{"id":2893,"date":"2012-05-23T20:34:32","date_gmt":"2012-05-23T20:34:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2893"},"modified":"2012-05-23T20:34:32","modified_gmt":"2012-05-23T20:34:32","slug":"quase-metade-da-renda-anual-do-brasileiro-ja-e-engolida-com-compromissos-financeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2893","title":{"rendered":"Quase metade da renda anual do brasileiro j\u00e1 \u00e9 engolida com compromissos financeiros"},"content":{"rendered":"\n<p>No momento em que o governo tenta conter de novo o desempenho fraco da economia pelo consumo, o peso das d\u00edvidas antigas alcan\u00e7a valores recordes no or\u00e7amento das fam\u00edlias brasileiras. Em abril, s\u00f3 as d\u00edvidas financeiras representavam em m\u00e9dia 45% da renda anual, segundo proje\u00e7\u00e3o do economista Sim\u00e3o Silber, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com base em dados do Banco Central (BC). Esse percentual era de 24,94% em janeiro de 2007 e de 35,8% no come\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>&#8211; O comprometimento das fam\u00edlias com o endividamento aumentou bastante recentemente e d\u00e1 sinais de satura\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o \u00e9 que o maior acesso a cr\u00e9dito no Brasil \u00e9 acompanhado por taxas de juros ainda elevadas, o que significa um perfil de endividamento que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. Isso gera a armadilha da d\u00edvida. As pessoas v\u00e3o se estrangulando e ficam presas aos bancos &#8211; afirma o professor de Economia da Uerj Luiz Fernando de Paula, admitindo risco de aumento de inadimpl\u00eancia por causa das medidas de est\u00edmulo ao consumo anunciadas pelo governo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, atualmemte, todo m\u00eas, mais de um quinto da renda das fam\u00edlias j\u00e1 est\u00e1 comprometida com o pagamento de d\u00edvidas banc\u00e1rias. Neste caso, essa fatia saltou de 18%, em janeiro de 2008, para 22% em fevereiro \u00faltimo. Um percentual muito elevado, segundo economistas, j\u00e1 que o consumidor ainda tem despesas como educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, transporte, sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o. O excesso de d\u00edvidas acaba se traduzindo em aumento de inadimpl\u00eancia. Em mar\u00e7o, a taxa, que considera atrasos acima de 90 dias, chegava a 7,4% dos financiamentos para pessoas f\u00edsicas, ou R$ 38,85 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Classe C deve 60% de sua renda anual<\/p>\n<p>O educador financeiro Mauro Calil considera o grau de endividamento das fam\u00edlias hoje elevado. Ele acredita que as novas medidas de incentivo ao consumo podem at\u00e9 ser favor\u00e1veis para a sociedade, por estimularem a economia, mas alguns indiv\u00edduos pagar\u00e3o a conta, com mais endividamento.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 mais delicada que em outros pa\u00edses. Nos Estados Unidos, por exemplo, a fatia da renda mensal para quitar d\u00edvidas banc\u00e1rias varia de 15% a 17%. Em pa\u00edses ricos, o n\u00edvel de endividamento pode at\u00e9 ultrapassar 100% da renda anual. Mas, como os juros s\u00e3o menores e os prazos muito mais longos que no Brasil, o peso final no or\u00e7amento mensal das fam\u00edlias (que \u00e9 o comprometimento) \u00e9 proporcionalmente menor. Outro agravante no caso brasileiro, segundo o professor da Uerj, \u00e9 o prazo mais curto dos financiamentos.<\/p>\n<p>&#8211; O endividamento e, principalmente, o comprometimento da renda mensal hoje s\u00e3o muito maiores que em 2008 e 2009, e o pacote do governo \u00e9 o mesmo. Para voltar a se endividar com cr\u00e9dito, o consumidor tem de recuperar espa\u00e7o no or\u00e7amento &#8211; diz Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian.<\/p>\n<p>C\u00e1lculos da \u00e1rea econ\u00f4mica do banco Pine indicam que o n\u00edvel de endividamento m\u00e9dio \u00e9 ainda maior entre as fam\u00edlias da chamada classe C, com renda mensal entre 2,5 e cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos (de R$ 1.555 a R$ 3.110): chegaria a 60% da renda anual.<\/p>\n<p>&#8211; Ultimamente as d\u00edvidas que esse extrato t\u00eam contra\u00eddo s\u00e3o mais caras que em 2009, por exemplo. At\u00e9 ent\u00e3o, o endividamento era em CDC (cr\u00e9dito direto ao consumidor), agora h\u00e1 d\u00edvida em cheque especial, cujos juros s\u00e3o mais altos &#8211; observa Marco Maciel, economista-chefe do banco Pine.<\/p>\n<p>Luiz Fernando de Paula lembra ainda que a baixa renda, al\u00e9m de s\u00f3 ter acesso a cr\u00e9dito com taxas de juros mais altas, tem menos facilidade para negociar suas d\u00edvidas com as institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O encarregado administrativo Daivison da Costa, de 31 anos, foi um dos que se viu envolvido em d\u00edvidas que n\u00e3o conseguia pagar. Em 2007, ele teve um cheque de cerca de R$ 2 mil protestado \u00e0s v\u00e9speras de seu casamento. As despesas do dia a dia e os gastos com a cerim\u00f4nia e com a casa nova dificultaram o pagamento.<\/p>\n<p>&#8211; Outro problema foi o parcelamento proposto pelo banco. As parcelas eram muito altas, incompat\u00edveis com meus gastos mensais e com juros muito altos &#8211; conta Daivison.