{"id":2912,"date":"2012-05-28T04:43:04","date_gmt":"2012-05-28T04:43:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2912"},"modified":"2012-05-28T04:43:04","modified_gmt":"2012-05-28T04:43:04","slug":"entre-duas-arduas-batalhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2912","title":{"rendered":"Entre duas \u00e1rduas batalhas"},"content":{"rendered":"\n<p>A Gr\u00e9cia continua a atrair a aten\u00e7\u00e3o de trabalhadores de muitos pa\u00edses de todo o mundo, considerando as novas e crucialmente importantes elei\u00e7\u00f5es parlamentares, as quais ser\u00e3o efectuadas a 17 de Junho, pois nenhum dos tr\u00eas partidos que receberam maior n\u00famero de votos p\u00f4de forma uma coliga\u00e7\u00e3o de governo. De particular interesse, a julgar pelos artigos relevantes em jornais, revistas e s\u00edtios web comunistas e progressistas, est\u00e3o os resultados das elei\u00e7\u00f5es recentes bem como a linha pol\u00edtica tra\u00e7ada pelo Partido Comunista da Gr\u00e9cia (KKE), o qual ficou na linha de fogo de v\u00e1rios analistas neste per\u00edodo. Mas vamos come\u00e7ar pelo come\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Sobre o resultado das elei\u00e7\u00f5es de 6 de Maio <\/strong><\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es de 6 de Maio criaram um novo cen\u00e1rio pol\u00edtico, pois os tr\u00eas partidos, os quais haviam governado juntos apoiando a linha pol\u00edtica anti-povo do capital e da Uni\u00e3o Europeia (UE), tombaram nas elei\u00e7\u00f5es. Especificamente:<\/p>\n<p>O PASOK social-democrata congregou apenas 833.529 votos ou 13,2%, uma queda sem precedentes de -2.170.013 votos e -30,8%.<\/p>\n<p>O ND conservador recebeu 1.192.054 votos ou 18,9%, uma queda de -1.103.665 votos ou -14,6%<\/p>\n<p>O LAOS nacionalista n\u00e3o p\u00f4de alcan\u00e7ar o limiar dos 3% para entrar no Parlamento, recebendo 183.466 votos ou 2,9%, uma queda de -202.739 votos ou -1,6%.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, contudo, a mudan\u00e7a do cen\u00e1rio pol\u00edtico n\u00e3o significa uma viragem pois as for\u00e7as que apoiam a linha pol\u00edtica da &#8220;UE como caminho \u00fanico&#8221; foram as principais benefici\u00e1rias da c\u00f3lera dos trabalhadores. E assim, a grande maioria dos eleitores dos partidos burgueses foi dispersa em forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas relacionadas ideologicamente. Especificamente.<\/p>\n<p>O SYRIZA, que \u00e9 uma alian\u00e7a de for\u00e7as oportunistas, o qual abandonou o KKE a partir de posi\u00e7\u00f5es de &#8220;direita&#8221; (nas divis\u00f5es do Partido em 1968 e 1991) e ao qual em anos recentes aderiram for\u00e7as do PASOK social-democrata, reuniu 1.061.265 votos ou 16,8%, um aumento de +745.600 ou +12,2%.<\/p>\n<p>A Esquerda Democr\u00e1tica, uma dissid\u00eancia do SYRIZA, que tamb\u00e9m absorveu antigos deputados e respons\u00e1veis do PASOK, reuniu 386.116 votos ou 6,1%.<\/p>\n<p>Um grande n\u00famero de votos tamb\u00e9m foi dirigido a partidos reaccion\u00e1rios e nacionalistas como os &#8220;Gregos independentes&#8221;, os quais emergiram da ND e receberam 670.596 votos ou 10,6% e o nazi-fascista &#8220;Aurora Dourada&#8221;, o qual recebeu 440.894 votos ou 7%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cerca de 20% do eleitorado votou por d\u00fazias de partidos que participaram nas elei\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o puderam romper a barreira dos 3%.<\/p>\n<p>O KKE teve um pequeno aumento nesta \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. Especificamente, recebeu 536.072 votos ou 8,5%, ou seja, +18.823 votos ou +1%. O KKE elegeu 26 deputados (dos 300 no Parlamento), 5 mais do que tinha anteriormente. Nos bairros da classe trabalhadora o KKE recebeu quase o dobro da sua percentagem m\u00e9dia. Na verdade, em uma das 56 regi\u00f5es eleitorais (Samos-Ikaria) o KKE alcan\u00e7ou o primeiro lugar com 24,7%.<\/p>\n<p>O CC do KKE chegou a certas conclus\u00f5es iniciais sobre o resultado eleitoral. Ele menciona na sua declara\u00e7\u00e3o, entre outras coisas: &#8220;o CC sa\u00fada os milhares de trabalhadores e trabalhadores e desempregados que apreciaram a milit\u00e2ncia, firmeza e a clareza ver\u00eddica das palavras do KKE, a milit\u00e2ncia e a generosidade dos comunistas e o apoiaram na urna eleitoral, independentemente do seu n\u00edvel de acordo com a sua proposta pol\u00edtica geral. Uma grande sec\u00e7\u00e3o dos trabalhadores bem como uma sec\u00e7\u00e3o dos eleitores do partido, sob a press\u00e3o do exacerbamento dos problemas populares, dos slogans enganosos referentes \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o do memorando\u00a0<strong>[1]<\/strong> e o al\u00edvio imediato para os trabalhadores, n\u00e3o puderam entender e compenetrar-se da diferen\u00e7a entre um governo e o poder