{"id":29036,"date":"2022-07-15T15:47:37","date_gmt":"2022-07-15T18:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29036"},"modified":"2022-07-15T15:47:37","modified_gmt":"2022-07-15T18:47:37","slug":"otan-estende-a-guerra-da-ucrania-a-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29036","title":{"rendered":"OTAN estende a guerra da Ucr\u00e2nia \u00e0 S\u00edria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrilabril.pt\/sites\/default\/files\/styles\/node_aberto_vp768\/public\/assets\/img\/16904.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->OTAN estende a guerra da Ucr\u00e2nia \u00e0 S\u00edria<\/p>\n<p>Membros do grupo terrorista denominado Maghawir al-Thawra treinam na regi\u00e3o s\u00edria de al-Tanf, ilegalmente ocupada pelos EUA, junto \u00e0 fronteira com o Iraque e a Jord\u00e2nia (imagem de arquivo)<\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos: PressTV<\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>As atividades de guerra contra a soberania s\u00edria t\u00eam potencial para virar rastilhos de uma provoca\u00e7\u00e3o antirrussa que os belicistas da OTAN, empenhados em transformar a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia numa \u00abguerra sem fim\u00bb, considerem necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Segundo relato recente da revista norte-americana Newsweek, dois ca\u00e7as F-16 da For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos interceptaram dois avi\u00f5es de combate russos SU-34 quando estes se preparavam para atacar instala\u00e7\u00f5es onde terroristas do ISIS ou \u00abEstado Isl\u00e2mico\u00bb fabricam bombas para alimentar a guerra na S\u00edria. A miss\u00e3o antiterrorista da avia\u00e7\u00e3o da R\u00fassia ficou por cumprir.<\/p>\n<p>A guerra da S\u00edria est\u00e1 \u00abquase resolvida\u00bb a favor de Damasco, isto \u00e9, do governo leg\u00edtimo do pa\u00eds, reconhece tamb\u00e9m a Newsweek, que chega a defender a retirada dos efetivos militares estadunidenses dos territ\u00f3rios e das bases que ocupam ilegalmente.<\/p>\n<p>Pressente-se, por\u00e9m, que amanh\u00e3 n\u00e3o ser\u00e1 a v\u00e9spera do dia em que se cumprir\u00e1 a inusitada mas significativa sugest\u00e3o dessa revista \u00abde refer\u00eancia\u00bb da rede mundial de informa\u00e7\u00e3o corporativa. Existem ind\u00edcios indisfar\u00e7\u00e1veis de uma reativa\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio s\u00edrio dos grupos terroristas com franquias da al-Qaida e do ISIS, embora sob outras designa\u00e7\u00f5es. Foram camuflados atrav\u00e9s de opera\u00e7\u00f5es de rebranding tecnocr\u00e1tico produzidas em Washington e Londres para continuarem as suas miss\u00f5es de banditismo como bra\u00e7os da OTAN, organiza\u00e7\u00e3o que tenta, cada vez com maior insucesso, esconder essa \u00abclandestinidade\u00bb da opini\u00e3o p\u00fablica. Tal como fez com as opera\u00e7\u00f5es \u00abstay behind\u00bb, como a Gladio, ao longo da sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O incidente entre os avi\u00f5es russos e estadunidenses, um inquietante epis\u00f3dio de enfrentamento militar entre as duas grandes pot\u00eancias, n\u00e3o foi o primeiro, e n\u00e3o ser\u00e1 certamente o \u00faltimo, no teatro de guerra s\u00edrio. Existem, \u00e9 certo, canais pr\u00f3prios entre os contingentes dos dois pa\u00edses de modo a tentar evitar que situa\u00e7\u00f5es desse tipo evoluam para choques diretos suscept\u00edveis de gerar a escalada belicista pretendida por alguns lun\u00e1ticos neoconservadores que gerem a administra\u00e7\u00e3o Biden. Esses canais funcionaram recentemente, recorrendo de novo \u00e0 Newsweek, quando avi\u00f5es russos bombardearam acampamentos de mercen\u00e1rios do ISIS acolhidos e treinados na base norte-americana de al-Tanf. A guarni\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos foi avisada previamente e n\u00e3o se registrou qualquer baixa entre os efetivos do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o prop\u00edcia<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria, por\u00e9m, \u00e9 de uma delicadeza extrema, embora tenha parecido estagnada durante os tempos mais recentes \u2013 uma imagem deturpada pela falta de interesse da comunica\u00e7\u00e3o social dominante quando percebeu que o governo de Damasco n\u00e3o foi derrotado.