<\/p>\n<p>A supervisora de vendas Jane Ara\u00fajo, de 42 anos, contraiu uma d\u00edvida de R$ 1.600 no banco em 2007, mas s\u00f3 deu aten\u00e7\u00e3o ao problema quando o d\u00e9bito bateu R$ 6 mil:<\/p>\n<p>&#8211; Meu limite era de quase R$ 2 mil, e, a essa altura, era imposs\u00edvel pagar.<\/p>\n<p>Silber, da USP, n\u00e3o v\u00ea nas medidas de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito grande potencial para impulsionar a economia.<\/p>\n<p>&#8211; Por mais que o governo queira, vai ser dif\u00edcil esticar tanto o cr\u00e9dito como j\u00e1 foi feito. E isso n\u00e3o ocorrer\u00e1 por causa da estrutura atual. Os juros ainda s\u00e3o muito altos e d\u00edvidas, mesmo pequenas, j\u00e1 comprometem muito a renda. Al\u00e9m disso, os prazos dos empr\u00e9stimos s\u00e3o curtos no Brasil &#8211; diz Silber, lembrando que o prazo m\u00e9dio dos empr\u00e9stimos para pessoa f\u00edsica \u00e9 de 600 dias, menos de dois anos.<\/p>\n<p>A economista da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) Marianne Hanson tamb\u00e9m acredita que o endividamento vai limitar o impacto dessas medidas, porque as pessoas est\u00e3o mais cautelosas.<\/p>\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do sistema financeiro alcan\u00e7aram 49,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, mais que o dobro dos 24,1% registrados em 2003. \u00c9 consenso entre os economistas que a expans\u00e3o do cr\u00e9dito agora ocorrer\u00e1 num ritmo menos vertiginoso.<\/p>\n<p>Maciel, do Pine, ressalta ainda que a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de ve\u00edculos e do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito s\u00e3o muito restritos \u00e0 ind\u00fastria automotiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Minist\u00e9rio vai investigar fundo do FGTS<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA. O ministro do Trabalho, Brizola Neto, anunciou a instala\u00e7\u00e3o de uma sindic\u00e2ncia interna para apurar o baixo rendimento das aplica\u00e7\u00f5es do FGTS e rever sua pol\u00edtica de investimentos. O FI-FGTS, fundo que o governo criou para investir em infraestrutura com recursos do FGTS , n\u00e3o est\u00e1 obtendo a rentabilidade exigida por lei, que \u00e9 TR mais 6% ao ano. Essa foi a conclus\u00e3o de uma auditoria da Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) que analisou a presta\u00e7\u00e3o de contas relativas a 2010 &#8211; quando o retorno ficou em 4,95%. O relat\u00f3rio apontou ainda problemas na gest\u00e3o desses ativos pela Caixa.<\/p>\n<p>Brizola Neto informou que as pr\u00f3ximas atas das reuni\u00f5es do Conselho Curador do Fundo ser\u00e3o p\u00fablicas, para atender \u00e0 lei do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. As medidas ser\u00e3o discutidas numa reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria do Conselho:<\/p>\n<p>&#8211; A gente vai buscar as raz\u00f5es para esse baixo rendimento das aplica\u00e7\u00f5es do FGTS.<\/p>\n<p>Em 2010, o FI investiu R$ 3,78 bilh\u00f5es de R$ 5 bilh\u00f5es programados. Foram R$ 2,01 bilh\u00f5es no setor de energia, R$ 1,3 bilh\u00e3o em rodovias, R$ 500 milh\u00f5es em portos e R$ 500 milh\u00f5es em saneamento. Os trabalhos de campo da CGU foram realizados de 13 de junho a 26 de agosto de 2011, por meio de testes e an\u00e1lise de dados coletados ao longo do ano.<\/p>\n<p>No documento, a CGU alertou que o resultado do FI deve ser priorit\u00e1rio, pois h\u00e1 necessidade de garantia de retorno, &#8220;principalmente por tratar-se de recurso do trabalhador&#8221;. A auditoria tamb\u00e9m criticou a Caixa, que usa recursos e estrutura pr\u00f3pria na gest\u00e3o dos recursos de terceiros. E cobrou indicadores econ\u00f4micos e sociais que avaliem as aplica\u00e7\u00f5es do FI, que tem por objetivo melhorar o rendimento do FGTS e ajudar a resolver gargalos da infraestrutura.<\/p>\n<p>Reportagem do &#8220;Valor Econ\u00f4mico&#8221; revelou que a mesma auditoria da CGU apontou conflitos de interesse entre membros do Conselho Curador (que aprova a pol\u00edtica de investimentos do FGTS), do Comit\u00ea de Investimentos (que aprova projetos) e de funcion\u00e1rios da Caixa. De acordo com o jornal, tr\u00eas pessoas que atuavam nessas inst\u00e2ncias t\u00eam neg\u00f3cios privados e suas empresas foram contratadas por construtoras que receberam aporte do FGTS, via emiss\u00e3o de deb\u00eantures no valor de R$ 3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A reportagem levantou tamb\u00e9m problemas sobre a representa\u00e7\u00e3o no Conselho Curador, mais favor\u00e1vel \u00e0 Caixa. Al\u00e9m de um representante, o banco cedeu um funcion\u00e1rio: Paulo Furtado, lotado no Minist\u00e9rio do Trabalho e que exercia a fun\u00e7\u00e3o no Conselho de secret\u00e1rio-executivo e presidente, na condi\u00e7\u00e3o de representante do ministro.<\/p>\n<p>Ontem, Furtado foi exonerado do cargo de assessor especial do ex-ministro Carlos Lupi e da fun\u00e7\u00e3o no Conselho. Seu suplemente no Conselho, Antonio Gois de Oliveira, tamb\u00e9m foi exonerado.