{"id":2961,"date":"2012-06-03T22:24:34","date_gmt":"2012-06-03T22:24:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2961"},"modified":"2012-06-03T22:24:34","modified_gmt":"2012-06-03T22:24:34","slug":"as-bombas-que-israel-finge-esconder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2961","title":{"rendered":"As bombas que Israel finge esconder"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi furado o \u201csil\u00eancio ensurdecedor\u201d\u00a0que o governo e a m\u00eddia nos Estados Unidos \u2013 assim como governos e m\u00eddias que olham baixo para Washington mundo afora \u2013\u00a0guardam\u00a0a respeito das\u00a0bombas at\u00f4micas de Israel.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/\">The New Yorker<\/a>, <\/em>um dos mais conceituados jornais estadunidenses, publicou um artigo de seu colunista John Cassidy que escancara o problema. Estima entre 100 e 300 o n\u00famero de bombas estocadas e (mal) escondidas pelo Estado de Israel, que disp\u00f5e igualmente dos avi\u00f5es e m\u00edsseis capazes de lev\u00e1-las at\u00e9 alvos no Ir\u00e3, possivelmente num bombardeio que ele diariamente amea\u00e7a cometer. Pouco antes, Pat Buchanan, renomado pol\u00edtico conservador e conselheiro de v\u00e1rios presidentes, de Nixon a Reagan, fez denuncia semelhante. \u201cS\u00e3o as 300 ogivas nucleares de Israel que amea\u00e7am o mundo, n\u00e3o o Ir\u00e3\u201d, disse ele, entre outras advert\u00eancias alarmantes. Mas sua den\u00fancia veio num site alternativo da internet, visto por relativamente poucos. J\u00e1, no\u00a0<em>New Yorker<\/em>, \u00e9 outra coisa. Nada vai mudar por isso na pol\u00edtica hip\u00f3crita de Washington, mas j\u00e1 fica dif\u00edcil para algu\u00e9m medianamente informado nos EE.UU. dizer que n\u00e3o sabia dessa faceta sinistra da pol\u00edtica externa dos sucessivos governos de seu pa\u00eds, h\u00e1 50 anos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dailycaller.com\/2012\/02\/22\/buchanan-who-is-a-bigger-threat-iran-or-israel\/#ixzz1nrWs3oJU\">Clique aqui<\/a> para ler a entrevista com Buchanan e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/online\/blogs\/johncassidy\/2012\/03\/what-about-israels-nukes.html\">aqui<\/a> para ler o\u00a0artigo no de John Cassidy no\u00a0<em>New Yorker. <\/em>Abaixo, compartilhamos a tradu\u00e7\u00e3o, oferecida em email por Sergio Caldieri.<\/p>\n<p><strong>E sobre as bombas at\u00f4micas de Israel?<\/strong><\/p>\n<p>5\/3\/2012, John Cassidy,\u00a0<em>The New Yorker<\/em>, New York<\/p>\n<p>Caso voc\u00ea tenha esquecido \u2013 e n\u00e3o seria dif\u00edcil, dado que ningu\u00e9m jamais fala delas em debates p\u00fablicos \u2013 Israel tem cerca de cem bombas at\u00f4micas, talvez o dobro ou o triplo, e a capacidade t\u00e9cnica e os equipamentos necess\u00e1rios para dispar\u00e1-las de silos subterr\u00e2neos, de submarinos e de jatos bombardeiros F-16.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do ministro da Defesa de Israel, pouca gente sabe precisamente quantos m\u00edsseis armados com ogivas nucleares o pa\u00eds tem. Segundo estimativa n\u00e3o secreta divulgada em 1999 pela Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia da Defesa dos EUA, citada num boletim da Federa\u00e7\u00e3o dos Cientistas Norte-americanos de 2007, Israel tinha ent\u00e3o entre 60 e 80 ogivas nucleares. Estimativas mais recentes dizem que o n\u00famero \u00e9 consideravelmente maior.<\/p>\n<p>O Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos com sede em Londres diz que Israel tem \u201ccerca de 200\u201d ogivas nucleares carregadas em m\u00edsseis terra-ar Jericho 1 e Jericho 2 de curto e m\u00e9dio alcance. Jane, a empresa da Defesa-informa\u00e7\u00e3o, estima que, no total, o n\u00famero de ogivas nucleares esteja entre 100 e 300, o que p\u00f5e o arsenal nuclear de Israel lado a lado com a capacidade nuclear de brit\u00e2nicos e franceses. E muitos acreditam que essas ogivas j\u00e1 estejam carregadas nos novos m\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais Jericho 3, que t\u00eam alcance de mais de 7.200km \u2013 o que significa que, em teoria, podem atingir alvos na Europa e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>Desde