{"id":29178,"date":"2022-08-26T09:02:35","date_gmt":"2022-08-26T12:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29178"},"modified":"2022-08-26T09:02:35","modified_gmt":"2022-08-26T12:02:35","slug":"a-luta-das-mulheres-negras-contra-a-fome-e-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29178","title":{"rendered":"A luta das mulheres negras contra a fome e a pobreza"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/IMG_20220824_151924_098.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Um Brasil de Carolinas<\/p>\n<p>Por Maria Carol \u2013 mestranda em Geografia na UFRRJ, militante do PCB e dirigente da UJC<\/p>\n<p>Publicado originalmente em Instuto Brasileiro de Direito Urban\u00edstico<br \/>\nSe fosse poss\u00edvel desenhar o rosto do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que seria o de uma mulher preta, da resist\u00eancia de uma maternidade coletiva das m\u00e3es que criaram os filhos das outras, que choram nas periferias seu luto e guerreiam com a pobreza e a fome. Em meio a tantas que merecem todos os reconhecimentos poss\u00edveis, a figura de Carolina Maria de Jesus, r\u00edgida da resist\u00eancia di\u00e1ria mas tamb\u00e9m do afeto que a humaniza enquanto mulher, ser\u00e1 o foco deste texto.<\/p>\n<p>Enquanto escreveu os desafios di\u00e1rios que atravessaram sua trajet\u00f3ria e n\u00e3o ca\u00edram no esquecimento, reafirmou n\u00e3o somente a necessidade da visibilidade que recebeu, mas reconheceu que cotidianamente existem e resistem in\u00fameras Carolinas no presente tomado pela pobreza urbana.<\/p>\n<p>Nascer negro em nosso pa\u00eds significa estar destinado a condi\u00e7\u00f5es de pobreza, viol\u00eancia e um longo hist\u00f3rico de direitos negados \u2013 muitas vezes at\u00e9 mesmo o de existir, que deveria ser inegoci\u00e1vel. Ser mulher e preta \u00e9 aprofundar ainda mais esse conjunto de opress\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados sistematizados em pesquisa no ano de 2018\u00b9 apontam que as pessoas brancas s\u00e3o maioria nos empregos que requerem maior preparo, como m\u00e9dicos ou engenheiros, enquanto os pretos ocupam a maioria das vagas que exigem menor n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o, como operador de telemarketing, vigilante e cortador de cana-de-a\u00e7\u00facar. A situa\u00e7\u00e3o se aprofunda quando os cargos de ger\u00eancia e chefia s\u00e3o analisados, onde menos de 5% \u00e9 ocupado pela popula\u00e7\u00e3o preta, segundo o levantamento feito em 2020 em canais de oferta de vagas de emprego\u00b2.<\/p>\n<p>Dados como os apresentados acima demonstram o quanto ainda vigora uma divis\u00e3o racial do trabalho e oportunidades de acesso aos estudos e \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o profissional. Evidentemente, resta para a popula\u00e7\u00e3o negra as piores condi\u00e7\u00f5es. Esses e tantos outros dados levantados indicam a submiss\u00e3o da estrutura social aos pilares constru\u00eddos a partir da escravid\u00e3o e do exterm\u00ednio. O racismo legitima a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho de negras e negros dentro do sistema capitalista, assim como o preconceito e a segrega\u00e7\u00e3o materializados na din\u00e2mica social asseguram o conjunto da justificativa moral para essa tamanha explora\u00e7\u00e3o, se fazendo valer de argumentos pautados pela l\u00f3gica meritocr\u00e1tica e individualista atual.<\/p>\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o de profunda marginalidade social que foi imposta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra n\u00e3o ficou restrita ao campo econ\u00f4mico: ela levou ao processo de condena\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia. Isso se d\u00e1 atrav\u00e9s da criminaliza\u00e7\u00e3o e demoniza\u00e7\u00e3o da cultura, da hist\u00f3ria, das figuras e distorce a pr\u00f3pria autocompreens\u00e3o do que \u00e9 ser preto, al\u00e9m de construir um senso comum que contamina toda a sociedade, inclusive as pr\u00f3prias v\u00edtimas desse sistema.