{"id":30071,"date":"2023-03-01T15:38:07","date_gmt":"2023-03-01T18:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30071"},"modified":"2023-03-01T15:51:34","modified_gmt":"2023-03-01T18:51:34","slug":"o-que-pensamos-sobre-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30071","title":{"rendered":"O que pensamos sobre a China"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30072\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30071\/flag_of_the_peoples_republic_of_china-svg\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?fit=800%2C533&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"800,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Flag_of_the_People&amp;#8217;s_Republic_of_China.svg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30072\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Flag_of_the_Peoples_Republic_of_China.svg_.png?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Compila\u00e7\u00e3o por Lucas Silva \u2013 membro do Comit\u00ea Central e do Comit\u00ea Regional do PCB em SP<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de hoje que a Rep\u00fablica Popular da China est\u00e1 no centro dos debates geopol\u00edticos internacionais. Com a eclos\u00e3o da mais recente crise sist\u00eamica do capitalismo a partir de 2008, as pol\u00edticas econ\u00f4micas e diplom\u00e1ticas chinesas ganharam ainda mais relev\u00e2ncia e publicidade no cen\u00e1rio global, assim como suas din\u00e2micas sociais internas despertam muito interesse, debates, paix\u00f5es, not\u00edcias falsas entre v\u00e1rias outras coisas.<\/p>\n<p>N\u00f3s comunistas do PCB n\u00e3o estamos fora dos grandes debates e temas mundiais, por isso, para divulgar e desmistificar algumas vis\u00f5es e opini\u00f5es apresentamos essa compila\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e documentos de nosso partido a respeito da Rep\u00fablica Popular da China e seu processo revolucion\u00e1rio. Deixamos claro tamb\u00e9m que nosso processo de debate e estudo continuar\u00e1, atualizando nossas posi\u00e7\u00f5es sempre que for necess\u00e1rio sobre o tema. Desejamos uma boa leitura:<\/p>\n<p><strong>Socialismo: Balan\u00e7o e Perspectivas &#8211; Texto aprovado no XIV CONGRESSO NACIONAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)<\/strong><\/p>\n<p>19 &#8211; Vale lembrar ainda que os atuais pa\u00edses socialistas, que, mesmo enfrentando dificuldades s\u00e9rias, como Cuba, ou com pol\u00edticas adaptativas ou mistas, de integra\u00e7\u00e3o mundial e conv\u00edvio interno com estruturas de mercado e propriedade privada, como China e Vietn\u00e3, apresentam elevado padr\u00e3o de desenvolvimento e de qualidade de vida para os trabalhadores. A exist\u00eancia destas forma\u00e7\u00f5es faz o papel, em certa medida, de contraponto aos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos, al\u00e9m de apresentarem, em suas experi\u00eancias, elementos a serem considerados, criticamente, em novas bases, no processo de reconstru\u00e7\u00e3o do Socialismo.<\/p>\n<p>32 &#8211; Ainda que o primeiro ciclo de experi\u00eancias socialistas n\u00e3o tenha conseguido superar o capitalismo, vencer o imperialismo e conformar um sistema mundial p\u00f3s-capitalista, \u00e9 fundamental avaliarmos as quest\u00f5es a seguir. Que elementos daquelas experi\u00eancias \u2013 de condu\u00e7\u00e3o da economia, de gest\u00e3o pol\u00edtica do Estado e da Sociedade, de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, de pol\u00edticas sociais implementadas, de tomada e exerc\u00edcio do poder pol\u00edtico e de gera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de pensamento revolucion\u00e1rio socialista e comunista \u2013 podem ser utilizados como base te\u00f3rica e pr\u00e1tica para as pr\u00f3ximas tentativas de supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do capitalismo? At\u00e9 que ponto as condi\u00e7\u00f5es de origem, a trajet\u00f3ria hist\u00f3rica \u2013 com destaque para a Segunda Guerra Mundial \u2013 e o cerco ideol\u00f3gico, econ\u00f4mico e militar dos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos \u2013 em especial no per\u00edodo da \u201cGuerra Fria\u201d, de confronta\u00e7\u00e3o direta com os EUA e seus aliados \u2013 contribu\u00edram para a derrota pol\u00edtica daquelas experi\u00eancias socialistas? Como se pode analisar a experi\u00eancia presente de pa\u00edses como Cuba, China e Vietn\u00e3, enquanto contribui\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de novas experi\u00eancias socialistas?