<\/p>\n<p>As importantes vit\u00f3rias conquistadas pelas tropas s\u00edrias durante os \u00faltimos anos, sobretudo a partir do momento em que Damasco solicitou o apoio militar da R\u00fassia, em 2015, deslocaram decisivamente o fiel da balan\u00e7a de guerra para o lado da soberania s\u00edria. Muitas foram as ocasi\u00f5es em que os agressores ocidentais reconheceram a derrota militar \u2013 mais uma \u2013 inclusive em Washington, mas o quadro geral resultante n\u00e3o ficou plenamente evidenciado. Embora o poder de Damasco se exer\u00e7a na maior parte do territ\u00f3rio, a soberania s\u00edria n\u00e3o se estende ainda a todo o pa\u00eds. Mant\u00e9m-se alguma fragmenta\u00e7\u00e3o, circunst\u00e2ncia que cumpre parcialmente um dos principais objetivos originais da agress\u00e3o cometida pelos Estados Unidos e a OTAN atrav\u00e9s dos mercen\u00e1rios \u00abfundamentalistas isl\u00e2micos\u00bb, seus procuradores.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o geral tem, portanto, muitos ingredientes que, de um momento para o outro, podem reativar o conflito em propor\u00e7\u00f5es h\u00e1 muito n\u00e3o registradas. Al\u00e9m disso, segundo desenvolvimentos que se percebem no terreno, a S\u00edria pode vir a servir como uma reserva estrat\u00e9gica de guerra a ser explorada pela OTAN em conformidade com o andamento do conflito na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Existe pelo menos um resultado imediato da coexist\u00eancia dos dois conflitos. A diminui\u00e7\u00e3o da atividade militar russa na S\u00edria na sequ\u00eancia do envolvimento militar de Moscou na Ucr\u00e2nia est\u00e1 sendo aproveitada pelos Estados Unidos e pela Turquia, que tentam se recuperar de algumas perdas sofridas no auge da guerra.<\/p>\n<p>Ancara alimenta continuamente a interliga\u00e7\u00e3o entre as suas tropas no terreno e os efetivos terroristas do Hayat Tahrir al-Sham (al-Qaida) na prov\u00edncia de Idlib, um enclave s\u00edrio ocupado e governado pela OTAN atrav\u00e9s deste grupo. O Hayat Tahrir al-Sham \u00e9 efetivamente um heter\u00f4nimo da al-Qaeda, repaginado como \u00abmoderado\u00bb a partir do momento em que o seu chefe, Abu Mohammad al-Jolani, conhecido pelos crimes b\u00e1rbaros contra civis, envergou um terno ocidental para ser entrevistado no programa \u00abFrontline\u00bb da cadeia p\u00fablica de televis\u00e3o dos Estados Unidos PBS, uma emana\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica da CIA. Foi um happening para consumar a regenera\u00e7\u00e3o milagrosa de um criminoso sanguin\u00e1rio, testemunho inquestion\u00e1vel dos prod\u00edgios apenas ao alcance de uma \u00abciviliza\u00e7\u00e3o superior\u00bb como \u00e9 a ocidental.<\/p>\n<p>A Turquia e os Estados Unidos continuam a aproveitar a ocupa\u00e7\u00e3o terrorista de Idlib como celeiro de mercen\u00e1rios transfer\u00edveis para outras \u00e1reas de conflito. Isso aconteceu anteriormente na L\u00edbia para impedir que as mil\u00edcias do governo da regi\u00e3o da Cirenaica conclu\u00edssem a sua ofensiva at\u00e9 Tr\u00edpoli, onde pontifica um governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana protegido por Ancara.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, Ancara e Washington injetaram um n\u00famero avultado de terroristas da al-Qaeda\/Tahrir al-Sham na Ucr\u00e2nia, onde t\u00eam combatido em liga\u00e7\u00e3o operacional com as mil\u00edcias nazistas de Kiev. Mercen\u00e1rios \u00abfundamentalistas isl\u00e2micos\u00bb foram detectados, por exemplo, nos combates por Mariupol \u2013 e alguns deles acabaram detidos pelas tropas russas quando abandonaram a siderurgia de Azovstal.