{"id":30248,"date":"2023-04-08T23:55:20","date_gmt":"2023-04-09T02:55:20","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30248"},"modified":"2023-04-08T23:55:20","modified_gmt":"2023-04-09T02:55:20","slug":"a-que-herancas-o-movimento-comunista-internacional-deve-renunciar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30248","title":{"rendered":"A que heran\u00e7as o Movimento Comunista Internacional deve renunciar?"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30249\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30248\/comunismo\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/comunismo.gif?fit=250%2C371&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"250,371\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"comunismo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/comunismo.gif?fit=250%2C371&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30249\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/comunismo.gif?resize=250%2C371&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"371\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Carlos Arthur Newlands Jr. (Bon\u00e9) &#8211; membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/strong><\/p>\n<p>Em 23 de fevereiro p.p., o site do LavraPalavra publicou a tradu\u00e7\u00e3o de um instigante artigo do camarada Kemal Okuyan, Secret\u00e1rio Geral do Partido Comunista da Turquia: &#8220;Pensando em voz alta sobre o \u201cmovimento comunista internacional\u201d, o qual recomendo vivamente a leitura. O camarada \u2013 que dirige um Partido Comunista dos mais l\u00facidos e influentes do mundo \u2013 aponta um balan\u00e7o hist\u00f3rico bastante cr\u00edtico do MCI e lan\u00e7a o desafio: &#8220;os comunistas precisam priorizar a an\u00e1lise do fator subjetivo, em vez de reclamar das condi\u00e7\u00f5es objetivas. Precisamos fazer debates ousados. (&#8230;) O que precisamos \u00e9 o seguinte: estabelecer um esclarecimento dos referenciais te\u00f3ricos e pol\u00edticos a partir dos quais cada partido comunista atua. N\u00e3o faz sentido considerar isso como um problema interno de cada partido. A intera\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos privil\u00e9gios mais importantes de um movimento universal como o marxismo.&#8221;<\/p>\n<p>Neste artigo, procuro modestamente atender ao chamado do camarada Okuyan, listando cinco pontos que, a meu ver, constituem os grandes desvios pol\u00edtico\u2013ideol\u00f3gicos que o MCI precisa enfrentar e superar para reconstruir sua unidade num novo patamar, compat\u00edvel com o gigantesco desafio que a crise sist\u00eamica do capitalismo traz para o conjunto dos comunistas e de todos os revolucion\u00e1rios do planeta. Estes desvios s\u00e3o:<\/p>\n<p>etapismo estrat\u00e9gico;<br \/>\nnacional\u2013chauvinismo;<br \/>\ndoutrinarismo e inflexibilidade t\u00e1tica;<br \/>\nLGBTfobia e transfobia;<br \/>\nmoralismo quanto \u00e0s drogas.<\/p>\n<p>Vamos a partir de agora desenvolver a cr\u00edtica a cada um destes desvios.<\/p>\n<p>Etapismo estrat\u00e9gico<\/p>\n<p>Do ponto de vista das Resolu\u00e7\u00f5es congressuais do PCB, este talvez seja o ponto em que nosso Partido tem mais ac\u00famulo de debate e formula\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 clar\u00edssimo em nossas Resolu\u00e7\u00f5es, abordando a realidade brasileira, a compreens\u00e3o de que \u201cO desenvolvimento do sistema capitalista como um todo e, em particular, no caso brasileiro, elimina a possibilidade hist\u00f3rica de qualquer alian\u00e7a entre uma suposta \u201cburguesia nacional\u201d e a classe trabalhadora, para a realiza\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o \u201cnacional libertadora\u201d, ou seja, o enfrentamento, num primeiro momento, do capital estrangeiro presente no pa\u00eds para, numa etapa posterior, realizar-se a revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d (Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do XVI Congresso \u2013 grifos meus).