{"id":29881,"date":"2023-01-27T20:46:49","date_gmt":"2023-01-27T23:46:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=29881"},"modified":"2023-01-27T20:46:49","modified_gmt":"2023-01-27T23:46:49","slug":"nazismo-ucraniano-ontem-e-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29881","title":{"rendered":"Nazismo ucraniano, ontem e hoje"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"29883\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29881\/unnamed-5\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-29883\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/unnamed-2.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/unnamed-2.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/unnamed-2.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Marcha de tochas dos partidos nazistas Svoboda and Pravy Sektor, nas imedia\u00e7\u00f5es do gabinete do presidente da Ucr\u00e2nia, Volodymir Zelensky, para assinalar o 113\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Stepan Bandera. Kiev, 1\u00ba de Janeiro de 2022<br \/>\nCr\u00e9ditos: Anna Marchenko \/ TASS<\/p>\n<p>Uma trilogia (I)<\/p>\n<p><strong>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; Portal ABRIL ABRIL<\/strong><\/p>\n<p>1. O dec\u00e1logo assassino e a \u00abgrande democracia\u00bb<br \/>\nO maior cego \u00e9 aquele que n\u00e3o quer ver (sabedoria popular)<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, o Parlamento e o presidente da Ucr\u00e2nia proclamaram como \u00abher\u00f3i nacional\u00bb ucraniano um indiv\u00edduo de nome Miroslav Simchich, que completou 100 anos neste m\u00eas de janeiro1. Simchich, que morreu no passado dia 18, \u00e9 um personagem cultuado pelo regime de Kiev e foi agraciado como figura militar e p\u00fablica pelos \u00abseus m\u00e9ritos na forma\u00e7\u00e3o do Estado ucraniano e pelos muitos anos de atividade pol\u00edtica e social frut\u00edferos\u00bb.<\/p>\n<p>Miroslav Simchich (Krivonis) \u00e9 um nazista, um criminoso de guerra. Foi destacado dirigente da entidade terrorista chamada Organiza\u00e7\u00e3o dos Nacionalistas Ucranianos, mais conhecida por OUN, e do seu bra\u00e7o armado, o Ex\u00e9rcito Insurgente da Ucr\u00e2nia (UPA). Estes grupos tiveram como um de seus fundadores e figura de refer\u00eancia o conhecido colaboracionista nazista Stepan Bandera, nome identificado como um dos principais dirigentes e proselitista do chamado \u00abnacionalismo integral\u00bb ucraniano, inspira\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos grupos terroristas de inspira\u00e7\u00e3o nazista que enquadram os atuais governo e Estado ucranianos. O objetivo contido na palavra de ordem institucional proclamada pela UPA, associado \u00e0 doutrina\u00e7\u00e3o do nacionalismo integral, era \u00abum Estado ucraniano etnicamente puro ou morte\u00bb.<\/p>\n<p>No per\u00edodo a seguir \u00e0 Segunda Guerra Mundial, Bandera instalou-se na Alemanha a servi\u00e7o do MI6 e da CIA, respectivamente servi\u00e7os secretos brit\u00e2nicos e norte-americanos. A reciclagem \u00abdemocr\u00e1tica\u00bb de bandidos nazistas foi um m\u00e9todo utilizado pelos Estados Unidos, pot\u00eancias ocidentais2 e, posteriormente, pela OTAN, de uma maneira sistem\u00e1tica e sustentada. Bandera \u00e9, como n\u00e3o podia deixar de ser, \u00abher\u00f3i nacional\u00bb da Ucr\u00e2nia: est\u00e1tuas distribu\u00eddas por todo o pa\u00eds, marchas anuais em sua honra, sobretudo em Lviv, romarias oficiais ao seu t\u00famulo; recentemente, a principal avenida de Kiev foi rebatizada com o seu nome. Para os nazistas de hoje na Ucr\u00e2nia, uma das refer\u00eancias m\u00edticas \u00e9 a Divis\u00e3o Gal\u00edcia3, unidade da UPA associada de maneira lend\u00e1ria ao culto atual de Bandera4 que a partir de 1943 5 lutou ao lado das tropas hitlerianas ocupantes da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica6.<\/p>\n<p>Biografia sangrenta de Simchich<br \/>\nEstudar a biografia do criminoso de guerra e novo \u00abher\u00f3i nacional\u00bb da Ucr\u00e2nia Miroslav Simchich n\u00e3o \u00e9 uma tarefa linear, sobretudo atrav\u00e9s da internet, porque numerosos sites sobre o assunto, especialmente os relacionados com os massacres de polacos, judeus, resistentes ucranianos, russos e sovi\u00e9ticos em geral, cometidos entre 1941 e 1945, est\u00e3o censurados sob mensagens advertindo que se trata de \u00abp\u00e1ginas de conte\u00fado perigoso\u00bb. Investigar a hist\u00f3ria, conhecer mais sobre os pesadelos que encerra pode, ao que parece, fazer mal aos cidad\u00e3os. Abundam, pelo contr\u00e1rio, as informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades \u00abher\u00f3icas\u00bb de Simchich contra o Estado sovi\u00e9tico e lamentos sobre os longos anos que passou, por conta delas, \u00abnos campos de trabalho bolcheviques\u00bb.<\/p>\n<p>H\u00e1 teses e investiga\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, que escapam \u00e0 malha cens\u00f3ria, sobretudo os trabalhos que foram executados por alguns professores norte-americanos de universidades elitistas da Ivy League, como a de Yale. O professor Keith A. Darden, precisamente de Yale, conversou com Simchich e ouviu-o proclamar que \u00abos objetivos nacionais justificavam as formas mais extremas de viol\u00eancia e consider\u00e1vel sacrif\u00edcio\u00bb7.