<\/p>\n<p>33 &#8211; Como dito acima, o primeiro elemento desta an\u00e1lise deve ser a pr\u00f3pria caracteriza\u00e7\u00e3o daquelas experi\u00eancias como forma\u00e7\u00f5es socialistas. Nosso objeto de an\u00e1lise \u00e9 o conjunto de experi\u00eancias hist\u00f3rico-concretas vivenciadas na Europa (URSS, Iugosl\u00e1via, Alb\u00e2nia, Bulg\u00e1ria, Rom\u00eania, Tchecoslov\u00e1quia, Hungria, Pol\u00f4nia e RDA), na \u00c1sia (Mong\u00f3lia, Laos, China, Vietn\u00e3 e Coreia do Norte) e na Am\u00e9rica, por Cuba, pela presen\u00e7a dos seguintes elementos:<\/p>\n<p>\u2013 Predomin\u00e2ncia da propriedade estatal ou coletiva dos meios de produ\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>\u2013 Proibi\u00e7\u00e3o da compra e venda da for\u00e7a de trabalho como produto privado;<\/p>\n<p>\u2013 Conquista do poder realizada por meio de revolu\u00e7\u00f5es, como na URSS, China e Cuba, e por grandes mobiliza\u00e7\u00f5es populares, como em quase todas as demais, tendo passado algumas delas, inclusive, por processos eleitorais abertos e definidores do caminho socialista \u2013 criando a fase das democracias populares \u2013 como na Hungria e na Tchecoslov\u00e1quia;<\/p>\n<p>\u2013 Predomin\u00e2ncia de estruturas de planejamento econ\u00f4mico centralizadas (em diferentes graus, em cada pa\u00eds);<\/p>\n<p>\u2013 Presen\u00e7a de pol\u00edticas sociais distributivistas fortes, gerando, em todos os casos, conquistas materiais ineg\u00e1veis para sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>34 &#8211; Alguns destes elementos estiveram presentes, em graus diferenciados, em um conjunto de outros pa\u00edses, como Eti\u00f3pia, Angola, Guin\u00e9 Bissau, Mo\u00e7ambique e outros que, principalmente a partir dos anos 1950, ao libertarem-se do jugo colonial \u2013 em muitos casos, com a ajuda decisiva da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, no processo de liberta\u00e7\u00e3o nacional e no desenvolvimento posterior \u2013, passaram a trilhar um caminho de desenvolvimento n\u00e3o-capitalista (ainda que sem se auto definirem como socialistas), empreendendo a\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica externa, planejamento, pol\u00edticas sociais, com estruturas de poder popular e outras caracter\u00edsticas, sem que se possa, entretanto, caracteriz\u00e1-los como socialistas.<\/p>\n<p>35 &#8211; S\u00e3o relevantes tamb\u00e9m as experi\u00eancias de governos dirigidos por comunistas \u2013 em muitos casos contando com alian\u00e7as com partidos socialistas e partidos do campo progressista \u2013 de \u00e2mbito local, em pa\u00edses capitalistas como Fran\u00e7a, Portugal e It\u00e1lia. Nestas experi\u00eancias, foram empreendidas iniciativas de constru\u00e7\u00e3o de inst\u00e2ncias de poder popular, de universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao abrigo (inclusive para os imigrantes) e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da forte \u00eanfase dada \u00e0 pol\u00edtica cultural e a pol\u00edticas sociais diversas (como o provimento de creches, a garantia do emprego e a gest\u00e3o participativa), foram algumas de suas principais caracter\u00edsticas a cria\u00e7\u00e3o de empresas de propriedade coletiva e a mobiliza\u00e7\u00e3o popular na luta por verbas federais e outras demandas.