{"id":29566,"date":"2022-11-29T13:05:35","date_gmt":"2022-11-29T16:05:35","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29566"},"modified":"2023-02-26T00:48:05","modified_gmt":"2023-02-26T03:48:05","slug":"crise-brasileira-nao-sera-resolvida-com-medidas-paliativas-ou-conciliacao-de-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29566","title":{"rendered":"Crise brasileira n\u00e3o ser\u00e1 resolvida com medidas paliativas ou concilia\u00e7\u00e3o de classe"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29567\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29566\/image-1-4\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?fit=1080%2C720&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,720\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-large wp-image-29567\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?resize=900%2C600&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/image-1-4.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Edmilson Costa*<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Resistir \u00e0s chantagens do mercado com as massas exigindo mudan\u00e7as e avan\u00e7ar para as transforma\u00e7\u00f5es sociais!<\/strong><\/p>\n<p>Dia 30 de outubro pode ser considerada uma data hist\u00f3rica no Brasil, porque neste dia a maioria do povo brasileiro sentiu um enorme al\u00edvio e imensa alegria por ter derrotado eleitoralmente o neofascismo. N\u00e3o foi uma tarefa f\u00e1cil porque o inimigo utilizou de todas as manobras para continuar no poder, tais como o uso integral da m\u00e1quina governamental para ganhar votos, a libera\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios assistenciais \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, a utiliza\u00e7\u00e3o de prefeitos, governadores e empres\u00e1rios assediando os trabalhadores e benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia a votar no genocida, a rede de igrejas pentecostais transformando o p\u00falpito em comit\u00ea eleitoral, uma mil\u00edcia especializada em espalhar fake news contra a oposi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal realizando blitzen nos Estados do Nordeste, onde Lula tinha grande vantagem, para intimidar eleitores, dificultar a vota\u00e7\u00e3o e reduzir o n\u00famero de votantes. Mas o povo brasileiro soube encontrar for\u00e7as para impor sua vontade \u00e0 m\u00e1quina infernal da extrema-direita e infringir uma derrota a Bolsonaro, com repercuss\u00f5es tanto interna quanto internacionalmente.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Lula viabiliza a garantia das liberdades democr\u00e1ticas nos pr\u00f3ximos anos, quando as for\u00e7as de esquerda poder\u00e3o lutar em melhores condi\u00e7\u00f5es tanto contra eventuais ataques aos trabalhadores quanto em busca de um novo rumo para o pa\u00eds na perspectiva do poder popular e do socialismo. A derrota de Bolsonaro tamb\u00e9m dever\u00e1 produzir uma mudan\u00e7a na conjuntura, n\u00e3o s\u00f3 no que se refere ao ambiente pol\u00edtico, nas pautas governamentais, mas principalmente na retirada dos fascistas do aparelho do Estado.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos quatro anos foram terr\u00edveis para o povo brasileiro. O governo realizou um permanente ataque aos trabalhadores e trabalhadoras, ind\u00edgenas, quilombolas e \u00e0 juventude pobre e preta das periferias, tendo sido o principal respons\u00e1vel pelas mais de 680 mil mortes na pandemia, ao atrasar a compra de vacinas e fazer propaganda de medicamentos ineficazes. Al\u00e9m disso, foi um governo que legalizou o uso de armas, especialmente para suas mil\u00edcias, desenvolveu uma pol\u00edtica de \u00f3dio entre a popula\u00e7\u00e3o, uma pauta de costumes ultrarreacion\u00e1ria, como o racismo, o preconceito contra as mulheres, os nordestinos, gays, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Realmente, essa foi uma vit\u00f3ria importante, mas n\u00e3o podemos nos contaminar pela euforia porque os pr\u00f3ximos meses e anos ser\u00e3o marcados pelo acirramento da luta de classes. O inimigo foi derrotado nas elei\u00e7\u00f5es, mas ainda conta com apoio entre vastos setores da burguesia, especialmente na \u00e1rea do agroneg\u00f3cio, sistema financeiro, transporte de carga e a pequena burguesia do com\u00e9rcio e servi\u00e7os, em setores das For\u00e7as Armadas, das pol\u00edcias militares, de setores m\u00e9dios urbanos assustados pela propaganda anticomunista e ainda parcelas do proletariado e do lumpesinato, al\u00e9m de apoio institucional no Congresso e entre governadores de v\u00e1rios Estados.