<\/p>\n<p>A Caixa informou que passou a adotar regras mais r\u00edgidas e est\u00e1 exigindo que as empresas declarem que n\u00e3o t\u00eam participa\u00e7\u00e3o ou parentes no Conselho, no Comit\u00ea ou na Caixa. Os funcion\u00e1rios foram proibidos de acumular a fun\u00e7\u00e3o com consultorias pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ex-premi\u00ea admite risco real de Gr\u00e9cia deixar euro<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O ex-primeiro-ministro grego Lucas Papademos declarou ontem que a Gr\u00e9cia n\u00e3o tem alternativa a n\u00e3o ser cumprir o rigoroso programa de austeridade exigido por seus credores. Caso contr\u00e1rio, segundo ele, o pa\u00eds seria obrigado a sair da zona do euro e isso seria &#8220;catastr\u00f3fico&#8221; para a economia, provocando infla\u00e7\u00e3o e problemas sociais ainda mais graves que os atuais.<\/p>\n<p>Em sua primeira entrevista desde que deixou o cargo, Papademos disse \u00e0 ag\u00eancia Dow Jones que a sa\u00edda da uni\u00e3o monet\u00e1ria acarretaria consequ\u00eancias econ\u00f4micas graves, al\u00e9m de implica\u00e7\u00f5es profundas para o restante da zona do euro. Sem entrar em detalhes, Papademos disse que \u00e9 por isso que os governos e as institui\u00e7\u00f5es da Europa est\u00e3o preparando planos de conting\u00eancia para essa eventualidade.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de ser improv\u00e1vel que esse cen\u00e1rio se materialize e de se tratar de algo indesej\u00e1vel tanto para a Gr\u00e9cia quanto para os outros pa\u00edses, n\u00e3o se pode deixar de considerar que preparativos est\u00e3o sendo feitos para fazer frente \u00e0s potenciais consequ\u00eancias da sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro&#8221;, declarou Papademos.<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m ex-vice-presidente do Banco Central Europeu continua aconselhando o governo interino instalado em Atenas desde que deixou o cargo de primeiro-ministro, na quarta-feira da semana passada. Papademos deixou o posto de chefe de governo depois do resultado inconclusivo das elei\u00e7\u00f5es legislativas de 6 de maio. Novas elei\u00e7\u00f5es foram convocadas para 17 de junho.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Papademos, muitos gregos n\u00e3o teriam avaliado totalmente a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Os l\u00edderes pol\u00edticos europeus enviaram uma mensagem clara: a Gr\u00e9cia deve ficar na zona do euro e o pa\u00eds deve cumprir seus compromissos. Portanto, o risco de a Gr\u00e9cia deixar o euro \u00e9 real e depende efetivamente de o povo grego apoiar a continuidade da implementa\u00e7\u00e3o do programa econ\u00f4mico.&#8221;<\/p>\n<p>O ex-premi\u00ea citou estimativas segundo as quais o custo de uma sa\u00edda da Gr\u00e9cia da uni\u00e3o monet\u00e1ria ficaria entre \u20ac 500 bilh\u00f5es e \u20ac 1 trilh\u00e3o, o que refletiria o impacto sobre mercados, efeitos de cont\u00e1gio e danos \u00e0 economia real. &#8220;Alguns c\u00e1lculos que vi sugerem que a infla\u00e7\u00e3o aceleraria para 30% ou at\u00e9 mesmo 50%, dependendo do impacto desses acontecimentos&#8221;, acrescentou Papademos.<\/p>\n<p>Os mercados nos Estados Unidos e no Brasil reagiram negativamente \u00e0s declara\u00e7\u00f5es, feitas depois do fechamento das bolsas na Europa.<\/p>\n<p>Em Paris, o ministro de Finan\u00e7as franc\u00eas, Pierre Moscovici, disse que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro pode levar \u00e0 uma propaga\u00e7\u00e3o &#8220;imprevis\u00edvel&#8221; da crise da d\u00edvida, um cen\u00e1rio que a Fran\u00e7a vai tentar evitar a todo custo. &#8220;Tudo deve ser feito para ajudar as for\u00e7as a favor da Europa e do euro na Gr\u00e9cia&#8221; antes das novas elei\u00e7\u00f5es marcadas.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o ministro de Finan\u00e7as de Luxemburgo, Luc Frieden, acha muito dif\u00edcil a Gr\u00e9cia permanecer na zona do euro se os eleitores rejeitarem nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es as medidas de austeridade e os termos do pacote de resgate para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Hoje os l\u00edderes da Uni\u00e3o Europeia se re\u00fanem num jantar informal em Bruxelas. Analistas n\u00e3o acreditam que sejam acertadas medidas decisivas. Existe a expectativa de que sejam discutidas a cria\u00e7\u00e3o de eurob\u00f4nus, o aumento dos recursos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do fundo de resgate europeu para recapitaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e a introdu\u00e7\u00e3o de garantias pan-europeias para os dep\u00f3sitos das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Arrecada\u00e7\u00e3o se desacelera e cresce 3,49% em abril<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o da economia em mar\u00e7o &#8211; quando o \u00cdndice de Atividade Econ\u00f4mica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,35% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro, feito o ajuste sazonal &#8211; afetou o desempenho da arrecada\u00e7\u00e3o federal. Em abril, o recolhimento pela Uni\u00e3o de impostos e contribui\u00e7\u00f5es atingiu R$ 92,62 bilh\u00f5es, registrando uma alta de apenas 3,49% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, descontada a infla\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). \u00c9 uma expans\u00e3o real bem menor do que a verificada nos meses anteriores: de janeiro a mar\u00e7o, a m\u00e9dia de crescimento mensal da arrecada\u00e7\u00e3o sobre 2011 ficou perto de 7,5%.<\/p>\n<p>De janeiro a abril, a arrecada\u00e7\u00e3o somou R$ 349,47 bilh\u00f5es, avan\u00e7o real de 6,28% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2011. O recolhimento do IPI sobre autom\u00f3veis no quadrimestre totalizou R$ 2,02 bilh\u00f5es, n\u00famero 19,75% menor do que o arrecadado nos primeiros quatro meses do ano passado.