{"id":2967,"date":"2012-06-05T15:01:44","date_gmt":"2012-06-05T15:01:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2967"},"modified":"2012-06-05T15:01:44","modified_gmt":"2012-06-05T15:01:44","slug":"dilma-quer-acao-qpro-ciclicaq-de-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2967","title":{"rendered":"Dilma quer a\u00e7\u00e3o &#8220;pr\u00f3-c\u00edclica&#8221; de investimentos"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff prometeu ontem mais uma rodada de medidas para tentar acelerar a economia, praticamente estagnada no primeiro trimestre. Ao receber o rei da Espanha, Juan Carlos I, Dilma afirmou que a inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 adotar uma &#8220;pol\u00edtica pr\u00f3-c\u00edclica de investimento&#8221; para enfrentar a piora do cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 se preparando para ter, diante do acirramento da crise e dos processos recessivos na economia internacional, uma pol\u00edtica pr\u00f3-c\u00edclica de investimento&#8221;, disse Dilma durante almo\u00e7o oferecido ao rei no Pal\u00e1cio do Itamaraty. H\u00e1 duas semanas, o governo lan\u00e7ou um pacote de medidas, centrado no aumento do consumo.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, Dilma convocou uma reuni\u00e3o com ministros para discutir o que pode ser feito para aumentar os investimentos e garantir, ao menos, uma expans\u00e3o maior do que a verificada no ano passado, quando a economia cresceu 2,73%.<\/p>\n<p>Os minist\u00e9rios com baixo desempenho nos investimentos ter\u00e3o que correr para acelerar a execu\u00e7\u00e3o dos projetos priorit\u00e1rios. Os titulares das \u00e1reas mais cr\u00edticas ser\u00e3o chamados a apresentar um plano de a\u00e7\u00e3o e dar uma resposta r\u00e1pida. Dilma quer ver resultados j\u00e1 no in\u00edcio do terceiro trimestre.<\/p>\n<p>Participaram do encontro Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Miriam Belchior (Planejamento), Gleisi Hoffman (Casa Civil), al\u00e9m do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o secret\u00e1rio do Tesouro, Arno Augustin. No in\u00edcio da noite, Dilma convocou nova reuni\u00e3o. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o o encontro ainda n\u00e3o havia terminado.<\/p>\n<p>Dilma est\u00e1 bastante irritada com os n\u00fameros dos investimentos apresentados pelo Minist\u00e9rio da Fazenda. O diagn\u00f3stico apresentado pela equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que n\u00e3o h\u00e1 falta de recursos, mas a m\u00e1quina administrativa n\u00e3o responde a contento. A maior insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o Minist\u00e9rio dos Transportes.<\/p>\n<p>Ontem, no discurso no Itamaraty, Dilma deixou claro que na reuni\u00e3o do G-20, o grupo das 20 maiores economias, nos dias 18 e 19 no M\u00e9xico, vai insistir na necessidade de adotar medidas de ajuste fiscal aliadas a incentivos ao crescimento. &#8220;A sa\u00edda da crise passa, fundamentalmente, pelo crescimento econ\u00f4mico com distribui\u00e7\u00e3o de renda, pela cria\u00e7\u00e3o de empregos e pelos esfor\u00e7os de combater a pobreza e promover a justi\u00e7a social. Tal esfor\u00e7o n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a paralisia, nem tampouco \u00e9 incompat\u00edvel com a necess\u00e1ria busca do equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A retomada do crescimento em n\u00edvel global n\u00e3o pode depender apenas de medidas adotadas pelos pa\u00edses emergentes. Em um momento de crise \u00e9 fundamental insistir em uma a\u00e7\u00e3o coordenada e solid\u00e1ria entre todos os grandes atores da economia mundial&#8221;, disse a presidente.