{"id":29562,"date":"2022-11-29T12:55:16","date_gmt":"2022-11-29T15:55:16","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29562"},"modified":"2022-11-29T13:01:25","modified_gmt":"2022-11-29T16:01:25","slug":"pcv-a-confluencia-bolivar-marx-e-a-revolucao-bolivariana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29562","title":{"rendered":"PCV: A Conflu\u00eancia Bol\u00edvar-Marx e a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29560\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?attachment_id=29560\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?fit=800%2C800&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"800,800\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"91 anos PCV\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-full wp-image-29560\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/91-anos-PCV.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>PARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA (PCV): A CONFLU\u00caNCIA BOL\u00cdVAR-MARX E A REVOLU\u00c7\u00c3O BOLIVARIANA<\/p>\n<p>Por T\u00falio C. D. Lopes &#8211; professor, historiador e membro do comit\u00ea central do PCB<\/p>\n<p>Este artigo faz parte de uma pesquisa mais ampla em curso sobre a rela\u00e7\u00e3o dos Partidos Comunistas sul-americanos com a educa\u00e7\u00e3o em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es. Na Venezuela, o Partido Comunista impulsiona a constru\u00e7\u00e3o do Instituto de Altos Estudos Bol\u00edvar-Marx (IAEBM) que desenvolve diversas atividades. Os comunistas venezuelanos do Partido Comunista da Venezuela (PCV) mant\u00eam seu v\u00ednculo te\u00f3rico-pol\u00edtico com o Marxismo-Leninismo e suas refer\u00eancias na luta independentista protagonizada, dentre outros e outras, por Simon Bol\u00edvar. No processo hist\u00f3rico da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana os Comunistas do PCV mantiveram firme com seu prop\u00f3sito de construir o Poder Popular e o Socialismo no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Venezuela (PCV): o partido do Gallo Rojo[2]<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Venezuela (PCV), fundado em 05 de mar\u00e7o de 1931, se autodefine estatutariamente como o Partido Pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria e dos trabalhadores e trabalhadoras em geral, sua vanguarda, sua forma superior de organiza\u00e7\u00e3o. Tradicional defini\u00e7\u00e3o dos Partidos Comunistas<\/p>\n<p>vinculados ao Movimento Comunista Internacional (MCI). O \u00f3rg\u00e3o oficial do Partido Comunista da Venezuela (PCV) \u00e9 o jornal Tribuna Popular, dispon\u00edvel em sua vers\u00e3o impressa e digital. O PCV \u00e9 o principal Partido Comunista[3] em atividade na Venezuela e se configura como uma das principais organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Venezuela (PCV) tem como \u201cmiss\u00e3o hist\u00f3rica\u201d ser a for\u00e7a do povo trabalhador. Desta forma o PCV se consolidou ao longo de d\u00e9cadas de luta como organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, aut\u00f4noma, cr\u00edtica e propositiva. O Partido \u00e9 popularmente conhecido na Venezuela como o Partido do Gallo Rojo, devido ao seu s\u00edmbolo ser uma figura de um Galo Vermelho. O PCV expressa que:<\/p>\n<p>(&#8230;) Os partidos marxistas-leninistas como o nosso, tem a miss\u00e3o hist\u00f3rica de conduzir a classe oper\u00e1ria a tomar o poder pol\u00edtico, a demoli\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina estatal burguesa (ditadura do capital, ainda se revestida de apar\u00eancias democr\u00e1ticas), a instaura\u00e7\u00e3o de um novo tipo de Estado (Ditadura do Proletariado, ainda que apresente outras denomina\u00e7\u00f5es), a transi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria desde a desmontagem total do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e a edifica\u00e7\u00e3o do socialismo na perspectiva da sociedade comunista\u201d. Com honestidade revolucion\u00e1ria, o PCV demonstra que como diz sua consigna, \u00e9 A for\u00e7a do Povo Trabalhador! (PCV, 2015).<\/p>\n<p>O PCV \u00e9 hoje um dos principais partidos comunistas latino-americanos e mant\u00eam claramente uma perspectiva revolucion\u00e1ria e est\u00e1 vinculado \u00e0 luta do povo trabalhador venezuelano pelo poder popular e pelo socialismo. Tamb\u00e9m tem participa\u00e7\u00e3o ativa em articula\u00e7\u00f5es internacionais tais como o Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rio (EIPCO), a Revista Comunista Internacional (RCI), o Movimento Continental Bolivariano (MCB) e o Foro de S\u00e3o Paulo (FSP). Al\u00e9m de participar atrav\u00e9s da Juventude Comunista da Venezuela (JCV) da Federa\u00e7\u00e3o Mundial das Juventudes Democr\u00e1ticas (FMJD), do setor de mulheres na Federa\u00e7\u00e3o Mundial Democr\u00e1tica das Mulheres (FDIM), do setor sindical da Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial (FSM)) e do Conselho Mundial pela Paz (CMP).<\/p>\n<p>Nos marcos de sua funda\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 1931, o PCV teve forte influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista de Outubro na R\u00fassia, do Partido Bolchevique liderado por Lenin, da Internacional Comunista, da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) e da Revolu\u00e7\u00e3o Mexicana agr\u00e1ria e anti-imperialista. No processo de conforma\u00e7\u00e3o do PCV tr\u00eas \u201cvertentes revolucion\u00e1rias\u201d tiveram preponder\u00e2ncia: as classes trabalhadoras e populares das \u00e1reas petrol\u00edferas, exilados pol\u00edticos venezuelanos e grupos radicalizados de estudantes e intelectuais. O primeiro Secret\u00e1rio Geral (Secret\u00e1rio Pol\u00edtico) do PCV foi o sapateiro Tom\u00e1s Aquino Torres.<\/p>\n<p>Destaca-se tamb\u00e9m o apoio do Bir\u00f4 Caribenho da Internacional Comunistas no ato fundacional do PCV e da influ\u00eancia da propaganda e literatura marxista proveniente dos Partidos Comunistas do M\u00e9xico, dos Estados Unidos e da Col\u00f4mbia. A Internacional Comunista aprovou em 20 de agosto de 1935 a admiss\u00e3o do Partido Comunista da Venezuela (PCV) e dos Partidos Comunistas latino americanos do Peru, Col\u00f4mbia, Costa Rica e Porto Rico. \u00d3scar Figuera, Secret\u00e1rio Geral do PCV destaca que nas \u00faltimas nove d\u00e9cadas o PCV, enquanto um destacamento do proletariado venezuelano, desenvolveu um combate incessante \u201ccontra a oligarquia e o imperialismo, contra o oportunismo e o reformismo, pela liberta\u00e7\u00e3o nacional e pelo socialismo-comunismo\u201d.<\/p>\n<p>Figuera (2021, s\/n)[4] tamb\u00e9m ressalta o papel dos comunistas venezuelanos na organiza\u00e7\u00e3o e luta do movimento sindical classista na Venezuela, desde a Greve do Petr\u00f3leo de 1936\/1937, primeira grande manifesta\u00e7\u00e3o nacional antiimperialista, passando pelas jornadas de lutas oper\u00e1rias e camponesas da d\u00e9cada de 1940, \u00e0s lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras e da juventude venezuelana, nas greves e nos violentos protestos populares dos anos noventa. E nos informa que no processo hist\u00f3rico de luta do PCV houve o exerc\u00edcio de todas as formas de luta, inclusive a luta armada insurrecional contra os regimes ditatoriais e no plano te\u00f3rico pol\u00edtico interno uma intensa luta contra os desvios e deforma\u00e7\u00f5es do marxismo, tanto das posi\u00e7\u00f5es de pseudo-esquerda como de direita dentro e fora do partido.<\/p>\n<p>O PCV define seu v\u00ednculo te\u00f3rico pol\u00edtico em seu estatuto, afirmando que o Partido:<\/p>\n<p>Se guia pela concep\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Marxismo-Leninismo, o ideal emancipador, anti-imperialista e integracionista de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e pelos princ\u00edpios do internacionalismo prolet\u00e1rio, a solidariedade internacional com os povos que lutam por sua liberta\u00e7\u00e3o nacional, pela democracia popular, o progresso, o bem-estar social e pelo Socialismo. (TRIBUNA POPULAR, N\u00ba112, 2005)<\/p>\n<p>No campo da forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-pol\u00edtica os comunistas venezuelanos buscam atualizar o pensamento de Simon Bol\u00edvar5 e associ\u00e1-lo ao marxismo-leninismo, realizando atividades de educa\u00e7\u00e3o partid\u00e1rias de seus militantes. Figuera (2021)[6] aponta que do nascimento at\u00e9 os dias atuais:<\/p>\n<p>O PCV foi forjado no caldeir\u00e3o cultural hist\u00f3rico da luta e resist\u00eancia de nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia como povo e na\u00e7\u00e3o venezuelana, valendo-se do pensamento de nossos libertadores, em particular da ideologia emancipat\u00f3ria e de unidade latino-americana-caribenha do Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar, sempre em di\u00e1logo, encontro e conex\u00e3o com o movimento universal da corrente revolucion\u00e1ria cient\u00edfica e consistente, que exprime os interesses das causas justas dos povos, como o marxismo-leninismo. (FIGUERA, 2021, s\/n).