{"id":30118,"date":"2023-03-13T20:29:04","date_gmt":"2023-03-13T23:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30118"},"modified":"2023-03-22T18:48:17","modified_gmt":"2023-03-22T21:48:17","slug":"discurso-e-disputa-no-espaco-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30118","title":{"rendered":"Discurso e disputa no espa\u00e7o universit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30125\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30118\/image-3-5\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?fit=966%2C764&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"966,764\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?fit=300%2C237&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?fit=747%2C591&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30125\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?resize=747%2C591&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"591\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?w=966&amp;ssl=1 966w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?resize=300%2C237&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?resize=900%2C712&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-3-1.png?resize=768%2C607&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Empresas juniores: aparelhos de hegemonia do capital<\/strong><\/p>\n<p>Por Ghabriel Ibrahim, militante da UJC<\/p>\n<p>Muito embora a posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria de nossa juventude frente \u00e0s empresas juniores esteja colocada de modo expl\u00edcito em nossas resolu\u00e7\u00f5es congressuais h\u00e1 alguns ciclos, a experi\u00eancia cotidiana em mais de um n\u00facleo universit\u00e1rio exp\u00f5e que ainda h\u00e1 certa dificuldade na compreens\u00e3o dos motivos pelos quais nos opomos a essas institui\u00e7\u00f5es. A resposta comum e apressada d\u00e1 conta de denunciar as EJs como \u201cinger\u00eancia privada\u201d na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o que n\u00e3o deixa de ser verdade, mas tamb\u00e9m o \u00e9 o fato de que s\u00e3o instrumentos criados pelos alunos sem possuir fins lucrativos. A \u201cinger\u00eancia\u201d \u00e9, portanto, muito mais sutil que a que se nota em outros mecanismos que podem ser acusados do mesmo mal que visam, de modo mais expl\u00edcito, a privatiza\u00e7\u00e3o das IEs. No caso das Empresas Juniores, o fundamental \u00e9 desvelar seu car\u00e1ter instrumental na disputa ideol\u00f3gica \u2013 o que, tamb\u00e9m argumentarei, n\u00e3o se trata de quest\u00e3o menor.<\/p>\n<p>O PCB compreende, a partir de ac\u00famulo gerado pela larga tradi\u00e7\u00e3o comunista e progressista de modo geral de nosso pa\u00eds, que o car\u00e1ter da Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 socialista. Isso se deve ao fato de compreender que as condi\u00e7\u00f5es objetivas para uma revolu\u00e7\u00e3o desse tipo est\u00e3o postas: a predomin\u00e2ncia de rela\u00e7\u00f5es capitalistas de produ\u00e7\u00e3o, do assalariamento, as formas jur\u00eddicas que guardam rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com a produ\u00e7\u00e3o, tudo isso trata-se de condi\u00e7\u00f5es objetivas. De modo sint\u00e9tico, o camarada Edmilson Costa (2013) aponta que \u201cas condi\u00e7\u00f5es objetivas s\u00e3o dadas pelo desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e da sociedade, portanto independem da vontade das pessoas, das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais.\u201d Assim, o fundamental \u00e9 avan\u00e7ar nas condi\u00e7\u00f5es subjetivas para construir um processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es subjetivas s\u00e3o intimamente relacionadas \u00e0 consci\u00eancia do povo. S\u00e3o afetadas pelo trabalho pol\u00edtico cotidiano e dizem respeito \u00e0 forma como cada indiv\u00edduo se enxerga dentro de sua classe, como enxerga sua classe, como enxerga sua rela\u00e7\u00e3o com outros indiv\u00edduos de mesma ou outra classe&#8230; Enfim, historicamente os partidos de vanguarda tiveram como objetivo \u201celevar a consci\u00eancia\u201d das classes entendidas como revolucion\u00e1rias com o intuito