{"id":2946,"date":"2012-06-01T04:11:19","date_gmt":"2012-06-01T04:11:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2946"},"modified":"2012-06-01T04:11:19","modified_gmt":"2012-06-01T04:11:19","slug":"o-renascimento-do-materialismo-dialectico-no-coracao-do-antagonismo-entre-revolucao-e-contra-revolucao-no-sec-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2946","title":{"rendered":"O renascimento do materialismo dial\u00e9ctico no cora\u00e7\u00e3o do antagonismo entre revolu\u00e7\u00e3o e contra-revolu\u00e7\u00e3o no s\u00e9c. XXI*"},"content":{"rendered":"\n<p>A Hist\u00f3ria do tempo presente vai obrigar os Homens, e antes de mais a vanguarda efectiva do movimento popular, da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e da cria\u00e7\u00e3o cultural, a regressar \u00e0 dial\u00e9ctica materialista.<\/p>\n<p><strong>O renascimento do materialismo dial\u00e9ctico, elemento estrat\u00e9gico de uma hegemonia progressista em gesta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 salutar que o pa\u00eds de Vasco Gon\u00e7alves e \u00c1lvaro Cunhal tenha a iniciativa de se reapropriar da filosofia marxista de forma progressista. Tendo a minha comunica\u00e7\u00e3o, um pouco generalista, que caber em 20 minutos, resolvi esta contradi\u00e7\u00e3o redigindo um texto, que passarei a ler, e dando-lhe um tom claramente assert\u00f3rico. Neste momento, estou a acabar um tratado sobre o materialismo dial\u00e9ctico que, assim espero, oferecer\u00e1 aos auditores ansiosos por provas, os elementos demonstrativos que a brevidade do tempo desta comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o me permite fornecer. Para contextualizar o meu discurso, gostaria de colocar a minha interven\u00e7\u00e3o sob os ausp\u00edcios do fil\u00f3sofo Georges Politzer. Este her\u00f3i da resist\u00eancia comunista francesa declarou, pouco tempo antes de ser fuzilado pelos nazis que \u00aba independ\u00eancia intelectual, o esp\u00edrito cr\u00edtico, n\u00e3o consiste em ceder \u00e0 reac\u00e7\u00e3o mas a N\u00c3O lhe ceder\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Gostaria, para come\u00e7ar, de restituir, em tra\u00e7os largos, as aventuras e desventuras do materialismo dial\u00e9ctico<\/strong><\/p>\n<p>Podemos constatar que, grosso modo, o materialismo dial\u00e9ctico, totalmente ignorado pelas universidades no in\u00edcio do s\u00e9culo, conheceu um refor\u00e7o a n\u00edvel mundial nos anos que se seguiram \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, na \u00e9poca das Frentes Populares antifascistas e nos anos que se seguiram \u00e0 II Guerra Mundial, gra\u00e7as ao papel universalmente reconhecido, do ex\u00e9rcito vermelho no esmagamento da Wehrmacht e \u00e0 construc\u00e7\u00e3o do primeiro bloco socialista da Hist\u00f3ria. Simultaneamente, um tal protagonismo foi acompanhado de uma vulgariza\u00e7\u00e3o e de uma dogmatiza\u00e7\u00e3o que, quando o \u00abculto da personalidade\u00bb foi denunciado na URSS, se traduziu numa tend\u00eancia inversa, a de denegrir tudo o que havia sido at\u00e9 ent\u00e3o adorado, o revisionismo ideol\u00f3gico ganhando face ao dogmatismo do per\u00edodo jdanovista. Nos anos 60, os marxistas emanciparam-se das formas dogm\u00e1ticas mas o marxismo, por assim dizer, \u00abbabelizou-se\u00bb em Fran\u00e7a, com, por exemplo, as intensas lutas entre os seguidores de Garaudy, Althusser e Lucien S\u00e8ve, sendo que o \u00faltimo evoluiu de uma posi\u00e7\u00e3o de guardi\u00e3o inventivo da ortodoxia para uma posi\u00e7\u00e3o de crescente exterioriza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra \u00abmarxismo\u00bb, que de resto j\u00e1 n\u00e3o assume, o que deve ser compreendido pela sua rejei\u00e7\u00e3o da forma-partido sa\u00edda da Terceira Internacional. Hoje em dia, se alguns fil\u00f3sofos franceses ainda se referem ao marxismo, raramente o fazem para se referir ao materialismo dial\u00e9ctico e aos seus conceitos mais marcantes, tal como a dial\u00e9ctica da natureza ou a categoria do reflexo. Isto para n\u00e3o falar do aspecto pol\u00edtico : Alain Badiou chega mesmo a rejeitar, tal como S\u00e8ve, a forma-partido, e tamb\u00e9m, explicitamente, a forma leninista do comunismo e do marxismo. Isto para n\u00e3o falar dos te\u00f3ricos da \u00abActuel Marx \u00bb que comungam na rejei\u00e7\u00e3o de tudo o que possa, de perto ou de longe, evocar a produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ligada ao marxismo-leninismo em geral e particularmente os escritos do bloco socialista.