<\/p>\n<p>Os bloqueios das estradas logo ap\u00f3s o an\u00fancio do resultado eleitoral, as manifesta\u00e7\u00f5es em frente aos quart\u00e9is, a viol\u00eancia nas ruas contra manifestantes que votaram em Lula s\u00e3o apenas a ponta mais vis\u00edvel do iceberg da tentativa da extrema-direita em deslegitimar as elei\u00e7\u00f5es e desestabilizar o futuro governo. At\u00e9 agora as a\u00e7\u00f5es desesperadas desses setores fracassaram em fun\u00e7\u00e3o da falta de maior apoio interno e externo, al\u00e9m do fato de que um golpe nessa conjuntura n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es objetivas de sustenta\u00e7\u00e3o, mas essas for\u00e7as dever\u00e3o manter um prolongado per\u00edodo de provoca\u00e7\u00f5es buscando tumultuar a conjuntura.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos tamb\u00e9m esquecer que a vit\u00f3ria de Lula n\u00e3o encerra a crise org\u00e2nica do capitalismo brasileiro, que se expressa na crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica atual. A disputa acirrada entre Lula e Bolsonaro \u00e9 apenas a face mais dram\u00e1tica dessa crise. Quais s\u00e3o os principais vetores da crise org\u00e2nica: primeiro, o pa\u00eds registra h\u00e1 quatro d\u00e9cadas um processo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Se levarmos em conta que a economia brasileira cresceu a uma m\u00e9dia de 6% ao ano entre 1930 e 1980, essa performance a partir dos anos 80 \u00e9 inteiramente at\u00edpica, com impactos devastadores, tais como um processo de regress\u00e3o industrial, atraso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fronteiras tecnol\u00f3gicas do capitalismo atual, como tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial, engenharia gen\u00e9tica e biotecnologia, nanotecnologia, microeletr\u00f4nica, entre outros. Essa regress\u00e3o abriu espa\u00e7o para o aumento da influ\u00eancia dos setores agr\u00e1rio-exportadores, bem como \u00e0queles ligados \u00e0s atividades baseadas na renda da terra, na economia e na pol\u00edtica do pa\u00eds. Como sabemos, a din\u00e2mica econ\u00f4mica virtuosa de uma na\u00e7\u00e3o deve ter como motor principal a atividade industrial, a \u00fanica que gera valor. Quando esse setor desacelera, ocorrem os impactos negativos em todas as outras vari\u00e1veis da economia.<\/p>\n<p>Segundo, um dos impactos mais dram\u00e1ticos dessas quatro d\u00e9cadas de regressividade pode ser verificado na \u00e1rea social. O desenvolvimento industrial brasileiro foi realizado n\u00e3o s\u00f3 em marcha for\u00e7ada, mas principalmente com enorme restri\u00e7\u00e3o salarial, o que resultou numa economia de baixos sal\u00e1rios, especialmente com o golpe militar de 1964, que aprofundou a mis\u00e9ria no pa\u00eds. O processo de desigualdade social se acelerou de maneira acentuada com a implanta\u00e7\u00e3o do neoliberalismo a partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 e chegou a n\u00edveis dram\u00e1ticos ap\u00f3s o golpe de 2016, especialmente com o governo Bolsonaro. Atualmente o Brasil possui 33 milh\u00f5es de pessoas passando fome, disputando ossos e pelancas de carne nos lix\u00f5es, 36 milh\u00f5es de trabalhadores na informalidade e cerca de 18 milh\u00f5es de desempregados, se somarmos o desemprego oficial com o desemprego oculto, al\u00e9m de milh\u00f5es de sem teto, sem terra e outros tantos milhares vivendo como mendigos nas cidades. O levante social de 2013 j\u00e1 tinha escancarado a situa\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds, mas esse quadro se tornou muito mais grave nos \u00faltimos nove anos com os ataques \u00e0 classe trabalhadora e a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, recess\u00e3o e desemprego promovidos pelos \u00faltimos governos.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica e social se tornou mais grave em fun\u00e7\u00e3o da crise sist\u00eamica do capitalismo mundial, cujos reflexos no Brasil foram bastante severos, levando \u00e0 grave crise pol\u00edtica, particularmente quando o boom das commodities desacelerou e as classes dominantes brasileiras exigiram um ajuste econ\u00f4mico e social radical do governo do Partido dos Trabalhadores, o qual, em fun\u00e7\u00e3o de sua base social, n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de realizar na velocidade e profundidade exigida pelo chamado mercado. Foi nessa conjuntura que a burguesia organizou o golpe, tendo como mote a surrada luta contra a corrup\u00e7\u00e3o encabe\u00e7ada pela Opera\u00e7\u00e3o Lava a Jato. Posteriormente se descobriu que essa opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o passou de um conluio criminoso entre as classes dominantes, um juiz ladr\u00e3o e procuradores inescrupulosos para derrubar Dilma Rousseff, prender Lula, afast\u00e1-lo da disputa eleitoral, abrir espa\u00e7o para o ajuste radical realizado pelo governo Temer e, posteriormente, para a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro, cujo governo aprofundou ainda mais a barb\u00e1rie social.