<\/p>\n<p>Entre a Primavera de 1941 e o Ver\u00e3o de 1943, a OUN (B), organiza\u00e7\u00e3o comandada por Stefan Bandera depois de uma cis\u00e3o com a fac\u00e7\u00e3o Melnik, considerada \u00abmoderada\u00bb, e a UPA dedicaram-se a uma met\u00f3dica limpeza \u00e9tnica dos polacos das regi\u00f5es da Vol\u00ednia e da Gal\u00edcia Oriental8. Tratava-se de \u00abpurificar\u00bb, na perspectiva ucraniana, os territ\u00f3rios sovi\u00e9ticos ent\u00e3o sob ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e que, de acordo com as suas previs\u00f5es e desejos, seriam integrados numa Ucr\u00e2nia independente com a vit\u00f3ria da Alemanha Nazista. No primeiro ano da presen\u00e7a alem\u00e3 no territ\u00f3rio ucraniano sovi\u00e9tico, a OUN exortou os seus membros a participarem no exterm\u00ednio de pelo menos 200 mil judeus na regi\u00e3o da Vol\u00ednia. Al\u00e9m disso, criou a Mil\u00edcia Popular Ucraniana, que realizou pogroms por sua pr\u00f3pria iniciativa e colaborou com os invasores alem\u00e3es a prender e executar cidad\u00e3os polacos, judeus, comunistas, sovi\u00e9ticos e resistentes em geral9<\/p>\n<p>Ainda antes do in\u00edcio da Grande Guerra, os nacionalistas integrais da Ucr\u00e2nia realizaram frequentes pogroms durante os quais assassinaram dezenas de milhares de compatriotas com origem judaica. Simchich explicou que os participantes nas chacinas n\u00e3o manifestavam quaisquer remorsos pelos seus atos, apesar de as v\u00edtimas serem quase exclusivamente civis \u2013 homens, mulheres e crian\u00e7as, tanto fazia. Cumpriam, disse, a divisa da OUN segundo a qual \u00aba nossa \u00fanica diplomacia \u00e9 a arma autom\u00e1tica\u00bb10. Como se percebe, olhando para o que se passa hoje, h\u00e1 coisas que nunca mudam para as gangues ucranianas nacionalistas\/nazistas.<\/p>\n<p>Os terroristas da OUN(B)\/UPA guiavam-se pelo dec\u00e1logo da organiza\u00e7\u00e3o, bastante elucidativo em termos program\u00e1ticos. O s\u00e9timo mandamento reza assim: \u00abN\u00e3o hesitar em cometer o maior crime se o bem da causa assim o exigir\u00bb. O oitavo mandamento recomenda que se olhem \u00abos inimigos com \u00f3dio e perf\u00eddia\u00bb; e o d\u00e9cimo estipula que os ucranianos devem \u00abaspirar a expandir a for\u00e7a, a riqueza e dimens\u00e3o do Estado ucraniano mesmo atrav\u00e9s de meios que transformem os estrangeiros em escravos\u00bb.<\/p>\n<p>Transcorreram oitenta anos, mas o tempo n\u00e3o passou por sucessivas gera\u00e7\u00f5es de nacionalistas integrais ucranianos at\u00e9 \u00e0 atual. Consultemos a lei dos povos nativos promulgada h\u00e1 um ano pelo presidente Volodymyr Zelensky, her\u00f3i de todo o Ocidente, e ali se inscreve a discrimina\u00e7\u00e3o e a recusa de direitos aos n\u00e3o-ucranianos, como por exemplo o ensino e o uso das l\u00ednguas p\u00e1trias e a proibi\u00e7\u00e3o de meios de comunica\u00e7\u00e3o nesses idiomas. Nos termos da mesma lei, s\u00f3 os cidad\u00e3os considerados ucranianos \u00abt\u00eam o direito de desfrutar plenamente de todos os direitos humanos e de todas as liberdades fundamentais\u00bb.11 As crian\u00e7as s\u00e3o formadas, desde tenra idade, no esp\u00edrito segregacionista e xen\u00f3fobo dessa lei; nos livros escolares oficiais ensina-se, por exemplo, que \u00abos russos s\u00e3o sub-humanos\u00bb.<\/p>\n<p>Miroslav Simchich [Krivonis] orgulha-se de ter sido pessoa destacada nos massacres de 1941 a 1943, comandando as unidades que dizimaram as aldeias polacas de Pistyn e Troitsa12 13 e ordenando pessoalmente o assassinato de mais de cem pessoas entre polacos, judeus e ucranianos. O car\u00e1ter da OUN(B)\/UPA, organiza\u00e7\u00e3o da qual se consideram herdeiros os v\u00e1rios grupos nazistas que controlam o atual governo de Kiev, pode avaliar-se tamb\u00e9m pelo fato de entre os ucranianos dizimados estarem n\u00e3o apenas resistentes ao nazismo, mas tamb\u00e9m membros da fac\u00e7\u00e3o dissidente de Melnik, OUN(M), mais inclinada para negocia\u00e7\u00f5es e alinhada ideologicamente com o fascismo italiano.<\/p>\n<p>Mais de cem mil polacos da Vol\u00ednia, Gal\u00edcia Ocidental e at\u00e9 de Kiev foram chacinados entre 1941 e 1944 em consequ\u00eancia da colabora\u00e7\u00e3o \u00edntima operacional entre as tropas de assalto nazistas envolvidas na invas\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e as organiza\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o banderista\/nacionalismo integral. Com eles foram assassinados ainda dezenas de milhares de judeus, resistentes ucranianos, cidad\u00e3os sovi\u00e9ticos, h\u00fangaros, romenos, ciganos, tchecos e de outras nacionalidades que manchavam a \u00abpureza\u00bb nacional ucraniana. No \u00abdomingo sangrento\u00bb, 11 de junho de 1941, unidades da OUN arrasaram cerca de 100 aldeias polacas da Vol\u00ednia, incendiaram as casas e assassinaram pelo menos oito mil pessoas \u2013 homens, mulheres e crian\u00e7as. Os ocupantes alem\u00e3es receberam ordens para n\u00e3o intervir; por\u00e9m, oficiais e soldados das tropas nazistas forneceram armas e outros instrumentos para o massacre em troca da partilha do saque.<\/p>\n<p>Outro dos acontecimentos mais sangrentos desta limpeza \u00e9tnica foi o massacre de Babi Yar, em 29 e 30 de setembro de 1941, no qual mais de 30 mil judeus, prisioneiros de guerra e resistentes sovi\u00e9ticos foram fuzilados num desfiladeiro ent\u00e3o nos arredores de Kiev por a\u00e7\u00e3o conjunta das Waffen SS e de grupos nazis\/nacionalistas que afirmavam defender a independ\u00eancia do seu pa\u00eds. Duzentos mil polacos fugiram para regi\u00f5es mais a Ocidente logo no in\u00edcio das matan\u00e7as; oitocentos mil seguiram posteriormente o mesmo caminho, aterrorizados pela cad\u00eancia e a crueldade das opera\u00e7\u00f5es, na sequ\u00eancia das quais nada restava dos agregados populacionais invadidos, incendiados e saqueados.