{"id":29369,"date":"2022-10-26T13:21:33","date_gmt":"2022-10-26T16:21:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29369"},"modified":"2022-10-26T13:28:29","modified_gmt":"2022-10-26T16:28:29","slug":"crimes-do-capitalismo-apontamentos-sobre-passado-e-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29369","title":{"rendered":"Crimes do capitalismo: apontamentos sobre passado e presente"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29370\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29369\/image2\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?fit=1200%2C757&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,757\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image(2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?fit=747%2C471&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-medium wp-image-29370\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?resize=300%2C189&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"189\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?resize=300%2C189&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?resize=900%2C568&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?resize=768%2C484&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/image2.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Jorge Cadima &#8211; Colunista do Portal ODiario.info<\/p>\n<p><span class=\"entr_single\"><span style=\"font-size: large;\">\u00abA hist\u00f3ria do capitalismo, desde a fase de acumula\u00e7\u00e3o original do capital at\u00e9 os dias de hoje \u00e9 uma longa hist\u00f3ria de viol\u00eancia e crimes. Do tr\u00e1fico de escravos em larga escala e exterm\u00ednio de popula\u00e7\u00f5es inteiras (como nas Am\u00e9ricas) \u00e0 amea\u00e7a atual de desencadear um conflito global na era nuclear vai um fio condutor. Esse fio condutor \u00e9 um sistema assentado na explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, que devora vidas humanas e meio ambiente para gerar lucros e riqueza em benef\u00edcio de uma pequena minoria.\u00bb<\/span><\/span><\/p>\n<div class=\"entrytext\">\n<div>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Conhecer a Hist\u00f3ria \u00e9 importante tamb\u00e9m para compreender a natureza das grandes pot\u00eancias imperialistas que gostam de se apregoar \u2018democr\u00e1ticas\u2019 e detentoras de \u2018valores\u2019, mas cujo poder assenta sobre muitos milh\u00f5es de mortos, rios de sangue e crimes sem paralelo na Hist\u00f3ria mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Acumula\u00e7\u00e3o original e expans\u00e3o mundial do capitalismo<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">H\u00e1 mais de 150 anos, Marx escrevia em \u00abO Capital\u00bb (1): \u00abA descoberta de terras de ouro e prata na Am\u00e9rica, o exterm\u00ednio, escraviza\u00e7\u00e3o e confinamento da popula\u00e7\u00e3o nativa nas minas, o in\u00edcio da conquista e pilhagem das \u00cdndias Orientais (2), a transforma\u00e7\u00e3o da \u00c1frica em territ\u00f3rio para a ca\u00e7a comercial de pessoas negras assinalam a aurora da era da produ\u00e7\u00e3o capitalista\u00bb. A acumula\u00e7\u00e3o original de capital come\u00e7ou com a expropria\u00e7\u00e3o de vastas massas camponesas nos principais pa\u00edses europeus. Marx escreve: \u00abCom isto surge o movimento hist\u00f3rico que transforma os produtores em oper\u00e1rios assalariados, por um lado com a liberta\u00e7\u00e3o destes da servid\u00e3o [feudal] e da coa\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es. [\u2026] Mas por outro lado estes rec\u00e9m-libertos s\u00f3 se tornam vendedores de si mesmos depois de lhes serem roubados todos os seus meios de produ\u00e7\u00e3o e todas as garantias da sua exist\u00eancia proporcionadas pelas velhas institui\u00e7\u00f5es feudais. E a hist\u00f3ria desta expropria\u00e7\u00e3o est\u00e1 inscrita nos anais da humanidade com marcas de sangue e fogo. [\u2026] A chamada acumula\u00e7\u00e3o original nada \u00e9, portanto, sen\u00e3o o processo hist\u00f3rico de div\u00f3rcio do produtor dos meios de produ\u00e7\u00e3o\u00bb. Primeiro, no seio dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados no processo de desenvolvimento capitalista e mais tarde no plano mundial, com a pilhagem de povos inteiros e