{"id":2947,"date":"2012-06-01T04:15:14","date_gmt":"2012-06-01T04:15:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2947"},"modified":"2012-06-01T04:15:14","modified_gmt":"2012-06-01T04:15:14","slug":"abril-da-vergonha-quero-castigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2947","title":{"rendered":"Abril da vergonha: quero castigo!"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma cicatriz hist\u00f3rica, como qualquer outra cicatriz, \u00e9 algo que insiste em mostrar algo que muitos querem esconder. Inc\u00f4moda, \u00e1spera, marcada na carne e na mem\u00f3ria, sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 lembrar.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse Maquiavel: \u201cna antiguidade e continua\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio gasta-se a mem\u00f3ria\u201d. No entanto, o inverso \u00e9 igualmente verdadeiro, a mem\u00f3ria, quando viva, \u00e9 uma poderosa arma contra aqueles que querem naturalizar seu dom\u00ednio.<\/p>\n<p>Dizem que quando a Inglaterra invadiu e dominou a Irlanda no s\u00e9culo XVII, como forma de impor o protestantismo, aproveitou-se de um per\u00edodo prolongado de fome para oferecer sopa \u00e0queles que se convertiam \u00e0 nova religi\u00e3o. Muitos anos depois, Ronald Reagan em campanha para presidente iria fazer uma viagem a Belfast para, como de costume, explorar sua descend\u00eancia mirando os votos da comunidade irlandesa nos Estados Unidos. Quando desembarcou, uma enorme faixa o esperava: fora, tomador de sopa! Um povo que n\u00e3o esquece \u00e9 um problema para os dominadores.<\/p>\n<p>O atual debate sobre a ditadura empresarial e militar implantada em 1964 e seus crimes reacende esta pol\u00eamica entre o esquecimento e a mem\u00f3ria. A hist\u00f3ria n\u00e3o tem pele para guardar suas cicatrizes, ent\u00e3o emprestamos a nossa pele, nossa carne e nossos ossos, guardamos, n\u00f3s que sobrevivemos, em nossos corpos a mem\u00f3ria de nossos mortos, como disse Marighella. Mas por que a guardamos? Por que manter viva a dor do corte nesta cicatriz?<\/p>\n<p>O dossi\u00ea da Comiss\u00e3o Especial de Direitos Humanos, denominado \u201cDireito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade\u201d, diz em sua apresenta\u00e7\u00e3o que a coincid\u00eancia de sua publica\u00e7\u00e3o no dia que marca os 28 anos da lei da Anistia sinaliza \u201ca busca da conc\u00f3rdia, o sentimento de reconcilia\u00e7\u00e3o e os objetivos humanit\u00e1rios que moveram os 11 anos de trabalho da Comiss\u00e3o Especial\u201d. N\u00e3o resta d\u00favida que a Comiss\u00e3o cumpriu um importante papel na den\u00fancia dos crimes que encontravam-se soterrados sob o manto de sil\u00eancio e a arrog\u00e2ncia militar que tutelou o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds, no entanto, n\u00e3o foi al\u00e9m da den\u00fancia do crime, n\u00e3o aponta os respons\u00e1veis que seguem protegidos supostamente pela Lei da Anistia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de um problema de justi\u00e7a, muito menos de uma mera pend\u00eancia jur\u00eddica a ser arbitrada pelo STF, ou seja, se certos crimes prescrevem ou n\u00e3o, como o sequestro e a tortura e, portanto, n\u00e3o podem ser \u201canistiados\u201d. N\u00e3o pode ser resumido a um problema meramente moral, ainda que passe por uma dimens\u00e3o moral. Trata-se, antes de tudo, de um problema pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Quando da forma\u00e7\u00e3o da chamada \u201cComiss\u00e3o da Verdade\u201d, os militares reagiram de uma forma que \u00e9 bastante significativa. Seu principal argumento, expresso pela boca de seus interlocutores uma vez que os militares propriamente n\u00e3o falam a n\u00e3o ser por seus clubes, militares reformados e parlamentares que lhes emprestam suas palavras, era que a comiss\u00e3o \u00e9 \u201cunilateral\u201d. O presidente do Clube Naval, vice-almirante da reserva Ricardo Ant\u00f4nio da Veiga Cabral disse em reportagem ao jornal O Estado de S\u00e3o Paulo que \u201ca verdade n\u00e3o tem de ser s\u00f3 de um lado, o que a gente espera \u00e9 que haja equil\u00edbrio\u201d e completa afirmando que \u00e9 necess\u00e1rio um di\u00e1logo, \u201csem radicalismo\u201d, afinal, segundo o vice-almirante, \u201cestamos em uma democracia\u201d.