<\/p>\n<p>O n\u00famero de cem mil mortos \u00e9 calculado pelo Instituto de Mem\u00f3ria Nacional da Pol\u00f3nia, ciente de que a organiza\u00e7\u00e3o de Bandera decidiu, em fevereiro de 1943, expulsar todos os polacos da Vol\u00ednia para obter \u00abum territ\u00f3rio absolutamente puro\u00bb. Por isso o colaboracionismo absoluto da Pol\u00f4nia de hoje com um regime que tem as suas ra\u00edzes nestas pr\u00e1ticas genocidas \u00e9 um insulto \u00e0 mem\u00f3ria de todos os cidad\u00e3os poloneses e de outras nacionalidades v\u00edtimas desta limpeza \u00e9tnica. Escrevem autores norte-americanos com investiga\u00e7\u00f5es dedicadas a estes acontecimentos que, a partir de mar\u00e7o de 1943, \u00abunidades da UPA montaram um esfor\u00e7o concertado para aniquilar as popula\u00e7\u00f5es polonesas da Vol\u00ednia e depois da Gal\u00edcia Oriental\u00bb. Nessa vertigem de morte nem os cidad\u00e3os poloneses que pretendiam negociar foram poupados, logo assassinados a sangue-frio.<\/p>\n<p>A UPA foi oficialmente fundada em 14 de outubro de 1942. Muito significativamente, 14 de outubro tornou-se o dia das For\u00e7as Armadas na atual Ucr\u00e2nia \u00abdemocr\u00e1tica\u00bb. Perguntaram ao \u00abher\u00f3i nacional\u00bb da Ucr\u00e2nia Miroslav Simchich quantos russos matou ao longo da vida, ao que ele respondeu: \u00abtantos quanto o tempo que tive para isso\u00bb. Hoje, aquele que ficou conhecido como \u00abo maior carrasco de poloneses vivo\u00bb, \u00e9 \u00abcidad\u00e3o honor\u00e1rio\u00bb de Lviv e de Kolomyia, a terra da sua naturalidade, onde tem uma est\u00e1tua com tr\u00eas metros de altura. Em 2009, o regime de Kiev, antes mesmo do golpe de Maidan, dedicou-lhe o filme \u00abher\u00f3ico-patri\u00f3tico\u00bb intitulado A Guerra de Miroslav Simchich. Note-se que os Estados Unidos e a Alemanha Federal recorreram no p\u00f3s-guerra \u00e0 experi\u00eancia de Bandera e dos seus sequazes para efeitos da Guerra Fria. O habitual.<\/p>\n<p>O ovo da serpente<br \/>\nO escritor e cr\u00edtico liter\u00e1rio Dmytro Dontsov14 \u00e9 considerado o pai do nacionalismo integral \u00abde caracter\u00edsticas ucranianas\u00bb, aparentado \u2013 mas \u00fanico \u2013 com o movimento integralista que percorreu a Europa a partir da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XX. Conviveu com o franc\u00eas Charles Maurras, que ter\u00e1 figurado entre os inspiradores do ditador Oliveira Salazar, seguindo depois cada um o seu caminho, embora coincidindo ideologicamente no essencial: Maurras identificou-se com o colaboracionismo hitleriano do governo p\u00e9tainista de Vichy e Dontsov instalou-se temporariamente na Alemanha de Hitler. O ovo do nacionalismo integral ucraniano desenvolveu-se na serpente do nazismo, complementaridade que se tornou marcante at\u00e9 hoje. Grupos que controlam o atual governo da Ucr\u00e2nia, como o Azov, o Aidar, o C-14, Svoboda, Setor de Direita e outros, com as respectivas mil\u00edcias paramilitares e unidades integradas nas For\u00e7as Armadas regulares do pa\u00eds, consideram-se herdeiros da linha ideol\u00f3gica fundamentalista tra\u00e7ada por Dontsov e Bandera, miscigenando o nacionalismo integral com o nazismo, circunst\u00e2ncia que se tornou operacional atrav\u00e9s das chacinas \u00e9tnicas em territ\u00f3rio polon\u00eas-ucraniano a partir do in\u00edcio da invas\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica pelas tropas de Hitler.<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o de uma Ucr\u00e2nia com uma popula\u00e7\u00e3o \u00abpura\u00bb e \u00abhomog\u00eanea\u00bb n\u00e3o se extinguiu nos dias de hoje, como \u00e9 patente pelas opera\u00e7\u00f5es de limpeza \u00e9tnica e genoc\u00eddio da minoria russa da regi\u00e3o do Donbass desencadeada ap\u00f3s a chamada \u00abrevolu\u00e7\u00e3o de Maidan\u00bb em 2014; a qual, segundo o chefe do grupo C-14, Yehven Karas, n\u00e3o teria passado \u00abde uma parada gay\u00bb se n\u00e3o fosse o envolvimento das organiza\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o nazista como a sua. Uma carnificina afinal contra um povo \u00abn\u00e3o-nativo\u00bb \u2013 respeitando a terminologia da legisla\u00e7\u00e3o de Zelensky \u2013 que s\u00f3 foi travada com a interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as militares da Federa\u00e7\u00e3o Russa a partir de 24 de fevereiro de 2022. Citando o vice-primeiro-ministro ucraniano Alexey Reznikov, \u00abpovos ind\u00edgenas e minorias nacionais n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa\u00bb. Dito de outra maneira: nos termos da lei, perante qualquer tribunal, os n\u00e3o-ucranianos n\u00e3o podem invocar \u00abo direito de usufruir plenamente de todos os direitos humanos e todas as liberdades fundamentais\u00bb. Em resumo, racismo, apartheid institucionalizado no regime mais querido dos Estados Unidos e dos governos e institui\u00e7\u00f5es autocr\u00e1ticas da Uni\u00e3o Europeia. Excetuando talvez Israel onde \u2013 sem ser coincid\u00eancia \u2013 o apartheid tamb\u00e9m floresce.<\/p>\n<p>Dontsov tinha um \u00f3dio obsessivo por judeus e ciganos e fez com que essa tend\u00eancia marcasse a funda\u00e7\u00e3o da OUN, que resultou da fus\u00e3o dos grupos nacionalistas integrais de Stepan Bandera com a Uni\u00e3o dos Fascistas Ucranianos. A corrente nacionalista integral ucraniana baseava-se, como algumas outras, no endeusamento da na\u00e7\u00e3o, no tridente hierarquia, sangue e disciplina e na estratifica\u00e7\u00e3o horizontal da sociedade entre nativos e n\u00e3o-nativos. Onde teria ido Volodymir Zelensky definir os par\u00e2metros da sua atual\u00edssima lei dos povos ind\u00edgenas? Tal como hoje se aprende nas escolas do regime de Kiev, Dontsov ensinou no seu livro Nacionalismo, de 1926, que \u00abos russos n\u00e3o pertencem \u00e0 esp\u00e9cie de Homo Sapiens\u00bb.