{"id":3028,"date":"2012-06-18T15:02:28","date_gmt":"2012-06-18T15:02:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3028"},"modified":"2012-06-18T15:02:28","modified_gmt":"2012-06-18T15:02:28","slug":"onu-brasil-perdeu-25-das-riquezas-naturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3028","title":{"rendered":"ONU: Brasil perdeu 25% das riquezas naturais"},"content":{"rendered":"\n<p>Na contram\u00e3o de todo o desenvolvimento econ\u00f4mico de 31% nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil perdeu 25% de suas riquezas naturais per capita nesse per\u00edodo. Na Am\u00e9rica do Sul, o panorama \u00e9 ainda mais desanimador: o continente registrou uma perda total de 33%. Os n\u00fameros constam do relat\u00f3rio \u00cdndice da Riqueza Inclusiva, divulgado ontem no Riocentro pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Programa de Dimens\u00f5es Humanas para Mudan\u00e7as Ambientais Globais, ligado \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>O documento, in\u00e9dito, compilou dados coletados entre os anos de 1990 e 2008.<\/p>\n<p>O diferencial dessa an\u00e1lise \u00e9 que foram levados em conta para o resultado capitais manufaturados, humanos e naturais \u2014 e n\u00e3o s\u00f3 os tradicionais indicadores do Produto Interno Bruto (PIB) \u2014 para avaliar o n\u00edvel de riqueza dos pa\u00edses pesquisados.<\/p>\n<p>Os 20 pa\u00edses avaliados \u2014 Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, Chile, China, Col\u00f4mbia, Equador, Fran\u00e7a, Alemanha, \u00cdndia, Jap\u00e3o, Qu\u00eania, Nig\u00e9ria, Noruega, R\u00fassia, Ar\u00e1bia Saudita, \u00c1frica do Sul, Estados Unidos, Reino Unido e Venezuela \u2014 representam 56% da popula\u00e7\u00e3o mundial e 72% do PIB do planeta.<\/p>\n<p>Tentativa de mudar forma de medir crescimento<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 criar um mecanismo mais abrangente de pesquisa, capaz de proporcionar dados sobre o desenvolvimento a longo prazo.<\/p>\n<p>Trata-se de uma tentativa de mostrar que a observa\u00e7\u00e3o de dados econ\u00f4micos isolados n\u00e3o reflete o verdadeiro crescimento de uma determinada na\u00e7\u00e3o. Fatores como educa\u00e7\u00e3o, infraestrutura, investimentos, florestas, agricultura e combust\u00edveis devem ser inclu\u00eddos em qualquer an\u00e1lise conjuntural.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 um primeiro passo, crucial, para mudar o paradigma econ\u00f4mico global, pois nos for\u00e7a a reavaliar nossas necessidades e objetivos como sociedade \u2014 afirmou ontem o professor Anantha Duraiappah, diretor do Programa de Dimens\u00f5es Humanas para Mudan\u00e7as Ambientais Globais e respons\u00e1vel pela pesquisa.<\/p>\n<p>Para Partha Dasgupta, professor em\u00e9rito de Economia da Universidade de Cambridge, os n\u00fameros da pesquisa representam um grave sinal amarelo: \u2014 Um aumento total da riqueza n\u00e3o necessariamente indica que as futuras gera\u00e7\u00f5es podem consumir nos mesmos n\u00edveis desta gera\u00e7\u00e3o \u2014 advertiu Dasgrupta.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil n\u00e3o aceita medidas punitivas<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O principal avan\u00e7o da Rio+20, a ser lembrado daqui a 20 anos ser\u00e1 a decis\u00e3o de se criar, at\u00e9 2014, metas claras que garantam crescimento com combate \u00e0 pobreza e prote\u00e7\u00e3o ambiental, acredita o ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Antonio Patriota, na coordena\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es da confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. O Brasil est\u00e1 preocupado, por\u00e9m, em evitar que essas metas &#8211; os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel- abram espa\u00e7o para medidas discriminat\u00f3rias ou punitivas aos pa\u00edses com dificuldades.