de, precisamente, conquistar as condi\u00e7\u00f5es subjetivas necess\u00e1rias para promover uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tal \u201cconsci\u00eancia de classe\u201d n\u00e3o se conquista de forma espont\u00e2nea. Novamente, cabe lembrar do texto j\u00e1 citado do camarada Costa (2013):<\/p>\n<p>Como dizia Lenin, a consci\u00eancia do proletariado n\u00e3o \u00e9 produto mec\u00e2nico de sua condi\u00e7\u00e3o de classe, pois na sociedade burguesa os trabalhadores s\u00e3o influenciados pela cultura dominante que, com seus meios de comunica\u00e7\u00e3o e seu aparato ideol\u00f3gico, diariamente procura manipular as informa\u00e7\u00f5es, o ensino e a cultura no sentido de manuten\u00e7\u00e3o da ordem burguesa. Nessa conjuntura, o proletariado \u00e9 influenciado pelos valores da sociedade capitalista. Lenin explica que a supremacia da sociedade burguesa no capitalismo se consolida porque a ideologia burguesa \u00e9 muito mais antiga que a ideologia prolet\u00e1ria e, principalmente, porque possui meios de difus\u00e3o incomparavelmente maiores e mais numerosos que a do proletariado.<\/p>\n<p>De forma espont\u00e2nea \u00e9 poss\u00edvel que o trabalhador lute por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, que desenvolva reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a partir de sua experi\u00eancia cotidiana, e mesmo que entenda ser relevante se organizar em sindicatos. Mas a percep\u00e7\u00e3o de que integra uma classe revolucion\u00e1ria a cumprir um papel hist\u00f3rico de emancipa\u00e7\u00e3o, de p\u00f4r fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, esta n\u00e3o vem sen\u00e3o a partir de um esfor\u00e7o interno que pode (e deve!) ser promovido por um partido de vanguarda, rompendo com o economicismo espontane\u00edsta.<\/p>\n<p>Os aparelhos ideol\u00f3gicos burgueses, portanto, s\u00e3o constru\u00eddos e mantidos com o intuito de perpetuar a domina\u00e7\u00e3o de classe e impedir os avan\u00e7os subjetivos necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. De modo geral, esses aparelhos atuam desdobrando, justificando e naturalizando certos efeitos subjetivos que o pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 imp\u00f5e. Entre os mais relevantes no momento, destaco aqueles apontados por Marx em seu \u201cSobre a quest\u00e3o judaica\u201d: ao criticar os rec\u00e9m surgidos \u201cdireitos do homem\u201d, Marx aponta que a supervaloriza\u00e7\u00e3o da liberdade individual no capitalismo \u201cfaz com que cada homem veja no outro homem n\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o, mas, ao contr\u00e1rio, a restri\u00e7\u00e3o de sua liberdade\u201d. Falando sobre a \u201cigualdade\u201d, destaca que se trata da igualdade dessa liberdade, isto \u00e9, a uniformiza\u00e7\u00e3o de todos os homens como \u201cm\u00f4nadas\u201d independentes e rivais umas das outras. Pois bem. Retornemos em momento mais oportuno \u00e0 discuss\u00e3o sobre ideologia: passemos a uma breve an\u00e1lise do projeto Empresa J\u00fanior.<\/p>\n<p>As empresas juniores surgem na Fran\u00e7a no ano de 1967 com o objetivo de oferecer aos estudantes melhor forma\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de aprendizados pr\u00e1ticos. Podem ser caracterizadas como associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos constru\u00eddas pela iniciativa dos pr\u00f3prios estudantes. J\u00e1 a\u00ed, por\u00e9m, \u00e9 relevante fazer uma ressalva: segundo Lopes, Lopes e Lima (2007, p.35) ao analisar as EJs em cursos de administra\u00e7\u00e3o, \u201cem muitos casos o surgimento da EJ n\u00e3o foi um processo espont\u00e2neo nascido da iniciativa dos estudantes, mas, ao contr\u00e1rio, uma medida que decorreu do interesse das IES que perceberam o alto valor atribu\u00eddo, pelas inst\u00e2ncias oficiais, \u00e0 exist\u00eancia dessas estruturas\u201d. Normalmente, s\u00e3o organizadas atrav\u00e9s das seguintes inst\u00e2ncias: assembleia geral, conselho administrativo, diretoria executiva, conselho consultivo e conselho fiscal. Para al\u00e9m do fato de que, como j\u00e1 mencionado, n\u00e3o \u00e9 incomum que n\u00e3o sejam frutos do desejo espont\u00e2neo dos estudantes, h\u00e1 uma quest\u00e3o bastante relevante no que diz respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es: elas est\u00e3o inseridas em uma organiza\u00e7\u00e3o nacional chamada Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas Juniores (BrasilJunior) que se desdobra em \u00f3rg\u00e3os regionais. Ou seja, h\u00e1 maior centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que pode supor um olhar descuidado.