os anos 1960s, quando Israel construiu sua primeira bomba at\u00f4mica, governos sucessivos t\u00eam-se recusado a reconhecer a exist\u00eancia do programa israelense de armas at\u00f4micas \u2013 posi\u00e7\u00e3o oficial designada por uma palavra em hebraico,\u00a0<em>amimut<\/em>, que significa \u201copacidade\u201d, \u201ctranspar\u00eancia-zero\u201d. E n\u00e3o se trata s\u00f3 de Israel reconhecer ou n\u00e3o reconhecer. Israelense que revele detalhes sobre o programa nacional de bombas at\u00f4micas comete crime, pelo qual pode ser condenado a longas penas de pris\u00e3o. Em 1986, Mordechai Vanunu, ex-t\u00e9cnico nuclear, entregou ao\u00a0<em>Sunday Times<\/em> de Londres, fotografias que havia tirado do Centro de Pesquisa Nuclear do Negev, pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de Dimona. Depois de publicada a hist\u00f3ria de Vanunu, agentes do Mossad sequestraram-no em Roma, onde passava f\u00e9rias, e o levaram de volta a Israel. Cumpriu pena de 18 anos de pris\u00e3o, 11 dos quais em confinamento (solit\u00e1ria).<\/p>\n<p>Avner Cohen, o historiados israelense-estadunidense que, em 1998, publicou livro-tese acad\u00eamica sobre o programa nuclear israelense,\u00a0<em>Israel and the Bomb<\/em> <em>[Israel e a Bomba]<\/em> teve melhor sorte. Mas, quando voltou a Israel em 2001, para uma confer\u00eancia, foi preso e submetido a 50 horas de interrogat\u00f3rio por agentes de seguran\u00e7a do Minist\u00e9rio da Defesa, que queriam saber sobre suas fontes e motiva\u00e7\u00f5es para escrever o livro. E em 2002, Yitzhak Yaakov, ex-chefe do programa de pesquisa de armas do ex\u00e9rcito de Israel recebeu pena de dois anos de suspens\u00e3o depois de escrever suas mem\u00f3rias[1]. \u201cPara mim, tudo isso \u00e9 um pesadelo\u201d \u2013 disse \u00a0Yaakov, durante seu julgamento. \u201cAcordo pela manh\u00e3 e lembro que fui interrogado, acusado de espionagem. Disseram-me que eu era pior que Vanunu e que minha esposa \u00e9 Mata Hari.\u201d<\/p>\n<p>Agora que Israel amea\u00e7a bombardear o programa de pesquisas nucleares para finalidades pac\u00edficas do Ir\u00e3 \u2013 porque nem os servi\u00e7os de intelig\u00eancia dos EUA acreditam que tenha evolu\u00eddo at\u00e9 o est\u00e1gio de poder tentar construir bombas at\u00f4micas, segundo o\u00a0<em>Times<\/em>[2]\u2013 a encena\u00e7\u00e3o continua. Considerem a entrevista que Benjamin Netanyahu concedeu em 2010 a meu ex-colega Jeffrey Goldberg, publicada em\u00a0<em>The Atlantic<\/em>:<\/p>\n<p>Netanyahu n\u00e3o poria a quest\u00e3o em temos de paridade nuclear \u2013 a pol\u00edtica israelense do\u00a0<em>amimut <\/em>(opacidade, transpar\u00eancia zero) pro\u00edbe reconhecer a exist\u00eancia do arsenal nuclear israelense, de mais de 100 bombas at\u00f4micas, bombas termonucleares de dois est\u00e1gios, que podem ser disparadas por m\u00edsseis, avi\u00f5es bombardeiros ou submarinos (dois dos quais, segundo fontes da intelig\u00eancia est\u00e3o atualmente posicionados no Golfo Persa). Em vez disso, preferiu falar sobre o programa iraniano como uma amea\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 a Israel, mas a toda a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.[3]<\/p>\n<p>Evidentemente, o governo de Israel tem pleno direito de formular como lhe apraza suas pol\u00edticas, considerados os interesses do pa\u00eds. E, tamb\u00e9m evidentemente, os EUA devem fazer o mesmo. Em seu discurso ao AIPAC, ontem, o presidente Obama disse o seguinte:<\/p>\n<p>Um Ir\u00e3 nuclear \u00e9 completamente contr\u00e1rio aos interesses da seguran\u00e7a de Israel. Mas tamb\u00e9m \u00e9 contr\u00e1rio aos interesses da seguran\u00e7a nacional dos EUA. Na verdade, todo o mundo tem interesse em impedir que o Ir\u00e3 chegue a uma arma nuclear. Um Ir\u00e3 armado com arma nuclear poria abaixo todo o regime de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o que tanto nos custou construir. H\u00e1 riscos de que uma arma nuclear iraniana caia em m\u00e3os de alguma organiza\u00e7\u00e3o terrorista. \u00c9 quase certo que outros, na regi\u00e3o, sentir-se-\u00e3o obrigados a ter sua pr\u00f3pria arma nuclear, o que dispararia uma corrida armamentista numa das regi\u00f5es mais vol\u00e1teis do mundo.