real&#8221;. Mas, como \u00e9 observado pelo CC do KKE: &#8220;a proposta pol\u00edtica do KKE em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luta pelo poder da classe trabalhadora encontrar-se-\u00e1 no \u00e2mago do povo no pr\u00f3ximo per\u00edodo, pois a diferen\u00e7a entre um governo e o poder real do poder tornar-se-\u00e1 ainda mais clara, bem como a proposta geral referente a quest\u00f5es imediatas da sobreviv\u00eancia do povo e o poder popular da classe trabalhadora. Deste ponto de vista a actividade pol\u00edtico eleitoral do KKE em harmonia com a sua estrat\u00e9gia, como \u00e9 adequado, constitui um legado importante para os pr\u00f3ximos anos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Sobre o SYRIZA <\/strong><\/p>\n<p>Certos media internacionais burgueses, que apresentam o SYRIZA como o &#8220;vencedor&#8221; das elei\u00e7\u00f5es de 6 de Maio, n\u00e3o exploraram para al\u00e9m do seu t\u00edtulo: &#8220;Coliga\u00e7\u00e3o da Esquerda Radical&#8221; e chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 uma esquerda radical ou mesmo um partido comunista. Naturalmente, isto n\u00e3o tem base na realidade. A for\u00e7a central dentro do SYRIZA \u00e9 o partido &#8220;Coliga\u00e7\u00e3o da Esquerda&#8221; (SYN), o qual tem um programa social-democrata. Em 1992 ele votou pelo Tratado de Maastricht no Parlamento grego e \u00e9 um apoiante da Uni\u00e3o Europeia imperialista, que acredita poder ser melhorada. Ele aderiu \u00e0 campanha anti-comunista contra a URSS e os outros pa\u00edses socialistas que conhecemos no s\u00e9culo XX. O SYN \u00e9 membro da presid\u00eancia do chamado &#8220;Partido de Esquerda Europeu&#8221; (PEE), o qual \u00e9 um instrumento da UE para erradicar as caracter\u00edsticas comunistas dos PCs nos pa\u00edses da UE.<\/p>\n<p>Junto ao SYN h\u00e1 for\u00e7as que entraram no SYRIZA vindas do PASOK social-democrata, bem como v\u00e1rios grupos mais pequenos da ultra-esquerda de matiz trotsquista e antigos grupos &#8220;maoistas&#8221; mutados, os quais acrescentam &#8220;tempero&#8221; pol\u00edtico a esta &#8220;comida&#8221; basicamente social-democrata e anti-comunista. Um objectivo b\u00e1sico desta forma\u00e7\u00e3o particular \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia eleitoral, sindical e pol\u00edtica do KKE. H\u00e1 numerosos exemplos ao longo da \u00faltima d\u00e9cada do car\u00e1cter anti-KKE desta forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em d\u00fazias de sindicatos, federa\u00e7\u00f5es sectoriais e centros de trabalho (conselhos sindicais locais), as for\u00e7as do SYRIZA cooperaram e formaram alian\u00e7as eleitorais com for\u00e7as do PASOK a fim de impedir a elei\u00e7\u00e3o de delegados comunistas aos organismos sindicais superiores. O SYRIZA \u00e9 o inimigo jurado da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME), a qual \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o de sindicatos com orienta\u00e7\u00e3o de classe. As for\u00e7as do SYRIZA colaboraram abertamente com for\u00e7as do governo e patronais nos corpos dirigentes das confedera\u00e7\u00f5es sindicais comprometidas no sector privado (GSEE) e no sector p\u00fablico (ADEDY). Em muitos casos eles t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o semelhante em elei\u00e7\u00f5es locais. Um exemplo particularmente caracter\u00edstico foi a posi\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2010 em Ikaria. O KKE tem influ\u00eancia eleitoral significativa nesta ilha, a qual antigamente foi um lugar de ex\u00edlio para comunistas. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 o SYRIZA colaborou com o PASOK social-democrata, a ND liberal e o LAOS nacionalista a fim de que a ilha n\u00e3o elegesse um presidente comunista para a municipalidade. Assim, o candidato do KKE recebeu 49,5% dos votos e a municipalidade foi ganha pela alian\u00e7a anti-KKE por umas poucas centenas de votos.<\/p>\n<p>Hoje o SYRIZA tenta atacar o KKE com propostas de conveni\u00eancia pol\u00edtica relativas \u00e0 chamada &#8220;unidade da esquerda&#8221;, numa tentativa de que o KKE apague sec\u00e7\u00f5es inteiras do seu programa, que apague os seus princ\u00edpios e aceite a pol\u00edtica de administrar o sistema capitalista, a qual \u00e9 a proposta do SYRIZA.<\/p>\n<p>Com base nisto, o m\u00ednimo que pod\u00edamos dizer \u00e9 que a posi\u00e7\u00e3o de certos PCs n\u00e3o foi respons\u00e1vel, os quais apressaram-se a saudar a ascens\u00e3o eleitoral desta forma\u00e7\u00e3o oportunista e anti-comunista em nome do aumento eleitoral da &#8220;esquerda&#8221;, sem conhecer a situa\u00e7\u00e3o real na Gr\u00e9cia. Eles saudaram um inimigo jurado do KKE, um inimigo cuja participa\u00e7\u00e3o na coliga\u00e7\u00e3o governamental dos apoiantes da UE foi proposta pelo presidente dos industriais gregos.