{"id":2917,"date":"2012-05-28T14:09:03","date_gmt":"2012-05-28T14:09:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2917"},"modified":"2012-05-28T14:09:03","modified_gmt":"2012-05-28T14:09:03","slug":"montadora-reduz-remessa-de-lucros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2917","title":{"rendered":"Montadora reduz remessa de lucros"},"content":{"rendered":"\n<p>O desempenho tem como pano de fundo a deteriora\u00e7\u00e3o nos resultados dos fabricantes de carros, que est\u00e3o pressionados pela queda de consumo e o maior esfor\u00e7o de venda para desovar os estoques formados nos \u00faltimos meses &#8211; uma combina\u00e7\u00e3o que se tornou evidente nos feir\u00f5es e promo\u00e7\u00f5es realizados recentemente.<\/p>\n<p>Paralelamente, a situa\u00e7\u00e3o repercute a necessidade do setor em reter parcela significativa dos recursos no Brasil para fazer frente ao desenvolvimento de produtos e aos investimentos de US$ 22 bilh\u00f5es previstos pela ind\u00fastria automobil\u00edstica no ciclo de 2011 a 2015. Completa o quadro a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, que diminuiu os ganhos na moeda americana.<\/p>\n<p>Com o cen\u00e1rio mais nebuloso para o fim do ano, a op\u00e7\u00e3o escolhida foi refor\u00e7ar o caixa no Brasil. Dados do Banco Central (BC) mostram que as remessas chegaram a ultrapassar US$ 800 milh\u00f5es em agosto, mas ca\u00edram para US$ 13,5 milh\u00f5es em fevereiro (veja gr\u00e1fico). Os n\u00fameros s\u00e3o referentes aos envios feitos por fabricantes de ve\u00edculos e implementos rodovi\u00e1rios usados em caminh\u00f5es.<\/p>\n<p>A queda registrada pelas montadoras n\u00e3o foi a \u00fanica, mas foi a mais expressiva entre os setores da ind\u00fastria que mais remetem recursos ao exterior. Em todo o ano passado &#8211; quando os resultados no Brasil ajudaram a refor\u00e7ar o caixa das matrizes nos Estados Unidos e na Europa -, a ind\u00fastria automobil\u00edstica marcou o maior valor entre os setores acompanhados pelo BC, com a remessa recorde de US$ 5,58 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2012, os fabricantes de ve\u00edculos est\u00e3o atr\u00e1s da ind\u00fastria de bebidas, cujas remessas somaram US$ 846 milh\u00f5es at\u00e9 abril &#8211; um aumento de 24% em um ano.<\/p>\n<p>Para o consultor Luiz Carlos Mello, que presidiu a Ford de 1987 a 1992, os n\u00fameros expressam o cen\u00e1rio mais desafiador para a ind\u00fastria, marcado por margens de rentabilidade estreitadas por elevadas despesas de venda e reajustes salariais hist\u00f3ricos. Ta\u00eds fatores se somam a um investimento de capital de giro adicional, como resultado da acumula\u00e7\u00e3o de estoques para patamares mais altos desde a crise financeira de 2008.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o custos que n\u00e3o estavam previstos para esse n\u00edvel quando o or\u00e7amento foi feito&#8221;, diz o analista. Por outro lado, avalia, as montadoras n\u00e3o podem deixar de investir pesado em mercados emergentes, como o Brasil, onde est\u00e1 o maior potencial de crescimento.<\/p>\n<p>Com investimentos e custos em alta, os recursos dispon\u00edveis para as remessas diminuem quando se tem pela frente uma demanda que n\u00e3o acompanha o ritmo do ano passado, per\u00edodo no qual as vendas de carros bateram recorde. &#8220;O mercado claramente n\u00e3o evoluiu da maneira que se esperava. Foram colocados planos para um volume que n\u00e3o aconteceu&#8221;, afirma Let\u00edcia Costa, diretora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Insper e especialista na \u00e1rea.<\/p>\n<p>O ambiente de neg\u00f3cios mais delicado no Brasil \u00e9 refletido nos balan\u00e7os divulgados no exterior pelas grandes montadoras instaladas no pa\u00eds. Opera\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul, onde o Brasil corresponde ao principal mercado, contribuiram menos nos resultados do primeiro trimestre apresentados pela Ford e a General Motors.<\/p>\n<p>No grupo Fiat &#8211; que al\u00e9m da marca italiana inclui a Chrysler -, as vendas no mercado brasileiro ca\u00edram 1,9% no primeiro quadrimestre, enquanto a queda nos emplacamentos de carros da Volkswagen em igual per\u00edodo foi de 3,9%. A Ford j\u00e1 adiantou que os neg\u00f3cios na Am\u00e9rica do Sul seguir\u00e3o dando lucro neste ano, mas menos do que em 2011.<\/p>\n<p>As montadoras, assim como a Anfavea &#8211; entidade que representa o setor -, preferiram n\u00e3o se manifestar sobre a queda na remessas de lucro.