{"id":291,"date":"2010-02-26T17:04:33","date_gmt":"2010-02-26T17:04:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=291"},"modified":"2010-02-26T17:04:33","modified_gmt":"2010-02-26T17:04:33","slug":"entrevista-com-ivan-pinheiro-sobre-as-eeicoes-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/291","title":{"rendered":"ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SOBRE AS EEI\u00c7\u00d5ES DE 2010"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O que est\u00e1 em jogo nessas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Deveria estar em jogo um intenso debate sobre os grandes problemas nacionais, uma discuss\u00e3o ideol\u00f3gica, o confronto de projetos, a pol\u00edtica externa brasileira, a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, a soberania nacional, a reestatiza\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s, a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, a reforma agr\u00e1ria e outros temas sobre o presente e o futuro do pa\u00eds. Infelizmente, as oligarquias e a m\u00eddia podem, com a for\u00e7a que t\u00eam, fazer desta elei\u00e7\u00e3o um par ou \u00edmpar entre dois projetos de administra\u00e7\u00e3o do capital, um capitaneado pelo PT e outro pelo PSDB.<\/p>\n<p>H\u00e1 um risco de os candidatos deste campo, que disputam quem \u00e9 mais eficiente para alavancar o capitalismo brasileiro, ficarem disputando qual mandato de 8 anos (FHC ou Lula) apresentaram os melhores indicadores macroecon\u00f4micos: quem mais deu confian\u00e7a aos investidores internacionais, quem &#8220;destravou&#8221; mais a economia, quem criou mais e piores empregos, quem reduziu mais o &#8220;Risco Brasil&#8221; etc.<\/p>\n<p><strong>O que pode mudar no cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Se o debate for centrado na administra\u00e7\u00e3o do capital vai mudar muito pouco. Podem mudar os comandantes da m\u00e1quina p\u00fablica, do balc\u00e3o de empregos e interesses. Alguma mudan\u00e7a de estilo. Se as oligarquias conseguirem &#8220;americanizar&#8221; as elei\u00e7\u00f5es de 2010, ou seja, uma disputa entre a coca-cola e a pepsi-cola, as mudan\u00e7as ser\u00e3o menores ainda. No mundo todo, a burguesia for\u00e7a a barra para estabelecer um bipartidarismo no campo da ordem, para afastar o risco de uma alternativa de esquerda. O que pode determinar mudan\u00e7as no Brasil s\u00e3o fatores externos, como os desdobramentos da crise do capitalismo, a tend\u00eancia do imperialismo a potencializar sua agressividade e outros fatores.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as ser\u00e3o pequenas at\u00e9 porque Lula, na quest\u00e3o principal (a pol\u00edtica econ\u00f4mica) manteve a orienta\u00e7\u00e3o do governo FHC. E este modelo n\u00e3o estar\u00e1 em debate. O que estar\u00e1 em debate \u00e9 a forma de administr\u00e1-lo. Al\u00e9m do mais, as diferen\u00e7as entre Lula e Alckmin eram mais not\u00e1veis e significativas do que aquelas entre Dilma e Serra.<\/p>\n<p>O que pode provocar alguma mudan\u00e7a, na realidade, \u00e9 o fato de Lula n\u00e3o ser o Presidente a partir de 2011. Ningu\u00e9m, como ele, tem a capacidade de fazer a concilia\u00e7\u00e3o entre o capital e o trabalho. Nada melhor do que um ex-oper\u00e1rio formado no sindicalismo de resultados para fazer um governo em que o capital aumente sua parcela no PIB em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho e este interprete isso como um mal necess\u00e1rio, para manter empregos, mesmo que a cada dia mais precarizados. Para a burguesia que pensa, que n\u00e3o \u00e9 troglodita, o melhor cen\u00e1rio seria um terceiro mandato para Lula.<\/p>\n<p><strong>O que deve ser defendido pelas esquerdas?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, temos que precisar o que significa esquerda hoje, nesta dilui\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e nesta manipula\u00e7\u00e3o de conceitos. At\u00e9 o PPS (aliado do DEM e do PSDB) se considera &#8220;de esquerda&#8221;. Os socialdemocratas e social-liberais que ap\u00f3iam incondicional e sistematicamente o governo Lula se consideram &#8220;de esquerda&#8221;. Ali\u00e1s, no Brasil, ningu\u00e9m assume que \u00e9 &#8220;de direita&#8221;.