{"id":29017,"date":"2022-07-11T20:23:12","date_gmt":"2022-07-11T23:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29017"},"modified":"2022-07-11T20:23:12","modified_gmt":"2022-07-11T23:23:12","slug":"o-fim-da-mortalidade-infantil-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29017","title":{"rendered":"O fim da mortalidade infantil em Cuba"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistaopera.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/pera-4-e1657321616942.jpeg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Como Cuba erradicou a mortalidade infantil e est\u00e1 acabando com as doen\u00e7as dos pobres<\/p>\n<p>Que Cuba tenha passado de 59 mortes infantis em cada 1.000 nascidos vivos para nenhuma morte infantil em quest\u00e3o de algumas d\u00e9cadas \u00e9 um feito extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por Vijay Prashad e Manolo de los Santos | Globetrotter \u2013 Tradu\u00e7\u00e3o de Pedro Marin para a Revista Opera<\/p>\n<p>A pequena cidade de Palpite, em Cuba, fica a poucos quil\u00f4metros de Playa Gir\u00f3n, ao longo da Ba\u00eda dos Porcos, lugar onde os Estados Unidos tentaram derrubar a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana em 1961. Em um pequeno pr\u00e9dio de uma rua modesta, com uma bandeira cubana e um grande retrato de Fidel Castro perto da porta da frente, a Dra. Dayamis G\u00f3mez La Rosa atende pacientes das 8h \u00e0s 17h. Na verdade, esta frase \u00e9 imprecisa. A Dra. Dayamis, como a maioria dos m\u00e9dicos de cuidados prim\u00e1rios em Cuba, vive em cima da cl\u00ednica que administra. \u201cEu me tornei m\u00e9dica\u201d \u2013 diz ela, ao sentarmos na sala de espera da cl\u00ednica \u2013, \u201cporque eu queria tornar o mundo um lugar melhor\u201d. Seu pai era atendente de bar, e a m\u00e3e, faxineira, mas, \u201cgra\u00e7as \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o\u201d, ela se tornou m\u00e9dica, e seu irm\u00e3o um dentista. Os pacientes chegam quando precisam de cuidado, mesmo no meio da noite.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sala de espera, a cl\u00ednica s\u00f3 tem outras tr\u00eas salas, todas pequenas e limpas. Os 1.970 moradores de Palpite s\u00e3o atendidos pela Dra. Dayamis, que ressalta que tem sob seus cuidados v\u00e1rias gestantes e beb\u00eas. Ela leva a conversa para o tema da gravidez e das crian\u00e7as porque quer me informar que nos \u00faltimos tr\u00eas anos, nenhuma crian\u00e7a morreu em sua cidade ou na regi\u00e3o. \u201cA \u00faltima vez que um beb\u00ea morreu\u201d, ela conta, \u201cfoi em 2008, quando uma crian\u00e7a nasceu prematura, e tinha muita dificuldade em respirar\u201d. Quando lhe perguntamos como ela se lembrava daquela morte com tanta clareza, ela disse que, como m\u00e9dica, qualquer morte \u00e9 terr\u00edvel, mas a morte de uma crian\u00e7a deve ser evitada a todo custo. \u201cEu gostaria de n\u00e3o ter tido aquela experi\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Erradicar as doen\u00e7as dos pobres<br \/>\nA regi\u00e3o do P\u00e2ntano de Zapata, onde a Ba\u00eda dos Porcos est\u00e1 localizada, tinha uma taxa de mortalidade infantil de 59 a cada 1.000 nascimentos antes da revolu\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o da \u00e1rea, vivendo majoritariamente \u00e0 base da pesca de subsist\u00eancia e do com\u00e9rcio de carv\u00e3o, vivia em muita pobreza. Fidel passou o primeiro Natal ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1959 na ent\u00e3o rec\u00e9m-formada cooperativa de produtores de carv\u00e3o da regi\u00e3o, escutando-os falar sobre seus problemas e trabalhando ao seu lado para achar uma sa\u00edda para as condi\u00e7\u00f5es de fome, analfabetismo e problemas de sa\u00fade em que viviam. Um projeto de transforma\u00e7\u00e3o em larga escala havia sido iniciado alguns meses antes, atraindo centenas de pessoas muito pobres para um processo para se erguerem das condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis que as afligiam. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual essas pessoas se levantaram depois em grande n\u00famero para defender a Revolu\u00e7\u00e3o contra o ataque dos Estados Unidos e seus mercen\u00e1rios, em 1961.