<\/p>\n<p>A conflu\u00eancia entre Marxismo-Leninismo e o ideal bolivariano est\u00e1 presente no Partido Comunista da Venezuela (PCV) e \u00e9 um dos elementos constitutivos da cultura pol\u00edtica comunista na Venezuela associada principalmente \u00e0 luta anti-imperialista e anticapitalista. Em nossa investiga\u00e7\u00e3o verificamos que o v\u00ednculo entre as lutas independentistas e o marxismo-leninismo \u00e9 claramente expresso, nos documentos pol\u00edticos e materiais de agita\u00e7\u00e3o e propaganda do PCV. Por\u00e9m est\u00e1 vincula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 de maneira mec\u00e2nica e descontextualizada e sim a partir de estudos e discuss\u00f5es profundas a partir das lutas concretas do povo trabalhador venezuelano.<\/p>\n<p>Outros setores da esquerda e centro-esquerda venezuelana e latino americana tamb\u00e9m reivindicam o legado pol\u00edtico e hist\u00f3rico de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e apontam seus l\u00edderes hist\u00f3ricos como continuadores da obra do Libertador. O Movimento Continental Colombiano ligado a dissid\u00eancia das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia \u2013 Ex\u00e9rcito do Povo (FARC-EP) apresentam Manuel Marulanda V\u00e9lez e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) apresenta Hugo Ch\u00e1vez. Setores da direita liberal tamb\u00e9m reivindicam o legado de Bol\u00edvar relacionando-o com o nacionalismo burgu\u00eas.<\/p>\n<p>O PCV e a conflu\u00eancia Bol\u00edvar-Marx<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Venezuela (PCV) impulsiona os trabalhos do Instituto de Altos Estudos Bol\u00edvar Marx (IAEBM). O IAEBM \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter acad\u00eamico, geradora de conhecimento e difusora de valores humanistas, cujo esfor\u00e7o intelectual est\u00e1 fundamentalmente centrado na produ\u00e7\u00e3o intelectual. O IAEBM tamb\u00e9m promove um conjunto de atividades de agita\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Atrav\u00e9s de sua rede social posta cotidianamente um conjunto de cards homenageando lideran\u00e7as comunistas da Venezuela e do Mundo atrav\u00e9s de uma campanha chamada \u201cComunista exemplar!\u201d[7].<\/p>\n<p>O escrito de Karl Marx (1818-1881) sobre a vida e obra de Simon Bol\u00edvar foi marcado por uma dura cr\u00edtica de sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica e militar. Marx[8] informava que:<\/p>\n<p>Sim\u00f3n, o \u201cLibertador\u201d da Col\u00f4mbia nasceu em 24 de julho de 1783 em Caracas e morreu em San Pedro, perto de Santa Marta, em 17 de dezembro de 1830. Descendia de uma das fam\u00edlias mantuanas, que na \u00e9poca da domina\u00e7\u00e3o espanhola constitu\u00edam a nobreza criolla na Venezuela.<\/p>\n<p>Nestor Kohan, ao investigar o \u201cBol\u00edvar\u201d de Marx aponta a diferen\u00e7a entre o universo cultural inspirado nos sonhos libert\u00e1rios de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e a leitura pol\u00edtica que se deriva da concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria e da filosofia da pr\u00e1xis de Karl Marx. Kohan (2013) verifica que:<\/p>\n<p>V\u00e1rios problemas passaram a heran\u00e7a do movimento revolucion\u00e1rios latino-americano e mundial devido ao t\u00e3o pouco feliz artigo escrito por Marx aos fins de 1857 e come\u00e7os de 1858, quando redigia a primeira vers\u00e3o de O Capital, hoje conhecida como os Grundrisse (cuja reda\u00e7\u00e3o s\u00f3 interrompe momentaneamente por necessidades econ\u00f4mica). Naquele trabalho period\u00edstico-biogr\u00e1fico Marx se esfor\u00e7a por desgastar a Bol\u00edvar at\u00e9 o limite que permite suas palavras, envolvendo-o em uma sorte de bonapartismo reacion\u00e1rio. Na gest\u00e3o do artigo incidiram diversas vari\u00e1veis. Para sobreviver exilado em Londres, Marx come\u00e7a a trabalhar como periodista, colaborando a dist\u00e2ncia no New York Daily Tribune<\/p>\n<p>\u2013 um dos peri\u00f3dicos mais lidos nos Estados Unidos \u2013 por convite de Charles Anderson Dana (1819-1897). (KOHAN, 2013, p.178)<\/p>\n<p>Marx reconheceu em correspond\u00eancia que este trabalho era realizado por necessidade e o aborrecia muito pois ocupava muito tempo, dispersava seus esfor\u00e7os e n\u00e3o significava muito, as obras puramente cient\u00edficas eram completamente diferentes. (KOHAN, 2013, p.178)<\/p>\n<p>Diversos setores da esquerda e centro-esquerda latino-americana fazem refer\u00eancias diretas ao legado hist\u00f3rico de Simon Bol\u00edvar, alguns fazem de forma acr\u00edtica para justificar um pretenso nacionalismo-revolucion\u00e1rio. Os Partidos Comunistas, em especial o PCV, reivindicam seu legado hist\u00f3rico e apresentam uma conflu\u00eancia dos principais ideais bolivarianos com o marxismo, n\u00e3o deixando de considerar os diferentes contextos hist\u00f3ricos e as particularidades nacionais.<\/p>\n<p>Mari\u00e1tegui (2011) j\u00e1 apontava no Programa do Partido Socialista Peruano (posteriormente Partido Comunista) \u00e0s diferen\u00e7as substanciais entre a Revolu\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia e a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista. Nas palavras do comunista peruano:<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, foi um movimento solid\u00e1rio de todos os povos subjugados pela Espanha; a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 um movimento conjunto de todos os povos oprimidos pelo capitalismo. Se a revolu\u00e7\u00e3o liberal, nacionalista por seus princ\u00edpios, n\u00e3o pode ser executada sem uma estreita uni\u00e3o entre os pa\u00edses americanos, \u00e9 f\u00e1cil compreender a lei hist\u00f3rica que \u2013 em uma \u00e9poca de interdepend\u00eancia e v\u00ednculo mais acentuados entre as na\u00e7\u00f5es \u2013 imp\u00f5e \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o social, internacionalista por princ\u00edpio, ocorrer por meio de uma coordena\u00e7\u00e3o muito mais disciplinada e intensa dos partidos prolet\u00e1rios. (MARI\u00c1TEGUI, 2011, p.205)<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o dos Comunistas com o legado hist\u00f3rico de Bol\u00edvar n\u00e3o come\u00e7a com a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana de 1999. Nos anos oitenta do s\u00e9culo XX, dirigentes comunistas dos seis pa\u00edses onde Bol\u00edvar empreendeu sua luta independentista debatiam sobre o legado de Bol\u00edvar. Representantes dos seis partidos comunistas[9] dos pa\u00edses libertados por Bol\u00edvar apresentaram em um artigo intitulado \u201cExemplo e presen\u00e7a do Libertador\u201d tra\u00e7os gerais do pensamento, da trajet\u00f3ria e das propostas de Bol\u00edvar. Os autores do texto de produ\u00e7\u00e3o coletiva destacam que:<\/p>\n<p>Sim\u00f3n Bol\u00edvar prevalece na consci\u00eancia popular latino-americana como um s\u00edmbolo das melhores tradi\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias, patri\u00f3ticas e democr\u00e1ticas do continente. Sob sua dire\u00e7\u00e3o militar e pol\u00edtica culminou o movimento emancipador das Col\u00f4nias da Espanha (1809-1825), que hoje constituem as Rep\u00fablicas de Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Panam\u00e1, Peru e Venezuela. Por isso mereceu em vida o t\u00edtulo de Libertador, que ele apreciou acima de todas as distin\u00e7\u00f5es que lhe outorgaram. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.151)<\/p>\n<p>Os autores concebem que:<\/p>\n<p>O gesto hist\u00f3rico da primeira independ\u00eancia vencida contra o colonialismo hispano, traz o antecedente hist\u00f3rico leg\u00edtimo em que se afirma a luta atual de nossos povos contra as novas e mais perversas formas de vasgem pol\u00edtica e explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, impostas pelo imp\u00e9rio americano (&#8230;) O movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social desta \u00e9poca n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o anticolonial no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.151)<\/p>\n<p>E afirmam que: \u201cN\u00f3s, os comunistas, assumimos, portanto, os elementos positivos da heren\u00e7a bolivariana, reivindicando-os n\u00e3o como um retorno ao passado e sim como um influxo hist\u00f3rico que dinamiza nosso combate presente\u201d. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.152) Os autores nos informam que:<\/p>\n<p>Basicamente, Bol\u00edvar foi um revolucion\u00e1rio de seu tempo. Um homem de pensamentos e a\u00e7\u00e3o, que unia a vontade indom\u00e1vel de p\u00f4r em pr\u00e1tica as suas ideias avan\u00e7adas. Suas concep\u00e7\u00f5es fundamentais formadas sob a influ\u00eancia do Iluminismo europeu, particularmente da ala radical representada por Jean Jacques Rousseau, isto \u00e9, daqueles ide\u00f3logos que segundo Engels \u201cprepararam os c\u00e9rebros\u201d para a Grande Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Por\u00e9m, o jovem Bol\u00edvar pode apreciar diretamente, no cen\u00e1rio europeu, os resultados dessa revolu\u00e7\u00e3o burguesa, com suficiente perspic\u00e1cia para precaver-se contra f\u00e1ceis ilus\u00f5es liberais e contra sua transfer\u00eancia abstrata \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do continente, cuja realidade conhecia. Al\u00e9m disso, sua bagagem te\u00f3rica nutria-se em medida n\u00e3o menor nas obras dos \u201cIlustradis latino-americanos, que fundamentavam a necessidade da independ\u00eancia ligada \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de problemas sociais agudos como a liquida\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, a reivindica\u00e7\u00e3o dos direitos dos ind\u00edgenas e outras preocupa\u00e7\u00f5es progressistas. A isso \u00e9 preciso acrescentar a influ\u00eancia que recebeu de seu mestre Sim\u00f3n Rodriguez, que compartilhou das ideias dos socialistas ut\u00f3picos. Com esta forma\u00e7\u00e3o o Libertador n\u00e3o s\u00f3 foi um guerreiro not\u00e1vel por suas fa\u00e7anhas militares contra os ex\u00e9rcitos da Coroa espanhola, como tamb\u00e9m, um condutor ideol\u00f3gico e um estadista que fixou as bases jur\u00eddico-pol\u00edticas de nossas Rep\u00fablicas. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.152-153)<\/p>\n<p>Os autores tamb\u00e9m destacam a dimens\u00e3o social das propostas pol\u00edticas de Bol\u00edvar. Elencando, entre outras coisas, tr\u00eas elementos importantes. Primeiro, Bol\u00edvar destacou o papel das massas populares na luta pela independ\u00eancia compreendendo que \u201ca vit\u00f3ria dependia da incorpora\u00e7\u00e3o das massas \u00e0 luta e que isso era poss\u00edvel somente na medida em que se satisfizessem as demandas vitais dos setores mais oprimidos<\/p>\n<p>da sociedade colonial, os escravos e os ind\u00edgenas\u201d (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.153). Segundo, Bol\u00edvar defendeu a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. Obteve o apoio dos Haitianos na luta por independ\u00eancia e \u201cj\u00e1 em 1816 disp\u00f4s, ao voltar para a terra venezuelana, a liberdade dos escravos e o fez o mesmo em reiteradas oportunidades perante a resist\u00eancia dos escravista sem cumprir a decis\u00e3o\u201d. (CARRERA, Jeronimo; DIXON, JIMENEZ, C\u00e9sar; Feliz; RODRIGUES, Felipe; VALBUENA, Raul; VEINTIMILHA, Luis, 1983, p.153). Terceiro, Bol\u00edvar buscou incorporar quest\u00f5es relacionadas a igualdade nas constitui\u00e7\u00f5es que teve influ\u00eancia. Os autores destacam que:<\/p>\n<p>Na mensagem ao Congresso Constituinte da Bol\u00edvia assinalou que, ao redigir a Constitui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, considerou a igualdade como \u201ca lei das leis\u201d, porque sem ela, disse, \u00b4perecem todas as garantias, todos os direitos. Em benef\u00edcio dele devemos fazer todos os sacrif\u00edcios. A seus p\u00e9s eu coloquei, coberta de humilha\u00e7\u00e3o, a infame escravid\u00e3o\u00b4. Estendendo o conceito de igualdade, proclamou outro c\u00e9lebre Decreto: \u00b4Deixaram de existir as classes privilegiadas\u00b4. Nessa mesma linha inscrevem-se suas disposi\u00e7\u00f5es como Presidente do Peru, abolindo os tributos pessoais impostos aos nativos, por uma parte e, por outra, ordenando a divis\u00e3o das terras da comunidade entre os ind\u00edgenas, \u00b4para que nenhum \u00edndio possa ficar sem seu respectivo terreno\u00b4. Tamb\u00e9m proibiu o trabalho for\u00e7ado nas minas, conhecido com o nome de \u201cmita\u201d, e obrigou os patr\u00f5es a pagar sal\u00e1rios em dinheiro e n\u00e3o em esp\u00e9cie. Por\u00e9m, estas e outras disposi\u00e7\u00f5es de grande conte\u00fado social ficaram no papel ou simplesmente forma revogadas, pouco tempo depois, pelos novos benefici\u00e1rios do poder. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.153).<\/p>\n<p>O car\u00e1ter popular das lutas independentistas se confrontou com a forte presen\u00e7a da aristocracia na conforma\u00e7\u00e3o do poder local p\u00f3s-independ\u00eancia e \u201cBol\u00edvar pode ver ent\u00e3o que, apesar de suas leis e de seus bons prop\u00f3sitos, os povos permaneciam subjugados\u201d (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.153). Sem for\u00e7ar um paralelismo e\/ou cair no anacronismo hist\u00f3rico bem sublinhado por Hobsbawm resgatar Bol\u00edvar nos tempos atuais significa dar sequ\u00eancia e desenvolvimento as ideias e propostas centrais defendidas pelo libertador, em especial, a defesa da unidade e integra\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es latino-americanas. Ideias bem expostas e defendidas na Carta da Jamaica. Cabe destacar que na perspectiva destes autores:<\/p>\n<p>A famosa Carta da Jamaica que escreveu em 1815 \u00e9 um documento apaixonado pelo direito dos americanos \u00e0 independ\u00eancia e \u00e0 liberdade, por\u00e9m ao mesmo tempo, \u00e9 tamb\u00e9m uma an\u00e1lise da hist\u00f3ria, das condi\u00e7\u00f5es internacionais, da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social, que tomava por base, para avaliar as possibilidades do movimento independentista e as perspectivas dos futuros Estados. \u00c9 na realidade um comp\u00eandio de sua filosofia pol\u00edtica, que, sem d\u00favida exerceu uma grande influ\u00eancia no desenvolvimento prolongado da luta emancipadora. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.153)<\/p>\n<p>Na perspectiva dos autores enunciados anteriormente:<\/p>\n<p>Bol\u00edvar foi, pois, um republicano, democrata e partid\u00e1rio da igualdade social, embora o ceticismo o tivesse rondado em alguma ocasi\u00e3o adiante das rivalidades e ingratid\u00f5es que atormentaram seu esp\u00edrito. Sendo militar, Bol\u00edvar n\u00e3o foi militarista. Falando das atribui\u00e7\u00f5es que competiam aos homens de uniforme na vida institucional da Rep\u00fablica, afirmou na sua mensagem aos povos da Col\u00f4mbia, escrito dias antes de morrer no seu retiro de San Pedro Alejandrino, que \u201cos militares devem empregar a espada na defea das garantias sociais\u201d. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.154).<\/p>\n<p>Sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o dos Estados Nacionais cabe destacar que:<\/p>\n<p>Bol\u00edvar esperava consolidar os Estados sobre a base do consenso social, no qual o povo fosse efetivamente a fonte \u00fanica da soberania nacional, onde primassem os princ\u00edpios da igualdade social, da solidariedade, do patriotismo e, ao mesmo tempo, da coopera\u00e7\u00e3o internacional. Seguramente, um dos ideais mais caros ao Libertador foi o da unidade das Na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. Partindo da id\u00e9ia de que os pa\u00edses isolados e d\u00e9beis, apesar de terem conquistado sua independ\u00eancia, ficavam, entretanto, amea\u00e7ados pelos apetites colonialistas das grandes pot\u00eancias europeias e dos Estados Unidos, concebeu o projeto de estruturar uma federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas que abarcasse desde o M\u00e9xico at\u00e9 a Argentina. O grandioso plano trope\u00e7ou em forte oposi\u00e7\u00e3o interna. Aos caudilhos dos pa\u00edses envolvidos convinha mais ser donos absolutos de cada parcela, do que figuras de segunda categoria numa na\u00e7\u00e3o Federada. Mas a mais cerrada hostilidade veios da Inglaterra, da Santa Alian\u00e7a e dos Estados Unidos, que n\u00e3o queriam ver surgir um Estado poderoso na regi\u00e3o para onde aspiravam estender sua hegemonia. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.154)<\/p>\n<p>Os autores tamb\u00e9m destacam que:<\/p>\n<p>Os ideais do Libertador, sua obra inconclusa e tra\u00edda pelas oligarquias, est\u00e3o agora em m\u00e3os de for\u00e7as anti-imperialista e democr\u00e1ticas. (&#8230;) Definitivamente as bandeiras de Sim\u00f3n Bol\u00edvar \u2013 precursor do anti-imperialismo e da unidade latino-americana \u2013 continuam presidindo a marcha de nossos povos para sua segunda e completa independ\u00eancia nacional e social. (CARRERA; DIXON, JIMENEZ; RODRIGUES; VALBUENA; VEINTIMILHA, 1983, p.157)<\/p>\n<p>Sobre o Bolivarianismo cabe destacar que o processo de forma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio hist\u00f3rico da Venezuela, enquanto Estado Nacional, tem como refer\u00eancia a luta contra o colonialismo espanhol. Nesta luta se destaca a lideran\u00e7a e influ\u00eancia de Simon Bol\u00edvar. Posteriormente, o pensamento de Bol\u00edvar foi resgatado e ressignificado pelas lideran\u00e7as da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, fazendo uma conex\u00e3o contempor\u00e2nea com o pensamento socialista. A conceitua\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana tem como marca este resgate hist\u00f3rico da influ\u00eancia do projeto inacabado e inconcluso de Simon Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>M\u00e9sz\u00e1ros (2011) destaca que Bol\u00edvar foi educado e influenciado diretamente por Sim\u00f3n Rodr\u00edguez, \u201cum homem que, bem antes de Marx, frequentou sociedades secretas socialistas em Paris\u201d e ressalta o fato de que \u201cBol\u00edvar nunca vacilou em sua determina\u00e7\u00e3o radical\u201d, sendo que \u201cas mudan\u00e7as radicais inclu\u00edam a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos, ao que sua pr\u00f3pria classe se opunha com veem\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A luta pela igualdade e a liberta\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias e dos povos latino americanos das amarras coloniais espanholas, foram os principais objetivos da luta de Bol\u00edvar. M\u00e9sz\u00e1ros (2011) nos informa que:<\/p>\n<p>Bol\u00edvar considerava que a igualdade legal, a sua \u201clei das leis\u201d, era absolutamente indispens\u00e1vel para a constitui\u00e7\u00e3o de uma sociedade politicamente sustentada contra os poderes que internamente tendiam a entravar seu desenvolvimento potencial, e tentavam violar, e at\u00e9 mesmo anular, sua soberania nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2011, p.93)<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar para a luta revolucion\u00e1ria contra o colonialismo espanhol foi bastante relevante, embora seu projeto pol\u00edtico principal, ou seja, a unidade pol\u00edtica dos pa\u00edses latino americanos fora derrotado pelas disputas olig\u00e1rquicas. M\u00e9sz\u00e1ros (2011, p.96) afirma que \u201cas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas atuais s\u00e3o completamente diferentes da \u00e9poca dos triunfos de Bol\u00edvar, e tamb\u00e9m de sua tr\u00e1gica derrota final\u201d. Nos tempos atuais, est\u00e1 aberta a possibilidade e devemos ter a compreens\u00e3o da necessidade de lutarmos pelo socialismo no s\u00e9culo XXI[10]. M\u00e9sz\u00e1ros adverte que:<\/p>\n<p>\u00c9 completamente imposs\u00edvel empenhar-se hoje na grande tarefa hist\u00f3rica da erradica\u00e7\u00e3o do capital, orientada de modo positivo para um futuro sustent\u00e1vel, sem ativar todos os cursos do esp\u00edrito de determina\u00e7\u00e3o radical, em conson\u00e2ncia com as exig\u00eancias de nossa \u00e9poca, como Bol\u00edvar fez da forma que p\u00f4de de acordo com as circunst\u00e2ncias do seu pr\u00f3prio tempo. \u00c9 de fato verdade que, agora, chegou a hora da realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos bolivarianos em sua perspectiva mais ampla, como o presidente Ch\u00e1vez vem defendendo h\u00e1 algum tempo. \u00c9 por isso que os propagandistas do capital que usam a express\u00e3o projeto bolivariano entre sarc\u00e1sticas aspas fazem apenas papel de tolos. A continuidade hist\u00f3rica n\u00e3o significa uma repeti\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, mas uma renova\u00e7\u00e3o criativa no sentido mais profundo do termo. Assim, dizer que chegou a hora da realiza\u00e7\u00e3o dos objetivos bolivarianos \u2013 no sentido de que devem ser atualizados de acordo com nossas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, com toda a sua urg\u00eancia premente e com um significado claramente identific\u00e1vel tamb\u00e9m para o resto do mundo -, significa precisamente que se deve dar um sentido socialista \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es radicais previstas, se estivermos verdadeiramente interessados em implement\u00e1 -las. (&#8230;) A tarefa da renova\u00e7\u00e3o radical n\u00e3o est\u00e1 de forma alguma limitada \u00e0 Am\u00e9rica Latina. Os movimentos sociais e pol\u00edticos da esquerda europeia, assim como os da Am\u00e9rica do Norte, tamb\u00e9m est\u00e3o precisando de uma reavalia\u00e7\u00e3o profunda de suas estrat\u00e9gias passadas e presentes, diante de suas dolorosas derrotas das \u00faltimas d\u00e9cadas. O fermento social e pol\u00edtico claramente identific\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina, que vem desde os tempos da revolu\u00e7\u00e3o cubana e se manifestou durante d\u00e9cadas em diferentes partes do continente e n\u00e3o apenas na Venezuela, tem muito a dizer sobre a quest\u00e3o fundamental de \u201co que fazer&#8230;\u201d. Precisamente por essa raz\u00e3o devemos abrir os olhos e expressar nossa solidariedade com a renova\u00e7\u00e3o criativa da tradi\u00e7\u00e3o bolivariana na Venezuela nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2011, p.97)<\/p>\n<p>M\u00e9sz\u00e1ros destaca a import\u00e2ncia da cr\u00edtica radical da pol\u00edtica apresentada por Hugo Ch\u00e1vez, ainda nos anos noventa do s\u00e9culo XX. Nas palavras de M\u00e9sz\u00e1ros (2011, p.100), Ch\u00e1vez contrap\u00f4s \u201cao atual sistema de representa\u00e7\u00e3o parlamentar a ideia de que \u00b4o povo soberano deve se transformar no objeto e no sujeito do poder. Essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 negoci\u00e1vel para os revolucion\u00e1rios\u00b4\u201d.<\/p>\n<p>Hugo Ch\u00e1vez registra uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o pensamento de Bol\u00edvar e de Marx, onde:<\/p>\n<p>Bol\u00edvar e sua concep\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-revolucion\u00e1ria, n\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa, ele n\u00e3o fala de elites, ataca \u00e0s elites, ele sempre fala do povo, convoca ao povo. Bol\u00edvar e sua vis\u00e3o, vejam bem, poucos anos antes de Carlos Marx, Bol\u00edvar disse, conceitua e coloca o povo no centro dos ativadores da m\u00e1quina da hist\u00f3ria, as massas populares, ator fundamental ou atores fundamentais dos processos hist\u00f3ricos. N\u00e3o os indiv\u00edduos, n\u00e3o as pessoas individuais, n\u00e3o os particulares; \u00e9 a massa, \u00e9 o povo. Essa \u00e9 uma vis\u00e3o que Carlos Marx desenvolveu muito mais, v\u00e1rios anos depois: o materialismo dial\u00e9tico. (CH\u00c1VEZ, 2007, p.48)<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez (2007) apresenta v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es para Revolu\u00e7\u00e3o: Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana, Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, Revolu\u00e7\u00e3o Socialista. Apresentando o conceito de revolu\u00e7\u00e3o permanente em refer\u00eancia ao l\u00edder bolchevique Le\u00f3n Trotsky, Ch\u00e1vez destaca que \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 permanente, nunca acaba\u00b4. Vamos com Trotsky, \u00e9 ele quem tem a raz\u00e3o: \u2018A Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o acaba\u00b4\u201d. (CH\u00c1VEZ, 2007, p.59). Mas, \u00e9 Bol\u00edvar a fonte principal de inspira\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez, quando destaca: \u201cDevemos triunfar pelo caminho da revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por outro; ele sabia que s\u00f3 por esse caminho achariam a vit\u00f3ria, qualquer outro caminho ia lev\u00e1-los \u00e0 derrota, que foi o que tristemente aconteceu\u201d. (CH\u00c1VEZ, 2007, p.85).