<\/p>\n<p>Nem s\u00f3 de Idlib se deslocaram terroristas \u00abisl\u00e2micos\u00bb para a Ucr\u00e2nia. Aconteceu movimento semelhante com efetivos reciclados do ISIS que t\u00eam sido acolhidos e treinados na base norte-americana de al-Tanf e em outros redutos ocupados ilegalmente por tropas dos Estados Unidos na S\u00edria. Tamb\u00e9m estes grupos do \u00abEstado Isl\u00e2mico\u00bb receberam uma reconvers\u00e3o de fachada. Agora atuam sob a designa\u00e7\u00e3o de Magavir al-Saura, n\u00e3o deixando de ser o que s\u00e3o \u2013 terroristas do ISIS.<\/p>\n<p>Como se percebe, a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal de \u00e1reas da S\u00edria por tropas da OTAN pode vir a servir de reserva estrat\u00e9gica em interliga\u00e7\u00e3o com o envolvimento directo da alian\u00e7a na defesa do regime ucraniano de tutela nazista.<\/p>\n<p>Outras atividades de guerra contra a soberania S\u00edria prosseguem no terreno. Todas elas t\u00eam potencial para ser rastilhos de uma grande provoca\u00e7\u00e3o antirrussa que os belicistas da OTAN, empenhados em transformar a situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia em mais uma \u00abguerra sem fim\u00bb, possam considerar necess\u00e1ria \u2013 nem que seja como fruto do desespero suscitado pela derrota de Kiev em desenvolvimento. Depois do fracasso militar no Afeganist\u00e3o e dos insucessos no Iraque; tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria, ainda assim um grande fracasso da agress\u00e3o ocidental, e perante as fragorosas derrotas no Donbass diante de efetivos russos, que representam uma percentagem menor do poder militar total de Moscou, a administra\u00e7\u00e3o Biden e os falc\u00f5es neocons agregados ao Partido Democrata necessitam de qualquer coisa grandiosa que supostamente os ajude nas elei\u00e7\u00f5es intercalares de novembro. A previs\u00edvel perda da maioria no Congresso ser\u00e1 terr\u00edvel para uma administra\u00e7\u00e3o Biden em estado de desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>Enquanto vem ganhando terreno na regi\u00e3o de Idlib, a Turquia regressou ao velho objetivo de ocupar uma zona tamp\u00e3o no Norte e Nordeste da S\u00edria invocando, como sempre, a sua guerra contra os curdos.<\/p>\n<p>Os curdos da regi\u00e3o, por\u00e9m, est\u00e3o \u00e0s ordens das tropas estadunidenses dentro das For\u00e7as Democr\u00e1ticas S\u00edrias (FDS), na companhia de efetivos do ISIS pretensamente regenerados. O seu objetivo \u00e9 travar os esfor\u00e7os do ex\u00e9rcito s\u00edrio para alargar territorialmente a soberania de Damasco.<\/p>\n<p>No plano te\u00f3rico, esta situa\u00e7\u00e3o regional poderia acarretar um diferencial, at\u00e9 de \u00edndole militar, entre dois aliados dentro da OTAN, os Estados Unidos e a Turquia. Por\u00e9m, a experi\u00eancia nos diz que os arrufos da Turquia se dissolvem com relativa facilidade no interior da alian\u00e7a \u2013 como foi o caso das inconsequentes \u00abamea\u00e7as\u00bb turcas em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o do processo de anexa\u00e7\u00e3o da Su\u00e9cia e da Finl\u00e2ndia pela organiza\u00e7\u00e3o atlantista. A OTAN convive esplendidamente com regimes autocr\u00e1ticos e mesmo antiliberais no seu interior. O neo-otomanismo de Erdogan acaba por ser um OTANanismo.<\/p>\n<p>Acresce que na regi\u00e3o setentrional da S\u00edria o setor curdo n\u00e3o incomoda a Turquia porque foi reconvertido do \u00abmarxismo-leninismo\u00bb a uma esp\u00e9cie de \u00abanarquismo ecol\u00f3gico\u00bb e supostamente \u00abcontemplativo\u00bb pelos seus tutores do regime de Israel, conhecido como um grande defensor do pacifismo. De modo que as For\u00e7as Democr\u00e1ticas S\u00edrias sob controle estadunidense, dominadas por curdos em alian\u00e7a com o ISIS, deixam a Turquia em paz e atuam exclusivamente contra as tropas soberanas s\u00edrias.