<\/p>\n<p>Passar de 59 mortes infantis em cada 1.000 nascidos vivos para nenhuma morte infantil em quest\u00e3o de algumas d\u00e9cadas \u00e9 um feito extraordin\u00e1rio. Isso foi feito \u2013 diz a Dra. Dayamis \u2013, porque a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana presta uma enorme aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. As m\u00e3es gr\u00e1vidas recebem cuidados regulares de m\u00e9dicos de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e ginecologistas, e seus beb\u00eas s\u00e3o atendidos por pediatras \u2013 tudo pago com a riqueza social do pa\u00eds. Pequenas cidades como Palpite n\u00e3o t\u00eam especialistas como ginecologistas e pediatras, mas a poucos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, a popula\u00e7\u00e3o pode acessar esses m\u00e9dicos, em Playa Larga.<\/p>\n<p>Caminhando pelo museu de Playa Giron mais cedo naquele dia, sua diretora, Dulce Mar\u00eda Limonta del Pozo, nos conta que muitos dos mercen\u00e1rios capturados em 1961 foram devolvidos aos Estados Unidos em troca de alimentos e medicamentos para crian\u00e7as; \u00e9 revelador que foi isso que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana exigiu em troca da liberta\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o, campanhas de alfabetiza\u00e7\u00e3o e campanhas de vacina\u00e7\u00e3o foram desenvolvidas para abordar as quest\u00f5es da pobreza. Agora, relata a Dra. Dayamis, cada crian\u00e7a recebe entre doze e dezesseis vacinas, para doen\u00e7as como var\u00edola e hepatite.<\/p>\n<p>No Centro de Engenharia Gen\u00e9tica e Biotecnologia de Havana (CIGB), o Dr. Merardo Pujol Ferrer nos conta que o pa\u00eds quase erradicou a hepatite B com uma vacina desenvolvida pelo seu Centro. Essa vacina \u2013 a Heberbiovac HB \u2013 foi administrada a 70 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. \u201cAcreditamos que esta vacina \u00e9 segura e eficaz\u201d, disse ele. \u201cEla poderia ajudar a erradicar a hepatite em todo o mundo, particularmente nos pa\u00edses mais pobres.\u201d Todas as crian\u00e7as em sua cidade s\u00e3o vacinadas contra hepatite, diz a Dra. Dayamis. \u201cO sistema de sa\u00fade garante que nenhuma pessoa morra de diarreia ou desnutri\u00e7\u00e3o, e nenhuma pessoa morra das doen\u00e7as da pobreza.\u201d<\/p>\n<p>Sa\u00fade p\u00fablica<br \/>\nO que aflige o povo de Palpite, diz a Dra. Dayamis, s\u00e3o agora as doen\u00e7as que se veem nos pa\u00edses mais ricos. Trata-se de um dos paradoxos de Cuba, que continua sendo um pa\u00eds de recursos limitados \u2013 em grande parte por conta do bloqueio do governo dos EUA sobre essa ilha de 11 milh\u00f5es de habitantes \u2013 e que, ainda assim, suplantou as doen\u00e7as da pobreza. As novas doen\u00e7as a que ela se refere s\u00e3o hipertens\u00e3o e doen\u00e7as cardiovasculares, bem como c\u00e2ncer de pr\u00f3stata e mama. Esses problemas, ela ressalta, devem ser enfrentados pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, raz\u00e3o pela qual ela tem um programa de r\u00e1dio na R\u00e1dio Victoria de Gir\u00f3n, a emissora da comunidade local, todas as quintas-feiras, chamado Educa\u00e7\u00e3o para a Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Se investirmos no esporte \u2013 diz Ra\u00fal Forn\u00e9s Valenciano, vice-presidente do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Esportes e Recrea\u00e7\u00e3o (INDER) \u2013, teremos menos problemas de sa\u00fade. Em todo o pa\u00eds, o INDER tem como foco manter toda a popula\u00e7\u00e3o ativa, com uma variedade de esportes e exerc\u00edcios f\u00edsicos. Mais de 70.000 profissionais de sa\u00fade do esporte colaboram com as escolas e os centros para idosos para oferecer oportunidades de lazer para a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica. Isso, junto com a campanha de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre a qual a Dra. Dayamis nos falou, s\u00e3o mecanismos fundamentais para evitar que doen\u00e7as cr\u00f4nicas prejudiquem a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea pegar um barco na Ba\u00eda dos Porcos e desembarcar em outros pa\u00edses do Caribe, encontrar\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o em que a sa\u00fade \u00e9 quase inexistente. Na Rep\u00fablica Dominicana, por exemplo, a mortalidade infantil \u00e9 de 34 a cada 1.000 nascidos. Esses pa\u00edses \u2013 ao contr\u00e1rio de Cuba \u2013 n\u00e3o conseguiram aproveitar o compromisso e a engenhosidade de pessoas como a Dra. Dayamis e o Dr. Merardo. Nesses outros pa\u00edses, as crian\u00e7as morrem em condi\u00e7\u00f5es nas quais nenhum m\u00e9dico est\u00e1 presente para lamentar sua perda d\u00e9cadas depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29017\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Passar de 59 mortes infantis em cada 1.000 nascidos para nenhuma morte infantil em quest\u00e3o de algumas d\u00e9cadas \u00e9 um feito extraordin\u00e1rio. 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