{"id":30238,"date":"2023-04-05T14:38:39","date_gmt":"2023-04-05T17:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30238"},"modified":"2023-04-05T14:38:39","modified_gmt":"2023-04-05T17:38:39","slug":"a-guerra-como-politica-de-hegemonia-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30238","title":{"rendered":"A guerra como pol\u00edtica de hegemonia dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30239\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30238\/image3-4\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image3-2.png?fit=650%2C403&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"650,403\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image(3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image3-2.png?fit=650%2C403&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30239\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image3-2.png?resize=650%2C403&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image3-2.png?w=650&amp;ssl=1 650w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/image3-2.png?resize=300%2C186&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Gustavo Carneiro<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Passaram 20 anos desde o in\u00edcio da agress\u00e3o imperialista ao Iraque. \u00c9 essencial avivar a mem\u00f3ria (n\u00e3o ser\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o social dominante que o far\u00e1) sobre o retrato que revela dos meios, das justifica\u00e7\u00f5es mentirosas para a desencadear, do desprezo pelo direito internacional e pela soberania dos pa\u00edses, pelos direitos dos povos, da escala dos crimes que o imperialismo dos EUA est\u00e1 disposto a executar para afirmar a sua domina\u00e7\u00e3o. No quadro atual, essa hegemonia foge-lhe das m\u00e3os. Lembremos aquilo do que \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>Tem-se falado muito de guerra, a prop\u00f3sito da dram\u00e1tica e perigosa situa\u00e7\u00e3o que se vive no Leste da Europa. Nas cadeias (des)informativas, cada vez mais reduzidas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de voz do dono, n\u00e3o h\u00e1 contexto nem hist\u00f3ria e a realidade \u00e9 distorcida e apresentada em narrativas simples e mistificadoras. O Ocidente e os seus ditos valores s\u00e3o exaltados na exata medida em que se oculta a responsabilidade dos EUA, da OTAN e da UE na presente escalada e os crimes que cometeram ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, com total impunidade, nos quatro cantos do mundo.<\/p>\n<p>Nada disto \u00e9 novo e o exemplo do Iraque \u00e9 paradigm\u00e1tico: n\u00e3o por ter sido a primeira guerra do denominado mundo unipolar surgido do desaparecimento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do campo socialista europeu, que de fato n\u00e3o foi (antecederam-na as guerras na Som\u00e1lia, na Iugosl\u00e1via, no Afeganist\u00e3o ou no pr\u00f3prio Iraque, logo em 1990), mas pela dimens\u00e3o que assumiu e pelo que revelou.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Choque e Pavor (nome esclarecedor, reconhe\u00e7a-se) foi desencadeada em mar\u00e7o de 2003 pelos EUA de modo unilateral, com desprezo pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas e sem contar sequer com o apoio un\u00e2nime na OTAN, face \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a e da Alemanha, que mantinham interesses pr\u00f3prios com o petr\u00f3leo iraquiano. A OTAN seria posteriormente chamada a desempenhar um papel central na ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Contudo, naquele momento apenas alguns Estados, como o Reino Unido, a Espanha ou Portugal, seguiram a iniciativa estadunidense. Portugal assumiu uma posi\u00e7\u00e3o \u00ababsolutamente desprestigiante, porque servi\u00e7al\u00bb, como afirmou na \u00e9poca o PCP a prop\u00f3sito da cess\u00e3o da Base das Lajes para acolher a c\u00fapula entre George W. Bush, Tony Blair e Jose Maria Aznar, na qual foi anunciada a decis\u00e3o de atacar o Iraque: n\u00e3o tardaria muito at\u00e9 o ent\u00e3o primeiro-ministro, Dur\u00e3o Barroso, ser recompensado pela subservi\u00eancia demonstrada, deixando o governo do pa\u00eds para assumir a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Se d\u00favidas ainda subsistissem, ficou ent\u00e3o evidente que, naquele in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, os EUA procuravam afirmar-se como a pot\u00eancia imperialista dominante, \u00fanica e incontestada, nomeadamente pelos seus \u00abaliados\u00bb. A nova ordem mundial \u2013 imperialista \u2013 era, acima de tudo, estadunidense.