<\/p>\n<p><strong>A ilus\u00e3o da &#8220;unidade de esquerda&#8221; e a mentira do &#8220;governo de esquerda&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>Muitos trabalhadores politizados, de v\u00e1rios pa\u00edses da Europa e do mundo, colocam esta pergunta: Por que o KKE n\u00e3o faz alguns compromissos? Por que insiste ele na sua linha pol\u00edtica de congregar for\u00e7as sociais, que queiram lutar contra os monop\u00f3lios, contra o capitalismo, contra as uni\u00f5es imperialistas, pelo poder da classe trabalhadora e n\u00e3o apoia a linha pol\u00edtica da &#8220;unidade da esquerda&#8221;, a luta para corrigir a realidade capitalista e a UE, com colabora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e\/ou governamental com outras for\u00e7as &#8220;de esquerda&#8221; e sociais-democratas, como t\u00eam feito outros PCs na Europa?<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, o KKE desde h\u00e1 algum tempo tem esclarecido que os significados de &#8220;esquerda&#8221; e &#8220;direita&#8221; n\u00e3o reflectem a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de hoje. O termo &#8220;esquerda&#8221; hoje podia ser utilizado para descrever o secret\u00e1rio-geral da NATO ou primeiro-ministro de um pa\u00eds que est\u00e1 a conduzir uma guerra imperialista e a executar medidas anti-trabalhadores e anti-povo a expensas dos trabalhadores do seu pa\u00eds. O Partido Comunista n\u00e3o \u00e9 simplesmente um &#8220;partido de esquerda&#8221;, mas o partido que luta pelo derrube do capitalismo, a constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade socialista-comunista. \u00c9 este caminho, esta linha de luta que pode provocar ganhos e n\u00e3o o reverso!<\/p>\n<p>Como a hist\u00f3ria tem demonstrado, reformas, a luta para &#8220;corrigir&#8221; o sistema capitalista, para embotar as medidas anti-povo mais extremas, o que \u00e9 aquilo em que se centram as for\u00e7as oportunistas-sociais-democratas, nunca levou ao derrube do capitalismo em lado nenhum. Ao contr\u00e1rio! Em muitas ocasi\u00f5es esta abordagem levou \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do capitalismo, por meio da cria\u00e7\u00e3o de ilus\u00f5es entre milh\u00f5es de trabalhadores de que o capitalismo alegadamente pode ser humanizado; que hoje o Banco Central Europeu pode ser transformado de uma ferramenta do capitalismo numa&#8230; organiza\u00e7\u00e3o caritativa que conceder\u00e1 empr\u00e9stimos livres de juros ou que a Uni\u00e3o Europeia pode ser transformada de uma uni\u00e3o que serve o capital numa &#8220;uni\u00e3o dos povos&#8221;, como afirmam o SYN\/SYRIZA e o ELP.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a raz\u00e3o porque o KKE promove sua proposta pol\u00edtica num estilo abrangente, o qual especializou para as elei\u00e7\u00f5es de 6 de Maio no slogan: &#8220;Fora da UE, com o poder popular e cancelamento unilateral da d\u00edvida&#8221;.<\/p>\n<p>Neste sentido, o KKE permanece firmemente orientado para o marxismo-leninismo. Como escreveu Lenine: &#8220;O proletariado est\u00e1 a combater, e continuar\u00e1 a combater, para destruir o antigo regime. A este fim dirigir\u00e1 toda a sua propaganda e agita\u00e7\u00e3o e todos os seus esfor\u00e7os para organizar e mobilizar as massas. Se falhar em destruir o antigo regime completamente, este aproveitar-se-\u00e1 mesmo da sua destrui\u00e7\u00e3o parcial. Mas nunca advogar\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o parcial, pintando isto em cores r\u00f3seas, ou apelar\u00e1 ao povo para apoi\u00e1-lo. O apoio real numa luta genu\u00edna \u00e9 dado que se esfor\u00e7am pelo m\u00e1ximo (alcan\u00e7ado algo menos no caso de fracasso) e n\u00e3o \u00e0queles que oportunisticamente restringem os objectivos da luta antes do combate&#8221;\u00a0<strong>[2]<\/strong><\/p>\n<p>O KKE rejeitou a ideia de formar um &#8220;governo de esquerda&#8221;, o qual manter\u00e1 a Gr\u00e9cia na UE e na NATO deixando intactas as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o, e que alegadamente ser\u00e1 capaz de implementar uma administra\u00e7\u00e3o deste sistema em favor do povo. No partido est\u00e1 a lutar pelo desenvolvimento da luta de classe, da consci\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores, pela sua liberta\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia dos partidos burgueses e suas constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e pela forma\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a social, a qual defender\u00e1 os interesses dos trabalhadores e procurar\u00e1 tamb\u00e9m desembara\u00e7ar o pa\u00eds de interven\u00e7\u00f5es imperialistas e tamb\u00e9m colocar\u00e1 a quest\u00e3o do poder.