<\/p>\n<p>Penso que devemos dar especial \u00eanfase \u00e0 frase \u201ccomo um todo\u201d. Parece-me ser um consenso em nosso Partido de que, pelo menos com as informa\u00e7\u00f5es de que dispomos, em nenhum pa\u00eds do mundo hoje existe a possibilidade hist\u00f3rica de qualquer alian\u00e7a entre uma suposta \u201cburguesia nacional\u201d e a classe trabalhadora, quer seja para um enfrentamento ao imperialismo, quer seja para enfrentar uma fra\u00e7\u00e3o burguesa \u201crentista e ultrarreacion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, o que constatamos no MCI \u00e9 uma disseminada compreens\u00e3o etapista do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Par\u00eanteses: inicialmente, para deixar claro, n\u00e3o estou me referindo aqui \u00e0queles partidos que de \u201ccomunista\u201d hoje s\u00f3 mant\u00eam o nome, mas que sucumbiram \u00e0 socialdemocratiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apontam mais nem o leninismo como concep\u00e7\u00e3o muito menos a ruptura revolucion\u00e1ria como uma necessidade hist\u00f3rica de constru\u00e7\u00e3o do socialismo \u2013 e que, nestas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o participam do EIPCO (Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios) nem t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os PCs que o integram.<\/p>\n<p>Quando falo de etapismo, refiro\u2013me \u00e0queles Partidos Comunistas (em pa\u00edses da periferia do capitalismo e tamb\u00e9m em pa\u00edses da Europa) que mant\u00e9m o v\u00ednculo org\u00e2nico com a luta direta da classe trabalhadora mas que expressam, na sua pol\u00edtica e nas suas Resolu\u00e7\u00f5es, a compreens\u00e3o de que h\u00e1 uma etapa intermedi\u00e1ria a ser ultrapassada entre a situa\u00e7\u00e3o atual e a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista. Esta etapa intermedi\u00e1ria tem sido chamada por v\u00e1rios PCs de \u201cdemocracia avan\u00e7ada\u201d e outras formula\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>Minha compreens\u00e3o \u00e9 que, na atual configura\u00e7\u00e3o do capitalismo mundial sob a clara hegemonia do capital financeiro mundializado, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de \u201cetapa nacional-democr\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o\u201d em nenhum pa\u00eds do mundo (arriscaria at\u00e9 dizer nem mesmo nos pa\u00edses economicamente mais atrasados da \u00c1frica), pois n\u00e3o enxergo em nenhum pa\u00eds do mundo hoje a exist\u00eancia de uma fra\u00e7\u00e3o da burguesia \u201cresolutamente democr\u00e1tica\u201d e \u201ccom contradi\u00e7\u00f5es frontais com o imperialismo\u201d. Defendo que cabe ao Partido Comunista Brasileiro \u2013 um dos primeiros PCs do mundo a elaborar uma teoria da revolu\u00e7\u00e3o socialista rompendo com e fazendo autocr\u00edtica de seu etapismo estrat\u00e9gico hist\u00f3rico \u2013 a grandiosa tarefa de impulsionar este debate no seio do MCI.<\/p>\n<p>Nacional\u2013chauvinismo<\/p>\n<p>O desvio ideol\u00f3gico do nacional-chauvinismo tem muita rela\u00e7\u00e3o com o etapismo estrat\u00e9gico anteriormente descrito; como veremos a seguir, trata-se ao fim e ao cabo de um aprofundamento do etapismo rumo \u00e0 franca degenera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. O nacional-chauvinismo n\u00e3o apenas entende a necessidade de uma \u201cetapa nacional-democr\u00e1tica\u201d anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista, mas al\u00e9m disso privilegia o elemento nacional do etapismo. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o apenas prop\u00f5e uma alian\u00e7a com a dita burguesia nacional, como al\u00e9m disso (se n\u00e3o explicitamente como resolu\u00e7\u00e3o, ao menos como consequ\u00eancia pr\u00e1tica) coloca a classe trabalhadora \u201cnesta etapa\u201d como coadjuvante perante as a\u00e7\u00f5es da fra\u00e7\u00e3o burguesa com que prop\u00f5e alian\u00e7a.