<\/p>\n<p>Para Let\u00edcia, a recupera\u00e7\u00e3o do mercado americano pode ter reduzido as necessidades de remessas para grandes fabricantes de Detroit. Por outro lado, ela lembra que matrizes sediadas na Europa poder\u00e3o precisar de recursos gerados no Brasil, dada a instabilidade economica no continente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>BC tenta melhorar expectativa de investidores estrangeiros<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 forte onda de pessimismo que invadiu os mercados financeiros nas \u00faltimas semanas, o Banco Central (BC) iniciou uma estrat\u00e9gia para balizar as expectativas. Na \u00faltima semana, analistas situados em Nova York foram chamados pela autoridade monet\u00e1ria para conversas privativas &#8211; em alguns casos, com o pr\u00f3prio presidente do BC, Alexandre Tombini. O objetivo dessa a\u00e7\u00e3o seria tentar conter o vi\u00e9s mais negativo que passou a dominar os relat\u00f3rios produzidos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras nos \u00faltimos dias e que claramente afetou os pre\u00e7os dos ativos no mercado local. O saldo das conversas, segundo relatos de participantes dos encontros, \u00e9 a mensagem do BC de que a atividade vai come\u00e7ar a responder aos est\u00edmulos no segundo semestre. Essa previs\u00e3o, somada \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o de que o d\u00f3lar avance para cima dos R$ 2,00 de forma permanente, confirma a ideia de que a parcim\u00f4nia vai conduzir as pr\u00f3ximas decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BC.<\/p>\n<p>&#8220;O BC vendeu muito pessimismo em agosto, para justificar suas decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria, e talvez isso tenha contribu\u00eddo para esfriar ainda mais a economia&#8221;, explica um dos profissionais convidados para um encontro pessoal com a autoridade monet\u00e1ria. &#8220;Agora, o BC quis passar mais otimismo, o que parece estranho em um momento em que o mundo claramente est\u00e1 em deteriora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Justamente por ser um discurso com alguma &#8220;contradi\u00e7\u00e3o&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao atual momento global, o especialista diz que essa &#8220;estrat\u00e9gia&#8221; deve ter ajudado a confundir a curva de juros, que oscilou bruscamente na \u00faltima semana. A taxa Selic em 8% passou a ser considerada um &#8220;piso&#8221;, depois de um per\u00edodo em que as apostas se consolidavam mais perto de 7,50%.<\/p>\n<p>Segundo relato do analista, o resultado do al\u00edvio monet\u00e1rio em curso provavelmente ser\u00e1 percebido em breve, provavelmente no segundo semestre. &#8220;H\u00e1 coisas dom\u00e9sticas atrapalhando o canal do cr\u00e9dito e, na vis\u00e3o do BC, essas travas j\u00e1 est\u00e3o sendo retiradas&#8221;, afirmou outro profissional, que tamb\u00e9m manteve contato com o BC. &#8220;A mensagem da parcim\u00f4nia ficou bem clara em todo o tempo, tanto na quest\u00e3o dos juros quanto na do c\u00e2mbio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;A vis\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria \u00e9 a de que o d\u00f3lar est\u00e1 bom, mas que agora j\u00e1 &#8220;est\u00e1 bom&#8221;&#8221;, relata uma fonte ligada ao governo, confirmando a vis\u00e3o de que BC e Fazenda est\u00e3o satisfeitos com o n\u00edvel do d\u00f3lar atual. Ou seja, que suas atua\u00e7\u00f5es por meio de contratos de swap cambial pretendem, sim, garantir que a moeda n\u00e3o avance para cima dos R$ 2,10. &#8220;O BC quer dosar a evolu\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, e para isso \u00e9 preciso dar sa\u00edda ao investidor&#8221;, afirma a fonte. &#8220;O que o BC n\u00e3o poderia fazer neste momento \u00e9 se omitir, como aconteceu em 2008&#8221;, explica. Ele lembra que o endividamento externo privado \u00e9 elevado &#8211; de cerca de US$ 165 bilh\u00f5es, segundo \u00faltimo dado dispon\u00edvel no BC, referente ao fim de 2011 &#8211; e uma desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial abrupta e intensa pode ser uma dificuldade importante para as empresas.<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, como a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro, poderia, na vis\u00e3o dos especialistas, trazer uma press\u00e3o extra sobre a moeda. Nesse caso, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o BC atuaria vendendo reservas. &#8220;O BC tem dito repetidamente que as reservas existem para ser usadas&#8221;, afirma a fonte. &#8220;Mas, neste momento, o que ele est\u00e1 fazendo \u00e9 mostrar que pode oferecer o hedge necess\u00e1rio para quem est\u00e1 exposto ao c\u00e2mbio.&#8221;<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o do Banco Central ocorre justamente no momento em que institui\u00e7\u00f5es financeiras, em especial estrangeiras, t\u00eam afirmado em relat\u00f3rios que a fraqueza da economia brasileira come\u00e7a a tirar o pa\u00eds da condi\u00e7\u00e3o de &#8220;queridinho&#8221; do mercado global. A leitura \u00e9 de que o dinamismo da economia dom\u00e9stica garantia uma certa prote\u00e7\u00e3o do mercado local diante das turbul\u00eancias externas. Com a retra\u00e7\u00e3o da atividade, confirmada pelo \u00faltimo IBC-Br, esp\u00e9cie de indicador antecedente do PIB calculado pelo BC, essa &#8220;\u00e2ncora&#8221; teria sido perdida. O excesso de interven\u00e7\u00f5es por parte da Fazenda, tanto na pol\u00edtica monet\u00e1ria quanto na cambial e no sistema financeiro, amplia ainda mais o tom negativo tra\u00e7ado por esses analistas.