<\/p>\n<p>O site da BrasilJunior \u00e9 claro em seus objetivos: \u201cformar, por meio da viv\u00eancia empresarial, lideran\u00e7as comprometidas e capazes de transformar o Brasil em um pa\u00eds empreendedor\u201d. Essa \u00e9, segundo seu site oficial, \u201ca marca que querem deixar no mundo\u201d. Ao longo de sua p\u00e1gina principal, mais uma s\u00e9rie de refer\u00eancias ao fazer \u201cempreendedor\u201d, grande falta em nosso pa\u00eds, podemos supor &#8211; muito embora j\u00e1 em 2001 f\u00f4ssemos, de acordo com a pr\u00f3pria BrasilJunior, o pa\u00eds com o maior n\u00famero de EJs no mundo, com mais de 600 distribu\u00eddas por 14 estados (fonte). Hoje, suas mais de 1400 EJs filiadas contam com o apoio expl\u00edcito, verific\u00e1vel ao fim da p\u00e1gina principal, de empresas como Ambev, BTG e Americanas \u2013 pr\u00f3ximas, para dizer o m\u00ednimo, de um grande patrono da privatiza\u00e7\u00e3o e da precariza\u00e7\u00e3o do Ensino P\u00fablico, Jos\u00e9 Paulo Lehman, rec\u00e9m envolvido em esc\u00e2ndalo bilion\u00e1rio \u2013 al\u00e9m de multinacionais como Nestl\u00e9 e Pirelli. A estes interessam o projeto \u201cBrasil empreendedor\u201d, certamente discutido \u00e0 exaust\u00e3o em seu \u00faltimo Congresso Nacional, o 28\u00ba Encontro Nacional de Empresas Juniores, em 2021. Lehman, atrav\u00e9s de sua Funda\u00e7\u00e3o, formou figuras pol\u00edticas que constituem grupo relevante na C\u00e2mara, atuando com for\u00e7a em assuntos de seu interesse. Na recente discuss\u00e3o acerca do Fundeb, das cinco emendas que o relat\u00f3rio da PEC 15\/2015 que altera o FUNDEB recebeu em sua reta final, quatro foram propostas por deputados formados pela Funda\u00e7\u00e3o Lemann e com base de financiamento de campanha no empresariado. De fato, eles comp\u00f5em a Bancada da Lemann. As emendas foram apresentadas por Tiago Mitraud, Tabata Amaral e Felipe Rigoni.<\/p>\n<p>Mas a BrasilJunior tamb\u00e9m possui o que chama de \u201cprodutos\u201d. Logo deve chamar a aten\u00e7\u00e3o da juventude universit\u00e1ria um denominado \u201cUniversidades Empreendedoras\u201d . Trata-se de ranking elaborado pela confedera\u00e7\u00e3o com \u201cpatroc\u00ednio estrat\u00e9gico essencial do Bradesco\u201d com a inten\u00e7\u00e3o de medir a \u201ccultura empreendedora, a inova\u00e7\u00e3o e a extens\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Brasil\u201d, al\u00e9m de um ponto curiosamente associado a esses outros: a atra\u00e7\u00e3o de capital financeiro. O ranking n\u00e3o se trata de obra menor: foi lan\u00e7ado oficialmente em 8 de dezembro na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia. Evidencia a movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da confedera\u00e7\u00e3o em conluio com o grande capital e seus avan\u00e7os program\u00e1ticos sobre a coisa p\u00fablica. O MEJ, afinal, se reivindica como apartid\u00e1rio, mas com \u201cconsci\u00eancia do papel no di\u00e1logo por um pa\u00eds melhor e que para transform\u00e1-lo se faz importante a discuss\u00e3o pol\u00edtica\u201d. Por isso a Brasil Junior atua com o Conselho Nacional das Institui\u00e7\u00f5es da Rede Federal de Educa\u00e7\u00e3o Profissional, Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica (Conif) para \u201cexpandir o conceito de sucesso do Ranking das Universidades Empreendedoras\u201d.<\/p>\n<p>Analisemos brevemente alguns dos indicadores relevantes para o ranking, dispon\u00edvel no site da iniciativa.