{"id":3013,"date":"2012-06-15T18:04:19","date_gmt":"2012-06-15T18:04:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3013"},"modified":"2012-06-15T18:04:19","modified_gmt":"2012-06-15T18:04:19","slug":"g-20-propoe-compromisso-europeu-para-salvar-o-euro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3013","title":{"rendered":"G-20 prop\u00f5e compromisso europeu para salvar o euro"},"content":{"rendered":"\n<p>O mexicano Felipe Calder\u00f3n vai presidir a c\u00fapula do G-20 em Los Cabos e n\u00e3o espera solu\u00e7\u00f5es imediatas para os problemas da Europa<\/p>\n<p>Os principais pa\u00edses europeus dever\u00e3o se comprometer a &#8220;salvaguardar a integridade da zona do euro&#8221;, usar &#8220;todas as fontes de financiamento&#8221; para recapitalizar os bancos e melhorar o crescimento, na c\u00fapula do G-20 na segunda e ter\u00e7a-feira em Los Cabos (M\u00e9xico).<\/p>\n<p>O compromisso faz parte de um acordo que os l\u00edderes v\u00e3o propor &#8220;para tratar de riscos de curto prazo e restaurar confian\u00e7a&#8221;, conforme um &#8220;draft&#8221; ao qual o Valor teve acesso. Para os l\u00edderes das maiores economias desenvolvidas e emergentes, riscos significativos persistem com a crise da d\u00edvida soberana e banc\u00e1ria na zona do euro &#8220;e mais a\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria&#8221; para estabilizar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta semana, o presidente mexicano Felipe Calder\u00f3n reconheceu que a c\u00fapula que ele vai presidir dificilmente trar\u00e1 solu\u00e7\u00f5es imediatas para os problemas da Europa. Mas, como diz o texto, poder\u00e1 pavimentar o terreno para &#8220;minimizar riscos econ\u00f4micos afim de refor\u00e7ar o crescimento e a confian\u00e7a no curto prazo e maximizar o potencial de expans\u00e3o global no longo prazo&#8221;.<\/p>\n<p>A c\u00fapula do G-20 ocorre um dia depois da elei\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia, que poder\u00e1 sinalizar a sa\u00edda ou n\u00e3o do pa\u00eds da uni\u00e3o monet\u00e1ria, al\u00e9m de elei\u00e7\u00e3o legislativa na Fran\u00e7a e presidencial no Egito.<\/p>\n<p>Formado em 2008 para coordenar uma resposta global \u00e0 crise financeira, o G-20 re\u00fane economias que respondem por 80% do PIB mundial e 80% do com\u00e9rcio. \u00c9 formado por Estados Unidos, China, Jap\u00e3o, Alemanha, Fran\u00e7a, Brasil, Reino Unido, It\u00e1lia, R\u00fassia, Canad\u00e1, \u00cdndia, Espanha, Austr\u00e1lia, Coreia do Sul, Indon\u00e9sia, Turquia, Argentina, \u00c1frica do Sul, Ar\u00e1bia Saudita e Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>No plano de a\u00e7\u00e3o, que continuar\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o a partir de hoje em Los Cabos pelos &#8220;sherpas&#8221; (representantes dos l\u00edderes), o grupo identifica a crise da zona do euro como um dos riscos mais significativos que precisam ser administrados na economia global, al\u00e9m do ritmo do ajuste fiscal, desemprego alto e em expans\u00e3o, pre\u00e7o do petr\u00f3leo e aterrissagem de algumas economias emergentes.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, no plano, os membros da \u00e1rea do euro que fazem parte do G-20 &#8211; Alemanha e Fran\u00e7a de um lado, e Espanha e It\u00e1lia do lado do cont\u00e1gio &#8211; se dizem &#8220;resolutamente comprometidos em salvaguardar a integridade da zona do euro e adotar todas as a\u00e7\u00f5es requeridas para alcan\u00e7ar esse resultado&#8221;.<\/p>\n<p>O texto diz que &#8220;a zona do euro est\u00e1 comprometida a prosseguir com a\u00e7\u00f5es adicionais para refor\u00e7ar sua estrat\u00e9gia de cinco pontos para resolver a crise da d\u00edvida soberana e banc\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia europeia inclui &#8220;assegurar a disponibilidade e m\u00e1xima efic\u00e1cia&#8221; do &#8220;firewall&#8221; (barreira de prote\u00e7\u00e3o) europeu para conter o risco de cont\u00e1gio, &#8220;usando todos os meios para quebrar os problemas de v\u00ednculo entre o setor banc\u00e1rio e as finan\u00e7as p\u00fablicas&#8221;. O mecanismo europeu \u00e9 atualmente de \u20ac 500 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a ideia \u00e9 agir fortemente para completar a recapitaliza\u00e7\u00e3o dos bancos at\u00e9 o fim do m\u00eas &#8220;usando todas as fontes dispon\u00edveis de financiamento, incluindo fundos p\u00fablicos, se necess\u00e1rio&#8221;. O prazo dado pela autoridade banc\u00e1ria europeia \u00e9 para que os bancos reforcem suas reservas de capital m\u00ednimo para pelo menos 9% dos ativos ponderados pelo risco.<\/p>\n<p>Os europeus prometem tamb\u00e9m assegurar a &#8220;coer\u00eancia e integridade do sistema de seguro dos dep\u00f3sitos na zona do euro&#8221;, sem entrar em detalhes.