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que, na sexta-feira, ser\u00e1 divulgado o resultado oficial do PIB do primeiro trimestre. O BC parece estar atento ao efeito negativo que esse n\u00famero pode provocar nos neg\u00f3cios. E quer dar um sinal mais claro ao mercado de que, a despeito da piora que se v\u00ea no exterior, a hora \u00e9 de manter a parcim\u00f4nia. &#8220;Acredito que o BC at\u00e9 poderia ser mais agressivo no corte de juros se houver uma ruptura no exterior. Mas, antes disso, a orienta\u00e7\u00e3o parece ser a da parcim\u00f4nia&#8221;, conclui um analista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Varejo dependente de cr\u00e9dito cresce menos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os segmentos do varejo mais ligados \u00e0 renda exibem neste ano um desempenho superior ao daqueles mais dependentes do cr\u00e9dito. No primeiro trimestre, as vendas dos &#8220;setores renda&#8221; cresceram 5,7% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, enquanto as dos &#8220;setores cr\u00e9dito&#8221; tiveram alta de 1,6%, segundo divis\u00e3o elaborada pela LCA Consultores a partir da Pesquisa Mensal do Com\u00e9rcio do IBGE. Na m\u00e9dia, as vendas do varejo cresceram 3% em rela\u00e7\u00e3o ao quarto trimestre de 2011.<\/p>\n<p>O primeiro grupo, mais vinculado \u00e0 renda, teve como grande destaque o setor de supermercados, produtos aliment\u00edcios, bebidas e fumo, que avan\u00e7aram 6,5% no per\u00edodo. No caso dos segmentos ligados ao cr\u00e9dito, quem puxa o desempenho para baixo s\u00e3o as vendas de ve\u00edculos, que recuaram 0,3% na mesma base de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assuntos relacionados<\/p>\n<p>A renda sobe com for\u00e7a neste ano, impulsionada pelo aumento de mais de 14% do sal\u00e1rio m\u00ednimo e pelo cen\u00e1rio de baixo desemprego, que d\u00e1 for\u00e7a aos trabalhadores em negocia\u00e7\u00f5es salariais. Para ajudar, a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses est\u00e1 em queda, engrossando o rendimento em termos reais.<\/p>\n<p>No caso dos bens mais ligados ao cr\u00e9dito, o setor de ve\u00edculos e autope\u00e7as foi o mais castigado. O maior endividamento das fam\u00edlias, associado \u00e0 inadimpl\u00eancia em alta, afetou tanto a demanda quanto a oferta de cr\u00e9dito para esses bens nos primeiros meses do ano, diz o economista Paulo Neves, da LCA. O desempenho dos setores ligados a cr\u00e9dito foi bastante desigual. No primeiro trimestre, as vendas de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos aumentaram 4,3% sobre os tr\u00eas meses anteriores, feito o ajuste sazonal. O resultado sugere que as vendas de ve\u00edculos, bens de maior valor unit\u00e1rio, foram mais afetadas do que de outros segmentos ligados ao cr\u00e9dito que envolvem bens de pre\u00e7os mais baixos. O segmento de material de constru\u00e7\u00e3o, por exemplo, viu as vendas aumentarem 6%. No entanto, a \u00e1rea de ve\u00edculos, com peso superior a 32% na pesquisa do IBGE, derruba a m\u00e9dia dos setores ligados ao cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>A expectativa para os segmentos ligados \u00e0 renda continua favor\u00e1vel porque o rendimento real deve seguir em alta. O Valor analisou 216 conven\u00e7\u00f5es coletivas entre as que foram registradas no Minist\u00e9rio do Trabalho at\u00e9 25 de maio, referentes a categorias com data-base nos cinco primeiros meses do ano. A m\u00e9dia de ganho real negociada nesse intervalo quase dobrou, passando de 1,65% entre janeiro e maio do ano passado para 3,06% neste ano. A queda da infla\u00e7\u00e3o, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e o mercado de trabalho ainda aquecido ajudaram essas negocia\u00e7\u00f5es salariais neste in\u00edcio de ano, apesar da desacelera\u00e7\u00e3o da economia dom\u00e9stica e das preocupa\u00e7\u00f5es com o cen\u00e1rio externo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Com d\u00e9ficit bilion\u00e1rio, 15 Estados v\u00e3o mudar regime de servidor<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A reforma do regime de previd\u00eancia do setor p\u00fablico federal acabou, mas a de Estados e munic\u00edpios est\u00e1 apenas come\u00e7ando. Ao todo, 15 Estados est\u00e3o preparando uma reforma aos moldes da realizada pelo governo Dilma Rousseff, que instituiu os fundos de previd\u00eancia complementar (Funpresp) para os servidores federais, em substitui\u00e7\u00e3o ao antigo regime, que garantia o sal\u00e1rio integral. Nos pr\u00f3ximos dias, o Estado do Rio de Janeiro deve reformar seu regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia, criando um fundo igual ao Funpresp. O d\u00e9ficit dos regimes de previd\u00eancia dos Estados e munic\u00edpios j\u00e1 se aproxima de R$ 50 bilh\u00f5es por ano &#8211; o dos servidores federais ser\u00e1 de R$ 61 bilh\u00f5es em 2012.