regi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Marx cita o seu contempor\u00e2neo ingl\u00eas William Howitt: \u00abAs barbaridades e excessos desesperados da chamada ra\u00e7a crist\u00e3 atrav\u00e9s de todas as regi\u00f5es do mundo e sobre todos os povos que foi capaz de submeter n\u00e3o t\u00eam paralelo nas de qualquer outra ra\u00e7a em qualquer idade da terra\u00bb. E estavam ainda no futuro a expans\u00e3o colonial da fase imperialista do capitalismo (transi\u00e7\u00e3o dos S\u00e9culos XIX-XX) (3); os horrores das duas Guerras Mundiais e do nazifascismo; o holocausto at\u00f4mico estadunidense sobre duas cidades japonesas; as chacinas anticomunistas e antimovimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional, como os que os EUA perpetraram na Indon\u00e9sia em 1965.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, liberta\u00e7\u00e3o nacional e nazifascismo<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O ascenso do movimento oper\u00e1rio \u2013 ou seja, dos expropriados do processo de acumula\u00e7\u00e3o original \u2013 no decurso do S\u00e9culo XIX, haveria de culminar na Grande Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro, na R\u00fassia, em 1917. Essa Revolu\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m uma revolta contra um dos grandes crimes da Hist\u00f3ria, a I Guerra Mundial, em que pot\u00eancias imperialistas em disputa por col\u00f4nias e poder sacrificaram a vida de muitos milh\u00f5es de trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro deu um impulso not\u00e1vel \u00e0 luta do movimento oper\u00e1rio. Grandes movimentos sociais e mesmo revolucion\u00e1rios sacudiram a Europa no final da guerra. A resposta das classes dominantes incluiu a promo\u00e7\u00e3o do fascismo, a mais violenta e b\u00e1rbara express\u00e3o do capitalismo, que contou com largu\u00edssimo apoio entre as classes dirigentes da maioria dos pa\u00edses. Esse filofascismo ficou patente quando a Rep\u00fablica Espanhola foi abandonada pelas \u2018democracias liberais\u2019 (com a \u2018pol\u00edtica de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o\u2019), face ao golpe militar fascista. A chamada Guerra Civil e os massacres do franquismo teriam como saldo final um milh\u00e3o de mortos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A ascens\u00e3o do nazifascismo foi acompanhada pelo terror sobre as organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio e, em numerosos pa\u00edses (como a Alemanha ou Espanha), pela destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica em larga escala dos seus membros. Conduziu diretamente \u00e0 II Guerra Mundial, com as suas dezenas de milh\u00f5es de mortos e a barb\u00e1rie dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A vit\u00f3ria hist\u00f3rica dos bolcheviques sob a dire\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e a sua pol\u00edtica de apoio \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos colonizados teve um impacto decisivo no processo hist\u00f3rico de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social dos povos subjugados pelo imperialismo e colonialismo (4). Ao longo do S\u00e9culo XX foram derrubados os imp\u00e9rios coloniais da Inglaterra (o \u2018Imp\u00e9rio sobre o qual o Sol nunca se punha\u2019, que colonizava pa\u00edses gigantescos como a \u00cdndia e parte importante de \u00c1frica e \u00c1sia) e Fran\u00e7a (sobretudo na \u00c1frica e no Sudeste Asi\u00e1tico, ent\u00e3o designado Indochina), mas tamb\u00e9m Holanda (pot\u00eancia colonial da Indon\u00e9sia), B\u00e9lgica (cuja coloniza\u00e7\u00e3o do Congo foi um dos mais criminosos epis\u00f3dios da expans\u00e3o mundial do capitalismo) e Portugal.