<\/p>\n<p>Sob press\u00e3o, os europeus dever\u00e3o fazer mais depois da c\u00fapula do G-20. Para a c\u00fapula europeia do dia 28, a Fran\u00e7a sinaliza que planeja propor que o Banco Central Europeu se encarregue da supervis\u00e3o banc\u00e1ria e use o Mecanismo de Estabilidade Europeu para recapitalizar os bancos diretamente, o que \u00e9 ainda rejeitado pela Alemanha.<\/p>\n<p>No documento do G-20, os europeus repetem que v\u00e3o refor\u00e7ar crescimento e governan\u00e7a econ\u00f4mica com uma s\u00e9rie de medidas, incluindo ajustar o d\u00e9ficit e o super\u00e1vit de pa\u00edses da zona do euro, complementar o mercado comum, aumentar a capacidade do Banco Europeu de Investimentos (BEI), desenvolver &#8220;project bonds&#8221; para investimentos em infraestrutura e promover melhor uso de fundos estruturais e do or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia. De maneira geral, o compromisso do G-20 \u00e9 o de assegurar um &#8220;ritmo apropriado&#8221; de consolida\u00e7\u00e3o fiscal nas economias desenvolvidas para n\u00e3o sufocar uma recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os EUA aceitar\u00e3o, pelo menos no papel, &#8220;calibrar&#8221; o ritmo de sua consolida\u00e7\u00e3o fiscal no curto prazo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da demanda. E a &#8220;evitar uma forte contra\u00e7\u00e3o&#8221; em 2013, por meio do fim de benef\u00edcios fiscais e cortes autom\u00e1ticos de despesas.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do G-20 v\u00e3o concordar que pa\u00edses com &#8220;flexibilidade&#8221; em seus planos de ajuste fiscal, como Alemanha, EUA, Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e China, &#8220;considerem a\u00e7\u00f5es fiscais adicionais se as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas se deteriorarem bruscamente&#8221;. Ao mesmo tempo em que asseguram estabilidade de pre\u00e7os, as economias desenvolvidas acenam com maior flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, incluindo &#8220;medidas n\u00e3o convencionais&#8221;, para apoiar a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica &#8220;onde for necess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Embora o plano de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o especifique quais &#8220;medidas n\u00e3o convencionais&#8221; poderiam ser adotadas, o principal nos \u00faltimos anos tem sido o afrouxamento quantitativo, ou compra de ativos financeiros para aumentar liquidez e estimular crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses desenvolvidos prometem ser &#8220;vigilantes&#8221; para as consequ\u00eancias de suas pol\u00edticas dom\u00e9sticas, incluindo o potencial impacto no fluxo de capital para economias emergentes. &#8220;Reiteramos que excessiva volatilidade e movimentos desordenados nas taxas de c\u00e2mbio t\u00eam implica\u00e7\u00f5es adversas para a estabilidade financeira e econ\u00f4mica&#8221;, diz o documento. &#8220;Estamos alertas para os riscos associados com a recente alta na volatilidade e comprometidos em reduzir esses riscos&#8221;.<\/p>\n<p>Quanto aos emergentes, se dizem prontos a ajustar suas pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, como as taxas de juros, se press\u00f5es inflacion\u00e1rias aumentarem, ao mesmo tempo evitando uma forte desacelera\u00e7\u00e3o no crescimento. O documento menciona especificamente Brasil, \u00cdndia e Turquia.<\/p>\n<p>Por sua vez, a China promete reequilibrar a demanda dom\u00e9stica, acelerando a liberaliza\u00e7\u00e3o da taxa de juro, por exemplo. Sobre taxas de c\u00e2mbio, os l\u00edderes v\u00e3o de novo conclamar por r\u00e1pido movimento em dire\u00e7\u00e3o &#8220;de taxas mais determinadas pelo mercado e abster-se de desvaloriza\u00e7\u00e3o competitiva das moedas&#8221;.<\/p>\n<p>Outro risco que exige &#8220;vigil\u00e2ncia&#8221; \u00e9 a alta do petr\u00f3leo. O G-20 registra a promessa da Ar\u00e1bia Saudita de mobilizar mais de 2,5 milh\u00f5es de barris por dia de capacidade ociosa. O plano lista tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de \u00e1reas priorit\u00e1rias que o G-20 considera importante para sustentar a recupera\u00e7\u00e3o e reequilibrar a demanda global. Retoma no geral compromissos assumidos no ano passado na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, por exemplo, reduzir o peso tribut\u00e1rio sobre o trabalho e promover investimentos na infraestrutura para acabar com gargalos que afetam a competitividade da economia.