<\/p>\n<p>&#8220;Os objetivos n\u00e3o podem ser transformados em obst\u00e1culo; isso \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Patriota, em entrevista exclusiva ao Valor, em seu gabinete no Riocentro, de onde acompanha as discuss\u00f5es e contacta ministros de alguns dos 193 pa\u00edses da ONU. Outro resultado poss\u00edvel ser\u00e1 a decis\u00e3o de iniciar um processo de negocia\u00e7\u00e3o que proteja a biodiversidade nos oceanos e regule a explora\u00e7\u00e3o dos recursos gen\u00e9ticos em alto -mar.<\/p>\n<p>O ministro descartou a proposta defendida por pa\u00edses europeus e apoiada pelas na\u00e7\u00f5es africanas de transformar em uma ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas o Pnuma, o bra\u00e7o ambiental da ONU, que hoje \u00e9 um programa sem or\u00e7amento definido, for\u00e7a pol\u00edtica e participa\u00e7\u00e3o de todos os pa\u00edses. O prov\u00e1vel ser\u00e1 fortalecer o Pnuma, sem torn\u00e1-lo uma ag\u00eancia, como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, por exemplo, j\u00e1 que existe forte oposi\u00e7\u00e3o dos EUA. &#8220;\u00c9 uma ideia divisiva&#8221;, diz. A seguir, os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<p>Valor: O que pode garantir, na Rio+20, o financiamento \u00e0s metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel?<\/p>\n<p>Patriota: A proposta de estabelecimento de um processo intergovernamental, sob a \u00e9gide da Assembleia Geral da ONU, com apoio do sistema ONU e em consulta de institui\u00e7\u00f5es financeiras regionais e internacionais para a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos, est\u00e1 sendo bem aceita.<\/p>\n<p>Valor: Como \u00e9 essa proposta?<\/p>\n<p>Patriota: A ideia \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea intergovernamental que apresentar\u00e1 suas conclus\u00f5es em 2014. Poder\u00e1 se criar um processo que transcorrer\u00e1, dentro da filosofia do documento final da Rio+ 20, em paralelo \u00e0 defini\u00e7\u00e3o dos objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Esperamos que seja lan\u00e7ado tamb\u00e9m um processo que culmine com ado\u00e7\u00e3o de objetivos espec\u00edficos at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>Valor: A Europa est\u00e1 sem dinheiro, os EUA ter\u00e3o elei\u00e7\u00e3o. Como a Rio+20 est\u00e1 sendo afetada?<\/p>\n<p>Patriota: \u00c9 \u00f3bvio que tudo \u00e9 interligado. Aqui na Rio+20 o trabalho \u00e9 voltado a prazos mais longos, tanto na avalia\u00e7\u00e3o do que foi ou deixou de ser feito desde 1992 como o que prevemos para o futuro. Teremos os objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel, e queremos um desenvolvimento inclusivo, articulando-se com as metas do mil\u00eanio. Isso j\u00e1 indica um pensamento mais no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Valor: Sim, mas a Europa&#8230;<\/p>\n<p>Patriota: A Europa tem uma crise imediata e urgente, mas n\u00e3o vai deixar de existir e continua sendo um centro extraordin\u00e1rio de poderio econ\u00f4mico, lideran\u00e7a pol\u00edtica, conhecimento e tecnologia. Na Europa toda a tem\u00e1tica do desenvolvimento sustent\u00e1vel, imbrica\u00e7\u00e3o do meio ambiente com crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento social s\u00f3 vai ganhar import\u00e2ncia. \u00c9 um dos atores mais interessados em n\u00edveis elevados de ambi\u00e7\u00e3o na Rio+20. \u00c9 incontorn\u00e1vel o fato de que ela ter\u00e1 de contribuir para esse esfor\u00e7o, mas h\u00e1 muito que os pa\u00edses poder\u00e3o fazer em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Valor: Pa\u00edses ricos t\u00eam pedido cada vez mais que os pa\u00edses emergentes participem mais&#8230;<\/p>\n<p>Patriota: Eles est\u00e3o fazendo mais. No F\u00f3rum Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a presidenta Dilma [Rousseff] disse que o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de fazer muito nessa \u00e1rea, por caracter\u00edsticas que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias, que envolvem tanto o m\u00e9rito das lideran\u00e7as brasileiras na antecipa\u00e7\u00e3o de desafios, com matriz energ\u00e9tica mais limpa, pol\u00edtica contra a pobreza, mas tamb\u00e9m por caracter\u00edsticas do territ\u00f3rio, que permite diminuir g\u00e1s de efeito estufa evitando desmatamento. Podemos talvez fazer at\u00e9 mais que alguns outros.