<\/p>\n<p>O combate pol\u00edtico\u2013ideol\u00f3gico ao nacional\u2013chauvinismo, no meu entendimento, combina a utiliza\u00e7\u00e3o dos mesmos argumentos com que devemos combater o etapismo estrat\u00e9gico, acrescida da compreens\u00e3o de que h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental: uma coisa \u00e9 saber utilizar as contradi\u00e7\u00f5es interburguesas a favor do avan\u00e7o da classe trabalhadora e do socialismo (como por exemplo faz magistralmente o PC de Cuba ao abrir a possibilidade de empres\u00e1rios espanh\u00f3is explorarem atividades tur\u00edsticas na ilha); outra coisa qualitativamente diferente \u00e9 por a classe trabalhadora a reboque de uma fra\u00e7\u00e3o da burguesia.<\/p>\n<p>Outro elemento central do combate a este desvio \u00e9 a compreens\u00e3o de que o nacionalismo burgu\u00eas \u00e9 uma ideologia essencialmente reacion\u00e1ria. Mais uma vez contrapomos com o exemplo de Cuba: uma coisa \u00e9 um nacionalismo democr\u00e1tico-popular anti-imperialismo estadunidense (o qual, al\u00e9m de Cuba, tamb\u00e9m foi a for\u00e7a motriz da Revolu\u00e7\u00e3o Nicaraguense nos seus melhores momentos, antes da degenera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da FSLN); outra coisa \u00e9 o nacionalismo burgu\u00eas (por exemplo, o russo) que traz junto elementos de contradi\u00e7\u00e3o (mesmo que aguda) com o imperialismo estadunidense e fortes elementos de chauvinismo \u00e9tnico e\/ou religioso. Os camaradas do Tudeh iraniano aprenderam na carne, da maneira mais sofrida poss\u00edvel, o quanto uma \u201cburguesia anti-imperialista\u201d pode ser ao mesmo tempo antipopular e anticomunista.<\/p>\n<p>Doutrinarismo e inflexibilidade t\u00e1tica<\/p>\n<p>O outro lado da moeda dos desvios direitistas do etapismo e do nacional\u2013chauvinismo \u00e9 o desvio esquerdista do doutrinarismo. Os partidos que caem nesse vi\u00e9s t\u00eam a caracter\u00edstica de n\u00e3o apontarem luta pol\u00edtica concreta imediata e geral que acumule for\u00e7as e contribua para o crescimento do n\u00edvel de consci\u00eancia das massas. Esses PCs t\u00eam por pr\u00e1tica denunciar as mazelas do capitalismo e as a\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias dos governantes, mas sempre apenas apontando que a supera\u00e7\u00e3o desta situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 no socialismo, com discursos que acabam sempre centrados na afirmativa \u201ca \u00fanica sa\u00edda para a classe oper\u00e1ria, e a tarefa de nosso tempo, \u00e9 a luta decidida pelo socialismo-comunismo\u201d, praticamente sem nenhuma media\u00e7\u00e3o t\u00e1tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou aqui menosprezando ou desconhecendo o papel importante que tais Partidos desempenham nas lutas da classe trabalhadora e da juventude de seus pa\u00edses. Meu apontamento \u00e9 que a tend\u00eancia que constato em tais PCs \u00e9 o descolamento entre a luta imediata, a pol\u00edtica geral e o objetivo estrat\u00e9gico: apoiam as lutas econ\u00f4micas imediatas e particulares, mas por seu doutrinarismo esquerdista n\u00e3o conseguem elaborar uma media\u00e7\u00e3o t\u00e1tica generalizadora que aponte para uma luta ao mesmo tempo concreta e de car\u00e1ter global.<\/p>\n<p>Neste quesito, nosso PCB manteve e aprimorou sua melhor tradi\u00e7\u00e3o de saber combinar lutas espec\u00edficas e bandeiras gerais, combinar lutas de resist\u00eancia e propostas de pauta de avan\u00e7os. Dois exemplos ilustrativos: soubemos combinar a luta contra os ataques ao ensino p\u00fablico com as bandeiras de Escola Popular e Universidade Popular (incluindo a proposta ousada de fim do vestibular); soubemos combinar a luta de resist\u00eancia contra a contrarreforma liberal trabalhista com a bandeira da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Par\u00eantese: uma proposta t\u00e1tica para PCs europeus<\/p>\n<p>Em uma ousadia adicional, proponho aqui uma bandeira t\u00e1tica pol\u00edtica imediata que entendo que deve ser levantada