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do processo de abertura controlada, o General Golbery do Couto e Silva, foi ainda mais direto em uma reportagem da falecida revista Veja, quando dizia, ao ser indagado se os militares deveriam temer que a abertura revelasse seus \u201cdesvios\u201d. Naquela \u00e9poca ele afirmou que seria melhor que fossem abertos os arm\u00e1rios e que colocassem os cad\u00e1veres na rua, eles iriam incomodar, mas com o tempo todos iriam esquecer.<\/p>\n<p>Bom, ent\u00e3o qual seria esta vers\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d, sem \u201cradicalismos\u201d, \u201cequilibrada\u201d e que poderia levar \u00e0 \u201cconc\u00f3rdia\u201d e a \u201creconcilia\u00e7\u00e3o\u201d? Qual o \u201coutro lado\u201d?<\/p>\n<p>Comecemos por constatar que tal postura dos militares \u00e9 defensiva e altera, em parte, um posicionamento c\u00ednico, ou seja, o de negar que houve qualquer crime. Talvez esse seja o m\u00e9rito da Comiss\u00e3o Especial, limpar o terreno do cinismo. Os golpistas sempre apresentaram a vers\u00e3o segundo a qual n\u00e3o houve crimes, ningu\u00e9m foi torturado, sequestrado, morto. Houve presos, troca de tiros, fatalidades, suic\u00eddios, eventualmente um exagero isolado sem consentimento ou mesmo conhecimento dos militares e do governo ditatorial. Elio Gaspari em seu escancaramento da Ditadura j\u00e1 comprovou, atrav\u00e9s das pr\u00f3prias palavras de Geisel, o cinismo desta afirma\u00e7\u00e3o, assumindo n\u00e3o apenas as torturas, sequestros e mortes de militantes pol\u00edticos de oposi\u00e7\u00e3o como o pleno conhecimento da c\u00fapula da ditadura.<\/p>\n<p>Limpo este terreno, a estrat\u00e9gia de defesa altera para a afirma\u00e7\u00e3o que se tratava de uma luta, uma guerra, e na guerra certas coisas s\u00e3o necess\u00e1rias para atingir os fins desejados. Tratava-se, segundo o discurso ideol\u00f3gico dos militares golpistas, de defesa da democracia contra o risco de uma revolu\u00e7\u00e3o comunista. Nesta guerra morreram militantes de esquerda e morreram militares, a anistia apaga tudo e permite a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um bom caminho. Trata-se de uma luta de classes. N\u00f3s da esquerda resistimos \u00e0 ditadura de diferentes maneiras, desde a resist\u00eancia pac\u00edfica do PCB at\u00e9 as diferentes formas de luta armada, passando pela resist\u00eancia clandestina ou pela a\u00e7\u00e3o direta. Nossos camaradas se empenharam nesta luta conscientes, convictos de seus princ\u00edpios e do compromisso \u00e9tico-pol\u00edtico, oferecendo suas pr\u00f3prias vidas quando assim se exigiu.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos cair na armadilha da vitimiza\u00e7\u00e3o. Nossos mortos e desaparecidos eram combatentes e, salvo exce\u00e7\u00f5es, sabiam exatamente o que faziam e contra quem se levantavam, o que s\u00f3 aumenta sua honra e seu hero\u00edsmo. Agora, isso \u00e9 verdadeiro para nossos inimigos?<\/p>\n<p>Caso os militares queiram assumir este discurso, que o levem coerentemente at\u00e9 o fim. Comecem por assumir que seu golpe e sua ditadura n\u00e3o se estabeleceram para garantir uma democracia, mas contra ela. O governo que foi deposto era um governo constitucional e democraticamente eleito que apontava para reformas. Os golpistas rasgaram a constitui\u00e7\u00e3o, violaram a lei e impuseram um governo de exce\u00e7\u00e3o. Longe de ser para garantir a \u201cdemocracia\u201d foi, como sabemos, para garantir os interesses do grande capital monopolista nacional e imperialista. Seus mortos, aqueles que perderam a vida nesta luta de classes defendendo os golpistas, sabiam disso? Sabiam de fato pelo que lutavam e o que defendiam?