<\/p>\n<p>49 &#8211; Condi\u00e7\u00f5es de contorno semelhantes \u00e0quelas da URSS estariam presentes no in\u00edcio da vida daquelas novas rep\u00fablicas, que, com exce\u00e7\u00e3o da Alemanha Oriental e parte da Tchecoslov\u00e1quia, eram \u00e1reas extremamente pobres, de economia agr\u00edcola, herdeiras de territ\u00f3rios muitas vezes divididos e de governos autorit\u00e1rios e fascistas. Ao Bloco Socialista se juntaria a China, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1949. As condi\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa passaram por uma longa e intensa luta armada contra o invasor japon\u00eas e, logo ap\u00f3s a vit\u00f3ria sobre o inimigo externo, por outra guerra, desta feita uma guerra civil revolucion\u00e1ria travada entre os comunistas, liderados ent\u00e3o por Mao Ts\u00e9-Tung, e o movimento nacionalista (Kuomitang) de Chiang Kai Shek \u2013 dois grupamentos antes aliados na luta contra o inimigo externo \u2013 que culminaria com a vit\u00f3ria dos primeiros.<\/p>\n<p>50 &#8211; A China apresentava, naquele momento, al\u00e9m da intensa pen\u00faria geral do povo, uma estrutura de produ\u00e7\u00e3o basicamente agr\u00e1ria, uma imensa popula\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento desigual entre o litoral e o interior, contando com poucos quadros t\u00e9cnicos. Pesava sobremaneira, no pa\u00eds, a carga de sua longa domina\u00e7\u00e3o por pot\u00eancias colonialistas. Um processo de coopera\u00e7\u00e3o com a URSS logo se iniciaria, entretanto, no bojo da constitui\u00e7\u00e3o do campo socialista e seu mecanismo de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Cuba (1959) e Vietn\u00e3 (1975) seriam as vit\u00f3rias seguintes do Socialismo (al\u00e9m da Coreia, em 1956). Sua constru\u00e7\u00e3o, naqueles pa\u00edses, seria iniciada a partir, tamb\u00e9m, de condi\u00e7\u00f5es de pobreza. No entanto, o apoio pol\u00edtico da URSS e dos demais pa\u00edses socialistas \u2013 j\u00e1 ent\u00e3o com um alto grau de desenvolvimento econ\u00f4mico e social \u2013 se traduziu em possibilidades reais de ajuda material e log\u00edstica de monta.<\/p>\n<p>60 &#8211; O contexto da Guerra Fria, de confronto com o bloco capitalista liderado pelos EUA, imporia \u00e0 URSS e aos pa\u00edses socialistas elevados gastos militares para a constru\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o dos arsenais militares, para o treinamento e custeio das tropas. Este contexto geraria press\u00f5es externas, exigiria o fechamento de fronteiras e o rigor na seguran\u00e7a interna, provocando descontentamentos e desgastes internos para os governos comunistas.<\/p>\n<p>61 &#8211; A URSS foi ent\u00e3o impelida a enfatizar a luta pela distens\u00e3o e pela paz mundial, entre outras raz\u00f5es, pela necessidade de consolidar o sistema socialista e evitar um novo confronto mundial, ao mesmo tempo em que apoiava diretamente os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional e contra as ditaduras e as a\u00e7\u00f5es dos comunistas nos diversos pa\u00edses, sem aventureirismos, sem a ilus\u00e3o de que a revolu\u00e7\u00e3o pudesse ser exportada e feita de modo exclusivamente militar. Este movimento incluiu o reconhecimento e a participa\u00e7\u00e3o intensa da URSS nos organismos multilaterais, como a ONU e suas organiza\u00e7\u00f5es, tais como a UNESCO, a FAO, a UNCTAD e outros, o apoio a movimentos pacifistas e desenvolvimentistas que faziam frente \u00e0 hegemonia estadunidense, como o movimento dos n\u00e3o alinhados.<\/p>\n<p>62 &#8211; Esta necessidade, no entanto, gerou erros de avalia\u00e7\u00e3o e exageros que levaram \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o com alguns processos locais, obrigando a URSS a \u201capagar inc\u00eandios\u201d em v\u00e1rios pa\u00edses. A ilus\u00e3o com o Estado de Israel, por exemplo, levou a URSS a aceitar a posterga\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de um Estado Palestino, deixando aberto o espa\u00e7o para a atua\u00e7\u00e3o de grupos armados israelenses, como o Hagan\u00e1, que passaram a expulsar palestinos de suas casas para facilitar a expans\u00e3o de Israel. Este fato tem implica\u00e7\u00f5es at\u00e9 hoje, na dificuldade de implementa\u00e7\u00e3o do Estado Palestino.