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Congresso desafia Dilma com 620 emendas a C\u00f3digo Florestal<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Numa clara demostra\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o est\u00e3o satisfeitos com os vetos nem com a medida provis\u00f3ria editada pela presidente Dilma Rousseff para substituir o texto aprovado na C\u00e2mara sobre o C\u00f3digo Florestal, deputados e senadores apresentaram ontem uma enxurrada de emendas \u00e0 MP. \u00c0s 20h30m, quando se encerrou o prazo para apresenta\u00e7\u00e3o de propostas de altera\u00e7\u00e3o, a assessoria do Congresso havia registrado mais de 620 emendas.<\/p>\n<p>Hoje recome\u00e7a mais um round. A comiss\u00e3o mista que vai analisar a admissibilidade da MP ser\u00e1 instalada e o relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), deve anunciar um cronograma de trabalho, com a tentativa de impor um rito sum\u00e1rio para agilizar a vota\u00e7\u00e3o. A ideia do relator \u00e9 aceitar o m\u00ednimo de emendas poss\u00edvel, para construir, j\u00e1 na comiss\u00e3o, um texto de consenso antes da Rio+20.<\/p>\n<p>&#8211; Tem emenda de toda sorte, mas a ideia \u00e9 olhar com lupa e evitar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de emendas para n\u00e3o reabrir todas as pol\u00eamicas e voltar a estaca zero. Aceitar s\u00f3 emendas que venham a aperfei\u00e7oar, para fazer algum ajuste que n\u00e3o foi conseguido. Se abrir tudo de novo, ser\u00e1 o melhor jeito de n\u00e3o ter solu\u00e7\u00e3o. Devemos ter um cronograma com rito sum\u00e1rio, o Luiz Henrique apresentar o relat\u00f3rio na pr\u00f3xima semana e votar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel &#8211; disse o senador Jorge Viana (PT-AC), que deve auxiliar o relator na comiss\u00e3o mista.<\/p>\n<p>&#8211; O fato de Dilma ter priorizado, ter dado aten\u00e7\u00e3o especial ao pequeno produtor, no caso da recomposi\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradas, tirou o argumento de quem estava contra. Isso vai facilitar um entendimento &#8211; completou Viana.<\/p>\n<p>Ruralistas: MP pune m\u00e9dios produtores<\/p>\n<p>O presidente da Frente Nacional da Agropecu\u00e1ria, deputado Homero Pereira (PR-MT), disse que os ruralistas apresentaram 58 emendas que, fundamentalmente, visam a dar mais seguran\u00e7a jur\u00eddica e tentam flexibilizar o escalonamento para recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas, beneficiando tamb\u00e9m os m\u00e9dios produtores. Ele disse que a MP beneficia os pequenos, at\u00e9 quatro m\u00f3dulos, mas \u00e9 muito dura com os m\u00e9dios. Segundo Pereira, quem tem cinco m\u00f3dulos \u00e9 quase igualado aos grandes nas obriga\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas .<\/p>\n<p>Outra emenda sugere que os recursos de multas e licenciamentos sejam destinados a um fundo para subsidiar pequenos e m\u00e9dios produtores na recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Para Pereira, 90% do c\u00f3digo e da MP s\u00e3o bons e representam avan\u00e7os, mas \u00e9 preciso ajustar 10% do texto.<\/p>\n<p>A MP 571, editada em 28 de maio, prev\u00ea trinta mudan\u00e7as no novo C\u00f3digo Florestal. Em im\u00f3veis com \u00e1rea de um a dois m\u00f3dulos, ser\u00e1 obrigat\u00f3ria a recomposi\u00e7\u00e3o de faixa de mata de oito metros de largura, e em im\u00f3veis de dois a quatro m\u00f3dulos, ser\u00e3o 15 metros de mata, para rios de qualquer tamanho.<\/p>\n<p>&#8211; A MP \u00e9 muito dura com os m\u00e9dios produtores, que acabaram penalizados. Quem tem mais de cinco m\u00f3dulos est\u00e1 sendo quase igualado aos grandes propriet\u00e1rios que tem condi\u00e7\u00f5es de fazer essa recupera\u00e7\u00e3o. Tem que ter um apoio financeiro do governo para ajudar esses pequenos e m\u00e9dios, quem tem de cinco a 15 m\u00f3dulos. Se n\u00e3o houver essas mudan\u00e7as, vai ser uma lei que n\u00e3o vai pegar, n\u00e3o ter\u00e1 efeito na pr\u00e1tica &#8211; disse Pereira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s passar pela comiss\u00e3o mista, a MP ser\u00e1 votada na C\u00e2mara e, depois, no Senado. Caso haja mudan\u00e7as, voltar\u00e1 para a C\u00e2mara.