<\/p>\n<p>Um levantamento discutido no G-20, conforme fontes, estimou que os pa\u00edses implementaram dois ter\u00e7os dos compromissos de reformas estruturais e 40% dos compromissos totais assumidos em outras c\u00fapulas. Agora, para facilitar o acompanhamento dos compromissos nas \u00e1reas fiscal, monet\u00e1ria e cambial, os l\u00edderes v\u00e3o mandar os ministros de finan\u00e7as e presidentes de bancos centrais concordarem, na pr\u00f3xima reuni\u00e3o neste ano, em estabelecer medidas para avaliar, por exemplo, d\u00e9ficit e d\u00edvida governamentais relativos ao PIB, e taxas de c\u00e2mbio real e nominal.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ibre revisa alta do PIB de 3% para 1,8%<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Silvia Matos, do Ibre: &#8220;O investimento est\u00e1 negativo h\u00e1 tr\u00eas trimestres, \u00e9 o consumo que sustenta algum crescimento&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do resultado das contas nacionais no primeiro trimestre deste ano, a equipe de conjuntura do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (Ibre\/FGV) revisou sua previs\u00e3o de crescimento do PIB para 2012, de 3% para 1,8%. &#8220;O resultado ruim da ind\u00fastria j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 novidade. O que mudou no cen\u00e1rio econ\u00f4mico brasileiro \u00e9 que o setor de servi\u00e7os d\u00e1 sinais de perda de f\u00f4lego e o quadro de investimentos se agravou. Os investimentos est\u00e3o muito fracos&#8221;, afirma Silvia Matos, do Ibre. No primeiro trimestre, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo no pa\u00eds recuou 1,8% em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo trimestre de 2011.<\/p>\n<p>Segundo o Ibre, que aposta em um crescimento de 0,7% do PIB no segundo trimestre sobre o primeiro, a expectativa de avan\u00e7o de 1,8% no ano carrega certo otimismo, porque, para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio crescer, em m\u00e9dia, 1,3% nos \u00faltimos dois trimestres. A economista da FGV aposta que as medidas de est\u00edmulo \u00e0 atividade promovidas pelo governo em v\u00e1rios setores produtivos e de concess\u00e3o de cr\u00e9dito neste ano tenham impacto mais vis\u00edvel no segundo semestre.<\/p>\n<p>&#8220;Acredit\u00e1vamos que a ind\u00fastria ia deslanchar no in\u00edcio do ano e que seriam maiores os efeitos da pol\u00edtica monet\u00e1ria assumida pelo governo, o que resultaria num crescimento mais acelerado.&#8221; Nos primeiros quatro meses do ano, segundo o IBGE, a produ\u00e7\u00e3o industrial recuou 2,8% na compara\u00e7\u00e3o com igual intervalo de 2011.<\/p>\n<p>A economista da FGV diz que crescer pouco n\u00e3o \u00e9 o maior problema para o Brasil. O principal, diz, \u00e9 o descasamento entre o consumo das fam\u00edlias e do governo frente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do investimento. &#8220;O investimento est\u00e1 negativo h\u00e1 tr\u00eas trimestres e \u00e9 o consumo que continua sustentando algum crescimento. \u00c9 complicada essa armadilha&#8221;, afirma. A previs\u00e3o do Ibre \u00e9 que a taxa de investimentos cres\u00e7a 0,4% em 2012.<\/p>\n<p>O setor de servi\u00e7os \u00e9 o segundo grande fator que levou o Ibre a rever sua previs\u00e3o para o PIB, segundo Silvia. O \u00edndice de confian\u00e7a apurado pelo instituto, que tinha recuado 4,8% na compara\u00e7\u00e3o entre abril deste ano e abril de 2011, acentuou essa queda para uma varia\u00e7\u00e3o negativa de 5,9% entre os meses de maio de 2012 e do ano passado. &#8220;O setor que mais emprega no pa\u00eds come\u00e7a a ficar menos otimista. Se a economia n\u00e3o reagir, teremos um impacto sobre o emprego do setor e, esse fator, somado \u00e0 alavancagem das fam\u00edlias, que est\u00e3o mais inadimplentes, pode se tornar um problema maior&#8221;, explica Silvia. &#8220;Temos um alerta.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da economista da FGV, o est\u00edmulo aos investimentos deve ser prioridade da pol\u00edtica econ\u00f4mica e deve alcan\u00e7ar o setor privada. &#8220;O governo federal precisa criar um ambiente favor\u00e1vel aos investimentos. N\u00e3o basta liberar mais recursos atrav\u00e9s do BNDES. Os Estados e munic\u00edpios t\u00eam conseguido uma performance melhor utilizando parcerias p\u00fablico-privadas. Essa pode ser uma sa\u00edda, inclusive atrav\u00e9s de um programa mais r\u00e1pido de concess\u00f5es&#8221;, diz.