<\/p>\n<p>A \u00abpureza\u00bb, segundo Dontsov<br \/>\nDmytro Dontsov foi buscar as suas teses sobre as origens do povo ucraniano \u00abpuro\u00bb \u00e0 entrada dos varegues, um povo viking ent\u00e3o oriundo da Su\u00e9cia, nos territ\u00f3rios das atuais Ucr\u00e2nia, R\u00fassia e Bielorr\u00fassia no fim do s\u00e9culo IX. Deslocaram-se atrav\u00e9s dos rios da Europa Oriental, fundaram a cidade de Novgorod \u2013 na R\u00fassia \u2013 e depois o Reino de Kiev. Os verdadeiros ucranianos teriam assim uma origem n\u00f3rdica e n\u00e3o eslava. O povo varegue era conhecido tamb\u00e9m como rus, termo que ter\u00e1 dado origem \u00e0s palavras russo e R\u00fassia. Rus vem, ao que parece, de linguagens n\u00f3rdicas antigas e ainda hoje significa \u00abSu\u00e9cia\u00bb em alguns pa\u00edses da regi\u00e3o como Est\u00f4nia e Finl\u00e2ndia. Na sua obra, Dontsov associa a \u00abpureza\u00bb ucraniana aos n\u00f3rdicos e protogerm\u00e2nicos e \u00e0 sua suposta superioridade racial sobre os eslavos, sobretudo os eslavos orientais ou \u00abpretos da neve\u00bb, em linguagem pejorativa \u2013 os russos.<\/p>\n<p>Combater a R\u00fassia, segundo o pai do nacionalismo integral ucraniano, \u00ab\u00e9 um papel hist\u00f3rico que estamos destinados a desempenhar\u00bb. Ideia que pormenorizou em 1961 quando, exilado no Canad\u00e1, publicou a sua obra O Esp\u00edrito da R\u00fassia: \u00abO Ocidente, tanto nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, como hoje, n\u00e3o percebeu realmente o que \u00e9 a R\u00fassia como imp\u00e9rio, os venenos, destrui\u00e7\u00e3o moral e cultural que carrega\u00bb. Seis anos depois envolveu a ideia num esp\u00edrito m\u00edstico-religioso ao escrever que \u00abos ucranianos s\u00e3o criados do barro com que o Senhor cria os povos escolhidos\u00bb. Fervor que levou a atual deputada Irina Farion, do partido do presidente Zelensky, a declarar que \u00abviemos a este mundo para destruir Moscou\u00bb. \u00c0 direita da deputada oradora pode se ver o assumido nazista Oleh Tyahnybok. Repare-se que, afinal, o problema n\u00e3o \u00e9 Putin ou o regime pol\u00edtico em Moscou, qualquer que ele seja; o problema \u00e9 a exist\u00eancia da R\u00fassia e dos russos. O que deixa o Ocidente envolvido numa cruzada \u00e9tnica, o que ali\u00e1s \u00e9 coerente com a sua Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>De acordo com a teoriza\u00e7\u00e3o de Dontsov, no ocaso da dinastia de Rurique, monarca varegue que fundou o Reino de Kiev, o povo de origem n\u00f3rdica foi escravizado pelos russos. De onde poder\u00e1 deduzir-se que, para os nacionalistas integrais ucranianos, h\u00e1 uma necessidade de vingan\u00e7a contra a R\u00fassia que atravessou s\u00e9culos de hist\u00f3ria e est\u00e1 em curso, por exemplo, com a tentativa de limpeza \u00e9tnica no Donbass. Para Dontsov o combate \u00e0 R\u00fassia \u00e9 o \u00abIdeal Nacional\u00bb, terminologia adotada pela rede de grupos nazistas que controla o aparelho de Estado. Utilizam o s\u00edmbolo nazista Wolfsangel de forma invertida: explicam que essa posi\u00e7\u00e3o expressa visualmente as letras I e N de \u00abIdeal Nacional\u00bb. O fato de a simbologia dos grupos ucranianos coincidir com a nazista tem essencialmente a ver, na sua argumenta\u00e7\u00e3o, com o fato de ambas as partes terem recorrido a imagens de vigor, valentia e identidade, originariamente n\u00f3rdicas e vikings.<\/p>\n<p>A guerra contra os russos vivendo no territ\u00f3rio ucraniano, principalmente no Donbass, iniciada em termos militares em 2014, ser\u00e1, portanto, uma express\u00e3o do \u00abIdeal Nacional\u00bb que tem a sua g\u00e9nese na afirma\u00e7\u00e3o da superioridade dos aut\u00f3ctones n\u00f3rdicos sobre os \u00abocupantes internos\u00bb eslavos, sobretudo orientais \u2013 \u00absub-humanos\u00bb.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do termo nazista para os grupos nacionalistas integrais ucranianos que sustentam o regime de Kiev parece bastante mais apropriada \u00e0s circunst\u00e2ncias do que o de neonazista15. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica direta entre o regime do III Reich, as organiza\u00e7\u00f5es e os dirigentes ucranianos que se inseriram ou colaboraram com ele e os comportamentos e atividades atuais dos grupos que se dizem herdeiros daqueles que h\u00e1 oitenta anos foram instrumentos das for\u00e7as hitlerianas. Existe uma heran\u00e7a em linha reta: n\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o, h\u00e1 continuidade. Ent\u00e3o no que diz respeito \u00e0 \u00abpureza da ra\u00e7a\u00bb a sobreposi\u00e7\u00e3o \u00e9 absoluta, os conceitos do regime de Kiev, expressos claramente na lei dos povos ind\u00edgenas de Zelensky, nada trazem de novo ao nazismo.<\/p>\n<p>O primeiro \u00abgoverno ucraniano\u00bb e o atual<br \/>\nEm Berlim, Dmytro Dontsov ganhou proximidade com o n\u00famero tr\u00eas do Reich, Reinhard Heydrich, chefe das SS e da Gestapo. Tornou-se ent\u00e3o administrador do Instituto Imperial para a Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica em Praga quando este dignit\u00e1rio nazista assumiu o cargo de \u00abprotetor da Bo\u00eamia e da Mor\u00e1via\u00bb.16 Estes fatos s\u00e3o confirmados por uma investiga\u00e7\u00e3o conduzida pelo professor Trevor Erlacher, da universidade norte-americana da Carolina do Norte.