu pa\u00eds, meu voto faz a diferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Por mais expressivo que esse n\u00famero possa parecer, esta \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o com menor engajamento de eleitores dessa faixa et\u00e1ria desde 1998. Especialistas apontam que os prov\u00e1veis motivos para esse n\u00famero s\u00e3o o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o; a pandemia, que limitou a a\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria do TSE frente a esse p\u00fablico; e uma crise de como esses jovens se sentem representados pelas figuras que est\u00e3o se colocando como pr\u00e9-candidatas para essa elei\u00e7\u00e3o. Em mat\u00e9ria publicada pela Folha de S\u00e3o Paulo, Eduardo Grinn, cientista pol\u00edtico e professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, relata que muitos jovens n\u00e3o acreditam que a pol\u00edtica partid\u00e1ria tem sido uma boa solu\u00e7\u00e3o para resolver problemas pol\u00edticos e os partidos n\u00e3o t\u00eam conseguido se adaptar para modernizar as linguagens e dialogar com a juventude e suas inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos dizer que \u00e9 dif\u00edcil compreender por que isso acontece: uma quantidade colossal de pol\u00edticos afirmam que n\u00e3o compactuam com a velha pol\u00edtica e ao chegar ao poder reproduzem os mesmos v\u00edcios pelos quais os deputados, senadores e presidentes j\u00e1 s\u00e3o famosos. Entra governo e sai governo e problemas de seguran\u00e7a p\u00fablica, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e emprego parecem persistir; Para completar, desde o golpe de 2016 ficou claro que tudo aquilo que o povo levou d\u00e9cadas para conquistar pode ser tirado das m\u00e3os em instantes.<\/p>\n<p>Contudo, a forma como o atuar politicamente \u00e9 colocado para a nossa juventude \u00e9 constitu\u00eddo por um peso desproporcional sobre a pol\u00edtica institucional. Dentro da democracia burguesa \u00e9 ensinado ao jovem que a forma como ele melhor pode atuar politicamente \u00e9 por meio do voto, que se d\u00e1 de 4 em 4 anos ou de 2 em 2 anos, a depender de onde o eleitor reside. Nesse sistema, o eleitor tem a responsabilidade de escolher bem o candidato que melhor representa seus interesses, torcer para que outros eleitores tamb\u00e9m votem em tal candidato, e observar muito bem como ele atua durante o seu mandato, para que 4 anos depois o eleitor decida se reelege seu candidato ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse modelo, o povo \u00e9 situado como um ser \u00e0 margem das decis\u00f5es pol\u00edticas que o pa\u00eds, estado ou munic\u00edpio toma. N\u00e3o um ser pol\u00edtico, mas sim um ser eleitoral. Sua a\u00e7\u00e3o para alterar os rumos da sociedade se limita a pressionar os bot\u00f5es de uma urna eletr\u00f4nica e aceitar que qualquer mudan\u00e7a para melhor leva tempo, quase uma eternidade, mas que ele precisa ter f\u00e9 e resili\u00eancia (ou qualquer outra palavra da moda) no modelo, pois por mais que a democracia burguesa n\u00e3o seja um modelo perfeito, \u00e9 o melhor existente. Contudo, a materialidade da vida escancara as contradi\u00e7\u00f5es desse sistema: como podemos acreditar que algo est\u00e1 melhorando quando a realidade do povo brasileiro s\u00f3 parece piorar ano ap\u00f3s ano? Urge, portanto, que o povo se organize em uma outra forma de fazer pol\u00edtica<\/p>\n<p><strong>Lutar, criar, poder popular<\/strong><\/p>\n<p>Repensar a posi\u00e7\u00e3o do povo no fazer pol\u00edtico n\u00e3o significa negar a pol\u00edtica institucional, como se ela n\u00e3o devesse ser disputada para tension\u00e1-la para o lado dos interesses da classe trabalhadora. Em um contexto em que partidos de esquerda podem ser postos na ilegalidade, como j\u00e1 aconteceu outras vezes no Brasil e no mundo, disputar esse poder \u00e9 uma forma de assegurar a sobreviv\u00eancia daqueles que, de fato, procuram uma real ruptura com a organiza\u00e7\u00e3o social atual. Portanto, n\u00e3o existe nenhuma contradi\u00e7\u00e3o entre reconhecer os limites da institucionalidade e ainda defender candidaturas da esquerda revolucion\u00e1ria, como \u00e9 o caso da pr\u00e9-candidata Sofia Manzano (PCB) e do pr\u00e9-candidato Leonardo P\u00e9ricles (UP).