{"id":29198,"date":"2022-08-31T21:32:47","date_gmt":"2022-09-01T00:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29198"},"modified":"2022-08-31T21:32:47","modified_gmt":"2022-09-01T00:32:47","slug":"sofia-manzano-entrevista-a-revista-o-sabia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29198","title":{"rendered":"Sofia Manzano: entrevista \u00e0 Revista O Sabi\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-86.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p>UMA ENTREVISTA DE SOFIA AUGUSTO ALBUQUERQUE, EDI\u00c7\u00c3O DE SOFIA SCHURIG<br \/>\nA disputa eleitoral de 2022 pode ser considerada a mais importante da hist\u00f3ria da assim chamada nova rep\u00fablica no Brasil. Se evidenciaram todas as contradi\u00e7\u00f5es do sistema pol\u00edtico brasileiro e todos os fantasmas de problemas hist\u00f3ricos que n\u00e3o se resolveram ap\u00f3s o final da ditadura empresarial-militar.<\/p>\n<p>No cerne deste furac\u00e3o em forma de per\u00edodo hist\u00f3rico se encontram as duas maiores for\u00e7as pol\u00edticas do pa\u00eds. De um lado, o governo autorit\u00e1rio de Jair Messias Bolsonaro tem em vista manter a sua continuidade no poder, tarefa esta que se apresenta como dif\u00edcil dada a m\u00faltiplos fatores, desde ao (des)trato com a pandemia de COVID-19 a piora das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de vida dos brasileiros. Para se manter no poder, a campanha do presidente aposta em duas frentes. A primeira \u00e9 estabelecer alian\u00e7as com os setores mais reacion\u00e1rios e agressivos da burguesia enquanto, do outro lado, visa mobilizar a sua pequena, mas violenta base de apoio contra o pr\u00f3prio processo eleitoral, aparentando buscar articular um golpe caso a sua derrota cada dia mais prov\u00e1vel aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Frente a este movimento, grande parte da esquerda procura se articular na candidatura do ex-presidente Lula, vendo em sua vit\u00f3ria uma chance de encerrar o longo per\u00edodo de derrotas que se d\u00e1 desde o golpe parlamentar contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Entretanto, em prol de uma suposta governabilidade, Lula acena \u00e0 direita, fazendo compromissos com partidos fisiol\u00f3gicos e at\u00e9 colocando como vice um advers\u00e1rio hist\u00f3rico, o ex-governador de S\u00e3o Paulo Geraldo Alckmin. Essa pol\u00edtica de alian\u00e7as e compromissos com a direita coloca em d\u00favida a capacidade de seu poss\u00edvel governo de realmente trazer melhoras significantes para a vida do povo brasileiro e de reverter os retrocessos de direitos trazidos com a reforma trabalhista e previdenci\u00e1ria. Desconfort\u00e1vel com os resultados das pesquisas, a classe m\u00e9dia busca emplacar uma \u201cterceira via\u201d.<\/p>\n<p>Encontra-se tamb\u00e9m no campo da esquerda semelhante desconforto. Aqueles da esquerda radical n\u00e3o v\u00eaem em Lula e sua pol\u00edtica conciliat\u00f3ria uma maneira de avan\u00e7ar as pautas dos trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs e, frente a isso, lan\u00e7aram candidaturas com o intuito de disputar o debate p\u00fablico \u00e0 esquerda. Nesse \u00e2mbito, uma das candidaturas que mais se destaca \u00e9 a de Sofia Manzano, candidata ao Planalto pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro). Sofia \u00e9 professora universit\u00e1ria na \u00e1rea de economia, tendo escrito o livro \u201cEconomia Pol\u00edtica para Trabalhadores\u201d, que visa explicar de maneira did\u00e1tica elementos da economia marxista para trabalhadores.<\/p>\n<p>Entrevistamos Sofia Manzano e discutimos sobre sua legenda, propostas e as perspectivas acerca de sua candidatura.<\/p>\n<p><strong>Come\u00e7ando com uma pergunta mais geral, gostaria de saber um pouco mais acerca da escolha por uma candidatura pr\u00f3pria. Como surge ent\u00e3o a decis\u00e3o do PCB de lan\u00e7ar candidaturas pr\u00f3prias n\u00e3o apenas \u00e0 presid\u00eancia, mas tamb\u00e9m aos governos estaduais?