<\/p>\n<p>Levando em conta somente o volume de recursos que entram no caixa da Receita Federal &#8211; descontando, portanto, cobran\u00e7as administradas por outros \u00f3rg\u00e3os -, o resultado da tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda das empresas foi um retrato das dificuldades do setor. Dez setores da economia recolheram, em abril, 31,6% menos Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), na compara\u00e7\u00e3o com abril de 2011. Entre as atividades, est\u00e3o as ind\u00fastrias de bens de capital, aliment\u00edcia, metal\u00fargica, automotiva, extrativas de minerais met\u00e1licos e institui\u00e7\u00f5es financeiras. Incluindo os demais setores, as empresas pagaram quase 1% a menos de IRPJ\/CSSL no per\u00edodo.<\/p>\n<p>A receita de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre autom\u00f3veis tamb\u00e9m registrou forte recuo na mesma compara\u00e7\u00e3o, de 31,5%. De acordo com a Receita, o movimento foi consequ\u00eancia principalmente de uma redu\u00e7\u00e3o de 7,6% no volume de vendas ao mercado interno. Na segunda-feira, o governo adotou medidas de est\u00edmulo ao setor, reduzindo, ou mesmo zerando, o IPI de ve\u00edculos automotores. O setor de bens de capital tamb\u00e9m foi contemplado com redu\u00e7\u00e3o dos juros dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o de receitas administradas, por\u00e9m, ainda teve alta. O recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica (IRPF) contribuiu de forma positiva. Esse tributo gerou caixa de R$ 5,71 bilh\u00f5es no m\u00eas, 11,9% a mais em termos reais do que em abril de 2011. O n\u00famero foi influenciado pelo fim do prazo da declara\u00e7\u00e3o anual do IRPF.<\/p>\n<p>Mais expressivo ainda foi o aumento da receita de abril dos dois tributos federais incidentes sobre importa\u00e7\u00f5es. O Imposto sobre Importa\u00e7\u00e3o (II) e o IPI vinculado \u00e0 importa\u00e7\u00e3o foram respons\u00e1veis pelo recolhimento aos cofres federais de mais de R$ 3,5 bilh\u00f5es, valor 15,5% superior ao proporcionado em abril do ano passado.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Imposto de Importa\u00e7\u00e3o direcionou aos cofres p\u00fablicos R$ 9,23 bilh\u00f5es no primeiro quadrimestre do ano, com crescimento real de 11,44% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. No IPI vinculado, que incide sobre as compras externas, a arrecada\u00e7\u00e3o foi de R$ 5,198 bilh\u00f5es nos primeiros quatro meses do ano &#8211; alta real de 22,72%.<\/p>\n<p>Um grande crescimento foi observado no IPI de bebidas, respons\u00e1vel pela arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 1,210 bilh\u00e3o no primeiro quadrimestre. O resultado real \u00e9 31,17% maior do que nos quatro primeiros meses de 2011. A Receita Federal destacou que o crescimento expressivo se deve \u00e0 &#8220;altera\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas aplicadas a bebidas frias&#8221; em 2011.<\/p>\n<p>J\u00e1 o IPI-outros, que incide sobre a fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, materiais el\u00e9tricos e produtos qu\u00edmicos, arrecadou R$ 6,228 bilh\u00f5es no quadrimestre, valor que representa diminui\u00e7\u00e3o real de 6,47% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo planeja mais a\u00e7\u00f5es para destravar o cr\u00e9dito<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Enquanto aguarda o desenrolar da crise na zona do euro, com a poss\u00edvel sa\u00edda da Gr\u00e9cia da uni\u00e3o monet\u00e1ria, o governo prepara mais quatro a\u00e7\u00f5es para destravar o cr\u00e9dito e estimular a retomada. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou ontem que avalia a isen\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) na portabilidade do cr\u00e9dito habitacional e um mecanismo que ajude a reestrutura\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia banc\u00e1ria. Analisa tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e redu\u00e7\u00e3o de seu custo para motocicletas e a desonera\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins pagos pelas companhias de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>O ministro informou que a inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 permitir ao mutu\u00e1rio transferir a sua d\u00edvida para outro banco que apresentasse condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis de pagamento. Essa opera\u00e7\u00e3o, segundo Mantega, seria feita sem o pagamento do IOF ou de qualquer outra taxa. Hoje, os bancos cobram tarifas elevadas para permitir a transfer\u00eancia dos d\u00e9bitos.<\/p>\n<p>A caminho de atender um pleito dos bancos, Mantega disse que a reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas dever\u00e1 ser feita sem a cobran\u00e7a de impostos, como prev\u00ea a Lei 12.431, que tipifica a renegocia\u00e7\u00e3o como uma nova opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito. A lei abre exce\u00e7\u00e3o apenas a valores at\u00e9 R$ 30 mil para pessoas f\u00edsicas e no cr\u00e9dito rural. Nesses casos, os mutu\u00e1rios recebem um benef\u00edcio fiscal e passam a pagar os tributos somente ao final da opera\u00e7\u00e3o. A proposta em discuss\u00e3o no governo \u00e9 ampliar o teto de R$ 30 mil.