<\/p>\n<p>Reinhard Heydrich, respons\u00e1vel pelo todo poderoso Gabinete Central de seguran\u00e7a do Reich, que superintendia o aparelho repressivo nazista, foi o principal organizador da Confer\u00eancia de Wansee, em 20 de janeiro de 1942, durante a qual as mais elevadas estruturas do Reich planejaram a \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb, o exterm\u00ednio dos judeus. Em 30 de junho de 1941, sob a cobertura das tropas nazistas que ocupavam Lviv, a OUN proclamou na varanda do n\u00ba 10 da Pra\u00e7a Rynek, nesta cidade, a cria\u00e7\u00e3o de um Estado ucraniano independente. De acordo com as orienta\u00e7\u00f5es de Stepan Bandera, o Estado assim fundado assentava no conceito de nacionalismo integral, numa popula\u00e7\u00e3o etnicamente pura, numa l\u00edngua \u00fanica, na glorifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da luta armada. A estrutura org\u00e2nica previa o totalitarismo, o partido \u00fanico e um funcionamento ditatorial.<\/p>\n<p>Como presidente do \u00abConselho de Estado\u00bb, cargo equivalente ao de primeiro-ministro, foi designado Yaroslav Stetsko, ent\u00e3o o chefe operacional da OUN. Stetsko era um nazista e, segundo a ordem natural das coisas, \u00e9 hoje \u00abher\u00f3i nacional\u00bb da Ucr\u00e2nia. Se d\u00favidas houvesse quanto \u00e0 sua obedi\u00eancia ideol\u00f3gica, no \u00abAto de Proclama\u00e7\u00e3o do Estado Ucr\u00e2nia\u00bb Stetsko declarou solenemente que a nova entidade \u00abcooperar\u00e1 intimamente com a Grande Alemanha Nacional-Socialista sob o comando de Adolph Hitler, que est\u00e1 criando uma nova ordem na Europa e no Mundo\u00bb.<\/p>\n<p>Uma das primeiras iniciativas do primeiro primeiro-ministro ucraniano foi o envio de uma carta a Hitler, em 3 de julho de 1941, expressando a sua \u00abgratid\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o\u00bb pelo in\u00edcio da ofensiva alem\u00e3 contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Pouco depois, em agosto do mesmo ano, enviou uma esp\u00e9cie de \u00abcurr\u00edculo\u00bb \u00e0s autoridades alem\u00e3s elogiando o antissemitismo, apoiando o exterm\u00ednio dos judeus e a \u00abracionalidade\u00bb dos m\u00e9todos de exterm\u00ednio contraposta \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o17. A Academia das Ci\u00eancias da Ucr\u00e2nia revela que Stetsko e outros chefes da OUN prepararam ac\u00e7\u00f5es de sabotagem contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica juntamente com os chefes da espionagem alem\u00e3, receberam pelo menos 2,5 milh\u00f5es de marcos para esse efeito e utilizaram avi\u00f5es do Reich para o desenvolvimento das opera\u00e7\u00f5es de que foram encarregados pelos nazistas. Stetsko tornou-se mais tarde um agente da CIA e at\u00e9 1986, ano da sua morte, chefiou o Bloco das Na\u00e7\u00f5es Anti Bolcheviques, depois Organiza\u00e7\u00e3o Anticomunista Mundial.<\/p>\n<p>Para o regime atual de Kiev, a \u00abrestaura\u00e7\u00e3o\u00bb do Estado ucraniano, 50 anos depois, s\u00f3 foi tornada poss\u00edvel devido \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o de Lviv e a respectiva \u00abordem nacional\u00bb por ela estabelecida.<\/p>\n<p>Yaroslav Stetsko \u00e9 autor do livro Duas Revolu\u00e7\u00f5es, o referencial ideol\u00f3gico do partido Svoboda e de outras organiza\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o nazista que dominam a estrutura estatal nominalmente chefiada por Zelensky. O primeiro primeiro-ministro ucraniano tem hoje uma placa de homenagem numa pra\u00e7a de Munique, inaugurada pelo presidente ucraniano \u00abpr\u00f3-europeu\u00bb Viktor Yushenko. Antes disso, em 6 de maio de 1995, o primeiro presidente da Ucr\u00e2nia atual, Leonid Kuchma, homenageou o colaboracionista nazista em Munique e deslocou-se \u00e0s instala\u00e7\u00f5es da CIA nesta cidade \u2013 onde Stepan Bandera trabalhou durante a d\u00e9cada de cinquenta \u2013 para visitar a vi\u00fava de Yaroslav Stetsko, Slava Stetsko. Foi um encontro de cortesia e de trabalho: traduziu-se na integra\u00e7\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o ucraniana de uma formula\u00e7\u00e3o racista de \u00edndole nazista \u2013 artigo 16.\u00ba \u2013 segundo a qual \u00abpreservar o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do povo ucraniano \u00e9 da responsabilidade do Estado\u00bb. Data dessa ocasi\u00e3o, e tamb\u00e9m por iniciativa da vi\u00fava de Stetsko, a recupera\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o nacional do grito \u00abSlava Ukraina, Geroiam Slava\u00bb, o mesmo que era usado pelas organiza\u00e7\u00f5es de Bandera.<\/p>\n<p>Slava Stetsko foi convidada a proferir os discursos de abertura dos trabalhos do Parlamento Ucraniano (Rada) nas sess\u00f5es de 1998 e 2002. Como se percebe, isto aconteceu ainda muito antes da \u00abrevolu\u00e7\u00e3o de Maidan\u00bb, o que revela a profundidade das ra\u00edzes do nacionalismo integral\/nazismo no moderno Estado ucraniano.<\/p>\n<p>Desfile de \u00abher\u00f3is nacionais\u00bb nazistas<br \/>\n\u00c9 longo o desfile dos \u00abher\u00f3is nacionais\u00bb ucranianos proclamados pelos dirigentes do atual regime e que, diretamente ou como colaboracionistas, fizeram parte do aparelho nazista de exterm\u00ednio, sobretudo desde o in\u00edcio da Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa das tropas hitlerianas contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Nem sempre as gangues dirigentes ocidentais e a pr\u00f3pria oligarquia europeia aceitaram com benevol\u00eancia estas promo\u00e7\u00f5es de exterminadores a \u00abher\u00f3is\u00bb promovidas por uma \u00abdemocracia\u00bb com a qual a OTAN afirma ter \u00abvalores comuns\u00bb.