{"id":28952,"date":"2022-06-28T07:52:14","date_gmt":"2022-06-28T10:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=28952"},"modified":"2022-06-28T07:52:14","modified_gmt":"2022-06-28T10:52:14","slug":"o-agro-e-guerra-o-agro-e-morte-o-agro-e-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28952","title":{"rendered":"O Agro \u00e9 guerra, o Agro \u00e9 morte, o Agro \u00e9 fome"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"374\" width=\"747\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/omomento.org\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/capaveneno-750x375.jpg?resize=747%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Alexandre Mask, via Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>O ano de 2022 se desenha, no cen\u00e1rio mundial, com tra\u00e7os definidos por conflitos b\u00e9licos burgueses, pandemias, devasta\u00e7\u00f5es ambientais e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas cr\u00edticas, num momento de ofensiva intensa da classe dominante, especialmente no Brasil e em toda a periferia do sistema capitalista. A classe trabalhadora brasileira vem perdendo direitos, e sofrendo in\u00fameras consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas. Dentre elas podemos destacar a inseguran\u00e7a alimentar e a fome, ao passo que a burguesia tem elevado substancialmente seus lucros e conduzindo nosso planeta a um ponto de n\u00e3o retorno, colocando em risco a exist\u00eancia da esp\u00e9cie humana. Grande parte dessa responsabilidade repousa sobre o Agroneg\u00f3cio. Para compreendermos melhor essa quest\u00e3o e pensarmos em solu\u00e7\u00f5es coletivas, precisamos analisar alguns aspectos separadamente para perceber como eles se relacionam.<\/p>\n<p>O Agro \u00e9 GUERRA<\/p>\n<p>A d\u00e9cada era a de 1960. Por quase 10 anos, a opera\u00e7\u00e3o \u201cajudante de fazendeiro\u201d\u00b9 despejou em torno de 80 milh\u00f5es de litros de Agente Laranja, e outras variantes, por cima do Vietn\u00e3 do Sul, atingindo aproximadamente 16% da extens\u00e3o do pa\u00eds. O objetivo era exterminar as florestas e planta\u00e7\u00f5es que dificultavam o avan\u00e7o do ex\u00e9rcito estadunidense em sua guerra imperialista. N\u00e3o lograram \u00eaxito no combate: os vietcongues colocaram os belicistas do Tio Sam para correr. Contudo, outra guerra se iniciara, de forma invis\u00edvel, mas que perduraria at\u00e9 os tempos atuais, atrav\u00e9s de elevadas taxas de c\u00e2ncer, dist\u00farbios diversos, desde o sistema respirat\u00f3rio \u00e0 epiderme, abortos espont\u00e2neos e problemas cong\u00eanitos nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, deixando um legado t\u00f3xico sobre a sa\u00fade do povo vietnamita. Veteranos estadunidenses da Guerra do Vietn\u00e3 contra\u00edram o mal de Parkinson, tamb\u00e9m pela mesma causa (Robin, 2012, p.157).<\/p>\n<p>Um dos precursores do Agente Laranja \u00e9 o herbicida 2, 4-D, fabricado pela Monsanto. A empresa carrega em seu portf\u00f3lio produtos como DDT, Roundup (glifosato), dentre outros venenos e perip\u00e9cias qu\u00edmicas irrespons\u00e1veis, al\u00e9m da Bomba At\u00f4mica e diversas armas nucleares. Este herbicida cont\u00e9m o que se conhece por dioxina, que \u00e9 constitu\u00edda por uma rela\u00e7\u00e3o de diversos compostos qu\u00edmicos carinhosamente chamados de \u201cOs doze condenados\u201d\u00b2, um grupo de contaminadores ambientais persistentes e bioacumulativos\u00b3, ou seja, que se acumulam na cadeia alimentar. Todos esses produtos foram criados como armas qu\u00edmicas de guerra.<\/p>\n<p>Recorramos a Walter Benjamin, para quem a guerra \u00e9 o ponto de converg\u00eancia para a est\u00e9tica da pol\u00edtica. Do ponto de vista t\u00e9cnico, apenas a guerra \u00e9 capaz de mobilizar a tecnologia na sua totalidade, e ao mesmo tempo preservar as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. E com isto, \u00e9 atrav\u00e9s da guerra que os maiores desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos se sucedem (BENJAMIN, 2021). E depois da guerra? Para onde vai essa tecnologia? Como recuperar todo o derrame financeiro que a guerra proporcionou?