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a Cultura Empreendedora: esta \u00e9 medida atrav\u00e9s da an\u00e1lise de \u201cpostura empreendedora\u201d tanto entre os discentes quanto entre os docentes, al\u00e9m de uma avalia\u00e7\u00e3o da grade curricular. Os objetivos pol\u00edticos se conquistam, fica claro, atrav\u00e9s tamb\u00e9m do controle pedag\u00f3gico. Tamb\u00e9m interessante \u00e9 o indicador chamado de \u201cCapital Financeiro\u201d: \u00e9 expl\u00edcita a import\u00e2ncia dada no projeto para um \u201cBrasil empreendedor\u201d \u00e0 presen\u00e7a de Fundos Patrimoniais na universidade. J\u00e1 tratei brevemente do que s\u00e3o esses fundos e de seu perigo para a autonomia universit\u00e1ria em outro texto ; basta apontar que integram o projeto do \u00f3rg\u00e3o nacional respons\u00e1vel pela \u201cqualidade\u201d das EJs.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel estadual, o Rio de Janeiro conta com a RioJunior, ligada \u00e0 BrasilJunior, que tem entre seus produtos o \u201cPapo Empreendedor\u201d, primeiro contato da RioJunior com alguma EJ. Conta tamb\u00e9m para que se evidencie novamente a import\u00e2ncia dada \u00e0 quest\u00e3o, com uma Diretora de Forma\u00e7\u00e3o Empreendedora. N\u00e3o h\u00e1 propriamente nenhum membro destacado de modo aberto \u00e0 dimens\u00e3o pedag\u00f3gica de forma ampla: a grande forma\u00e7\u00e3o adquirida parece ser esta introje\u00e7\u00e3o da perspectiva do empreendedorismo. Em material oficial elaborado por seu ent\u00e3o presidente, consta que o principal produto da RioJunior \u00e9 \u201co empreendedor comprometido e capaz de transformar o pa\u00eds\u201d. Por isso, cada EJ deve \u201cpromover a internaliza\u00e7\u00e3o da cultura empreendedora por seus membros\u201d.<\/p>\n<p>O destaque dado neste texto para o projeto empreendedor que parece assumir fun\u00e7\u00e3o central nas EJs se d\u00e1 tamb\u00e9m por conta da relev\u00e2ncia j\u00e1 apontada para a disputa ideol\u00f3gica. No trabalho corriqueiro de um partido de vanguarda de trazer as massas da luta particular de seu cotidiano para a luta geral pela emancipa\u00e7\u00e3o humana, essa \u00e9 das disputas mais encarni\u00e7adas. Nosso trabalho se expande e j\u00e1 possui relev\u00e2ncia nacional no \u00e2mbito universit\u00e1rio, no que sua crescente qualifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve atingir barreiras, e para tanto \u00e9 necess\u00e1rio que avancemos no ac\u00famulo acerca da pr\u00f3pria ideia de ideologia.<\/p>\n<p>A obra marxista mais famosa sobre ideologia \u00e9 a Ideologia alem\u00e3, s\u00e9rie de escritos de Marx produzidos em cerca de 1846-1847, mas que teve sua primeira publica\u00e7\u00e3o somente em 1950. Certa tradi\u00e7\u00e3o marxista tende a reduzir ideologia a \u201cfalsa consci\u00eancia\u201d, a um mero falseamento do real que impede o desvelamento da opress\u00e3o. Reduzir ideologia a essa dimens\u00e3o nos colocaria em uma posi\u00e7\u00e3o c\u00f4moda de n\u00e3o pensar POR QUE essa \u201cfalsa consci\u00eancia\u201d atinge tanta influ\u00eancia entre as massas. Por \u00f3bvio, os aparelhos de difus\u00e3o ideol\u00f3gica cumprem seu papel, assim como a pr\u00f3pria forma de viver e sobreviver, mas uma s\u00e9rie de outros autores tentou complexificar de modo interessante essa categoria.<\/p>\n<p>Entre os v\u00e1rios meios de difus\u00e3o da ideologia, nenhum prescinde de uma linguagem. Nesse sentido, estudiosos nos mais diversos campos j\u00e1 apontaram que toda linguagem possui uma dimens\u00e3o ideol\u00f3gica. Rompendo com o paradigma que entendia a linguagem como neutra, Bakhtin, linguista russo, notou que toda l\u00edngua possui dimens\u00e3o simultaneamente formal, subjetiva e social. Helena Brand\u00e3o, estudiosa de Bakhtin, afirma que \u201ca linguagem enquanto discurso n\u00e3o constitui um universo de signos que serve apenas como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o ou suporte de pensamento; a linguagem enquanto discurso \u00e9 intera\u00e7\u00e3o, e um modo de produ\u00e7\u00e3o social; ela n\u00e3o \u00e9 neutra, inocente e nem natural, por isso o lugar privilegiado da manifesta\u00e7\u00e3o da ideologia\u201d (BRAND\u00c3O, 2004).