{"id":29206,"date":"2022-09-04T14:38:53","date_gmt":"2022-09-04T17:38:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29206"},"modified":"2022-09-09T12:08:25","modified_gmt":"2022-09-09T15:08:25","slug":"nos-mulheres-somos-livres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29206","title":{"rendered":"N\u00d3S MULHERES, SOMOS LIVRES?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-89.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Cheyenne Ayalla, via Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia obst\u00e9trica incorpora tanto viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e psicol\u00f3gica bem como neglig\u00eancia no atendimento m\u00e9dico desde o momento que a gestante d\u00e1 entrada no hospital para o parto. Para entender este processo, com uma vis\u00e3o feminista e classista, devemos ler de forma concreta e hist\u00f3rica a sociedade que nos rodeia.&#8221;<\/p>\n<p>Em 10 de julho de 2022, foi noticiada nacionalmente a viol\u00eancia cometida por um m\u00e9dico anestesista \u00e0 uma mulher cis durante um procedimento que se apresenta como um daqueles de maior vulnerabilidade e tamb\u00e9m de significado na vida de uma mulher. Trata-se de um estupro em pleno trabalho de parto. Este, que \u00e9 um trauma irrepar\u00e1vel, realizado da forma mais torpe que poder\u00edamos imaginar, nos coloca de frente a conforma\u00e7\u00e3o de uma estrutura social de bases machista, mis\u00f3gina e fundamentalmente classista.<\/p>\n<p>Essas rela\u00e7\u00f5es evidenciadas na cultura do estupro se escancaram tamb\u00e9m diante de abordagem de pris\u00e3o deste \u201cprofissional\u201d. Preso em flagrante, a abordagem comedida reflete n\u00e3o apenas um determinado pacto de vi\u00e9s racista que se estabelece entre a estrutura do Capital e a institui\u00e7\u00e3o policial, mas rememora aquilo que Sofia Manzano outrora levanta entre as palavras de Angela Davis: ao mencionar que \u201ca estrutura de classe da sociedade capitalista abriga um incentivo ao estupro\u201d, ressalta como aqueles que livres de quaisquer processos judiciais, exercem, na legitimidade de seu poder, sucessivas agress\u00f5es de forma inconstest\u00e1vel. Estes encontram-se em enunciado claro por Davis. S\u00e3o \u201chomens da classe capitalista e seus parceiros de classe m\u00e9dia\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo que as considera\u00e7\u00f5es acima trate de um texto dedicado as rela\u00e7\u00f5es da crise da ordem capitalista e sua rela\u00e7\u00e3o direta com a cultura do estupro, cabe a n\u00f3s destacar essa complexa rela\u00e7\u00e3o quanto a viol\u00eancia obst\u00e9trica. Para entendermos melhor a dimens\u00e3o de tal problem\u00e1tica social, consideramos de in\u00edcio, que de 81% das mulheres brasileiras que sofreram algum tipo de agress\u00e3o, cerca de 25% dessas mulheres relacionam essa viol\u00eancia com a quest\u00e3o obst\u00e9trica. Levando em conta que este \u00e9 um problema de escala mundial, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) se posicionou a respeito do tema a partir da publica\u00e7\u00e3o de um documento sobre a preven\u00e7\u00e3o e elimina\u00e7\u00e3o de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto, uma vez que a discuss\u00e3o \u00e9 fundamental. Mas esta medida n\u00e3o \u00e9 suficiente. Do caso supracitado, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, acaba sendo mais um n\u00famero nessa estat\u00edstica. Mesmo que exista uma legisla\u00e7\u00e3o que impe\u00e7a tais atos dimensionados frente \u00e0s diretrizes da OMS, ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para extinguir esta barreira social, uma vez que o car\u00e1ter punitivista dos mesmos ainda n\u00e3o \u00e9 capaz, sozinho, de coibir tal a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso considerar todas as camadas que permeiam esse problema. A viol\u00eancia obst\u00e9trica incorpora tanto viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e psicol\u00f3gica bem como neglig\u00eancia no atendimento m\u00e9dico desde o momento que a gestante d\u00e1 entrada no hospital para o parto. Para entender este processo, com uma vis\u00e3o feminista e classista, devemos ler de forma concreta e hist\u00f3rica a sociedade que nos rodeia.<\/p>\n<p>Em primeiro plano, \u00e0 medida em que a economia nacional \u00e9 prejudicada pela ofensiva neoliberal aqueles que est\u00e3o nas posi\u00e7\u00f5es da base dessa sociedade de classes s\u00e3o os primeiros a serem atingidos pela viol\u00eancia estrutural, como, por exemplo, as mulheres das classes trabalhadoras, sobretudo negras e perif\u00e9ricas. Nesse \u00e2mbito, por ocupar os cargos de oferta de servi\u00e7os que tem deca\u00eddo e precarizado sistematicamente nos \u00faltimos anos de crise a interdepend\u00eancia dentro dos lares bem como o rebaixamento do bem-estar est\u00e3o anelados a essa progressiva e assustador aumento de viol\u00eancia dom\u00e9sticas vividas por essas mulheres. Diante disso, o processo c\u00edclico de crises e lucros do capitalismo, principalmente, o brasileiro, que \u00e9 dependente, implica na autonomia e emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres e em sua independ\u00eancia financeira, o que traduz em sua submiss\u00e3o material aos seus companheiros, que as det\u00e9m como patrim\u00f4nio, como objeto. Nesse entendimento, tal fato implica na emancipa\u00e7\u00e3o dessa parcela significativa da sociedade.<\/p>\n<p>Em segundo plano, uma vis\u00e3o hist\u00f3rica das rela\u00e7\u00f5es de poder e g\u00eanero \u00e9 mais antiga at\u00e9 que o pr\u00f3prio capitalismo, mas n\u00e3o mais antiga que a luta de classes. Desse modo, o patriarcalismo e machistas foi absorvido e colocado como um dos sustent\u00e1culos da sociedade capitalista onde a servid\u00e3o de g\u00eanero se harmonia com domina\u00e7\u00e3o de classe, onde a classe hegem\u00f4nica que castra a emancipa\u00e7\u00e3o das demais faz esse papel do opressor das minorias em direitos e voz.<\/p>\n<p>Dadas essas circunst\u00e2ncias e reflex\u00f5es, o objetivo urgente \u00e9 planejar e se organizar para findar essa viol\u00eancia de g\u00eanero que as mulheres sofrem todos os dias, desde o nascimento at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>Dito isso, uma revolu\u00e7\u00e3o, ou seja uma mudan\u00e7a radical da sociedade, que incorpore classe, g\u00eanero e ra\u00e7a, pois esses est\u00e3o entrela\u00e7ados e s\u00e3o insepar\u00e1veis para pensar e realizar uma mudan\u00e7a social, mude essa gama de opress\u00f5es que a sociedade de classes falida imp\u00f5e a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Como diria nossa grande revolucion\u00e1ria bolchevique Alexandra Kollontai, \u201ca liberta\u00e7\u00e3o feminina s\u00f3 pode ocorrer com a vit\u00f3ria de um outro sistema econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Avante, camaradas! Venceremos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29206\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"\"A viol\u00eancia obst\u00e9trica incorpora tanto viol\u00eancia f\u00edsica, verbal e psicol\u00f3gica bem como neglig\u00eancia no atendimento m\u00e9dico desde o momento que a gestante d\u00e1 entrada no hospital para o parto\"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,70,71],"tags":[234],"class_list":["post-29206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-c83-solidariedade","category-c84-solidariedade","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7B4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}