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Rio de Janeiro, o Valor apurou que os Estados de Santa Catarina, Esp\u00edrito Santo e Pernambuco j\u00e1 t\u00eam projetos de reforma previdenci\u00e1ria prontos, que devem ser aprovados ainda neste ano. J\u00e1 os Estados do Mato Grosso do Sul, Rond\u00f4nia e Paran\u00e1 est\u00e3o com estudos avan\u00e7ados nesse sentido. O objetivo \u00e9 semelhante ao perseguido pelo governo federal: equacionar o elevado d\u00e9ficit nas contas p\u00fablicas causado pelo rombo previdenci\u00e1rio. No Esp\u00edrito Santo, o d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio dos 120 mil beneficiados foi de R$ 1,8 bilh\u00e3o em 2011 &#8211; para 2012, o Estado estima que o d\u00e9ficit ser\u00e1 de R$ 2,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, a contribui\u00e7\u00e3o de Estados e munic\u00edpios nos regimes de previd\u00eancia vai de 11% (Rio de Janeiro), no m\u00ednimo, a 22%, no m\u00e1ximo (no Rio Grande do Norte). Com os fundos, as al\u00edquotas de contribui\u00e7\u00e3o cair\u00e3o a 7,5%, como foi aprovado em S\u00e3o Paulo, ou 8,5%, no Funpresp e como ser\u00e1 no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio tra\u00e7ado pelos t\u00e9cnicos do governo Dilma Rousseff at\u00e9 2014, entre oito a 12 Estados ter\u00e3o criado seus pr\u00f3prios fundos de pens\u00e3o. &#8220;Os Estados perceberam que a Uni\u00e3o conseguiu concluir a reforma iniciada ainda no governo Fernando Henrique Cardoso [em 1997], e que o esfor\u00e7o do governo federal abriu caminho para reformas semelhantes&#8221;, afirmou ao Valor o ministro da Previd\u00eancia Social, Garibaldi Alves Filho.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, dono do maior regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia em termos de recursos capitalizados (R$ 7 bilh\u00f5es em administra\u00e7\u00e3o, e outros R$ 5 bilh\u00f5es para receber de obriga\u00e7\u00f5es contratadas junto ao Estado), o fundo de pens\u00e3o que ser\u00e1 criado visa interromper o d\u00e9ficit de R$ 100 milh\u00f5es por m\u00eas para honrar os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios dos quase 105 mil inativos. O Estado prev\u00ea a contrata\u00e7\u00e3o de 15 mil a 20 mil novos servidores entre 2013 e 2016, e esses j\u00e1 seriam incorporados ao novo regime. Al\u00e9m disso, os militares tamb\u00e9m devem ser inclu\u00eddos &#8211; diferente do que ocorreu com a Uni\u00e3o, onde o Funpresp n\u00e3o contempla os militares.<\/p>\n<p>Os estudos no Estado s\u00e3o liderados por Jayme Lima, presidente da Paran\u00e1-Previd\u00eancia, o instituto de previd\u00eancia do Estado, que prev\u00ea um modelo igual ao Funpresp &#8211; isto \u00e9, com a contribui\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria do Estado em at\u00e9 8,5% do sal\u00e1rio do servidor. No \u00fanico fundo de pens\u00e3o estadual j\u00e1 criado, o de S\u00e3o Paulo, a contribui\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 inferior, de 7,5%, sobre a parte da remunera\u00e7\u00e3o que ultrapassa o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lima tamb\u00e9m \u00e9 o coordenador do grupo de t\u00e9cnicos que estuda as reformas em Estados e munic\u00edpios no Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Pr\u00f3prios de Previd\u00eancia (Conaprev).<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s plantamos uma semente com o Funpresp, e os governos regionais entenderam a import\u00e2ncia de solucionar a bomba rel\u00f3gio que s\u00e3o os crescentes d\u00e9ficits previdenci\u00e1rios&#8221;, afirma Jaime Mariz, secret\u00e1rio de Pol\u00edticas de Previd\u00eancia Complementar do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia. Profundo conhecedor do arcabou\u00e7o institucional do novo regime do setor p\u00fablico federal, Mariz avalia que h\u00e1 uma &#8220;janela de oportunidade&#8221;, aberta pela determina\u00e7\u00e3o de Dilma em aprovar o Funpresp, para que Estados e munic\u00edpios fa\u00e7am reformas.<\/p>\n<p>Entre os munic\u00edpios, a capital de S\u00e3o Paulo tem os estudos mais adiantados. Com 144 mil servidores ativos, apenas 15% deles t\u00eam sal\u00e1rios superiores ao teto do INSS &#8211; s\u00e3o esses os servidores contemplados no fundo de previd\u00eancia complementar. Uma das propostas em estudo pela equipe de Gilberto Kassab (PSD) \u00e9 a ades\u00e3o ao fundo de pens\u00e3o criado no Estado.<\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios em rela\u00e7\u00e3o a reformas na previd\u00eancia vai se acelerar no segundo semestre. Os t\u00e9cnicos da \u00e1rea previdenci\u00e1ria do governo Dilma foram convidados pelo secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o de Macei\u00f3 (AL), S\u00e9rgio Villela, coordenador do F\u00f3rum das Capitais, para participar do pr\u00f3ximo encontro dos secret\u00e1rios das 27 capitais, em junho. A pauta \u00e9 \u00fanica: reformar o regime previdenci\u00e1rio dos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos tomando alguns cuidados&#8221;, afirma Mariz. Alguns Estados e munic\u00edpios que sondaram nos \u00faltimos dias a pasta apresentaram a ideia de que os institutos de previd\u00eancia dos governos e prefeituras sejam os &#8220;gestores&#8221; dos fundos de pens\u00e3o que ser\u00e3o criados. O Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia \u00e9 fortemente contr\u00e1rio \u00e0 iniciativa, e seus t\u00e9cnicos t\u00eam sugerido uma legisla\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da adotada com o Funpresp e em S\u00e3o Paulo. &#8220;Os fundos de pens\u00e3o devem ter gest\u00e3o pr\u00f3pria, com conselho fiscal, e cargos pr\u00f3prios&#8221;, afirma Mariz.