<\/p>\n<p><strong>Objectivo: A redu\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia do KKE e sua assimila\u00e7\u00e3o dentro do sistema! <\/strong><\/p>\n<p>A recusa do KKE em submeter-se a forma\u00e7\u00f5es &#8220;de esquerda&#8221; ou mesmo a um governo &#8220;de esquerda&#8221; est\u00e1 a ser atacada pelos seus inimigos e &#8220;amigos&#8221;, os quais directa ou indirectamente apelam ao KKE para que se &#8220;una&#8221; a outras for\u00e7as &#8220;de esquerda&#8221;. Os PCs que est\u00e3o na presid\u00eancia do PEE seguem esta linha. Houve tamb\u00e9m alguns ataques um tanto brutos de v\u00e1rios grupos trotsquistas que s\u00e3o mais bem conhecidos no exterior do que no nosso pr\u00f3prio pa\u00eds, os quais caracterizaram o KKE como sect\u00e1rio e dogm\u00e1tico.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel para o KKE mobilizar centenas de milhares de pessoas na Gr\u00e9cia, com a linha da luta de classe, se o partido \u00e9 sect\u00e1rio? Como \u00e9 poss\u00edvel, por exemplo, para a Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) mobilizar d\u00fazias de sindicatos de primeiro n\u00edvel, federa\u00e7\u00f5es sindicais e centros de trabalho os quais representam centenas de milhares de trabalhadores?<\/p>\n<p>Dever\u00edamos notar aqui que o PAME, como p\u00f3lo com orienta\u00e7\u00e3o de classe no trabalho e movimento sindical, re\u00fane 8 federa\u00e7\u00f5es sectoriais, 13 centros de trabalho, centenas de primeiro n\u00edvel e uni\u00f5es sectoriais, com 850 mil membros. Al\u00e9m disso, o PAME tamb\u00e9m opera em sindicatos onde as for\u00e7as com orienta\u00e7\u00e3o de classe n\u00e3o est\u00e3o em maioria. Por exemplo, o PAME \u00e9 a segunda for\u00e7a numa s\u00e9rie de federa\u00e7\u00f5es sectoriais (tais como a federa\u00e7\u00e3o no sector tur\u00edstico e de catering e na Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos) bem como nos dois maiores centros de trabalho do pa\u00eds (Atenas e Sal\u00f3nica).<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel para o Agrupamento pan-hel\u00e9nico anti-monop\u00f3lio dos auto-empregados (PASEVE) organizar milhares de pessoas auto-empregadas, que entendem a necessidade de entrarem em conflito com os monop\u00f3lios? Como \u00e9 poss\u00edvel para milhares de agricultores pobres, atrav\u00e9s das suas associa\u00e7\u00f5es e seus comit\u00e9s, serem inspirados pela luta do Agrupamento Militante de Todos os Agricultores (PASY) contra a Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum da UE? Como \u00e9 poss\u00edvel para mulheres e milhares de estudantes, que pertencem \u00e0 classe trabalhadora e estratos populares, entrarem na luta no quadro das reivindica\u00e7\u00f5es e iniciativas da Federa\u00e7\u00e3o das Mulheres Gregas (OGE) e da Frente de Luta dos Estudantes (MAS)? Os membros e quadros do KKE desempenham um papel de lideran\u00e7a em todas estas organiza\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-pol\u00edticas sem esconderem a sua identidade.<\/p>\n<p>Eles acusam o KKE de estar &#8220;isolado&#8221;, ou mesmo de ser &#8220;dogm\u00e1tico&#8221; e &#8220;sect\u00e1rio&#8221; devido \u00e0 sua rejei\u00e7\u00e3o de um &#8220;governo de esquerda&#8221; ou devido ao facto de que a sua percentagem nas elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o aumenta t\u00e3o rapidamente quanto aquela da forma\u00e7\u00e3o social-democrata SYRIZA. Estas acusa\u00e7\u00f5es contra o KKE n\u00e3o se sustentam. Dever\u00edamos recordar que 2,5 anos atr\u00e1s o PASOK, o outro partido social-democrata, recebeu 44% enquanto desta vez recebeu apenas 13%. Este decl\u00ednio, o qual verificou em condi\u00e7\u00f5es de fluidez pol\u00edtica promoveu o SYRIZA, a sua mais estreita conex\u00e3o ideol\u00f3gica. Ainda assim, um partido revolucion\u00e1rio, como o KKE, n\u00e3o \u00e9 julgado exclusivamente pela sua percentagem em elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nosso partido acumulou imensa experi\u00eancia hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de coopera\u00e7\u00e3o! Ele conduziu a luta anti-fascista de uma ampla frente armada que deu uma enorme contribui\u00e7\u00e3o para a luta popular. No entanto, naquele per\u00edodo o partido n\u00e3o conseguiu constituir uma estrat\u00e9gia para a transforma\u00e7\u00e3o da luta anti-fascista numa luta para o derrube do poder burgu\u00eas. Durante as d\u00e9cadas de 1950 e 1980 o KKE constituiu alian\u00e7as &#8220;de esquerda&#8221;. O KKE extraiu conclus\u00f5es valiosa da sua experi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de alian\u00e7as e n\u00e3o pretende repetir erros semelhantes.