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a crise brasileira n\u00e3o \u00e9 uma simples crise c\u00edclica, mas uma crise org\u00e2nica profunda que n\u00e3o pode ser resolvida com a concilia\u00e7\u00e3o de classe nem com medidas paliativas. S\u00e3o quatro d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, uma pobreza urbana pr\u00f3xima \u00e0 explos\u00e3o e um sistema pol\u00edtico desmoralizado perante a popula\u00e7\u00e3o. Como toda grande crise, a crise brasileira tamb\u00e9m n\u00e3o pode se arrastar indefinidamente. N\u00e3o existe crise sem sa\u00edda e a nossa crise est\u00e1 exigindo uma sa\u00edda.<\/p>\n<p>O velho modelo desenvolvimentista dos anos 50 do s\u00e9culo passado, ao estilo tropical, se esgotou, e o neoliberalismo fracassou rotundamente, al\u00e9m do fato de ter agravado todas as mazelas resultantes do capitalismo brasileiro. Estamos diante de um pa\u00eds que est\u00e1 entre as dez maiores economias do mundo, com o segundo maior proletariado do continente, com terra e \u00e1gua em abund\u00e2ncia, sol o ano inteiro, com todas as mat\u00e9rias-primas necess\u00e1rias ao desenvolvimento econ\u00f4mico. Um pa\u00eds com essas caracter\u00edsticas n\u00e3o pode conviver por muito mais tempo com a maioria da popula\u00e7\u00e3o vivendo na pobreza ou na mis\u00e9ria sem que essas contradi\u00e7\u00f5es se expressem em uma luta social aberta.<\/p>\n<p>Mesmo diante da crise e do fracasso do neoliberalismo, as classes dominantes continuam aferradas ao mantra neoliberal do trip\u00e9 macroecon\u00f4mico \u2013 ajuste fiscal, metas de infla\u00e7\u00e3o e c\u00e2mbio flutuante &#8211; e dane-se a popula\u00e7\u00e3o. Em 2013 os manifestantes exigiam sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e emprego de qualidade, mas essas reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram atendidas e a partir da\u00ed o estoque de problemas sociais aumentou dramaticamente em consequ\u00eancia da radicaliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais contra os trabalhadores. Esse caldeir\u00e3o social na pr\u00f3xima vez que explodir far\u00e1 com que o levante de 2013 pare\u00e7a um per\u00edodo de festa junina, com o risco de ser apropriado de forma ainda mais perigosa pelas for\u00e7as da extrema-direita.<\/p>\n<p>Portanto, o novo governo Lula, pela pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o da frente constitu\u00edda para disputar as elei\u00e7\u00f5es, se encontra diante de uma encruzilhada, em fun\u00e7\u00e3o da acirrada disputa pelos rumos do novo governo que se dar\u00e1 daqui para a frente. Mesmo antes de Lula assumir, a burguesia tenta de todas as formas sequestrar a pauta econ\u00f4mica do novo governo visando manter o velho modelo que j\u00e1 foi abandonado em v\u00e1rias partes do mundo e se utiliza de todas as chantagens para preservar seus interesses, buscando colocar na Fazenda um ministro que siga seu receitu\u00e1rio neoliberal.<\/p>\n<p>De outro lado, a elei\u00e7\u00e3o de Lula criou extraordin\u00e1rias expectativas na milit\u00e2ncia e nos movimentos sociais e populares. Todos com grande expectativa de mudan\u00e7as. Caso n\u00e3o sejam contempladas, haver\u00e1 muita frustra\u00e7\u00e3o e poder\u00e1 ocorrer uma mudan\u00e7a de \u00e2nimo desses movimentos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luta, at\u00e9 mesmo porque ainda se guarda na mem\u00f3ria o estelionato eleitoral do segundo governo Dilma, quando um banqueiro foi nomeado para a Fazenda e implementou a pol\u00edtica neoliberal com os resultados que todos conhecemos. Essa tens\u00e3o constante entre a burguesia querendo preservar seus interesses e o movimento social e popular buscando mudan\u00e7as marcar\u00e1 o governo Lula ao longo dos pr\u00f3ximos quatro anos, numa conjuntura que sofrer\u00e1 ainda a presen\u00e7a nefasta das for\u00e7as de extrema-direita.<\/p>\n<p><strong>De olho na conjuntura internacional<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 bom lembrar que o Brasil \u00e9 parte do sistema imperialista mundial e o pr\u00f3prio sistema internacional do capital vive uma grave crise, oriunda tanto de suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m da disputa geopol\u00edtica que se coloca na ordem do dia no plano internacional. H\u00e1 atualmente uma disputa estrat\u00e9gica pela constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem internacional entre China-R\u00fassia-Eur\u00e1sia e Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia e OTAN. Parte do destino da geopol\u00edtica mundial se joga na guerra da Ucr\u00e2nia, na qual a R\u00fassia enfrenta n\u00e3o somente a Ucr\u00e2nia mas os pa\u00edses da OTAN, que realizam uma guerra por procura\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do fornecimento de suporte financeiro, com os armamentos mais sofisticados, intelig\u00eancia e treinamento de soldados ucranianos e mercen\u00e1rios em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa.