{"id":29643,"date":"2022-12-18T17:44:18","date_gmt":"2022-12-18T20:44:18","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29643"},"modified":"2022-12-18T17:44:18","modified_gmt":"2022-12-18T20:44:18","slug":"haiti-soberania-violada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29643","title":{"rendered":"Haiti, Soberania Violada"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29644\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29643\/image-1-6\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?fit=1088%2C678&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1088,678\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?fit=747%2C466&amp;ssl=1\" class=\"alignleft size-large wp-image-29644\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?resize=747%2C466&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?resize=900%2C561&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?resize=300%2C187&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?resize=768%2C479&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/image-1-1.png?w=1088&amp;ssl=1 1088w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Guilherme Corona<\/strong><\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica do Haiti, comumente conhecida como Haiti, foi o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e Caribe a conquistar sua independ\u00eancia, com uma revolta de escravizados que come\u00e7a em 1791 e se conclui em 1804, marcando a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o do continente feita integralmente por escravizados e libertos, sendo os primeiros l\u00edderes de governo da ilha todos ex-escravos. Inspirados pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, os haitianos levaram at\u00e9 o fim os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, e nunca seriam perdoados por isso.<\/p>\n<p>Conquistada a independ\u00eancia da Fran\u00e7a, foi logo ela violada, pela imposi\u00e7\u00e3o injusta de um bloqueio econ\u00f4mico que durou 60 anos, promovido por estadunidenses e europeus, temerosos de que seus pr\u00f3prios escravizados se levantassem em nome das ideias que eles juraram defender apenas alguns anos antes. Era a primeira face da rea\u00e7\u00e3o, do esgotamento do esp\u00edrito revolucion\u00e1rio burgu\u00eas; a classe dominante agora n\u00e3o precisava do apoio dos populares. Esse bloqueio s\u00f3 viria a acabar por iniciativa da pr\u00f3pria ilha, sob lideran\u00e7a de Jean Pierre Boyer, que acordou com a Fran\u00e7a uma indeniza\u00e7\u00e3o de 150 milh\u00f5es de francos, indeniza\u00e7\u00e3o que, mesmo reduzida para 90 milh\u00f5es, destruiria a economia do pa\u00eds. Nesta segunda viola\u00e7\u00e3o de sua soberania, o Haiti teve que literalmente pagar a sua alforria, indenizando com ouro o que j\u00e1 tinha sido quitado com sangue.<\/p>\n<p>Agora sem bloqueios, o Haiti teria uma chance de olhar para o futuro, chance logo suprimida pela ocupa\u00e7\u00e3o estadunidense de 1915, que iria at\u00e9 1934, com aplica\u00e7\u00e3o de lei marcial para degolar qualquer oposi\u00e7\u00e3o, inaugurando mais uma trag\u00e9dia para a soberania caribenha, e mais um per\u00edodo de instabilidade pol\u00edtica para a ilha. Essa instabilidade daria uma pausa em 1957, com a elei\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7ois Duvalier, famoso Papa Doc, que daria in\u00edcio a uma feroz ditadura financiada pelos Estados Unidos, continuada pelo seu filho Jean-Claude, o Baby Doc, ap\u00f3s sua morte. O terror iria at\u00e9 1986, quando em estado de s\u00edtio, Baby Doc, com medo da rea\u00e7\u00e3o popular, foge do pa\u00eds e s\u00e3o convocadas novas elei\u00e7\u00f5es, marcadas por grande absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Viria ent\u00e3o mais uma \u00e9poca de tensionamentos pol\u00edticos, com uma disputa pelo poder capitaneada por Raoul C\u00e9dras e Jean-Bertrand Aristide: o primeiro daria um golpe de estado, for\u00e7ando Aristide a se refugiar nos EUA, sendo somente reempossado por uma interven\u00e7\u00e3o militar liderada pelos ianques em 1994. Aqui se abre uma pequena janela de progresso, encerrada pela deposi\u00e7\u00e3o de Aristide e a invas\u00e3o imperialista do pa\u00eds, disfar\u00e7ada de miss\u00e3o de paz e apelidada de MINUSTAH. Essa \u201cmiss\u00e3o de paz\u201d, liderada pelo Brasil e protagonizada por nomes como o General Augusto Heleno, fez de tudo, menos construir um processo de paz. Alastrou-se o crime organizado, cresceu a viol\u00eancia, organizaram-se massacres, se testaram t\u00e1ticas e t\u00e9cnicas de repress\u00e3o de movimentos populares, os generais brasileiros tinham encontrado seu laborat\u00f3rio de viol\u00eancia, colocando o Brasil como principal violador da soberania da ilha.