<\/p>\n<p>Arriscamo-nos assim a uma ruptura na heran\u00e7a, que \u00e9, do nosso ponto de vista, t\u00e3o mais nociva quanto e a Hist\u00f3ria do tempo presente vai, na nossa opini\u00e3o, obrigar os Homens, e antes de mais a vanguarda efectiva do movimento popular, da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e da cria\u00e7\u00e3o cultural, a regressar \u00e0 dial\u00e9ctica materialista.<\/p>\n<p>E se a heran\u00e7a se rompe, n\u00e3o apenas a heran\u00e7a dos aspectos dogm\u00e1ticos, mas de tudo o que houve de grandioso e luminoso, teremos de tudo reinventar, inclusivamente os erros pois, como todos sabem, os que esquecem a sua Hist\u00f3ria est\u00e3o condenados a repeti-la, de forma ainda pior.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que gostaria de sublinhar vivamente o qu\u00e3o necess\u00e1rio \u00e9 um retorno ao cora\u00e7\u00e3o da filosofia marxista, a esse materialismo dial\u00e9ctico que Engels n\u00e3o inventou, cuja tradi\u00e7\u00e3o remonta a Heraclito de \u00c9feso, mas que os fundadores do marxismo pensaram e articularam conscientemente, ligando-o ao materialismo hist\u00f3rico, \u00e0 dial\u00e9ctica hegeliana repensada de forma materialista, \u00e0 cr\u00edtica da economia capitalista e ao movimento geral das ci\u00eancias da natureza. O cora\u00e7\u00e3o desse materialismo dial\u00e9ctico, que pretendemos desenvolver, \u00e9 a tese segundo a qual, para citar L\u00e9nine, \u00aba dial\u00e9ctica \u00e9 o estudo da contradi\u00e7\u00e3o na ess\u00eancia das coisas \u00bb, as dial\u00e9cticas conceptuais n\u00e3o sendo, em \u00faltima an\u00e1lise, mais do que a reapropria\u00e7\u00e3o, por mais constru\u00edda e mediatizada que seja, destas contradi\u00e7\u00f5es materiais.<\/p>\n<p>Gostaria de mostrar qual a actualidade deste ponto de vista materialista dial\u00e9ctico em diversos dom\u00ednios.<\/p>\n<p><strong>Comecemos por mostrar a utilidade do m\u00e9todo materialista dial\u00e9ctico no campo das lutas ideol\u00f3gicas<\/strong><\/p>\n<p>Todos os militantes do movimento popular, todos os sindicalistas, necessitam da dial\u00e9ctica materialista para, como diria Kant, \u00abse orientar no pensamento\u00bb. Viso aqui nomeadamente a luta contra a \u00abnovil\u00edngua\u00bb, da qual produzi uma cr\u00edtica desde 1995 no meu livro \u00abMundializa\u00e7\u00e3o capitalista e projecto comunista\u00bb.<\/p>\n<p>Um pouco por todo o lado, os ide\u00f3logos neo-liberais apresentam-nos como uma evid\u00eancia o facto do grande patronato ser partid\u00e1rio de \u00abreformas\u00bb e da \u00abmodernidade\u00bb, enquanto que o movimento popular seria o advogado temeroso e passadista dos \u00abarca\u00edsmos\u00bb. J\u00e1 na \u00e9poca da perestroika de Gorbatchev, que o povo russo baptizou depois \u00abcatastroika\u00bb, o ide\u00f3logo-mor Yakovlev denunciava como \u00abconservadores\u00bb aqueles que queriam salvar e transformar as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o socialistas na URSS ; inversamente, apresentava aqueles que queriam restaurar a propriedade capitalista como \u00abrenovadores\u00bb e \u00abprogressistas\u00bb. A este idealismo formalista, que se limita voluntariamente \u00e0 quest\u00e3o \u00ab a favor ou contra a mudan\u00e7a ?