<\/p>\n<p>\u00c9 esta hegemonia, hoje seriamente posta em causa, que os EUA se esfor\u00e7am por manter a todo o custo. Doa a quem doer\u2026<\/p>\n<p>Guerra de mentiras<\/p>\n<p>Os EUA procuraram justificar a agress\u00e3o insistindo em dois pretextos, comprovadamente falsos: o desenvolvimento de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa pelo Iraque e as liga\u00e7\u00f5es do seu governo com a Al-Qaeda de Bin Laden. Contaram, para isso, com um verdadeiro arsenal midi\u00e1tico, que integrava as principais ag\u00eancias, cadeias televisivas e jornais de circula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Mas as referidas armas, de que o Secret\u00e1rio de Estado dos EUA Colin Powell garantia (numa c\u00e9lebre alocu\u00e7\u00e3o no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU) ter provas sustentadas em \u00abfontes s\u00f3lidas, muito s\u00f3lidas\u00bb, nunca foram encontradas. Pela simples raz\u00e3o de que n\u00e3o existiam. Hans Blix, antigo diretor geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica, diria mais tarde ao El Pa\u00eds (19.02.2004) que antes da ofensiva estadunidense \u00abn\u00e3o encontramos qualquer prova que mostrasse que o Iraque desenvolvia atividades proibidas\u00bb. E, lembra, foram inspecionados os locais referidos por Powell como sendo laborat\u00f3rios, f\u00e1bricas ou armaz\u00e9ns desse tipo de armamento. Tamb\u00e9m Rolf Ekeus, que entre 1991 e 1997 chefiou a equipe de inspetores de desarmamento das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Iraque, garantia que o pa\u00eds se encontrava j\u00e1 ent\u00e3o \u00abfundamentalmente desarmado\u00bb. Muitos outros observadores corroboram esta vers\u00e3o, documentada em diversos relat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Mas houve um tempo em que o Iraque possu\u00eda armas qu\u00edmicas e procurava desenvolver o seu pr\u00f3prio programa nuclear, com material e equipamento fornecidos pelos EUA: era a altura da guerra contra o Ir\u00e3, travada com o apoio \u2013 e o est\u00edmulo \u2013 dos EUA. Nessa altura n\u00e3o se ouviu uma cr\u00edtica e um lamento por parte das administra\u00e7\u00f5es norte-americanas relativamente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o deste tipo de armamento contra o Ir\u00e3 ou a guerrilha curda no Norte do Iraque. Bem pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas o pr\u00f3prio processo das inspec\u00e7\u00f5es revelou-se complexo, com m\u00faltiplas acusa\u00e7\u00f5es dirigidas contra os EUA, que as procuravam manipular para servir os seus objetivos militaristas. Scott Ritter demitiu-se de inspector por essa raz\u00e3o e o j\u00e1 referido Rolf Ekeus denunciou em 2002 a utiliza\u00e7\u00e3o de inspetores em tarefas de espionagem e provoca\u00e7\u00e3o, que pudessem levar a rea\u00e7\u00f5es do Iraque que justificassem o recurso \u00e0 a\u00e7\u00e3o militar (FT, 3.7.2202).<\/p>\n<p>Inventadas foram, tamb\u00e9m, as \u00abliga\u00e7\u00f5es\u00bb entre as autoridades iraquianas e a Al-Qaeda. Mas o 11 de Setembro de 2001 tivera demasiado impacto junto aos norte-americanos para n\u00e3o ser utilizado em favor da estrat\u00e9gia agressiva do imperialismo. J\u00e1 um ano antes, ali\u00e1s, o Projeto para um Novo S\u00e9culo Americano (PNAC), grupo de press\u00e3o com forte presen\u00e7a na administra\u00e7\u00e3o de George W. Bush, tinha sublinhado a necessidade de um \u00abacontecimento catastr\u00f3fico e catalizador, como um novo Pearl Harbour\u00bb, para que um programa de guerra tivesse apoio p\u00fablico\u2026<\/p>\n<p>Mas a evid\u00eancia da mentira utilizada como pretexto para a guerra no Iraque e as divis\u00f5es entre as pot\u00eancias capitalistas foram de tal ordem que os protestos contra a guerra (nos EUA, no Reino Unido, um pouco por todo o mundo e tamb\u00e9m em Portugal) foram massivos, os maiores desde a guerra contra o Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Agress\u00e3o e resist\u00eancia<\/p>\n<p>As reais motiva\u00e7\u00f5es para a guerra foram outras, bem mais prosaicas: o