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Patriota v\u00ea risco de barreiras comerciais<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Diante de uma plateia de empres\u00e1rios na Rio+20, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, afirmou que \u00e9 preciso estar atento para n\u00e3o transformar objetivos futuros de desenvolvimento sustent\u00e1vel em barreiras comerciais. A afirma\u00e7\u00e3o foi feita em resposta \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o externada pelo presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), Robson Andrade, de que seja criado um &#8220;protecionismo verde&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de advertir sobre esses riscos. Mas h\u00e1 um sentimento disseminado, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, de que estamos numa agenda positiva e n\u00e3o podemos criar condicionalidades, empecilhos e obst\u00e1culos&#8221;, disse. O ministro destacou que a agenda na Rio+20 \u00e9 de objetivos que congreguem e, sobretudo, deem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades de pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>O setor privado brasileiro participou ativamente das discuss\u00f5es para o documento entregue ao secretariado da ONU para a discuss\u00e3o dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS ) na Rio+20.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades nas negocia\u00e7\u00f5es e da crise internacional, Patriota diz que a Rio+20 j\u00e1 pode ser considerada hist\u00f3rica, n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero de representantes governamentais e delegados, mas pelo modelo de inclus\u00e3o, com os di\u00e1logos e eventos paralelos da sociedade civil.<\/p>\n<p>A CNI entregou ao governo um documento que relata iniciativas de 16 setores, que representam 90% do PIB industrial, para reduzir o impacto de suas atividades no meio ambiente. Pelo texto, as iniciativas nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas resultaram em &#8220;f\u00e1bricas menos poluentes e mais eficientes no consumo energ\u00e9tico, que encontraram solu\u00e7\u00f5es para o uso da biodiversidade&#8221;.<\/p>\n<p>No evento, que reuniu centenas de empres\u00e1rios, o presidente da CNI ressaltou que o governo do Pa\u00eds, e n\u00e3o a ind\u00fastria brasileira, deve ser responsabilizado pela polui\u00e7\u00e3o no Brasil. &#8220;Hoje quem polui \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o, a sociedade&#8221;, disse, afirmando que \u00e9 preciso cobrar investimentos p\u00fablicos em saneamento, mobilidade urbana e infraestrutura.<\/p>\n<p>Questionado se a ind\u00fastria brasileira \u00e9 poluidora, ele afirmou que as empresas v\u00eam trabalhando para reduzir os impactos ambientais de suas opera\u00e7\u00f5es para atender uma legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida que &#8220;fecha f\u00e1bricas&#8221; e tamb\u00e9m ao consumidor, que hoje prefere produtos sustent\u00e1veis. &#8220;N\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de responsabilidade social, mas de sobreviv\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Transi\u00e7\u00e3o. A ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu que a proposta de cria\u00e7\u00e3o de um fundo global para financiar a transi\u00e7\u00e3o para uma economia verde seja analisada com olhos voltados para o m\u00e9dio e longo prazos. &#8220;A Rio+20 acontece no curto prazo, mas tem mandato para buscar solu\u00e7\u00f5es permanentes e concretas de m\u00e9dio e longo prazos&#8221;, disse a ministra.<\/p>\n<p>No evento, o economista e professor de Harvard Dani Rodrik comentou que as dificuldades or\u00e7ament\u00e1rias dos pa\u00edses da Europa impedir\u00e3o que a ideia de cria\u00e7\u00e3o do fundo avance na confer\u00eancia. A proposta do G-77, bloco que re\u00fane na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento mais a China, \u00e9 de cria\u00e7\u00e3o de um fundo internacional de US$ 30 bilh\u00f5es para financiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel. &#8220;Acho que \u00e9 uma ideia muito boa, mas, na pr\u00e1tica, tornou-se mais remota em raz\u00e3o da crise fiscal dos pa\u00edses avan\u00e7ados.&#8221;<\/p>\n<p>Cr\u00edtico assumido de pol\u00edticas de coopera\u00e7\u00e3o internacional, ele lamentou a poss\u00edvel frustra\u00e7\u00e3o do fundo por acreditar que o mecanismo \u00e9 interessante no caso do financiamento de tecnologias verdes e moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica de antigas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Questionada se os pa\u00edses desenvolvidos estariam irredut\u00edveis em ceder em algumas das negocia\u00e7\u00f5es em andamento na Rio+20, a ministra negou. &#8220;Cedem. Voc\u00ea j\u00e1 participou de alguma discuss\u00e3o internacional? Parece que n\u00e3o&#8221;, disse ela.<\/p>\n<p>A norueguesa Gro Brundtland, criadora do conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel, alertou que na negocia\u00e7\u00e3o em Copenhague, h\u00e1 tr\u00eas anos, proposta semelhante n\u00e3o progrediu por causa da crise iniciada com a quebra do Lehman Brothers. Apesar disso, Gro est\u00e1 otimista. &#8220;Creio que v\u00e1 progredir. Talvez n\u00e3o tanto quanto imaginamos, mas conseguiremos algo razo\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pedidos da ind\u00fastria sobem 37% no BNDES<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Impulsionados por projetos de petr\u00f3leo e g\u00e1s, os investimentos na ind\u00fastria sinalizaram movimento de retomada em abril, nas palavras do superintendente da \u00e1rea de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) Claudio Leal. Isso, segundo ele, \u00e9 percept\u00edvel no mais recente desempenho do banco, divulgado ontem.