<\/p>\n<p>O pacote de medidas anunciado segunda-feira pelo governo deve ter efeito modesto sobre o n\u00edvel de atividade. &#8220;Nos pr\u00f3ximos 90 dias saberemos se a Gr\u00e9cia saiu ou n\u00e3o do euro, se houve uma corrida aos bancos e o que aconteceu com a Espanha&#8221;, disse uma graduada fonte oficial. Conforme o desenrolar desses acontecimentos \u00e9 que o Planalto decidir\u00e1 sobre a dosagem da rea\u00e7\u00e3o do governo \u00e0 crise. A redu\u00e7\u00e3o do IPI sobre ve\u00edculos e a realoca\u00e7\u00e3o de parte dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios para os bancos usarem como linhas de cr\u00e9dito para compra de autom\u00f3veis foram medidas espec\u00edficas &#8220;para dar uma resposta \u00e0s demandas da Anfavea [associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane as montadoras]&#8221;, disse a fonte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercado reage mal a pacote de est\u00edmulo<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O pacote de est\u00edmulo ao consu- mo lan\u00e7ado pelo governo ge- rou um efeito negativo no mercado financeiro. Enquanto as bolsas de valores europeias tiveram um dia de recupera\u00e7\u00e3o, a Bovespa fechou em forte queda, o d\u00f3lar deu novo salto frente ao real e os juros no mercado futuro dispararam. O mau humor no Brasil come\u00e7ou logo no in\u00edcio do dia. A cr\u00edtica entre os investidores era que as medidas foram restritas a alguns setores e repetem a f\u00f3rmula adotada na crise de 2008 e 2009: o est\u00edmulo ao consumo, embora o rem\u00e9dio necess\u00e1rio agora seja dar for\u00e7a \u00e0 oferta, por meio de refor\u00e7o \u00e0 ind\u00fastria. &#8220;H\u00e1 um questionamento sobre o modelo de crescimento do Brasil&#8221;, disse o diretor de Pesquisa para Mercados Emergentes da Am\u00e9rica Latina da corretora Nomura Securities em Nova York, Tony Volpon. &#8220;O consumidor brasileiro est\u00e1 muito endividado, ent\u00e3o ofertar mais cr\u00e9dito para ele n\u00e3o vai ajudar muito, ao contr\u00e1rio da situa\u00e7\u00e3o em que viv\u00edamos em 2008.&#8221; O \u00edndice da Bolsa brasileira encerrou em baixa de 2,74%, acumulando queda de quase 12% nos \u00faltimos 30 dias \u2013 parte das perdas de ontem foi associada \u00e0 declara\u00e7\u00e3o do ex-premi\u00ea grego Lucas Papademos de que a sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro \u00e9 um risco real. No mercado futuro de juros, os contratos com vencimento em 2013 subiram para 7,91%, ante 7,81% na v\u00e9spera. As empresas do mercado imobili\u00e1rio, que ficaram de fora do pacote do governo, foram as que apresentaram maiores quedas na bolsa. A PDG caiu 11,34%, a Gafisa, 9,9%, e a Rossi, 9,31%.<\/p>\n<p>D\u00f3lar. Com o d\u00f3lar em alta desde o in\u00edcio dos neg\u00f3cios, o Banco Central decidiu atuar com mais for\u00e7a no mercado de c\u00e2mbio. Em dois leil\u00f5es, o BC vendeu US$ 2,2 bilh\u00f5es no mercado futuro. Mesmo assim, a moeda seguiu em firme tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 fechar o dia 1,81% mais cara, a R$ 2,079 \u2013 o maior pre\u00e7o desde 15 de maio de 2009. Analistas afirmam que o ritmo da alta foi bem superior \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o do notici\u00e1rio e que, se o movimento continuar nessa velocidade, novas interven\u00e7\u00f5es do BC n\u00e3o ser\u00e3o surpresa. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem no Senado que a alta da moeda pode ter efeitos colaterais sobre a infla\u00e7\u00e3o, mas avalia que esse repasse ser\u00e1 limitado. &#8220;Todo rem\u00e9dio tem efeito colateral, mas voc\u00ea n\u00e3o deixa de tomar o rem\u00e9dio&#8221;, afirmou. &#8220;Atuamos sobre o c\u00e2mbio para mudar seu patamar. Desde janeiro, ganhamos 20% de competitividade.&#8221; No mercado, h\u00e1 v\u00e1rias vozes que discordam. Para o diretor de c\u00e2mbio da Pioneer Corretora, Jo\u00e3o Medeiros, a subida recente tem sinais de especula\u00e7\u00e3o, e a cota\u00e7\u00e3o parece come\u00e7ar a preocupar o BC. &#8220;A velocidade desse movimento incomoda&#8221;, disse.\/ COLABORARAM FERNANDO NAKAGAWA, EDUARDO CUCOLO E CRISTINA CANAS<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Inadimpl\u00eancia for\u00e7a bancos a renegociar<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 a\u00e7\u00e3o do governo de reativar o cr\u00e9dito de ve\u00edculos com a ado\u00e7\u00e3o de um novo pacote de est\u00edmulos, uma pr\u00e1tica adotada pelas ag\u00eancias de cobran\u00e7a, sob orienta\u00e7\u00e3o dos bancos, mostra o qu\u00e3o complicada est\u00e1 a quest\u00e3o dos atrasos no segmento. A ordem do dia \u00e9 espremer at\u00e9 a \u00faltima gota uma negocia\u00e7\u00e3o do cliente, recorrendo a diversas medidas de concilia\u00e7\u00e3o, antes de retomar o ve\u00edculo. Vale at\u00e9 renegociar as condi\u00e7\u00f5es da d\u00edvida, pr\u00e1tica que era incomum em uma carteira com garantia real e que ajuda o banco a reduzir sua inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Os bancos t\u00eam mudado a orienta\u00e7\u00e3o para uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com o cliente em atraso&#8221;, diz Leonardo Coimbra, s\u00f3cio do Grupo Cercred, empresa de recupera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos. O Cercred tem 70% de seus neg\u00f3cios em cr\u00e9ditos de ve\u00edculos e atende as principais institui\u00e7\u00f5es do segmento, como Ita\u00fa, BV Financeira e Omni Financeira.