<\/p>\n<p>Seus profissionais de tortura, treinados pela CIA e pela Escola das Am\u00e9ricas no Panam\u00e1, eram apenas assalariados do terror, s\u00e1dicos e covardes escondidos em seus aparelhos oficiais e clandestinos. Seus oficiais protegidos em gabinetes dando ordens est\u00e3o muito longe da figura m\u00edtica de algu\u00e9m em um campo de batalha defendendo seus princ\u00edpios. Optaram por uma repress\u00e3o seletiva e acobertada para evitar um confronto aberto no campo da batalha. Escolheram o campo de luta que melhor lhes convinha e nisso foram muito eficientes.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o outro lado desta hist\u00f3ria? Alguns de seus agentes de terror morreu quando tentava nos massacrar? Ent\u00e3o que se explicite os motivos da guerra e as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es envolvidas. Muitos de n\u00f3s defend\u00edamos uma alternativa socialista para o Brasil, nem todos os que se empenharam na luta contra a ditadura eram socialistas, mas nos unific\u00e1vamos na resist\u00eancia contra a ditadura e sua barb\u00e1rie. O que unificava nossos inimigos? Eram fantoches dos monop\u00f3lios e do imperialismo, agentes do conservadorismo do latif\u00fandio e da prepot\u00eancia da burguesia.<\/p>\n<p>Agora, isso revelado, o que altera o fato de que houve um terrorismo de Estado que de forma arbitr\u00e1ria, ilegal e imoral, usou um poder desproporcional atingindo diretamente seus advers\u00e1rios, n\u00e3o como combatentes que eram e que tinham legitimidade para s\u00ea-lo, mas aviltando-os em sua mais elementar dignidade humana? N\u00f3s os combat\u00edamos e quer\u00edamos derrub\u00e1-los, \u00e9 verdade. Eles nos combatiam e queriam nos aniquilar, \u00e9 verdade. \u00c9 isso que se reduz ver as coisas por dois lados? N\u00e3o, esta \u00e9 a armadilha para a reconcilia\u00e7\u00e3o e o esquecimento.<\/p>\n<p>Um lado sequestrou, levou para por\u00f5es e aparatos oficiais, arrancou unhas, deu choques el\u00e9tricos nos test\u00edculos, estuprou as mulheres na frente de seus companheiros e filhos, quebrou ossos, nos jogou nus em celas imundas cobertas de fezes, destruiu cientificamente nossos corpos e mentes, nos assassinou e escondeu nossos corpos para garantir o sagrado direito de propriedade e a continuidade da acumula\u00e7\u00e3o de capitais. Esta cicatriz ainda d\u00f3i nos corpos dos desaparecidos, nas mentes destru\u00eddas aprisionadas nos corpos condenados a continuar vivendo, nas nossas filhas e filhos que cresceram sem seus pais e m\u00e3es, nas m\u00e3es e pais obrigados a viver sem seus filhos e n\u00e3o ter um t\u00famulo onde chorar.<\/p>\n<p>N\u00f3s sab\u00edamos porque lut\u00e1vamos. Seus assalariados do terror sabiam porque nos matavam? Eles repetiam para si mesmos que era para defender a p\u00e1tria quando chutavam nossos rostos com seus coturnos? Eles repetiam que era para defender a fam\u00edlia quando nos estupravam? Eles repetiam que era para defender a democracia quando nos arrastavam \u00e0 noite de olhos vendados, sem mandato, sem processo e sem defesa, para ser assassinado em um matagal ou aparato clandestino do ex\u00e9rcito?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o acho que seja poss\u00edvel reconcilia\u00e7\u00e3o. Gosto de v\u00ea-los assustados quando nossos meninos e meninas os perseguem pelas ruas e fazem com que militares envergonhados tenham que entrar pela porta do fundo de seus clubes sob vaias e ovos podres. Gosto de ver a hist\u00f3ria os colocando no papel que lhes cabe: de algozes e assassinos. N\u00e3o se trata de um problema jur\u00eddico. A borracha da anistia n\u00e3o apaga minhas cicatrizes e a mem\u00f3ria da humanidade. N\u00f3s sobrevivemos a nossa derrota, voc\u00eas jamais escapar\u00e3o do sangue que encharca sua vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com Pablo Neruda gritamos, intransigentes e irreconcili\u00e1veis:<\/p>\n<p>Nossos Inimigos (Canto Geral)<\/p>\n<p>Aqui eles trouxeram os fuzis repletos<\/p>\n<p>de p\u00f3lvora, eles comandaram o acerbo exterm\u00ednio,<\/p>\n<p>eles aqui encontraram um povo que cantava,<\/p>\n<p>um povo por dever e por amor reunido,<\/p>\n<p>e a delgada menina caiu com a sua bandeira,<\/p>\n<p>e o jovem sorridente girou a seu lado ferido,<\/p>\n<p>e o estupor do povo viu os mortos tombarem<\/p>\n<p>com f\u00faria e dor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, no lugar<\/p>\n<p>onde tombaram os assassinados,<\/p>\n<p>baixaram as bandeiras para se empaparem do sangue<\/p>\n<p>para se erguerem de novo diante dos assassinos.<\/p>\n<p>Por estes mortos, nossos mortos,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>Para os que salpicaram a p\u00e1tria de sangue,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>Para o verdugo que ordenou esta morte,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>Para o traidor que ascendeu sobre o crime,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>Para o que deu a ordem de agonia,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>Para os que defenderam este crime,<\/p>\n<p>pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero que me deem a m\u00e3o<\/p>\n<p>empapada de nosso sangue.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o castigo.<\/p>\n<p>N\u00e3o vos quero como embaixadores,<\/p>\n<p>tampouco em casa tranquilos,<\/p>\n<p>quero ver-vos aqui julgados,<\/p>\n<p>nesta pra\u00e7a, neste lugar.<\/p>\n<p>Quero castigo.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Para aprofundar a discuss\u00e3o sobre a heran\u00e7a social, pol\u00edtica e cultural da ditadura militar, recomendamos a leitura de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.boitempo.com\/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-155-0\" target=\"_blank\">O que resta da ditadura: a exce\u00e7\u00e3o brasileira<\/a> (Boitempo, 2010), colet\u00e2nea de ensaios organizada por Edson Teles e Vladimir Safatle.\u00a0A vers\u00e3o em\u00a0ebook acaba de ter seu pre\u00e7o reduzido para apenas R$26. Compre nas livrarias\u00a0<a href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/scripts\/resenha\/resenha.asp?nitem=22867830&amp;sid=181144134131216323501284767\" target=\"_blank\">Cultura<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.livrariasaraiva.com.br\/produto\/4045989\/o-que-resta-da-ditadura-a-excecao-brasileira-col-estado-de-sitio\/\" target=\"_blank\">Saraiva<\/a> e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.gatosabido.com.br\/ebook-download\/154849\/o-que-resta-da-ditadura.html\" target=\"_blank\">Gato Sabido<\/a>.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Mauro Iasi \u00e9 professor adjunto da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (N\u00facleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comit\u00ea Central do PCB. \u00c9 autor do livro\u00a0<a href=\"http:\/\/boitempo.com\/livro_completo.php?isbn=85-87767-10-0\" target=\"_blank\">O dilema de Hamlet: o ser e o n\u00e3o ser da consci\u00eancia<\/a> (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, \u00e0s quartas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/boitempoeditorial.wordpress.com\/2012\/04\/11\/abril-da-vergonha-quero-castigo\/\" target=\"_blank\">http:\/\/boitempoeditorial.wordpress.com\/2012\/04\/11\/abril-da-vergonha-quero-castigo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: boitempoeditorial\n\n\n\n\n\n\n\n\nMauro Iasi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2947\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-2947","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Lx","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2947"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2947\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}