<\/p>\n<p>Mas por que est\u00e3o eles a atacar o KKE? Naturalmente est\u00e3o irritados pela significativa actividade internacional do KKE para a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento comunista internacional na base do marxismo-leninismo e do internacionalismo prolet\u00e1rio. Al\u00e9m disso, a Reuni\u00f5es Internacionais de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios bem como as outras iniciativas comunistas internacionais come\u00e7aram em Atenas. Mas o mais importante \u00e9 que o KKE \u00e9 um partido com ra\u00edzes fortes na classe trabalhadora, com experi\u00eancia significativa em lutas de trabalhadores e populares, um partido que se recusa a abandonar seus princ\u00edpios, um partido que se recusa a tornar-se a &#8220;cauda&#8221; da social-democracia, um partido que n\u00e3o se submete \u00e0 UE e \u00e0 NATO. Neste ponto citamos um coment\u00e1rio de um artigo publicado no bem conhecido jornal franc\u00eas\u00a0<em>Le Monde Diplomatique: <\/em>&#8220;o objectivo secreto e a vontade de toda a gente de esquerda na Gr\u00e9cia \u00e9 dissolver o Partido Comunista e remodel\u00e1-lo numa nova base e dar \u00e0 esquerda grega a sua posi\u00e7\u00e3o adequada na sociedade&#8221;. Por outras palavras, desacreditar o KKE e transform\u00e1-lo, como certos outros partidos comunistas mutados da Europa, num &#8220;\u00e1libi comunista&#8221; da social-democracia para a gest\u00e3o da barb\u00e1rie capitalista.<\/p>\n<p>O nosso pr\u00f3prio objectivo \u00e9 frustrar os seus planos! Preservar e fortalecer o KKE. Apesar da press\u00e3o exercida sobre o nosso partido h\u00e1 v\u00e1rios sinais encorajadores a mostrar que o KKE demonstrar-se-\u00e1 um osso duro de roer. Dez dias ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 6 de Maio verificaram-se as elei\u00e7\u00f5es estudantis na Gr\u00e9cia. As listas apoiadas pela Juventude Comunista da Gr\u00e9cia tiveram 16% [dos votos] em Institutos Educacionais Tecnol\u00f3gicos (IET) e 14% nas universidades, um aumento em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado. As listas do SYRIZA, ao contr\u00e1rio, alcan\u00e7aram uma baixa vota\u00e7\u00e3o com 2,3% em IET e 6,9% em universidades.<\/p>\n<p><strong><em>Face-lift <\/em>do sistema burgu\u00eas <\/strong><\/p>\n<p>O KKE tem advertido o povo grego de que a classe burguesa est\u00e1 a preparar uma cirurgia pl\u00e1stica da cara\u00a0<em>(face-lift) <\/em>do cen\u00e1rio pol\u00edtico a fim de preservar o seu poder. A raz\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o pode administrar o sistema pol\u00edtico na base da rota\u00e7\u00e3o de um partido conservador (ND) e um social-democrata (PASOK) no poder como tem feito desde 1974, ap\u00f3s a queda da ditadura militar. O sistema burgu\u00eas procura livrar-se de partidos e pessoas que se desmascararam aos olhos do povo de uma vez por todas. Sob estas condi\u00e7\u00f5es o SYRIZA, o qual tem um programa social-democrata, colheu benef\u00edcios nas elei\u00e7\u00f5es ao propalar mentiras flagrantes, tanto antes como durante o per\u00edodo eleitoral, promovendo ilus\u00f5es as quais na ess\u00eancia afirmam que poder haver um futuro melhor para os trabalhadores sem um conflito com os monop\u00f3lios e as uni\u00f5es imperialistas. Eis porque ele arca com enormes responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o ao povo!<\/p>\n<p>O KKE urge o povo trabalhador a perceber que esta cirurgia pl\u00e1stica nada tem a ver com a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades actuais do povo. Mesmo o assim chamado &#8220;governo de esquerda&#8221; \u00e9 um bote salva-vidas furado para o povo trabalhador que tem sido sufocado pelos impasses do sistema capitalista.<\/p>\n<p><strong>O povo n\u00e3o deve ser aprisionado em falsos dilemas <\/strong><\/p>\n<p>Na batalha eleitoral de 17 de Junho os partidos burgueses e o oportunismo promovem novos dilemas enganosos, os quais ser\u00e3o utilizados no per\u00edodo seguinte a fim de aprisionar o povo, reduzir a resist\u00eancia das massas radicais \u00e0s press\u00f5es exercidas sobre elas, bem como a influ\u00eancia do KKE nas elei\u00e7\u00f5es. O KKE n\u00e3o esconde o facto de que esta batalha ser\u00e1 particularmente dif\u00edcil para os comunistas!<\/p>\n<p>A fim de tornar claro de que esp\u00e9cie de falsos dilemas estamos a falar permita-nos examinar alguns deles:<\/p>\n<p><strong>1. Euro ou dracma? <\/strong><\/p>\n<p>Um dos falsos dilemas \u00e9 a acusa\u00e7\u00e3o do ND contra o SYRIZA argumentando que a sua pol\u00edtica leva o pa\u00eds para fora do euro e que isto seria catastr\u00f3fico para o povo trabalhador. O SYRIZA responde que o custo da sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro seria imenso para os outros pa\u00edses da Eurozona e por essa raz\u00e3o nunca se verificar\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que na realidade, considerando que a crise capitalista grega est\u00e1 em progresso, n\u00e3o podemos excluir, dados os cen\u00e1rios que j\u00e1 est\u00e3o a ser discutidos, a contrac\u00e7\u00e3o da Eurozona atrav\u00e9s da expuls\u00e3o da Gr\u00e9cia e de outros pa\u00edses ou atrav\u00e9s de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o interno do euro no nosso pa\u00eds. Consequentemente as chantagens da UE e do FMI s\u00e3o reais e a resposta n\u00e3o pode ser a complac\u00eancia que o SYRIZA promove.