<\/p>\n<p>J\u00e1 segundo Misoczky, Fernandes e Bucco (apud COSTA, 2010), deve-se ressaltar que, em vez de tratar a ideologia como falsa consci\u00eancia ou como sistema coerente de cren\u00e7as, Bakhtin e os autores de seu C\u00edrculo consideravam ideologia como o meio simb\u00f3lico essencial atrav\u00e9s do qual as rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o constitu\u00eddas. (&#8230;) As ideologias s\u00e3o materiais, n\u00e3o somente porque todas as formas poss\u00edveis da a\u00e7\u00e3o humana incluem algum tipo de s\u00edmbolo semi\u00f3tico \u2013 palavras, gestos, express\u00f5es, vestimentas, etc&#8230; \u2013 mas porque tais signos produzem efeitos reais nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Em outras palavras, partindo de uma perspectiva hist\u00f3rico-discursiva, a ideologia corresponde \u00e0 hegemonia do sentido. Trata-se, hoje, da globaliza\u00e7\u00e3o da ordem do discurso neoliberal.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir disso que chegamos \u00e0 palavra da ordem: empreendedorismo. Como campo de estudo, surge em Harvard, em 1947, como um desdobramento de estudos acerca da hist\u00f3ria dos neg\u00f3cios, focando em empresas isoladas. Somente a partir de 1970, por\u00e9m, come\u00e7a a haver maior interesse pelo tema (KATZ apud COSTA, 2010). Sua expans\u00e3o real se d\u00e1 apenas em 1980, n\u00e3o coincidentemente per\u00edodo em que a pr\u00f3pria ideia de neoliberalismo passa a integrar de forma mais corrente os v\u00e1rios discursos econ\u00f4micos, sobretudo por conta de Pinochet e Thatcher. At\u00e9 1975, s\u00f3 havia um peri\u00f3dico \u2013 Journal of Small Business Management \u2013 que representava espa\u00e7o para publica\u00e7\u00e3o sobre empreendedorismo. Nos \u00faltimos anos, o n\u00famero de faculdades que oferecem cursos de empreendedorismo nos EUA \u00e9 da casa de milhares.<\/p>\n<p>No Brasil, a oferta de cursos de empreendedorismo data de 1990. A categoria incorpora-se \u00e0s grades curriculares das IES por meio da Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CES 4 de 13\/07\/2005, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o. L\u00ea-se que o perfil esperado de um administrador \u00e9 voltado para \u201ccapacidade empreendedora e cr\u00edtica\u201d. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser marxista para saber, como Foucault, que \u201ctodo sistema de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma maneira pol\u00edtica de manter ou de modificar a apropria\u00e7\u00e3o dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo\u201d. Hoje \u2013 ou melhor, j\u00e1 h\u00e1 quase vinte anos -, entende-se que \u00e9 fundamental que o Administrador formado assuma \u201cpostura empreendedora\u201d.<\/p>\n<p>Em estudo fundamental para este artigo, a tese da professora Alessandra de Mello Costa recupera algumas tentativas de definir o \u201cempreendedor\u201d, tanto em n\u00edvel internacional como nacionalmente. Foquemos nestas \u00faltimas por serem mais relevantes \u00e0 nossa atua\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s apontar tr\u00eas abordagens mais comuns para discutir a categoria de empreendedorismo (uma mais comportamental, outra derivada da literatura gerencial e uma terceira mais propriamente econ\u00f4mica), Costa nota que os empreendedores \u201cs\u00e3o concebidos de forma semelhante como indiv\u00edduos que impulsionam a m\u00e1quina capitalista ao prover novos bens de consumo, al\u00e9m de m\u00e9todos inovadores de produ\u00e7\u00e3o e transporte, com a inequ\u00edvoca fun\u00e7\u00e3o social de identificar oportunidades e convert\u00ea-las em valores econ\u00f4micos\u201d (COSTA, 2010). Em artigo de 2008, a professora ressalta a coer\u00eancia entre essa compreens\u00e3o e a hegemonia discursiva neoliberal, em que uma figura idealizada do executivo de sucesso passa a ser exemplo de conduta para toda a sociedade a fim de disseminar \u201cinvestimento constante e exclusivo da vontade na produ\u00e7\u00e3o de riqueza abstrata\u201d (grifos nossos), o que \u201cprolonga e intensifica a obriga\u00e7\u00e3o do homem moderno de dedicar sua vida ao ganho\u201d (BARROS, COSTA &amp; MARTINS, 2008).