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro neste gigantesco processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 vis\u00edvel no papel, muitas vezes determinante, que os partidos comunistas desempenharam na luta anticolonial e anti-imperialista. Foi assim na \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Vietn\u00e3, Coreia, Iraque, Mal\u00e1sia, Sud\u00e3o, \u00c1frica do Sul, S\u00edria e tantos outros. Foi tamb\u00e9m assim na gigantesca China, onde d\u00e9cadas de domina\u00e7\u00e3o semicolonial, marcadas pelas Guerras do \u00d3pio e as \u2018concess\u00f5es ocidentais\u2019 (5), ficaram conhecidas como o \u00abS\u00e9culo da Humilha\u00e7\u00e3o\u00bb. O historiador brit\u00e2nico John Newsinger escreve: \u00abA atitude brit\u00e2nica para com a China foi talvez expressa da melhor forma por Palmerston [Primeiro Ministro ingl\u00eas no S\u00e9culo XIX \u2013 NA] referindo-se \u00e0 forma de lidar com \u2018governos semicivilizados como os da China, Portugal e a Am\u00e9rica espanhola\u2019. Todos eles precisavam \u2018levar uma sova a cada oito ou dez anos para os manter no seu lugar\u2026 n\u00e3o precisam apenas ver o cacete, precisam mesmo senti-lo nas suas costas\u2019\u00bb (6). Cerca de s\u00e9culo e meio depois, um dos agentes da pol\u00edtica imperialista estadunidense repetia a mesma tese com palavras quase id\u00eanticas: \u00abUma vez em cada dez anos os Estados Unidos precisam pegar um pequeno pa\u00eds de merda e atir\u00e1-lo contra a parede, s\u00f3 para mostrar ao mundo que falamos s\u00e9rio\u00bb (7).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sob a influ\u00eancia decisiva dos comunistas, a liberta\u00e7\u00e3o nacional fundiu-se com a liberta\u00e7\u00e3o social de vastas massas, em particular de vastas massas camponesas que viram os meios de produ\u00e7\u00e3o (nomeadamente a terra) lhes ser devolvidos, num processo inverso ao da acumula\u00e7\u00e3o original descrito por Marx. Foi assim na China, Coreia e Vietn\u00e3, mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses onde a liberta\u00e7\u00e3o nacional n\u00e3o chegou a assumir a forma de Revolu\u00e7\u00e3o Socialista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> O processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social ganhou particular express\u00e3o ap\u00f3s a II Guerra Mundial, com o papel decisivo da URSS na derrota do nazifascismo e a alternativa econ\u00f4mica apresentada pela cria\u00e7\u00e3o do sistema socialista. Mas cedo ficou patente que este processo seria tudo menos pac\u00edfico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><b>A \u2018Guerra Fria\u2019 como contraofensiva imperialista<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Em 2 de setembro de 1945, o grande dirigente comunista e nacional vietnamita Ho Chi Minh proclamava em Han\u00f3i a independ\u00eancia do Vietn\u00e3, at\u00e9 ent\u00e3o col\u00f4nia francesa. Em 17 de agosto desse mesmo ano o dirigente nacionalista indon\u00e9sio Sukarno proclamou a independ\u00eancia do seu grande pa\u00eds. A S\u00edria fez igual proclama\u00e7\u00e3o. Por toda a parte, surgia impetuoso o desejo de liberta\u00e7\u00e3o nacional. As velhas pot\u00eancias coloniais entraram em a\u00e7\u00e3o para tentar travar o curso da Hist\u00f3ria. Em maio de 1945, poucos dias ap\u00f3s o fim da II Guerra Mundial na Europa e poucos meses ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a da ocupa\u00e7\u00e3o nazista, o governo franc\u00eas mandava bombardear Damasco e o seu parlamento. A liberdade n\u00e3o era um conceito que a Fran\u00e7a ou Inglaterra liberal-burguesas aceitassem estender aos povos das suas col\u00f4nias, como se comprovaria nos anos seguintes em numerosos pa\u00edses, da Arg\u00e9lia \u00e0 Indochina, do Qu\u00eania \u00e0 Mal\u00e1sia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> Na Indon\u00e9sia, as tropas brit\u00e2nicas a mando do governo trabalhista de Attlee desembarcam em 1945 para impedir a independ\u00eancia e devolver a col\u00f4nia \u00e0 Holanda. \u00abAs for\u00e7as nacionalistas foram desarmadas e dispersas e os holandeses colocados de novo no comando. [\u2026] A resposta brit\u00e2nica provocou combates intensos que apenas terminaram com a chegada de refor\u00e7os e o rearmamento dos japoneses\u00bb (8). Os inimigos fascistas da v\u00e9spera eram agora aliados, como j\u00e1 acontecera na Gr\u00e9cia em 1944 e viria a acontecer em escala mundial nos anos da chamada \u2018Guerra Fria\u2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Igual papel foi desempenhado pela Inglaterra no Vietn\u00e3. Escassos quatro dias ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia por Ho Chi Minh, tropas inglesas desembarcavam no sul do Vietn\u00e3, abrindo caminho ao regresso da pot\u00eancia colonial francesa que, em 23 de setembro, \u00abtomou o poder em Saigon [\u2026] prendendo grande n\u00famero de vietnamitas\u00bb. Um general franc\u00eas agradeceu aos ingleses terem \u00absalvado a Indochina francesa\u00bb (9). O agradecimento foi prematuro. Nove anos mais tarde, a Fran\u00e7a foi derrotada pelo ex\u00e9rcito popular vietnamita dirigido pelos comunistas de Ho Chi Minh e do lend\u00e1rio comandante militar Vo Nguyen Giap, na batalha de Dien Bien Phu (maio de 1954).