<\/p>\n<p>Apesar do resultado p\u00edfio dos desembolsos, que subiram apenas 1% no primeiro quadrimestre ante igual per\u00edodo em 2011, para R$ 34,2 bilh\u00f5es, a entrada de consultas no banco opera em ritmo forte. Primeiro passo do empresariado para pedido de empr\u00e9stimo junto ao banco e usadas como &#8220;term\u00f4metro&#8221; para medir o apetite das empresas por novos investimentos, as cartas consultas atingiram R$ 73,8 bilh\u00f5es de janeiro a abril deste ano. O volume \u00e9 37% superior aos pedidos do primeiro quadrimestre de 2011. Somente as consultas da ind\u00fastria cresceram 71% na mesma compara\u00e7\u00e3o, o maior n\u00edvel de eleva\u00e7\u00e3o entre os quatro setores investigados pelo BNDES.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do superintendente, o pacote de est\u00edmulos \u00e0 ind\u00fastria lan\u00e7ado pelo governo durante a divulga\u00e7\u00e3o do programa Brasil Maior, em abril, e a amplia\u00e7\u00e3o de prazos do Programa BNDES de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (BNDES PSI) levaram a um novo \u00edmpeto de investimentos na ind\u00fastria. &#8220;Observamos uma tend\u00eancia de revers\u00e3o [na estagna\u00e7\u00e3o de investimentos]&#8221;, afirmou. Por\u00e9m, a retomada n\u00e3o \u00e9 uniforme em toda a cadeia industrial, admitiu o superintendente, sendo mais concentrada nos fornecedores do setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>A fraca atividade industrial observada nos \u00faltimos meses \u00e9 percept\u00edvel tamb\u00e9m nos n\u00fameros do BNDES, que atestaram queda de 46% nos desembolsos para a ind\u00fastria em 12 meses at\u00e9 abril. &#8220;A ind\u00fastria tem passado por dificuldades, e o n\u00edvel de atividade tem sinalizado estagna\u00e7\u00e3o, nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)&#8221;, lembrou o superintendente. Entre os problemas que levaram \u00e0 ind\u00fastria ao quadro atual, citados por Leal, est\u00e3o forte concorr\u00eancia com importados, e tributa\u00e7\u00e3o elevada.<\/p>\n<p>Com desembolsos de R$ 9,4 bilh\u00f5es, a ind\u00fastria respondeu por 28% dos desembolsos totais do BNDES no primeiro quadrimestre do ano, abaixo da fatia de infraestrutura, respons\u00e1vel por 39% das libera\u00e7\u00f5es, com desembolsos de R$ 13,4 bilh\u00f5es. Em infraestrutura, o BNDES projeta libera\u00e7\u00f5es de R$ 60 bilh\u00f5es em 2012, levemente superior a 2011 (R$ 56 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>A perspectiva favor\u00e1vel por novos empr\u00e9stimos junto ao banco tamb\u00e9m p\u00f4de ser observado no resultado mensal de abril. Somente no quarto m\u00eas do ano, as consultas subiram 36% contra abril do ano passado. Esse ritmo de eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 maior do que o n\u00edvel de crescimento de desembolsos, que subiram 10%, no mesmo per\u00edodo de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os projetos j\u00e1 contabilizados sinalizam que os desembolsos de 2012 devem ficar em torno de R$ 150 bilh\u00f5es, acima dos R$ 139 bilh\u00f5es de 2011.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Resistente \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o, setor de servi\u00e7os perde f\u00f4lego<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os meses de estagna\u00e7\u00e3o da atividade parecem n\u00e3o ter deixado ileso o setor de servi\u00e7os, que vinha se mostrando mais resistente \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o da economia. Duas pesquisas recentes mostraram que tamb\u00e9m empres\u00e1rios do setor notam esfriamento da demanda e d\u00e3o sinais de que o cen\u00e1rio \u00e0 frente deixou de parecer t\u00e3o promissor quanto h\u00e1 alguns meses.<\/p>\n<p>O \u00cdndice Gerente de Compras (PMI, na sigla em ingl\u00eas), calculado pelo HSBC, recuou 8,6% entre abril e maio, feitos ajustes sazonais, para 49,7 pontos, menor n\u00edvel desde julho de 2009. Abaixo dos 50 pontos, o PMI indica contra\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n<p>No caso da Sondagem de Servi\u00e7os, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o \u00cdndice de Confian\u00e7a recuou 5,9% em maio, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado, o pior recuo nessa compara\u00e7\u00e3o desde agosto de 2009. A s\u00e9rie hist\u00f3rica s\u00f3 passar\u00e1 a ser publicada com ajuste sazonal em junho. A queda mais forte foi resultado, em boa parte, da forte retra\u00e7\u00e3o das expectativas. &#8220;A sequ\u00eancia de decep\u00e7\u00f5es sobre o presente chegou \u00e0s expectativas&#8221;, afirma Silvio Sales, economista do Ibre, da FGV.