<\/p>\n<p>A causa de tanta benevol\u00eancia banc\u00e1ria est\u00e1 na deprecia\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos usados &#8211; quanto mais barato o usado, menos dinheiro o banco recupera com a retomada. Se n\u00e3o colocassem a renegocia\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica do dia, a inadimpl\u00eancia das carteiras, em 5,5%, seria mais alta ainda.<\/p>\n<p>Como falta cr\u00e9dito especialmente para usados, esse mercado encalhou. E a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve melhorar com as novas medidas no curto prazo. Analistas veem tend\u00eancia de mais queda do pre\u00e7o do usado, na medida em que o pacote incentiva a compra financiada no zero quil\u00f4metro.<\/p>\n<p>&#8220;Se o prazo dos empr\u00e9stimos \u00e9 alongado, o prazo da cobran\u00e7a caminha no mesmo sentido&#8221;, diz Jos\u00e9 Romeu Roque, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Empresas de Recupera\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9dito (Aserc). Para ele, a queda na taxa Selic e do custo das linhas de empr\u00e9stimo dos bancos vai levar a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas a condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para o devedor em atraso.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o ao pacote por parte dos bancos atuantes no segmento foi positiva. Banco do Brasil (BB) e bancos ligados a montadoras esperam expandir os financiamentos para aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos atraindo, ao mesmo tempo, clientes com bom perfil de risco. Ao conquistar tomadores de cr\u00e9dito mais &#8220;conservadores&#8221;, o setor financeiro estaria assim afastando o risco de inadimpl\u00eancia. Os calotes crescem ininterruptamente desde o in\u00edcio de 2011.<\/p>\n<p>O BB dever\u00e1 disponibilizar um volume extra de R$ 2 bilh\u00f5es para a concess\u00e3o de financiamentos de ve\u00edculos com a libera\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, segundo os c\u00e1lculos de seu vice-presidente de neg\u00f3cios de varejo, Alexandre Abreu. Ontem, o banco anunciou redu\u00e7\u00e3o nas taxas de juro dos financiamentos de ve\u00edculos novos e ampliou o limite do empr\u00e9stimo para at\u00e9 100% do valor do bem. Mas a dispensa de exig\u00eancia de entrada vale para alguns casos. &#8220;Ser\u00e3o contemplados clientes com bom hist\u00f3rico de pagamento e carros com at\u00e9 um ano de uso&#8221;, ressalta Abreu.<\/p>\n<p>Os prazos de financiamento n\u00e3o ser\u00e3o alterados. O limite continua sendo de 60 meses porque o fator de pondera\u00e7\u00e3o de risco (FPR) penaliza os empr\u00e9stimos de prazo superior &#8211; uma das chamadas medidas macroprudenciais. Muitos especialistas acreditam que foram &#8220;facilidades&#8221; como prazo de at\u00e9 72 meses, praticado h\u00e1 menos de um ano, que contribu\u00edram para a alta da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo D\u00e9cio Carbonari, presidente da Anef, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane os bancos de montadoras, a redu\u00e7\u00e3o do IPI incidente nos carros e do IOF sobre o cr\u00e9dito permitir\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de 10,5% a 11% do valor da presta\u00e7\u00e3o, dependendo do prazo de financiamento. &#8220;O cliente de renda mais alta, que adiou a troca do ve\u00edculo ano passado, deve se sentir atra\u00eddo por essas novas condi\u00e7\u00f5es&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ainda que a redu\u00e7\u00e3o de impostos, combinada \u00e0 libera\u00e7\u00e3o de compuls\u00f3rio, aumente o universo de potenciais tomadores de cr\u00e9dito (inclusive os de renda mais baixa), a redu\u00e7\u00e3o de taxa de juro, na avalia\u00e7\u00e3o de Abreu, do BB, diminui o risco de inadimpl\u00eancia. &#8220;Quando o pre\u00e7o da presta\u00e7\u00e3o cai, facilita o pagamento da d\u00edvida&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Abreu evitou falar sobre o Votorantim, institui\u00e7\u00e3o na qual o banco estatal det\u00e9m 50% do capital e que tem puxado as provis\u00f5es para devedores do BB. O executivo apenas ressaltou que o modelo de concess\u00e3o do Banco do Brasil difere daquele do Votorantim porque as concess\u00f5es s\u00e3o restritas a clientes, n\u00e3o estando dispon\u00edvel em revendas. &#8220;Ao conhecer o cliente, tenho condi\u00e7\u00e3o de ser amais assertivo na disponibiliza\u00e7\u00e3o do limite.&#8221; O Votorantim, um dos l\u00edderes de mercado no financiamento de ve\u00edculos, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda est\u00e1 avaliando o impacto das medidas nos neg\u00f3cios da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Otimismo do setor banc\u00e1rio \u00e0 parte, h\u00e1 quem ache que o &#8220;rem\u00e9dio&#8221; aplicado pelo governo no setor automotivo n\u00e3o ter\u00e1 um efeito t\u00e3o forte quanto na crise de 2008. Segundo Wermeson Fran\u00e7a, da LCA Consultores, n\u00e3o h\u00e1 uma demanda reprimida pela compra de ve\u00edculos e o comprometimento de renda das fam\u00edlias, que em 2008 e 2009 ficava em 18%, hoje est\u00e1 em 22%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Incentivo aos carros, sem contrapartida<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Recentemente, os t\u00e9cnicos da equipe econ\u00f4mica chegaram a uma f\u00f3rmula para lan\u00e7ar um programa de incentivos fiscais atrelado ao consumo de combust\u00edvel dos ve\u00edculos, como se faz, h\u00e1 algum tempo, nos Estados Unidos e Europa. Mas representantes da ind\u00fastria discordaram da metodologia utilizada. E o programa foi engavetado.