<\/p>\n<p>Com essa possibilidade, ele lembra que &#8220;n\u00e3o se pode intervir em uma autarquia federal e isso pode ser um problema&#8221;. A Superintend\u00eancia Nacional de Previd\u00eancia Complementar (Previc), \u00f3rg\u00e3o regulador do setor, n\u00e3o pode intervir na gest\u00e3o de prefeituras e Estados.<\/p>\n<p>H\u00e1, hoje, quatro fundos de pens\u00e3o sob interven\u00e7\u00e3o da Previc, por problemas de gest\u00e3o. &#8220;Os tr\u00eas Funpresp da Uni\u00e3o [um de cada Poder] ser\u00e3o, juntos, o maior fundo de pens\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, e ele estar\u00e1 sob fiscaliza\u00e7\u00e3o da Previc&#8221;, diz Mariz. Nada mais natural, acrescenta, que os fundos que Estados e munic\u00edpios criarem tamb\u00e9m sejam fiscalizados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;S\u00f3 4 ou 5 produtos representam70% das exporta\u00e7\u00f5es&#8217;<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Rubens Barbosa, presidente do conselho superior de com\u00e9rcio exterior da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), defende uma reforma na estrutura de com\u00e9rcio exterior do Brasil. Para reverter a tend\u00eancia de primariza\u00e7\u00e3o da pauta exportadora, ele acredita que o Pa\u00eds precisa revigorar a C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex). &#8220;A Camex est\u00e1 enfraquecida, esvaziada&#8221;, disse Barbosa, em entrevista ao Estado. A seguir trechos da entrevista.<\/p>\n<p>Os economistas preveem queda no super\u00e1vit comercial do Brasil em 2012. Como reverter isso?<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo como um problema porque o super\u00e1vit ainda vai ser grande. Agora isso pode ser uma tend\u00eancia. E, nesse caso, vira um problema complicado para o governo. A economia brasileira, nos \u00faltimos anos, cresceu com base na exporta\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o impulso veio da expans\u00e3o do mercado dom\u00e9stico. H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o muito grande de poucos produtos de exporta\u00e7\u00e3o para gerar o super\u00e1vit. Quatro ou cinco produtos que representam 70% da pauta de com\u00e9rcio exterior brasileira e todos produtos prim\u00e1rios. A grande preocupa\u00e7\u00e3o do governo deveria ser a perda da competitividade das manufaturas brasileiras.<\/p>\n<p>O governo lan\u00e7ou pol\u00edtica industrial nesse sentido. \u00c9 suficiente?<\/p>\n<p>Foram tomadas algumas medidas que v\u00e3o no caminho correto, mas n\u00e3o resolvem o problema. S\u00e3o medidas pontuais, conjunturais, que tentam dar uma contrapartida para o setor privado. Foram feitas para compensar o c\u00e2mbio, as altas taxas de juros e tudo que se convencionou chamar de custo Brasil.<\/p>\n<p>As medidas de defesa comercial foram intensificadas. O governo Dilma \u00e9 protecionista?<\/p>\n<p>Dentre as medidas conjunturais, est\u00e3o uma s\u00e9rie para proteger os setores mais vulner\u00e1veis por causa da aprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio e da alta taxa de juros. Todos os pa\u00edses est\u00e3o tomando medidas restritivas para proteger o mercado interno. Podem ajudar no curto prazo a impedir um grande fluxo de importa\u00e7\u00e3o de produtos estrangeiros, sobretudo vindos da China, que prejudicam a ind\u00fastria brasileira. Mas n\u00e3o resolvem o problema. N\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do protecionismo que vamos resolver os problemas internos do Pa\u00eds. O custo Brasil s\u00f3 vai ser reduzido com reformas importantes em todas as \u00e1reas.<\/p>\n<p>As atribui\u00e7\u00f5es sobre o com\u00e9rcio exterior est\u00e3o divididas por v\u00e1rios minist\u00e9rios. Isso provoca lentid\u00e3o nas decis\u00f5es?<\/p>\n<p>\u00c9 um problema que j\u00e1 estudamos h\u00e1 muito tempo na Fiesp. O conselho de com\u00e9rcio exterior fez uma proposta sobre isso. \u00c9 um absurdo que hoje existam 16 \u00f3rg\u00e3os que interferem no com\u00e9rcio exterior e mais de duas mil normas. N\u00e3o existe um comando claro. Com o com\u00e9rcio exterior brasileiro ultrapassando meio trilh\u00e3o de d\u00f3lares este ano, est\u00e1 chegando o momento de reorganizar essa \u00e1rea. A nossa sugest\u00e3o na Fiesp \u00e9 que seja examinada no Brasil seriamente a ideia de se criar uma presid\u00eancia da Camex, e subordinar o \u00f3rg\u00e3o diretamente \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; da mesma forma que funciona nos EUA. N\u00e3o se trata de criar nenhum novo minist\u00e9rio ou de aumentar a burocracia, mas de colocar foco no com\u00e9rcio exterior. Hoje a Camex \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o dentro do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio. O ministro \u00e9 o presidente da Camex, mas isso \u00e9 uma das suas atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Camex est\u00e1 enfraquecida?