por todos os PCs da Europa, especialmente aqueles cujos pa\u00edses ainda s\u00e3o monarquias: o fim da monarquia e a imediata proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Essa proposta nasce das seguintes considera\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>toda monarquia, por mais parlamentarista que seja, \u00e9 autocr\u00e1tica e representa um resqu\u00edcio do per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o do feudalismo para o capitalismo (especialmente porque toda monarquia embute os privil\u00e9gios da nobreza herdados do per\u00edodo feudal);<br \/>\na rep\u00fablica democr\u00e1tica liberal \u00e9 a forma pol\u00edtica mais avan\u00e7ada sob o capitalismo. Como dizia o camarada Lenin, \u201cos marxistas sabem que a democracia n\u00e3o suprime a opress\u00e3o de classe, apenas torna a luta de classes mais pura, mais ampla, mais aberta, mais aguda; \u00e9 disto que n\u00f3s precisamos. (&#8230;) Quanto mais democr\u00e1tico for o regime estatal, mais claro ser\u00e1 para os oper\u00e1rios que a raiz do mal \u00e9 o capitalismo, e n\u00e3o a falta de direitos\u201d.<\/p>\n<p>Esta proposta adquire especial relev\u00e2ncia nas duas monarquias mais importantes e mais reacion\u00e1rias da Europa: Espanha e Reino Unido (Gr\u00e3\u2013Bretanha).<\/p>\n<p>A monarquia espanhola \u00e9 uma excresc\u00eancia hist\u00f3rica, um retrocesso resultado da derrubada da Rep\u00fablica pelo fascismo franquista e pela sobreviv\u00eancia do franquismo por d\u00e9cadas ap\u00f3s o fim da 2\u00aa Guerra Mundial. A Casa Real de Madrid representa ainda a opress\u00e3o madrilenha sobre as regi\u00f5es espanholas de relativa autonomia, em especial da Catalunha e do Pa\u00eds Basco. Neste sentido, a interven\u00e7\u00e3o do PCPE ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o do Rei Juan Carlos, apontando a podrid\u00e3o da monarquia espanhola e reafirmando a necessidade da alternativa republicana, foi um grande acerto t\u00e1tico dos camaradas.<\/p>\n<p>No Reino Unido a situa\u00e7\u00e3o no fundamental \u00e9 bastante semelhante: al\u00e9m da Fam\u00edlia Real ser \u201co mais caro e in\u00fatil corpo de funcion\u00e1rios p\u00fablicos do mundo\u201d, o Pal\u00e1cio de Windsor costumeiramente reprime as aspira\u00e7\u00f5es de autonomia na Esc\u00f3cia e na Irlanda do Norte. O recente veto do governo central brit\u00e2nico \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o escocesa mais avan\u00e7ada para a popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 s\u00f3 mais um cap\u00edtulo desta opress\u00e3o nacional.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30250\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30248\/imagem-texto-quatro-congressos-ic\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Imagem-texto-quatro-congressos-IC.jpg?fit=729%2C711&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"729,711\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Imagem-texto-quatro-congressos-IC\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Imagem-texto-quatro-congressos-IC.jpg?fit=729%2C711&amp;ssl=1\" class=\"alignnone  wp-image-30250\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Imagem-texto-quatro-congressos-IC.jpg?resize=468%2C456&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"468\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Imagem-texto-quatro-congressos-IC.jpg?w=729&amp;ssl=1 729w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Imagem-texto-quatro-congressos-IC.jpg?resize=300%2C293&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><\/p>\n<p>LGBTfobia e transfobia<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre este tema e o par\u00e1grafo anterior \u00e9 proposital. Causou esp\u00e9cie e repulsa na milit\u00e2ncia comunista brasileira a posi\u00e7\u00e3o transf\u00f3bica do Partido Comunista Brit\u00e2nico expressa em seu comunicado acerca do imbr\u00f3glio legislativo do Parlamento escoc\u00eas. O CPB literalmente afirmou: &#8220;As implica\u00e7\u00f5es da autoidentifica\u00e7\u00e3o como \u00fanico requisito para o acesso a espa\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es para pessoas do mesmo sexo s\u00e3o s\u00e9rias quando se trata de proteger mulheres e crian\u00e7as do comportamento predat\u00f3rio e abusivo de homens que podem simplesmente se declarar mulheres. (&#8230;) o Partido Comunista rejeita a autoidentifica\u00e7\u00e3o de g\u00eanero como base para direitos baseados no sexo na lei para os direitos, espa\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es de sexo \u00fanico das mulheres. (&#8230;) Pedimos que o &#8216;sexo&#8217; como uma caracter\u00edstica protegida pela Lei da Igualdade de 2010 seja definido como &#8216;sexo biol\u00f3gico.&#8221;<\/p>\n<p>Este desvio vem mascarado com um discurso que se apresenta como marxista e materialista, ao afirmar que \u201cg\u00eanero como categoria diferente do sexo biol\u00f3gico \u00e9 idealismo, \u00e9 antimaterialismo\u201d, pois \u201ca mat\u00e9ria \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o gen\u00e9tico-biol\u00f3gica para a sexualidade\u201d.<\/p>\n<p>Ocorre que este discurso \u00e9 pseudomarxista, \u00e9 materialista mas n\u00e3o \u00e9 dial\u00e9tico: \u00e9 materialismo mecanicista. Em primeiro lugar, cabe nunca esquecer o alerta de Marx: \u201cas id\u00e9ias adquirem for\u00e7a material quando penetram nas massas\u201d. Al\u00e9m disso, os mecanismos sociais, psicol\u00f3gicos e at\u00e9 hormonais que influenciam na defini\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o sexual h\u00e9tero cis, homo ou trans n\u00e3o s\u00e3o mape\u00e1veis, e querer estabelecer qualquer \u201cpadr\u00e3o de normalidade\u201d n\u00e3o passa de preconceito obscurantista. E para finalizar de vez a quest\u00e3o, se homossexualidade e LGBT fossem \u201ccria\u00e7\u00e3o mental idealista\u201d, n\u00e3o existiria comportamento homossexual\/transsexual em outras esp\u00e9cies de animais \u2013 e centenas de estudos comprovam exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o simples para o MCI. Se \u00e9 verdade que a URSS sob Lenin foi o primeiro pa\u00eds do mundo a legitimar a homossexualidade, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que tal avan\u00e7o foi retrocedido no per\u00edodo de St\u00e1lin e n\u00e3o foi recuperado posteriormente \u2013 e hoje constatamos que a LGBTfobia \u00e9 fort\u00edssima na R\u00fassia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Mais uma vez, o PC de Cuba est\u00e1 na vanguarda dos comunistas tamb\u00e9m neste quesito. Vejamos: se em 1976 a Constitui\u00e7\u00e3o cubana definia o casamento como \u201cuni\u00e3o entre homem e mulher\u201d e os homossexuais foram discriminados pela Revolu\u00e7\u00e3o nos anos 70 e 80, j\u00e1 nos 90 Fidel expressava uma profunda autocr\u00edtica do Partido sobre tal postura. Hoje, dois dos maiores apoiadores da comunidade LGBT em Cuba s\u00e3o o Presidente Miguel Diaz Ca\u00f1el e a filha de Raul Castro, e o PC de Cuba acabou de conseguir aprovar num plebiscito popular o mais avan\u00e7ado C\u00f3digo de Fam\u00edlia do mundo reconhecendo todas as formas de fam\u00edlia formadas a partir do afeto (com a oposi\u00e7\u00e3o ferrenha de todas as igrejas crist\u00e3s). Outros Partidos Comunistas no mundo, como o PC da Turquia e o PC de Israel, j\u00e1 desenvolvem h\u00e1 tempos trabalho pol\u00edtico e de massas nas comunidades LGBT de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>O PCB tamb\u00e9m avan\u00e7ou muito nesta quest\u00e3o, com a forma\u00e7\u00e3o de nosso Coletivo LGBT Comunista e agora no XVI Congresso com a cria\u00e7\u00e3o da Secretaria de Quest\u00f5es LGBT. O PCB tem clareza de que a imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o LGBT faz parte da classe trabalhadora, e no Brasil, pa\u00eds que mais mata trans no mundo, o combate \u00e0 LGBTfobia e \u00e0 transfobia \u00e9 uma tarefa revolucion\u00e1ria important\u00edssima \u2013 al\u00e9m do que, no Brasil a LGBTfobia e a transfobia s\u00e3o discursos recorrentes da extrema\u2013direita e de sua base de apoio religiosa fundamentalista.