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se questiona a ideia da responsabilidade coletiva na articula\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel<\/p>\n<p>Valor: Na confer\u00eancia de Copenhague, o Brasil assumiu um posicionamento corajoso em metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Est\u00e1 se pensando em algo assim na Rio+20?<\/p>\n<p>Patriota: Esta confer\u00eancia tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, \u00e9 diferente de Copenhague e tamb\u00e9m da Rio92, onde havia o fechamento de acordos. Aqui estamos fazendo uma avalia\u00e7\u00e3o e planejando o futuro, a partir do documento &#8220;O Futuro que Queremos&#8221;, que \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o e aponta dire\u00e7\u00f5es. O embaixador Marcos Azambuja, que trabalhou na Rio92, disse outro dia que a proa est\u00e1 apontada na dire\u00e7\u00e3o certa, falando em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil. \u00c9 o que queremos fazer com esta confer\u00eancia tamb\u00e9m: apontar a proa na dire\u00e7\u00e3o da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Valor: Mas a quest\u00e3o \u00e9 saber se a embarca\u00e7\u00e3o vai navegar, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Patriota: A embarca\u00e7\u00e3o est\u00e1 navegando. J\u00e1 n\u00e3o se questiona a ideia da responsabilidade coletiva na articula\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel. Tamb\u00e9m n\u00e3o se questiona a import\u00e2ncia da erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, na mudan\u00e7a de padr\u00e3o de consumo. Na Rio92 foi considerada uma vit\u00f3ria se falar em meio ambiente e desenvolvimento. Hoje o segundo par\u00e1grafo do documento j\u00e1 diz que a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 central.<\/p>\n<p>Valor: Como avan\u00e7ar, por exemplo, no cap\u00edtulo de oceanos, uma \u00e1rea muito cara ao Brasil, mas onde os EUA se op\u00f5em? OS EUA sequer assinaram a conven\u00e7\u00e3o do mar&#8230;<\/p>\n<p>Patriota: A secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton, foi ao Congresso e est\u00e1 envolvida em uma mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para que os EUA ratifiquem a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre os Direitos do Mar. N\u00e3o me cabe pronunciar sobre a din\u00e2mica interna de um pa\u00eds, mas h\u00e1 uma din\u00e2mica nos Estados Unidos em que o Executivo tem muito interesse em se associar a esta conven\u00e7\u00e3o. Na medida em que os negociadores s\u00e3o representantes do Executivo, podemos tirar as nossas conclus\u00f5es. Aqui, nas negocia\u00e7\u00f5es de agora, os pontos de disc\u00f3rdia s\u00e3o pequenos e super\u00e1veis.<\/p>\n<p>Valor: A ideia \u00e9 se criar um processo que regulamente a explora\u00e7\u00e3o da biodiversidade do mar em \u00e1guas muito profundas, que n\u00e3o pertencem a nenhum pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Patriota: Sim, tem a ver com a biodiversidade para al\u00e9m das jurisdi\u00e7\u00f5es nacionais. Deve haver um processo negociador sobre isso.<\/p>\n<p>Valor: Nas negocia\u00e7\u00f5es de clima se pensa em um centro de tecnologia espec\u00edfico, e os pa\u00edses emergentes gostam dessa ideia. Aqui poderia sair algo parecido com isso?