{"id":30252,"date":"2023-04-09T00:03:46","date_gmt":"2023-04-09T03:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30252"},"modified":"2023-04-09T00:03:46","modified_gmt":"2023-04-09T03:03:46","slug":"chega-de-violencia-por-uma-politica-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30252","title":{"rendered":"Chega de Viol\u00eancia, por uma pol\u00edtica de Vida!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30253\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30252\/images-jpeg-1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/images.jpeg-1.jpg?fit=685%2C448&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"685,448\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"images.jpeg-1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/images.jpeg-1.jpg?fit=685%2C448&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30253\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/images.jpeg-1.jpg?resize=685%2C448&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"685\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/images.jpeg-1.jpg?w=685&amp;ssl=1 685w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/images.jpeg-1.jpg?resize=300%2C196&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 685px) 100vw, 685px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Giovani Damico &#8211; membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>O Brasil acaba de assistir a mais um assustador caso de viol\u00eancia brutal contra crian\u00e7as desprotegidas em uma creche na cidade de Blumenau-SC. Este epis\u00f3dio configura mais um massacre em um intervalo de tempo cada vez menor. Mal terminamos de engolir a seco os ataques na Cidade de S\u00e3o Paulo na Escola Thomazia Montoro, nos deparamos com mais um epis\u00f3dio de viol\u00eancia, na esteira de uma s\u00e9rie de ataques violentos \u00e0 unidades educacionais que s\u00f3 no \u00faltimo ano foram mais de 20.<\/p>\n<p>O ciclo pol\u00edtico aberto no Brasil deu vaz\u00e3o \u00e0s formas mais abjetas de viol\u00eancia de classe, desde a viol\u00eancia genocida orquestrada pelos aparelhos de repress\u00e3o do Estado contra as juventudes perif\u00e9ricas, sobretudo negras, chegando \u00e0 viol\u00eancia no campo contra os movimentos sociais organizados na luta pela terra, popula\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas, Quilombolas e Ribeirinhas, que se veem alvo de ataques quotidianos perpetrados por jagun\u00e7os e mil\u00edcias para-militares, com anu\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os de Estado.<\/p>\n<p>Em tal cen\u00e1rio a desumaniza\u00e7\u00e3o de nossa classe \u00e9 a constante, n\u00e3o \u00e0 toa o Brasil ostenta outros recordes lastim\u00e1veis, como na viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica e feminic\u00eddios, transformando nossa popula\u00e7\u00e3o trans naquela com a menor expectativa de vida. Os ataques \u00e0s escolas e creches aparecem como a ponta de um fen\u00f4meno social de viol\u00eancias sist\u00eamicas, onde a pr\u00f3pria classe se v\u00ea consumida pela viol\u00eancia de Estado, quando n\u00e3o consumida por viol\u00eancias entre a pr\u00f3pria classe trabalhadora. Tal fen\u00f4meno foi observado por Fanon, que localizou como a sociabilidade colonial desumanizante, naturaliza o uso da viol\u00eancia contra o outro, o indesej\u00e1vel, como uma resposta quotidiana \u00f3bvia, n\u00e3o contra os opressores, mas contra outros grupos oprimidos, agredido ,assim, o mesmo \u201coutro\u201d que ele tamb\u00e9m \u00e9.<\/p>\n<p>O movimento comunista vem localizando uma outra constante hist\u00f3rica no desenrolar do Capitalismo, que para al\u00e9m de seu \u201cciclo natural\u201d do que Marx chamava de Fetichismo da Mercadoria, em que n\u00e3o apenas eram escondidas as ferramentas de explora\u00e7\u00e3o do capital, encobertas em uma \u00e1urea fantasmag\u00f3rica, onde os produtos convertidos em mercadoria parecem se tratar eles pr\u00f3prios de terem valor, escondendo a verdade hist\u00f3rica de que \u00e9 o trabalho humano criativo, com seu suor e suas dores que produz toda riqueza que nossa sociedade conhece. Tal processo, nas palavras de Marx, coisifica o mundo dos seres humanos e humaniza o mundo das coisas, e na mesma medida em que cresce a valoriza\u00e7\u00e3o do mundo das coisas, cresce a desumaniza\u00e7\u00e3o do mundo humano. Tal movimento \u00e9 o fluxo da mercadoria, \u00e9 o fluxo da sociabilidade capitalista, que nos tempos de crise v\u00ea crescer vertiginosamente a viol\u00eancia de classe e os