<\/p>\n<p>Politicamente, interessa em particular uma defini\u00e7\u00e3o dada em 2006 pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores: segundo esta associa\u00e7\u00e3o, o empreendedor \u00e9 nada menos que \u201csolu\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica do problema do desemprego tecnol\u00f3gico generalizado\u201d. O desemprego, portanto, passa a ser despolitizado, fruto inescap\u00e1vel do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, e sua solu\u00e7\u00e3o \u00e9 individual: inovar, empreender, competir; enfim, passa pela vontade de cada indiv\u00edduo. Por \u00f3bvio, tendo em vista que a China \u00e9 hoje vanguarda tecnol\u00f3gica e l\u00e1 o desemprego n\u00e3o \u00e9 sequer uma quest\u00e3o, esse ponto de vista se evidencia como pura propaganda liberal. A cr\u00edtica de Saraiva (2011) vai nesse sentido: o pesquisador afirma que ter uma forma\u00e7\u00e3o empreendedora significa consentir, do ponto de vista profissional, \u00e0s iniciativas empresariais pr\u00f3-flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, j\u00e1 que passa a ser responsabilidade dos indiv\u00edduos \u201cempreender\u201d suas carreiras e oportunidades profissionais. \u00c0 medida que considera como individuais as quest\u00f5es profissionais, que passam a ser definidas de acordo com a capacidade de competi\u00e7\u00e3o (e vit\u00f3ria) dos indiv\u00edduos, esta vis\u00e3o enfraquece o coletivo e instala uma l\u00f3gica darwiniana de todos contra todos, em que s\u00f3 se beneficiam as empresas, em detrimento da sociedade (SARAIVA, 2011).<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel conciliar uma defesa do fim da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem com a defesa do projeto \u201cBrasil Empreendedor\u201d? Como \u00e9 poss\u00edvel entender o trabalho como categoria eminentemente social e demandar independ\u00eancia econ\u00f4mica em nosso pa\u00eds de capitalismo dependente e ao mesmo tempo defender a compreens\u00e3o de que o emprego, o desemprego e a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o quest\u00f5es primordialmente pol\u00edticas, mas sim individuais? A ideologia do empreendedorismo n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria somente ao marxismo: o \u00e9 a qualquer linha pol\u00edtica que entenda que para avan\u00e7armos enquanto na\u00e7\u00e3o n\u00e3o podemos ser coniventes com a cantilena neoliberal. Enquanto militantes por uma Universidade Popular, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prescindir dessa den\u00fancia.<\/p>\n<p>Mas se os estudantes se interessam pelas EJs, e esse interesse parece ser crescente, o discurso ideol\u00f3gico deve estar mobilizando interesses reais. Para al\u00e9m das demandas econ\u00f4micas como maior facilidade de conseguir um emprego ap\u00f3s formado, o estudante sente falta de trabalhos mais pr\u00e1ticos em sua forma\u00e7\u00e3o. A educa\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica tamb\u00e9m possui um hist\u00f3rico contradit\u00f3rio, decorrente dos descaminhos da hist\u00f3ria e da rela\u00e7\u00e3o comum entre forma\u00e7\u00e3o e trabalho. Saviani aponta como marco para seu desenvolvimento a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, a partir da qual surge maior demanda por forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, e tem marco relevante nas Reformas Capanema que visaram capacitar um contingente para servir de m\u00e3o de obra barata. A partir dessas reformas surge a divis\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o regular e cursos profissionalizantes e t\u00e9cnicos, refor\u00e7ando a divis\u00e3o social do trabalho.<\/p>\n<p>Para uma cr\u00edtica consequente das empresas juniores, a categoria \u201ctrabalho\u201d \u00e9 fundamental. Se pensamos que o papel da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o humana, logo temos que nos confrontar com uma pergunta: o que define a exist\u00eancia humana? Do ponto de vista marxista, o trabalho \u00e9 intr\u00ednseco \u00e0 experi\u00eancia humana na medida em que \u201cn\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o agir sobre a natureza e transform\u00e1-la\u201d (SAVIANI, 2003), e o ser humano tem como particularidade o fato de precisar continuamente produzir sua pr\u00f3pria exist\u00eancia a partir do trabalho, de uma a\u00e7\u00e3o transformadora guiada por objetivos. Em outras palavras, \u201cos animais t\u00eam sua exist\u00eancia garantida pela natureza e, por consequ\u00eancia, eles se adaptam \u00e0 natureza. O homem tem de fazer o contr\u00e1rio: ele se constitui no momento em que necessita adaptar a natureza a si, n\u00e3o sendo mais suficiente adaptar-se \u00e0 natureza\u201d (SAVIANI, 2003).