<\/p>\n<p>O resultado desse conflito ter\u00e1 um impacto profundo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Uma derrota da R\u00fassia pode representar a destrui\u00e7\u00e3o dessa na\u00e7\u00e3o multi\u00e9tnica, com seu desmembramento em v\u00e1rias republiquetas como ocorreu na Iugosl\u00e1via. Uma derrota dos EUA-UE-OTAN pode significar a perda do monop\u00f3lio da for\u00e7a por parte da OTAN, com o prov\u00e1vel aprofundamento da decad\u00eancia do imp\u00e9rio estadunidense e da velha ordem constru\u00edda ap\u00f3s o p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Com a guerra da Ucr\u00e2nia, o imperialismo imp\u00f4s um conjunto de san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia, que inclu\u00edram o seu desligamento do sistema financeiro internacional, o confisco das reservas russas nos bancos ocidentais, a proibi\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de produtos da R\u00fassia, inclusive com a retirada de v\u00e1rias empresas ocidentais do pa\u00eds, entre outras medidas. O objetivo das san\u00e7\u00f5es era desmontar a economia russa e colocar a R\u00fassia de joelhos diante do Ocidente. No entanto, o tiro saiu pela culatra, pois as san\u00e7\u00f5es n\u00e3o produziram os efeitos desejados e ainda resultaram numa esp\u00e9cie de efeito bumerangue.<\/p>\n<p>A R\u00fassia tomou uma s\u00e9rie de medidas, como o controle do c\u00e2mbio e a venda de todos os seus produtos em rublo, bem como direcionou suas exporta\u00e7\u00f5es para a Eur\u00e1sia e pa\u00edses que n\u00e3o participaram do boicote, grande parte desses produtos negociados em tamb\u00e9m em moedas locais. Vale ressaltar que a R\u00fassia \u00e9 a maior exportadora de g\u00e1s, um dos maiores exportadores de petr\u00f3leo, fertilizantes, al\u00e9m de outras mat\u00e9rias-primas fundamentais para a ind\u00fastria do Ocidente. Rapidamente, os russos reorganizaram sua economia diante da nova conjuntura internacional, enquanto as na\u00e7\u00f5es capitalistas lideradas pelos EUA, principalmente na Europa, come\u00e7aram a sofrer as consequ\u00eancias das san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p>Com o fim das exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s e petr\u00f3leo para a Europa, come\u00e7aram os problemas, pois os europeus dependiam em cerca de 40% do g\u00e1s russo, que at\u00e9 ent\u00e3o era vendido a um pre\u00e7o bem menor que o praticado no mercado internacional, em consequ\u00eancia dos contratos de longo prazo. A consequ\u00eancia direta do boicote foi o aumento extraordin\u00e1rio dos pre\u00e7os do g\u00e1s na Europa e agora parte desse produto \u00e9 vendida pelos Estados Unidos a um pre\u00e7o bem maior, al\u00e9m do fato de que a guerra repercutiu tamb\u00e9m no aumento dos pre\u00e7os dos alimentos. Como resultado, veio a infla\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 a maior dos \u00faltimos 40 anos, bem como a quebra de empresas e a amea\u00e7a de recess\u00e3o econ\u00f4mica por todo o continente.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo com as san\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 em fun\u00e7\u00e3o de seus problemas internos, como a crise econ\u00f4mica e a infla\u00e7\u00e3o acelerada, mas especialmente porque os gastos com a guerra na Ucr\u00e2nia j\u00e1 come\u00e7am a ser questionados internamente, tendo em vista que as san\u00e7\u00f5es produziram efeito contr\u00e1rio ao esperado pelos Estados Unidos. Todos esses problemas est\u00e3o levando o imperialismo a aumentar cada vez mais a press\u00e3o para que todos os aliados se incorporem \u00e0 pol\u00edtica de boicote \u00e0 R\u00fassia, at\u00e9 agora sem os resultados desejados. Vale destacar ainda que, na verdade, o inimigo estrat\u00e9gico dos Estados Unidos \u00e9 a China, cuja economia vem sendo tamb\u00e9m boicotada, mas que tem demonstrando elevado grau de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. A estrat\u00e9gia dos Estados Unidos era quebrar a economia russa, pa\u00eds com imenso poder nuclear e aliado da China, e assim tornar os chineses mais vulner\u00e1veis na disputa geopol\u00edtica internacional. N\u00e3o est\u00e1 dando certo.<\/p>\n<p>O que isso tem a ver com o Brasil? O Brasil n\u00e3o pode ficar neutro nessa disputa entre um mundo unipolar ou multipolar. Tudo indica que Lula seguir\u00e1 a pol\u00edtica externa do per\u00edodo anterior, com fortalecimento dos BRICs, da Celac, da multipolaridade, bem como do estreitamento das rela\u00e7\u00f5es com a China, principal parceiro comercial do Brasil. Em condi\u00e7\u00f5es normais essa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil poderia at\u00e9 ser aceit\u00e1vel para os Estados Unidos, mas diante de uma crise econ\u00f4mica mundial, da disputa com a China e seus aliados, da guerra na Ucr\u00e2nia e da suposi\u00e7\u00e3o de que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 o seu p\u00e1tio traseiro, o imperialismo n\u00e3o vai assistir de bra\u00e7os cruzados uma pol\u00edtica externa independente de um pa\u00eds do porte do Brasil. Portanto, al\u00e9m dos impactos que a crise econ\u00f4mica mundial poder\u00e1 trazer e dos problemas internos que o governo ter\u00e1 que resolver, teremos ainda as press\u00f5es dos Estados Unidos