{"id":30160,"date":"2023-03-20T19:03:58","date_gmt":"2023-03-20T22:03:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30160"},"modified":"2023-03-20T19:03:58","modified_gmt":"2023-03-20T22:03:58","slug":"nota-politica-do-pcb-de-santa-maria-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30160","title":{"rendered":"Nota Pol\u00edtica do PCB de Santa Maria &#8211; RS"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30161\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30160\/image-6\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?fit=1080%2C1080&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,1080\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (6)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30161\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/image-6.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>A CONSTRU\u00c7\u00c3O DA CIDADE CULTURA E A FESTA DA CALOURADA DE 2023\/1<\/strong><\/p>\n<p>Nas postagens de diversos \u00f3rg\u00e3os de imprensa referentes \u00e0 Calourada de 2023\/1, promovida pela Prefeitura Municipal de Santa Maria em di\u00e1logo com o DCE-UFSM e outros setores, chovem coment\u00e1rios reacion\u00e1rios adjetivando as juventudes de toda sorte de grosserias. S\u00e3o \u201cvagabundos\u201d, \u201cbaderneiros\u201d, \u201csem vergonhas\u201d aqueles que reivindicam acesso \u00e0 cultura e ao lazer na cidade que, historicamente, \u00e9 reconhecida como Cidade Cultura. De outra m\u00e3o, os coment\u00e1rios demandam investimento p\u00fablico em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e tantos outros direitos, sem entretanto reconhecer a cultura como parte necess\u00e1ria destas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 80 anos, o Brasil determinava a jornada de 8h de trabalho di\u00e1rias, limitando-a a 44h semanais. Em 2023, aplicada a Contrarreforma Trabalhista, trabalha-se muito mais, sem considerar as horas gastas em transporte, em trabalho dom\u00e9stico executado sobretudo pelas mulheres, ou ent\u00e3o em estudo e qualifica\u00e7\u00e3o &#8211; do qual frequentemente abrimos m\u00e3o ao constatarmos a impossibilidade de dedicar 10 ou 12 horas di\u00e1rias ao trabalho, em geral informal e precarizado, dar conta de um descanso m\u00ednimo e da reprodu\u00e7\u00e3o cotidiana da vida. Neste contexto, a reivindica\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o salarial apresentada pelas e pelos comunistas durante as elei\u00e7\u00f5es de 2022, atrav\u00e9s da campanha da camarada Sofia Manzano, n\u00e3o foi arbitr\u00e1ria. Quem, na Cidade Cultura, desfruta de descanso, lazer, desporto, arte e cultura?<\/p>\n<p>Longe de tantos estere\u00f3tipos, os grupos que ocupam as ruas e pra\u00e7as do centro de Santa Maria \u00e0 noite s\u00e3o compostos por jovens trabalhadores, frequentemente submetidos a rotinas exaustivas de concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e estudo. Cosmopolita, Santa Maria recebe estes jovens de in\u00fameras regi\u00f5es do estado, do pa\u00eds e do continente, sem dar vaz\u00e3o, de forma acess\u00edvel e popular, \u00e0 confraterniza\u00e7\u00e3o desta diversidade que tanto enriquece nosso munic\u00edpio. Os grandes empres\u00e1rios de Santa Maria absorvem estas juventudes em suas lojas e com\u00e9rcios. N\u00e3o porque se interessam em gerar empregos e fortalecer a economia local do ponto de vista daqueles que, contando trocados, a consomem, mas porque, com as contrarreformas neoliberais que ajudaram a implementar, podem explorar ainda mais sua for\u00e7a de trabalho, inclusive recusando-se a formalizar as rela\u00e7\u00f5es empregat\u00edcias e assegurar direitos trabalhistas m\u00ednimos. N\u00e3o \u00e9 do interesse destes setores que suas empregadas e empregados se preocupem com o acesso \u00e0 arte, com o consumo de produ\u00e7\u00f5es culturais que tenham como objetivo simplesmente o descanso: querem nosso tempo e nossa energia voltada apenas para o seu enriquecimento.