<\/p>\n<p>A conflu\u00eancia entre o pensamento de Bol\u00edvar, a influ\u00eancia pol\u00edtica de Hugo Ch\u00e1vez com a teoria social revolucion\u00e1ria \u00e9 apreendida pelos comunistas venezuelanos do PCV como uma s\u00edntese hist\u00f3rica das lutas do povo trabalhador venezuelano pela independ\u00eancia, soberania, justi\u00e7a social, pelo poder popular e pelo socialismo. A contribui\u00e7\u00e3o de Bol\u00edvar para a luta revolucion\u00e1ria contra o colonialismo espanhol foi bastante relevante, embora seu projeto pol\u00edtico principal, ou seja, a unidade pol\u00edtica dos pa\u00edses latino americanos fora derrotado pelas disputas olig\u00e1rquicas. M\u00e9sz\u00e1ros afirma que \u201cas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas atuais s\u00e3o completamente diferentes da \u00e9poca dos triunfos de Bol\u00edvar, e tamb\u00e9m de sua tr\u00e1gica derrota final\u201d (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2011, p.96). Nos tempos atuais, est\u00e1 aberta a possibilidade e devemos ter a compreens\u00e3o da necessidade de lutarmos pelo socialismo no s\u00e9culo XXI[11].<\/p>\n<p>Mesmo com a forte influ\u00eancia bolivariana os comunistas do PCV n\u00e3o abandonam a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com base no marxismo-leninismo. Em 2015, o Partido Comunista da Venezuela promoveu uma jornada nacional de Forma\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica Antifascista[12]. O Jornal Tribuna Popular nos informa que o PCV programou \u201cuma jornada de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, que incluem semin\u00e1rios e palestras, a desenvolverem em todo o pa\u00eds em respaldo aos povos que vivem abaixo as pol\u00edticas fascistas que se imp\u00f5em o totalitarismo\u201d em clara rea\u00e7\u00e3o contra as for\u00e7as da extrema-direita fascista Venezuelana. Em 2017, o PCV realizou um Semin\u00e1rio Internacional que abordou a vig\u00eancia do Pensamento leninista[13].<\/p>\n<p>A atividade ocorreu nos marcos do XV Congresso Nacional do PCV como parte da celebra\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique de Outubro. O II Semin\u00e1rio Ideol\u00f3gico Internacional sobre a vig\u00eancia do pensamento de Vladimir Lenin teve a participa\u00e7\u00e3o de representantes do Movimento Comunista Internacional tais como: Partido Comunista Colombiano (PACOCOL), Partido Comunista da Gr\u00e3 Bretanha (PCB), Partido Comunista do M\u00e9xico (PCM), Partido do Povo do Panam\u00e1 (PP), Partido Comunista Portugu\u00eas, Partido Comunista da Noruega (PCN), Partidos do Trabalho da Coreia (PTC), o Partido do Trabalho da B\u00e9lgica (PTB), Partido Comunista dos Povos da Espanha (PCPE), entre outros (TRINUNA POPULAR, s\/n, 27 de abril de 2015).<\/p>\n<p>Observa-se uma forte vincula\u00e7\u00e3o do PCV com outros partidos do Movimento Comunista Internacional (MCI) e uma cultura pol\u00edtica partid\u00e1ria que resgata a tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do Partido Leninista. A incorpora\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos elementos bolivarianos na luta dos comunistas do PCV n\u00e3o significa o abandono da perspectiva revolucion\u00e1ria socialista\/comunista por parte dos comunistas venezuelanos do PCV. Apesar da influ\u00eancia bolivariana o PCV tem uma clara defini\u00e7\u00e3o classista, com a ideologia e o programa pr\u00f3prios da classe trabalhadora, tamb\u00e9m mant\u00e9m sua independ\u00eancia de classe seu car\u00e1ter leninista e internacionalista.<\/p>\n<p>O PCV, a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e a Alternativa Popular e Revolucion\u00e1ria (APR)<\/p>\n<p>Em 1992, Ch\u00e1vez lidera uma tentativa de rebeli\u00e3o militar[14]. Embora esta iniciativa fora desmantelada pelas for\u00e7as repressivas, diversos setores populares respaldam as a\u00e7\u00f5es do movimento liderado por Ch\u00e1vez e cresce significativamente o contingente de seus apoiadores.<\/p>\n<p>Cabe destacar que:<\/p>\n<p>O descontentamento popular com a eleva\u00e7\u00e3o exponencial das taxas de desemprego, pre\u00e7os dos servi\u00e7os p\u00fablicos privatizados e promessas n\u00e3o realizadas desembocou, nos anos seguintes, na vit\u00f3ria de Ch\u00e1vez e nas elei\u00e7\u00f5es de outros l\u00edderes que defendiam mudan\u00e7as em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. A aud\u00e1cia do venezuelano foi exibida n\u00e3o apenas em seus atos iniciais, mas ao recolocar na agenda pol\u00edtica a palavra maldita. Revolu\u00e7\u00e3o foi um tema central na ofensiva desencadeada a partir de Miraflores, o pal\u00e1cio do governo, ao longo do tempo. Trata-se de uma luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica de envergadura, como se dizia em outros tempos. (MARINGONI, 2009, p.22)<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria pol\u00edtica eleitoral de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuela em 1998 (Ch\u00e1vez vence as elei\u00e7\u00f5es presidenciais com 56,2%), ocorre simultaneamente com o avan\u00e7o das for\u00e7as populares, democr\u00e1ticas, sociais-democratas, socialistas e comunistas em outros pa\u00edses latino americanos, conjugando as lutas de massas (lutas socioecon\u00f4micas) com a luta pol\u00edtica (eleitoral)[15].<\/p>\n<p>Os comunistas venezuelanos do Partido Comunista da Venezuela (PCV) apoiaram Hugo Ch\u00e1vez e sua revolu\u00e7\u00e3o bolivariana desde sua primeira elei\u00e7\u00e3o presidencial em 1998. Destacaram que Hugo Ch\u00e1vez inicialmente era um propulsor de um nacionalismo gen\u00e9rico e pouco preciso, depois apontava para uma \u201cterceira via\u201d, um bolivarianismo misturado com um cristianismo social e outras vertentes do reformismo, social-democrata. Mas, que posteriormente passou a coincidir com o Partido de que \u00e9 o socialismo a \u00fanica via poss\u00edvel para a humanidade.<\/p>\n<p>A partir de sua posse para o primeiro mandato, em fevereiro de 1999, Ch\u00e1vez tornou-se umas das principais lideran\u00e7as da esquerda latino-americana. E, \u201csua atividade incessante, com erros e acertos, visa a evidenciar, pelo menos a possibilidade de almejar algo diverso do receitu\u00e1rio financeiro-liberal como pol\u00edtica p\u00fablica\u201d. (p.24). Ch\u00e1vez convoca um referendo constitucional em abril de 1999, conquista a maioria dos membros da Assembleia Nacional Constituinte e aprova sua proposta de nova constitui\u00e7\u00e3o. No ano de 2000, ocorrem novas elei\u00e7\u00f5es presidenciais e Ch\u00e1vez vence outra vez, com 59,76% dos votos. Em 2001, aumenta os impostos sobre transnacionais do Petr\u00f3leo, e promove regulamenta\u00e7\u00f5es contra o latif\u00fandio improdutivo.<\/p>\n<p>As in\u00e9ditas transforma\u00e7\u00f5es promovidas pelo seu governo nas \u00e1reas econ\u00f4micas, pol\u00edticas, sociais e culturais garantiram sua popularidade assentada na governabilidade partilhada com os movimentos populares e com a participa\u00e7\u00e3o de for\u00e7as militares comprometidas com o processo da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Maringoni destaca que:<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es maiores na economia caminham devagar, embora sejam in\u00e9ditas nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. Ch\u00e1vez retirou a estatal Petr\u00f3leo de Venezuela S.A. (PDVSA) das m\u00e3os da elite econ\u00f4mica que a controlava de forma subordinada aos interesses das grandes corpora\u00e7\u00f5es internacionais. Ampliou, al\u00e9m disso, os direitos das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e dos pobres no pa\u00eds. E n\u00e3o apenas interrompeu a senda privatista seguida pela maioria dos governos continentais, como deu in\u00edcio a um processo de reestatiza\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas e riquezas nacionais. Em outras conjunturas, tais reformas seriam t\u00edmidas. Em tempos de hegemonia neoliberal, afiguram-se como ousadas. (MARINGONI, 2007, p.25).<\/p>\n<p>O processo revolucion\u00e1rio bolivariano encontrou forte resist\u00eancia da oligarquia local, da m\u00eddia burguesa, do alto clero cat\u00f3lico e do imperialismo estadunidense. Em abril de 2002, empres\u00e1rios ligados \u00e0s Fedec\u00e1maras, setores da Igreja Cat\u00f3lica, membros da alta dire\u00e7\u00e3o da PDVSA e parte da aristocracia oper\u00e1ria da Central dos Trabalhadores Venezuelanos (CTV), organizam um golpe com o apoio da Espanha e dos Estados Unidos, atrav\u00e9s da Central de Intelig\u00eancia Norte Americana e sua embaixada. Sequestram o presidente Hugo Ch\u00e1vez e imp\u00f5em ao pa\u00eds um \u201cpresidente\u201d vinculado diretamente \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico. Entretanto, os apoiadores da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana responderam com uma contraofensiva popular espetacular. A mobiliza\u00e7\u00e3o das massas, essencial para qualquer revolu\u00e7\u00e3o, e das for\u00e7as militares patri\u00f3ticas bolivarianas permitiu o resgate do comandante Ch\u00e1vez e a derrota desta, que foi a primeira tentativa de golpe. Em 2003, a direita venezuelana promove greves e sabotagens na ind\u00fastria petrol\u00edfera. Mas, os trabalhadores conseguem restaurar as opera\u00e7\u00f5es em toda a ind\u00fastria petrol\u00edfera, derrotando a sabotagem. Em 2005, Ch\u00e1vez proclama, em Caracas, o \u201cSocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d e a coaliza\u00e7\u00e3o composta por partidos e organiza\u00e7\u00f5es que apoiam a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana vence as elei\u00e7\u00f5es da Assembleia Nacional. Em 2006, Ch\u00e1vez \u00e9 reeleito presidente com 62,84% dos votos e anuncia a cria\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).