<\/p>\n<p>Patriota: A se\u00e7\u00e3o sobre transfer\u00eancia de tecnologia \u00e9 bastante gen\u00e9rica no texto. Mas, em paralelo, correm muitas iniciativas. Est\u00e1 bastante avan\u00e7ada a ideia de um centro de desenvolvimento sustent\u00e1vel com sede no Rio. Seria um instituto com patroc\u00ednio da ONU e que poderia tamb\u00e9m ser financiado por outras contribui\u00e7\u00f5es. Mas isso em paralelo \u00e0 confer\u00eancia, n\u00e3o ser\u00e1 anunciado aqui.<\/p>\n<p>Valor: Como o Brasil enfrentar\u00e1 essa agenda, rico em recursos naturais mas com uma popula\u00e7\u00e3o que quer consumir mais?<\/p>\n<p>Patriota: O papel da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. \u00c9 muito atrav\u00e9s da mudan\u00e7a da mentalidade que vamos avan\u00e7ar nessa dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 o desafio pol\u00edtico do momento em que vivemos. Exigir\u00e1 coragem, lideran\u00e7a, capacidade de quebrar padr\u00f5es aos quais estamos acostumados.<\/p>\n<p>Valor: O Brasil tem adotado pol\u00edticas como o est\u00edmulo ao consumo individual, sem cobrar mudan\u00e7as da ind\u00fastria, como nos incentivos ao setor automotivo.<\/p>\n<p>Patriota: Que outro pa\u00eds tem uma frota de autom\u00f3veis flex fuel como no Brasil? N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum. Isso a\u00ed tem implica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o queremos objetivos que sejam utilizados de maneira que possa ser discriminat\u00f3ria contra pa\u00edses mais pobres<\/p>\n<p>Valor: Mas \u00e9 transporte individual, quando a sustentabilidade pede est\u00edmulo ao transporte coletivo.<\/p>\n<p>Patriota: S\u00e3o quest\u00f5es leg\u00edtimas. Quem est\u00e1 fazendo mais tem de continuar fazendo mais; e temos de trabalhar para que quem est\u00e1 fazendo menos comece a fazer um pouco.<\/p>\n<p>Valor: A depend\u00eancia maior das reservas do pr\u00e9-sal n\u00e3o amea\u00e7am a economia verde no Brasil?<\/p>\n<p>Patriota: N\u00e3o \u00e9 esse o esp\u00edrito em que a presidenta, que entende muito de energia, pretende trabalhar. Temos conquistas importantes em termos de matriz energ\u00e9tica renov\u00e1vel; n\u00e3o vamos deixar que essa caracter\u00edstica da matriz brasileira sofra um retrocesso.<\/p>\n<p>Valor: A Rio+20 ser\u00e1 lembrada como daqui a 20 anos?<\/p>\n<p>Patriota: Jeffrey Sachs acha que os Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) s\u00e3o um tremendo ganho. \u00c9 uma conquista da maior import\u00e2ncia, desenvolvida no \u00e2mbito multilateral. Uma nova responsabilidade coletiva. \u00c9 muito importante que os objetivos sejam encarados da perspectiva da articula\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas pilares do desenvolvimento sustent\u00e1vel: n\u00e3o podemos ter um objetivo ambiental, outro social e outro econ\u00f4mico. Outro aspecto \u00e9: os objetivos n\u00e3o podem ser transformados em obst\u00e1culo. Isso \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Valor: Pode detalhar?<\/p>\n<p>Patriota: N\u00e3o queremos objetivos que sejam condicionalidades, que sejam transformados em barreiras ao com\u00e9rcio, utilizados de maneira que possa ser discriminat\u00f3ria contra pa\u00edses mais pobres. A erradica\u00e7\u00e3o da pobreza tem que estar no centro das aten\u00e7\u00f5es. Estamos olhando para o futuro sustent\u00e1vel do planeta. Os objetivos t\u00eam de ser curtos e a governan\u00e7a que ser\u00e1 criada tem de ajudar na sua implementa\u00e7\u00e3o, de maneira construtiva, que apoie esfor\u00e7os bem sucedidos, que n\u00e3o se penalize os que t\u00eam mais dificuldade.<\/p>\n<p>Valor: Quais as mudan\u00e7as na governan\u00e7a institucional? Como est\u00e3o as negocia\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Patriota: O que est\u00e1 sobre a mesa nesse momento \u00e9 fortalecer o papel do conselho geral do Ecosoc, que j\u00e1 tem um pilar econ\u00f4mico e social e pode ganhar um papel na \u00e1rea ambiental. Existe a ideia de se criar um F\u00f3rum de Alto N\u00edvel sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 comiss\u00e3o existente nessa \u00e1rea, a CDES, que seria turbinada, digamos assim. Ao mesmo tempo existe aquela ideia de fortalecimento do Pnuma.