<\/p>\n<p>No caso das armas qu\u00edmicas citadas acima, a Revolu\u00e7\u00e3o Verde4, ou Contrarrevolu\u00e7\u00e3o Verde, para um nome mais adequado, foi um dos principais meios de reutiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias de guerra na segunda metade do s\u00e9culo XX. Tais pr\u00e1ticas se mant\u00e9m at\u00e9 a atualidade. No final da 1\u00aa Guerra Mundial, alem\u00e3es detinham elevadas quantidades de estoque de nitratos (mat\u00e9ria-prima para fabrica\u00e7\u00e3o de explosivos) sem destino, que foram reciclados pela ind\u00fastria qu\u00edmica e introduzidos impositivamente na agricultura. Este passou a ser o \u201clix\u00e3o\u201d da ind\u00fastria da guerra. Nem a agricultura, tampouco os agricultores criaram ou sequer solicitaram o desenvolvimento de agrot\u00f3xicos. S\u00e3o produtos da guerra feitos para matar seres humanos e destruir suas planta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o produtos que buscam quaisquer benef\u00edcios para a humanidade, e devemos cham\u00e1-los da forma correta: Veneno \u2013 Arma Qu\u00edmica \u2013 Agrot\u00f3xico. Esses venenos intoxicam anualmente mais de 3 milh\u00f5es de pessoas, e mais de 7% s\u00e3o levados a \u00f3bito. Todos os dias, pelo menos 25 pessoas s\u00e3o v\u00edtimas dos agrot\u00f3xicos (G\u00d2MEZ, 2012).<\/p>\n<p>O Agro \u00e9 MORTE<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o do ser humano pelo ser humano atrav\u00e9s do trabalho, Marx abordou, em sua obra, a explora\u00e7\u00e3o da natureza5 como meio para esgotamento do solo6, bem como o rompimento do metabolismo entre o ser humano e a terra, conceito posteriormente chamado de \u201cfalha metab\u00f3lica\u201d ou \u201cruptura metab\u00f3lica\u201d (FOSTER, 2005, p. 10)7, muito antes da ideia de \u201cconsci\u00eancia ecol\u00f3gica\u201d fazer parte das preocupa\u00e7\u00f5es da burguesia.<\/p>\n<p>Nesse momento estamos submetidos a uma pandemia de Covid-19 que infectou mais de meio bilh\u00e3o de pessoas e o n\u00famero de \u00f3bitos superou os seis milh\u00f5es8. Muitas s\u00e3o as controv\u00e9rsias acerca da origem do Sars-COV-2, v\u00edrus causador da doen\u00e7a. Sua gen\u00e9tica demonstra ser um rearranjo do coronav\u00edrus de morcego com uma cepa de Pangolim, que posteriormente encontrou sintonia no sistema imunol\u00f3gico dos seres humanos. N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel para o salto do v\u00edrus entre essas esp\u00e9cies, tampouco por esp\u00e9cies intermedi\u00e1rias, a exemplo da conhecida gripe su\u00edna, que transitou dos porcos para os humanos, sem considerar o papel da agropecu\u00e1ria. Florestas t\u00eam como uma de suas principais fun\u00e7\u00f5es interromper a transmiss\u00e3o de v\u00edrus mortais. O c\u00edrculo regional de produ\u00e7\u00e3o, que parte das florestas periurbanas (regi\u00f5es que abrangem a periferia da cidade) para as cidades, se reproduz no mundo inteiro. Essa estrutura mais ampliada permite uma melhor an\u00e1lise e compreens\u00e3o da grande maioria dos surtos ocorridos por quase todo o planeta, tendo em vista que todos t\u00eam origem ou reemergem em locais pertencentes a esses c\u00edrculos produtivos em expans\u00e3o. Boa parte dessas ecologias s\u00e3o resultados de imposi\u00e7\u00f5es do modelo capitalista. \u00c9 o contexto agroecon\u00f4mico que desenvolve boa parte dos pat\u00f3genos (WALLACE, 2020).