<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e0 forma alienada de trabalho que \u00e9 hegem\u00f4nica na sociedade capitalista j\u00e1 preencheu milhares de p\u00e1ginas de te\u00f3ricos marxistas. Resta num texto como esse ressaltar, a partir da compreens\u00e3o latu de trabalho, sua rela\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o da humanidade e com a pedagogia em termos hist\u00f3ricos, refletindo, por sua vez, as contradi\u00e7\u00f5es presentes nessa rela\u00e7\u00e3o. A divis\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o regular e educa\u00e7\u00e3o profissional, por exemplo, tipicamente burguesa, pressup\u00f5e a fragmenta\u00e7\u00e3o do trabalho em especialidades aut\u00f4nomas mais demandadas em dado momento hist\u00f3rico e refor\u00e7a, j\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos, a divis\u00e3o entre os que pensam o processo produtivo e os que o executam. Mas como ressalta Saviani, \u201ca separa\u00e7\u00e3o dessas fun\u00e7\u00f5es \u00e9 um produto hist\u00f3rico-social e n\u00e3o \u00e9 absoluta, mas relativa\u201d (2003). Cabe aos marxistas, a partir de uma cr\u00edtica \u00e0 forma particular com que se expressam as rela\u00e7\u00f5es de trabalho no capitalismo, propor, em n\u00edvel educacional, uma articula\u00e7\u00e3o maior entre ensino e trabalho, suprimindo a divis\u00e3o artificial entre trabalho manual e trabalho intelectual, tensionando as contradi\u00e7\u00f5es impostas pelo Capital no ensino.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que certa identifica\u00e7\u00e3o do alunado com parte do projeto das EJs \u00e9 leg\u00edtima: os estudantes querem aprendizagem na pr\u00e1tica, n\u00e3o se satisfazem com a pura teoria, al\u00e9m de quererem remunera\u00e7\u00e3o para perman\u00eancia estudantil, oportunidades profissionais e networking. Mas nas EJs se oferecem, como nota Doval (2012), oportunidades que aproveitam para inculcar nos indiv\u00edduos, num espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o superior, \u201ctoda sorte de modelos de gest\u00e3o e teorias organizacionais que possam refor\u00e7ar de forma cient\u00edfica aquilo que j\u00e1 est\u00e1 apreendido a partir de conte\u00fados ditos e dos n\u00e3o ditos do seu dia a dia\u201d. Conclui o pesquisador:<\/p>\n<p>Desta forma, a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes de cursos de gest\u00e3o em atividades como uma empresa j\u00fanior ou o interc\u00e2mbio internacional contribuem sobremaneira para o que Althusser (1980) aponta como a materializa\u00e7\u00e3o da ideologia dominante por meio dos aparelhos ideol\u00f3gicos do Estado, dentre os quais a Escola \u00e9 o mais importante, especialmente porque se constitui na forma mais acabada de reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas. Para isto, ao assumir a responsabilidade de forma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos de todas as classes sociais, lhes \u2018ensina\u2019 saberes pr\u00e1ticos da ideologia dominante.<\/p>\n<p>Se essas demandas leg\u00edtimas geram identifica\u00e7\u00e3o com o projeto das EJs, a disputa deve ser precisamente por serem sanadas sem que dependam dele. O reconhecimento do pesquisador como trabalhador, com todos os direitos que isso traz, perman\u00eancia estudantil de qualidade e a luta por sofistica\u00e7\u00e3o produtiva e pleno emprego s\u00e3o as pautas que ajudam no enfrentamento do projeto \u201cBrasil Empreendedor\u201d e sua pol\u00edtica econ\u00f4mica do \u201cse vira\u201d. Sobretudo essas \u00faltimas duas pautas, por\u00e9m, parecem afastadas da realidade do estudante, tamb\u00e9m envolvido numa cultura em que cada trabalhador se v\u00ea isolado em seu of\u00edcio. Nesse sentido, \u00e9 interessante resgatar experi\u00eancias concretas de car\u00e1ter popular que suplantam o projeto das EJs e que engajam os estudantes em constru\u00e7\u00e3o coletiva para al\u00e9m dos muros das universidades \u2013 sem que sejam, ainda, projetos de extens\u00e3o que, por mais valiosos que sejam, se inserem no contexto burocr\u00e1tico de universidades que n\u00e3o s\u00e3o ainda tudo o que sonhamos.