por um alinhamento autom\u00e1tico do Brasil \u00e0 sua pol\u00edtica internacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ter nenhuma ilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo, que \u00e9 capaz de tudo para defender seus interesses. Caso seja contrariado, poder\u00e3o vir as conspira\u00e7\u00f5es, as sabotagens e tentativas de desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo. A\u00ed ent\u00e3o \u00e9 que mora o perigo, pois a burguesia brasileira, que sempre foi aliada do imperialismo, pode tamb\u00e9m conspirar para a sa\u00edda de Lula. J\u00e1 tem at\u00e9 o homem perfeito para a sucess\u00e3o \u2013 Geraldo Alckmin, que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o desmoralizado quanto Temer ou um troglodita como Bolsonaro. Isso pode at\u00e9 n\u00e3o ocorrer, mas \u00e9 sempre bom pensar em todas as possibilidades para evitar surpresas ou frustra\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p><strong>Um novo per\u00edodo de muitas lutas<\/strong><\/p>\n<p>O novo per\u00edodo que se abre na conjuntura brasileira ser\u00e1 marcado por uma intensa trajet\u00f3ria de lutas sociais e populares, tanto contra a estrutura neofascista bolsonarista e contra a burguesia, quanto por mudan\u00e7as profundas no pa\u00eds. A derrota eleitoral de Bolsonaro foi apenas o primeiro passo da luta contra o bolsonarismo que, como express\u00e3o pol\u00edtica organizada, \u00e9 um fen\u00f4meno novo na sociedade brasileira. Trata-se de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa com largos tent\u00e1culos internacionais, conta com apoio expressivo de setores da burguesia, entre parcela dos militares e, inclusive, em setores do proletariado e das camadas m\u00e9dias. Possui aparato financeiro expressivo, uma estrutura de comunica\u00e7\u00e3o digital extraordin\u00e1ria e apoio nas igrejas pentecostais e cat\u00f3licas conservadoras. N\u00e3o hesita em promover badernas, viol\u00eancia, provoca\u00e7\u00f5es, disseminar fake news para atingir seus objetivos e tumultuar a conjuntura. Trata-se de um movimento que age de maneira diferente da direita tradicional, n\u00e3o possui nenhum escr\u00fapulo, \u00e9 um inimigo cuja \u00e9tica \u00e9 o vale tudo para atingir seus objetivos. Portanto, n\u00e3o podemos combat\u00ea-lo com os mesmos m\u00e9todos usados contra a velha direita e muito menos podemos imaginar um combate apenas na esfera institucional.<\/p>\n<p>A nossa experi\u00eancia tem demonstrado que o combate a essa extrema-direita, desde as manifesta\u00e7\u00f5es do dia 29 de maio, deve ser feito principalmente com a press\u00e3o organizada das massas nas ruas, nos locais de trabalho, moradia e estudo. S\u00f3 as massas nas ruas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 de combater o bolsonarismo, mas especialmente de mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor dos interesses populares. Privilegiar a institucionalidade para combater o neofascismo \u00e9 o primeiro caminho para a derrota. At\u00e9 mesmo no per\u00edodo eleitoral isso ficou demonstrado claramente.<\/p>\n<p>A t\u00e1tica de jogar parado, o mote de que o amor vai vencer o \u00f3dio ou mesmo a propaganda de lembrar um passado de fartura e mel n\u00e3o surtiu nenhum efeito no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Pelo contr\u00e1rio, o bolsonarismo surpreendeu tanto na elei\u00e7\u00e3o presidencial quanto nos pleitos estaduais, elegendo uma grande bancada conservadora e governadores nos tr\u00eas principais Estados brasileiros. Somente com a mudan\u00e7a de t\u00e1tica no segundo turno, quando se percebeu a necessidade de colocar as massas nas ruas, foi poss\u00edvel derrotar Bolsonaro. Essa \u00e9 uma experi\u00eancia que deveremos ter como norte nas lutas futuras n\u00e3o s\u00f3 contra a extrema-direita, mas tamb\u00e9m contra a burguesia e contra a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>De nossa parte, faremos todo o poss\u00edvel para colocar bem alto a palavra de ordem das massas nas ruas para realizar as mudan\u00e7as e abrir espa\u00e7o para as transforma\u00e7\u00f5es sociais. A crise org\u00e2nica do capitalismo brasileiro n\u00e3o ser\u00e1 resolvida com a concilia\u00e7\u00e3o de classes nem com medidas paliativas porque a truculenta burguesia brasileira j\u00e1 demonstrou seguidas vezes que n\u00e3o est\u00e1 disposta a ceder em nada. Ela se sustenta com base na superexplora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, nos baixos sal\u00e1rios e convive tranquilamente com a barb\u00e1rie social em que estamos vivendo. Al\u00e9m disso, em per\u00edodos de crise aguda, a margem para conciliar os interesses dos trabalhadores com os da burguesia torna-se muito estreita.