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da interfer\u00eancia externa, os desastres naturais n\u00e3o dariam nenhuma brecha ao pa\u00eds, que experimentaria o terremoto mais destrutivo dos \u00faltimos cem anos, tendo at\u00e9 mesmo reconhecimento da ONU quanto \u00e0 gravidade do acontecimento. Mas estar\u00edamos nos enganando se pens\u00e1ssemos que foi o terremoto o causador da mis\u00e9ria, quando na verdade \u00e9 a mis\u00e9ria generalizada que impede que a popula\u00e7\u00e3o do Haiti se recuperasse do desastre. Em 2014 se encerraria a MINUSTAH, com nada al\u00e9m de mortos e desaparecidos de saldo para mostrar, e uma situa\u00e7\u00e3o mais grave do que a anterior. N\u00e3o poderia ser de outra forma, nada de bom poderia vir de uma interven\u00e7\u00e3o militar imperialista, interven\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasce equivocada ao se basear no militarismo, perpetuando a viol\u00eancia capitalista, sem oferecer sa\u00eddas reais, nem criar bases para um processo de paz e progresso.<\/p>\n<p>\u00c9 pelo clima de viol\u00eancia generalizada, pobreza, mis\u00e9ria, e quest\u00f5es sociais n\u00e3o tratadas, que o assassinato do presidente haitiano Jovenel Mo\u00efse em 2021 configura mais uma novidade do que uma surpresa. A viol\u00eancia brutal que assola o pa\u00eds n\u00e3o poderia ficar para sempre contida nos becos e nas favelas; a erup\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia pol\u00edtica chegaria mais hora menos hora aos principais c\u00edrculos do poder. A surpresa vem na verdade de um pedido do primeiro-ministro do pa\u00eds no m\u00eas de outubro: incapaz de lidar com as contradi\u00e7\u00f5es internas de seu regime e da situa\u00e7\u00e3o de calamidade do pa\u00eds, solicita interven\u00e7\u00e3o estrangeira para repelir o crime organizado e retomar a \u201cnormalidade\u201d no pa\u00eds. Tudo isso em meio a um surto de c\u00f3lera, doen\u00e7a introduzida no pa\u00eds pelas pr\u00f3prias for\u00e7as da paz da ONU, em 2010. Apesar dos pedidos c\u00ednicos, a iniciativa fracassa, tanto pela indisposi\u00e7\u00e3o dos EUA em assumir mais um front de combate quanto pela fragiliza\u00e7\u00e3o de sua hegemonia no cen\u00e1rio internacional. J\u00e1 que, mesmo ap\u00f3s prometer armas e treinamento, n\u00e3o conseguiu encontrar volunt\u00e1rios para comandar a invas\u00e3o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds caribenho \u00e9 de calamidade, h\u00e1 c\u00f3lera, mis\u00e9ria e fome. Num pa\u00eds onde mais da metade da popula\u00e7\u00e3o e mais da metade da economia \u00e9 rural, h\u00e1 de se importar mais de 80% das necessidades b\u00e1sicas de alimenta\u00e7\u00e3o. Enquanto se exporta manga e cacau, para os pequenos produtores n\u00e3o h\u00e1 terra ou capital, e a expropria\u00e7\u00e3o das riquezas do pa\u00eds segue solta. Contudo, n\u00e3o \u00e9 pela interven\u00e7\u00e3o estrangeira que se constr\u00f3i um futuro, e sim pela organiza\u00e7\u00e3o popular, pelo fortalecimento das for\u00e7as do proletariado e do movimento popular, pela constru\u00e7\u00e3o de um governo verdadeiramente democr\u00e1tico, e, por fim, pela edifica\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Clamamos pelo fim de qualquer interven\u00e7\u00e3o estrangeira no Haiti, a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista e soberana e que sejam pagas todas as d\u00edvidas hist\u00f3ricas do imperialismo com o Haiti.<\/p>\n<p>Por um Haiti socialista e soberano! Fora ianques! Viva ao pa\u00eds dos jacobinos negros!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29643\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,14,55,65,10],"tags":[226],"class_list":["post-29643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-s16-caribe","category-c66-haiti","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7I7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}