<\/strong><br \/>\nSM | Em primeiro lugar, o PCB, desde que rompeu com o governo Lula em 2005, tem buscado formar uma frente de esquerda que apresente para a popula\u00e7\u00e3o brasileira uma alternativa que tenha como prioridade os interesses da classe trabalhadora. Nos anos em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se formar tal frente, n\u00f3s apresentamos uma candidatura pr\u00f3pria, mas sempre buscamos nos unir com outras for\u00e7as pol\u00edticas em um campo de esquerda transformadora, revolucion\u00e1ria e socialista.<\/p>\n<p>Analisamos a conjuntura brasileira este ano e vimos que um amplo setor \u2014 tanto da centro-esquerda, como da esquerda \u2014 estava se movimentando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 chapa petista. Logo, lan\u00e7amos a nossa pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e conversamos com outras for\u00e7as da esquerda revolucion\u00e1ria para observar quais os sentidos que dar\u00edamos \u00e0s diversas candidaturas do nosso campo. Acabou que a pr\u00f3pria conjuntura mostrou a import\u00e2ncia do momento, n\u00e3o s\u00f3 em termos uma candidatura, mas tamb\u00e9m outras no \u00e2mbito da esquerda revolucion\u00e1ria que fale e lute pelos interesses da classe trabalhadora. Isso \u00e9 algo que a chapa formada pelo ex-presidente Lula aparenta ter grandes dificuldades em fazer, uma vez que sinaliza compromissos com a direita, o liberalismo e com a continuidade do projeto de ultra-explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>A partir disso, os compromissos referidos s\u00e3o usualmente ignorados em prol de uma tentativa de governabilidade \u2014 fala-se que acenar \u00e0 direita e ao centr\u00e3o seria a melhor maneira de passar projetos institucionalmente. Sendo assim, como a sua candidatura se prop\u00f5e a atingir estas conquistas sem estes acenos parlamentares e institucionais?<\/strong><br \/>\nSM | Essa justificativa \u00e9 um engano. Acreditar que uma candidatura que se prop\u00f5e a defender os interesses da classe trabalhadora, mas faz um conjunto de alian\u00e7as profundas com quem a explora, demonstra a pr\u00f3pria n\u00e3o-governabilidade desta chapa. O que garante a governabilidade \u00e9 o grau de organiza\u00e7\u00e3o da classe \u00e0 qual a candidatura representa.<\/p>\n<p>Sabemos que a burguesia e o grande capital brasileiro \u00e9 muito organizado, e colocando, em todo momento eleitoral, diversas candidaturas de apoio. O que est\u00e1 faltando e faz falta no cen\u00e1rio brasileiro \u00e9 a exist\u00eancia de candidaturas representantes da classe trabalhadora, que se encontra desorganizada. \u00c9 a sua reorganiza\u00e7\u00e3o, coloc\u00e1-la em marcha, que ir\u00e1 garantir a governabilidade do pr\u00f3prio projeto da classe trabalhadora, e n\u00e3o eventuais acordos que se possa fazer com uma classe dominante que j\u00e1 demonstrou n\u00e3o ter interesse em contemplar as reais demandas da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Antes de sua candidatura, a senhora j\u00e1 era conhecida por seus textos econ\u00f4micos, incluindo o livro \u201cEconomia pol\u00edtica para trabalhadores\u201d. De qual maneira a sua forma\u00e7\u00e3o enquanto economista influencia a constru\u00e7\u00e3o das propostas na campanha?<\/strong><br \/>\nSM | H\u00e1 no meio de produ\u00e7\u00e3o capitalista uma determina\u00e7\u00e3o dos aspectos econ\u00f4micos sobre os demais aspectos da vida, como a organiza\u00e7\u00e3o social, direitos civis, a cultura e at\u00e9 mesmo a sa\u00fade. Por exemplo, atualmente podemos observar uma gritante eleva\u00e7\u00e3o no adoecimento f\u00edsico e mental da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em decorr\u00eancia de sua nefasta ultra-explora\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a causa no desespero em que a popula\u00e7\u00e3o jovem se encontra, com uma falta de perspectiva e sobreviv\u00eancia minimamente digna no capitalismo neoliberal instaurado no pa\u00eds desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, ser economista me ajuda bastante a fazer as conex\u00f5es mais profundas entre as necessidades mais imediatas da popula\u00e7\u00e3o, assim apresentando um programa de governo e propostas de luta que contemplem essas virtudes b\u00e1sicas e emergenciais. Quando falamos, por