<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 enfraquecida, esvaziada. As reuni\u00f5es ministeriais praticamente n\u00e3o ocorrem. Pela lei, a Camex \u00e9 um colegiado que tem a atribui\u00e7\u00e3o de examinar, formular e definir as pol\u00edticas de com\u00e9rcio exterior. Hoje n\u00e3o faz isso. Todas as medidas que mencionamos foram feitas \u00e0 margem da Camex. A estrat\u00e9gia de negocia\u00e7\u00e3o comercial tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 examinada pela Camex. O objetivo n\u00e3o \u00e9 retirar a compet\u00eancia de nenhum \u00f3rg\u00e3o, mas dar peso pol\u00edtico para a Camex e dar um foco ao setor privado. Al\u00e9m dessa reforma do com\u00e9rcio exterior, h\u00e1 uma s\u00e9rie de reformas que est\u00e3o em discuss\u00e3o h\u00e1 algum tempo. No Brasil, estamos chegando \u00e0 mesma situa\u00e7\u00e3o da \u00cdndia. Nos \u00faltimos meses, a economia indiana come\u00e7ou a ter um decl\u00ednio no crescimento, porque n\u00e3o eles conseguem aprovar as mesmas reformas que estamos discutindo no Brasil. O crescimento da economia brasileira vai desacelerar, se n\u00e3o houver disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo e do Congresso para enfrentar os problemas. A presidente Dilma hoje disp\u00f5e de um capital pol\u00edtico alt\u00edssimo, que deveria ser aproveitado para liderar uma negocia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e reduzir o custo do Brasil. E poderia come\u00e7ar tudo com a reforma tribut\u00e1ria e a reforma da estrutura do com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n<p>Em seu artigo mais recente no &#8220;Estad\u00e3o&#8221;, o sr. diz que a visita da presidente Dilma a Washington foi um passo &#8220;discreto&#8221; na constru\u00e7\u00e3o de uma agenda Brasil &#8211; Estados Unidos. Por que o sr. qualifica como discreto?<\/p>\n<p>Pelos resultados que alcan\u00e7ou. A ambi\u00e7\u00e3o tanto dos EUA quanto do Brasil \u00e9 muito pequena. Do lado dos EUA, n\u00e3o teve nenhuma proposta. N\u00f3s levamos algumas propostas. A presidente fez um chamado para que o setor privado americano invista no Brasil. Foi algo importante, mas discreto. Em v\u00e1rios setores poder\u00edamos ter uma a\u00e7\u00e3o mais forte. Por exemplo: coopera\u00e7\u00e3o no \u00e1rea espacial, parcerias o pr\u00e9-sal. Nas \u00faltimas semanas, tivemos dois fatos muito significativos. Estiveram no Brasil a secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton o secret\u00e1rio de Defesa, Leon Panetta. Voc\u00ea vai dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada de concreto. Mas o fato de o governo americano mandar para o Brasil dois funcion\u00e1rios cruciais na estrutura americana \u00e9 importante. Eles n\u00e3o vieram aqui para passear. O que tentei mostrar no meu artigo foi que, apesar de a agenda Brasil &#8211; EUA estar mais desbloqueada do ponto de vista ideol\u00f3gico, com um relacionamento mais pr\u00e1tico, os passos que estamos dando ainda s\u00e3o modestos.<\/p>\n<p>Hillary Clinton chegou a falar em um acordo de livre com\u00e9rcio para o Brasil. O sr. v\u00ea alguma chance de isso ocorrer?<\/p>\n<p>Isso \u00e9 algo ret\u00f3rico. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma condi\u00e7\u00e3o de fazer hoje um acordo de livre com\u00e9rcio como foi pensado no passado. E n\u00e3o \u00e9 por causa do Brasil, mas dos EUA Eles n\u00e3o podem abrir o setor agr\u00edcola para os produtos brasileiros. Do ponto de vista comercial, o que pode avan\u00e7ar mais \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o. Temos o TECA, Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e Comercial com os Estados Unidos, que foi assinado durante a visita do presidente Obama ao Brasil. Pela primeira vez, o TECA prev\u00ea a possibilidade de negociar as barreiras sanit\u00e1rias, que abriria o mercado americano, por exemplo, para as carnes brasileiras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o internacional do novo Brasil<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Brasil mudou. A estabilidade econ\u00f4mica, aliada \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da renda de importante parcela da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que tem movimentado a economia. O crescimento do mercado interno de bens de consumo, quer sejam televisores ou carne su\u00edna, tem atra\u00eddo investimentos e gerado empregos. Somos a 6.\u00aa economia mundial. O desafio \u00e9 seguir crescendo.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o competitiva desse novo Brasil no com\u00e9rcio globalizado exigir\u00e1 intensas negocia\u00e7\u00f5es. Infelizmente, estamos parados. A prioridade \u00e0 Rodada Doha no \u00e2mbito da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) era a correta. Acordos multilaterais atendem melhor \u00e0s necessidades de uma economia diversificada e complexa como a do Brasil. Ap\u00f3s oito anos negociando, n\u00e3o nos parece que atingiremos o objetivo.