<\/p>\n<p>Justamente por entender a din\u00e2mica do racismo enquanto parte de toda a estrutura social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica que atua em nossa forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se pode olhar para as desigualdades de g\u00eanero de forma homog\u00eanea, como ressalta L\u00e9lia Gonzalez ao afirmar que \u201ctratar, por exemplo, da divis\u00e3o sexual do trabalho sem articul\u00e1-la com seu correspondente em n\u00edvel racial \u00e9 recair numa esp\u00e9cie de racionalismo universal abstrato, t\u00edpico de um discurso masculinizado e branco\u201d (GONZALEZ, 2011 p. 20).<\/p>\n<p>Os dados, passados e recentes, escancaram as diferentes condi\u00e7\u00f5es de vida ditadas pelo ritmo das opress\u00f5es, e apesar das t\u00edmidas transforma\u00e7\u00f5es e poss\u00edveis avan\u00e7os, o lugar da mulher preta ainda \u00e9 na base da pir\u00e2mide social e com raras possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Carolina Maria de Jesus, a neta de escravizados e filha de lavadeira e oper\u00e1rio, nascida na cidade de Sacramento (MG) em 14 de mar\u00e7o de 1924, tem sua origem muito pr\u00f3xima aos bisav\u00f3s e av\u00f3s das gera\u00e7\u00f5es mais recentes. Sua obra \u00e9 resultado direto de sua realidade, \u00e9 uma den\u00fancia implac\u00e1vel \u00e0 grande m\u00e1quina de moer sonhos e gente.<\/p>\n<p>Com uma descend\u00eancia direta de negros escravizados, \u00e9 como se seu pr\u00f3prio nascimento ocorresse em condi\u00e7\u00e3o j\u00e1 marginalizada, um destino previs\u00edvel, n\u00e3o por alguma teoria de predestina\u00e7\u00e3o, mas por ter sido guiado pelas m\u00e3os invis\u00edveis do mercado, que negocia a vida de milhares de brasileiros, sobretudo os racializados.<\/p>\n<p>Em Quarto de Despejo (1960)\u00b3, destacado como sua maior obra, enquanto escreve num di\u00e1rio a autora grita ao mundo a sua vida enquanto mulher negra e favelada, \u00fanica respons\u00e1vel pelo sustento e cria\u00e7\u00e3o de seus filhos, realidade muito comum de diversas brasileiras. Segundo os dados do IPEA e do IBGE, 45% dos lares no Brasil s\u00e3o chefiados por mulheres, sendo mais da metade deles por mulheres negras que est\u00e3o vivendo em condi\u00e7\u00e3o de pobreza profunda(4).<\/p>\n<p>A fuga dos interiores e o movimento de migra\u00e7\u00e3o para as grandes cidades e capitais foram e seguem sendo t\u00e1ticas de muitas fam\u00edlias, mas na maioria das vezes podem n\u00e3o acarretar na t\u00e3o almejada melhoria significativa das condi\u00e7\u00f5es de vida. Como bem relembra Carolina de Jesus, seja no ambiente rural ou nos grandes centros, somos escravos do custo de vida.<\/p>\n<p>ESCRAVIZADAS PELO CUSTO DE VIDA<\/p>\n<p>\u201cAnivers\u00e1rio de minha filha Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela. Mas o custo dos g\u00eaneros aliment\u00edcios nos impede a realiza\u00e7\u00e3o dos nossos desejos. Atualmente somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela cal\u00e7ar.\u201d (JESUS, 2014, p. 93).<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil admitir que n\u00e3o superamos a pobreza e que certamente n\u00e3o se pode combat\u00ea-la isoladamente, sendo a mis\u00e9ria e a fome parte do sistema e o que o alimenta. E, atualmente, o clima \u00e9 de retrocessos. A conta da crise mais uma vez est\u00e1 sendo compartilhada entre os mais pobres, que n\u00e3o usufruem sequer das migalhas dos altos rendimentos daqueles que n\u00e3o s\u00e3o afetados. Ao escancarar as contradi\u00e7\u00f5es, pode-se notar que, apesar das d\u00e9cadas que nos separam, os relatos de Carolina de Jesus s\u00e3o vivenciados por muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201c\u2026Ontem eu ganhei metade de uma cabe\u00e7a de porco no Frigor\u00edfico. Comemos a carne e guardei os ossos. E hoje puis os ossos para ferver. E com o caldo fiz as batatas. Os meus filhos est\u00e3o sempre com fome. Quando eles passam muita fome eles n\u00e3o s\u00e3o exigentes no paladar.