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma mudan\u00e7a clara na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor das classes populares ser\u00e1 capaz de abrir espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as profundas de que o povo trabalhador necessita. Essa mudan\u00e7a s\u00f3 pode ocorrer quando milh\u00f5es decidirem colocar na ordem do dia os seus interesses, quando milh\u00f5es forem capazes de impor nas ruas e nos locais de trabalho a for\u00e7a de sua maioria social. Esta n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, mas se n\u00e3o colocarmos como tarefa central da esquerda nessa nova conjuntura a luta pela mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, mais uma vez veremos ocorrer o pacto das elites t\u00e3o comum em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sabemos tamb\u00e9m que o pr\u00f3ximo per\u00edodo ser\u00e1 marcado por uma disputa ideol\u00f3gica muito intensa entre aqueles que querem p\u00f4r um freio no movimento oper\u00e1rio e popular, com receio de contrariar os aliados, e as for\u00e7as que querem construir um poderoso movimento de massas, com independ\u00eancia pol\u00edtica e org\u00e2nica em rela\u00e7\u00e3o ao Estado e \u00e0 burguesia, como forma de obter as necess\u00e1rias transforma\u00e7\u00f5es sociais. O resultado dessa disputa ter\u00e1 um papel importante sobre os rumos do governo e o destino do pa\u00eds nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Nessa nova conjuntura \u00e9 fundamental a reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical, que hoje n\u00e3o est\u00e1 mais \u00e0 altura da necessidade da luta de classes, bem como \u00e9 importante a reorganiza\u00e7\u00e3o dos movimentos de juventude e de suas entidades, de forma que possam ter o mesmo papel hist\u00f3rico que tiveram nos momentos mais definitivos da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Outro setor que precisa de reorganiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o movimento dos bairros, que teve protagonismo nos anos 80, mas que perdeu esse protagonismo e hoje se encontra aparelhado por interesses que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com as necessidades das popula\u00e7\u00f5es que moram nessas regi\u00f5es. Ou seja, a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular \u00e9 parte fundamental da constru\u00e7\u00e3o de um grande movimento organizado de massas.<\/p>\n<p><strong>Uma plataforma para o pr\u00f3ximo per\u00edodo<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um grande movimento popular n\u00e3o cai do c\u00e9u nem surge por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. \u00c9 um fato da vida que o movimento oper\u00e1rio entrou em refluxo entre 2016-2021 (Tabela 1), em consequ\u00eancia da coopta\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es sindicais e populares pelo social-liberalismo, do golpe de 2016 e da ofensiva contra os trabalhadores, bem como do enorme ex\u00e9rcito industrial de reserva resultado da crise econ\u00f4mica. Nessas novas condi\u00e7\u00f5es da crise brasileira, \u00e9 urgente a emerg\u00eancia de novos sujeitos revolucion\u00e1rios, tanto na \u00e1rea sindical, popular e partid\u00e1ria, com propostas que estejam em ader\u00eancia ao novo ritmo da luta de classes que se abrir\u00e1 no pr\u00f3ximo per\u00edodo. Est\u00e1 evidente que as principais dire\u00e7\u00f5es dos movimentos sindical, popular e de juventude falharam miseravelmente, est\u00e3o acomodadas, buscando apenas a sobreviv\u00eancia nos aparelhos que dirigem e n\u00e3o disp\u00f5em de condi\u00e7\u00f5es de liderar um novo ciclo de lutas.<\/p>\n<table width=\"572\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"2\">\n<colgroup>\n<col width=\"184\" \/> <\/colgroup>\n<colgroup>\n<col width=\"60\" \/> <\/colgroup>\n<colgroup>\n<col width=\"60\" \/>\n<col width=\"60\" \/>\n<col width=\"60\" \/>\n<col width=\"60\" \/> <\/colgroup>\n<colgroup>\n<col width=\"61\" \/> <\/colgroup>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"7\" width=\"568\" height=\"17\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>N\u00famero de greves: funcion\u00e1rios p\u00fablicos, estatais e setor privado (2016-2021)<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"184\" height=\"16\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>Setores<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2016<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2017<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2018<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2019<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2020<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"61\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2021<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"184\" height=\"16\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>Funcion\u00e1rios P\u00fablicos<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">979<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">728<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">718<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">523<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">192<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"61\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">80<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"184\" height=\"16\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>Empresas