<\/p>\n<p>O Agro \u00e9 FOME<\/p>\n<p>O Brasil na \u00faltima d\u00e9cada, potencializado ainda mais pelo governo Bolsonaro, intensificou seu car\u00e1ter subserviente aos interesses do grande capital financeiro e do imperialismo, exercendo fun\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias na economia global, mantendo-se na parte superior do ranking de consumo de agrot\u00f3xicos no planeta e de monoculturas transg\u00eanicas para exporta\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio est\u00e1 atrelado a um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o que caminha a passos largos, tendo suas bases de transforma\u00e7\u00e3o industrial cada vez mais sucateadas. O implac\u00e1vel car\u00e1ter expansionista do Capital se expressa em nosso modelo agr\u00edcola hegem\u00f4nico, o agroneg\u00f3cio, na expans\u00e3o do latif\u00fandio, potencializada pela rela\u00e7\u00e3o escassa entre a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade e a demanda de insumos que as sementes modificadas podem oferecer. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho para manter a rentabilidade nesse modelo. Altera\u00e7\u00f5es das legisla\u00e7\u00f5es ambientais e fundi\u00e1rias permitem expans\u00e3o do Agrobiz para \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da expropria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios atualmente ocupados por popula\u00e7\u00f5es tradicionais ind\u00edgenas, ou ainda assentamentos de reforma agr\u00e1ria, sendo motores para garantir a reprodu\u00e7\u00e3o do modelo agroecon\u00f4mico, que, por sua vez, torna-se agente causador de diversos crimes ambientais e seguem promovendo genoc\u00eddios e etnoc\u00eddios da popula\u00e7\u00e3o cada vez mais vulner\u00e1vel ante o desejo de maiores lucros.<\/p>\n<p>O modelo do Agroneg\u00f3cio aparece como her\u00f3i do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, quando na verdade, em sua ess\u00eancia, \u00e9 o vil\u00e3o respons\u00e1vel pela inseguran\u00e7a alimentar que hoje atinge mais de 110 milh\u00f5es de brasileiros, promovendo o retorno do Brasil ao mapa da fome, somando mais de 20 milh\u00f5es de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o, intensificando as desigualdades que se expressam na crise social que o pa\u00eds se encontra e nos impactos ambientais sem possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o, a saber, altera\u00e7\u00f5es dos ecossistemas e perda de biodiversidade, causadas pelos agrot\u00f3xicos (Venenos).<\/p>\n<p>Pacote do Veneno<\/p>\n<p>Agora que chegamos a uma base m\u00ednima de entendimento do que s\u00e3o agrot\u00f3xicos, do seu poder destrutivo e mortal, de onde vem e a quem interessam, al\u00e9m de j\u00e1 conhecermos tamb\u00e9m os impactos que o Agrobiz causa ao redor do planeta, vamos \u00e0 quest\u00e3o central. Recuperemos o in\u00edcio do texto, dando a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar: Veneno \u2013 Arma Qu\u00edmica \u2013 Agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p>No embalo do governo Bolsonaro, que podemos chamar de o governo do Agroneg\u00f3cio, sob a lideran\u00e7a do ex-desMinistro do Meio Ambiente Ricardo Salles, que fez jus ao seu pronunciamento em reuni\u00e3o ministerial, na qual registrou que a pandemia do Covid-19 abria a oportunidade para \u201cir passando a boiada\u201d9, no dia 9 de fevereiro de 2022, em sess\u00e3o com velocidade recorde foi aprovada na c\u00e2mara dos deputados a PL 6.299\/2002, conhecida como Pacote do Veneno. Os argumentos usados para defender o Pacote do Veneno s\u00e3o desprovidos de quaisquer bases cient\u00edficas ou t\u00e9cnicas. As se\u00e7\u00f5es anteriores nos d\u00e3o a percep\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para enxergar o que realmente esses produtos representam, e quais as verdadeiras ideias que eles carregam consigo. Escondida atr\u00e1s de uma capa formada por campanhas midi\u00e1ticas baseadas em distor\u00e7\u00f5es e mentiras (CONSEA, 2014) (ZANONI &amp; FERMENT, 2011), promovidas por ve\u00edculos que participam direta ou indiretamente do conjunto de agroneg\u00f3cios, a ind\u00fastria internacional, atrav\u00e9s de suas empresas, encontra no Brasil a solu\u00e7\u00e3o para comercializa\u00e7\u00e3o dos seus venenos proibidos em dezenas de pa\u00edses. A flexibiliza\u00e7\u00e3o dos marcos legais e regulat\u00f3rios trabalhistas, previdenci\u00e1rios e ambientais, junto ao enfraquecimento do Estado na regula\u00e7\u00e3o desses venenos, fomentam o fortalecimento do Agroneg\u00f3cio no pa\u00eds (GURGEL ET AL, 2019).