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Sobra cr\u00e9dito do BNDES para usinas<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Enquanto o governo discute um novo pacote para estimular a retomada do crescimento do segmento sucroalcooleiro, medidas lan\u00e7adas h\u00e1 cinco meses continuam in\u00f3cuas. Anunciado em janeiro, o programa Prorenova, que pretende destinar este ano R$ 4 bilh\u00f5es para o plantio de canaviais, ainda n\u00e3o se traduziu na libera\u00e7\u00e3o de nenhum centavo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) garante, por\u00e9m, que isso vai acontecer a partir deste m\u00eas.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o banco de fomento tem na carteira do programa R$ 1,080 bilh\u00e3o, distribu\u00eddos em opera\u00e7\u00f5es de 19 empresas diferentes, a maior parte de grande e m\u00e9dio portes. Aprovados mesmo, s\u00e3o R$ 230 milh\u00f5es &#8211; quase tudo para o grupo Santa Terezinha, do Paran\u00e1, que ter\u00e1 R$ 226,2 milh\u00f5es. Outros R$ 95 milh\u00f5es est\u00e3o em an\u00e1lise e mais R$ 210 milh\u00f5es est\u00e3o ou em consulta ou &#8220;enquadrados&#8221; nos crit\u00e9rios definidos pelo banco. H\u00e1 ainda R$ 550 milh\u00f5es em opera\u00e7\u00f5es prospectadas, mas que ainda n\u00e3o foram protocoladas oficialmente na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A dificuldade das usinas de entregar todos os documentos ambientais exigidos est\u00e1 no centro do rol de motivos que explica a demora do programa em deslanchar, apesar da grande necessidade do segmento por cr\u00e9dito para recuperar seus canaviais &#8211; afetados por anos de baixos investimentos e sucessivos problemas clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O acesso pode estar sendo ainda mais dificultado pela cobran\u00e7a de spreads elevados pelos bancos repassadores, segundo o chefe do Departamento de Biocombust\u00edveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti. &#8220;Usinas reclamaram desse custo. Mas acredito que agora est\u00e1 havendo converg\u00eancia desse spread, pois a demanda pelo programa aumentou significativamente em maio&#8221;, disse Cavalcanti. Procurada, a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban) preferiu n\u00e3o comentar.<\/p>\n<p>O presidente interino da Uni\u00e3o da Ind\u00fastria de Cana-de-A\u00e7\u00facar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, afirmou que o custo do Prorenova sempre foi considerado elevado, desde o an\u00fancio da linha, em janeiro. Mas a atratividade diminuiu mais na medida em que taxa Selic foi sendo reduzida. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que algumas usinas, que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de captar dinheiro mais barato, busquem cr\u00e9dito fora do Prorenova. Outras, n\u00e3o ter\u00e3o outra sa\u00edda&#8221;, explica Rodrigues.<\/p>\n<p>A procura ainda fraca tamb\u00e9m se explica, em parte, pela restri\u00e7\u00e3o de acesso ao cr\u00e9dito por empresas controladas por capital estrangeiro, que hoje respondem por 30% da moagem de cana do Centro-Sul. &#8220;Mas essas empresas n\u00e3o est\u00e3o deixando de investir em canaviais. Est\u00e3o buscando, no entanto, outras fontes de recursos&#8221;, explica Rodrigues.<\/p>\n<p>A linha para renova\u00e7\u00e3o de canaviais sai do BNDES a um custo de 8,8% ao ano, prazo de amortiza\u00e7\u00e3o de 72 meses, sendo 18 de car\u00eancia. Os bancos repassadores ainda cobram taxa de spread, que depende da negocia\u00e7\u00e3o com o cliente. Com endividamento total de R$ 42 bilh\u00f5es &#8211; equivalente a seu Produto Interno Bruto (PIB) &#8211; o setor sucroalcooleiro teve seu risco de cr\u00e9dito elevado nos \u00faltimos meses. &#8220;Esses spreads mais altos podem estar refletindo esse risco&#8221;, avalia Cavalcanti.