\u00bb, independentemente do seu conte\u00fado de classe, os militantes e os intelectuais realmente revolucion\u00e1rios respondiam ent\u00e3o, segundo um ponto de vista materialista e de classe : mudan\u00e7a para quem, para que classe ? Democracia e pluralismo para que classe ? \u00c9 pondo assim o conte\u00fado de classe materialista em primeiro plano que podemos evitar o mais grave erro que se pode cometer politicamente e que consiste em confundir a direita e a esquerda, a revolu\u00e7\u00e3o e a contra-revolu\u00e7\u00e3o, a renova\u00e7\u00e3o do socialismo com a vit\u00f3ria mundial do capitalismo actualmente re-globalizado sobre as ru\u00ednas do sistema socialista, cujos defeitos burocr\u00e1ticos foram conservados e agravados pela anexa\u00e7\u00e3o capitalista sofrida pelos pa\u00edses de leste, enquanto que as aquisi\u00e7\u00f5es sociais fundamentais para as massas e para a co-rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a n\u00edvel mundial foram varridos pela expropria\u00e7\u00e3o capitalista das massas populares.<\/p>\n<p>Um ponto de vista dial\u00e9ctico \u00e9 igualmente necess\u00e1rio para n\u00e3o cair no cesto contra-revolucion\u00e1rio. Seria efectivamente catastr\u00f3fico para um intelectual progressista ou para um militante oper\u00e1rio situar-se apenas em termos de \u00aba favor ou contra a mudan\u00e7a\u00bb. \u00c9 evidente que, para salvar o socialismo, era TAMB\u00c9M necess\u00e1rio alter\u00e1-lo profundamente, devolvendo o poder, roubado pela nomenklatura, aos trabalhadores. Da mesma forma, hoje em dia, nos nossos pa\u00edses, a escolha n\u00e3o \u00e9 entre imobilismo e reforma. Tal como os inimigos dos povos sabem, \u00e0 maneira do \u00abLeopardo\u00bb de Lucchino Visconti, \u00abmudar alguma coisa para que tudo fique na mesma\u00bb, a defesa do socialismo n\u00e3o pode ser bem-sucedida sem um compromisso comunista para a transforma\u00e7\u00e3o do socialismo existente. \u00c9 necess\u00e1rio ent\u00e3o ultrapassar o \u00abou\u2026ou\u00bb, caracter\u00edstico do modo metaf\u00edsico de pensar, para opor, n\u00e3o as abstrac\u00e7\u00f5es ocas que s\u00e3o \u00abo\u00bb conservadorismo e \u00abo\u00bb modernismo, mas antes, por um lado, o conservadorismo social das classes dominantes assente sobre as suas contra-reformas, e por outro, o dinamismo dos militantes populares que se apoia na defesa das conquistas populares para melhor revolucionar as rela\u00e7\u00f5es capitalistas de explora\u00e7\u00e3o. Mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio pensar dialecticamente sem opor abstractamente \u00aba\u00bb mudan\u00e7a \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>II \u2013 Prossigamos esta reflex\u00e3o materialista dial\u00e9ctica reflectindo sobre quest\u00f5es mais directamente pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p><strong>A) E, antes de mais, pensemos as rela\u00e7\u00f5es dial\u00e9cticas entre patriotismo e internacionalismo no contexto da mundializa\u00e7\u00e3o neo-liberal e da \u00abconstru\u00e7\u00e3o europeia\u00bb capitalista<\/strong><\/p>\n<p>Ao chegar a Lisboa, vi que o PCP tinha afixado nas paredes este slogan, t\u00e3o dial\u00e9ctico, \u00abpor uma pol\u00edtica patri\u00f3tica e popular\u00bb. Bom, em Fran\u00e7a, esta dial\u00e9ctica que leva a associar, e n\u00e3o a opor, o patriotismo e o progressismo, nem sempre \u00e9 evidente \u00e0 esquerda e ser\u00e1 in\u00fatil dizer-vos o quanto esta oposi\u00e7\u00e3o da bandeira vermelha \u00e0 bandeira nacional, que suportamos h\u00e1 d\u00e9cadas, e que p\u00f5e frente a frente, de forma desastrosa, uma esquerda ultra-europe\u00edsta e uma direita ultra-nacionalista, \u00e9 \u00fatil \u00e0 extrema-direita que recupera tranquilamente, para a desviar e sujar, a bandeira tricolor da Fran\u00e7a. Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 de uma lado \u00abo\u00bb patriotismo e de outro \u00abo\u00bb internacionalismo. Esta oposi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica e sem conte\u00fado de classe obriga-nos a escolher entre, de um lado, o nacionalismo xen\u00f3fobo dos sectores abertamente fascistas e, do outro, o internacionalismo da finan\u00e7a e das suas criaturas, os Barroso, Lagarde, Strauss-Kahn e companhia, e isto num momento em que a Europa de Barroso se apoia precisamente na extrema-direita para canalizar o descontentamento popular com a U.E. e o seu funesto euro, n\u00e3o contra a classe capitalista, mas contra os trabalhadores imigrantes e as minorias religiosas. Na verdade, a an\u00e1lise concreta da mundializa\u00e7\u00e3o capitalista e da funesta \u00abconstru\u00e7\u00e3o europeia\u00bb neoliberal leva-nos a constatar que, de um ponto de vista materialista-dial\u00e9ctico, as coisas op\u00f5em-se objectivamente numa linha de classe, mesmo se h\u00e1 poucos que se apercebam disso : objectivamente, materialmente, h\u00e1 de um lado o euro-cosmopolitismo neoliberal aliado \u00e0 reac\u00e7\u00e3o nacionalista, ambos convergindo na ideia de uma Europa branca e do choque das civiliza\u00e7\u00f5es, enquanto, do outro lado, como nos ensinaram a revolu\u00e7\u00e3o chinesa, cubana, vietnamita, angolana, etc., h\u00e1 o patriotismo republicano aliado ao internacionalismo prolet\u00e1rio. Assim, h\u00e1, por um lado, que dialectizar patriotismo e internacionalismo e, por outro, que os materializar, dando-lhes um conte\u00fado de classe determinado.<\/p>\n<p><strong>B) Uma aproxima\u00e7\u00e3o materialista-dial\u00e9ctica da ecologia<\/strong><\/p>\n<p>No campo da ecologia, a ideologia dominante quer for\u00e7ar os progressistas a escolher entre natureza e t\u00e9cnica. Ora, o pr\u00f3prio materialismo hist\u00f3rico tem a sua origem numa dial\u00e9ctica da natureza e da Hist\u00f3ria cujo objectivo \u00e9 fundar o materialismo hist\u00f3rico, demonstrando que, como escreveram Marx e Engels, \u00abos homens come\u00e7am a distinguir-se dos animais a partir do momento em que come\u00e7am a produzir os seus meios de subsist\u00eancia, evolu\u00e7\u00e3o que surge como consequ\u00eancia da sua organiza\u00e7\u00e3o corporal. \u00bb Para simplificar, \u00e9 na sequ\u00eancia de uma evolu\u00e7\u00e3o anat\u00f3mica natural que o homo sapiens come\u00e7a a romper com a ordem natural, produzindo objectos artificiais que, transmitindo-se de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, se tornaram a base da cultura. Por meio do trabalho humano, a cultura \u00e9 portanto a filha des-naturalizada\u2026da natureza. Mas o que se passa na nossa \u00e9poca sen\u00e3o que a produ\u00e7\u00e3o humana, tendo atingido um determinado grau de desenvolvimento (e desviada dos seus verdadeiros prop\u00f3sitos pela corrida capitalista ao super-lucro), se v\u00ea obrigada a ocupar-se artificialmente da reprodu\u00e7\u00e3o dos seus meios naturais de subsist\u00eancia : tal \u00e9 o significado altamente cultural e t\u00e9cnico da ecologia, que nada tem a ver com um qualquer decrescimento ou retorno a um estado natural. Para al\u00e9m disso, para que a humanidade se possa encarregar das condi\u00e7\u00f5es da sua exist\u00eancia natural e gerir a sua rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terra, ao ar, \u00e0 \u00e1gua e \u00e0 energia, \u00e9 necess\u00e1rio ultrapassar o que ainda h\u00e1 nela de selvagem : este \u00abguerra de todos contra todos\u00bb que o capitalismo re-mundializado exacerba, bem como a constru\u00e7\u00e3o europeia ultra-liberal. Para que o Homem saia da pr\u00e9-Hist\u00f3ria, para que ele se torne capaz de cultivar a natureza como natureza, para que ele reconcilie Gaia e Prometeu, \u00e9 necess\u00e1rio que os Homens ultrapassem a pr\u00e9-Hist\u00f3ria que est\u00e1 neles, e que, para isso, se submetam colectivamente \u00e0 raz\u00e3o, que parem de se submeter \u00e0 \u00ablivre concorr\u00eancia\u00bb do liberalismo olig\u00e1rquico e que, inversamente, planifiquem e organizem as suas rela\u00e7\u00f5es com os outros e com os recursos naturais ; ora isto \u00e9 imposs\u00edvel fora de uma sociedade sem classes, de uma mundializa\u00e7\u00e3o comunista no verdadeiro sentido da palavra. N\u00e3o h\u00e1 portanto qualquer necessidade de \u00abreconciliar\u00bb o comunismo com a ecologia, a nega\u00e7\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da qual a cultura se desnaturaliza para cultivar a natureza fazendo um s\u00f3 corpo com o projecto comunista.