<\/p>\n<p>Tony Volpon, da Nomura Securities, avalia que a an\u00e1lise desses dados indica in\u00edcio da corre\u00e7\u00e3o de um desequil\u00edbrio setorial que marcou o desempenho da atividade dom\u00e9stica nos \u00faltimos anos, principalmente se avaliados em conjunto com a desacelera\u00e7\u00e3o das contrata\u00e7\u00f5es do setor de servi\u00e7os e a modera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n<p>Para Volpon, uma das explica\u00e7\u00f5es para o desemprego ter continuado a cair, apesar da forte desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico desde o fim de 2010, \u00e9 a expressiva pujan\u00e7a do setor de servi\u00e7os nos \u00faltimos anos, com crescimento relativo bem superior ao do restante da economia.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da ind\u00fastria &#8211; setor mais aberto \u00e0 competi\u00e7\u00e3o externa e, por isso, com r\u00e1pida resposta da oferta a press\u00f5es da demanda, via importa\u00e7\u00f5es -, um aumento da disponibilidade de servi\u00e7os tem que ser constru\u00edda &#8220;do ch\u00e3o&#8221;, argumenta Volpon. Por ser um setor de m\u00e3o de obra intensiva, o \u00edmpeto de contrata\u00e7\u00f5es foi forte.<\/p>\n<p>No auge da s\u00e9rie dessazonalizada pela Nomura, o &#8220;excesso&#8221; de vagas geradas no setor &#8211; em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento que deveria ser observado, caso fosse mantida a mesma tend\u00eancia para o mercado de trabalho como um todo &#8211; foi de 18,6 mil vagas, em novembro de 2011. Em abril, \u00faltimo dado dispon\u00edvel, a diferen\u00e7a tinha diminu\u00eddo para 12.000 postos formais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).<\/p>\n<p>Em um setor que n\u00e3o enfrenta concorr\u00eancia externa, forte abertura de vagas e crescimento da demanda elevaram a press\u00e3o sobre os sal\u00e1rios, que foram, por sua vez, repassados aos clientes. Por isso, a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os tem sido constantemente mais alta do que o \u00edndice geral. Com pre\u00e7os relativos mais altos, a rentabilidade do setor aumentou e atraiu empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, no entanto, os pre\u00e7os dos servi\u00e7os est\u00e3o perdendo f\u00f4lego. &#8220;Come\u00e7a a aparecer um encontro entre demanda e oferta no segmento. A infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os era o sinal de pre\u00e7os necess\u00e1rio para realocar recursos &#8211; capital e trabalho &#8211; para esse setor, em que a demanda existia. As consequ\u00eancias s\u00e3o muito importantes, porque permitem desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o do setor e queda relativa das contrata\u00e7\u00f5es, o que deve aliviar as condi\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho&#8221;, afirmou Volpon.<\/p>\n<p>O peso crescente da folha de pagamento, reclama\u00e7\u00e3o de longa data da ind\u00fastria, passou para a lista de preocupa\u00e7\u00f5es dos empres\u00e1rios do ramo. O PMI, do HSBC, mostrou que um dos pontos que est\u00e1 desfavorecendo o setor de servi\u00e7os \u00e9 o aumento dos pre\u00e7os dos insumos, especialmente a eleva\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis e das folhas de pagamento.<\/p>\n<p>Sales, do Ibre, sugere que o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que contribuiu para aumentar a renda nos primeiros meses deste ano e segurar a demanda, tamb\u00e9m \u00e9 um custo importante para o segmento, principalmente aqueles direcionados \u00e0s fam\u00edlias, como hospedagem, alimenta\u00e7\u00e3o fora de casa e servi\u00e7os pessoais.<\/p>\n<p>Como s\u00e3o empreendimentos de pequeno e m\u00e9dio porte, a folha salarial tende a pesar mais na composi\u00e7\u00e3o dos gastos. A valoriza\u00e7\u00e3o do piso, avalia Sales, pode estar por tr\u00e1s da forte queda da percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual dos neg\u00f3cios desse segmento. Sempre na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior, o \u00edndice recuou 13,1% em mar\u00e7o e 13,5% em abril. Em maio, a queda foi novamente intensa (13,2%), o que prejudicou tamb\u00e9m as expectativas do segmento. Ap\u00f3s queda de 0,4% em abril, o indicador recuou 8,6% em maio, sempre na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>Para Sales, \u00e9 poss\u00edvel que os pre\u00e7os relativos ainda altos observados no setor de servi\u00e7os e um relativo esfriamento da demanda estejam se refletindo na percep\u00e7\u00e3o menos otimista dos empres\u00e1rios. Em todos os segmentos pesquisados pela FGV, aumentou o n\u00famero de entrevistados que consideraram a demanda insuficiente em maio, sempre na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>Para Andr\u00e9 Loes, economista-chefe do HSBC, ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios mais indicadores para tornar poss\u00edvel a afirma\u00e7\u00e3o que esse indicador retrata uma nova tend\u00eancia, &#8220;mas \u00e9 o primeiro sinal de que a fraqueza do setor industrial se espalhou tamb\u00e9m para o setor de servi\u00e7os&#8221;, disse em nota.