<\/p>\n<p>Um exemplo fundamental presente no Brasil s\u00e3o os EMAUs, Escrit\u00f3rios Modelos de Arquitetura e Urbanismo. S\u00e3o baseados em experi\u00eancias de cooperativas uruguaias de constru\u00e7\u00e3o civil (marxistas e anarquistas), e funcionam atrav\u00e9s de gest\u00e3o estudantil sem fins lucrativos, com vistas \u00e0 uma forma\u00e7\u00e3o multidisciplinar e com fins sociais. Diferente das EJs, o \u00f3rg\u00e3o que apresenta diretrizes para cada Escrit\u00f3rio Modelo \u00e9 a Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo no Brasil . H\u00e1 a\u00ed experi\u00eancia leg\u00edtima de educa\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica auto-organizada e socialmente referenciada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lida a lembran\u00e7a do Instituto Universitario de Madres de Plaza de Mayo pelo que nos traz de positivo e de negativo. Seu projeto data de 1999 a partir da compreens\u00e3o por parte da Asociaci\u00f3n Madres de Plaza de Mayo de que era necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de uma Universidad Popular. Desde o ano seguinte se encontra em funcionamento ministrando cursos, e hoje j\u00e1 garante forma\u00e7\u00f5es em advocacia e algumas licenciaturas com o reconhecimento por parte do governo argentino. As cr\u00edticas de N\u00e9stor Kohan, grande educador popular que integrou os quadros docentes da universidade, no sentido de que havia inger\u00eancia pedag\u00f3gica de for\u00e7as antirrevolucion\u00e1rias e de que o projeto pol\u00edtico de ruptura foi substitu\u00eddo pela defesa do kirchnerismo, nos mostram a import\u00e2ncia de n\u00e3o nos furtarmos da ousadia para disputar ideologicamente mesmo espa\u00e7os que parecem amistosos. A justa cr\u00edtica n\u00e3o apaga o fato de que em nosso vizinho latino-americano um movimento social org\u00e2nico fundou um instituto universit\u00e1rio que exerce relevante papel formativo.<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, no sentido de refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es subjetivas para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira em cada espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o que concluo este texto que, espero, contribua para as disputas em ambiente de IESs. As Empresas Juniores n\u00e3o se tratam de projeto de extens\u00e3o comum e desinteressado, e \u00e9 fundamental que todas as for\u00e7as pol\u00edticas anticapitalistas se apropriem desse debate para formular a constru\u00e7\u00e3o em todos os \u00e2mbitos de uma verdadeira Universidade Popular.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS:<\/p>\n<p>BRAND\u00c3O, H. H. N. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise do discurso. Campinas, SP: Editora da<br \/>\nCOSTA, A. M. da; BARROS, D. F.; MARTINS, P. E. M. Linguagem, rela\u00e7\u00f5es de poder e o mundo do trabalho: a constru\u00e7\u00e3o discursiva do conceito de empreendedorismo. Revista de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Rio de Janeiro, RJ, v. 42, n. 5, p. 995 a 1018, 2008. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/rap\/article\/view\/6662. Acesso em: 1 mar. 2023.<\/p>\n<p>COSTA, A. M. da. 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Educ. sa\u00fade, 2003 1(1), p. 131-152, mar. 2003.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30118\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60,108,6,134,27],"tags":[222,247],"class_list":["post-30118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","category-c121-estudantil","category-s5-juventude","category-c139-mup","category-c27-ujc","tag-2b","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7PM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30118"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30118\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}