<\/p>\n<p>Quando o presidente Yushenko declarou Stepan Bandera \u00abher\u00f3i nacional\u00bb, em 22 de junho de 2010, o Parlamento Europeu insurgiu-se. Parecia excessivo agraciar o inspirador da Divis\u00e3o Gal\u00edcia18, parte das for\u00e7as armadas hitlerianas respons\u00e1vel por exterm\u00ednios em massa; n\u00e3o parecia de bom tom endeusar algu\u00e9m que assassinou em nome da \u00abpureza da ra\u00e7a\u00bb e dedicou anos da sua vida a \u00abexpurgar\u00bb o territ\u00f3rio da p\u00e1tria de \u00abtodos os n\u00e3o-ucranianos\u00bb e judeus. N\u00e3o, isso n\u00e3o poderia o Parlamento Europeu sancionar.<\/p>\n<p>Mas tudo acabou por passar sem que nada de palp\u00e1vel acontecesse. Os deputados das maiorias socialistas e das direitas festejaram depois o golpe da Pra\u00e7a Maidan, encaram tranquilamente as marchas anuais em Lviv e outras cidades celebrando o anivers\u00e1rio de Bandera, aceitam como \u00abresistentes patri\u00f3ticos\u00bb os bandidos nazistas, por exemplo o Batalh\u00e3o Azov, que sequestram popula\u00e7\u00f5es civis como escudos humanos, que fuzilam soldados ucranianos ambicionando salvar a vida perante a superioridade militar russa, que veneram Stepan Bandera e se orgulham de ter no terrorismo da OUN e da UPA as suas fontes de inspira\u00e7\u00e3o. Para a autocracia europeia o batismo das principais ruas das cidades ucranianas com os nomes de criminosos de guerra como Bandera, Stetsko e Shukhevych, a prolifera\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas em sua honra s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es banais que casam muito bem com a democracia e a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Citando de novo a OTAN: \u00abA Ucr\u00e2nia \u00e9 uma grande democracia\u00bb.<\/p>\n<p>O presente artigo \u00e9 o primeiro da s\u00e9rie \u00abO Nazismo ucraniano, ontem e hoje \u2013 uma trilogia\u00bb.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o, exclusivo AbrilAbril<\/p>\n<p>1. Por ocasi\u00e3o do seu 100.\u00ba anivers\u00e1rio, a 5 de janeiro de 2023, Miroslav Simchich ofereceu a Volodymyr Zelensky, que considera \u00abum valoroso sucessor\u00bb, \u00abum sabre centen\u00e1rio\u00bb e \u00ablivros autografados sobre a hist\u00f3ria da UPA\u00bb. As autoridades ucranianas retribu\u00edram o gesto do incorrig\u00edvel nazista atribuindo-lhe um subs\u00eddio de um milh\u00e3o de hryvnias. O filho mais velho de Simchich, Ihor, combateu na regi\u00e3o da Zapor\u00edjia pelo Batalh\u00e3o Azov.<br \/>\n2. O Canad\u00e1 foi o pa\u00eds que, a seguir aos EUA, acolheu o maior n\u00famero de colaboracionistas ucranianos de Hitler. Sobre o branqueamento dos antigos SS e a tentativa de reescrever a hist\u00f3ria a seu favor veja-se o site militar canadiano Esprit de Corps.<br \/>\n3. A 14.\u00aa Waffen SS Divis\u00e3o de Granadeiros (1.\u00aa Gal\u00edcia), conhecida como Divis\u00e3o SS Gal\u00edcia, foi constitu\u00edda em abril de 1943 por nazistas ucranianos, sobretudo provenientes da regi\u00e3o da Gal\u00edcia (Lviv, Ivano-Frankivsk e Ternopil), que Himmler considerava \u00abmais pr\u00f3ximos dos arianos\u00bb, devido \u00e0 sua origem no Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro. Entre 1943 e 1945 mais de 20 mil ucranianos integraram a Divis\u00e3o SS Gal\u00edcia. As Waffen SS (abreviatura de SchutzStaffel), literalmente \u00abesquadr\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o armados\u00bb, foram unidades militares do Partido Nazista, diretamente controladas por este. Inicialmente compostas exclusivamente por alem\u00e3es, com o desenvolvimento da Segunda Guerra Mundial foram ampliadas a volunt\u00e1rios nazistas de outras nacionalidades. Distinguiram-se pelas atrocidades e crimes de guerra que praticaram, em opera\u00e7\u00f5es militares ou de pol\u00edcia. Foram condenadas no Tribunal de Nuremberg.<br \/>\n4. Sobre a personalidade e o mito de Bandera ver: Grzegorz Rossoli\u0144ski-Liebe, Stepan Bandera: The Life and Afterlife of a Ukrainian Nationalist: Fascism, Genocide, and Cult, 654 p. (Hannover: ibidem Press 2014); e Per Anders Rudling, \u00abThe OUN, the UPA and the Holocaust: A Study in the Manufacturing of Historical Myths\u00bb, in The Carl Beck Papers in Russian &amp; East European Studies, n.\u00ba 2107\/Novembro 2011 (University of Pittsburgh, PA).<br \/>\n5. A Divis\u00e3o SS Gal\u00edcia foi a maior mas n\u00e3o foi a primeira colabora\u00e7\u00e3o militar dos nacionalistas ucranianos com os alem\u00e3es. Desde o in\u00edcio da Segunda Guerra que participaram em unidades especiais, dirigidas e pagas pelos servi\u00e7os secretos nazistas. Os batalh\u00f5es Nachtigall e Roland foram formados a 25 de fevereiro de 1941 com 400 combatentes cada, ap\u00f3s conversa\u00e7\u00f5es diretas entre Stepan Bandera e as chefias nazistas. Uma semana ap\u00f3s a invas\u00e3o, Bandera e a OUN-B proclamavam a independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia e prometiam a coopera\u00e7\u00e3o do novo Estado ucraniano com a Alemanha Nazista, terminando a mensagem com um \u00abGl\u00f3ria \u00e0 Alemanha her\u00f3ica e ao seu F\u00fchrer, Adolf Hitler\u00bb. \u00c0 declara\u00e7\u00e3o seguiram-se violentos pogroms.