<\/p>\n<p>O Pa\u00eds n\u00e3o pode ficar aguardando o ambiente negociador de Genebra melhorar. N\u00e3o \u00e9 o que os principais parceiros comerciais do Brasil t\u00eam feito. Acordos bilaterais e regionais, principalmente na \u00c1sia, regi\u00e3o de forte crescimento econ\u00f4mico, prosperam.<\/p>\n<p>Um parceiro importante, como a Coreia do Sul, finalizou recentemente acordos comerciais com EUA e Uni\u00e3o Europeia (UE), mercados-chave para nosso com\u00e9rcio. Austr\u00e1lia, Brunei, Chile, Cingapura, EUA, Jap\u00e3o, Mal\u00e1sia, Nova Zel\u00e2ndia, Peru e Vietn\u00e3 se dedicam \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma ampla negocia\u00e7\u00e3o comercial, conhecida como Trans Pacific Partnership (TPP). At\u00e9 mesmo China, Coreia e Jap\u00e3o falam em se aproximar comercialmente, em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 crise europeia. \u00c9 preciso articular uma nova estrat\u00e9gia negociadora para o Brasil, que fortale\u00e7a nossa inser\u00e7\u00e3o internacional, hoje com nova e positiva perspectiva de futuro.<\/p>\n<p>Acordos comerciais incluem trocas. O ativo do Brasil que mais se valorizou, al\u00e9m da estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica, \u00e9 o forte crescimento do mercado interno. S\u00e3o os 200 milh\u00f5es de consumidores que tornam a posi\u00e7\u00e3o do Brasil atraente. S\u00e3o eles, tamb\u00e9m, que devem ser lembrados como benefici\u00e1rios de bens e servi\u00e7os mais competitivos que ampliem seu poder de renda e sua qualidade de vida, mesmo que vindos do exterior. Precisar\u00e3o, certamente, estar empregados, pois n\u00e3o se ignora a essencialidade de os setores produtivos do Brasil permanecerem saud\u00e1veis &#8211; mais do que isso, com renda crescente.<\/p>\n<p>Negociar pressup\u00f5e expor setores produtivos a maior concorr\u00eancia. N\u00e3o se trata de menosprezar as dificuldades enfrentadas por in\u00fameros setores que, na falta de avan\u00e7o em quest\u00f5es estruturais no chamado custo Brasil, ganham importante argumento protecionista, cuja validade n\u00e3o pode ser simplisticamente aceita, independente de an\u00e1lise. Muito menos se pode ignorar a valoriza\u00e7\u00e3o da moeda que facilita as importa\u00e7\u00f5es. Valoriza\u00e7\u00e3o cambial &#8211; hoje j\u00e1 com reflexos da positiva queda de juros &#8211; e custo Brasil precisam ser enfrentados.<\/p>\n<p>O pouco que ocorre na \u00e1rea de com\u00e9rcio exterior s\u00e3o a\u00e7\u00f5es de cunho protecionista nem sempre alicer\u00e7adas em crit\u00e9rios t\u00e9cnicos rigorosos. Os instrumentos de salvaguardas comerciais e de a\u00e7\u00f5es antidumping est\u00e3o a\u00ed para ser usados. \u00c9 essencial, por\u00e9m, que as regras para essa utiliza\u00e7\u00e3o sejam observadas. \u00c9 do interesse do Brasil valorizar o sistema de regras de com\u00e9rcio negociado no \u00e2mbito multilateral. N\u00e3o se trata de ser a favor ou n\u00e3o do livre com\u00e9rcio, mas de ser a favor de um sistema de com\u00e9rcio baseado em regras negociadas e acordadas. Interessa ao Brasil a valoriza\u00e7\u00e3o do sistema de regras, e n\u00e3o o inverso.<\/p>\n<p>A perda de competitividade do Brasil nos mercados externos \u00e9 um fato, inclusive para o setor agr\u00edcola. O custo de m\u00e3o de obra no Pa\u00eds deixou de ser um fator de competitividade. Para muitos setores, ele \u00e9 superior ao da maioria dos concorrentes. Sobre a quest\u00e3o da log\u00edstica, \u00e9 consenso o quanto ela penaliza a competitividade do Brasil. A estrutura tribut\u00e1ria permanece um fator de inefici\u00eancia. Ser\u00e1 preciso avan\u00e7ar nessas quest\u00f5es de competitividade, e uma estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o internacional deve atuar nessa motiva\u00e7\u00e3o. Negocia\u00e7\u00f5es comerciais costumam demorar muitos anos. Mesmo se iniciando uma hoje, esta n\u00e3o cria a fatalidade de uma conclus\u00e3o a qualquer custo.<\/p>\n<p>A negocia\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de diversos acordos comerciais bilaterais fortaleceria muito o Brasil. A simultaneidade permitiria trocar o acesso ao nosso mercado interno com variados mercados externos para os setores produtivos. O mercado brasileiro seria compartilhado com os parceiros futuros. N\u00e3o s\u00f3 ganhar\u00edamos mais com ele, como tamb\u00e9m se adicionaria um elemento de press\u00e3o para o outro lado, pois n\u00e3o concluir a negocia\u00e7\u00e3o com o Brasil representaria perda relativa. Acredito que o que tem faltado para concluir o acordo com a UE, praticamente o \u00fanico em negocia\u00e7\u00e3o, \u00e9 press\u00e3o. Sabem que estamos parados.