<\/p>\n<p>Em 2007, Ch\u00e1vez prop\u00f5e um novo referendo constitucional e apresenta uma s\u00e9rie de propostas buscando implementar o socialismo pela via constitucional, apresentando propostas ousadas, tais como: redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de oito para seis horas di\u00e1rias; inclus\u00e3o dos trabalhadores informais na seguridade social; propriedade dividida em p\u00fablica e privada. Esta segunda modalidade seria classificada como propriedade social, podendo ser gerida pelo Estado ou por grupos sociais, como coletiva, ficaria proibida a exist\u00eancia do latif\u00fandio, \u201cpor ser contr\u00e1rio ao interesse social\u201d; cria\u00e7\u00e3o do poder popular, a ser inclu\u00eddo na escala de poderes municipal, estadual e nacional; acabar com a autonomia do banco central; reelei\u00e7\u00e3o indefinida. A proposta de reforma constitucional \u00e9 derrotada.<\/p>\n<p>Os Comunistas do PCV apresentaram uma cr\u00edtica contundente, acerca do car\u00e1ter e do conte\u00fado do processo que dirigia o Presidente Ch\u00e1vez chamando a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que predomina nas lideran\u00e7as do Governo Bolivariano uma heterog\u00eanea mescla de concep\u00e7\u00f5es idealistas e pequeno burguesas da nova sociedade e a aus\u00eancia de uma concep\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do socialismo. Apontando que foram os setores m\u00e9dios e a pequena-burguesia e n\u00e3o a classe oper\u00e1ria e o povo trabalhadora que conduziu com protagonismo o processo revolucion\u00e1rio bolivariano.<\/p>\n<p>Em outubro de 2012, Ch\u00e1vez vence seu terceiro mandato com 55,07% dos votos contra Henrique Capriles. Mas, em dezembro do mesmo ano, Ch\u00e1vez anuncia que far\u00e1 novas opera\u00e7\u00f5es em Cuba e convoca seus seguidores a apoiar seu vice-presidente, Nicol\u00e1s Maduro (motorista de \u00f4nibus). Em 05 de mar\u00e7o de 2013, Ch\u00e1vez morre e ocorre a maior mobiliza\u00e7\u00e3o popular da hist\u00f3ria da Venezuela.<\/p>\n<p>Em abril, Nicol\u00e1s Maduro vence as elei\u00e7\u00f5es com 50,61% dos votos, contra 49,12% de Capriles e em 08 de dezembro, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias vencem as elei\u00e7\u00f5es municipais conquistando 71% dos prefeitos. Em 2014, a direita venezuelana radicaliza e s\u00e3o convocados protestos e atos terroristas liderados por Leopoldo L\u00f3pez, gerando boicotes econ\u00f4micos. Em 2015, as for\u00e7as revolucion\u00e1rias s\u00e3o derrotadas nas elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Nacional e em 2016 ocorre nova tentativa de golpe econ\u00f4mico, com boicote econ\u00f4mico dos empres\u00e1rios, saques e protestos liderados pela Mesa de Unidade Democr\u00e1tica (MUD), articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o, que envolve setores da ultradireita, direita e ultraesquerda. Em 2017, o governo Maduro reage e anuncia a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional Constituinte do Poder Popular com representa\u00e7\u00e3o dos movimentos populares (sindicais, ind\u00edgenas, estudantes, feministas, camponeses). Nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, N\u00edcolas Maduro \u00e9 reeleito.<\/p>\n<p>Mesmo considerando toda a complexidade e as contradi\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana o PCV e as organiza\u00e7\u00f5es vinculadas ao partido decidiram apoiar e dar um novo voto de confian\u00e7a ao PSUV e ao presidente Nicol\u00e1s Maduro:<\/p>\n<p>O Partido Comunista da Venezuela e as organiza\u00e7\u00f5es da Frente Nacional de Luta da Classe Trabalhadora (FNLCT) decidiram dar um voto de confian\u00e7a, cumpriram nas elei\u00e7\u00f5es de 20 de maio de 2018, superando a incredulidade e a desmoraliza\u00e7\u00e3o que acomete uma parte importante dos trabalhadores historicamente identificados com o processo bolivariano e mobilizaram milhares de pessoas que confiam nestas organiza\u00e7\u00f5es classistas revolucion\u00e1rias, dando um voto de confian\u00e7a ao compromisso p\u00fablico assumido por Maduro. Das cinco partes que comp\u00f5em o Acordo Unit\u00e1rio (PCV-PSUV) a parte mais extensa e detalhada \u00e9 a dedicada aos \u201cDireitos da classe oper\u00e1ria e do povo trabalhador\u201d, que inicia ressaltando \u201ca import\u00e2ncia de fortalecer o sindicalismo classista e as diversas express\u00f5es do movimento oper\u00e1rio e revolucion\u00e1rio [&#8230;], respeitando sua autonomia, desenvolvendo canais e mecanismos efetivos e oportunos para que os(as) trabalhadores(as) de entidades p\u00fablicas e privadas possa ter protagonismo no desenvolvimento do processo social de trabalho\u201d. Assim mesmo, se pontualiza a necessidade de \u201cfortalecer e resguardar os direitos laborais, prote\u00e7\u00e3o do emprego e ampliar a pol\u00edtica de novos empregos\u201d, para o qual, \u201csegundo os alcances e caracter\u00edsticas de cada organiza\u00e7\u00e3o\u201d, o PCV, desde os espa\u00e7os sociopol\u00edticos, e o PSUV, como partido do governo acordaram \u201cidentificar e canalizar a restitui\u00e7\u00e3o dos direitos infrigidos a trabalhadores e trabalhadoras nos casos j\u00e1 levantados o que puderam apresentar-se nas entidades de trabalho p\u00fablicas e privadas. (TRIBUNA POPULAR, N\u00daMERO 2995 \u2013 24 de maio a 13 de junho de 2018).<\/p>\n<p>E em fevereiro de 2019, ocorre uma nova tentativa de golpe e amea\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o militar Norte Americana. Posteriormente \u00e9 convocada uma Assembleia Nacional Constituinte, com base no Poder Popular, ou seja, na representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do campo e da cidade, dos povos origin\u00e1rios, dos movimentos sociais, sindicais, estudantis e populares, o que provocou uma situa\u00e7\u00e3o em que a dualidade de poderes favoreceu a governabilidade do Presidente Nicol\u00e1s Maduro, vinculado ao Partido Socialista Unificado da Venezuela e apoiado criticamente pelos comunistas venezuelanos do Partido Comunista da Venezuela.<\/p>\n<p>Pressionado pelo imperialismo atrav\u00e9s de diversas san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas o Governo Maduro (PSUV) passa a promover uma inflex\u00e3o pol\u00edtica abrindo di\u00e1logo direto com setores da oposi\u00e7\u00e3o burguesa e passando a promover uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes. O PCV denunciou o aumento significativo da infla\u00e7\u00e3o, o forte desabastecimento de bens de consumo e o aprofundamento da condi\u00e7\u00e3o dependente da economia venezuelana.<\/p>\n<p>Sobre o processo venezuelano, Mauro Iasi destaca em uma nota sobre a Venezuela que:<\/p>\n<p>O caso Venezuelano \u00e9 sintom\u00e1tico, pois come\u00e7a por cis\u00f5es no aparato militar e segue com altera\u00e7\u00f5es na forma de poder de Estado por meio de mudan\u00e7as constitucionais que implementam a l\u00f3gica da dualidade de poder pela organiza\u00e7\u00e3o de um poder popular. O controle da principal fonte de riqueza pelo Estado, o petr\u00f3leo, e o car\u00e1ter geral da economia venezuelana, relativizam a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o. No entanto, mais cedo ou mais tarde, a base real das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o ter\u00e3o que ser enfrentadas com risco de revers\u00e3o do caminho que se espera socialista. (IASI, 2017, p.144, nota 3)<\/p>\n<p>E passou a pressionar o Governo Maduro e o PSUV, apresentando duras cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o a sua condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e apontando para a necessidade de um amplo processo de debates, cr\u00edtica e autocr\u00edtica, lutando para que a experi\u00eancia popular da Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana n\u00e3o tornar uma nova frusta\u00e7\u00e3o para o povo venezuelano.