<\/p>\n<p>A Lei Complementar 9.397\/2022, de autoria do Vereador Get\u00falio de Vargas (Republicanos), versa sobre a proibi\u00e7\u00e3o do consumo de bebidas em vias p\u00fablicas entre as 00h e as 7h, e vem sendo idealizada desde o final do s\u00e9culo passado. Aprovada em outros locais, chegou a ser vetada por se tratar de iniciativa inconstitucional. Menos como Cidade Cultura, Santa Maria vem apresentando seu profundo conservadorismo expresso na criminaliza\u00e7\u00e3o e \u00f3dio \u00e0 juventude que se apresenta, na verdade, como setor estrat\u00e9gico para a economia local. Os defensores desta legisla\u00e7\u00e3o alegam que se trata, apenas, de respeito ao sossego p\u00fablico. Embora seja certo que, exaustas, as trabalhadoras e trabalhadores santamarienses merecem descansar, fato \u00e9 que o objetivo fundamental por tr\u00e1s da iniciativa n\u00e3o envolve nenhum respeito aos trabalhadores, mas se refere muito mais \u00e0 higieniza\u00e7\u00e3o do centro para a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e ao incentivo aos grandes empreendimentos que mercantilizam a cultura e o lazer acima da vida humana &#8211; cujo car\u00e1ter \u00e9 bem expresso pelos principais respons\u00e1veis pela trag\u00e9dia que vitima nosso munic\u00edpio h\u00e1 10 anos, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, respons\u00e1veis pelo inc\u00eandio da Boate Kiss. O combate ao lazer da juventude nos espa\u00e7os p\u00fablicos e o sossego \u00e0s casas noturnas fazem parte da l\u00f3gica privatista que sonda Santa Maria.<\/p>\n<p>O desrespeito \u00e0 nossa vida \u00e9 cristalinamente expresso na campanha realizada pelos comerciantes da cidade durante o per\u00edodo pand\u00eamico. A campanha \u201cEmpresas abertas salvam vidas\u201d, fortemente apoiada por vereadores do mesmo setor que hoje apoia a Lei contra o consumo de \u00e1lcool, n\u00e3o expressava a mesma preocupa\u00e7\u00e3o com a vida e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que hoje \u00e9 usada como fantoche para a defesa da proibi\u00e7\u00e3o do consumo de bebidas na cidade durante a madrugada. Um dos elementos apontados pelo autor do Projeto de Lei encontra pouco aporte na realidade material, j\u00e1 que o Vereador aponta que os jovens ocupando estes espa\u00e7os podem, a qualquer momento, \u201centrar em um carro e atropelar um grupo de pessoas\u201d. Ironicamente, a juventude que ocupa as ruas para o lazer em nossa cidade \u00e9 a juventude mais precarizada e que, raramente, tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um autom\u00f3vel, ficando ref\u00e9m de um prec\u00e1rio sistema de transporte p\u00fablico hegemonizado h\u00e1 meio s\u00e9culo pelas mesmas empresas. Um ponto n\u00e3o abordado pela comiss\u00e3o s\u00e3o as casas noturnas da cidade, estas sim frequentadas por donos de autom\u00f3veis que, frequentemente, saem embriagados pela cidade e reclamam junto \u00e0s autoridades o alto custo das multas decorrentes dos riscos que oferecem \u00e0 vida alheia.