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Quando era imposs\u00edvel impedir a onda de liberta\u00e7\u00e3o nacional, aplicava-se a velha t\u00e9cnica imperialista de dividir para reinar. Antes de abandonar a \u00cdndia, os colonialistas ingleses promoveram a divis\u00e3o entre as comunidades hindu e mu\u00e7ulmana que resultou em terr\u00edveis massacres e dividiu a antiga col\u00f4nia em dois novos pa\u00edses, \u00cdndia e Paquist\u00e3o (mais tarde tr\u00eas, com a cria\u00e7\u00e3o do Bangladesh). Ex\u00edmio na arte de dividir, o imperialismo ingl\u00eas lan\u00e7ou as sementes de muitos conflitos que continuam hoje presentes, do Chipre \u00e0 Palestina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A \u2018democr\u00e1tica\u2019 B\u00e9lgica (com a cumplicidade dos EUA) assassinou o her\u00f3i da independ\u00eancia congolesa Patrice Lumumba em 1960 (10) e promoveu a subvers\u00e3o que levaria ao poder o corrupto e sanguin\u00e1rio Mobutu, amigo de M\u00e1rio Soares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Apesar dos seus esfor\u00e7os, nas d\u00e9cadas que se seguiram \u00e0 II Guerra Mundial, as velhas pot\u00eancias coloniais viram o poder escapar-lhes da m\u00e3o. Os Estados Unidos, evitando a guerra no seu territ\u00f3rio, afirmou-se como o novo centro do capitalismo mundial. No p\u00f3s-guerra era respons\u00e1vel por cerca de metade da produ\u00e7\u00e3o industrial mundial. Al\u00e9m disso, tinha endividado o velho Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico at\u00e9 o ponto da subordina\u00e7\u00e3o (11). Trocando as velhas roupagens colonialistas por novas e mais sofisticadas formas de controle neocolonial (j\u00e1 ensaiadas na Am\u00e9rica Latina), os Estados Unidos cedo constru\u00edram uma vasta rede de afirma\u00e7\u00e3o do seu poder mundial. A nova alian\u00e7a mundial anticomunista englobava as for\u00e7as fascistas derrotadas na II Guerra Mundial (em particular no seio das for\u00e7as repressivas e militares, e nos ex\u00e9rcitos secretos ao estilo Gl\u00e1dio) e ditaduras fascistas como a de Salazar, co-fundadora da OTAN. O objetivo estrat\u00e9gico era o de contrariar a tend\u00eancia crescente para a liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e dos povos. Entre os seus alvos estavam for\u00e7as que haviam encabe\u00e7ado a resist\u00eancia ao nazifascismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ainda a II Guerra Mundial n\u00e3o tinha acabado e tropas inglesas intervieram na Gr\u00e9cia, massacrando manifestantes desarmados em Atenas. A guerra por eles lan\u00e7ada e prosseguida pelos EUA contra o movimento de resist\u00eancia antinazista grego, dirigido pelos comunistas, teve como saldo a morte de 150 mil pessoas. Foi na Gr\u00e9cia que os EUA usaram pela primeira vez o napalm (12).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">A contraofensiva restauradora imperialista, a que alguns chamam \u2018Guerra Fria\u2019, foi tudo menos \u2018fria\u2019. Um dos seus primeiros actos foi o lan\u00e7amento das bombas at\u00f4micas sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagas\u00e1qui (agosto de 1945), visando intimidar as for\u00e7as do progresso social no p\u00f3s-guerra. Os ataques nucleares provocaram a morte e sofrimentos atrozes em centenas de milhares de japoneses.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Uma das mais mort\u00edferas e b\u00e1rbaras guerras do imperialismo teve lugar na Coreia (1950-53), procurando esmagar as for\u00e7as patri\u00f3ticas dirigidas pelos comunistas coreanos que conduziram a luta contra o ocupante japon\u00eas (13). O General norte-americano Curtis LeMay gabou-se: \u00ab&#8221;arrasamos praticamente todas as cidades, quer na Coreia do Norte, quer na Coreia do Sul\u201d, \u201cmatamos mais de um milh\u00e3o de civis coreanos e expulsamos v\u00e1rios milh\u00f5es dos seus lares\u201d\u00bb (14). O Professor de Hist\u00f3ria norte-americano Bruce Cumings afirma (15): \u00aba guerra provocou mais de 4 milh\u00f5es de baixas, pelo menos metade das quais civis\u00bb. O uso de armas biol\u00f3gicas pelos EUA durante esta guerra foi comprovado pela Comiss\u00e3o Cient\u00edfica Internacional que, sob o ausp\u00edcio do Conselho Mundial da Paz, visitou a Coreia e a China em 1952 (16).