<\/p>\n<p>O Pacote do Veneno n\u00e3o \u00e9 uma caixa de Pandora. Apesar de trazer consigo o grande potencial de trag\u00e9dias para o povo brasileiro, esperan\u00e7a \u00e9 algo que n\u00e3o encontra repouso em sua exist\u00eancia. Nem a mitologia \u00e9 capaz de encontrar caminhos que justifiquem tamanha crueldade com o povo brasileiro. N\u00e3o obstante, no interior dessa caixa preta, encontramos absurdos e atrocidades que n\u00e3o achariam espa\u00e7o num comp\u00eandio mitol\u00f3gico. A falta de clareza nas justificativas e no processo de aprova\u00e7\u00e3o do Pacote do Veneno \u00e9 temperada com obscuridades de fazer inveja aos textos de Hegel.<\/p>\n<p>Desde pontos que versam sobre a permiss\u00e3o para exportar venenos banidos no pa\u00eds com previs\u00e3o para substituir registros de produtos destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o sem a necessidade de estudos ambientais e toxicol\u00f3gicos, passando por defini\u00e7\u00f5es abstratas e altamente subjetivas como a de \u201crisco aceit\u00e1vel\u201d, que tornaria poss\u00edvel o registro de venenos de toxicidade igual ou superior ao Agente Laranja, e todas as suas consequ\u00eancias com base em estat\u00edsticas de n\u00fameros \u201cirrelevantes\u201d de incid\u00eancias de c\u00e2ncer, muta\u00e7\u00f5es, malforma\u00e7\u00f5es fetais ou altera\u00e7\u00f5es hormonais e reprodutivas, o Pacote-Cat\u00e1strofe n\u00e3o para por a\u00ed. \u00c9 nossa tarefa enquanto classe trabalhadora impedirmos que sigam transformando nosso pa\u00eds na lata de lixo t\u00f3xico do planeta e resistir \u00e0 expans\u00e3o do Agroneg\u00f3cio que segue matando, desmatando e nos envenenando, garantindo sua lucratividade em detrimento das nossas vidas. O Agro \u00e9 GUERRA, o Agro \u00e9 MORTE, o Agro \u00e9 FOME!<\/p>\n<p>Ambientalistas e simpatizantes de todo mundo, uni-vos!<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>1 CONTE\u00daDO aberto. In: Wikip\u00e9dia: Opera\u00e7\u00e3o Rancho M\u00e3o. Dispon\u00edvel em: https:\/\/pt.frwiki.wiki\/wiki\/Op%C3%A9ration_Ranch_Hand. Acesso em: 18 mai. 2022.<br \/>\n2 CONTE\u00daDO aberto. In: Wikip\u00e9dia: The Dirty Dozen. Dispon\u00edvel em: https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Dirty_Dozen. Acesso em: 18 mai. 2022.<br \/>\n3 MONTONE, Rosalinda C. IOUSP: Bioacumula\u00e7\u00e3o e Biomagnifica\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.io.usp.br\/index.php\/oceanos\/textos\/antartida\/31-portugues\/publicacoes\/series-divulgacao\/poluicao\/811-bioacumulacao-e-biomagnificacao.html. Acesso em: 18 mai. 2022.<br \/>\n4 A Revolu\u00e7\u00e3o Verde foi um processo hist\u00f3rico iniciado nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, que teve sua consolida\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o fim da 2\u00aa Guerra Mundial, a partir dos processos de exporta\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola estadunidense para o M\u00e9xico, sob o financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller. Seu principal componente foi a produ\u00e7\u00e3o de sementes geneticamente modificadas que teriam seu desenvolvimento adaptado aos climas tropicais, com o uso de fertilizantes adequados, produzidos pela mesma origem dessas sementes (MACHADO, 2014).