<\/p>\n<p>63 &#8211; Gastar com armas significava n\u00e3o gastar com o consumo social, n\u00e3o investir na moderniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de bens de consumo da classe trabalhadora. Por outro lado, o poder militar da URSS e dos demais pa\u00edses do Bloco Socialista, aliado \u00e0 sua grande dimens\u00e3o econ\u00f4mica e \u00e0 sua forte influ\u00eancia pol\u00edtica, garantia para todo o mundo uma ordem econ\u00f4mica e pol\u00edtica mais justa, mantinha protegidos diversos pa\u00edses que, assim, puderam desenvolver-se soberanamente. China, Cuba, Vietn\u00e3, Angola, Mo\u00e7ambique e muitos outros pa\u00edses foram benefici\u00e1rios diretos deste poder; \u00cdndia, Egito, S\u00edria e outros o foram de maneira menos direta; todo o Terceiro Mundo tinha muito a ganhar pela presen\u00e7a da URSS no cen\u00e1rio mundial, com reflexos nos organismos multilaterais. Mesmo nos pa\u00edses capitalistas desenvolvidos, os trabalhadores podiam melhor se organizar para exigir do patronato capitalista melhores pagamentos e condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho, para conquistarem mais direitos e mais participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>64 &#8211; Com o tempo, o efeito do pr\u00f3prio desenvolvimento e a burocratiza\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio do poder passaram a ser elementos cada vez mais fortes na vida pol\u00edtica dos pa\u00edses do bloco. Al\u00e9m da morte de numerosos quadros comunistas jovens na guerra, a perda do dinamismo e a queda na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores naqueles pa\u00edses podem ser atribu\u00eddas \u00e0 rigidez das estruturas de poder \u2013 uma heran\u00e7a do esfor\u00e7o de guerra \u2013 e ao pr\u00f3prio processo de desenvolvimento que, ao superar debilidades e car\u00eancias sociais, tende a arrefecer, por si mesmo, o \u00edmpeto de participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica. O planejamento centralizado demonstrou ser uma ferramenta poderosa para promover o crescimento econ\u00f4mico no curto prazo, mas esbarrou no burocratismo, na falta de criatividade, na corrup\u00e7\u00e3o, no descompasso com as necessidades da popula\u00e7\u00e3o e na aus\u00eancia de mecanismos efetivos de democracia prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>65 &#8211; No entanto, outras causas, mais profundas, podem ser apontadas para esta queda. Entre as principais raz\u00f5es est\u00e1, seguramente, a vis\u00e3o e a teoriza\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica da luta de classes, do desenvolvimento do capitalismo e da constru\u00e7\u00e3o do socialismo surgidas ainda nos anos 1930, ap\u00f3s a ascens\u00e3o de St\u00e1lin ao poder, que se consolidaram nas d\u00e9cadas seguintes, atrav\u00e9s da codifica\u00e7\u00e3o do marxismo produzida pelo PCUS no per\u00edodo, acompanhada de uma simplifica\u00e7\u00e3o da teoria, materializada em manuais de marxismo-leninismo difundidos a todos os Partidos Comunistas do mundo que seguiam a linha sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>89 &#8211; Nas experi\u00eancias de constru\u00e7\u00e3o do Socialismo em Cuba, na China, no Vietn\u00e3 e na Coreia do Norte h\u00e1 elementos novos que devem ser considerados. No caso do Vietn\u00e3, a constru\u00e7\u00e3o socialista se d\u00e1 com pol\u00edticas que incorporam estruturas privadas na produ\u00e7\u00e3o, em grau bastante inferior ao da China, e din\u00e2micas de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica fortes. No caso da Coreia do Norte, ainda que prevale\u00e7am as formas coletivas de produ\u00e7\u00e3o, trilhou-se um caminho de isolamento internacional, a condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se faz de forma autocr\u00e1tica, sendo adotada uma vers\u00e3o do Marxismo (a chamada ideologia Juche) que