{"id":29182,"date":"2022-08-27T13:01:22","date_gmt":"2022-08-27T16:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29182"},"modified":"2022-08-27T13:01:22","modified_gmt":"2022-08-27T16:01:22","slug":"socializacao-do-trabalho-domestico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29182","title":{"rendered":"SOCIALIZA\u00c7\u00c3O DO TRABALHO DOM\u00c9STICO"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/AL9nZEVwYunftF9kz0JMNrLtVJogpd_s4LX_9xzCEafL7H_vtgyN0im_jLJSo6xKIOWoxyasdnsqU_mZOcdY3q2M2wIMXPQ7Kl_Nvhb1YeS4QTNejEzMq0HaPCkHjdfwZVInDE3Qxc5Jz0ER8N7cLvk-VRLw=s668-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->UMA POL\u00cdTICA DE COMBATE AO DESEMPREGO<\/p>\n<p>Por Nath\u00e1lia Mozer \u2013 dirigente estadual do PCB no Rio de Janeiro e candidata a deputada estadual.<\/p>\n<p>O trabalho que acontece no ambiente dom\u00e9stico ainda hoje \u00e9 qualificado como fun\u00e7\u00e3o feminina. Alguns s\u00e9culos atr\u00e1s essa atividade n\u00e3o era nem considerada trabalho, e isso porque este \u00e9 um trabalho invis\u00edvel e, de certa forma, s\u00f3 se nota a import\u00e2ncia quando n\u00e3o \u00e9 feito \u2013 casa, lou\u00e7a e roupa suja, comida que n\u00e3o foi feita, etc\u2026 Dentro da sociedade capitalista acaba sendo um trabalho alienante e improdutivo, uma vez que n\u00e3o agrega valor a nenhum produto. Historicamente \u00e9 um trabalho visto como naturalmente feminino, como se mulheres tivessem nascido pra ocupar essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir da maior inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, as mulheres passam a ocupar espa\u00e7os que antes eram majoritariamente \u201cmasculinos\u201d, tiveram que come\u00e7ar a conciliar trabalho formal com o dom\u00e9stico e cuidado com a fam\u00edlia. A rela\u00e7\u00e3o que limita a mulher ao ambiente privado passa a ser questionada pelas feministas e tamb\u00e9m, a partir do momento que as mulheres passam a compor a parte mais explorada da classe trabalhadora, elas come\u00e7am a se identificar com as pautas de lutas oper\u00e1rias. Nesse sentido passa a ficar mais evidente o car\u00e1ter de v\u00e1rias faces da explora\u00e7\u00e3o da mulher na sua dupla jornada de trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 importante pontuar que a explora\u00e7\u00e3o da mulher atrav\u00e9s do trabalho dom\u00e9stico \u00e9 uma esp\u00e9cie de caricatura da explora\u00e7\u00e3o do trabalhador pelo burgu\u00eas. Dentro de uma sociedade capitalista esse trabalho dom\u00e9stico \u00e9 fundamental para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Por um lado, a mulher tem menos tempo livre e seu lugar no mercado de trabalho rebaixado; por outro, o homem tem mais tempo pra ser explorado, e o patr\u00e3o se isenta de arcar com os custos integrais da reprodu\u00e7\u00e3o dessa for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Marx e Engels se debru\u00e7aram pouco sobre essa quest\u00e3o, por\u00e9m te\u00f3ricos sovi\u00e9ticos foram muito importantes na formula\u00e7\u00e3o \u2013 e na pr\u00e1tica &#8211; de solu\u00e7\u00f5es para tais problemas. Durante o s\u00e9culo XX, na URSS, os bolcheviques buscaram transferir o trabalho dom\u00e9stico, at\u00e9 ent\u00e3o visto como uma quest\u00e3o da vida privada, para a esfera p\u00fablica, colocando o Estado como principal respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas. Naquele contexto, o trabalho dom\u00e9stico passa a ser considerado necess\u00e1rio socialmente e equipar\u00e1vel ao trabalho produtivo. Pela primeira vez na hist\u00f3ria a possibilidade concreta de emancipa\u00e7\u00e3o da mulher ganha materialidade e traz \u00e0 luz a possibilidade de aliar luta revolucion\u00e1ria com as demandas das trabalhadoras \u2013 ainda que com defeitos.<\/p>\n<p>A mulher trabalhadora sofre diariamente diversos tipos de opress\u00e3o na sociedade capitalista e patriarcal. Nesse contexto se torna necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o da socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico e o car\u00e1ter que essa pauta hist\u00f3rica adquire nesse momento da conjuntura no Brasil.