<\/p>\n<p>Na verdade, do ponto de vista do transporte p\u00fablico, a Calourada 2023\/1 avan\u00e7a no que se refere ao acesso ao evento, com linhas de \u00f4nibus gratuitas que acessam apenas as regi\u00f5es do centro e Camobi. Resta saber, por outro lado, se o acesso \u00e0 cultura ficar\u00e1 restrito a um eventual anual, ou se haver\u00e1 pol\u00edticas capitaneadas pela Prefeitura Municipal no que se refere \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do direito de acesso \u00e0 cidade, com redu\u00e7\u00e3o da tarifa, amplia\u00e7\u00e3o da frota, das linhas e dos hor\u00e1rios, bem como da infraestrutura de transporte coletivo de modo permanente. Embora incontestavelmente louv\u00e1vel iniciativa de ampliar o acesso a este servi\u00e7o, de nada basta que, da parte de um importante instrumento de articula\u00e7\u00e3o das lutas populares de Santa Maria como \u00e9 o caso do DCE-UFSM, esta movimenta\u00e7\u00e3o esteja restrita ao per\u00edodo que antecede a elei\u00e7\u00e3o da entidade. Sen\u00e3o, de que outras formas \u00e9 poss\u00edvel justificar tamanha energia dedicada ao evento, quando em 2022 esta mesma entidade n\u00e3o p\u00f4de articular sequer uma agita\u00e7\u00e3o digna contra o aumento da tarifa no ano em que se perspectivava, por parte dos setores populares, o processo de encampamento e municipaliza\u00e7\u00e3o deste servi\u00e7o t\u00e3o essencial \u00e0 classe trabalhadora santamariense?<\/p>\n<p>Mais ainda, considerando as propostas da gest\u00e3o no que se refere \u00e0 retomada do debate sobre o Passe Livre, que nunca ocorreram. Como direito essencial para acessar os demais servi\u00e7os, o acesso ao transporte deve ser pauta priorit\u00e1ria para aqueles que, eleitos para representar a classe trabalhadora, prop\u00f5em-se a defender seus interesses. Ao fim e ao cabo, s\u00e3o estas pol\u00edticas de restri\u00e7\u00e3o ao acesso \u00e0 cidade que fundamentam a nova configura\u00e7\u00e3o da festa da Calourada, divulgada em 2 de mar\u00e7o, idealizada atrav\u00e9s de lobby destes setores empresariais junto \u00e0 Prefeitura. Embora a mudan\u00e7a de local da Pra\u00e7a do Brahma para a Gare da Esta\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o hist\u00f3rico do munic\u00edpio, tenha causado grande pol\u00eamica, as contradi\u00e7\u00f5es mais expl\u00edcitas dizem respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de gentrifica\u00e7\u00e3o do centro e criminaliza\u00e7\u00e3o da juventude.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, se o sossego p\u00fablico \u00e9 a principal preocupa\u00e7\u00e3o, qual foi a resposta dada pela Associa\u00e7\u00e3o de Moradores Pr\u00f3ximos \u00e0 Ferrovia sobre a mudan\u00e7a de local? A Prefeitura de Santa Maria est\u00e1, finalmente, operacionalizando uma pol\u00edtica de garantia de moradia digna a estes trabalhadores? Parece-nos evidente que, quanto mais precarizado e explorado for o setor da classe trabalhadora, menos recebe aten\u00e7\u00e3o e investimento do Poder P\u00fablico. Em segundo lugar, preocupa a escolha do novo local como endosso ao projeto privatista que amea\u00e7a a Gare da Esta\u00e7\u00e3o, bem como ainda amea\u00e7a o Centro Desportivo Municipal (Farrez\u00e3o), h\u00e1 alguns anos. De outro modo, o centro concentra importantes investimentos imobili\u00e1rios de grande valia a empresas como a Construtora Jobim, recentemente envolvida em esc\u00e2ndalo relacionado \u00e0s infelizes, homof\u00f3bicas e sorof\u00f3bicas falas de seu diretor, Gustavo Jobim. O que acontecer\u00e1 com o local caso o parasitismo das empreiteiras tomar sua posse? A festa dos calouros se tornar\u00e1 um espa\u00e7o de acesso pago e privado? Qual \u00e9 a pol\u00edtica defendida pelas dire\u00e7\u00f5es do movimento estudantil para este espa\u00e7o?