Estatais<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">121<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">86<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">73<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">43<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">39<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"61\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">31<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"184\" height=\"16\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>Empresas privadas<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">986<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">746<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">655<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">548<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">417<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"61\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\">252<\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"bottom\">\n<td width=\"184\" height=\"16\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>Total<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>2.093<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>1.566<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>1.453<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>1.118<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"60\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>649<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td width=\"61\">\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><b>366<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"312\" height=\"17\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Calibri, serif;\"><span style=\"font-size: small;\">Fonte Dieese \u2013 Balan\u00e7o de greves (v\u00e1rios n\u00fameros)<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"bottom\" width=\"60\"><\/td>\n<td valign=\"bottom\" width=\"60\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\" width=\"125\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em outros termos, tanto a pandemia e o desemprego quanto os violentos ataques de Temer e Bolsonaro aos trabalhadores levaram ao refluxo das lutas, mas n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil constatar que existe, mesmo que ainda difusa, uma enorme insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o diante de suas p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida. Essa insatisfa\u00e7\u00e3o foi contida pelas vicissitudes da conjuntura mas agora poder\u00e1 emergir com intensidade, uma vez que as amarras que a continha est\u00e3o desobstru\u00eddas. Ao longo da hist\u00f3ria, nenhuma sociedade deixou de lutar quando a crise chegou a um limite insuport\u00e1vel. E a crise brasileira est\u00e1 chegando ao limite do insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso agir no sentido de que o pr\u00f3ximo per\u00edodo seja marcado pela entrada em cena do movimento oper\u00e1rio e popular, especialmente porque agora o movimento n\u00e3o est\u00e1 mais envolvido na disputa eleitoral. A prov\u00e1vel retomada do crescimento econ\u00f4mico e do emprego e as novas condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do pa\u00eds abrem para o movimento oper\u00e1rio e popular a possibilidade de se colocar na ordem do dia com toda a potencialidade represada ap\u00f3s esse ciclo de refluxo.<\/p>\n<p>Como a hist\u00f3ria nos tem ensinado, nos ascensos da luta de massas, pela pr\u00f3pria din\u00e2mica dessas lutas, surgem novas lideran\u00e7as prolet\u00e1rias, novas lideran\u00e7as sociais. Portanto, esse ser\u00e1 o momento ideal para as for\u00e7as revolucion\u00e1rias, que v\u00eam h\u00e1 tempos realizando uma luta renhida contra o reformismo e alertando para a necessidade da luta popular, estreitar seus la\u00e7os com essas novas lideran\u00e7as, tanto por suas propostas quanto pela for\u00e7a moral do reconhecimento dos anos em que navegou na contram\u00e3o da pol\u00edtica conciliadora. Para essa nova etapa, \u00e9 necess\u00e1rio ousadia revolucion\u00e1ria, muito trabalho de base, aliado a uma plataforma concreta com propostas vi\u00e1veis que falem diretamente sobre as necessidades mais urgentes das massas, que busque organiz\u00e1-las para a luta e, num momento posterior, possa costurar as medidas emergenciais com propostas estrat\u00e9gicas que apontem no sentido das transforma\u00e7\u00f5es estruturais.