<\/p>\n<p>Valor: Por que o Brasil n\u00e3o apoia a transforma\u00e7\u00e3o do Pnuma em uma ag\u00eancia, com maiores poderes?<\/p>\n<p>Patriota: N\u00e3o h\u00e1 um consenso sobre a ag\u00eancia. A ideia da ag\u00eancia especializada \u00e9 divisiva. Aqui estamos trabalhando com as maiorias. Chegando perto de um acordo, com uma voz ou duas dissonantes, a gente empurra para aquela dire\u00e7\u00e3o. Quando h\u00e1 divis\u00e3o, que n\u00e3o vai ser resolvida em dois dias, a gente v\u00ea como pode lidar. Uma maneira \u00e9 trabalhar pelo fortalecimento, como fazer o Pnuma aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o universal que hoje \u00e9 limitada a poucos pa\u00edses.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Queda na produ\u00e7\u00e3o afeta o setor de bens de capital<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Embora venha se recuperando na margem, o subsetor de caminh\u00f5es e \u00f4nibus registrou quedas de dois d\u00edgitos na produ\u00e7\u00e3o por quatro meses consecutivos, puxando para baixo o setor de bens de capital, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>O segmento de caminh\u00f5es come\u00e7ou 2012 com uma queda de 65,5% em janeiro, seguida por perdas tamb\u00e9m em fevereiro (-34,6%), mar\u00e7o (-14,3%) e abril (-23,7%), sempre na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado. &#8220;Isso impactou nos bens de capital&#8221;, ressalta Fernando Abritta, analista da Coordena\u00e7\u00e3o de Ind\u00fastria do IBGE.<\/p>\n<p>Em janeiro, a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital recuou 13,1% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2011. Assim como ocorreu com a produ\u00e7\u00e3o dos caminh\u00f5es, a categoria ainda experimentou novas quedas em fevereiro (-16,0%), mar\u00e7o (-6,2%) e abril (-4,1%), sempre na mesma base de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O resultado foi uma redu\u00e7\u00e3o nos investimentos no primeiro trimestre de 2012. Como a aquisi\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es \u00e9 classificada como investimento, a redu\u00e7\u00e3o tanto nas vendas quanto na produ\u00e7\u00e3o levou a uma queda de 2,1% na Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo no primeiro trimestre do ano, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>&#8220;Caminh\u00f5es \u00e9 praticamente tudo investimento. Ent\u00e3o, isso afetou negativamente nos investimentos&#8221;, explica Rebeca Palis, gerente da Coordena\u00e7\u00e3o de Contas Nacionais do IBGE.<\/p>\n<p>Retomada. O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, admite que o desempenho do segmento nos primeiros meses deste ano \u00e9 fator de preocupa\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m aposta que as medidas de est\u00edmulo do governo ao setor automotivo v\u00e3o levar a ind\u00fastria de caminh\u00f5es a uma retomada das vendas e da produ\u00e7\u00e3o a partir de julho. &#8220;Dentro de 30 a 60 dias v\u00e3o aparecer os efeitos dessas medidas.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a Federa\u00e7\u00e3o Nacional da Distribui\u00e7\u00e3o de Ve\u00edculos (Fenabrave) e as montadoras, a demanda por ve\u00edculos novos tem a ajuda do uso de caminh\u00f5es para o escoamento das safras de soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar, bem como das obras de infraestrutura. &#8220;Ainda existe muita safra a ser colhida e, no caso da infraestrutura, o Brasil precisa ainda ser &#8220;constru\u00eddo&#8221;. H\u00e1 demanda de caminh\u00f5es para isso&#8221;, afirma Alarico Assump\u00e7\u00e3o J\u00fanior, presidente executivo da Fenabrave.