exemplo, da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para trinta horas semanais sem a redu\u00e7\u00e3o salarial, n\u00e3o estamos apresentando uma palavra de ordem no vazio. Ela tem diversos sentidos. Em primeiro lugar, o centro da explora\u00e7\u00e3o que o capital faz sobre o trabalhador se d\u00e1 no tempo de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. Quanto maior a jornada de trabalho, maior \u00e9 o grau de explora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, quando n\u00f3s lutamos pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, estamos colocando em cheque a possibilidade de reprodu\u00e7\u00e3o do capital sobre nossas vidas e nosso trabalho.<\/p>\n<p>Os liberais poderiam dizer que, nessa forma de produ\u00e7\u00e3o, as empresas acabariam indo \u00e0 fal\u00eancia. Entretanto, observamos que existe sim espa\u00e7o de luta imediato, mesmo sem estarmos em um processo revolucion\u00e1rio, porque os resultados econ\u00f4micos do grande capital brasileiro demonstram a exist\u00eancia de uma \u201cgordura\u201d de lucros. Quem ter\u00e1 de perd\u00ea-la ser\u00e1 o capital, n\u00e3o os trabalhadores \u2014 ao contr\u00e1rio do que sempre tem sido feito nos \u00faltimos trinta anos.<\/p>\n<p><strong>A proposta de redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho est\u00e1 sendo grande parte da sua candidatura, inclusive mobilizando aqueles fora da esquerda radical. \u00c9 interessante que ela se apresenta como uma proposta ofensiva que ataca o capital diretamente, ao contr\u00e1rio de uma t\u00f4nica mais defensiva, como a revoga\u00e7\u00e3o das reformas trabalhistas. No entanto, surge-se a d\u00favida de como sua aplica\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel. De que maneira sua candidatura pretende, caso eleita, colocar em pr\u00e1tica a proposta?<\/strong><br \/>\nSM | No caso de nossa elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 certo que a revoga\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista \u00e9 um ponto importante e priorit\u00e1rio. Entretanto, n\u00e3o \u00e9 correto dizer que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho apenas impacta aqueles no trabalho formal. Primeiro, porque ao reduzir a jornada de trabalho, abre-se um montante de vagas no pr\u00f3prio trabalho formal para ocupar outros hor\u00e1rios de trabalho restante. Segundo, a jornada de trabalho determinada por lei em um pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m um par\u00e2metro para o trabalho informal.<\/p>\n<p>No Brasil, n\u00f3s n\u00e3o temos, mesmo no trabalho informal, a possibilidade de atua\u00e7\u00e3o em turnos de 16 ou 18 horas. Isso pode ocorrer ocasionalmente em casos espec\u00edficos, como \u00e9 no caso do trabalho intermitente e com a precariza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-reforma trabalhista. Mesmo assim, a jornada de 44 horas \u00e9 um par\u00e2metro para o trabalho informal, logo, essas mudan\u00e7as impactam o todo positivamente. O mesmo ocorre com a remunera\u00e7\u00e3o. Ao falarmos da eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo at\u00e9 atingir o necess\u00e1rio estipulado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos), isso tamb\u00e9m impacta o trabalho informal, uma vez que ele tem o sal\u00e1rio m\u00ednimo como par\u00e2metro.<\/p>\n<p><strong>Ainda no \u00e2mbito das propostas econ\u00f4micas, sua candidatura prop\u00f5e estatizar todas as empresas privatizadas ou em regime h\u00edbrido, como a Petrobras. Essa proposta n\u00e3o \u00e9 apenas de interesse da esquerda, mas dos pr\u00f3prios trabalhadores nessas empresas privatizadas. A senhora poderia discorrer mais sobre a pauta, e falar como seria poss\u00edvel aproveitar a mobiliza\u00e7\u00e3o desses trabalhadores?<\/strong><br \/>\nSM | A reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas estrat\u00e9gicas \u2014 sendo elas para al\u00e9m das produtivas, mas tamb\u00e9m as dos setores portu\u00e1rio, ferrovi\u00e1rio \u2014 s\u00e3o \u00e1reas que devem ser estatais.