<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o da festa do Brahma na Pra\u00e7a Saturnino de Brito \u00e9 express\u00e3o de uma manifesta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e tradicional de ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos pela juventude santamariense. Enfrentando cada dia maiores restri\u00e7\u00f5es ao acesso popular \u00e0 cultura, as e os jovens trabalhadores de Santa Maria desenvolveram seus pr\u00f3prios circuitos de juventude, conectando os fluxos entre os poucos espa\u00e7os dispon\u00edveis para a confraterniza\u00e7\u00e3o e lazer. Alterados com frequ\u00eancia por interven\u00e7\u00e3o direta da Prefeitura, hoje espa\u00e7os tradicionais de ocupa\u00e7\u00e3o cultural recebem deliberada restri\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, policiamento intensivo para apreens\u00e3o de bebidas ou drogas il\u00edcitas, mas pouca aten\u00e7\u00e3o quando se trata de crimes de \u00f3dio ou viol\u00eancia expl\u00edcita. A falta de ilumina\u00e7\u00e3o nas Pra\u00e7as do Brahma e dos Bombeiros, espa\u00e7os t\u00edpicos de reuni\u00e3o das juventudes, n\u00e3o nos parece combinar com a pol\u00edtica de fortalecimento da seguran\u00e7a p\u00fablica, cujas abordagens policiais e o aumento da repress\u00e3o se direcionam, em especial e violentamente, \u00e0 juventude negra e perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Esta chamada \u201ccultura de front\u201d, no qual se ocupam ruas e imedia\u00e7\u00f5es de bares e boates, foi resposta \u00e0 necessidade de viabilizar o que Santa Maria tanto pena a compreender como direito b\u00e1sico: o acesso \u00e0 cidade e \u00e0 cultura. O respeito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o destas juventudes n\u00e3o deve moralizar a mudan\u00e7a de local da Calourada j\u00e1 que, para as e os santamarienses, o espa\u00e7o aberto e o r\u00edgido cumprimento das legisla\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a s\u00e3o fundamentais para que a cultura seja experimentada com garantia do respeito \u00e0 vida. Complementarmente, a seguran\u00e7a n\u00e3o se refere apenas ao local de realiza\u00e7\u00e3o do evento ou \u00e0 garantia de policiamento, uma vez que, para aquelas e aqueles que t\u00eam em sua pele um alvo racial, a presen\u00e7a da Brigada Militar e das demais for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica representam mais risco de viol\u00eancia do que garantia de respeito \u00e0 vida. O per\u00edmetro desenhado por estas for\u00e7as no entorno da Gare n\u00e3o deve permitir, em hip\u00f3tese alguma, que neste ou em qualquer outro canto da cidade, permita-se a repress\u00e3o e a agress\u00e3o contra as juventudes. Nesse sentido, a defesa da presen\u00e7a das for\u00e7as militarizadas como sin\u00f4nimo de seguran\u00e7a &#8211; ainda, defendendo a garantia da n\u00e3o repress\u00e3o das juventudes -, parece-nos, no m\u00ednimo, confus\u00e3o ideol\u00f3gica por parte do DCE-UFSM, que trabalhou no sentido de viabilizar policiamento sem manifestar o evidente car\u00e1ter intrinsecamente repressor destas institui\u00e7\u00f5es, particularmente no que toca a grupos minorit\u00e1rios da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o que a movimenta\u00e7\u00e3o das juventudes toma em ocupar o espa\u00e7o da Pra\u00e7a do Brahma deve ser celebrada como vit\u00f3ria. S\u00e3o raras as vezes em que um movimento organizado de forma aut\u00f4noma toma tal grandiosidade a ponto de se tornar um epis\u00f3dio no calend\u00e1rio anual da cidade e, ainda, ser incorporada pelo Poder P\u00fablico a fim de garantir sua organiza\u00e7\u00e3o. Infelizmente, o que ocorre ap\u00f3s sua institucionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a decad\u00eancia total da participa\u00e7\u00e3o da juventude nas tomadas de decis\u00e3o sobre este evento, restando apenas o DCE-UFSM como representante da comunidade acad\u00eamica, que lamentavelmente n\u00e3o honra seu papel.