<\/p>\n<p>Apesar disso, ele defende que o programa \u00e9 atrativo at\u00e9 mesmo diante das taxas atuais do mercado. Al\u00e9m disso, em maio algumas exig\u00eancias de documenta\u00e7\u00e3o foram flexibilizadas, mediante compromisso por parte das usinas de cumprimento progressivo das exig\u00eancias ao longo do contrato.<\/p>\n<p>Cavalcanti conta que o banco exigia que a propriedade que fosse objeto do recurso fosse totalmente georreferenciada. Devido \u00e0 dificuldade de atendimento dessa exig\u00eancia, o BNDES passou a solicitar que apenas um ponto da propriedade fosse georreferenciado para identificar se a propriedade est\u00e1 em \u00e1rea permitida pelo zoneamento agroecol\u00f3gico da cana.<\/p>\n<p>O banco tamb\u00e9m estabelecia inicialmente que as usinas tivessem o cadastro de todos os seus fornecedores de cana para acessar o recurso. Agora, passou a permitir que esse cadastro seja constru\u00eddo e atualizado durante o per\u00edodo de dura\u00e7\u00e3o do contrato com o banco. &#8220;Foi uma forma de o BNDES tornar o financiamento poss\u00edvel a partir da ado\u00e7\u00e3o progressiva de boas pr\u00e1ticas ambientais pelo setor&#8221;, disse Cavalcanti.<\/p>\n<p>Ele acredita que, apesar dos percal\u00e7os, o programa ter\u00e1 \u00eaxito e o banco conseguir\u00e1 liberar os R$ 4 bilh\u00f5es previstos para este ano. &#8220;Se a demanda avan\u00e7ar, teremos mais chances de criar um novo programa para o ano que vem&#8221;, afirmou.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil convive com cen\u00e1rios extremos na oferta de \u00e1gua<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Respondida por 134 governos nacionais, uma pesquisa da ag\u00eancia de \u00e1guas da ONU (UN-Water) trar\u00e1 um novo dado aos participantes da Rio+20, que far\u00e1 de 19 de junho seu dia da \u00e1gua. Desde 1992, quando representantes de cem pa\u00edses e 80 organismos intergovernamentais e n\u00e3o governamentais, reunidos em Dublin, capital da Irlanda, previram um futuro dram\u00e1tico para a \u00e1gua doce do mundo, cerca de 80% dos pa\u00edses criaram ou reformularam suas leis rumo \u00e0 gest\u00e3o dos usos m\u00faltiplos do precioso l\u00edquido.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 bem nessa foto, com um sistema de gest\u00e3o e uma Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos estabelecidos na Lei 9.433, em 1997. Baseada no modelo franc\u00eas, que define bacias hidrogr\u00e1ficas como unidades de gest\u00e3o, ela reconhece a \u00e1gua como bem econ\u00f4mico, prevendo a cobran\u00e7a pelo seu uso e a gest\u00e3o tripartite formada por governo, sociedade civil e usu\u00e1rios, em geral grandes consumidores. Al\u00e9m de racionalizar o consumo, a lei visa amenizar conflitos entre os usos &#8211; do abastecimento p\u00fablico ao lan\u00e7amento de dejetos, ou navega\u00e7\u00e3o &#8211; bem como a disparidade de cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>Detentor de 12% de \u00e1gua doce do planeta, o Brasil concentra 80% desse total na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Enquanto um cidad\u00e3o de Roraima disp\u00f5e de 1,74 milh\u00e3o de m3 de \u00e1gua por ano, o \u00edndice de Pernambuco \u00e9 de apenas 1,3 mil m3 por habitante\/ano, menos que o m\u00ednimo preconizado pela ONU para o consumo humano.<\/p>\n<p>Uso incorreto do solo agr\u00edcola, crescimento urbano desordenado e a polui\u00e7\u00e3o agravam as diferen\u00e7as. Por exemplo, a degrada\u00e7\u00e3o do rio Tiet\u00ea levou a popula\u00e7\u00e3o da capital paulistana a abastecer-se com \u00e1gua da bacia do rio Piracicaba, que hoje faz falta no interior paulista. A eros\u00e3o e o assoreamento dos cursos d&#8221;\u00e1gua devido ao desmatamento, bem como a crescente impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo urbano, ampliam efeitos de eventos clim\u00e1ticos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es. Que, segundo estudos do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), tendem a multiplicar-se devido ao aquecimento global.