<\/p>\n<p>Contudo, a pol\u00edtica n\u00e3o pode se limitar a isso. \u00c9 preciso que o fazer pol\u00edtico do povo v\u00e1 al\u00e9m de escolher um candidato de 4 anos em 4 anos e esteja no n\u00facleo de qualquer decis\u00e3o que v\u00e1 impactar a sua vida. Em outras palavras, se faz necess\u00e1rio construir o poder popular.<\/p>\n<p>De acordo com as resolu\u00e7\u00f5es do XV congresso do Partido Comunista Brasileiro, \u201cA luta pelo Poder Popular se expressa nas a\u00e7\u00f5es independentes da classe trabalhadora em seus embates contra as manifesta\u00e7\u00f5es mais evidentes da ordem do capital\u201d. Dessa forma, a prioridade \u00e9 organizar o povo para disputar espa\u00e7os como movimentos sociais, sindicatos, f\u00f3runs populares, organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, centros acad\u00eamicos, etc. A organiza\u00e7\u00e3o nesses espa\u00e7os gera ac\u00famulos e orienta as pessoas para lutas por pautas comuns.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 que, quanto mais organizados os trabalhadores estejam na reivindica\u00e7\u00e3o dos seus interesses, maior ser\u00e1 a agita\u00e7\u00e3o no sentido de um movimento revolucion\u00e1rio. E onde h\u00e1 a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria existe, por sua vez, rea\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria, mas \u00e9 justamente nesse entrave que teremos a constru\u00e7\u00e3o de uma unidade na luta, com as demandas apresentadas outrora de forma fragmentada se tornando reinvidica\u00e7\u00f5es cada vez mais precisas, de uma massa de trabalhadores que se enxerga enquanto classe e promovem a independ\u00eancia de seus interesses em rela\u00e7\u00e3o aos dos gestores do capital, dando forma assim a um campo popular e de esquerda.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um dos rem\u00e9dios para a t\u00e3o falada desuni\u00e3o das esquerdas. S\u00e3o constru\u00eddas pautas comuns por meio daquelas que se materializam justamente da necessidade que fez cada oprimido se organizar em prol de uma luta maior, que vai al\u00e9m dos limites institucionais em que a classe dominante tenta minar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do povo. Forma-se, assim, uma esp\u00e9cie de poder de car\u00e1ter anticapitalista que se agiganta frente ao poder burgu\u00eas. O povo deixa de ser simplesmente um sujeito eleitoral para exercer seu poder pol\u00edtico e come\u00e7ar, de fato, a fazer valer as suas vontades e necessidades em oposi\u00e7\u00e3o aos interesses dos capitalistas, at\u00e9, de fato, superar o sistema capitalista e suas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, se faz necess\u00e1rio apresentar um horizonte maior de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 juventude, seja \u00e0quela que se motiva para tentar mudar o mundo por meio do seu voto, mesmo sem compreender os limites de tal a\u00e7\u00e3o, ou \u00e0quela que perdeu o interesse pela pol\u00edtica e se v\u00ea impotente para operar qualquer mudan\u00e7a em seu pa\u00eds. Embora n\u00e3o possamos menosprezar o poder do voto, s\u00f3 conseguiremos nos ver livres dos nossos grilh\u00f5es pela luta e constru\u00e7\u00e3o do poder popular. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o um passo importante, mas n\u00e3o ser\u00e1 por meio dela que conseguiremos a emancipa\u00e7\u00e3o do nosso povo.<\/p>\n<p><em>[Na foto, grafitti em Bangkok em 2019, \u00e0s v\u00e9speras das primeiras elei\u00e7\u00f5es gerais desde o golpe por uma junta militar, em 2014].<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28840\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Com a prolifera\u00e7\u00e3o de campanhas para que jovens tirassem o t\u00edtulo de eleitor, surgiram tamb\u00e9m os questionamentos sobre qual o real poder do voto para mudar o nosso pa\u00eds.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[226],"class_list":["post-28840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7va","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}