<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 Calourada, o Diret\u00f3rio Central das e dos Estudantes da UFSM (DCE-UFSM), veio a p\u00fablico em mar\u00e7o divulgar sua participa\u00e7\u00e3o no evento organizado e financiado pela Prefeitura. Ainda que n\u00e3o manifestem contrariedade \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o no Brahma, n\u00e3o exploram as reais motiva\u00e7\u00f5es pelas quais a mudan\u00e7a de local ocorre, perdendo uma importante oportunidade de politizar suas bases no sentido da defesa e constru\u00e7\u00e3o de uma cultura popular em Santa Maria. O DCE-UFSM manifesta que sua participa\u00e7\u00e3o no evento fora pensada na expectativa de disputar o espa\u00e7o, constru\u00eddo em di\u00e1logo com as bases estudantis. Todavia, o constrangimento foi t\u00e3o grande que, em respeito \u00e0 democracia estudantil, a entidade foi obrigada pelo Conselho de Entidades de Base da UFSM a publicar, em 16 de mar\u00e7o, uma retrata\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre sua arbitrariedade na decis\u00e3o pela ades\u00e3o no evento constru\u00eddo em lobby com empres\u00e1rios locais pela Prefeitura de Pozzobom (PSDB).<\/p>\n<p>Conforme as palavras da entidade, um pedido de desculpas n\u00e3o faz o tempo voltar e, por esta raz\u00e3o, n\u00e3o basta que estas iniciativas, por mais bem intencionadas que sejam, ocorram somente em resposta aos interesses sempre esp\u00farios daqueles que comercializam nosso direito \u00e0 cultura. Em seu programa, a gest\u00e3o Esperan\u00e7ar expressa seu compromisso com a retomada de festivais igualmente tradicionais do movimento estudantil santamariense, como o Nossas Express\u00f5es; a retomada dos espa\u00e7os tradicionais de atividades culturais, como a Ponte Seca e a Casa do Estudante Universit\u00e1rio I; al\u00e9m da defesa do Caixa Preta, dos Jogos Universit\u00e1rios e da constru\u00e7\u00e3o de um Centro Cultural nas instala\u00e7\u00f5es da Boate do DCE. Frente a estas promessas de campanha &#8211; e tantas outras que enfrentam a mesma situa\u00e7\u00e3o de paralisia, talvez, em alguma medida, porque n\u00e3o se comprometeram a emplacar lutas pela revoga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Disciplinar Discente, que obstaculiza a realiza\u00e7\u00e3o de eventos culturais na Universidade -, parece-nos que a Juventude do PT e o Levante Popular da Juventude, organiza\u00e7\u00f5es que dirigem o<br \/>\nmovimento estudantil da UFSM, deixam a desejar tamb\u00e9m em outras iniciativas que dizem respeito ao fortalecimento da contracultura santamariense.<\/p>\n<p>Esta gest\u00e3o, como continuidade de uma tradi\u00e7\u00e3o dirigente que festeja mais de duas d\u00e9cadas de dire\u00e7\u00e3o do movimento estudantil da UFSM, deve ainda aprender a honrar seus compromissos junto \u00e0 base que dirige. Para as e os comunistas do PCB e de seu complexo partid\u00e1rio, o respeito \u00e0 democracia estudantil, entendida como constru\u00e7\u00e3o real e cotidiana, \u00e9 precisamente o que confere a envergadura necess\u00e1ria para intervir nas grandes lutas educacionais do munic\u00edpio. De nossa parte, aquilo que \u00e9 de interesse da classe trabalhadora deve ser constru\u00eddo junto com a classe trabalhadora. Importa-nos mais agora que resultado ter\u00e1 esta movimenta\u00e7\u00e3o. Coerente com o que vem defendendo, ainda que de forma contradit\u00f3ria, o DCE-UFSM deve se comprometer n\u00e3o apenas com a n\u00e3o privatiza\u00e7\u00e3o e com a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos pela juventude, mas tamb\u00e9m com a constru\u00e7\u00e3o ampla de uma pol\u00edtica de cultura popular para Santa Maria.