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Francisco de Lima Gon\u00e7alves, economista-chefe do Banco Fator, sugere que n\u00e3o s\u00f3 o p\u00edfio comportamento da ind\u00fastria afeta as perspectivas, mas tamb\u00e9m o recente movimento de queda mais forte dos investimentos e das exporta\u00e7\u00f5es l\u00edquidas. No entanto, embora os dados recentes apontem para desaquecimento do setor, &#8220;a resist\u00eancia do consumo, ao menos no PIB, alivia um pouco esta considera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Volpon, no entanto, diz que esse pode ser o in\u00edcio de revers\u00e3o de um processo de desequil\u00edbrio setorial. &#8220;Em fun\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio menos apreciado, que parece ser algo mais permanente, esse pode ser um ambiente mais prop\u00edcio para que a ind\u00fastria saia do atoleiro&#8221;. A desacelera\u00e7\u00e3o do setor de servi\u00e7os, que responde por mais de 60% do PIB, afirma Volpon, deve consolidar a proje\u00e7\u00e3o de crescimento de 1,9% em 2012, al\u00e9m de reduzir tamb\u00e9m o potencial de crescimento brasileiro.<\/p>\n<p>Sem o real valorizado, que contribuiu para baratear bens industriais, e com um mercado de trabalho em acomoda\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de um setor de servi\u00e7os menos propenso a contratar, o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o tende a diminuir, observa Volpon. Para a ind\u00fastria, o cen\u00e1rio foi inverso. A crise mundial estancou a demanda em mercado importantes e oferta excedente foi deslocada para o Brasil. Com o c\u00e2mbio apreciado e forte valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, a ind\u00fastria precisou concorrer com o setor de servi\u00e7os por m\u00e3o de obra.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Custo da d\u00edvida espanhola \u00e9 recorde<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O custo dos empr\u00e9stimos da Espanha subiu e voltou a atingir n\u00edvel recorde ontem, ap\u00f3s uma ag\u00eancia avaliadora de risco ter rebaixado as d\u00edvidas do pa\u00eds, em meio aos crescentes temores de que o pacote de resgate aos bancos dom\u00e9sticos possa n\u00e3o ser suficiente para evitar um caos econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>As taxas (ou rendimentos) dos b\u00f4nus referenciais de dez anos da Espanha alcan\u00e7aram ontem n\u00edvel recorde, batendo em 7% &#8211; maior patamar desde a ado\u00e7\u00e3o do euro pelo pa\u00eds e que muitos analistas consideram insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia de rating Moody&#8221;s rebaixou a classifica\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos de d\u00edvidas soberanos da Espanha em tr\u00eas notas, de &#8220;A3&#8221; para &#8220;Baa3&#8221;, na quarta-feira \u00e0 noite. A Moody&#8221;s atribuiu a decis\u00e3o \u00e0 oferta de at\u00e9 \u20ac 100 bilh\u00f5es pelos l\u00edderes da regi\u00e3o do euro para a Espanha fortalecer seu fragilizado setor banc\u00e1rio, que acabar\u00e1 aumentando consideravelmente os encargos do pa\u00eds com d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia do rebaixamento, menos investidores v\u00e3o comprar t\u00edtulos espanh\u00f3is, porque determinadas institui\u00e7\u00f5es, como os fundos de pens\u00e3o, s\u00e3o obrigadas a evitar ativos com classifica\u00e7\u00f5es t\u00e3o baixas. A Espanha n\u00e3o vai colapsar de imediato por causa do n\u00edvel das taxas, mas atingir esse patamar traria dificuldades para o leil\u00e3o de t\u00edtulos marcado para ter\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;O rel\u00f3gio est\u00e1 correndo&#8221;, disse o analista Michael Hewson, da CMC Markets. O resgate dos bancos tem como prop\u00f3sito recapitalizar o sistema banc\u00e1rio espanhol e suavizar a crise das d\u00edvidas europeias. Em vez disso, os investidores parecem ter ficado preocupados com o fato de o governo estar assumindo d\u00edvidas extras, o que pressionou o rendimento dos b\u00f4nus espanh\u00f3is para cima &#8211; sinal do nervosismo do mercado &#8211; durante toda a semana.