<\/p>\n<p>Falando especificamente de empresas estrat\u00e9gicas como as de matriz energ\u00e9tica, n\u00e3o falamos apenas da Eletrobras, mas da privatiza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico brasileiro em sua totalidade, uma vez que ela ocorre desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e o desmonte desse setor \u00e9 parte do de seu processo de privatiza\u00e7\u00e3o. Defendemos, ainda, a estatiza\u00e7\u00e3o do setor de saneamento e \u00e1gua, que em diversos estados e munic\u00edpios passaram por privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses, \u00e9 importante citar a estatiza\u00e7\u00e3o do setor de explora\u00e7\u00e3o do subsolo, portanto, das mineradoras. A minera\u00e7\u00e3o no Brasil tem sido predat\u00f3ria, num grau que ela se tornou uma das grandes respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 uma das grandes causadoras de mortes, n\u00e3o s\u00f3 pelos crimes ambientais como no caso das empresas VALE e SAMARCO em Minas Gerais, mas tamb\u00e9m da pr\u00f3pria especula\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas e biomas preservados. Ent\u00e3o, o monop\u00f3lio da extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio no Brasil tem de ser estatal e servir aos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m queremos a estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos privatizados desde a d\u00e9cada de noventa, de forma que essas institui\u00e7\u00f5es possam voltar a fomentar o setor banc\u00e1rio e financeiro para cumprir os interesses da popula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a privatiza\u00e7\u00e3o do banco BANESPA no estado de S\u00e3o Paulo fez com que a \u00e1rea se concentrasse ainda mais no setor privatizado, tirando do governo do estado uma ferramenta importante para fazer pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Indo para al\u00e9m da estatiza\u00e7\u00e3o dessas empresas, temos em nossa plataforma um programa de tornar todos os servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia social em servi\u00e7os 100% estatais. Apesar desses n\u00e3o terem sido completamente privatizados, h\u00e1 um processo de privatiza\u00e7\u00e3o interna a partir da transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos para a iniciativa privada atrav\u00e9s das PPPs (Parcerias P\u00fablico-Privadas), OSs (Organiza\u00e7\u00f5es Sociais) e funda\u00e7\u00f5es, entidades de direito privado recebendo recursos p\u00fablicos para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos governos do Estado de S\u00e3o Paulo privatizaram os parques, os museus e os equipamentos p\u00fablicos. Eles n\u00e3o os venderam, mas, a partir de concess\u00f5es feitas com prazos de trinta a cinquenta anos, os entregaram totalmente \u00e0 iniciativa privada. No entanto, n\u00e3o \u00e9 essa iniciativa privada que com seus pr\u00f3prios recursos mant\u00eam equipamentos de lazer e cultura, e sim com os recursos p\u00fablicos destinados a eles. Ou seja, \u00e9 um desvio de fun\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>Tendo em vista que o seu governo, sendo eleito, n\u00e3o ter\u00e1 apoio de setores influentes da pol\u00edtica brasileira como lobistas, o pr\u00f3prio centr\u00e3o e alguns setores da direita, ser\u00e1 necess\u00e1ria uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular para atingir as suas propostas. Como alcan\u00e7ar isso?<\/strong><br \/>\nSM | Todas as nossas propostas pretendem colocar, em imediato, a reorganiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e luta da classe trabalhadora de forma aut\u00f4noma e independente de governos, para que ela se reorganize no poder popular e v\u00e1 adiante com a exig\u00eancia da implementa\u00e7\u00e3o dessas pautas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Todos os direitos que conseguimos alcan\u00e7ar no capitalismo brasileiro foram conquistados dessa maneira. O SUS, por exemplo, s\u00f3 foi poss\u00edvel de ser aprovado na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Esse e v\u00e1rios outros direitos sociais, humanos e trabalhistas garantidos pela carta n\u00e3o foram dados para a popula\u00e7\u00e3o por um grande acordo na Assembleia Constituinte. Muito pelo contr\u00e1rio, ela era t\u00e3o ruim e de centro-direita como o Congresso Nacional atual. Haviam