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos vivemos uma esp\u00e9cie de ascenso do movimento feminista no Brasil. N\u00e3o d\u00e1 pra falar de organiza\u00e7\u00e3o contra o governo Bolsonaro, sem citar a import\u00e2ncia do movimento feminista na articula\u00e7\u00e3o dessa resist\u00eancia. Lembremos as diversas manifesta\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds convocadas por diversos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es feministas -\u201cEle n\u00e3o\u201d &#8211; antes do tr\u00e1gico resultado eleitoral de 2018. Organizar as trabalhadoras, bem como travar a batalha pela melhora em sua condi\u00e7\u00e3o de vida se faz cada vez mais urgente e necess\u00e1rio, ainda nos marcos do capitalismo.<\/p>\n<p>O aprofundamento da crise econ\u00f4mica no Brasil e no mundo, somado \u00e0 pol\u00edtica da fome, de desemprego e de morte, torna a vida dos trabalhadores cada vez pior. O desemprego bate recordes no pa\u00eds, e os trabalhadores s\u00e3o obrigados a buscar trabalhos informais, sem direitos e com sal\u00e1rios baix\u00edssimos, como meio de sobreviv\u00eancia. E aqui especialmente as mulheres negras.<\/p>\n<p>Nessa conjuntura adversa, o processo de socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico adquire um car\u00e1ter n\u00e3o somente de melhora nas condi\u00e7\u00f5es de vida da mulher, mas tamb\u00e9m um car\u00e1ter econ\u00f4mico enquanto pol\u00edtica concreta de combate ao desemprego. Nesse momento urge a necessidade de um projeto que inclua n\u00e3o s\u00f3 o avan\u00e7o da melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida das trabalhadoras, mas tamb\u00e9m e sobretudo a cria\u00e7\u00e3o de postos formais de trabalho.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de estrutura para acolhimento e cuidado das crian\u00e7as, restaurantes e lavanderias coletivas \u2013 a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico &#8211; possuiu um efeito tanto econ\u00f4mico quanto pol\u00edtico. E n\u00e3o s\u00f3 no aspecto de melhora das condi\u00e7\u00f5es das trabalhadoras, mas tamb\u00e9m no sentido de avan\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o dessas mulheres, algo central para n\u00f3s enquanto comunistas.<\/p>\n<p>Infelizmente ainda \u00e9 bastante comum nas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, coletivos e sindicatos, por exemplo, que mulheres tenham que se afastar da milit\u00e2ncia pol\u00edtica devido \u00e0 dificuldade de conciliar trabalho formal, dom\u00e9stico e os mais diversos cuidados com o n\u00facleo familiar. Ou ainda mulheres que n\u00e3o se veem representadas nas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Apesar de alguns poucos avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, ainda h\u00e1 muito trabalho pol\u00edtico a ser feito.<\/p>\n<p>Alexandra Kollontai diz, em um de seus escritos, que \u201ctodo o direito que as mulheres ganham traz-lhe mais perto do objetivo conjunto de emancipa\u00e7\u00e3o total\u201d*. \u00c9 \u00f3bvio e evidente que a sociedade capitalista inviabiliza a emancipa\u00e7\u00e3o completa da trabalhadora, uma vez que necessita do patriarcado como forma de controle ideol\u00f3gico. Por\u00e9m, \u00e9 importante que n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, apontemos que existem formas de melhoria dessas condi\u00e7\u00f5es, ainda nos marcos do capitalismo.<\/p>\n<p>A ren\u00fancia ao trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o basta. Nossa luta \u00e9 pelo fim da explora\u00e7\u00e3o da nossa classe. Para tal, \u00e9 importante a participa\u00e7\u00e3o em peso nos sindicatos, movimentos sociais, de bairro e estudantis, expondo as contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista na vida das mulheres trabalhadoras e pautando a firme independ\u00eancia de classe!<\/p>\n<p>Pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres!<br \/>\nPela socializa\u00e7\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico!<br \/>\nPelo Poder Popular!<\/p>\n<p>*Os Fundamentos Sociais da Quest\u00e3o Feminina[Extratos] &#8211; Alexandra Kollontai, 1907.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29182\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[17],"tags":[233],"class_list":["post-29182","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s21-eleicoes","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7AG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}