<br \/>\n5 \u201cAssim como na ind\u00fastria urbana, na agricultura moderna o incremento da for\u00e7a produtiva e maior mobiliza\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o obtidos por meio da devasta\u00e7\u00e3o e do esgotamento da pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho. E todo progresso da agricultura capitalista \u00e9 um progresso na arte de saquear n\u00e3o s\u00f3 o trabalhador, mas tamb\u00e9m o solo, pois cada progresso alcan\u00e7ado no aumento da fertilidade do solo por certo per\u00edodo \u00e9 ao mesmo tempo um progresso no esgotamento das fontes duradouras dessa fertilidade. Quanto mais um pa\u00eds, como os Estados Unidos da Am\u00e9rica do Norte, tem na grande ind\u00fastria o ponto de partida de seu desenvolvimento, tanto mais r\u00e1pido se mostra esse processo de destrui\u00e7\u00e3o. Por isso, a produ\u00e7\u00e3o capitalista s\u00f3 desenvolve a t\u00e9cnica e a combina\u00e7\u00e3o do processo de produ\u00e7\u00e3o social na medida em que solapa os mananciais de toda a riqueza: a terra e o trabalhador\u201d (MARX, 2017, p.573).<br \/>\n6 \u201cA ind\u00fastria e a agricultura em grande escala, exploradas de modo industrial, atuam de forma conjunta. Se num primeiro momento elas se distinguem pelo fato de que a primeira devasta e destr\u00f3i mais a for\u00e7a de trabalho e, com isso, a for\u00e7a natural do homem, ao passo que a segunda depreda mais diretamente a for\u00e7a natural da terra, posteriormente, no curso do desenvolvimento, ambas se d\u00e3o as m\u00e3os, uma vez que o sistema industrial na zona rural tamb\u00e9m exaure os trabalhadores, enquanto a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio, por sua vez, fornecem \u00e0 agricultura os meios para o esgotamento do solo\u201d (MARX, 2017, p.873).<br \/>\n7 No original \u201cmetabolic rift\u201d. Na tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas o termo utilizado foi \u201cfalha metab\u00f3lica\u201d.<br \/>\n8 Ver https:\/\/www.worldometers.info\/coronavirus\/<br \/>\n9 Dispon\u00edvel em https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=v8fm8-eMrhw.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica. Porto Alegre: L&amp;PM, 2021, p.96-99.<\/p>\n<p>BULLFINCH, Thomas. O Livro da Mitologia: A Idade da F\u00e1bula. 1\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2013, p41-48.<\/p>\n<p>BURCH, D. \u201dProduction, consumption and trade in poultry: corporate linkages and North-South supply chains\u201d. In: FOLD, N. &amp; PRITCHARD, W. (Orgs.). Cross-continental Agro Food Chains. Londres: Routledge, 2005, P.166-178.<\/p>\n<p>CONSEA. Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional. Mesa de controv\u00e9rsias sobre impactos dos agrot\u00f3xicos na soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional e no direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada. Relat\u00f3rio Final 2013. CONSEA: Bras\u00edlia, 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mpma.mp.br\/arquivos\/ESMP\/2014_Relatorio_Final_Mesa_Controversias_Agrotoixicos.pdf. Acesso em: 19 maio 2022.<\/p>\n<p>FRIEDRICH, Karen et al. (org.). \u201cDossi\u00ea contra o Pacote do Veneno e em defesa da Vida!\u201d. 1\u00aa ed. 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S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n<p>MARX, Karl. O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica: livro III: o processo global da produ\u00e7\u00e3o capitalista. Edi\u00e7\u00e3o de Friedrich Engels. 1\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n<p>ROBIN, M.M. Nuestro Veneno Cotidiano. Barcelona, Pen\u00ednsula, 2012, 667p.<\/p>\n<p>WALLACE, Rob. Pandemia e Agroneg\u00f3cio: doen\u00e7as infecciosas, capitalismo e ci\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Elefante, 2020, 608p.<\/p>\n<p>ZANONI, M. &amp; FERMENT, G. (orgs.). Transg\u00eanicos para quem? Agricultura, Ci\u00eancia e Sociedade. Bras\u00edlia: MDA, 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/299645431_Transgenicos_para_quem. Acesso em: 19 mai. 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28952\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"O Agro \u00e9 guerra, o Agro \u00e9 morte, o Agro \u00e9 fome","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[222],"class_list":["post-28952","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7wY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28952\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}