pouqu\u00edssimos representantes da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No entanto, a Constitui\u00e7\u00e3o foi muito al\u00e9m do que esperavam e desejavam os representantes constituintes porque a popula\u00e7\u00e3o estava organizada, mobilizada e pressionando a partir de seus pr\u00f3prios movimentos independentes da estrutura institucional e legislativa para que estas pautas fossem contempladas na Constitui\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, acreditamos que um governo s\u00f3 far\u00e1 avan\u00e7ar de fato as pautas da classe trabalhadora quando voltar a priorizar a sua organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma e independente de elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Uma quest\u00e3o candente na atualidade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 a pauta da moradia. Atualmente, trabalhadores de centros urbanos como a cidade de S\u00e3o Paulo sofrem com a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e o alto pre\u00e7o dos alugu\u00e9is e do custo de vida no geral. Quais s\u00e3o as propostas da sua campanha em rela\u00e7\u00e3o a essa \u00e1rea?<\/strong><br \/>\nSM | Pouco antes desta entrevista, estava reunida com um representante da Confer\u00eancia Pelo Direito \u00e0 Cidade, que reuniu aproximadamente 160 entidades da \u00e1rea, como o MTST, MTD e diversas outras organiza\u00e7\u00f5es, tanto nacionais quanto locais. As organiza\u00e7\u00f5es apresentaram uma carta onde nossa candidatura assumiu o compromisso em levar adiante uma luta e implementa\u00e7\u00e3o de propostas que n\u00e3o enxerguem a cidade como um espa\u00e7o de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, de privatiza\u00e7\u00e3o da locomo\u00e7\u00e3o, do saneamento b\u00e1sico, da exclus\u00e3o de parcelas marginalizadas da popula\u00e7\u00e3o. Um conjunto de propostas assumidas por minha candidatura tem como objetivo fazer com que a cidade deixe de servir como espa\u00e7o em que a popula\u00e7\u00e3o ocupa apenas a servi\u00e7o da capital.<\/p>\n<p>No plano imediato, nosso projeto \u00e9 desapropriar im\u00f3veis abandonados e desocupados para reformas. Isso perpassa outros n\u00edveis de governo. Entretanto, o governo federal tem como responsabilidade criar programas, inclusive de financiamento, para que governos locais possam tomar tais moradias e faz\u00ea-las cumprir a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade privada, colocando nelas a popula\u00e7\u00e3o que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de rua. Esse ser\u00e1 nosso primeiro passo, \u00e9 o mais emergencial.<\/p>\n<p>A partir dele, ser\u00e1 necess\u00e1rio repensar o espa\u00e7o p\u00fablico urbano, principalmente para grandes metr\u00f3poles como S\u00e3o Paulo, proibindo que im\u00f3veis constru\u00eddos em regi\u00f5es centrais \u2014 muito valorizadas e com maior acesso \u00e0 infraestrutura p\u00fablica \u2014 tenham alugu\u00e9is abusivos. Esses im\u00f3veis at\u00e9 podem ser constru\u00eddos e servir para, por exemplo, loca\u00e7\u00e3o, mas devem ser tabelados pela prefeitura por meio de legisla\u00e7\u00e3o municipal e nacional. Essa proposta n\u00e3o \u00e9 nenhuma revolu\u00e7\u00e3o. Por exemplo, Paris e Nova York funcionam dessa maneira. Em determinadas regi\u00f5es destas cidades voc\u00ea pode ser dono de um pr\u00e9dio inteiro para alug\u00e1-lo, mas apenas poder\u00e1 cobrar no m\u00e1ximo os alugu\u00e9is permitidos pelas prefeituras daquelas cidades.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas de risco, nosso programa prev\u00ea que popula\u00e7\u00f5es possivelmente atingidas tenham acesso a um programa de financiamento p\u00fablico. Esse dever\u00e1 ser feito por bancos estatais e visando ajudar popula\u00e7\u00f5es residindo em \u00e1reas de risco, seja de desmoronamento e sem infraestrutura b\u00e1sica, sejam protegidas pelo Estado.<\/p>\n<p><strong>Retornado aos setores estrat\u00e9gicos da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, um dos maiores desafios da popula\u00e7\u00e3o brasileira atualmente \u00e9 a inseguran\u00e7a alimentar. O Brasil possui uma enorme produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que n\u00e3o se reverte para a popula\u00e7\u00e3o. Como sua candidatura enxerga a quest\u00e3o da terra e da agricultura?