<\/p>\n<p>As for\u00e7as estadunidenses de ocupa\u00e7\u00e3o t\u00eam ainda outra miss\u00e3o: controlar todas as fontes de combust\u00edveis f\u00f3sseis da S\u00edria para roubar petr\u00f3leo de modo a sabotar a restaura\u00e7\u00e3o da normalidade energ\u00e9tica pelo governo de Damasco e tamb\u00e9m, agora com maior acuidade, para p\u00f4-lo a circular nos mercados internacionais. Quem sabe, talvez a Uni\u00e3o Europeia venha a consumir desse petr\u00f3leo saqueado \u2013 e certamente a pre\u00e7os bem mais altos do que os praticados com o petr\u00f3leo russo. Iniciado por Trump, este roubo tem continuado na administra\u00e7\u00e3o Biden, no \u00e2mbito de uma pr\u00e1tica cada vez mais comum de rapina transnacional que saqueia bilh\u00f5es de reservas de ouro e monet\u00e1rias de pa\u00edses que n\u00e3o se submetem ao diktat atlantista imposto por Washington. \u00c9, como se sabe, uma express\u00e3o da \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb.<\/p>\n<p>Guerras boas e guerras m\u00e1s?<\/p>\n<p>Ao quadro geral da instabilidade s\u00edria acresce a guerra que Israel trava contra Damasco, alegadamente para atingir os meios operacionais iranianos que atuam em alian\u00e7a com o ex\u00e9rcito de Damasco na resist\u00eancia \u00e0 agress\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p>Raro \u00e9 o dia em que a For\u00e7a A\u00e9rea de Israel n\u00e3o bombardeia a S\u00edria, perante o sil\u00eancio da chamada \u00abcomunidade internacional\u00bb e do aparelho global de propaganda, empenhado na intoxica\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es com a \u00fanica vers\u00e3o oficial dos acontecimentos internacionais: a guerra contra a Ucr\u00e2nia \u00e9 \u00abm\u00e1\u00bb; a guerra de Israel contra a S\u00edria, sempre que noticiada, \u00e9 \u00abboa\u00bb.<\/p>\n<p>Israel tem a sua agenda pr\u00f3pria para estes ataques: mostrar quem tem o poder para controlar o Oriente M\u00e9dio; sabotar a restaura\u00e7\u00e3o do acordo internacional sobre as quest\u00f5es nucleares iranianas; consolidar a ocupa\u00e7\u00e3o e a anexa\u00e7\u00e3o ilegais dos Montes Gol\u00e3 s\u00edrios e manter em aberto as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o de uma t\u00e3o desejada agress\u00e3o internacional contra o Ir\u00e3. Por outro lado, a guerra de Israel contra a S\u00edria insere-se na agress\u00e3o internacional perpetrada desde 2011 no \u00e2mbito da OTAN. O regime sionista \u00e9 dos mais interessados na destrui\u00e7\u00e3o do Estado s\u00edrio e no desmantelamento territorial do pa\u00eds, potencialmente um dos mais poderosos da regi\u00e3o, que se mant\u00e9m solid\u00e1rio com os direitos nacionais do povo palestino, com a soberania do L\u00edbano e outras frentes de resist\u00eancia ao expansionismo de Israel. Recorda-se que o desmantelamento de outro dos mais poderosos Estados do Oriente M\u00e9dio \u2013 o Iraque \u2013 continua a ser o objetivo central da agress\u00e3o internacional contra o pa\u00eds, seja por a\u00e7\u00e3o direta, seja por procura\u00e7\u00e3o terrorista.<\/p>\n<p>De maneira que existem atualmente na S\u00edria circunst\u00e2ncias em banho-maria e outras em agravamento a que os Estados Unidos e a OTAN poder\u00e3o recorrer \u00e0 medida que a derrota do nazismo ucraniano vai se consumando. Embora a possibilidade de virar o rumo dos acontecimentos a favor de Kiev n\u00e3o passe de uma ilus\u00e3o de teor propagand\u00edstico, para animar tropas, as organiza\u00e7\u00f5es nazistas e a conspira\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica internacional, restam as esperan\u00e7as concretas atlantistas de prolongar a guerra na Ucr\u00e2nia criando o tal desejado \u00abp\u00e2ntano\u00bb para as tropas russas. A situa\u00e7\u00e3o s\u00edria pode ser \u00fatil para as tentativas de concretizar este objetivo.<\/p>\n<p>Um regresso \u00e0 guerra generalizada na S\u00edria \u00e9 suscept\u00edvel de criar embara\u00e7os estrat\u00e9gicos \u00e0 R\u00fassia, pois as for\u00e7as militares de Moscou ser\u00e3o confrontadas com duas frentes de guerra ativas, o que exige um esfor\u00e7o militar bastante maior a n\u00e3o ser que haja alguma desativa\u00e7\u00e3o do envolvimento num dos casos, que seria certamente o do Oriente M\u00e9dio. Nessa hip\u00f3tese, a OTAN, em alian\u00e7a com os mercen\u00e1rios da al-Qaida e do ISIS, \u00abmoderados\u00bb por exig\u00eancias da propaganda, poderia ganhar alento na tarefa de esfrangalhar a S\u00edria e reclamar assim, finalmente, uma gloriosa vit\u00f3ria. H\u00e1 que ter em conta, contudo, que tanto na S\u00edria como na Ucr\u00e2nia a R\u00fassia est\u00e1 usando setores bastante limitados do seu poder militar global, uma situa\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 n\u00e3o se manter se as condi\u00e7\u00f5es se alterarem radicalmente.