<br \/>\n6. Em dezembro de 2022 o Supremo Tribunal da Ucr\u00e2nia descriminalizou os s\u00edmbolos da Divis\u00e3o Gal\u00edcia \u00abde uma forma definitiva e sem direito a apelo\u00bb, alegando que os mesmo nada t\u00eam a ver com o nazismo. A decis\u00e3o contraria a senten\u00e7a proferida em 1946 pelo Tribunal de Nuremberg, que estabeleceu a culpabilidade daquela unidade militar por diversos crimes de guerra. P\u00f5e tamb\u00e9m fim \u00e0 corajosa a\u00e7\u00e3o iniciada em 2017 pela destemida cidad\u00e3 de Kiev, Natalya Myasnikova, contra o Instituto da Mem\u00f3ria Nacional da Ucr\u00e2nia e o seu diretor Volodymyr Vyatrovich, acusando-os de \u00abdistorcer fatos hist\u00f3ricos\u00bb e de tornar palat\u00e1vel o fascismo, ao negarem o car\u00e1ter nazista da Divis\u00e3o Gal\u00edcia. Em 27 de maio de 2020, ap\u00f3s 20 audi\u00e7\u00f5es, o Tribunal Administrativo do Distrito de Kiev considerou pertinente a reclama\u00e7\u00e3o de Myasnikova, classificou os s\u00edmbolos da Gal\u00edcia como nazistas e, portanto, ilegais. Foi sol de pouca dura\u00e7\u00e3o. Quatro meses depois, o Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Kiev cancelou a decis\u00e3o. O veredito, veio a se saber, foi pronunciado em circunst\u00e2ncias reveladoras da qualidade democr\u00e1tica do regime ucraniano: dois dos tr\u00eas ju\u00edzes, Elena Kuzmishina e Natalya Buzhak, confirmaram terem sido previamente amea\u00e7ados. Segundo declararam \u00e0 pol\u00edcia, \u00abpatriotas\u00bb an\u00f4nimos acusaram-nos de \u00abserem c\u00famplices dos separatistas putinistas e dos seus lacaios no poder\u00bb e prometeram puni-los caso a decis\u00e3o do tribunal administrativo n\u00e3o fosse revertida. Na Ucr\u00e2nia, tais amea\u00e7as s\u00e3o levadas muito a s\u00e9rio.<br \/>\n7. Darden, Keith. \u00abResisting Occupation: Lessons from a Natural Experiment in Carpathian Ukraine\u00bb, palestra no Kennan Institute, Woodrow Wilson International Center for Scholars, Washington DC, 9 de Abril de 2007.<br \/>\n8. Katchanovski, Ivan. \u00abEthnic Cleansing, Genocide or Ukrainian-Polish War in Volhynia?\u00bb (27 de agosto de 2020). Artigo preparado para apresenta\u00e7\u00e3o no Encontro Anual da American Political Science Association, 10-13 de Setembro de 20201.<br \/>\n9. Os disc\u00edpulos de Dontsov e Bandera e as multid\u00f5es por eles inspiradas, quando \u00e0 r\u00e9dea solta, comportaram-se como verdadeiros psicopatas, em nada ficando a dever, em imagina\u00e7\u00e3o, aos piores sonhos de Sade: \u00ab[\u2026] os partisans ucranianos e os seus aliados [\u00e9 assim que o autor designa os partid\u00e1rios de Bandera e os alem\u00e3es] queimaram casas, dispararam sobre as pessoas ou obrigaram-nas a voltar para dentro, e usaram foices e forquilhas as que foram capturadas no exterior. Igrejas cheias de crentes foram totalmente queimadas. Os partisans expuseram corpos decapitados, crucificados, desmembrados ou esventrados, para encoragar os polacos sobreviventes a fugir.\u00bb. Ver Snyder, Timothy. The Reconstruction of Nations Poland, Ukraine, Lithuania, Belarus, 1569\u20131999, Yale University Press (New Haven, London, 2003), p. 169. Um site antifascista russo documentou o primeiro pogrom em Lviv (1941) e v\u00e1rios massacres na Vol\u00ednia (1943), incluindo a reconstitui\u00e7\u00e3o polaca de v\u00e1rias formas de assassinato usadas pelos nacionalistas ucranianos. Um aut\u00eantico cat\u00e1logo de horrores.<br \/>\n10. Em russo e ucraniano a frase \u00e9 expressiva: \u00ab\u041d\u0430\u0448 \u0434\u0438\u043f\u043b\u043e\u043c\u0430\u0442 \u044d\u0442\u043e \u0430\u0432\u0442\u043e\u043c\u0430\u0442\u00bb (l\u00ea-se \u00abn\u00e1ch diplom\u00e1t \u00e9ta avtom\u00e1t\u00bb).<br \/>\n11. O texto da lei define como \u00abpovo ind\u00edgena da Ucr\u00e2nia\u00bb uma entidade \u00e9tnica minorit\u00e1ria, formada no territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia e que n\u00e3o tenha uma entidade estatal pr\u00f3pria al\u00e9m fronteiras. A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com r\u00e9gua e esquadro para excluir os milh\u00f5es de cidad\u00e3os da comunidade russa, mesmo que esta seja maiorit\u00e1ria em v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. Para que n\u00e3o restem d\u00favidas, um anexo da lei clarifica que apenas podem considerar-se povos aut\u00f3ctones os t\u00e1rtaros da Crimeia, os Karaims e os Krymchaks \u2013 os dois \u00faltimos n\u00e3o chegam a mil habitantes. O respons\u00e1vel russo da Crimeia, Serguei Aksenov, comentando o documento, declarou que nos sete anos de liga\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula \u00e0 R\u00fassia foi feito mais do que nos 23 anos em que a mesma esteve ligada \u00e0 Ucr\u00e2nia. E lembrou a constitui\u00e7\u00e3o da Crimeia, que garante direitos iguais \u00e0s l\u00ednguas russa, ucraniana e t\u00e1rtara, sublinhando a diferen\u00e7a \u00abentre uma pol\u00edtica nacional respons\u00e1vel e politiquice\u00bb. A deputada arm\u00e9nia Naira Zohrabyan, membro da delega\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds ao PACE, considerou que a nova lei \u00aboprime os direitos das minorias nacionais que vivem no territ\u00f3rio\u00bb da Ucr\u00e2nia, nomeadamente russos, h\u00fangaros, polacos, romenos, bielorrussos, eslovacos e gregos, e solidarizou-se com o projecto da delega\u00e7\u00e3o russa a respeito dessas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. A lei de 2021, antecedida pela lei da L\u00edngua Ucraniana como L\u00edngua do Estado (2019) e pela lei Sobre os Fundamentos da Pol\u00edtica Lingu\u00edstica do Estado (2012), foi o \u00faltimo prego no caix\u00e3o de um edif\u00edcio legislativo criado para liquidar a democr\u00e1tica Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos das Nacionalidades da Ucr\u00e2nia (1991), a qual, \u00abtomando em considera\u00e7\u00e3o que cidad\u00e3os de mais de 100 nacionalidades vivem no territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia, os quais, com os ucranianos, integram os mais de 52 milh\u00f5es de pessoas\u00bb que constituem o pa\u00eds, garantia expressamente o estatuto da l\u00edngua russa, equiparada a uma l\u00edngua estatal nas comunidades territoriais onde o seu uso era predominante.