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Ap\u00f3s a sua derrota em Dien Bien Phu, a Fran\u00e7a foi obrigada a assinar um acordo prevendo a independ\u00eancia do Vietn\u00e3, com elei\u00e7\u00f5es gerais em 1956. Para impedir a realiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es, que se saldaram seguramente pela vit\u00f3ria das for\u00e7as patri\u00f3ticas encabe\u00e7adas por Ho Chi Minh, os Estados Unidos substitu\u00edram a Fran\u00e7a, numa escalada intervencionista que conduziu a outro grande crime hist\u00f3rico do imperialismo. Escreve um historiador brit\u00e2nico: \u00abPraticamente n\u00e3o h\u00e1 crime de guerra que n\u00e3o tenha sido cometido pelos Estados Unidos no Vietn\u00e3 (a tortura e assassinato de prisioneiros, o massacre de civis, bombardeios indiscriminados, guerra qu\u00edmica, at\u00e9 mesmo experi\u00eancias m\u00e9dicas sobre prisioneiros)\u00bb (17). O uso indiscriminado de napalm e armas qu\u00edmicas como o agente laranja que ainda hoje, quase meio s\u00e9culo ap\u00f3s o fim da guerra, s\u00e3o respons\u00e1veis por numerosas malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas em crian\u00e7as vietnamitas, \u00e9 uma das marcas da \u2018democr\u00e1tica\u2019 interven\u00e7\u00e3o dos EUA. Um jornalista norte-americano tra\u00e7a o balan\u00e7o: \u00abOs comunistas vietnamitas acabariam por vencer contra os americanos, mas com um custo tremendo. Tr\u00eas milh\u00f5es de vietnamitas foram mortos nessa guerra e dois milh\u00f5es deles eram civis. Muitos mais foram mortos no Camboja e Laos. Na Indochina, a cruzada anticomunista de Washington varreu a vida numa escala verdadeiramente colossal\u00bb (18).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> Num interessante livro recentemente traduzido em Portugal, \u00abO M\u00e9todo Jacarta\u00bb (19), o jornalista norte-americano Vincent Bevins tra\u00e7a um quadro da import\u00e2ncia que tiveram os massacres e o exterm\u00ednio brutal de alguns dos principais partidos comunistas e for\u00e7as revolucion\u00e1rias no chamado Terceiro Mundo. Bevins real\u00e7a o massacre de \u00abpelo menos um milh\u00e3o de indon\u00e9sios, talvez mais, [que] foram mortos como parte da cruzada global anticomunista de Washington\u00bb e que destruiu (temporariamente) o terceiro maior Partido Comunista do mundo (ap\u00f3s URSS e China) (20). Alicer\u00e7ado no prest\u00edgio alcan\u00e7ado na luta pela independ\u00eancia, o Partido Comunista da Indon\u00e9sia chegou a ter 3 milh\u00f5es de membros e 17% dos votos expressos em elei\u00e7\u00f5es gerais (1955). Segundo Bevins, \u00abos servi\u00e7os secretos brit\u00e2nicos conclu\u00edam, em 1958, que se houvesse elei\u00e7\u00f5es, o Partido Comunista ficaria em primeiro lugar. Foram os militares, a for\u00e7a mais anticomunista no pa\u00eds, agora a construir uma parceria cada vez mais \u00edntima com Washington [\u2026] que for\u00e7aram o cancelamento das elei\u00e7\u00f5es planeadas para 1959\u00bb. E foram os militares, sob a batuta de Washington, que em 1965 desencadearam uma das maiores chacinas pol\u00edticas da Hist\u00f3ria. A Embaixada dos EUA elaborou \u00ablistas com os nomes de milhares de comunistas e suspeitos de comunismo, e entregou-as ao Ex\u00e9rcito, para que essas pessoas pudessem ser assassinadas\u00bb. A receita indon\u00e9sia foi repetida, em escalas diferentes, em numerosos outros pa\u00edses com importantes Partidos Comunistas ou for\u00e7as revolucion\u00e1rias, como o Iraque (com Saddam Hussein ent\u00e3o ao servi\u00e7o dos EUA), Sud\u00e3o, Brasil, Guatemala, Chile, Argentina e Ir\u00e3o. E foi repetida pelos militares golpistas indon\u00e9sios em Timor-Leste.