<\/p>\n<p>Contudo, dever\u00edamos notar que todos os partidos excepto o KKE, isto \u00e9, ND, SYRIZA, PASOK e Esquerda Democr\u00e1tica est\u00e3o a disputar sobre quem \u00e9 o mais competente para manter o pa\u00eds no euro. Cada partido est\u00e1 a acusar o outro de levar a Gr\u00e9cia \u00e0 dracma com a sua pol\u00edtica. Todos eles t\u00eam como objectivo impor \u00e0 consci\u00eancia do povo o falso dilema &#8220;euro ou dracma&#8221; a fim de esconder o facto de que t\u00eam a mesma estrat\u00e9gia porque s\u00e3o partidos comprometidos com a UE. Ele conclamam o povo a votar e lutar sob falsas bandeiras, contr\u00e1rios aos seus interesses na linha falsa &#8220;dentro ou fora do euro&#8221; quando todos os partidos \u2013 excepto o KKE \u2013 est\u00e3o a dizer dentro da UE e do euro. Tanto com o euro como com a dracma o povo ser\u00e1 empobrecido.<\/p>\n<p>O KKE conclama o povo a ultrapassar este dilema. Ele n\u00e3o deveria aceitar a escolha de com qual divisa eles medir\u00e3o a sua pobreza, bem como as redu\u00e7\u00f5es no seu rendimento e pens\u00f5es, os impostos, as despesas m\u00e9dicas e as mensalidades escolares. O dilema &#8220;euro ou dracma&#8221; \u00e9 o outro lado da moeda da intimida\u00e7\u00e3o referente a bancarrota descontrolada que j\u00e1 \u00e9 um facto para a esmagadora maioria do povo. Eles querem que povo seja aprisionado nos dilemas falsos de modo a poderem chantage\u00e1-lo quando quiserem aprovar leis anti-povo, dizendo-lhe para optar entre as medidas b\u00e1rbaras e o retorno ao dracma o qual identificam com caos e mis\u00e9ria. Ao mesmo tempo, h\u00e1 sec\u00e7\u00f5es da plutocracia, tanto na Gr\u00e9cia como fora dela, que procuram um retorno ao dracma. Isto lhes permitiria fazerem mais lucros para si pr\u00f3prios e a burguesia como um todo do que fazem agora nas condi\u00e7\u00f5es da assimila\u00e7\u00e3o do pa\u00eds dentro do euro. O povo em bancarrota n\u00e3o far\u00e1 qualquer progresso com o euro ou com o dracma enquanto monop\u00f3lios dirigirem a produ\u00e7\u00e3o, enquanto o pa\u00eds permanecer na UE e enquanto a burguesia permanecer no poder. A \u00fanica resposta para o dilema &#8220;euro ou dracma&#8221; do ponto de vista dos interesses do povo \u00e9: desligamento da UE com poder popular e cancelamento unilateral da d\u00edvida. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que neste caso o pa\u00eds ter\u00e1 a sua pr\u00f3pria divisa.<\/p>\n<p><strong>2. Solu\u00e7\u00e3o grega ou europeia? <\/strong><\/p>\n<p>Todos eles est\u00e3o a falar acerca de uma solu\u00e7\u00e3o europeia da crise na Gr\u00e9cia e referem-se a negocia\u00e7\u00f5es com os organismos da UE para uma solu\u00e7\u00e3o abrangente para o problema da d\u00edvida que tamb\u00e9m afectar\u00e1 a Gr\u00e9cia. Todos os partidos gregos, excepto o KKE, sa\u00fadam a elei\u00e7\u00e3o de Hollande na presid\u00eancia francesa, a qual, afirmam eles, por\u00e1 um fim ao duo anti-povo &#8220;Mercozy&#8221;. Eles tamb\u00e9m falam acerca de consultas com a UE sobre medidas de desenvolvimento, subsidiando os grandes neg\u00f3cios de modo a que possam fazer investimentos.<\/p>\n<p>As suas t\u00e1cticas procuram esconder que aqueles que s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pelo sofrimento do povo n\u00e3o est\u00e3o em Bruxelas mas dentro do pa\u00eds. \u00c9 a burguesa, o patronato que possui os meios de produ\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, os navios, os escrit\u00f3rios, os servi\u00e7os no nosso pa\u00eds. A participa\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na Eurozona, baseada em decis\u00f5es dos partidos da plutocracia, serve os seus interesses. \u00c9 provocativo apresentar a UE como um terreno onde possa ser encontra uma sa\u00edda da crise favor\u00e1vel ao povo. Foi a UE quem elaborou o memorando juntamente com os governos nacionais e o FMI. \u00c9 a UE que tem como estrat\u00e9gia a &#8220;UE 2020&#8221; e o Tratado de Maastricht, isto \u00e9, a fonte de todas as medidas anti-trabalho e anti-povo com ou sem memorando. Eles dizem que mesmo o mais ligeiro al\u00edvio das medidas \u00e9 uma mat\u00e9ria de negocia\u00e7\u00f5es dentro da UE que se esfor\u00e7a por assegurar para os seus monop\u00f3lios uma sa\u00edda da crise a expensas dos povos. Eles urgem a v\u00edtima e esperar uma solu\u00e7\u00e3o do opressor, numa Eurozona que est\u00e1 a afundar-se ainda mais profundamente na crise e a tornar-se ainda mais reaccion\u00e1ria, dadas as rivalidades dentro da UE mas tamb\u00e9m entre a UE os outros centros imperialistas.