<br \/>\n12. As localidades de Pristyn e Troitza ficam na regi\u00e3o de Ivano Frankivsk. A atribui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de her\u00f3i a Simchich despertou a mem\u00f3ria dos massacres que dirigiu e nos quais diretamente participou. Fontes russas publicaram a descri\u00e7\u00e3o dos crimes e inclu\u00edram fac-s\u00edmiles dos depoimentos das testemunhas.<br \/>\n13. Eduard Dolinsky, que vive em Kiev e se encontra \u00e0 frente do Comit\u00e9 Judaico da Ucr\u00e2nia, est\u00e1 em perigo por denunciar corajosamente a recupera\u00e7\u00e3o do nazismo na actual Ucr\u00e2nia e o aberto antisemitismo reinante, que os meios de informa\u00e7\u00e3o ocidentais ocultam. Tem sido amea\u00e7ado de morte e faz parte da lista negra do site Mitrodvorets. A sua descri\u00e7\u00e3o na Wikip\u00e9dia ucraniana \u00e9 significativa.<br \/>\n14. A biografia de Dontsov na Wikip\u00e9dia, seja em ingl\u00eas ou em portugu\u00eas, est\u00e1 convenientemente \u00abhigienizada\u00bb quanto ao seu relacionamento com o nazismo. Ser\u00e1 preciso traduzir entradas noutras l\u00ednguas para esclarecer esse ponto: \u00abCom a chegada de Benito Mussolini ao poder em It\u00e1lia, Dmitry Dontsov \u00e9 imbu\u00eddo da sua pol\u00edtica, admira-o pessoalmente. Sob a influ\u00eancia das ideias fascistas Oeste-Europeias escreve e publica o livro Nacionalismo, no qual esbo\u00e7ou a teoria do nacionalismo integral que, por sua vez, foi aceite como a ideologia oficial da Organiza\u00e7\u00e3o de Ucranianos Nacionalistas (OUN). \u00abA subida ao poder do Partido Nazista na Alemanha mereceu a sua aprova\u00e7\u00e3o. Escreve um pref\u00e1cio para o livro Hitler, de Rostyslav Yendyk, em que fala da grande relev\u00e2ncia do hitlerismo para os ucranianos\u00bb. Ver Wikip\u00e9dia em russo.<br \/>\n15. Os atuais disc\u00edpulos de Dontsov, tal como ele, s\u00f3 n\u00e3o se declaram fascistas ou nazistas para garantir a singularidade do movimento ucraniano, mas \u00e9 fascista e nazista a ess\u00eancia da sua vis\u00e3o para a sociedade ucraniana. O historiador Rossoli\u0144ski-Liebe assinalou que \u00abIn the early 1920s, Dontsov also rejected \u201cfascism\u201d as a name for the Ukrainian movement, because the Italians had used it already. Nevertheless, he approved of and was enthusiastic about fascism as a political system and was pleased that Italian Fascism was so similar to Ukrainian nationalism.39\u00bb. E quanto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o do pai espiritual dos atuais nazistas com Mussolini e Hitler, escreveu: \u00abDontsov\u2019s fascination with fascism and fascist leaders began with his admiration of Italian Fascism and Benito Mussolini, but the ideal of a fascist state and a fascist leader for him were Nazi Germany and Adolf Hitler. Already in 1926, Dontsov translated into Ukrainian and published parts of Hitler\u2019s Mein Kampf. When Mussolini\u2019s The Doctrine of Fascism (La Dottrina Del Fascismo) appeared in 1932, he translated and published it as well.\u00bb Rossoli\u0144ski-Liebe, Grzegorz. \u00abThe Fascist Kernel of Ukrainian Genocidal Nationalism\u00bb, in The Carl Beck Papers in Russian &amp; East European Studies, n.\u00ba 2402\/June 2015 (University of Pittsburgh, PA).<br \/>\n16. Ap\u00f3s o assassinato de Heydrich pela resist\u00eancia, em sua homenagem, a institui\u00e7\u00e3o passou a designar-se Instituto Reinhard Heydrich. Trevor Erlacher, Ukrainian Nationalism in the Age of Extremes: An Intellectual Biography of Dmytro Dontsov, Harvard University Press (2021), p. 388.<br \/>\n17. Stetsko n\u00e3o esperou pelos alem\u00e3es para p\u00f4r em pr\u00e1tica o exterm\u00ednio de judeus. Uma \u00abmultid\u00e3o carnavalesca\u00bb \u2013 como lhe chamou o historiador John-Paul Himka \u2013 incitada pelos nacionalistas ucranianos liquidou, nesse m\u00eas de julho de 1941, cerca de 9 mil vidas. Tr\u00eas anos depois, quando os nazistas alem\u00e3es e os seus c\u00famplices ucranianos foram escorra\u00e7ados, subsistiam apenas mil dos 160 mil judeus do ghetto de Lviv. Himka, John-Paul. \u00abThe Lviv Pogrom of 1941: The Germans, Ukrainian Nationalists, and the Carnival Crowd\u00bb. Canadian Slavonic Papers, vol. 53, n.\u00ba 2-4, McGill University (Montreal, 2011), p. 209-243.<br \/>\n18. Desfile da Divis\u00e3o SS Gal\u00edcia perante dignat\u00e1rios nazis, no dia da sua apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em Lviv, no ano de 1943.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/29881\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18,1,38,65,9,146,256,10,254,125],"tags":[233],"class_list":["post-29881","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s22-europa","category-geral","category-c43-imperialismo","category-c78-internacional","category-s10-internacional","category-internacionalismo","category-nazifascismo","category-s19-opiniao","category-russia","category-c138-ucrania","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7LX","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29881\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}