\u201d (JESUS, 2014, p. 30).<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do lucro acima de tudo e de todos legitima que um pa\u00eds como o Brasil, o famoso \u201cceleiro do mundo\u201d, tenha 33,1 milh\u00f5es de brasileiros passando fome(5) e prefira ver sua popula\u00e7\u00e3o comendo ossos e peles em prol dos lucros de meia d\u00fazia de burgueses.<\/p>\n<p>\u201c7 de janeiro \u2026 Hoje eu fiz arroz e feij\u00e3o e fritei ovos. Que alegria! Ao escrever isto v\u00e3o pensar que no Brasil n\u00e3o h\u00e1 o que comer. N\u00f3s temos. S\u00f3 que os pre\u00e7os nos impossibilita de adquirir. Temos bacalhau nas vendas que ficam anos e anos a espera de compradores. As moscas sujam o bacalhau. Ent\u00e3o o bacalhau apodrece e os atacadistas jogam no lixo, e jogam creolina para o pobre n\u00e3o catar e comer.\u201d (JESUS, 2014, p. 151).<\/p>\n<p>\u201cA lentilha est\u00e1 a 100 cruzeiros o quilo. Um fato que alegrou-me imensamente. Eu dancei, cantei e pulei. E agradeci o rei dos juizes que \u00e9 Deus. Foi em janeiro quando as aguas invadiu os armazens e estragou os alimentos. Bem feito. Em vez de vender barato, guarda esperando alta de pre\u00e7os: Vi os homens jogar sacos de arroz dentro do rio. Bacalhau, queijo, doces. Fiquei com inveja dos peixes que n\u00e3o trabalham e passam bem.\u201d (JESUS, 2014, p.60).<\/p>\n<p>Os relatos apresentados nos trechos acima n\u00e3o s\u00e3o uma novidade, mas sim uma realidade repetida em diferentes escalas, \u00e9pocas e lugares. \u00c9 uma constante de perversidades.<\/p>\n<p>O aumento do custo de vida \u00e9 um dos primeiros aspectos sentidos, a alta no pre\u00e7o dos alimentos, dos alugu\u00e9is, do transporte e das formas de suprir as necessidades mais b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia que passam a ser encaradas como privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>\u201cSai pensando na minha vida infausta. J\u00e1 faz duas semanas que eu n\u00e3o lavo roupa por falta de sab\u00e3o. As camas est\u00e3o sujas que at\u00e9 d\u00e1 nojo. N\u00e3o fiquei revoltada com a observa\u00e7\u00e3o do homem desconhecido referindo-se a minha sujeira. Creio que devo andar com um cart\u00e1s nas costas: Se estou suja \u00e9 porque n\u00e3o tenho sab\u00e3o.\u201d (JESUS, 2014, p.44)<\/p>\n<p>Segundo o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (DIEESE), em mar\u00e7o de 2022 o sal\u00e1rio considerado o m\u00ednimo necess\u00e1rio para manter uma fam\u00edlia de quatro pessoas deveria ser de R$6.394,76, ou seja 5,28 vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente, no valor de R$1.212,00.<\/p>\n<p>A \u00faltima s\u00edntese dos indicadores sociais apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estat\u00edstica, em 2018, apresenta que 63% dos lares chefiados por mulheres negras no Brasil se mant\u00eam abaixo da linha da pobreza, ou seja, vivem com renda mensal de aproximadamente R$420. Os dados pioram se comparadas as fam\u00edlias chefiadas por mulheres que vivem com US$1,90 per capita por dia(6). As fam\u00edlias chefiadas por mulheres negras representam 23,7%, enquanto as por mulheres brancas s\u00e3o 13,9%. Embora ambos os dados sejam absurdamente atrozes, eles revelam o contraste racial e a hist\u00f3rica perpetua\u00e7\u00e3o das mulheres negras enquanto o grupo social mais prejudicado no Brasil.