controle das vastas reservas petrol\u00edferas iraquianas, o refor\u00e7o da presen\u00e7a militar no Oriente M\u00e9dio e a ambi\u00e7\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o dos EUA como pot\u00eancia mundial incontest\u00e1vel. Todos estes objetivos conflu\u00edam para um outro, enunciado em 2006 pela Secret\u00e1ria de Estado Condoleezza Rice: a cria\u00e7\u00e3o do que chamou um Novo Oriente M\u00e9dio, com fronteiras redefinidas em fun\u00e7\u00e3o dos interesses do imperialismo. Para al\u00e9m do Iraque, eram alvos (como efetivamente foram e ainda s\u00e3o) o Ir\u00e3, a S\u00edria, o L\u00edbano e at\u00e9 a L\u00edbia, com as liga\u00e7\u00f5es que tinha junto ao movimento de resist\u00eancia ao imperialismo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Muito embora tivessem sido assumidos por uma administra\u00e7\u00e3o Republicana, estes objetivos eram partilhados por amplos setores do establishment estadunidense. Ali\u00e1s, parte consider\u00e1vel do caminho de inger\u00eancia e cerco que criou condi\u00e7\u00f5es para a agress\u00e3o militar foi trilhado pela administra\u00e7\u00e3o Democrata de Bill Clinton.<\/p>\n<p>O Iraque foi destru\u00eddo, martirizado, empobrecido, segmentado e, duas d\u00e9cadas passadas, l\u00e1 permanece a presen\u00e7a militar dos EUA, apesar da exig\u00eancia do parlamento iraquiano de retirada das tropas estrangeiras. Com uma cultura milenar, resiste ainda como pa\u00eds e busca a reconstru\u00e7\u00e3o do seu Estado e a defesa da sua unidade nacional. Queira ou n\u00e3o o imperialismo.<\/p>\n<p>Crimes contra a Humanidade<\/p>\n<p>Nunca \u00e9 tarefa f\u00e1cil a macabra contabilidade das baixas de uma guerra e esta n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Os n\u00fameros s\u00e3o diversos e impressionantes, e as fontes variadas: h\u00e1 quem conte apenas os mortos e feridos diretos (em bombardeios, atentados, tiroteios) e quem procure contabilizar os que resultam do caos e da destrui\u00e7\u00e3o que a guerra provoca.<\/p>\n<p>Um estudo de 2013 da Universidade de Seattle, publicado na revista PLOS Medicine, aponta para meio milh\u00e3o de v\u00edtimas mortais s\u00f3 entre 2003 e 2011: \u00e0s 405 mil mortes diretamente atribu\u00eddas \u00e0 guerra e \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o soma as cerca de 56 mil que ter\u00e3o morrido a tentar sair do pa\u00eds; as restantes s\u00e3o as tais \u00abv\u00edtimas indiretas\u00bb, incluindo-se aqui desde ataques card\u00edacos fatais decorrentes do estresse provocado pela guerra aos mortos por falta de assist\u00eancia m\u00e9dica, devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos hospitais e outros servi\u00e7os. Do lado dos ocupantes, principalmente estadunidenses e brit\u00e2nicos, foram reconhecidos oficialmente pelas autoridades quase 5000 mortos (www.nationalgeographic.com\/history\/article\/131015-iraq-war-deaths-survey-2013).<\/p>\n<p>Citada pela National Geographic, a especialista em sa\u00fade p\u00fablica Amy Hagopian, respons\u00e1vel pelo estudo, real\u00e7ava que esta era \u00abprovavelmente uma estimativa por baixo (\u2026). As pessoas t\u00eam de saber o custo em vidas humanas da decis\u00e3o de ir para a guerra\u00bb.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o do Estado iraquiano na sequ\u00eancia da agress\u00e3o e da ocupa\u00e7\u00e3o arrasou o equil\u00edbrio em que se assentava o pa\u00eds \u2013 maioritariamente xiita, com uma lideran\u00e7a fundamentalmente sunita e uma consider\u00e1vel minoria curda. At\u00e9 ent\u00e3o, garante o jornalista brit\u00e2nico John Pilger, xiitas e sunitas \u00abestavam em paz, casamentos mistos eram comuns (\u2026). Bush e Blair explodiram tudo isto em peda\u00e7os.\u00bb (https:\/\/johnpilger.com\/articles\/from-pol-pot-to-isis-the-blood-never-dried).<\/p>\n<p>O crescimento dos bandos armados verificou-se \u00e0 medida que alastrava o desemprego e a pobreza, provocados pela destrui\u00e7\u00e3o e pelas \u00abterapias de choque\u00bb econ\u00f4micas aplicadas pelos EUA e seus agentes. O pr\u00f3prio ISIS alimentou-se deste caos \u2013 para al\u00e9m, claro, do mal disfar\u00e7ado apoio do dito \u00abOcidente\u00bb.