<\/p>\n<p><strong>Dial\u00e9ctica do exterminismo e do anti-exterminismo<\/strong><\/p>\n<p>Em 1984, em plena crise dos eurom\u00edsseis, avancei com a ideia iconoclasta de que o exterminismo \u00e9 o est\u00e1dio supremo do imperialismo. Pretendia ent\u00e3o dizer que, objectivamente, a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo torna-se tendencialmente incompat\u00edvel com a sobreviv\u00eancia da humanidade enquanto humanidade e que, subjectivamente, o capitalismo se torna capaz, para se manter, de arriscar das mais variadas formas a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie. Lembremo-nos que na \u00e9poca, a reac\u00e7\u00e3o alem\u00e3 ao receber os Pershings apontados \u00e0 URSS, era \u00abliber tot, als rot\u00bb, antes mortos que vermelhos. Na mesma \u00e9poca, o pseudo-fil\u00f3sofo franc\u00eas Andr\u00e9 Glucksmann ousava escrever, em \u00abA for\u00e7a da vertigem\u00bb : \u00abprefiro morrer, juntamento com o meu filho, do que imagin\u00e1-lo arrastado para uma qualquer Sib\u00e9ria planet\u00e1ria\u00bb. Pois bem, para grande vergonha do marxismo oficial, a maioria dos marxistas esconderam o enorme perigo que a cruzada anti-sovi\u00e9tica de Reagan e do imperialismo norte-americano fazia correr \u00e0 Humanidade. Alguns explicavam-nos que, de Moscovo a Paris, a \u00abguerra nuclear j\u00e1 n\u00e3o funcionava\u00bb, que, na nossa \u00e9poca, a teoria de Engels e L\u00e9nine sobre a guerra estava ultrapassada pois, como diziam Gromyko ou Pierre Juquin, \u00aba guerra de exterm\u00ednio n\u00e3o tem significado pol\u00edtico, pois destr\u00f3i ambos os beligerantes.\u00bb Manifestamente, os nossos marxistas nunca leram Kant, que fazia da conjura\u00e7\u00e3o da guerra de exterm\u00ednio o imperativo categ\u00f3rico de toda a pol\u00edtica internacional. N\u00e3o compreendendo a natureza exterminadora do capitalismo contempor\u00e2neo, esta \u00ab reac\u00e7\u00e3o em toda a linha \u00bb de acordo com as palavras de Lenine, m\u00faltiplos pensadores revisionistas n\u00e3o compreenderam o significado do Gorbatchevismo, esse exterminismo invertido e interiorizado, cuja palavra de ordem central, baptizada de \u00abnovo pensamento pol\u00edtico\u00bb, declarava que, na nossa \u00e9poca \u00abdevemos preferir os valores universais da humanidade aos interesses de classe do proletariado\u00bb. Ou seja, que devemos recuperar o slogan exterminista de Reagan para o inverter e declarar \u00abantes n\u00e3o vermelhos que mortos\u00bb, frase que esteve no cerne da pol\u00edtica de Gorbatchev. Desta forma, a recusa da dial\u00e9ctica materialista no que toca \u00e0 guerra e \u00e0 paz, a recusa precipitada da c\u00e9lebre frase de Clausewitz segundo a qual \u00aba guerra \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios\u00bb n\u00e3o permitiu a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre o exterminismo capitalista, pol\u00edtica de cruzada nuclear contra a URSS, e a contra-revolu\u00e7\u00e3o na URSS. Na mesma \u00e9poca, o marxista Fidel Castro respondia a Gorbatchev : \u00abh\u00e1 a democracia dos ricos e a democracia dos pobres\u00bb. E Fidel terminava todos os seus discursos \u00e0s massas, nos anos 80\/90, pela f\u00f3rmula \u00absocialismo ou morte\u00bb, um slogan que devemos compreender n\u00e3o apenas na sua dimens\u00e3o heroica, mas tamb\u00e9m na sua dimens\u00e3o objectivamente anti-exterminista : dada a natureza intrinsecamente mort\u00edfera do capitalismo contempor\u00e2neo, n\u00e3o podemos evitar o decl\u00ednio, a desumaniza\u00e7\u00e3o, mesmo a extermina\u00e7\u00e3o da humanidade, sem sair do capitalismo. Conceber