<\/p>\n<p>A S\u00edntese dos Indicadores Sociais tamb\u00e9m avan\u00e7a nas an\u00e1lises e apresenta uma grande restri\u00e7\u00e3o de direitos considerados b\u00e1sicos. Os indicadores mostram que 41,8% dos domic\u00edlios chefiados por mulheres negras n\u00e3o possuem acesso a rede e tratamento de esgoto, \u00e1gua encanada e servi\u00e7o de coleta de lixo.<\/p>\n<p>A quantidade de fam\u00edlias ou lares no Brasil que s\u00e3o sustentados e chefiados por mulheres \u00e9 crescente. Ao final da d\u00e9cada de 1990, a marca era de 23%, enquanto, em pesquisas mais recentes do IPEA, o n\u00famero chega a atingir os 40% em 2015. O fato de um lar ser liderado por mulheres n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de aus\u00eancia da presen\u00e7a masculina: em 34% desses lares existe a presen\u00e7a do c\u00f4njuge.<\/p>\n<p>O aumento veloz do valor da cesta b\u00e1sica \u00e9 outro agravante: mais uma vez, os dados do DIEESE divulgados em abril de 2022 mostram que houve aumento em todas as capitais. Isso agravou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o daqueles que j\u00e1 encontravam enormes dificuldades para garantir o seu sustento e agora se aprofundam em casos de inseguran\u00e7a alimentar e de fome.<\/p>\n<p>\u201cHoje amanheceu chovendo. E um dia simp\u00e1tico para mim. E o dia da Aboli\u00e7\u00e3o. Dia que comemoramos a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos [\u2026] Continua chovendo. E eu tenho s\u00f3 feij\u00e3o e sal. A chuva est\u00e1 forte. Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo at\u00e9 passar a chuva, para eu ir l\u00e1 no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e lingui\u00e7a. A chuva passou um pouco. Vou sair.[\u2026] Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual \u2014 a fome!\u201c (JESUS, 2014, p.30)<\/p>\n<p>N\u00e3o ter a certeza do que ser\u00e1 comido no dia de amanh\u00e3 n\u00e3o pode ser tratado apenas como um dado, um contraste social ou uma quest\u00e3o de sa\u00fade. Josu\u00e9 de Castro h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas nos alertava sobre os efeitos mais profundos da fome.<\/p>\n<p>\u201cConsumindo sua carne, corroendo seus \u00f3rg\u00e3os e abrindo feridas em sua pele, mas tamb\u00e9m age sobre seu esp\u00edrito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta moral. Nenhuma calamidade pode desagregar a personalidade humana t\u00e3o profundamente e num sentido t\u00e3o nocivo quanto a fome.\u201d (CASTRO, 1967).<\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias viol\u00eancias aqui citadas, a fome recebe maior destaque pois ela impossibilita nossa exist\u00eancia. O fato de fam\u00edlias pretas e pobres terem que decidir entre morar ou comer \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o de que todos os nossos direitos foram arrancados. Num falso gesto de escolha o comer vence, mas n\u00f3s perdemos!<\/p>\n<p>A VIOL\u00caNCIA DO RACISMO \u00c9 ESTRUTURAL<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das insistentes afirma\u00e7\u00f5es daqueles que defendem o mito da democracia racial no Brasil, cunhado por Gilberto Freyre, a domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a explora\u00e7\u00e3o do povo negro n\u00e3o acabaram com o fim legal da escravid\u00e3o. Atualmente, sequer vivemos em plena democracia, quem dir\u00e1 nos marcos raciais. Em todo o pa\u00eds \u00e9 poss\u00edvel observar os enormes contrastes de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero que ditam aquelas e aqueles que podem acessar o direito a moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, lazer e emprego digno.