<\/p>\n<p>Segundo fontes envolvidas nas discuss\u00f5es, a ideia era reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as empresas que, em cinco anos, comprovassem uma redu\u00e7\u00e3o de 20% no consumo de combust\u00edvel dos seus autom\u00f3veis. O c\u00e1lculo se baseou em resultados do Programa Brasileiro de Etiquetagem, criado em 2008 pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).<\/p>\n<p>A etiquetagem revela quil\u00f4metros percorridos por litro de combust\u00edvel (\u00e1lcool e gasolina), como nos r\u00f3tulos que medem consumo de energia em geladeiras. Como na ind\u00fastria automobil\u00edstica a ades\u00e3o \u00e0 etiquetagem ainda \u00e9 volunt\u00e1ria, os representantes das montadoras contestaram o c\u00e1lculo sob o argumento de que os dados envolviam apenas ve\u00edculos produzidos pelos que aderiram espontaneamente ao programa.<\/p>\n<p>O elenco de medidas anunciado pelo governo esta semana ajudar\u00e1 a elevar o consumo de carros, mas segue na contram\u00e3o do que governos de outros mercados t\u00e3o expressivos quanto o do Brasil t\u00eam feito para envolver os autom\u00f3veis em planos de mobilidade sustent\u00e1vel. A grande maioria dos programas lan\u00e7ados no mundo nos quatro \u00faltimos anos atrela a redu\u00e7\u00e3o de impostos a efici\u00eancia energ\u00e9tica e controle de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Carros h\u00edbridos e el\u00e9tricos s\u00e3o, de longe, os que recebem a maior parte dos benef\u00edcios. Mas diversos pa\u00edses tamb\u00e9m oferecem vantagens aos motores a combust\u00e3o desde que atendam aos limites de emiss\u00e3o de CO2.<\/p>\n<p>Os pacotes de incentivos fiscais mais atraentes est\u00e3o nos Estados Unidos, onde, al\u00e9m de b\u00f4nus de U$ 5 mil a US$ 7,5 mil na compra de carros el\u00e9tricos, bancados pelo governo federal, o consumidor consegue vantagens adicionais nos Estados. Os fabricantes j\u00e1 criaram sites que indicam quanto se pode economizar, dependendo de onde se vive. As administra\u00e7\u00f5es mais engajadas, como a da Calif\u00f3rnia, oferecem at\u00e9 desconto na conta de energia ou estacionamento gratuito.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, o motorista pode tanto ser beneficiado com taxas menores se tiver carro econ\u00f4mico como tamb\u00e9m paga mais impostos se o autom\u00f3vel poluir muito. A Uni\u00e3o Europeia fixou a meta de reduzir a emiss\u00e3o de CO2 nos ve\u00edculos em 20% at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>Por isso, o continente tem v\u00e1rios exemplos de incentivos. O governo da Espanha criou um fundo para oferecer um b\u00f4nus sobre a venda do carro el\u00e9trico. Em Portugal, ve\u00edculos econ\u00f4micos podem ser isentos de licenciamento. Na B\u00e9lgica, os impostos caem tamb\u00e9m para as empresas que investirem na esta\u00e7\u00f5es de recarga das baterias.<\/p>\n<p>Em Israel, a taxa de impostos para carros el\u00e9tricos tem sido reduzida. Mas, o plano \u00e9 voltar a subir daqui a dois anos. A ideia \u00e9 estimular a antecipa\u00e7\u00e3o da troca de carro para elevar a escala e, assim, ajudar o fabricante a reduzir os custos do investimento.<\/p>\n<p>Na China, o maior mercado de ve\u00edculos do mundo, os programas, por enquanto, n\u00e3o envolvem o consumidor. Est\u00e3o mais voltados a estimular a ind\u00fastria no desenvolvimento de novas op\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos. Mas pelo menos cinco cidades j\u00e1 participam de projetos pilotos.<\/p>\n<p>No Brasil, a al\u00edquota de IPI dos carros com motor flex (que podem ser abastecidos com gasolina ou \u00e1lcool) \u00e9 dois pontos percentuais mais baixa do que nos que aceitam somente gasolina. No programa apresentado nesta semana o governo diminuiu o IPI tanto para os carros flex como os movidos a gasolina, proporcionalmente.<\/p>\n<p>O carro el\u00e9trico est\u00e1 ainda longe de ser o ve\u00edculo padr\u00e3o em qualquer parte do mundo. Mas seu uso tem sido claramente estimulado, principalmente como op\u00e7\u00e3o de deslocamento r\u00e1pido em grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>No Brasil, no entanto, o el\u00e9trico \u00e9 o que recolhe a maior carga de impostos por estar na categoria &#8220;outros&#8221; na subdivis\u00e3o do IPI e por ser importado. Como n\u00e3o \u00e9 produzido no pa\u00eds, o el\u00e9trico n\u00e3o se enquadra, portanto, no plano do governo para estimular atividade industrial e emprego e afastar o pa\u00eds da crise mundial.<\/p>\n<p>Preocupado com a queda na atividade nas f\u00e1bricas, o governo tamb\u00e9m reduziu juros para financiamento dos caminh\u00f5es. Uma vez mais, a sustentabilidade n\u00e3o entrou na pauta. Os estoques de caminh\u00f5es subiram neste ano quando entrou em vigor a lei de redu\u00e7\u00e3o de poluentes dos ve\u00edculos movidos a diesel. O custo da nova tecnologia elevou os pre\u00e7os dos ve\u00edculos que poluem menos. Prevendo isso, as transportadoras anteciparam as compras no ano passado, refor\u00e7ando suas frotas com os modelos que atendiam \u00e0 lei anterior e que, portanto, poluem mais.