mecanismos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reforma trabalhista, desmonte da previd\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade, aus\u00eancia de frui\u00e7\u00e3o e tempo livre s\u00e3o diversos dos aspectos mais evidentes da resposta \u00e0 crise. O capital recrudesce a explora\u00e7\u00e3o e com isso refor\u00e7a um ciclo de viol\u00eancia. Tal movimento vem assumindo a forma pol\u00edtica do neofascismo, onde a militariza\u00e7\u00e3o da vida quotidiana se torna a resposta para garantir a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de lucros, onde nichos de para-militares, mil\u00edcias, jagun\u00e7os, se associam \u00e0 igrejas para elegerem seus inimigos externos, criando uma coes\u00e3o dentro da classe dominante, apoiada por uma base social de massas. Uma amarra\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica muito clara \u00e9 costurada, e sua reprodu\u00e7\u00e3o no microcosmos do dia-a-dia das pessoas. A viol\u00eancia que \u00e9 percebida, ou que passa despercebida por cada um, mas que \u00e9 sentida ainda que de maneira inconsciente, passa a encontrar ref\u00fagio sendo exteriorizada em viol\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>Vemos assim pr\u00e1ticas quotidianas de viol\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica reproduzidas em espa\u00e7os diversos de sociabilidade, como em determinadas igrejas que assumem uma forma violenta de recrutamento religioso e disputa ideol\u00f3gica. Estas terminam por criar alvos ou at\u00e9 inimigos externos, interpelados de maneira violenta. Casos emblem\u00e1ticos como as Comunidades Terap\u00eauticas, que &#8220;abduzem&#8221; pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, com anu\u00eancia jur\u00eddica do Estado, sob justificativas de &#8220;interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria&#8221;, tornando tais pessoas alvo de torturas diversas.<\/p>\n<p>No interior das fam\u00edlias assistimos outros modos de reprodu\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da viol\u00eancia como nos casos de filhos\/as LGBTs expulsos\/as de suas casas, muitas vezes ap\u00f3s ciclos de espancamentos ou viol\u00eancia psicol\u00f3gica. Casos de viol\u00eancia contra a mulher aparecem com cada vez mais frequ\u00eancia, temos assim esposas que t\u00eam suas vidas ceifadas por seus companheiros, numa reprodu\u00e7\u00e3o de um esquema patriarcal, onde seu autor \u00e9 tanto agressor quanto v\u00edtima.<\/p>\n<p>Os comunistas entendem que a viol\u00eancia n\u00e3o deve continuar figurando como a \u00fanica resposta para nossas agruras sociais. As pol\u00edticas armamentistas v\u00eam tirando o foco da luta de classes e refor\u00e7ando um ciclo de viol\u00eancias internas que em nada interessam a classe trabalhadora. Para os comunistas, o \u00fanico contexto em que a viol\u00eancia deve ser uma ferramenta \u00e9 no contexto da supera\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias estruturais. A viol\u00eancia revolucion\u00e1ria \u00e9, portanto, uma resposta de supera\u00e7\u00e3o da ordem vigente, quebrando os ciclos de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o. Entendemos que nossa busca \u00e9 por uma pol\u00edtica de vida, que crie mecanismos de prote\u00e7\u00e3o da juventude, acolhimento da popula\u00e7\u00e3o LGBT, encerramento das viol\u00eancias no interior das fam\u00edlias, que resvalam sobretudo nas mulheres. Como revolucion\u00e1rios apontamos para a necessidade urgente de garantias sociais, supera\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de pen\u00faria e carestia. Distensionar o tecido social no interior de nossa classe, significa por um lado lutarmos por condi\u00e7\u00f5es de vida dignas, por acesso \u00e0 sa\u00fade, inclusive sa\u00fade mental, e por outro lado colocarmos o foco de nossa luta em nossos verdadeiros agentes de desumaniza\u00e7\u00e3o, pondo fim \u00e0 ordem de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de nosso povo.<\/p>\n<p>Declaramos assim nossa solidariedade com as fam\u00edlias das v\u00edtimas e nosso firme compromisso com a supera\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias contra nosso povo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30252\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[225],"class_list":["post-30252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7RW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30254,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30252\/revisions\/30254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}