<\/p>\n<p>Diversos acordos bilaterais simult\u00e2neos podem ter resultado pr\u00f3ximo ao almejado na Rodada Doha. Dizer com quem e o que negociar n\u00e3o \u00e9 pretens\u00e3o de abordagem destas poucas linhas. \u00c9 preciso, por\u00e9m, come\u00e7ar. Estudos ser\u00e3o necess\u00e1rios. Os setores precisar\u00e3o avaliar e se preparar para o futuro. A inser\u00e7\u00e3o competitiva da economia brasileira precisa ser constru\u00edda. Isso tudo toma tempo e exige prioridade e participa\u00e7\u00e3o da sociedade. A paralisia atual n\u00e3o \u00e9 alternativa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Crise afeta PIB chin\u00eas tamb\u00e9m no 2\u00ba trimestre<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A perda de ritmo da economia chinesa dever\u00e1 continuar pelo menos at\u00e9 junho, sob o impacto da crise econ\u00f4mica nos pa\u00edses ricos e os efeitos da pol\u00edtica dom\u00e9stica para desinflar a bolha no mercado imobili\u00e1rio. Muitos analistas j\u00e1 revisaram para baixo as proje\u00e7\u00f5es de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre e esperam porcentuais inferiores a 8%, depois dos 8,1% registrados no per\u00edodo de janeiro a mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Os dados negativos de abril deram um susto nos economistas e nas autoridades de Pequim, por mostrarem um quadro de desacelera\u00e7\u00e3o mais acentuada que a prevista. Estat\u00edsticas preliminares de maio indicam que a perda de f\u00f4lego continua, o que puxar\u00e1 para baixo os resultados do segundo trimestre. &#8220;Em termos anualizados, o crescimento do PIB de abril foi inferior a 7,5%, que \u00e9 a meta oficial de expans\u00e3o para o ano, e vai demorar de dois a tr\u00eas meses para haver uma rea\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ao Estado Yao Wei, economista do Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale baseada em Hong Kong.<\/p>\n<p>A atividade industrial est\u00e1 em ritmo lento e as torneiras do cr\u00e9dito que sustentam os investimentos est\u00e3o mais fechadas do que no ano passado. Segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias Bloomberg, os empr\u00e9stimos concedidos pelos grandes bancos estatais poder\u00e3o fechar 2012 abaixo da meta oficial pela primeira vez nos \u00faltimos sete anos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o volume de novos financiamentos fique em 7 trilh\u00f5es de yuans (R$ 2,24 trilh\u00f5es), cifra inferior \u00e0 meta de 8 trilh\u00f5es de yuans (R$ 2,56 trilh\u00f5es) e aos 8,5 trilh\u00f5es de yuans (R$ 2,72 trilh\u00f5es) emprestados no ano passado.<\/p>\n<p>Segundo o jornal oficial Securities Daily, o volume de novos empr\u00e9stimos poder\u00e1 cair para 500 bilh\u00f5es de yuans (R$ 160 bilh\u00f5es) em maio, depois do trope\u00e7o de 1 trilh\u00e3o de yuans para 682 bilh\u00f5es de yuans entre mar\u00e7o e abril.<\/p>\n<p>Medidas. Reuni\u00e3o do gabinete chin\u00eas realizada na \u00faltima quarta-feira aprovou medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia, mas decidiu manter as pol\u00edticas restritivas ao mercado imobili\u00e1rio aprovadas ao longo dos \u00faltimos meses para conter a alta especulativa de pre\u00e7os. Entre os mais importantes an\u00fancios est\u00e1 o aumento de investimentos em infraestrutura, com a antecipa\u00e7\u00e3o do cronograma de projetos j\u00e1 aprovados e a concess\u00e3o do sinal verde a novas obras.<\/p>\n<p>&#8220;O crescimento do PIB deve melhorar no segundo semestre, mas o baixo crescimento no segundo trimestre, precedido de um fraco primeiro trimestre aumenta a possibilidade de o crescimento anual vir abaixo das atuais expectativas de pelo menos 8%&#8221;, escreveu Andrew Batson, diretor de pesquisa da consultoria Dragonomics.<\/p>\n<p>Depois dos dados de abril, o banco americano J.P. Morgan reduziu de 8,5% para 7,9% sua proje\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o do PIB no segundo trimestre e espera um crescimento anual de 8,1% _frente a 8,6% nas estimativas anteriores. Esse porcentual j\u00e1 conta com a acelera\u00e7\u00e3o de projetos de infraestrutura e rea\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios, al\u00e9m de um ligeiro aumento dos gastos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es de crescimento tamb\u00e9m consideram um cen\u00e1rio no qual n\u00e3o h\u00e1 agravamento significativo da crise na Europa, regi\u00e3o que \u00e9 atualmente o principal destino das exporta\u00e7\u00f5es chinesas.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do economista-chefe do UBS, Wang Tao, \u00e9 menos otimista. Ele prev\u00ea expans\u00e3o do PIB de 8,2% neste ano, mas alerta que o porcentual ser\u00e1 inferior se o cen\u00e1rio internacional se degradar. &#8220;Mesmo com suporte adicional de pol\u00edticas , na hip\u00f3tese de um colapso s\u00fabito da demanda externa, o crescimento anual da China vai provavelmente cair para cerca de 7%&#8221;, avaliou a economista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\nDiante de um mercado mais desafiador, com queda nas vendas e estoques crescentes na ind\u00fastria e nas revendas, as montadoras instaladas no Brasil reduziram sensivelmente as remessas de lucro para suas matrizes no exterior. At\u00e9 abril, a queda nos envios foi de 70% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2011, para um total de US$ 663 milh\u00f5es nos quatro primeiros meses do ano.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2917\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2917","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-L3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2917\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}