<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o determinou a altera\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de negras e negros, outrora escravizados, para trabalhadores assalariados e com possibilidade de serem tratados como consumidores, aspecto primordial para l\u00f3gica capitalista. No entanto, \u00e9 fundamental apontar que essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deu acompanhada de qualquer medida que pudesse garantir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. Supostamente \u201clibertos\u201d do regime escravocrata e deixados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, sem direito \u00e0 terra ou propriedade, oportunidade de emprego ou renda, os negros brasileiros passaram a compor aquilo que Cl\u00f3vis Moura caracterizou como franja marginal(7).<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel compreender a situa\u00e7\u00e3o na profundeza que ela exige se o ponto de partida for a perspectiva do racismo enquanto uma ideologia de domina\u00e7\u00e3o pautada na desumaniza\u00e7\u00e3o e respons\u00e1vel pela imposi\u00e7\u00e3o de um conjunto de pr\u00e1ticas que buscam assegurar a m\u00e1xima legitimidade social para garantir a explora\u00e7\u00f5es do branco sobre o negro, assim como os demais povos compreendidos como n\u00e3o-brancos.<\/p>\n<p>\u201cEra, por isso mesmo, uma ci\u00eancia euroc\u00eantrica. Com a instala\u00e7\u00e3o e o dinamismo do sistema colonial e seu desdobramento imperialista, ela se estende ao resto do mundo e a\u00ed procura ter uma vis\u00e3o mais abrangente e sistem\u00e1tica, unindo todas as diferen\u00e7as \u00e9tnicas europeias em um bloco compacto \u2013 o branco \u2013, que passa a se contrapor ao restante das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o civilizadas, dependentes e racialmente diversas das matrizes daquele continente. N\u00e3o se cogita mais nas diferen\u00e7as entre o n\u00f3rdico, o alpino, o mediterr\u00e2neo, que passam a ser, de modo gen\u00e9rico, componentes da ra\u00e7a branca. E essa ra\u00e7a tinha por quest\u00f5es de superioridade biol\u00f3gica o direito de tutelar os demais povos.\u201d (MOURA, 1994, p. 4).<\/p>\n<p>A l\u00f3gica capitalista se apropria do legado colonial e escravista, utilizando-os como ferramenta imprescind\u00edvel para sustentar e potencializar sua natureza explorat\u00f3ria. Isso resulta que, no interior do sistema capitalista, o Estado assume um papel contradit\u00f3rio. Ele \u201cestabiliza a sociedade mantendo o processo de individualiza\u00e7\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o de classe que caracterizam o capitalismo, mas que, ao mesmo tempo, atua para impedir que os antagonismos e os conflitos destruam a vida social\u201d. (ALMEIDA, 2015, p.752).<\/p>\n<p>E, assim, o pr\u00f3prio Estado cumpre o papel, n\u00e3o s\u00f3 de estabilizar a sociedade, mas tamb\u00e9m garantir que parte dela possa ser controlada, ainda que de modo fantasioso, para fugir do questionamento de suas contradi\u00e7\u00f5es e perversidades. O fato mais contradit\u00f3rio est\u00e1 justamente na defesa de rela\u00e7\u00e3o formalmente livre e igualit\u00e1ria entre indiv\u00edduos, enquanto a for\u00e7a de trabalho \u00e9 considerada uma mercadoria de venda imposta.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e a intensidade do controle atrav\u00e9s da for\u00e7a variam de acordo com elementos variados, dentre elas, e com enorme import\u00e2ncia no seio dessa estrutura, est\u00e1 o racismo. Este aspecto refor\u00e7a que os fatores que guiam a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho n\u00e3o podem ser reduzidos somente \u00e0 esfera econ\u00f4mica, como mostram alguns estudos incompletos, pois simplesmente ignoram a import\u00e2ncia da dimens\u00e3o racial e de g\u00eanero da forma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do Brasil.<\/p>\n<p>Ao considerar o racismo enquanto o elemento estrutural e estruturante do sistema capitalista, identifica-se que seu papel \u00e9 ainda mais profundo, pois contribui para o processo de esvaziamento da consci\u00eancia de posi\u00e7\u00e3o de cada um dos indiv\u00edduos no interior do sistema que os regula. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o de controle \u2013 do corpo, da consci\u00eancia e das pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>S\u00e3o justamente a estrutura e os mecanismos desse Estado burgu\u00eas que garantem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a reprodu\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, em que seus diferentes n\u00edveis de explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra dos trabalhadores ser\u00e3o mediados pelas ideologias absorvidas pelo pr\u00f3prio capital (ALVES, 2022, p. 8). Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o racismo e o machismo s\u00e3o respons\u00e1veis pela imposi\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o racial e sexual de todo o trabalho, remunerado ou n\u00e3o, condenando a popula\u00e7\u00e3o negra, sobretudo as mulheres negras, a condi\u00e7\u00f5es de trabalho informal, de risco, com menores remunera\u00e7\u00f5es e, sobretudo, da aus\u00eancia de direitos.<\/p>\n<p>Com toda a capacidade de controle, a l\u00f3gica burguesa e racista de concep\u00e7\u00e3o de Estado prescreve o espa\u00e7o daqueles que podem ou n\u00e3o ser lidos como descart\u00e1veis. \u00c9 uma materializa\u00e7\u00e3o do projeto conduzido pelas classes dominantes, em que aqueles que n\u00e3o s\u00e3o considerados aptos para sequer a venda da sua for\u00e7a de trabalho podem ser literalmente descartados de toda a estrutura social, inclusive das condi\u00e7\u00f5es mais elementares para a sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cComo vemos se, de um lado, os negros egressos das senzalas n\u00e3o eram incorporados a esse proletariado nascente por automatismo, mas iriam compor a sua franja marginal, de outro, do ponto de vista ideol\u00f3gico, surgiam, j\u00e1 como componentes do comportamento da pr\u00f3pria classe oper\u00e1ria, os elementos ideol\u00f3gicos de barragem social apoiados no preconceito de cor. E esse racismo larvar passou a exercer um papel selecionador dentro do pr\u00f3prio proletariado. O negro e outras camadas n\u00e3o-brancas n\u00e3o foram, assim, incorporados a esse proletariado incipiente, mas foram compor a grande franja de marginalizados exigida pelo modelo do capitalismo dependente que substituiu o escravismo.\u201d (MOURA, 1988, p. 65).<\/p>\n<p>O racismo \u00e9 pe\u00e7a fundamental na decis\u00e3o de quais parcelas da sociedade estar\u00e3o condenadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria ou fome, dos que vivem ou morrem. Por todos esses motivos aqui brevemente retomados, n\u00e3o se pode ignorar a den\u00fancia contra o sistema que caminha junto da longa trajet\u00f3ria de luta dos negros, em especial das mulheres negras que chefiam suas fam\u00edlias, na luta por condi\u00e7\u00f5es mais humanas, pela supera\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de pobreza e liberta\u00e7\u00e3o do seu povo.<\/p>\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n<p>Carolina de Jesus, sobretudo em sua obra Quarto de Despejo, ao trazer momentos da sua vida, deu voz para aquelas que a antecederam e sucederam. A moeda mudou e a cidade tamb\u00e9m, mas a luta das mulheres negras contra a pobreza, a fome e as injusti\u00e7as materializada cotidianamente ainda \u00e9 viva e muito necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>S\u00e3o vidas que j\u00e1 nascem marcadas pelo trauma do racismo estrutural. A fome, a falta de moradia segura e a favela como espa\u00e7o da viol\u00eancia s\u00e3o aspectos que levam a morte a ser consequ\u00eancia repetidas vezes. A dor f\u00edsica causada pela falta do alimento e da enfermidade \u00e9 somada \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o mental gerada pela preocupa\u00e7\u00e3o de como construir sa\u00eddas imediatas.