<\/p>\n<p>A FNLCT tamb\u00e9m destaca que o principal inimigo da classe trabalhadora e do povo trabalhador \u00e9 o capital monopolista e reafirma sua disposi\u00e7\u00e3o de luta contra o capitalismo dependente e seu correspondente Estado Burgu\u00eas. Simultaneamente, os comunistas do PCV intensificaram a participa\u00e7\u00e3o na Assembleia Nacional do Movimento Oper\u00e1rio e Sindical Classista, organizada regularmente pela Frente Nacional de Luta da Classe Trabalhadora e convocou a classe trabalhadora para a luta pela aprofundiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria se posicionando contra o reformismo:<\/p>\n<p>A FNLCT insiste na necessidade de derrotar a conspira\u00e7\u00e3o contra a produ\u00e7\u00e3o nacional e desmontar o rentismo dependente, ativando a participa\u00e7\u00e3o protag\u00f4nica da classe oper\u00e1ria, por isso que prop\u00f5e a reativa\u00e7\u00e3o produtiva das empresas nas m\u00e3os do Estado com um novo modelo de gest\u00e3o, baseado na dire\u00e7\u00e3o m\u00faltipla e coletiva sob o controle oper\u00e1rio e social. Defendendo a aprova\u00e7\u00e3o dos Conselhos Socialista de Trabalhadores (as) engavetado na Assembleia Nacional. (Tribuna Popular \u2013 N\u00famero 2951 \u2013 08 a 28 de outubro de 2015).<\/p>\n<p>O PCV rompe com o Governo Maduro em 2020 e passa a construir a Alternativa Popular e Revolucion\u00e1ria (APR). Nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares o PCV conquistou um mandato parlamentar que atualmente \u00e9 exercido pelo camarada \u00d3scar Figuera, secret\u00e1rio geral do Partido. No tocante ao trabalho parlamentar, Carlos Ojeda Falc\u00f3n, membro do Comit\u00ea Central do PCV, j\u00e1 destacava que:<\/p>\n<p>O PCV tem um destacado trabalho parlamentar, atuando sempre com base nos princ\u00edpios ideol\u00f3gicos que orientam o trabalho comunista: processando oportunamente as den\u00fancias dos trabalhadores; promovendo espa\u00e7os para a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do povo e fazendo acompanhar com mobiliza\u00e7\u00e3o popular e de massas projetos de leis e iniciativas parlamentares dirigidas a aprofundar o protagonismo da classe oper\u00e1ria em suas lutas pol\u00edticas e reivindicativas. (&#8230;) os comunistas s\u00e3o vigilantes para n\u00e3o deixar cooptar pela fria institucionalidade burocr\u00e1tica que gravita em torno dos cargos de elei\u00e7\u00e3o popular. Muito pelo contr\u00e1rio, buscam romper com as atividades rotineiras que caracterizam e limitam estes espa\u00e7os, as quais deixam de sentir as massas, seus anseios e necessidades. (TRIBUNA POPULAR \u2013 n\u00famero 2.953 \u2013 19 de novembro a 09 de dezembro de 201, p.8).<\/p>\n<p>Na atualidade os comunistas Venezuelanos do PCV destacam, entre outras coisas, que o imperialismo continua sendo o principal inimigo de nossos povos e de toda a humanidade, que a base da crise atual \u00e9 o resultado das formas parasit\u00e1rias de apropria\u00e7\u00e3o privada da renda da minera\u00e7\u00e3o e do petr\u00f3leo em benef\u00edcio de um capital privado n\u00e3o petrol\u00edfero ineficiente. Na avalia\u00e7\u00e3o do PCV, a atual situa\u00e7\u00e3o da Venezuela n\u00e3o \u00e9 uma crise do socialismo. At\u00e9 porque a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana n\u00e3o avan\u00e7ou na perspectiva do socialismo. A crise \u00e9 do capitalismo dependente onde se verifica um colapso do rentismo e do extrativismo petroleiro venezuelano, o que foi agudizada pelas agress\u00f5es econ\u00f4micas implementadas pelo imperialismo, recaindo sobre o povo trabalhador venezuelano.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 2020 e gerais (estaduais e municipais) de 2021, o PCV lan\u00e7ou juntamente com outras organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a Alternativa Popular Revolucion\u00e1ria (APR). Os comunistas do PCV denunciaram o n\u00e3o cumprimento por parte do Governo de Nicol\u00e1s Maduro dos acordos firmados durante \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais venezuelanas, principalmente \u00e0s quest\u00f5es salariais, trabalhistas e agr\u00e1rias. Frente as constantes agress\u00f5es econ\u00f4micas burguesas e imperialistas o Governo de Nicolas Maduro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) optou pela concilia\u00e7\u00e3o de classes, retrocedendo politicamente e abandonando a perspectiva revolucion\u00e1ria bolivariana.<br \/>\nOs desafios e as possibilidades hist\u00f3ricas do processo revolucion\u00e1rio bolivariano s\u00e3o in\u00fameros e marcados pelo aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas e intercapitalistas que se agudizam ante a profunda crise do capitalismo mundial. As posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas expressas em artigos e notas do Partido Comunista da Venezuela (PCV), pela Juventude Comunista Venezuelana (JCV), pela Frente Nacional de Luta da Classe Trabalhadora (FNLCT) e pelas frentes de luta do Partido demonstram, em linhas gerais program\u00e1ticas \u00e0s posi\u00e7\u00f5es dos comunistas venezuelanos sobre o governo Maduro, a revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e o socialismo.<\/p>\n<p>Os comunistas do PCV se consideram comunistas (e n\u00e3o chavistas) que apoiam a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana. Apoiaram criticamente o governo de Nicol\u00e1s Maduro (do PSUV), n\u00e3o participando de nenhum minist\u00e9rio, e romperam com o Governo quando este se afastou da perspectiva revolucion\u00e1ria e socialista. Participam das mil\u00edcias bolivarianas, dos movimentos sociais, populares, culturais, sindicais e estudantis. Possuem uma relativa influ\u00eancia pol\u00edtica e social no processo revolucion\u00e1rio, se configurando como a segunda for\u00e7a pol\u00edtica e social, sendo superada somente pelo PSUV, um grande partido socialista de massas, de car\u00e1ter policlassista e que aglutina diversas tend\u00eancias e correntes internas.<\/p>\n<p>O aprofundamento da crise capitalista e o acirramento da luta de classes exigir\u00e3o dos comunistas venezuelanos e das for\u00e7as revolucion\u00e1rias uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica incisiva nesta conjuntura. As vicissitudes do processo bolivariano, os desafios e as possibilidades apresentadas, ser\u00e3o pr\u00e9-determinados pelo protagonismo do proletariado e pela atua\u00e7\u00e3o de sua vanguarda hist\u00f3rica, o partido comunista. O PCV compreende que o socialismo \u00e9 o \u00fanico caminho para uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria para a crise na Venezuela Bolivariana.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>CARRERA, Jeronimo; DIXON, JIMENEZ, C\u00e9sar; Feliz; RODRIGUES, Felipe; VALBUENA, Raul; VEINTIMILHA, Luis. Exemplo e presen\u00e7a do libertador. Revista Problemas. S\u00e3o Paulo, N. 6, p. 151-157, jul\/ago\/set. 1983.<\/p>\n<p>CH\u00c1VEZ, Hugo. Discursos. Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela, Imprensa Nacional, 2007.<\/p>\n<p>FIGUERA, \u00d3scar. Orgulhoso de nuestro passado y luchando por el futuro comunista aqui sigue y seguira el pc. Dispon\u00edvel em: https:\/\/prensapcv.wordpress.com\/2021\/03\/08\/oscar-figuera-orgullosos-de-nuestro-pasado-y-luchando-por-el-futuro-comunista-aqui-sigue-y-seguira-el-pc\/ &#8211; Acesso em 21\/03\/2021<\/p>\n<p>HOBSBAWM, Eric. Viva la revoluci\u00f3n: a era das utopias na Am\u00e9rica Latina. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2017.<\/p>\n<p>HOBSBAWN, Eric. Como mudar o mundo \u2013 Marx e o Marxismo (1840-2011). S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2011.<\/p>\n<p>KOHAN, N\u00e9stor. Sim\u00f3n Bol\u00edvar y Nuestra independ\u00eancia \u2013 uma lectura latino-americana. Argentina: Ediciones digitales de La Rosa Blindada, 2013.<\/p>\n<p>LOWY. Michael (Org.). O Marxismo na Am\u00e9rica Latina \u2013 uma antologia de 1909 aos dias atuais. Segunda edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2006.<\/p>\n<p>MARI\u00c1TEGUI, Jos\u00e9 Carlos. Defesa do Marxismo, pol\u00eamica revolucion\u00e1ria e outros escritos. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2011.<\/p>\n<p>MARINGONI, Gilberto. A revolu\u00e7\u00e3o Venezuelana. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 2009.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS, Istv\u00e1n. A crise estrutural do capital. S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2011.<\/p>\n<p>PARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA. Estatutos del Partido Comunista de Venezuela (PCV) \u2013 XI\u00ba Congresso del PCV, Car\u00e1cas, , 8, 9 y 10 de marzo del 2002.<\/p>\n<p>PARTIDO COMUNISTA DA VENEZUELA: Jornal Tribuna Popular (Edi\u00e7\u00f5es de 2002 (N\u00famero 112), 2005, e de 2015 a 2019). Dispon\u00edvel em: https:\/\/jtribunapopular.com.br\/ Acesso em 05 de maio de 2021.