<\/p>\n<p>Vou falar, portanto, do que considero como esquerda, um campo pol\u00edtico que, \u00e0 falta de defini\u00e7\u00e3o melhor, posso chamar de esquerda revolucion\u00e1ria ou esquerda socialista, ou seja, aquela que n\u00e3o quer reformar o capitalismo, mas super\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Portanto, penso que a verdadeira esquerda no Brasil deve envidar esfor\u00e7os no sentido de criar uma frente, de car\u00e1ter anticapitalista e antiimperialista, permanente, para al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, voltada para a luta de massas. N\u00e3o pode ser apenas uma coliga\u00e7\u00e3o eleitoral, como foi a chamada frente de esquerda em 2006, que se dissolveu antes mesmo da realiza\u00e7\u00e3o do primeiro turno; e que n\u00e3o tinha programa, mas apenas candidatos.<\/p>\n<p>Esta frente deve incorporar, al\u00e9m dos partidos pol\u00edticos registrados no TSE, todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, pol\u00edtico-socias e movimentos populares que se coloquem no campo da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, na perspectiva do socialismo. O programa desta frente deve ser conformado n\u00e3o pelas c\u00fapulas das organiza\u00e7\u00f5es que a comp\u00f5em, mas a partir de um amplo debate a partir das bases.<\/p>\n<p><strong>O que pode significar avan\u00e7o ou retrocesso para o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O problema hoje no Brasil n\u00e3o \u00e9 o risco de um golpe militar cl\u00e1ssico ou de novo tipo, como o que se deu na Venezuela, em 2002, como tentativa, e agora em Honduras, como realidade. Os maiores riscos de retrocessos pol\u00edticos s\u00e3o a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e da pobreza, as restri\u00e7\u00f5es ao direito de greve, as limita\u00e7\u00f5es aos partidos pol\u00edticos de esquerda, atrav\u00e9s de cl\u00e1usulas de barreira etc.<\/p>\n<p>Os riscos maiores de retrocesso na quest\u00e3o democr\u00e1tica s\u00e3o principalmente os de \u00e2mbito mundial. Com a crise do capitalismo e a acirrada disputa por recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis, o mundo corre riscos de guerras e conflitos de todo o tipo, com o recrudescimento da agressividade do imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Como os movimentos sociais podem interferir nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p>Os movimentos sociais t\u00eam um papel fundamental a desempenhar no processo de mudan\u00e7as sociais, desde que n\u00e3o se limitem \u00e0 esfera de sua atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, \u00e0 parcialidade da luta. O MST \u00e9 um excelente exemplo de um movimento social, a meu ver o mais importante do Brasil, que soube compreender isso. Hoje, o MST n\u00e3o \u00e9 um apenas um movimento social, mas incide na quest\u00e3o pol\u00edtica, como a luta em defesa da Petrobr\u00e1s e at\u00e9 na solidariedade internacional.<\/p>\n<p>Por isso, temos defendido que os movimentos populares participem da frente anticapitalista e antiimperialista, no mesmo espa\u00e7o com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nA Revista CAROS AMIGOS n\u00famero 155, que est\u00e1 nas bancas, apresenta uma reportagem especial &#8220;ELEI\u00c7\u00d5ES 2010 &#8211; Disputa de projetos ou falsa polariza\u00e7\u00e3o?&#8221;, em forma de entrevistas com representantes de sete Partidos &#8220;do campo democr\u00e1tico-popular e da esquerda&#8221;, segundo classifica\u00e7\u00e3o da jornalista Tatiana Merlino. \nS\u00e3o entrevistados, com as mesmas perguntas, Brizola Neto (PDT), Ivan Pinheiro (PCB), Ivan Valente (PSOL), Jos\u00e9 Eduardo Dutra (PT), Jos\u00e9 Maria de Almeida (PSTU), Luiza Erundina (PSB) e Renato Rabelo (PCdoB). \nAqui est\u00e3o, na \u00edntegra, as respostas do Secret\u00e1rio Geral do PCB, camarada Ivan Pinheiro. \nSecretariado Nacional do PCB\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/291\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-291","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c70-eleicoes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-4H","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}