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Com contornos pr\u00f3prios, o m\u00e9todo foi ensaiado tamb\u00e9m em pa\u00edses do centro imperialista. Os massacres de dirigentes do movimento pelos direitos dos afro-americanos nos EUA (Malcolm X, Luther King, Panteras Negras), na sequ\u00eancia das persegui\u00e7\u00f5es macartistas contra os comunistas dos EUA nos anos 50, ou a violenta \u00abestrat\u00e9gia da tens\u00e3o\u00bb terrorista que provocou centenas de mortos na It\u00e1lia dos anos 70-80, e que visou impedir a afirma\u00e7\u00e3o eleitoral dos comunistas italianos, s\u00e3o dois exemplos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O \u00abM\u00e9todo Jacarta\u00bb n\u00e3o visou apenas a destrui\u00e7\u00e3o de poderosas e influentes for\u00e7as revolucion\u00e1rias mas, simultaneamente, a destrui\u00e7\u00e3o da perspectiva de um desenvolvimento econ\u00f4mico soberano, liberto da pilhagem imperialista (21). Uma perspectiva a que a Indon\u00e9sia independente e o seu Presidente Sukarno tinham dado um importante impulso, com a Confer\u00eancia de Bandung de 1955 e a posterior cria\u00e7\u00e3o do Movimento dos N\u00e3o Alinhados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"> <b>Do \u2018fim da Hist\u00f3ria\u2019 aos dias de hoje<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">As contrarrevolu\u00e7\u00f5es do final do S\u00e9culo XX alteraram profundamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mundial. Os trabalhadores e povos foram colocados na defensiva. A nova realidade revelou de forma ainda mais clara a ess\u00eancia do imperialismo. O enfraquecimento consider\u00e1vel do movimento comunista e oper\u00e1rio internacional n\u00e3o levou ao abrandamento das guerras de agress\u00e3o, conspira\u00e7\u00f5es, subvers\u00e3o e inger\u00eancias. Pelo contr\u00e1rio. Dispondo duma superioridade militar quase hegem\u00f4nica, as pot\u00eancias imperialistas com os EUA \u00e0 frente lan\u00e7aram-se numa ofensiva de recoloniza\u00e7\u00e3o do planeta (dispensando as responsabilidades que adv\u00eam de um dom\u00ednio colonial aberto), agora sob a designa\u00e7\u00e3o de \u2018globaliza\u00e7\u00e3o\u2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Sentindo as m\u00e3os livres, EUA e UE avan\u00e7aram na expans\u00e3o da OTAN. A guerra contra a Iugosl\u00e1via, que assinalou os 50 anos desse bloco militar, mostrou que, se a URSS havia desaparecido, a agressividade do imperialismo n\u00e3o. \u00c9 da sua natureza. Seguiram-se in\u00fameras guerras de agress\u00e3o no Oriente M\u00e9dio e nas zonas envolventes (Iraque, Afeganist\u00e3o, L\u00edbia, L\u00edbano, S\u00edria, I\u00eamen), que transformaram a regi\u00e3o do planeta mais rica em recursos energ\u00e9ticos num mar de sangue e destrui\u00e7\u00e3o, com muitas centenas de milhares de mortos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Qualquer pa\u00eds que manifeste vontade de desenvolvimento soberano (Venezuela, Nicar\u00e1gua, Cuba, Bol\u00edvia, Honduras, China, R\u00fassia, Bielor\u00fassia, Ir\u00e3, Coreia Popular, S\u00edria e tantos outros) \u00e9 sujeito a campanhas de subvers\u00e3o, bloqueio econ\u00f4mico e guerras de agress\u00e3o. Mesmo governos, como no Brasil pr\u00e9-Bolsonaro, que n\u00e3o puseram em causa o \u00abconsenso de Washington\u00bb s\u00e3o considerados alvos a se abater. N\u00e3o se aceita a neutralidade, apenas a submiss\u00e3o. O campo de concentra\u00e7\u00e3o e tortura de Guantanamo ainda hoje se mant\u00e9m em funcionamento. Israel bombardeia impunemente o povo palestino, nomeadamente na m\u00e1rtir Gaza cercada h\u00e1 15 anos. O centro imperialista \u2018nomeia\u2019 Presidentes de outros pa\u00edses (Guaid\u00f3 na Venezuela). Pilham-se descaradamente as reservas de ouro e contas depositadas nos bancos dos pa\u00edses imperialistas (Venezuela, Afeganist\u00e3o, Ir\u00e3, R\u00fassia). Assassinam-se dirigentes pol\u00edticos, mesmo que tenham sido seus servi\u00e7ais (como Saddam Hussein). O arb\u00edtrio \u00e9 total e descarado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Mas tudo isto n\u00e3o evita a crise do sistema imperialista, patente na decad\u00eancia econ\u00f4mica de EUA e UE e que se tornou clara em 2007-8. Raz\u00f5es para que se reforcem as tenta\u00e7\u00f5es de uma resposta violenta por parte dos centros imperialistas. A promo\u00e7\u00e3o do fascismo, do autoritarismo e da censura nos nossos dias \u00e9, como no s\u00e9culo passado, insepar\u00e1vel dessa crise do capitalismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O perigo de uma cat\u00e1strofe provocada pelo imperialismo \u00e9 hoje evidente. Uma das mais perigosas express\u00f5es da agressividade imperialista \u00e9 a estrat\u00e9gia de cerco e provoca\u00e7\u00e3o permanente \u00e0 R\u00fassia capitalista, que ap\u00f3s o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica socialista foi tratada como alvo a abater (dadas as suas gigantescas riquezas naturais, mas tamb\u00e9m num ato de \u2018desforra\u2019 hist\u00f3rica que o imperialismo pretende exemplar), o que conduziu \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia. As recentes provoca\u00e7\u00f5es dos EUA em torno de Taiwan mostram que igual estrat\u00e9gia de desestabiliza\u00e7\u00e3o e guerra por procura\u00e7\u00e3o \u00e9 seguida no que respeita \u00e0 Rep\u00fablica Popular da China, cujo crescimento econ\u00f4mico (num contexto internacional em grande medida moldado pelo imperialismo e as suas estruturas financeiras) \u00e9 um dos fatos salientes do mundo atual e \u00e9 encarado como uma \u00abamea\u00e7a\u00bb pelas pot\u00eancias imperialistas que n\u00e3o a controlam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">O total alinhamento da Uni\u00e3o Europeia nesta ofensiva dos EUA desmente as teses sobre um seu \u2018contrapeso\u2019 ao imperialismo estadunidense. Apesar de reais contradi\u00e7\u00f5es (vis\u00edveis at\u00e9 na forma como os EUA conduziram a UE \u00e0 louca pol\u00edtica de san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia, que est\u00e1 destruindo a economia da Alemanha e de outros pa\u00edses), este alinhamento assenta no interesse comum das suas classes dirigentes em esmagar os povos, sonhando com o retorno \u00e0 domina\u00e7\u00e3o mundial do passado. A UE gosta de proclamar o seu \u2018modelo social\u2019 (na realidade imposto pela luta dos povos), mas trabalha para a sua destrui\u00e7\u00e3o e para retomar um modelo de capitalismo sem entraves, quer no plano interno, quer no plano externo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\">Os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o n\u00e3o vivem apenas da viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m do controle ideol\u00f3gico e da propaganda. As avalanches de mentiras com que a comunica\u00e7\u00e3o social de regime nos brinda diariamente s\u00e3o disso express\u00e3o. Ao longo da Hist\u00f3ria, sempre as v\u00edtimas da domina\u00e7\u00e3o do capital foram transformadas em \u2018agressores\u2019 ou \u2018b\u00e1rbaros\u2019 e violentos. Foi assim com os \u00edndios norte-americanos enquanto eram exterminados pelos colonos europeus; com os africanos que eram arrancados \u00e0s suas fam\u00edlias para serem tornados escravizados al\u00e9m-mar, ou que resistiam \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o; com o suposto \u2018perigo amarelo\u2019 da China; com os milhares de Communards fuzilados ap\u00f3s o esmagamento da Comuna de Paris; com os comunistas. \u00c9 assim hoje com quem quer que resista ao imperialismo. Mas a mentira e a viol\u00eancia n\u00e3o deter\u00e3o o curso da Hist\u00f3ria. E o capitalismo, com o seu cortejo de crimes, injusti\u00e7a e explora\u00e7\u00e3o, acabar\u00e1 derrotado pela luta dos trabalhadores e dos povos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: large;\"><i>Notas<br \/>\n(1) Volume 1, Cap\u00edtulo XXIV, \u00abA chamada acumula\u00e7\u00e3o original\u00bb. As cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o retiradas das Obras Escolhidas de Marx e Engels, Tomo II, pp. 104-158, Ed. \u00abAvante!\u00bb\/Progresso, 1983.\u21b2<br \/>\n(2) A designa\u00e7\u00e3o \u2018\u00cdndias Orientais\u2019 refere-se \u00e0 costa da \u00cdndia e arquip\u00e9lagos, incluindo os modernos pa\u00edses da Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia e Filipinas.\u21b2<br \/>\n(3) A refer\u00eancia incontorn\u00e1vel \u00e9 o livro de Lenin O Imperialismo, fase superior do Capitalismo, Tomo 2, Obras Escolhidas em Seis Tomos, Ed. \u00abAvante!\u00bb\/Progresso, 1984.\u21b2<br \/>\n(4) J\u00e1 em 1920, em plena guerra de agress\u00e3o imperialista contra a jovem R\u00fassia Sovi\u00e9tica, realizava-se em Baku o Congresso dos Povos do Oriente promovido pelos bolcheviques.