{"id":2924,"date":"2012-05-29T04:01:58","date_gmt":"2012-05-29T04:01:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2924"},"modified":"2012-05-29T04:01:58","modified_gmt":"2012-05-29T04:01:58","slug":"mais-salario-menos-plr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2924","title":{"rendered":"Mais sal\u00e1rio, menos PLR"},"content":{"rendered":"\n<p>Sidney Moura (*)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cEstrategicamente n\u00e3o somos pelas peti\u00e7\u00f5es de direitos que buscam<\/p>\n<p>a inclus\u00e3o social rebaixada dentro da ordem social capitalista.<\/p>\n<p>N\u00e3o defendemos a \u2018cidadania e a democracia\u2019 tomada emprestadas ao ide\u00e1rio de 1789.<\/p>\n<p>Muito menos lutamos para vender a for\u00e7a de trabalho mais cara aos cassinos da burguesia. Tamb\u00e9m estamos convencidos de que n\u00e3o podemos desperdi\u00e7ar energias depositando esperan\u00e7as no sobrenatural. Somos pela humaniza\u00e7\u00e3o plena que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a emancipa\u00e7\u00e3o do trabalho e o fim da sociedade de classes\u201d<\/em><\/p>\n<p>(UNIDADE CLASSISTA-PCB)<\/p>\n<p>Antes da era da maquinofatura a vapor, que deu in\u00edcio \u00e0 potencializa\u00e7\u00e3o dos processos produtivos do capitalismo, grande parte das necessidades materiais humanas eram obtidas atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o artesanal dom\u00e9stica ou em oficinas. Necessidades como a do vestu\u00e1rio, n\u00e3o eram obtidas em lojas de departamentos. Para adquirir-se uma sand\u00e1lia, por mais simples que fosse, na maioria das vezesera necess\u00e1rio recorrer \u00e0s oficinas de artesanato.<\/p>\n<p>O artes\u00e3o era considerado pessoa importante, tanto na Antiguidade quanto na Idade M\u00e9dia. Ainda hoje, um simples vestido feito em um atelier, tem cheiro de coisa chique e os pre\u00e7os cobrados est\u00e3o fora do alcance dos sal\u00e1rios dos que suam. Na Idade M\u00e9dia, ser artes\u00e3o exigia longa forma\u00e7\u00e3o, as oficinas-escolas eram dominadas por mestres que tamb\u00e9m controlavam as corpora\u00e7\u00f5es de of\u00edcios. Estas determinavam todas as regras para aqueles que desejassem desenvolver qualquer atividade artesanal em determinada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes da exist\u00eancia do modelo industrial como hoje conhecemos, e como antes j\u00e1 foi dito, para se obter uma pe\u00e7a de mobili\u00e1rio, uma ferramenta de trabalho ou qualquer utens\u00edlio dom\u00e9stico, era necess\u00e1ria a figura do artes\u00e3o. Este com suas pr\u00f3prias ferramentas concebia o modelo do objeto desejado, determinava o prazo para entrega e o valor a ser cobrado. Ou seja, controlava o produto desde a mat\u00e9ria prima at\u00e9 a hora de ser vendido ou trocado.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na agricultura no fim da Idade M\u00e9dia permitiu aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e com esta o aumento da popula\u00e7\u00e3o. Aquele momento, ao somar-se \u00e0 descoberta do novo caminho para as ricas \u00cdndias e o \u201cdescobrimento\u201d da Am\u00e9rica, no s\u00e9culo XV, aumentou a necessidade de acelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para atender as demandas comerciais que de forma exponencial se ampliavam juntamente com uma nova classe social emergente: a burguesia.<\/p>\n<p>O mundo estava entrando em uma nova era onde o produtor, a apropria\u00e7\u00e3o e sua admira\u00e7\u00e3o pelo que ele pr\u00f3prio produzia, foi paulatinamente perdendo espa\u00e7o e import\u00e2ncia. Fen\u00f4meno a que Marx chamou de aliena\u00e7\u00e3o. O mundo estava ficando menor e apressado. Diminuir o tempo de se produzir para atender necessidades humanas e baratear o custo do que era produzido estava na ordem do dia.<\/p>\n<p>O advento da m\u00e1quina a vapor contribuiu de forma determinante para ir acelerando gradualmente o sepultamento da ainda relevante da produ\u00e7\u00e3o artesanal e da manufatura. O homem foi cada vez mais se tornando um ap\u00eandice da m\u00e1quina. O barateamento dos custos da m\u00e3o-de-obra e o desemprego dos que foram expulsos do campo e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho conduziram ao radicalismo ludita.<\/p>\n<p>Para arrefecer o \u00edmpeto dos trabalhadores na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, ou para potencializar a produ\u00e7\u00e3o e obter ganhos ampliados, o capitalismo se utilizou de diferentes artif\u00edcios, sejam eles a n\u00edvel tecnol\u00f3gico, gerencial ou mesmo de coopta\u00e7\u00e3o da classe. Entrou em cena o Taylorismo, em seguida o Fordismo nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, e mais recentemente, o Toyotismo.<\/p>\n<p>Todos esses modelos englobaram de forma desigual e diferenciada os tr\u00eas artif\u00edcios de domina\u00e7\u00e3o e controle da produ\u00e7\u00e3o dos trabalhadores anteriormente citados. O Toyotismo, no entanto, modelo mais focado no gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o sob stress, ou administra\u00e7\u00e3o participativa, trouxe de forma subjacente dois v\u00edrus que inoculados no seio da classe trabalhadora, mais danos causaram \u00e0subjetividade e \u00e0s suas reservas cr\u00edticas de classe, pois esta, mesmo que de forma atomizada, possu\u00eda o m\u00ednimo de consci\u00eancia que a colocava em posi\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica \u00e0 classe detentora dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sutilmente o modelo toyotista foi cooptando os trabalhadores para co-gerir os processos produtivos oferecendo em troca o emprego vital\u00edcio e a falsa ilus\u00e3o de que os mesmos como colaboradores ou \u201cassociados\u201d minorit\u00e1rios sairiam ganhando, ao terem adicionado aos seus sal\u00e1rios, valores vari\u00e1veis relativos a uma dita participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados, a famigerada PLR.