<\/p>\n<p>No horizonte estaria ent\u00e3o, ou j\u00e1 est\u00e1 mesmo, uma interliga\u00e7\u00e3o aterradora entre as guerras da S\u00edria e da Ucr\u00e2nia, tendo como consequ\u00eancia uma multiplica\u00e7\u00e3o exponencial dos riscos de confronto directo entre tropas da OTAN\/Estados Unidos e da R\u00fassia. Al\u00e9m de serem muito mais amplas as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias a uma grande provoca\u00e7\u00e3o capaz de transpor o conflito para dimens\u00f5es e consequ\u00eancias imprevis\u00edveis. Recorda-se que a S\u00edria tem funcionado como um \u00ablaborat\u00f3rio\u00bb terrorista para ensaios de opera\u00e7\u00f5es de falsa bandeira, concretamente atrav\u00e9s de encena\u00e7\u00f5es de ataques qu\u00edmicos para acusar o governo de Damasco \u2013 obviamente com a cumplicidade dos seus aliados russos.<\/p>\n<p>Os conflitos da Ucr\u00e2nia e da S\u00edria s\u00e3o assim complementares nos perigos que representam, tornando no fundo as guerras de agress\u00e3o e sem fim dos Estados Unidos e aliados, como as do Iraque, da L\u00edbia, do I\u00eamen, da Som\u00e1lia e as situa\u00e7\u00f5es na Palestina e no Saara Ocidental compar\u00e1veis na mesma dimens\u00e3o e actualidade \u00e0 situa\u00e7\u00e3o ucraniana. Dizer o contr\u00e1rio, como corre por a\u00ed, \u00e9 pr\u00f3prio de intelectuais oficiais do regime voluntariamente desfasados da realidade, destacando-se um, especialmente prolixo, que pratica Hist\u00f3ria a la carte, tem sempre o cuidado de escrever \u00abimp\u00e9rio americano\u00bb entre aspas e guarda extremosamente no cantinho das rel\u00edquias uma R\u00fassia no caos, governada e saqueada por Washington atrav\u00e9s de uma marionete estilizada.<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo lapidador e fiscal da opini\u00e3o \u00fanica para quem os defensores da paz, palavra que ele tamb\u00e9m escreve entre aspas, encaram a guerra como se fosse uma coisa \u00ababstrata\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por isso que a paz deixa de ser a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para conflitos como os da Ucr\u00e2nia e da S\u00edria, embora a palavra tenha desaparecido do dicion\u00e1rio da opini\u00e3o \u00fanica.<\/p>\n<p>Da\u00ed o enorme risco que corre a humanidade no caso de que, como muitas coisas o indicam, o agravamento do conflito s\u00edrio acabe por multiplicar para l\u00e1 da Ucr\u00e2nia os riscos de conflagra\u00e7\u00e3o direta entre as duas maiores pot\u00eancias militares.<\/p>\n<p>Para a OTAN e os seus aliados terroristas nazistas e \u00abisl\u00e2micos\u00bb, esta se apresenta como uma estrat\u00e9gia atraente para tentar diluir num conflito de vastas propor\u00e7\u00f5es as sucessivas derrotas militares que v\u00eam acumulando. Um conflito obviamente concreto que s\u00f3 pode ser impedido por caminhos realistas e corajosos em dire\u00e7\u00e3o a uma paz concreta. O problema \u00e9 que, para o Ocidente e a sua civiliza\u00e7\u00e3o \u00abexcepcionalista\u00bb, militarista, expansionista, colonialista e xen\u00f3foba, a paz tem de ser um conceito abstrato, ou mesmo j\u00e1 extinto.<\/p>\n<p>Exclusivo AbrilAbril<\/p>\n<p>https:\/\/www.abrilabril.pt\/internacional\/nato-estende-guerra-da-ucrania-siria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29036\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[234],"class_list":["post-29036","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7yk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29036"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29036\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}