<\/p>\n<p>O SYRIZA tamb\u00e9m arca com uma enorme responsabilidade pois procura uma renegocia\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do memorando colocando o movimento sobre gelo e promovendo uma posi\u00e7\u00e3o de &#8220;esperar e ver&#8221; at\u00e9 que as negocia\u00e7\u00f5es do &#8220;governo de esquerda&#8221; que ele sonha com os parceiros da UE apresente resultados. Ao mesmo tempo, fala acerca de &#8220;coes\u00e3o social&#8221;, acerca de &#8220;paz social&#8221; que ser\u00e1 imposta por um &#8220;governo de esquerda&#8221;, isto \u00e9, calando as lutas dos trabalhadores e do povo num per\u00edodo em que elas t\u00eam de ser escaladas e radicalizadas contra a plutocracia nacional e os partidos que o servem ou apoiam atrav\u00e9s da intimida\u00e7\u00e3o e de ilus\u00f5es.<\/p>\n<p>O KKE revela ao povo que \u00e9 necess\u00e1rio ter um movimento popular e dos trabalhadores que lutar\u00e1 pela ruptura e o derrube das op\u00e7\u00f5es do capital e da UE e promova a coordena\u00e7\u00e3o a n\u00edvel europeu n\u00e3o atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es mas atrav\u00e9s do fortalecimento do movimento do povo e dos trabalhadores na sua luta contra a UE, na linha da ruptura.<\/p>\n<p><strong>3. Austeridade ou desenvolvimento? <\/strong><\/p>\n<p>Numa Europa capitalista so\u00e7obrando na crise os governos procuram &#8220;desenvolvimento&#8221;, nomeadamente a sa\u00edda do capital da UE da crise. Na Gr\u00e9cia os partidos pr\u00f3 UE querelam sobre a propor\u00e7\u00e3o de austeridade e desenvolvimento inclu\u00eddos na sua pol\u00edtica. Eles procuram esconder que o caminho capitalista de desenvolvimento implica austeridade nas condi\u00e7\u00f5es da dr\u00e1stica competi\u00e7\u00e3o capitalista e de agudas contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas. As medidas de &#8220;consolida\u00e7\u00e3o fiscal&#8221; tomadas numa s\u00e9rie de pa\u00edses, com ou sem memorando, em nome da necessidade de criar um excedente nos or\u00e7amento do estado a fim de proporcionar subs\u00eddios ao capital tamb\u00e9m est\u00e3o servido esse desenvolvimento. Al\u00e9m disso, as &#8220;mudan\u00e7as estruturais&#8221; s\u00e3o promovidas na Gr\u00e9cia e por toda a Europa tamb\u00e9m em nome do desenvolvimento e incluem principalmente a aboli\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a social e dos direitos do trabalho a fim de tornar a for\u00e7a de trabalho mais barata para o capital. A privatiza\u00e7\u00e3o e a liberaliza\u00e7\u00e3o de mercados que proporcionem novos campos lucrativos para a plutocracia tamb\u00e9m objectivam o desenvolvimento, esmagando pequenos neg\u00f3cios e os auto-empregados. Consequentemente, tudo \u00e9 feito para o desenvolvimento o qual devido \u00e0 sua natureza capitalista est\u00e1 ao servi\u00e7o unicamente de medidas anti-povo que surgem ou como medidas de austeridade ou como &#8220;mudan\u00e7as estruturais&#8221; ou como salvamentos para os grandes neg\u00f3cios. No per\u00edodo anterior os governos burgueses na Eurozona afrouxaram ou intensificaram as medidas numa ou noutra direc\u00e7\u00e3o a fim de regular as contradi\u00e7\u00f5es entre si bem como o aprofundamento da crise.<\/p>\n<p>O KKE nota que a sa\u00edda em favor do povo n\u00e3o est\u00e1 na administra\u00e7\u00e3o da crise com ferramentas expansivas ou restritivas pelo pessoal pol\u00edtico do capital nos organismos da UE. Ela est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o da luta a um n\u00edvel nacional, por um diferente caminho de desenvolvimento o qual desenvolver\u00e1 todo o potencial de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em favor do povo baseado no poder do povo, o desligamento da UE e a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>4. &#8220;Direita&#8221; ou &#8220;esquerda&#8221;, &#8220;pr\u00f3 memorando&#8221; ou &#8220;anti-memorando&#8221; <\/strong><\/p>\n<p>Estes s\u00e3o dilemas que tomar\u00e3o uma nova forma de dois p\u00f3los, centro-direita e centro-esquerda. Os dilemas acima mencionados, primariamente com a responsabilidade do SYRIZA, marginalizam e obscurecem as contradi\u00e7\u00f5es reais dentro da Gr\u00e9cia e da UE. O dilema artificial &#8220;memorando \u2013 anti-memorando&#8221; \u00e9 utilizado pela burguesia e os oportunistas a fim de esconder que o seu denominador comum \u00e9 a &#8220;UE como caminho \u00fanico&#8221;, nomeadamente o alinhamento com a estrat\u00e9gia do capital. Independentemente das suas diferentes t\u00e1cticas estas for\u00e7as &#8220;ala direita&#8221;, &#8220;ala esquerda&#8221;, &#8220;pr\u00f3 memorando&#8221;, &#8220;anti-memorando&#8221; est\u00e3o a zombar dos trabalhadores, dos extractos populares, quando lhes dizem que pode haver uma solu\u00e7\u00e3o em favor do povo dentro da UE. A ND, o PASOK, os Gregos Independente, o SYRIZA, a Esquerda Democr\u00e1tica e as outras for\u00e7as n\u00e3o t\u00eam um programa que entre em conflito ou pelo menos desafie o poder dos monop\u00f3lios. Os termos que eles utiliza, nomeadamente &#8220;desenvolvimento&#8221;, &#8220;redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza&#8221;, &#8220;auditoria da d\u00edvida&#8221;, &#8220;solu\u00e7\u00e3o europeia&#8221; escondem os interesses de classe contradit\u00f3rios que existem na Gr\u00e9cia e na UE, isto \u00e9, o facto de que enquanto houver propriedade capitalista sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode haver qualquer prosperidade para os extractos populares. O memorando \u00e9 o topo do iceberg da estrat\u00e9gia da UE a qual distribui medidas anti-povo em todos os estados membros. Gr\u00e9cia, Irlanda, Portugal, Hungria, Rom\u00e9nia contrataram acordos de empr\u00e9stimos ao contr\u00e1rio da Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha, Dinamarca e a Gr\u00e3-Bretanha que n\u00e3o participa na Eurozona. Mas o assalto do capital \u00e9 comum a todos os pa\u00edses e inclui cortes em sal\u00e1rios, rela\u00e7\u00f5es de trabalho flex\u00edveis, aumento das idades de reforma, privatiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos, comercializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, desporto e a pauperiza\u00e7\u00e3o relativa e absoluta dos trabalhadores. Mesmo que possamos livrar-nos do memorando na Gr\u00e9cia as medidas anti-povo continuar\u00e3o, de facto intensificar-se-\u00e3o na medida em que o capital e o seu poder n\u00e3o sejam derrubados porque isto foi estabelecido pelas linhas directivas estrat\u00e9gicas da UE as quais foram ou assinadas ou apoiadas pelos partidos burgueses e SYN7SYRIZA.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o real que o povo ter\u00e1 de responder e que emergir\u00e1 mais intensamente no pr\u00f3ximo per\u00edodo \u00e9 a seguinte: a Gr\u00e9cia e o povo trabalhador independente e desligados dos compromissos europeus ou uma Gr\u00e9cia assimilada dentro da UE? Poder\u00e1 o povo ser o mestre da riqueza que produz ou ter\u00e1 de ser escravo nas f\u00e1bricas e neg\u00f3cios dos capitalistas? Ser\u00e1 que o povo estar\u00e1 organizado e desempenhar\u00e1 um papel condutor nos desenvolvimentos ou estar\u00e1 o movimento pronto para a contagem e \u00e0 espera de que aqueles que fazem v\u00edtimas resolvam os seus problemas como seus representantes? O KKE tem uma posi\u00e7\u00e3o clar\u00edssima. O facto de que todas as suas previs\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es tenham sido confirmadas \u00e9 mais uma raz\u00e3o para o povo nele confiar e lutar ao seu lado.<\/p>\n<p>Na batalha eleitoral que vem a\u00ed h\u00e1 uma necessidade de solidariedade internacional constante com o nosso partido a ser expressa de um modo maci\u00e7o! Os comunistas gregos precisam sentir o apoio, a solidariedade prolet\u00e1ria e o esp\u00edrito de camaradagem dos partidos comunistas e de trabalhadores, das outras for\u00e7as anti-imperialistas em vista desta dura batalha uma vez que a classe burguesa pretende a redu\u00e7\u00e3o dos resultados eleitorais do KKE. E a raz\u00e3o \u00e9 que est\u00e1 preocupado acerca da sua pol\u00edtica revolucion\u00e1ria, acerca das suas posi\u00e7\u00f5es claras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es imperialistas, acerca da base s\u00f3lida do KKE no movimento dos trabalhadores e do povo, nas f\u00e1bricas, nas empresas, nos bairros populares das grandes cidades. Porque eles n\u00e3o podem subjugar o KKE. Os comunistas, os amigos do KKE, os membros e amigos da KNE combatem nesta batalha, organizados e determinados, declarando ao povo grego e \u00e0 classe trabalhadora internacional que ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es estaremos nos lugares de trabalho, nas cidades e nas zonas rurais ao lado das fam\u00edlias do povo e dos trabalhadores, na linha de frente da luta respeitante aos problemas do povo, fieis ao compromisso hist\u00f3rico do partido revolucion\u00e1rio, firmes na luta pelo derrube da barb\u00e1rie capitalista, pelo socialismo-comunismo.<\/p>\n<p>[1] Um acordo de medidas anti-povo assinado pelo governo grego com a UE, FMI e BCE para receber novos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>[2] V.I. Lenin &#8220;O combate pelo poder e o &#8216;combate&#8217; por sopas&#8221;, volume 11, p 27-31<\/p>\n<p><strong>[*] Artigo da Sec\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do CC <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-05-23-arthro\" target=\"_blank\">http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-05-23-arthro<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: KKE\n\n\n\n\n\n\n\n\npor KKE\u00a0[*]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2912\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[107],"tags":[],"class_list":["post-2912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c120-grecia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-KY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}