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>[1] Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG &#8211; Unidade Divin\u00f3polis). Pesquisador do Grupo de estudos Marx, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFMG e integrante do Instituto Caio Prado Junior (ICP-MG). Curr\u00edculo Lattes: http:\/\/lattes.cnpq.br\/0901143608835473. Orcid: http:\/\/orcid.org\/0000-0003-4861-758X. E-mail: ousarvencer@yahoo.com.br.<\/p>\n<p>[2] Existe outro Partido Comunista na Venezuela, o autoproclamado Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela (PCMLV) vinculado \u00e0 Confer\u00eancia Internacional de Partidos e Organiza\u00e7\u00f5es Marxistas Leninistas (CIPOML).<\/p>\n<p>[3] Existe outro Partido Comunista na Venezuela, o autoproclamado Partido Comunista Marxista-Leninista da Venezuela (PCMLV) vinculado \u00e0 Confer\u00eancia Internacional de Partidos e Organiza\u00e7\u00f5es Marxistas Leninistas (CIPOML).<\/p>\n<p>[4] Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB). Fonte: https:\/\/prensapcv.wordpress.com\/2021\/03\/08\/oscar-figuera-orgullosos-de-nuestro-pasado-y-luchando-por-el-futuro-comunista-aqui-sigue-y-seguira-el-pc\/.<\/p>\n<p>[5] Simon Bol\u00edvar (1783-1830) foi um l\u00edder pol\u00edtico e militar venezuelano que liderou alguns processos de independ\u00eancia na Am\u00e9rica Latina, contra o colonialismo europeu (em especial o dom\u00ednio espanhol). Suas tropas eram compostas por negros, \u00edndios, brancos e mesti\u00e7os. Defendeu, entre outras coisas, a aboli\u00e7\u00e3o dos escravos, a justi\u00e7a social e a unidade entre os pa\u00edses latino-americanos independentes.<\/p>\n<p>[6] Dentre os homenageados e as homenageadas constam as seguintes refer\u00eancias: Ernst Th\u00e4lmann, St\u00e1lin, Mao Zedong, Vict\u00f3rio Codovilla, Kim Il Sung, Vladimir Mayakovski, Athos Fava, Enver Hoxka, Mar\u00eda Del Mar \u00c1lvarez, H\u00e9ctor Mujica, L\u00edvia Gouverneur, An\u00edval Moreno, Pedro Guti\u00e9rrez, Manuel Marulanda, Toribio Garc\u00eda, Serguei Kirov, Miguel Hern\u00e1ndez, Pablo Picasso, Alonso Ojeda Olaechea, Modesta Bor, Vilma Esp\u00edn, F\u00e9lix Ojeda Olaechea, Ram\u00f3n Losada Aldana, Manuel Almenar, Anton Makarenko, Otto Graterol Payares, Francisco de Miranda, M\u00e1ximo Gorki entre outros. Os nomes s\u00e3o expostos com fotos e acompanhadas de uma cita\u00e7\u00e3o ou de uma biografia. Al\u00e9m de comunistas est\u00e3o apresentados l\u00edderes da luta independentista, cientistas, poetas, escritores e escritoras.<\/p>\n<p>[7] Dentre os homenageados e as homenageadas constam as seguintes refer\u00eancias: Ernst Th\u00e4lmann, St\u00e1lin, Mao Zedong, Vict\u00f3rio Codovilla, Kim Il Sung, Vladimir Mayakovski, Athos Fava, Enver Hoxka, Mar\u00eda Del Mar \u00c1lvarez, H\u00e9ctor Mujica, L\u00edvia Gouverneur, An\u00edval Moreno, Pedro Guti\u00e9rrez, Manuel Marulanda, Toribio Garc\u00eda, Serguei Kirov, Miguel Hern\u00e1ndez, Pablo Picasso, Alonso Ojeda Olaechea, Modesta Bor, Vilma Esp\u00edn, F\u00e9lix Ojeda Olaechea, Ram\u00f3n Losada Aldana, Manuel Almenar, Anton Makarenko, Otto Graterol Payares, Francisco de Miranda, M\u00e1ximo Gorki entre outros. Os nomes s\u00e3o expostos com fotos e acompanhadas de uma cita\u00e7\u00e3o ou de uma biografia. Al\u00e9m de comunistas est\u00e3o apresentados l\u00edderes da luta independentista, cientistas, poetas, escritores e escritoras.<\/p>\n<p>[8] Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/marx\/1858\/mes\/bolivar.htm Acesso em: 25 mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>[9] Partido Comunista da Bol\u00edvia (PCB), Partido Comunista Colombiano (PCC), Partido Comunista do Equador (PCE), Partido Comunista Peruano (PCP), Partido do Povo do Panam\u00e1 (PPP) e Partido Comunista da Venezuela (PCV).<\/p>\n<p>[10] \u00c9 assim que a possibilidade e a necessidade se conjugam em uma unidade dial\u00e9tica em nosso universo social, historicamente espec\u00edfico, dos dias de hoje. Possibilidade, porque sem ultrapassar as determina\u00e7\u00f5es estruturais dos antagonismos irreconcili\u00e1veis do capital, a partir dos quais emergiu o processo socialista ao longo do desenvolvimento hist\u00f3rico da humanidade, \u00e9 completamente in\u00fatil sonhar com a institui\u00e7\u00e3o de um universo social globalmente sustentado. E necessidade \u2013 n\u00e3o uma esp\u00e9cie de fatalidade mecanicista, mas uma necessidade irreprim\u00edvel e literalmente vital -, porque o destino do ser humano ser\u00e1 a aniquila\u00e7\u00e3o se, no decorrer das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, n\u00e3o conseguirmos erradicar totalmente o capital de nosso modo institu\u00eddo de reprodu\u00e7\u00e3o sociometab\u00f3lica. (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2011: p.97).<\/p>\n<p>[11] \u00c9 assim que a possibilidade e a necessidade se conjugam em uma unidade dial\u00e9tica em nosso universo social, historicamente espec\u00edfico, dos dias de hoje. Possibilidade, porque sem ultrapassar as determina\u00e7\u00f5es estruturais dos antagonismos irreconcili\u00e1veis do capital, a partir dos quais emergiu o processo socialista ao longo do desenvolvimento hist\u00f3rico da humanidade, \u00e9 completamente in\u00fatil sonhar com a institui\u00e7\u00e3o de um universo social globalmente sustentado. E necessidade \u2013 n\u00e3o uma esp\u00e9cie de fatalidade mecanicista, mas uma necessidade irreprim\u00edvel e literalmente vital -, porque o destino do ser humano ser\u00e1 a aniquila\u00e7\u00e3o se, no decorrer das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, n\u00e3o conseguirmos erradicar totalmente o capital de nosso modo institu\u00eddo de reprodu\u00e7\u00e3o sociometab\u00f3lica. (M\u00c9SZ\u00c1ROS, 2011, p.97).<\/p>\n<p>[12] Not\u00edcia: PCV realizar\u00e1 jornada nacional de formaci\u00f3n pol\u00edtica antifascista, jornal Tribuna Popular, 27 de abril de 2015.<\/p>\n<p>[13] Not\u00edcia: II Seminario Internacional abord\u00f3 vigencia del pensamiento leninista, jornal Tribuna Popular, 21 de junho de 2017. : II Seminario Internacional abord\u00f3 vigencia del pensamiento leninista.<\/p>\n<p>[14] Os antecedentes deste processo revolucion\u00e1rio se encontram no epis\u00f3dio popularmente conhecido como Caracazo. MariNgoni nos informa que: Em fevereiro de 1989, quando multid\u00f5es enfurecidas tomaram as ruas, protestando contra um pacote econ\u00f4mico acertado entre o governo da \u00e9poca e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a parte vis\u00edvel foi dada por quebra-quebras e saques a lojas e supermercados. A repress\u00e3o foi brutal. A conta dos mortos \u00e9 motivo de controv\u00e9rsias at\u00e9 hoje. \u00c9 poss\u00edvel que os cad\u00e1veres tenham chegado a 1,5 mil. (MARINGONI, 2009, p.23).<\/p>\n<p>[15] Nas palavras de Maringoni (2009): A encruzilhada hist\u00f3rica que se manifesta na Venezuela faz parte de uma grande onda de revoltas, rebeli\u00f5es e levantes populares que se tem manifestado na Am\u00e9rica Latina, como consequ\u00eancia das pol\u00edticas neoliberais aplicadas ap\u00f3s o advento do Consenso de Washington, em 1989. Essa vaga passa pela rebeli\u00e3o ind\u00edgena no Equador em 2000, e pela vit\u00f3ria de Rafael Correa, anos depois, pela queda de Fernando de la R\u00faa, na Argentina, em 2001, pela luta contra as privatiza\u00e7\u00f5es no Peru em 2002, pelo levante popular boliviano em 2003, pelas elei\u00e7\u00f5es de Evo Morales, na Bol\u00edvia em 2005, e de Fernando Lugo no Paraguai, em 2008. Em menor grau, essa situa\u00e7\u00e3o possibilitou as vit\u00f3rias de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, no Brasil em 2002, de Tabar\u00e9 V\u00e1zquez, no Uruguai em 2004 e de Daniel Ortega, na Nicar\u00e1gua em 2006. Ao mesmo tempo, a situa\u00e7\u00e3o venezuelana tem profundas particularidades e caracter\u00edsticas de crise de longo curso (MARINGONI, 2009, p.24).<\/p>\n<p>Publicado originalmente em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufba.br\/index.php\/revistagerminal\/article\/view\/47214\">https:\/\/periodicos.ufba.br\/index.php\/revistagerminal\/article\/view\/47214<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29562\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10,36,45],"tags":[225],"class_list":["post-29562","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","category-c41-unidade-comunista","category-c54-venezuela","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7GO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29562\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}