[4]<\/p>\n<p>E em todo aquele longo discurso, nem uma vez houve qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0s bombas at\u00f4micas israelenses, nem \u00e0 persistente recusa, por Israel, a assinar o Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear (do qual o Ir\u00e3 \u00e9 signat\u00e1rio). Algum presidente dos EUA algum dia reconheceu publicamente a exist\u00eancia das bombas at\u00f4micas de Israel?<\/p>\n<p>Em seu livro mais recente,\u00a0<em>The Worse Kept Secret: Israel\u2019s Bargain with the Bomb<\/em> <em>[O segredo mais mal guardado: a barganha de Israel com a bomba],<\/em>[5] Avner Cohen refere-se a um encontro, em setembro de 1969, entre o presidente Richard Nixon e Golda Meir sobre as bombas at\u00f4micas clandestinas de Israel.<\/p>\n<p>Nenhum registro escrito ou testemunho oral sobre o que se disse naquele encontro sobreviveu, que se conhe\u00e7a; e o que os l\u00edderes disseram naquela reuni\u00e3o permanece cercado do mais denso mist\u00e9rio. Em retrospectiva, pode-se dizer que naquele encontro foi institu\u00eddo o\u00a0<em>amimut<\/em> como posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica apoiada m\u00fatua e simultaneamente por Israel e EUA. O encontro Nixon-Meir marca o local e data do nascimento da barganha.<\/p>\n<p>Num momento em que o\u00a0<em>lobby<\/em> nos EUA, com a coopera\u00e7\u00e3o dos candidatos Republicanos, pressiona o governo\u00a0estadunidense para que apoie a linha dura de Netanyahu contra o Ir\u00e3, talvez seja hora de reavaliar aquela barganha. Nem \u00e9 preciso mudar muito. O regime de Teer\u00e3 \u00e9 profundamente antip\u00e1tico, e muitos de nossos outros aliados, inclu\u00eddos a Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e Ar\u00e1bia Saudita, tamb\u00e9m est\u00e3o decididos a impedir que se una ao clube at\u00f4mico. Mas reconhecer publicamente o que todos sabem sobre Israel \u2013 que, sim, \u00e9 uma das pot\u00eancias nucleares do planeta \u2013 teria a grande vantagem de salvar os EUA, tirando-o da posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel em que est\u00e1, repetidamente acusado de servir-se de dois pesos e duas medidas, no relacionamento com o Ir\u00e3.<\/p>\n<hr \/>\n<p>[1] 20\/6\/2002,\u00a0<em>Haaretz<\/em>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.haaretz.com\/news\/two-year-suspended-sentence-for-brig-general-yitzhak-yaakov-1.41837\">http:\/\/www.haaretz.com\/news\/two-year-suspended-sentence-for-brig-general-yitzhak-yaakov-1.41837<\/a><\/p>\n<p>[2] 24\/2\/2012,\u00a0<em>New York Times<\/em>, em<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2012\/02\/25\/world\/middleeast\/us-agencies-see-no-move-by-iran-to-build-a-bomb.html?_r=2&amp;ref=nuclearprogram\">http:\/\/www.nytimes.com\/2012\/02\/25\/world\/middleeast\/us-agencies-see-no-move-by-iran-to-build-a-bomb.html?_r=2&amp;ref=nuclearprogram<\/a><\/p>\n<p>[3] Set. 2012,\u00a0<em>The Atlantic<\/em>, em<a href=\"http:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/print\/2010\/09\/the-point-of-no-return\/8186\/\">http:\/\/www.theatlantic.com\/magazine\/print\/2010\/09\/the-point-of-no-return\/8186\/<\/a><\/p>\n<p>[4] Ver \u201c \u2018Bibi\u2019 continua a sacudir o cachorro americano?\u201d, Pepe Escobar, 5\/3\/2012,\u00a0<em>Asia Times Online<\/em>, traduzido em<a href=\"http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com\/2012\/03\/pepe-escobar-bibi-continua-sacudir-o.html\">http:\/\/redecastorphoto.blogspot.com\/2012\/03\/pepe-escobar-bibi-continua-sacudir-o.html<\/a><\/p>\n<p>[5]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Worst-Kept-Secret-Israels-Bargain-Bomb\/dp\/0231136986\">http:\/\/www.amazon.com\/Worst-Kept-Secret-Israels-Bargain-Bomb\/dp\/0231136986<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistamirante.wordpress.com\/2012\/05\/29\/as-bombas-que-israel-finge-esconder\/\">http:\/\/revistamirante.wordpress.com\/2012\/05\/29\/as-bombas-que-israel-finge-esconder\/<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ianoticia.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2961\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-LL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}