<\/strong><br \/>\nSM | Evidentemente, nossa candidatura prop\u00f5e enfrentar o agroneg\u00f3cio por compreender que ele \u00e9, hoje, a fra\u00e7\u00e3o burguesa mais poderosa no Brasil, dominando tanto o capitalismo brasileiro, quanto a pol\u00edtica, a propriedade privada, o judici\u00e1rio e o setor cultural. Ent\u00e3o, enfrentar o agroneg\u00f3cio \u00e9 prioridade para quem quer construir um pa\u00eds diferente.<\/p>\n<p>Em um plano mais imediato, temos um programa de reforma agr\u00e1ria popular e radical em terras invadidas pelo agroneg\u00f3cio, terras sob dom\u00ednio estatal que est\u00e3o irregulares ou com trabalhos an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o. Avan\u00e7ando, al\u00e9m disso, o programa de reforma prop\u00f5e tamb\u00e9m atingir terras destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas para exporta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>No interior paulistano h\u00e1 v\u00e1rias fazendas e latif\u00fandios produzindo cana-de-a\u00e7\u00facar para a fabrica\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e etanol em locais cuja fertilidade do solo e o regime de chuva poderia estar sendo destinado para produzir comida. Sendo assim, o programa de planejamento da produ\u00e7\u00e3o no campo e na estrutura agr\u00e1ria precisa considerar os microclimas e a fertilidade do sono, para assim reduzir o uso de agrot\u00f3xicos e produtos qu\u00edmicos, apenas adaptando o tipo de cultura.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante no enfrentamento do agroneg\u00f3cio encontra-se no fato de que, atualmente, o Brasil carrega o setor nas costas. Ele conta com uma legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria absolutamente favor\u00e1vel, inclusive \u00e0 destina\u00e7\u00e3o dos produtos do agroneg\u00f3cio para a exporta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para o benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o. A lei Kandir que isenta de ICMS a exporta\u00e7\u00e3o de produtos in natura promove uma evas\u00e3o de recursos com a sua exporta\u00e7\u00e3o al\u00e9m da infla\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria desindustrializa\u00e7\u00e3o, uma vez que vale muito mais a pena exportar o produto in natura do que o industrializar internamente.<\/p>\n<p>Nosso objetivo \u00e9 acabar com a lei Kandir, e isso impacta tanto o agroneg\u00f3cio quanto a minera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o agroneg\u00f3cio paga pouqu\u00edssimo tributo sobre a propriedade. O Imposto Territorial Rural (ITR) de todas as fazendas no pa\u00eds equivale ao IPTU total da cidade de S\u00e3o Paulo, logo esse \u00e9 um setor de grande fortunas e propriedades que n\u00e3o s\u00e3o tributadas. Ent\u00e3o, temos um programa completo de reestrutura\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante est\u00e1 no fato de que a reforma agr\u00e1ria emprega muita gente, gerando empregos e renda no campo. Produzindo comida de verdade, permitindo ao Estado o estabelecimento de restaurantes populares para que mulheres n\u00e3o tenham que continuar a sua dupla ou tripla jornada de trabalho. Dessa forma, tamb\u00e9m permitindo o fornecimento de comida de qualidade para as estruturas p\u00fablicas, de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Logo, hoje, enfrentar o agroneg\u00f3cio \u00e9 a chave para o in\u00edcio de uma mudan\u00e7a estrutural na economia e produ\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p><strong>Gostaria de saber sua leitura sobre o atual cen\u00e1rio pol\u00edtico do pa\u00eds. A sua campanha v\u00ea o agroneg\u00f3cio como o setor mais poderoso na burguesia brasileira, influenciando at\u00e9 no monop\u00f3lio da viol\u00eancia e na criminalidade. A partir disso, como \u00e9 poss\u00edvel enfrentar tais poderosos setores, enquanto esses se mostram cada vez mais hostis \u00e0s mudan\u00e7as populares?