<\/p>\n<p>O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, disse que o pa\u00eds tem &#8220;um mapa de estradas&#8221; para resolver a crise e pediu tranquilidade. J\u00e1 o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Jos\u00e9 Manuel Garc\u00eda-Margallo, comparou a uni\u00e3o monet\u00e1ria a estar em um navio. &#8220;Se o Titanic afundar, leva todos juntos, mesmo os que est\u00e3o na primeira classe&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A Moody&#8221;s destacou que a capacidade de o governo espanhol para levantar dinheiro nos mercados internacionais est\u00e1 sendo limitada pelos altos juros, uma situa\u00e7\u00e3o que o levou a aceitar os recursos da regi\u00e3o do euro para resgatar seus endividados bancos.<\/p>\n<p>Alguns detalhes sobre como ser\u00e1 o pacote de socorro come\u00e7aram a emergir ontem. As autoridades europeias estudam liquida\u00e7\u00f5es &#8211; venda dos ativos de um banco &#8211; como parte do plano para fortalecer o setor banc\u00e1rio espanhol, segundo um porta-voz do comiss\u00e1rio de concorr\u00eancia da Uni\u00e3o Europeia (UE), Joaqu\u00edn Almunia.<\/p>\n<p>&#8220;A liquida\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 avaliada&#8221;, disse o porta-voz Antoine Colombani. &#8220;Preferimos liquidar quando isso \u00e9 mais barato para o contribuinte.&#8221; A alternativa foi recha\u00e7ada em comunicado do Fundo de Reestrutura\u00e7\u00e3o Ordenada Banc\u00e1ria (Frob), do governo espanhol.<\/p>\n<p>O fundo informou &#8220;n\u00e3o ter planos para iniciar procedimentos de insolv\u00eancia ou liquidar nenhuma institui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito sob sua administra\u00e7\u00e3o ou controle&#8221;.<\/p>\n<p>Como o acordo do fim de semana para salvar os bancos consiste em, primeiramente, emprestar o dinheiro para o governo da Espanha, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es de que os contribuintes acabar\u00e3o correndo o risco pelas m\u00e1s decis\u00f5es dos bancos. Os investidores temem que o acordo eleve os n\u00edveis de endividamento e d\u00e9ficit da Espanha.<\/p>\n<p>A Eurostat, ag\u00eancia de estat\u00edsticas da Uni\u00e3o Europeia, divulgou ontem que ainda \u00e9 incerto quando o d\u00e9ficit do pa\u00eds aumentar\u00e1, porque isso depende de como o governo emprestar\u00e1 o dinheiro aos bancos. Parte dessa decis\u00e3o depender\u00e1 dos juros que ser\u00e3o cobrados dos bancos. Se forem baixos demais, a opera\u00e7\u00e3o poderia ser considerada mais um &#8220;presente&#8221; do que um empr\u00e9stimo, o que pesaria contra o d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Colombani disse que de acordo com um dos planos em considera\u00e7\u00e3o, os juros m\u00ednimos seriam de 8,5%. A Eurostat n\u00e3o respondeu de imediato se tal taxa seria um patamar alto o suficiente para evitar que os empr\u00e9stimos agravassem o d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>Um grupo de investidores iniciou procedimentos legais na Corte Nacional da Espanha para investigar se ex-diretores do Bankia agiram ilegalmente ao vender a\u00e7\u00f5es pouco tempo depois de a institui\u00e7\u00e3o pedir aux\u00edlio financeiro de \u20ac 19 bilh\u00f5es. O advogado Juan Moreno Yag\u00fce afirmou que abriu procedimentos em nome dos investidores para que um juiz investigue se os diretores &#8220;apresentaram contas falsas para assegurar que acionistas investissem em uma empresa que eles sabiam estar, na verdade, quebrada&#8221;.<\/p>\n<p>A resposta err\u00e1tica do governo espanhol \u00e0 crise irritou os l\u00edderes da UE, segundo o principal jornal espanhol, &#8220;El Pa\u00eds&#8221;. O peri\u00f3dico informou que o primeiro-ministro Mariano Rajoy est\u00e1 sob fortes cr\u00edticas em c\u00edrculos da UE por ter apresentado o pacote como uma medida &#8220;leve&#8221; e uma vit\u00f3ria para a Espanha e o euro. A atitude provocou reclama\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses, como Portugal e Irlanda &#8211; que receberam pacotes austeros e tiveram de lidar com pesados controles fiscais impostos externamente -, para que recebessem tratamento similar.<\/p>\n<p>Em discurso ao Parlamento alem\u00e3o, em Berlim, ontem, a primeira-ministra do pa\u00eds, Angela Merkel, insistiu: &#8220;A Espanha est\u00e1 adotando as reformas adequadas. O primeiro-ministro espanhol est\u00e1 fazendo isso com grande coragem e grande determina\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou. Merkel voltou a elogiar a decis\u00e3o da Espanha de solicitar fundos europeus para recapitalizar seus bancos. &#8220;Quanto mais r\u00e1pido a Espanha fizer a solicita\u00e7\u00e3o, melhor&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3013\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3013","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-MB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3013","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3013\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}