<\/p>\n<p>Interessa aqui aumentar o zoom sobre estes os v\u00edrus cultivados atualmente nos campos do mundo do trabalho. \u00c9 fundamental hoje, diante do complexo est\u00e1gio de desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes, observar esta evolu\u00e7\u00e3o vir\u00f3tica, e se poss\u00edvel, pensar o ant\u00eddoto, que vem provocando certa paralisia e fragmenta\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es da Classe que entravam o desenvolvimento pleno da humanidade.<\/p>\n<p>Assistimos hoje um abra\u00e7o de afogados entre os trabalhadores. Embora o capitalismo de forma absoluta tenha se ampliado, as margens de lucro no setor produtivo, alicerce do sistema, n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar os mesmos patamares de lucratividade dos seus anos dourados. Por conta disso, a sa\u00edda cl\u00e1ssica do sistema hegemonizado pela burguesia \u00e9 recorrente, ou seja, a retirada de direitos sociais e o achatamento salarial. Sal\u00e1rios baixos t\u00eam conseq\u00fc\u00eancias claras para a classe, pois conduz invariavelmente para endividamentos de todos os tipos. Assim, por quest\u00f5es objetivas, a centralidade das muitas lutas hoje travadas entre capital e trabalho est\u00e1 na obten\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de maiores PLRs.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para negar, no entanto, que exigir participa\u00e7\u00e3o nos lucros das empresas sempre foi uma reivindica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores geminada \u00e0s exig\u00eancias de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios. No entanto, o sindicalismo combativo e setores da vanguarda consciente da classe foi gradualmente perdendo a centralidade da luta brilhantemente aprofundada por Marx, a quest\u00e3o da mais-valia. Um verdadeiro campeonato de quem consegue maior PLR tem sido exaltado como sendo express\u00e3o de sindicalismo combativo escamoteando a realidade: quanto maior for a PLR, maior ser\u00e1 explora\u00e7\u00e3ovia extra\u00e7\u00e3o de mais-valia. Ou seja, o trabalho realizado que os patr\u00f5es n\u00e3o pagam.<\/p>\n<p>Os valores das PLR n\u00e3o se agregam aos sal\u00e1rios e embora de forma emergencial d\u00ea certo f\u00f4lego para os trabalhadores afogados em d\u00edvidas, no momento da aposentadoria \u00e9 que a ficha cai. O valor da aposentadoria \u00e9 irris\u00f3rio, o que acarreta um padr\u00e3o de vida abaixo do que aquele em que se encontrava o produtor direto antes de assumirem a natural tarefa de aposentado, que \u00e9 de \u201cdeseducar\u201d seus netos. Manter um mesmo padr\u00e3o significa muitas vezes continuar trabalhando apesar de aposentado. Por isso, al\u00e9m de lutar pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e fim das horas extras, devemos nos empenhar para fazer com que as aposentadorias sejam valorizadas. PLR n\u00e3o d\u00e1 camisa para aposentados e pensionistas.<\/p>\n<p>A pauta de reivindica\u00e7\u00f5es no enfrentamento entre capital e trabalho \u00e9 extensa e o inimigo e suas classes auxiliares n\u00e3o descansam. Est\u00e1 na ordem do dia superar o sindicalismo de neg\u00f3cio, messi\u00e2nico e cidad\u00e3o. O compromisso-tarefa dos que sinceramente acreditam na mudan\u00e7a radical da sociedade dividida entre explorados e exploradores \u00e9 de levar \u00e0 base da classe nos seus locais de trabalho, o desvelamento das sutilezas do capital. N\u00e3o d\u00e1 para continuar permitindo que a classe dominante continue dourando a p\u00edlula e manobrando com a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>N\u00f3s da UNIDADE CLASISTA estamos empenhados num esfor\u00e7o militante em contribuir para desmascarar o truque ideol\u00f3gico das classes auxiliares da burguesia empenhadas em extrair de forma subliminar o consentimento dos trabalhadores em face \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da sua for\u00e7a de trabalho. Esperamos com nossa a\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-sindical de forma\u00e7\u00e3o ou ombreados nas lutas, oferecer \u00e0 Classe a compreens\u00e3o da necessidade de se por em movimento para que esta se reconhe\u00e7a enquanto classe para si e tome em suas m\u00e3os as r\u00e9deas do seu destino.<\/p>\n<p>A UNIDADE CLASSISTA, sem autoproclama\u00e7\u00e3o, se empenhar\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o futura de um instrumento de organiza\u00e7\u00e3o geral da classe trabalhadora, independente de governos, partido e patr\u00f5es. Lutaremos pelos interesses mais imediatos da nossa classe sem jamais perder de vista que nosso objetivo n\u00e3o \u00e9 para vender a for\u00e7a de trabalho mais cara. Nosso objetivo hist\u00f3rico \u00e9 acabar com a mais-valia.<\/p>\n<p>*Sidney Moura \u00e9 membro do CC do PCB e seu Secret\u00e1rio Sindical Nacional<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: uol\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Um breve hist\u00f3rico sobre a explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a-de-trabalho)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2924\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-2924","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-La","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2924\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}