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental no pr\u00f3ximo per\u00edodo desenvolver a agita\u00e7\u00e3o e propaganda em torno de um conjunto de propostas emergenciais que calem fundo no cora\u00e7\u00e3o e na mente das massas, como emprego para todos, jornada de trabalho de 30 horas sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, reajuste do sal\u00e1rio-m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o das perdas salariais do per\u00edodo neoliberal, fim do teto dos gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal e introdu\u00e7\u00e3o da Lei de Responsabilidade Social para liberar recursos para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte e moradia, reforma agr\u00e1ria e urbana, al\u00e9m da revoga\u00e7\u00e3o de todas as contrarreformas, especialmente as reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria. Essas medidas devem ser combinadas, quando as massas estiverem em movimento, com medidas mais estruturais como estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, revoga\u00e7\u00e3o das privatiza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de uma pol\u00edtica de desenvolvimento voltada para os interesses populares. Esse conjunto de propostas \u00e9 um bom pontap\u00e9 inicial para o debate sobre um programa estrat\u00e9gico dos trabalhadores rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do poder popular e do socialismo.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que o peleguismo cor-de-rosa vai procurar de todas as formas frear o debate e, especialmente, a organiza\u00e7\u00e3o das massas. Esses setores t\u00eam tamb\u00e9m fortes la\u00e7os formais com o proletariado porque ainda dirigem a maioria de suas entidades, mas a rela\u00e7\u00e3o direta com as massas como ocorria no passado n\u00e3o existe mais. Al\u00e9m disso, a crise brasileira, como momento da verdade para todos, se encarregar\u00e1 de demonstrar a incapacidade desses novos pelegos de liderar o novo ciclo de lutas porque est\u00e3o viciados nos acordos de gabinete, na concilia\u00e7\u00e3o de classes e na acomoda\u00e7\u00e3o diante das necessidades da luta de classes. Perderam a capacidade de lutar e v\u00e3o alegremente ser cooptados pelo governo, como foram no ciclo anterior. Tanto o ciclo anterior petista quanto os anos de ofensiva reacion\u00e1ria demonstraram a covardia e a incapacidade desses dirigentes de organizarem a luta dos trabalhadores. Por isso, a necessidade estrat\u00e9gica da reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e popular nesse ciclo que se abre com a elei\u00e7\u00e3o de Lula.<\/p>\n<p>Independentemente do que aconte\u00e7a no governo Lula, a luta de classes n\u00e3o vai tirar f\u00e9rias. O novo governo, em fun\u00e7\u00e3o das alian\u00e7as que realizou para disputar as elei\u00e7\u00f5es, ter\u00e1 pouca margem de manobra para tomar as medidas necess\u00e1rias \u00e0 solu\u00e7\u00e3o dos problemas centrais colocados pela crise. Para tanto, teria que romper com o bloco que o elegeu, o que \u00e9 bastante improv\u00e1vel. Al\u00e9m disso, h\u00e1 ainda a crise econ\u00f4mica mundial, que dever\u00e1 ter tamb\u00e9m impactos negativos na economia brasileira. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que seja realizado um programa mais rebaixado que no ciclo anterior, com medidas de compensa\u00e7\u00e3o social como no passado, mas sem romper com os fundamentos do modelo neoliberal. Numa na\u00e7\u00e3o como o Brasil qualquer al\u00edvio na vida do povo \u00e9 bem-vinda e tem uma repercuss\u00e3o favor\u00e1vel junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas a crise org\u00e2nica do capitalismo brasileiro precisa ser resolvida e n\u00e3o ser\u00e1 com medidas paliativas que se colocar\u00e1 o pa\u00eds em um novo rumo.<\/p>\n<p>Nessa conjuntura, os comunistas dever\u00e3o colocar todos os seus esfor\u00e7os com vistas \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio, popular e da juventude, intensificar o trabalho de base junto aos trabalhadores, em alian\u00e7a com outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o de uma frente social e pol\u00edtica classista que re\u00fana todos os movimentos sociais, populares e de juventude que estejam dispostos a disputar nas ruas e locais de trabalho o destino da nova conjuntura brasileira. No que se refere especificamente aos comunistas, \u00e9 fundamental colocar em movimento todo o Partido e nossos Coletivos de luta para cumprir essa tarefa hist\u00f3rica que a luta de classes est\u00e1 nos colocando. Tenho absoluta confian\u00e7a de que a nossa milit\u00e2ncia, mais uma vez, estar\u00e1 \u00e0 altura desse novo desafio. Ousar lutar, ousar vencer!<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Edmilson Costa \u00e9 secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29566\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,66,10,5,383],"tags":[219,246],"class_list":["post-29566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","category-s4-pcb","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-manchete","tag-np"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7GS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29566\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}