<\/p>\n<p>Os representantes da ind\u00fastria automobil\u00edstica gostam de dizer que h\u00e1 tempos o Brasil encontrou sua energia alternativa com o etanol. \u00c9 verdade. Mas a vontade do brasileiro de utilizar essa fonte ainda est\u00e1 atrelada \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e safra. As \u00faltimas pesquisas indicam que abastecer o carro com etanol atualmente compensa apenas para motoristas do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Crise e aus\u00eancia de dinheiro novo limitam efeito do pacote<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O pacote de medidas anunciado pelo governo na segunda-feira deve ter efeito modesto sobre o n\u00edvel de atividade. O incentivo fiscal do IPI para a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos autom\u00f3veis ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de apenas tr\u00eas meses porque avalia-se que esse \u00e9 o prazo para que haja um desfecho mais claro da crise na Europa. &#8220;N\u00f3s pr\u00f3ximos 90 dias saberemos se a Gr\u00e9cia saiu ou n\u00e3o do euro, se houve uma corrida aos bancos e o que aconteceu com a Espanha&#8221;, disse uma graduada fonte oficial. Conforme o desenrolar desses acontecimentos \u00e9 que o Pal\u00e1cio do Planalto decidir\u00e1 sobre a dosagem da rea\u00e7\u00e3o do governo \u00e0 crise, sempre mirando o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do IPI sobre ve\u00edculos e a realoca\u00e7\u00e3o de uma parte dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios para os bancos usarem como linhas de financiamento para a compra de autom\u00f3veis foram medidas espec\u00edficas, divulgadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo Banco Central &#8220;para dar uma resposta \u00e0s demandas da Anfavea [Associa\u00e7\u00e3o nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores]&#8221;, disse a fonte. As montadoras querem se desfazer de um estoque de 360 mil ve\u00edculos para os quais n\u00e3o h\u00e1 demanda.<\/p>\n<p>Com menor tributa\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os dos autom\u00f3veis podem cair 10% e isso dar\u00e1 uma ajuda, ainda que tempor\u00e1ria, no controle da infla\u00e7\u00e3o. Com essa redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os a expectativa da \u00e1rea econ\u00f4mica \u00e9 de haja um ganho de 0,3 ponto percentual para a infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA. Mas esse \u00e9 um ganho que se reverter\u00e1 assim que as al\u00edquotas do IPI voltarem ao normal, a partir de setembro.<\/p>\n<p>J\u00e1 a realoca\u00e7\u00e3o gradativa de R$ 18 bilh\u00f5es em dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios n\u00e3o representar\u00e1 aumento da liquidez na economia e pode n\u00e3o se traduzir em expressiva amplia\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para a compra de autom\u00f3veis. O BC, em uma medida pouco usual porque dirigida a apenas um setor, tirou uma parte do uso do compuls\u00f3rio destinado \u00e0 compra de carteiras de bancos de pequeno e m\u00e9dio porte para encorpar os financiamentos para aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, mantendo a liquidez global neutra.<\/p>\n<p>A grande d\u00favida \u00e9 se os bancos que relaxaram seus crit\u00e9rios de an\u00e1lise de risco para expandir o cr\u00e9dito a autom\u00f3veis e amargaram eleva\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia v\u00e3o, justamente no momento em que est\u00e3o limpando seus balan\u00e7os, voltar a emprestar mais.<\/p>\n<p>Parte das a\u00e7\u00f5es macroprudenciais adotadas pelo BC para conter a expans\u00e3o do cr\u00e9dito em dezembro 2010, por\u00e9m, permanecem em vigor inclusive para limitar os financiamentos de ve\u00edculos. \u00c9 o caso do aumento da exig\u00eancia de capital m\u00ednimo requerido dos bancos para fazer frente ao risco de calote em algumas modalidades de cr\u00e9dito. O aumento de 50% atingiu as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito direto ao consumidor (CDC) com prazo superior a dois anos e as de consignado de pelo menos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O capital requerido, antes de 11% do valor da opera\u00e7\u00e3o, subiu para 16,5% para financiamentos de ve\u00edculos com prazo superior a cinco anos. Nos financiamentos com prazo entre dois e cinco anos tamb\u00e9m houve eleva\u00e7\u00e3o, dependendo do valor da entrada paga pelo comprador do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Em novembro de 2011, quando a expans\u00e3o do cr\u00e9dito j\u00e1 tinha perdido ritmo, algumas restri\u00e7\u00f5es foram afrouxadas, mas s\u00f3 para opera\u00e7\u00f5es com prazo de at\u00e9 cinco anos. O capital m\u00ednimo exigido continuou em 16,5% para financiamentos mais longos de ve\u00edculos e dobrou, chegando a 33%, no caso de opera\u00e7\u00f5es de CDC e de consignado superiores a cinco anos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maior exig\u00eancia de capital para o cr\u00e9dito ao consumo de prazo mais longo, o BC manteve as al\u00edquotas mais elevadas de compuls\u00f3rio que passaram a vigorar em dezembro de 2010, quando o compuls\u00f3rio sobre dep\u00f3sitos a prazo subiu de 15% para 20% e o a adicional sobre dep\u00f3sitos \u00e0 vista e a prazo passou de 8% para 12%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2893\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-KF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2893\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}