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias narradas por Carolina poderiam ser facilmente confundidas com um relato atual, em pleno 2022. O Brasil mudou bastante da d\u00e9cada de 1950 at\u00e9 hoje, mas ainda sustenta similaridades cru\u00e9is: o retorno ao mapa da fome, a inseguran\u00e7a alimentar, a alta do desemprego e a infla\u00e7\u00e3o e tantos outros males com que lidamos dia ap\u00f3s dia. Tudo isso atinge de forma mais dura as mulheres negras e seus lares.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental denunciar a gigantesca quantidade de direitos negados, da impossibilidade de mobilidade social, da exist\u00eancia digna em um meio onde insistem em defender a meritocracia individualista como r\u00e9gua das experi\u00eancias de vida.<\/p>\n<p>A luta das mulheres negras contra a condi\u00e7\u00e3o de pobreza e o estigma que as acompanha \u00e9 constante e n\u00e3o deve ser individualizada, mas sim encarada como um projeto coletivo e necessariamente alinhado com a luta pela supera\u00e7\u00e3o desse sistema e todas as suas estruturas. Mais do que nunca, \u00e9 preciso sobreviver, ou melhor, viver! \u00c9 urgente fazer como disse \u00c2ngela Davis e mudar radicalmente aquilo que n\u00e3o podemos mais aceitar!<\/p>\n<p>(1) https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/brancos-sao-maioria-em-empregos-de-elite-e-negros-ocupam-vagas-sem-qualificacao.ghtml<\/p>\n<p>(2) https:\/\/g1.globo.com\/economia\/concursos-e-emprego\/noticia\/2020\/09\/24\/menos-de-5percent-dos-trabalhadores-negros-tem-cargos-de-gerencia-ou-diretoria-aponta-pesquisa.ghtml<\/p>\n<p>(3) Como refer\u00eancia para este texto, foi utilizado a 10\u00aa edi\u00e7\u00e3o da obra Quarto de Despejo, publicada em 2014.<\/p>\n<p>(4) https:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/genero-e-inclusao\/mulheres-invisiveis-que-resistem<\/p>\n<p>(5) https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/06\/13\/central-do-brasil-mais-de-33-milhoes-de-brasileiros-estao-passando-fome<\/p>\n<p>(6) https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/no-brasil-63-das-casas-chefiadas-por-mulheres-negras-estao-abaixo-da-linha-da-pobreza\/<\/p>\n<p>(7) Categoria cunhada por Moura para definir uma larga camada social sem fun\u00e7\u00e3o definida no capital e que transita entre as superpopula\u00e7\u00f5es relativas estagnadas e o completo pauperismo. Essa superpopula\u00e7\u00e3o superava amplamente o contingente necess\u00e1rio para um ex\u00e9rcito industrial de reserva em um capitalismo atrofiado pela depend\u00eancia. Sobretudo, uma gigantesca massa de desvalidos que tinha em si uma capacidade sem precedentes de baixar os sal\u00e1rios dos trabalhadores assalariados brancos, processo fundamental para restitui\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia interna do valor perdido no mercado mundial. [VASQUES, 2020, n.p.].<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>ALVES, Daniel Tadeu. A Rela\u00e7\u00e3o Estrutural Entre Capitalismo E Racismo: O Genoc\u00eddio Da Popula\u00e7\u00e3o Negra Enquanto Projeto Societ\u00e1rio. v. 16 n. 1 (2018): Anais do XVI Encontro Nacional de Pesquisadores em Servi\u00e7o Social dispon\u00edvel em https:\/\/periodicos.ufes.br\/abepss\/article\/view\/22787. Acesso em 18 de abril de 2022.<\/p>\n<p>CASTRO, Josu\u00e9 de. Fome Como For\u00e7a Social: Fome E Paz. Revista Pourquoi, n\u00famero especial, mar\u00e7o de 1967, Paris.<\/p>\n<p>FARIAS, Tom. Carolina: Uma biografia. Rio de Janeiro: Mal\u00ea. 2019<\/p>\n<p>GOMES, Helton Sim\u00f5es. Brancos s\u00e3o maioria em empregos de elite e negros ocupam vagas sem qualifica\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/brancos-sao-maioria-em-empregos-de-elite-e-negros-ocupam-vagas-sem-qualificacao.ghtml&gt; Acesso em 08 de abril de 2022<\/p>\n<p>GONZALES, L\u00e9lia. Por um feminismo afro-latino-americano. Caderno de Forma\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do C\u00edrculo Palmarino, 2011.