<\/p>\n<p>Ocorre que, passados 15 anos da Lei das \u00c1guas, o pa\u00eds ainda est\u00e1 instalando a nova estrutura. Lan\u00e7ado ontem pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1gua (ANA), o documento &#8220;Conjuntura de Recursos H\u00eddricos no Brasil &#8211; 2012&#8221; revela que o pa\u00eds j\u00e1 tem 176 comit\u00eas de bacias hidrogr\u00e1ficas, dos quais sete de \u00e2mbito interestadual. S\u00f3 que a soma n\u00e3o cobre todo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Degrada\u00e7\u00e3o do Tiet\u00ea leva capital paulistana a abastecer-se da bacia do rio Piracicaba, afetando o interior<\/p>\n<p>Com valores estabelecidos pelos pr\u00f3prios comit\u00eas e retorno do dinheiro para projetos locais definidos em conjunto, a cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua s\u00f3 pode existir se houver o plano de bacia que, \u00e0 semelhan\u00e7a de planos diretores, relaciona metas, projetos e crit\u00e9rios da arrecada\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos recursos. S\u00f3 parte dos comit\u00eas cumpriu essa etapa. No \u00e2mbito interestadual, eles abrangem uma faixa que vai da margem direita do rio Amazonas, passa pelas bacias do Tocantins-Araguaia e do rio S\u00e3o Francisco, chegando \u00e0s dos rios Doce, Para\u00edba do Sul e PCJ, sigla os rios Piracicaba, Capivari e Jundia\u00ed.<\/p>\n<p>Entre os 169 comit\u00eas estaduais, pouco mais da metade (56,8%) estabeleceu esses planos at\u00e9 final de 2011, sobretudo nas regi\u00f5es sul, sudeste e nordeste do pa\u00eds. Se no \u00e2mbito interestadual a pr\u00f3pria ANA recebe os recursos, os comit\u00eas estaduais tamb\u00e9m tem de criar ag\u00eancias de bacia, como bra\u00e7o executivo, antes de cobrarem pela \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;Os avan\u00e7os institucionais acontecem nas regi\u00f5es mais afetadas por defici\u00eancias na quantidade ou qualidade da \u00e1gua, e por conflitos entre os usos&#8221;, interpreta Sergio Ayrimoraes, superintendente de planejamento de recursos h\u00eddricos da ANA, que usa outro dado para contrapor cr\u00edticas. Antes de 1997, diz ele, cinco estados tinham lei ou pol\u00edtica de recursos h\u00eddricos. Hoje todos t\u00eam.<\/p>\n<p>Dos sete comit\u00eas de bacias de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, s\u00f3 quatro j\u00e1 cobram o uso da \u00e1gua: rio Doce, Para\u00edba do Sul, S\u00e3o Francisco e o PCJ. Entre os estaduais, o Rio de Janeiro \u00e9 o \u00fanico Estado com a cobran\u00e7a em todo territ\u00f3rio. Logo atr\u00e1s v\u00eam S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, parcialmente cobertos pelo sistema, seguidos do Esp\u00edrito Santo e Para\u00edba, onde a implanta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p>Ao todo, R$ 131 milh\u00f5es foram recolhidos em 2011, valor pr\u00f3ximo ao or\u00e7amento anual da ANA. &#8220;Pode parecer pouco, mas se bem investidos em gest\u00e3o, conseguem fazer diferen\u00e7a&#8221;, garante Ayrimoraes. A maior fatia coube ao Comit\u00ea do S\u00e3o Francisco. Cerca de 64% dos R$ 21,8 milh\u00f5es arrecadados vieram do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o, respons\u00e1vel pela transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Na outra ponta, o Comit\u00ea do Rio Doce, que iniciou a cobran\u00e7a em novembro, optou por recolher apenas em 2012 os R$ 1,76 milh\u00e3o devidos. Segundo o superintendente adjunto da ANA, ser\u00e3o aplicados no controle da polui\u00e7\u00e3o e equacionamento das cheias na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O leque de aplica\u00e7\u00f5es do dinheiro pelos comit\u00eas inclui desde a\u00e7\u00f5es estruturais, como obras de saneamento, at\u00e9 n\u00e3o estruturais, por exemplo educa\u00e7\u00e3o ambiental, ou planejamento. Mas uma pesquisa conduzida pelas ag\u00eancias dos rios Para\u00edba e PCJ com a ANA na virada de 2010 para 2011 indicou que, apesar de entenderem a cobran\u00e7a como indutora da racionaliza\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua, os usu\u00e1rios preferem obras, como esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto.<\/p>\n<p>Reflexo dos problemas em regi\u00f5es mais urbanizadas? Segundo o IBGE, 90,9% da popula\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 atendida pela rede de \u00e1gua, mas s\u00f3 61,8% contam com a coleta de esgotos e, pior, s\u00f3 um ter\u00e7o do coletado \u00e9 tratado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Custo do aquecimento global na AL \u00e9 de US$ 100 bi\/ano, diz BID<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e o Caribe enfrentar\u00e3o preju\u00edzos anuais de US$ 100 bilh\u00f5es at\u00e9 2050, caso n\u00e3o adotem medidas para tentar conter os danos em decorr\u00eancia do aquecimento global.<\/p>\n<p>O alarme vem de um levantamento feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em conjunto com a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal) e a World Wildlife Fund (WWF), que ser\u00e1 apresentado hoje em Washington e no dia 20 na Rio+20, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para chegar ao n\u00famero estimado do preju\u00edzo, o relat\u00f3rio avaliou a literatura que identificou os diferentes impactos f\u00edsicos e tamb\u00e9m fez c\u00e1lculos pr\u00f3prios. &#8220;A novidade \u00e9 que, pela primeira vez, temos um c\u00e1lculo dos impactos f\u00edsicos, utilizando uma metodologia similar e colocando custos financeiros em uma moeda que possa ser comparativa, no caso, o d\u00f3lar&#8221;, disse ao Estado Walter Vergara, chefe da Divis\u00e3o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Sustentabilidade do BID.<\/p>\n<p>De acordo com Vergara, os impactos f\u00edsicos podem ser reduzidos com investimentos em adapta\u00e7\u00e3o. Ele cita que os problemas de perda de capacidade dos reservat\u00f3rios hidroel\u00e9tricos no Brasil, por exemplo, podem ser compensados com a\u00e7\u00f5es de reflorestamento.<\/p>\n<p>&#8220;Uma medida de adapta\u00e7\u00e3o muito simples para o Brasil \u00e9 trabalhar em bacias altas, acima dos reservat\u00f3rios, fazer reflorestamento e conservar os bosques para que eles consigam reter a \u00e1gua e diminuir o impacto f\u00edsico da perda de energia. Assim voc\u00ea consegue diminuir a velocidade de escoamento das \u00e1guas e aumentar o armazenamento no solo&#8221;, explicou Vergara.<\/p>\n<p>O aumento do n\u00edvel do mar tamb\u00e9m \u00e9 outro impacto importante do aquecimento global. Para isso, o relat\u00f3rio aponta a necessidade de planejamento de infraestrutura urbana e tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de barreiras f\u00edsicas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ainda aponta os preju\u00edzos nas lavouras agr\u00edcolas na Am\u00e9rica Tropical, Brasil, Bol\u00edvia e norte da Argentina em decorr\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. &#8220;Nas \u00e1reas onde era poss\u00edvel plantar soja, por exemplo, ser\u00e1 necess\u00e1rio encontrar sementes que consigam se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as de temperatura.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Vergara, o relat\u00f3rio ainda faz os c\u00e1lculos do custo financeiro associado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de emiss\u00f5es de gases na Am\u00e9rica Latina. &#8220;A gente calcula que ser\u00e1 necess\u00e1rio investir outros US$ 110 bilh\u00f5es por ano para reduzir as emiss\u00f5es do est\u00e1gio de hoje para 2 toneladas per capita para o ano 2050. Essa \u00e9 a \u00fanica forma para que o planeta n\u00e3o esquente mais do que 2\u00baC neste s\u00e9culo&#8221;, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Estado de S. 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