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o imperialismo n\u00e3o pode ser acusado de ter \u00abapenas\u00bb aberto a porta \u00e0 viol\u00eancia sect\u00e1ria, mas tamb\u00e9m de a ter alimentado diretamente. Numa entrevista concedida ao Avante! em 2006, o presidente da Alian\u00e7a Patri\u00f3tica Iraquiana, Abdul Jabbar al-Kubaysi, acusava as mil\u00edcias sect\u00e1rias de terem liga\u00e7\u00f5es com os c\u00edrculos do poder mais pr\u00f3ximos dos ocupantes e de nada terem a ver com a genu\u00edna resist\u00eancia patri\u00f3tica (Avante!, 16.03.2006).<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais crimes a imputar aos invasores estadunidenses: a pilhagem de recursos naturais e tesouros arqueol\u00f3gicos; as pris\u00f5es e centros de tortura secretos, como Abu Ghraib, denunciados \u00e0 \u00e9poca pelo jornalista Seymour Hearsh (o mesmo que h\u00e1 semanas comprovou a responsabilidade dos EUA na destrui\u00e7\u00e3o dos gasodutos Nord Stream); o uso generalizado de muni\u00e7\u00f5es com ur\u00e2nio empobrecido e a utiliza\u00e7\u00e3o de armas incendi\u00e1rias de f\u00f3sforo branco sobre a popula\u00e7\u00e3o de Faluja, em 2004.<\/p>\n<p>Estudos epidemiol\u00f3gicos realizados nesta cidade iraquiana, nos anos seguintes, revelaram a dimens\u00e3o do horror: a mortalidade infantil entre 2006 e 2010 foi de 80 por mil nascimentos, contrastando na mesma altura com o Egito (19 por mil), a Jord\u00e2nia (17 por mil) ou o Kuwait (9,7 por mil) e com tend\u00eancia crescente no \u00faltimo per\u00edodo do intervalo (136 por mil em 2009\/10).<\/p>\n<p>J\u00e1 as taxas de incid\u00eancia de c\u00e2ncer eram 4,2 vezes superiores \u00e0s expectativas para a regi\u00e3o, valor que ascendia a 22 vezes no caso da leucemia. Doen\u00e7as semelhantes j\u00e1 tinham surgido em militares norte-americanos que participaram na Opera\u00e7\u00e3o Tempestade no Deserto, em 1990-91, no que ficou conhecido como S\u00edndrome do Golfo.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>O massacre imperialista do povo iraquiano n\u00e3o come\u00e7ou em 2003. A Opera\u00e7\u00e3o Choque e Pavor seguiu-se a mais de uma d\u00e9cada de cerco sobre o pa\u00eds: as brutais san\u00e7\u00f5es impostas ap\u00f3s 1991 tinham provocado a morte de meio milh\u00e3o de crian\u00e7as, por doen\u00e7a ou subnutri\u00e7\u00e3o, garantiu em 1995 a revista cient\u00edfica brit\u00e2nica The Lancet.<\/p>\n<p>Questionada no programa televisivo 60 Minutos sobre se todas estas mortes tinham valido a pena, para \u2013 diziam \u2013 \u00abpunir Saddam\u00bb, a Secret\u00e1ria de Estado norte-americana Madeleine Albright n\u00e3o teve d\u00favidas em responder: \u00absim, pensamos que valeram a pena\u00bb. Albright seria, em 1999, figura de primeiro plano de outra das guerras dos EUA\/OTAN, desta feita contra a Iugosl\u00e1via.<\/p>\n<p>Segundo a UNICEF, o Iraque tinha em 1990 uma das popula\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis e com n\u00edveis de ensino dos mais elevados. A taxa de mortalidade infantil era das menores em n\u00edvel mundial. Os bombardeios de estruturas civis iraquianas durante a Guerra do Golfo, que segundo John Pilger fizeram o pa\u00eds regressar a um estado \u00abpr\u00e9-industrial\u00bb, e as brutais san\u00e7\u00f5es impostas ao povo iraquiano inverteram todos estes \u00edndices: o Iraque passou para os lugares derradeiros nestes e noutros indicadores.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Choque e Pavor e todas as suas dram\u00e1ticas consequ\u00eancias, muitas das quais se sentem ainda hoje, encarregaram-se de destruir o resto.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.avante.pt\/pt\/2574\/temas\/171035\/A-guerra-como-instrumento-de-afirma%C3%A7%C3%A3o-da-hegemonia-dos-EUA.htm?tpl=179\">https:\/\/www.avante.pt\/pt\/2574\/temas\/171035\/A-guerra-como-instrumento-de-afirma%C3%A7%C3%A3o-da-hegemonia-dos-EUA.htm?tpl=179<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30238\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,75,10],"tags":[234],"class_list":["post-30238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-c88-internacionalismo","category-s19-opiniao","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7RI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30238"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30240,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30238\/revisions\/30240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}