dialecticamente, na sua continuidade e no seu conte\u00fado de classe, as rela\u00e7\u00f5es entre a pol\u00edtica imperialista e as cruzadas exterministas de Reagan, teria permitido compreender a continuidade pol\u00edtica objectiva entre o exterminismo capitalista e a contra-revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica, o social-pacifismo de Gorbatchev que prolongava e interiorizava a pol\u00edtica imperialista no pr\u00f3prio interior do sistema, a implos\u00e3o final da URSS podendo assim ser compreendida como resultado de uma luta de classes e n\u00e3o, como o fizeram tantos observadores superficiais, como a simples decomposi\u00e7\u00e3o do \u00abmodelo\u00bb bolchevique. Castro compreendeu o essencial desta dial\u00e9ctica da contra-revolu\u00e7\u00e3o e do exterminismo, e assim, n\u00e3o somente resistiu \u00e0 morte do colosso sovi\u00e9tico des-marxizado, mas desenhou implicitamente o significado do comunismo do s\u00e9culo XXI : a de um anti-exterminismo consequente que, longe de opor os \u00abvalores universais\u00bb \u00e0 luta de classes, mostra respectivamente o alcance universal, pacifista, ecol\u00f3gico e cient\u00edfico de um comunismo de nova gera\u00e7\u00e3o e mostra tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 apenas um universalismo, que a universalidade f\u00e9tida do capital financeiro, disfar\u00e7ada de \u00abhumanitarismo\u00bb e de \u00abdireito de inger\u00eancia\u00bb \u00e9 o absoluto oposto de um universalismo concreto, que associe o interesse de classe mundial do proletariado \u00e0 defesa de todas as na\u00e7\u00f5es e de todas as l\u00ednguas, da diversidade cultural mundial.<\/p>\n<p><strong>III \u2013 Terminaria esta interven\u00e7\u00e3o com um apelo ao necess\u00e1rio ressurgimento da dial\u00e9ctica da natureza<\/strong><\/p>\n<p><strong>A) Estamos na v\u00e9spera de uma revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na f\u00edsica e na cosmologia. <\/strong>Com o impacto dos novos meios te\u00f3ricos e experimentais de investiga\u00e7\u00e3o do macrocosmo e do microcosmo, as ci\u00eancias f\u00edsicas tendem a fundir-se : com efeito, para conhecer a estrutura das part\u00edculas, \u00e9 necess\u00e1rio estudar o in\u00edcio do universo actual e, inversamente, para compreender os destinos do universo, \u00e9 preciso estudar a natureza e a interac\u00e7\u00e3o das for\u00e7as fundamentais na escala infinitesimal. Esta revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 igualmente necess\u00e1ria para que a humanidade possa, no futuro, dominar o seu devir energ\u00e9tico, inclusivamente se seguir a via de uma sociedade p\u00f3s-capitalista. Ora esta revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o embate apenas em obst\u00e1culos t\u00e9cnicos que podem ser progressivamente ultrapassados, mas tamb\u00e9m em obst\u00e1culos epistemol\u00f3gicos de natureza filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>Vemos repetidamente as revistas cient\u00edficas, e diversos investigadores, opor a mat\u00e9ria \u00e0 energia, a subst\u00e2ncia ao campo, o real ao poss\u00edvel, a realidade objectiva \u00e0 ac\u00e7\u00e3o experimental sobre as part\u00edculas \u2013 Kant diria a \u00abcoisa em si\u00bb ao \u00abfen\u00f3meno\u00bb &#8211; a historicidade do devir \u00e0 ideia das leis racionais do universo. Tais aporias, que abrem permanentemente caminho ao criacionismo, n\u00e3o podem ser superadas sem uma renova\u00e7\u00e3o da dial\u00e9ctica da natureza, que \u00e9 a \u00fanica a permitir compreender que a mat\u00e9ria n\u00e3o se \u00abevaporou\u00bb, como se acreditava no in\u00edcio do s\u00e9culo, mas que, pelo contr\u00e1rio, a tese de Engels segundo a qual \u00abn\u00e3o h\u00e1 mat\u00e9ria sem movimento nem movimento sem mat\u00e9ria\u00bb se enriquece e se aprofunda.