tem elementos de constru\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>91 &#8211; No caso da China, que da vit\u00f3ria dos comunistas na guerra civil at\u00e9 1978 trilhou um caminho ziguezagueante \u2013 alternando-se, no poder, a vertente \u201cvermelha\u201d ou ideol\u00f3gica e a vertente \u201cpragm\u00e1tica\u201d ou t\u00e9cnica \u2013 s\u00e3o elementos da constru\u00e7\u00e3o do \u201cSocialismo com caracter\u00edsticas chinesas\u201d que devem ser levadas em conta: a experi\u00eancia das comunas, das confer\u00eancias consultivas, organismos que re\u00fanem todos os partidos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nacionais para debater as grandes propostas pol\u00edticas a serem enviadas ao parlamento; o controle pol\u00edtico direto sobre as unidades produtivas, pelas comunas ainda hoje existentes; a participa\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es com mais destaque no sistema de planejamento (de car\u00e1ter participativo, em geral); o planejamento em linha (vertical) por ramos de produ\u00e7\u00e3o, com controle centralizado de vari\u00e1veis-chave nacionais; a exist\u00eancia de microempresas e empresas individuais (como as chamadas empresas de rua) sob controle pol\u00edtico direto, pelas comunas; as rela\u00e7\u00f5es diretas entre empresas p\u00fablicas produtoras e fornecedoras (nas chamadas confer\u00eancias de harmoniza\u00e7\u00e3o) e mesmo a grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular \u00e0 \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural.<\/p>\n<p>92 &#8211; As reformas de Deng Xiaoping, iniciadas em 1978, introduziram elementos de capitalismo, como as Zonas Econ\u00f4micas Especiais. S\u00e3o medidas que v\u00eam sendo adotadas em escala crescente: a atra\u00e7\u00e3o de empresas privadas estrangeiras, a permiss\u00e3o para o estabelecimento de empresas particulares, a passagem do sistema de planejamento centralizado para o sistema de controle macroecon\u00f4mico, o conv\u00edvio entre diferentes formas de propriedade e a ado\u00e7\u00e3o de estruturas de mercado. Seus resultados s\u00e3o o crescimento econ\u00f4mico acelerado, com taxas de mais de 10% ao ano, desde 1987, e os muitos problemas existentes hoje, como a polariza\u00e7\u00e3o (a diferen\u00e7a entre ricos e pobres), a corrup\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o da ideologia burguesa, que acentuam os riscos da restaura\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>93 &#8211; Mesmo assim, o Partido Comunista Chin\u00eas segue na lideran\u00e7a do processo, e anuncia, para 2015, a retomada da constru\u00e7\u00e3o de estruturas coletivas e p\u00fablicas no rumo socialista. Esta experi\u00eancia deve ser analisada com aten\u00e7\u00e3o, assim como a trajet\u00f3ria do Vietn\u00e3, cautelosa, de moderniza\u00e7\u00e3o e abertura com a manuten\u00e7\u00e3o da base socialista, e mesmo da Coreia do Norte, que, com problemas diversos, com destaque para o seu isolamento internacional e uma estrutura r\u00edgida de poder, atingiu um elevado padr\u00e3o de igualdade social, mantendo-se no campo socialista e fazendo um importante contraponto \u00e0 pol\u00edtica imperialista dos Estados Unidos e seus aliados.<\/p>\n<p><strong>Resolu\u00e7\u00f5es do XVI Congresso Nacional do PCB \u2013 Programa de lutas para implementa\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia socialista no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>A Conjuntura Atual<\/p>\n<p>8) Acirram-se as disputas entre blocos econ\u00f4micos e geopol\u00edticos, as quais explicam em parte as maiores dificuldades encontradas pelos EUA e seus aliados diretos na implementa\u00e7\u00e3o plena de seus projetos no mundo. R\u00fassia e China, principalmente, se apresentam hoje como pot\u00eancias que promovem o contraponto \u00e0s pol\u00edticas expansionistas estadunidenses e da Uni\u00e3o Europeia, em raz\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses estrat\u00e9gicos que incluem a conquista de