<\/p>\n<p>IPEA. Estudo mostra desigualdades de g\u00eanero e ra\u00e7a no Brasil em 20 anos. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_acymailing&amp;ctrl=archive&amp;task=view&amp;listid=10-&gt; Acesso em 08 de abril de 2022<\/p>\n<p>MAIA, Katy. Et al. O papel das mulheres pobres brasileiras na estrutura familiar monoparental feminina: uma an\u00e1lise do ano 2012. Revista Econ\u00f4mica \u2013 Niter\u00f3i, v.17, n.2, p. 97-122, dezembro 2015<\/p>\n<p>MOURA, Cl\u00f3vis. Escravismo, colonialismo, imperialismo e racismo. Afro-\u00c1sia, n. 14, p. 124-137, 1983.<\/p>\n<p>Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino. Mulheres chefes de fam\u00edlia e a vulnerabilidade \u00e0 pobreza. 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/contee.org.br\/mulheres-chefes-de-familia-e-a-vulnerabilidade-a-pobreza\/. Acesso em 10 de abril de 2022.<\/p>\n<p>No Brasil, 63% das casas chefiadas por mulheres negras est\u00e3o abaixo da linha da pobreza. Carta Capital, 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/no-brasil-63-das-casas-chefiadas-por-mulheres-negras-estao-abaixo-da-linha-da-pobreza\/ Acesso em 08 de abril de 2022<\/p>\n<p>VASQUES, T\u00e1lison. O genoc\u00eddio como atividade essencial do Estado: Notas sobre a seguran\u00e7a p\u00fablica do Rio de Janeiro e o lugar social do negro no capitalismo dependente. Boitempo, 2020. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2020\/06\/15\/o-genocidio-como-atividade-essencial-do-estado\/ &gt; Acesso em 22 de abril de 2022.<\/p>\n<p>JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: di\u00e1rio de uma favelada. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2014<\/p>\n<p>JESUS, Carolina Maria de. Casa de Alvenaria, pref\u00e1cio de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e Vera Eunice de Jesus. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2021, vol. 1, Osasco.<\/p>\n<p>JESUS, Carolina Maria de. Casa de Alvenaria, pref\u00e1cio de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e Vera Eunice de Jesus. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2021, vol. 2, Santana.<\/p>\n<p>\u2014<\/p>\n<p>Maria Carolina de Oliveira dos Santos \u00e9 professora de Geografia, mestranda em Geografia pelo Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PGGEO-UFRRJ) e ex-diretora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE).<\/p>\n<p>Posted in Sem categoria<br \/>\nPost navigation<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lnF0ZrFpQp\"><p><a href=\"https:\/\/anamontenegro.org\/cfcam\/2022\/08\/24\/um-brasil-de-carolinas-a-luta-das-mulheres-negras-contra-a-fome-e-a-pobreza\/\">Um Brasil de Carolinas: A luta das mulheres negras contra a fome e a pobreza<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Um Brasil de Carolinas: A luta das mulheres negras contra a fome e a pobreza&#8221; &#8212; Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro\" src=\"https:\/\/anamontenegro.org\/cfcam\/2022\/08\/24\/um-brasil-de-carolinas-a-luta-das-mulheres-negras-contra-a-fome-e-a-pobreza\/embed\/#?secret=lnF0ZrFpQp\" data-secret=\"lnF0ZrFpQp\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29178\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"Um Brasil de Carolinas.","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[228],"class_list":["post-29178","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7AC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29178"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29178\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}