<\/p>\n<p>\u00c9 tarefa do Partido Comunista Brasileiro trazer o debate franco e aberto da supera\u00e7\u00e3o da atrasada concep\u00e7\u00e3o LGBTf\u00f3bica e transf\u00f3bica no interior dos Partidos Comunistas do mundo.<\/p>\n<p>Moralismo quanto \u00e0s drogas<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos relevante, constatamos em diversos PCs do mundo e tamb\u00e9m em outras organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias uma concep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o das drogas encharcada de moralismo, encoberto com discursos de fraseologia revolucion\u00e1ria na linha \u201cdrogas s\u00e3o aliena\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Localizamos dois graves desvios nesta postura. O primeiro \u00e9 tratar a quest\u00e3o do uso de drogas (particularmente de drogas il\u00edcitas) numa perspectiva individual (\u201cdevemos convencer o camarada a largar o v\u00edcio\u201d), desconsiderando aspectos fundamentais:<\/p>\n<p>*o fato de o uso recreativo de drogas il\u00edcitas \u00e9 amplamente disseminado em grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, especialmente da juventude, e que o uso recreativo de drogas n\u00e3o est\u00e1 necessariamente vinculado ao v\u00edcio (especialmente nas drogas mais leves como a maconha);<\/p>\n<p>*o fato de que \u00e9 uma imensa hipocrisia da sociedade burguesa reprimir o uso de drogas como a maconha e ao mesmo tempo consentir \u2013 e muitas vezes at\u00e9 incentivar \u2013 o uso de drogas l\u00edcitas como o cigarro, o \u00e1lcool e medica\u00e7\u00e3o de tarja preta, sendo que as mortes relacionadas diretamente ao uso de drogas l\u00edcitas s\u00e3o muito ais frequentes do que as relacionadas ao uso das drogas proibidas.<\/p>\n<p>O segundo e mais grave \u00e9 desconhecer ou negligenciar que o discurso da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d n\u00e3o passa de um biombo \u201cjustificador\u201d de uma verdadeira guerra aos pobres. Como dissemos na recente campanha eleitoral, \u201cmorre muito mais gente por causa da guerra \u00e0s drogas do que pelo uso de drogas\u201d.<\/p>\n<p>O PCB tem clareza de que a bandeira da legaliza\u00e7\u00e3o escalonada das drogas e da imediata e total descriminaliza\u00e7\u00e3o do uso de subst\u00e2ncias entorpecentes \u00e9 uma bandeira importante como defesa da vida da juventude preta pobre favelada e perif\u00e9rica. Consideramos fraseologia oca pseudorrevolucion\u00e1ria o discurso de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que se colocam contra essa pauta afirmando que \u201co Estado burgu\u00eas n\u00e3o deixar\u00e1 de reprimir a classe trabalhadora com a legaliza\u00e7\u00e3o das drogas\u201d: o PCB entende que \u00e9 fundamental tirar da m\u00e3o da burguesia o discurso de que est\u00e1 \u201cdefendendo a fam\u00edlia e o futuro da juventude\u201d ao promover o combate \u00e0s drogas, tornando-o na verdade um verdadeiro genoc\u00eddio de Estado contra a juventude trabalhadora preta e pobre.<\/p>\n<p>Entendemos que o Movimento Comunista Internacional necessita fazer uma profunda reflex\u00e3o acerca deste tema e defender internacionalmente o fim da \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, a legaliza\u00e7\u00e3o escalonada das drogas e a descriminaliza\u00e7\u00e3o total do uso dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30248\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[242,65,10],"tags":[224],"class_list":["post-30248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eipco","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7RS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30248"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30251,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30248\/revisions\/30251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}