novos mercados em pa\u00edses da periferia do capitalismo, e a solidifica\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ao redor do globo. Tais disputas s\u00e3o respons\u00e1veis, em \u00faltima an\u00e1lise, por provocar o aumento da explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, a perda sistem\u00e1tica de direitos e o crescimento da mis\u00e9ria entre as popula\u00e7\u00f5es mais pobres, j\u00e1 que envolve, na ess\u00eancia, o processo de expans\u00e3o do capital, na sua busca permanente por espa\u00e7os onde possa extrair o m\u00e1ximo de valor da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>133) Reivindicamos o legado hist\u00f3rico da Comuna de Paris, da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas, Iugosl\u00e1via, China, Cuba, Vietn\u00e3, Bulg\u00e1ria, Alb\u00e2nia, Mo\u00e7ambique, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Alemanha, Pol\u00f4nia Tchecoslov\u00e1quia, Hungria, Rom\u00eania entre outros. Acreditamos que a humanidade perdeu muito com o fim das experi\u00eancias socialistas e rejeitamos as teorias que celebram este fato hist\u00f3rico, bem como combatemos as tentativas de revisar o papel dos comunistas na Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>134) A China assume uma import\u00e2ncia regional cada vez maior na \u00c1sia, com protagonismo mundial geopol\u00edtico e econ\u00f4mico. Nos \u00faltimos 40 anos, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza na China impactou em mais de 70% na redu\u00e7\u00e3o da pobreza mundial. O pa\u00eds \u00e9 dirigido por um partido comunista que se compreende fiel ao marxismo-leninismo, dirigindo um processo de longa dura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de transi\u00e7\u00e3o socialista. Cabe ao PCB buscar maior estudo e aprofundamento sobre essas experi\u00eancias, assim como intensificar interc\u00e2mbio cultural e pol\u00edtico com o Partido Comunista Chin\u00eas, como forma de melhor compreend\u00ea-lo. A despeito da aus\u00eancia de posi\u00e7\u00e3o fechada sobre o car\u00e1ter socialista ou n\u00e3o desses pa\u00edses, nosso Partido deve defender a China dos ataques do imperialismo da propagando orientalista, racista e anticomunista produzida pelos monop\u00f3lios de m\u00eddia ocidentais.<\/p>\n<p>135) Contra a pol\u00edtica entreguista das classes dominantes, defendemos uma postura aut\u00f4noma do Brasil nas rela\u00e7\u00f5es internacionais pol\u00edticas e econ\u00f4micas, pelo fortalecimento das a\u00e7\u00f5es junto a movimentos internacionais que lutam pela emancipa\u00e7\u00e3o do proletariado e pela garantia do livre desenvolvimento e pela soberania e autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Devemos promover campanha pela taxa\u00e7\u00e3o dos fluxos financeiros internacionais para custear projetos de desenvolvimento nos pa\u00edses e regi\u00f5es menos desenvolvidas. No longo prazo, lutamos pelo estabelecimento de um novo organismo internacional que articule as na\u00e7\u00f5es socialistas, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, pol\u00edticas e econ\u00f4micas em p\u00e9 de igualdade e na ajuda m\u00fatua.<\/p>\n<p><strong>Notas pol\u00edticas e pronunciamentos<\/strong><\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro ao centen\u00e1rio do Partido Comunista da China. &#8211; <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27497\">https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/27497<\/a><\/p>\n<p>Solidariedade \u00e0 Rep\u00fablica Popular da China &#8211; <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25163\">https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25163<\/a><\/p>\n<p><strong>Textos diversos publicados no site do PCB:<\/strong> <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/category\/s10-internacional\/asia\/china\">https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/category\/s10-internacional\/asia\/china<\/a><\/p>\n<p><strong>Materiais relevantes sobre a China contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p>PC Chin\u00eas, este desconhecido &#8211; <a href=\"https:\/\/opoderpopular.com.br\/pc-chines-este-desconhecido\/\">https:\/\/opoderpopular.com.br\/pc-chines-este-desconhecido\/<\/a><\/p>\n<p>Democracia para 1,3 bilh\u00e3o &#8211; O que \u00e9 a democracia na China? &#8211; <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LVz-XB1fQmo\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LVz-XB1fQmo<\/a><\/p>\n<p>China: A Democracia que Funciona: <a href=\"https:\/\/opoderpopular.com.br\/china-a-democracia-que-funciona\/\">https:\/\/opoderpopular.com.br\/china-a-democracia-que-funciona\/<\/a><\/p>\n<p>A Hegemonia dos EUA e os seus perigos (em ingl\u00eas) &#8211; <a href=\"https:\/\/resistir.info\/china\/hegemonia_eua_20fev23.html\">https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/mfa_eng\/wjbxw\/202302\/t20230220_11027664.html<\/a><\/p>\n<p>Documento conjunto da parceria estrat\u00e9gica R\u00fassia-China &#8211; <a href=\"https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/mundo\/73067\/china-e-russia-anunciam-nova-ordem-mundial-e-a-chegada-do-mundo-multipolar?_ga=2.79597268.1988125262.1644641292-627749492.1627919616\">https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/mundo\/73067\/china-e-russia-anunciam-nova-ordem-mundial-e-a-chegada-do-mundo-multipolar?_ga=2.79597268.1988125262.1644641292-627749492.1627919616<\/a><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio do 19\u00ba Congresso do Partido Comunista da China &#8211; <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/2017\/10\/18.htm\">https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/tematica\/2017\/10\/18.htm<\/a><\/p>\n<p>Relat\u00f3rio do 20\u00ba Congresso do Partido Comunista da China &#8211; <a href=\"https:\/\/grabois.org.br\/2022\/10\/17\/a-luta-pela-construcao-integral-de-um-pais-socialista-moderno\/\">https:\/\/grabois.org.br\/2022\/10\/17\/a-luta-pela-construcao-integral-de-um-pais-socialista-moderno\/<\/a> e <a href=\"https:\/\/opoderpopular.com.br\/congresso-do-pcch-texto-na-integra-da-resolucao-sobre-relatorio-do-19o-comite-central-do-pcch\/\">https:\/\/opoderpopular.com.br\/congresso-do-pcch-texto-na-integra-da-resolucao-sobre-relatorio-do-19o-comite-central-do-pcch\/<\/a><\/p>\n<p>Posi\u00e7\u00e3o da China sobre a resolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da crise na Ucr\u00e2nia &#8211; <a href=\"https:\/\/opoderpopular.com.br\/posicao-da-china-sobre-a-resolucao-politica-da-crise-na-ucrania\/\">https:\/\/opoderpopular.com.br\/posicao-da-china-sobre-a-resolucao-politica-da-crise-na-ucrania\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Enfatizamos que para uma compreens\u00e3o da vis\u00e3o completa do PCB a respeito das experi\u00eancias socialistas como um todo \u00e9 imprescind\u00edvel a leitura dos dois documentos abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Socialismo: Balan\u00e7o e Perspectivas &#8211; <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26603\">https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/26603<\/a><\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00f5es do XVI Congresso do PCB (Programa de Lutas para implementa\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia socialista no Brasil) &#8211; <a href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28466\">https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/28466<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30071\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[181,350,9,146],"tags":[228],"class_list":["post-30071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-asia","category-china","category-s10-internacional","category-internacionalismo","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7P1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30071"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30071\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30071"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}