<\/p>\n<p>Sem ilus\u00f5es com o projeto democr\u00e1tico-popular encabe\u00e7ado pela gest\u00e3o Esperan\u00e7ar e seus dirigentes, o Partido Comunista Brasileiro, sua juventude, sua corrente sindical e seus coletivos manifestam sua intransigente defesa de um programa de cultura que efetivamente responda \u00e0s demandas da classe trabalhadora santamariense. As e os comunistas reivindicam a constru\u00e7\u00e3o permanente de centros culturais no munic\u00edpio, geridos pela classe e para a classe. Iniciativas como as Batalhas de Rima organizadas pelo CO-RAP, o Caixa Preta, o Teatro Por Que N\u00e3o? e as a\u00e7\u00f5es trabalhosamente realizadas pela Casa do Estudante Universit\u00e1rio I em defesa de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia s\u00e3o express\u00f5es de resist\u00eancia popular cultural nesta cidade que tanto depende de sua juventude e que tanto a criminaliza.<\/p>\n<p>Desta sorte, a constru\u00e7\u00e3o de uma contracultura efetivamente capaz de intervir na disputa ideol\u00f3gica de Santa Maria deve reivindicar, por parte de seus setores mais radicalizados, a insubmiss\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica mercantilista e restritiva dos editais p\u00fablicos que tanto refor\u00e7am a competi\u00e7\u00e3o entre artistas locais, quase sempre aut\u00f4nomos e pejotizados, e excluem, em especial, as camadas mais precarizadas deste setor, sem realmente assegurar seguran\u00e7a e dignidade trabalhista para aquelas e aqueles que efetivamente dedicam suas vidas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de uma cultura coerente aos interesses das e dos trabalhadores. Ser\u00e1 preciso, refor\u00e7amos, garantir espa\u00e7os permanentes que proporcionem o acesso \u00e0 cultura como parte indispens\u00e1vel da vida digna. Em tempo, compreende-se que \u00e9 de direito das juventudes ocupar o espa\u00e7o p\u00fablico urbano para o lazer sem repres\u00e1lias por parte da Prefeitura e de suas for\u00e7as de seguran\u00e7a que, de outra parte, deveria ser respons\u00e1vel pela garantia de condi\u00e7\u00f5es dignas para o exerc\u00edcio deste direito &#8211; como a ilumina\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as, a desburocratiza\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o do espa\u00e7o, o transporte<br \/>\nampliado e a seguran\u00e7a sem repress\u00e3o.<\/p>\n<p>EM DEFESA DA OCUPA\u00c7\u00c3O DOS ESPA\u00c7OS P\u00daBLICOS, DO ACESSO \u00c0 CIDADE E DA CULTURA POPULAR SANTAMARIENSE!<\/p>\n<p>PELA CONSTRU\u00c7\u00c3O DE CENTROS CULTURAIS MUNICIPAIS AUTOGERIDOS PELA CLASSE TRABALHADORA!<\/p>\n<p>CONTRA A REPRESS\u00c3O POLICIAL!<\/p>\n<p>PELO DIREITO AO TRANSPORTE P\u00daBLICO GRATUITO, COM ACESSIBILIDADE E DE QUALIDADE!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30160\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13,108,207,26],"tags":[225],"class_list":["post-30160","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","category-c121-estudantil","category-lutas-nos-estados","category-c25-notas-politicas-do-pcb","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Qs","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30160\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}