<\/p>\n<p>Esta dial\u00e9ctica objectiva, que tem tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o ontol\u00f3gica, como o mostrou o f\u00edsico e fil\u00f3sofo marxista Eftichios Bitsakis, deve ser constantemente associada \u00e0 teoria materialista do conhecimento tal como Marx a desenvolveu na sua \u00abIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 cr\u00edtica da economia pol\u00edtica\u00bb : Marx explica que n\u00e3o devemos escolher entre uma concep\u00e7\u00e3o passiva, empirista, do \u00abreflexo\u00bb, e uma forma idealista construtivista, pois em ci\u00eancia, o conhecimento resulta de uma \u00abreprodu\u00e7\u00e3o do concreto pela via do pensamento\u00bb. Nas investiga\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas do alem\u00e3o Martin Bojowald, na geometria n\u00e3o comutativa de um Alain Conne, no trabalho sobre a cosmologia de um Jean- Paul Lumient, nasce talvez uma nova figura da cientificidade : esta n\u00e3o ir\u00e1 mais opor, mas pelo contr\u00e1rio unir\u00e1 de um modo in\u00e9dito, nem especulativo, nem estritamente cient\u00edfico, a ci\u00eancia e a filosofia materialista, sendo a quest\u00e3o a de compreender o que o f\u00edsico G. Cohen-Tannoudji designa, de maneira assaz dial\u00e9ctica como \u00abmat\u00e9ria-espa\u00e7o-tempo\u00bb.<\/p>\n<p>A dial\u00e9ctica que aqui mais interessa \u00e9 a da forma e da mat\u00e9ria. J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX L\u00e9nine compreendera que a crise da f\u00edsica que ent\u00e3o surgia provinha em grande parte de bloqueios metaf\u00edsicos do pensamento cient\u00edfico. Confundindo a mat\u00e9ria com as formas sob as quais a antiga f\u00edsica mecanicista a conhecia, muitos pensadores como Ernst Mach, Ostwald ou Poincar\u00e9 deduziam que \u00aba mat\u00e9ria desaparece\u00bb porque, por exemplo, a massa deixa de ser o atributo universal sob o qual se pode surpreender os micro-objectos. L\u00e9nine pelo contr\u00e1rio mostrava que \u00e9 preciso posicionar-se a igual dist\u00e2ncia do dogmatismo, que associa a ideia de realidade material \u00e0s formas sob as quais se conhece a natureza ordinariamente, e do revisionismo, que nega a perman\u00eancia e a objectividade da realidade material, sob pretexto que as formas do nosso conhecimento evoluem. Pelo contr\u00e1rio, h\u00e1-que partir da unidade contradit\u00f3ria da forma e da mat\u00e9ria e compreender dialecticamente, e n\u00e3o mecanicamente, o velho preceito materialista de Lavoisier segundo o qual \u00abnada de cria, nada se perde, tudo se transforma\u00bb. O campo, o vazio qu\u00e2ntico, a antimat\u00e9ria, n\u00e3o s\u00e3o o outro radical do mundo material, mas formas paradoxais da exist\u00eancia: num certo sentido, a materialidade do ser est\u00e1 concentrada no prefixo \u00abtrans\u00bb do verbo \u00abtransformar\u00bb.<\/p>\n<p><strong>b) Esta dial\u00e9ctica da forma e da mat\u00e9ria \u00e9 igualmente indispens\u00e1vel no dom\u00ednio das ci\u00eancias econ\u00f3micas e pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma forma que as revistas cient\u00edficas repetem que a \u00abmat\u00e9ria desaparece\u00bb, \u00e9 tamb\u00e9m repetido que \u00aba classe oper\u00e1ria desaparece\u00bb, que \u00aba luta de classes \u00e9 um arca\u00edsmo\u00bb, que o neoliberalismo substitui o capitalismo monopolista de Estado, em suma, que a \u00abmodernidade\u00bb \u00e9 inacess\u00edvel \u00e0s categorias de an\u00e1lise marxistas. E se, na realidade, como procurei mostrar num op\u00fasculo filos\u00f3fico acerca da economia pol\u00edtica, o proletariado mudar de forma enquanto se alarga ao sector dos servi\u00e7os ? E se, na realidade, o neoliberalismo e a sua PSEUDO-\u00abconcorr\u00eancia livre\u00bb n\u00e3o forem sen\u00e3o o avatar do capitalismo monopolista de Estado em vias de globaliza\u00e7\u00e3o e de euro-continentaliza\u00e7\u00e3o ? E se, globalmente, no dom\u00ednio pol\u00edtico, os conceitos pol\u00edticos centrais do leninismo, e nomeadamente a teoria marxista do Estado e do partido de vanguarda, esperassem uma reformula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse nem abandono revisionista nem repeti\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica ? E se os marxistas, em vez de lamentarem a pretensa \u00abfalha\u00bb do pretenso \u00abmodelo\u00bb sovi\u00e9tico, tivessem por tarefa pensar o leninismo no nosso tempo, um novo desafio leninista, \u00fanico capaz de enfrentar claramente o enorme desafio que o capitalismo exterminista lan\u00e7a a toda a Humanidade ? E se, paradoxalmente, uma das tarefas centrais dos marxistas actuais n\u00e3o fosse lamentar-se infinitamente sobre a derrota do leninismo, mas estudar de modo preciso, como deve ser feito aquando da derrota de um ex\u00e9rcito, as li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da contra-revolu\u00e7\u00e3o ? Tent\u00e1mos, pela nossa parte, fazer esta leitura revolucion\u00e1ria da contra-revolu\u00e7\u00e3o num op\u00fasculo intitulado \u00abO Estado e a contra-revolu\u00e7\u00e3o \u00bb .<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>. Tenho consci\u00eancia de que disse demasiado e demasiado pouco, ao sobrevoar cada tema, mas tomei conscientemente esse risco, porque penso que estamos na v\u00e9spera de um renascimento global do materialismo dial\u00e9ctico. Termino afirmando uma convic\u00e7\u00e3o que nasce da dial\u00e9ctica do optimismo e do pessimismo t\u00e3o querida de Gramsci : face \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es que a nossa \u00e9poca acumula, \u00e9poca de passagem do capitalismo ao comunismo, no momento mesmo em que, monstruosamente, a primeira experi\u00eancia socialista da hist\u00f3ria deu lugar \u00e0 re-mundializa\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o mais selvagem, o mundo do trabalho, a humanidade progressista, os investigadores que querem pensar o sentido do seu trabalho, e mesmo simplesmente o individuo que compreende que nenhuma actividade individual tem sentido se a sua na\u00e7\u00e3o, a sua classe social, a humanidade inteira correrem para o abismo da desumaniza\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o cada vez mais de se reapropriar do materialismo dial\u00e9ctico. \u00c9 a isso que chamo \u00absabedoria da revolu\u00e7\u00e3o\u00bb, dessa revolu\u00e7\u00e3o na sabedoria, um ideal chamado a reencontrar o sentido c\u00edvico inicial que lhe dava Tales e S\u00f3lon, perdendo o seu car\u00e1cter apol\u00edtico burgu\u00eas. O renascimento da filosofia marxista \u00e9 indispens\u00e1vel para conceber um segundo Renascimento da humanidade numa \u00e9poca em que esta \u00e9 obrigada a escolher entre a luta e a derrota, entre o socialismo de segunda gera\u00e7\u00e3o e a barb\u00e1rie definitiva, em suma, entre os dois \u00abfins da hist\u00f3ria\u00bb, o \u00abfinal feliz\u00bb, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o e o mau final, o decl\u00ednio e a extermina\u00e7\u00e3o. E para isso \u00e9 necess\u00e1rio que os marxistas, ultrapassando aquilo a que Domenico Losurdo chama \u00aba autofobia comunista\u00bb, assumam de modo cr\u00edtico a sua orgulhosa re-filia\u00e7\u00e3o no campo do materialismo dial\u00e9ctico.<\/p>\n<p>Obrigado.<\/p>\n<p><em>Comunica\u00e7\u00e3o apresentada no Congresso \u00ab Marx em Maio \u00bb<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2492\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2492<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nGeorges Gastaud\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2946\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-2946","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Lw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2946","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2946"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2946\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2946"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2946"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2946"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}