\u21b2<br \/>\n(5) Imortalizadas no livro Tintin e o L\u00f3tus Azul, com o \u2013 ver\u00eddico \u2013 cartaz \u00e0 entrada de um jardim de Xangai onde se lia: \u00abN\u00e3o \u00e9 permitida a entrada de c\u00e3es e chineses\u00bb.\u21b2<br \/>\n(6) John Newsinger, The Blood Never Dried, A People\u2019s History of the British Empire, Bookmarks Pub., 2013, p. 66.\u21b2<br \/>\n(7) Jonah Goldberg, \u00abBaguedade delenda est\u00bb, parte II, National Review, 23.4.02.\u21b2<br \/>\n(8) John Newsinger, op. cit., p. 211-2.\u21b2<br \/>\n(9) John Newsinger, op. cit., p. 209.\u21b2<br \/>\n(10) O Assassinato de Lumumba, Ludo de Witte, Ed. Caminho, 2001.\u21b2<br \/>\n(11) Para uma interessante hist\u00f3ria das rivalidades entre as duas super pot\u00eancias anglo-sax\u00f4nicas nesta passagem de testemunho interimperialista, veja-se Clive Ponting, 1940, Myth and Reality, Cardinal, 1990.\u21b2<br \/>\n(12) Notes on the Greek Civil War, Partido Comunista da Gr\u00e9cia, 2006.\u21b2<br \/>\n(13) O Militante, n.\u00ba 311, Mar\u00e7o-Abril 2011.\u21b2<br \/>\n(14) Targeting North Korea, de Gregory Elich, em <a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/articles\/ELI212A.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.globalresearch.ca\/articles\/ELI212A.html&amp;source=gmail&amp;ust=1666885926286000&amp;usg=AOvVaw1gdKN0NifkEKtpX0RNI4mg\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/<wbr \/>articles\/ELI212A.html<\/a>\u21b2<br \/>\n(15) As cita\u00e7\u00f5es seguintes s\u00e3o todas do livro de Cumings, The Korean War, 2010, Modern Library Edition.\u21b2<br \/>\n(16) Relat\u00f3rio completo em <a href=\"https:\/\/medium.com\/insurge-intelligence\/the-long-suppressed-korean-war-report-on-u-s-use-of-biological-weapons-released-at-last-20d83f5cee54\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/medium.com\/insurge-intelligence\/the-long-suppressed-korean-war-report-on-u-s-use-of-biological-weapons-released-at-last-20d83f5cee54&amp;source=gmail&amp;ust=1666885926286000&amp;usg=AOvVaw1CcYwWy_-K_cHl92c1Dqc7\">https:\/\/medium.com\/insurge-<wbr \/>intelligence\/the-long-<wbr \/>suppressed-korean-war-report-<wbr \/>on-u-s-use-of-biological-<wbr \/>weapons-released-at-last-<wbr \/>20d83f5cee54<\/a>\u21b2<br \/>\n(17) John Newsinger, op. cit., p. 234.\u21b2<br \/>\n(18) Vincent Bevins, \u00abO M\u00e9todo Jakarta\u00bb, Temas e Debates, 2022, p. 221.\u21b2<br \/>\n(19) Vincent Bevins, op. cit. Cita\u00e7\u00f5es nas p\u00e1ginas 216, 114 e 195.\u21b2<br \/>\n(20) O Militante n.\u00ba 338, Set.\/Out. 2015 e Indonesia 1965, The second greatest crime of the Century, de Deidre Griswold, dispon\u00edvel na Internet, em <a href=\"http:\/\/www.workers.org\/indonesia\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.workers.org\/indonesia\/index.html&amp;source=gmail&amp;ust=1666885926286000&amp;usg=AOvVaw01iqWPna95tVNAwgSG8T_Z\">http:\/\/www.workers.org\/<wbr \/>indonesia\/index.html<\/a>\u21b2<br \/>\n(21) A liga\u00e7\u00e3o \u00edntima do gangsterismo anticomunista com a pilhagem imperialista \u00e9 tamb\u00e9m ilustrada no livro Confessions of an Economic Hit Man, de John Perkins, Plume Book, 2006.\u21b2<br \/>\nFonte: <a href=\"https:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/pt\/380\/Internacional\/1923\/Crimes-do-capitalismo-%E2%80%93-apontamentos-sobre-passado-e-presente.htm?tpl=142\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/pt\/380\/Internacional\/1923\/Crimes-do-capitalismo-%25E2%2580%2593-apontamentos-sobre-passado-e-presente.htm?tpl%3D142&amp;source=gmail&amp;ust=1666885926286000&amp;usg=AOvVaw2A64Mof9TzI9_sZSA8iFQi\">https:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/<wbr \/>pt\/380\/Internacional\/1923\/<wbr \/>Crimes-do-capitalismo-%E2%80%<wbr \/>93-apontamentos-sobre-passado-<wbr \/>e-presente.htm?tpl=142<\/a><\/i><\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Publicado originalmente em: <a href=\"https:\/\/www.odiario.info\/crimes-do-capitalismo-apontamentos-sobre-passado\/\">https:\/\/www.odiario.info\/crimes-do-capitalismo-apontamentos-sobre-passado\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29369\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[228],"class_list":["post-29369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7DH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}