<\/strong><br \/>\nSM | Na realidade, nossa campanha observa que os dois maiores blocos da burguesia no pa\u00eds s\u00e3o o agroneg\u00f3cio e o mercado financeiro \u2014 que tamb\u00e9m conta com outra enorme influ\u00eancia. Quando digo que o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela criminalidade, falo sob a perspectiva de que quando um ind\u00edgena ou lideran\u00e7a camponesa \u00e9 brutalmente assassinada, a popula\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 n\u00e3o fazer uma correla\u00e7\u00e3o imediata com os grandes nomes do agroneg\u00f3cio, mas eles s\u00e3o respons\u00e1veis e as promovem diretamente. Um exemplo claro \u00e9 os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips.<\/p>\n<p>Enfrentar esses setores apenas conseguir\u00e1 ser feito efetivamente com a reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora a partir do poder popular, pois, assim, ela compreender\u00e1 quem e quais s\u00e3o os seus inimigos estrat\u00e9gicos \u2014 como o grande Capital, e como ela deve encaminhar a luta t\u00e1tica. Assim, voc\u00ea v\u00ea qual \u00e9 o seu inimigo estrat\u00e9gico para conduzir uma luta efetiva, de maneira a avan\u00e7ar para uma transforma\u00e7\u00e3o radical no pa\u00eds. Sem compreender quem \u00e9 o inimigo de fato, a classe trabalhadora ou se desorganiza, como agora, ou fica combatendo a si mesma, em uma competi\u00e7\u00e3o suicida para destruir seus pr\u00f3prios membros. Acusando-os, por exemplo, da viol\u00eancia pela qual o pa\u00eds passa, pela falta de emprego, da mis\u00e9ria, da pobreza. Ent\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e9 fundamental para coloc\u00e1-la em luta. \u00c9 nesse processo que se d\u00e1 a consci\u00eancia da classe e a sua forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de forma\u00e7\u00e3o simplesmente sem se colocar em luta, sem se colocar em marcha no processo de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea poderia explicar um pouco melhor o conceito de poder popular para quem n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com esse conceito?<\/strong><br \/>\nSM | A ideia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular passa justamente pela reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora nos seus espa\u00e7os de moradia, trabalho ou estudo, pensando a sua realidade e a sua organiza\u00e7\u00e3o para a luta estrat\u00e9gica revolucion\u00e1ria, fazendo suas media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas. Nisso, tamb\u00e9m importa a constru\u00e7\u00e3o do n\u00f3s. Agora, estamos falando dos comit\u00eas pelo poder popular, uma organiza\u00e7\u00e3o que avan\u00e7a, inclusive, para formas de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o cooperativas. Ou seja, para formas n\u00e3o-capitalistas de produ\u00e7\u00e3o e para se tornar um elemento de poder entre a sociedade. Tais comit\u00eas devem ser uma organiza\u00e7\u00e3o da juventude, da classe trabalhadora, das mulheres, da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, LGBT e negra. Fazendo avan\u00e7ar as suas pautas na institucionalidade, mantendo a independ\u00eancia e autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos governos.<\/p>\n<p><strong>E por meio das propostas apresentadas na sua plataforma de campanha j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel estabelec\u00ea-lo?<\/strong><br \/>\nSM | Essas propostas servem para iniciar o processo de organiza\u00e7\u00e3o do poder popular. Quando falamos da necessidade de uma reforma agr\u00e1ria radical, que enfrente o agroneg\u00f3cio, essa reforma precisa atuar em diversas frentes. Por exemplo, se voc\u00ea se encontra inserido numa universidade como estudante, mesmo sem cursar Agronomia com uma rela\u00e7\u00e3o direta com o campo, voc\u00ea pode participar da organiza\u00e7\u00e3o do poder popular pela reforma agr\u00e1ria. Movimento e organizando setores da sociedade para dinamizar o processo de modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre a reforma agr\u00e1ria, de assist\u00eancia t\u00e9cnica, educa\u00e7\u00e3o popular, de distribui\u00e7\u00e3o popular que n\u00e3o passe pelos oligop\u00f3lios. A organiza\u00e7\u00e3o do poder popular \u00e9 uma maneira criativa de se pensar uma nova organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, uma que v\u00e1 al\u00e9m das estruturas institucionais j\u00e1 postas.<\/p>\n<p><strong>Atualmente, vemos uma recess\u00e3o no movimento sindical no Brasil. Sua candidatura possui alguma proposta que contemple esse \u00e2mbito, buscando mudar essa desmobiliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSM | Na realidade, a quest\u00e3o do poder popular se assemelha mais \u00e0s comunas organizadas que levaram \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa, porque voc\u00ea pode fazer parte de uma c\u00e9lula do poder popular na sua cidade, no seu bairro ou na sua regi\u00e3o e mesmo assim voc\u00ea ser membro de um sindicato. Em rela\u00e7\u00e3o ao sindicalismo, nossa campanha abra\u00e7a e envolve a constru\u00e7\u00e3o do encontro nacional das classes trabalhadoras para repensar em outros moldes o pr\u00f3prio movimento sindical brasileiro que est\u00e1 burocratizado, aparelhado, distante das bases.<\/p>\n<p>Atualmente, grande parte dos sindicatos n\u00e3o consegue mobilizar suas pr\u00f3prias categorias, ficando ref\u00e9m do capital ou do Estado. O movimento sindical de hoje tem perdas hist\u00f3ricas em m\u00faltiplas frentes, com a reforma trabalhista sendo a pior delas, mas h\u00e1 outras, como a PEC 32 ou todas as reformas da previd\u00eancia concretizadas desde o governo Fernando Henrique Cardoso. O movimento sindical se desorganizou, se burocratizou de tal forma que ele n\u00e3o se mobilizou mais. Temos que repensar o movimento sindical para ser combativo, aut\u00f4nomo e independente do Estado, e para isso, nossa candidatura refor\u00e7a a convoca\u00e7\u00e3o do Encontro Nacional das Classes Trabalhadoras (ENCLAT) para o ano de 2023.<\/p>\n<p><strong>Desde sua pr\u00e9-campanha, h\u00e1 um boicote por parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua candidatura. N\u00e3o te convidando aos debates, n\u00e3o fazendo entrevistas, dando visibilidade para campanhas com menos engajamento. Quais s\u00e3o as estrat\u00e9gias da sua campanha para contornar esse boicote?<\/strong><br \/>\nSM | Esse boicote \u00e9 escancarado e se intensificou ap\u00f3s os meios de comunica\u00e7\u00e3o perceberem que n\u00e3o conseguiram colocar nossa candidatura em um local que a esquerda radical sempre esteve na m\u00eddia, com a representa\u00e7\u00e3o de um discurso \u201cpuramente ideol\u00f3gico\u201d e \u201cvazio de propostas\u201d. Ap\u00f3s notarem que as propostas mobilizam de fato a classe trabalhadora, sobretudo as propostas de redu\u00e7\u00e3o de jornada de trabalho e fim da lei de responsabilidade fiscal, eles isolaram totalmente minha candidatura, mais do que outros candidatos no meu campo.<\/p>\n<p>Nossa estrat\u00e9gia tem sido usar todos os tipos de imprensa alternativa. Nisso, temos uma grata surpresa ao observar o pr\u00f3prio fato de que a m\u00eddia brasileira \u00e9 monopolizada por 6 ou 7 fam\u00edlias, mas h\u00e1 um ecossistema de m\u00eddia alternativa. Redes comunit\u00e1rias, r\u00e1dios populares, podcasts, canais no YouTube, jornais e revistas independentes crescem muito. Isso \u00e9 muito bom. Independente de qualquer coisa, caso seja eleita, nosso governo prop\u00f5e fazer uma regula\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio de controle social das televis\u00f5es e r\u00e1dios no pa\u00eds pelo pensamento \u00fanico. No caso da televis\u00e3o, especialmente, monopolizada pela igreja neopentecostal. Enfrentaremos essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/revistaosabia.com\/2022\/08\/30\/entrevista-sofia-manzano-pcb\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29198\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"Todas as nossas propostas pretendem colocar, de imediato, a reorganiza\u00e7\u00e3o e luta da classe trabalhadora de forma aut\u00f4noma e independente de governos, para que ela se reorganize no poder popular e v\u00e1 adiante com a exig\u00eancia da implementa\u00e7\u00e3o dessas pautas.\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[223],"class_list":["post-29198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7AW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}