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Uni\u00e3o eleva prote\u00e7\u00e3o para confec\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo publicou decreto no Di\u00e1rio Oficial que eleva de 8% para 20% a margem de prefer\u00eancia a vestu\u00e1rio, cal\u00e7ados esportivos e alguns produtos t\u00eaxteis de produ\u00e7\u00e3o nacional nas compras federais. Agora, quando for aberta uma licita\u00e7\u00e3o, o produto brasileiro que tiver custo at\u00e9 20% maior do que o estrangeiro continuar\u00e1 com prefer\u00eancia de compra.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 mais uma medida adotada para proteger a ind\u00fastria e aumentar a produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A ado\u00e7\u00e3o da margem de prefer\u00eancia aos produtos nacionais come\u00e7ou no ano passado como parte das a\u00e7\u00f5es do Plano Brasil Maior.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da lei agradou ao presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil e de Confec\u00e7\u00e3o (Abit) Aguinaldo Diniz Filho, que acredita que o setor vai come\u00e7ar a sentir os efeitos no segundo semestre, dependendo do ritmo de licita\u00e7\u00f5es realizadas. Segundo ele, as compras governamentais representam &#8220;um volume relevante para a ind\u00fastria&#8221;, mas sem apontar n\u00fameros espec\u00edficos. &#8220;Com a queda dos juros, a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, a desonera\u00e7\u00e3o na folha de pagamentos e mais essa medida, esperamos resultados positivos. O governo est\u00e1 demonstrando vontade pol\u00edtica&#8221;, afirma.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Peru quer atrair mais empresas brasileiras<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Com a maior taxa de crescimento e a menor infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos cinco anos na Am\u00e9rica Latina, o Peru quer entrar em um novo momento de desenvolvimento, de maior interliga\u00e7\u00e3o com parceiros da regi\u00e3o. Em visita ao Brasil, onde ficar\u00e1 at\u00e9 o fim do m\u00eas, Jose Carlo Burga, presidente do Conselho Empresarial do Peru &#8211; uma ag\u00eancia de fomento a investimentos no pa\u00eds andino &#8211; est\u00e1 em busca de empresas brasileiras que desejam se instalar em terras peruanas. Trabalhando em conjunto com Antonio Castillo, que participou do corpo t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica do governo de Alberto Fujimori (1990 a 2000) e hoje \u00e9 conselheiro econ\u00f4mico-comercial da embaixada peruana no pa\u00eds, Burga cr\u00ea em um novo momento na rela\u00e7\u00e3o bilateral, baseado em investimentos de longo prazo e maior integra\u00e7\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Valor, Burga e Castillo falaram sobre a &#8220;invas\u00e3o&#8221; das grandes empresas brasileiras nas obras de grande porte do pa\u00eds para os pr\u00f3ximos anos e fizeram o progn\u00f3stico de que, em 2017, &#8220;o Brasil deve se tornar o maior investidor estrangeiro no Peru.&#8221;<\/p>\n<p>Diferentemente dos pa\u00edses com quem possui rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas mais intensas, como Espanha e Estados Unidos, a mar\u00e9 de investimentos brasileiros acontece em \u00e1reas que se interligam, como minera\u00e7\u00e3o, energia, petroqu\u00edmica e transportes. Para Castillo, o maior interc\u00e2mbio entre as duas economias \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para um crescimento sustent\u00e1vel. &#8220;Os investimentos brasileiros s\u00e3o de longo prazo, de 30 anos, o que mostra esse novo tipo de rela\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo criada.&#8221; Confira os principais pontos da entrevista.<\/p>\n<p>Valor: O investimento brasileiro no Peru praticamente triplicou entre 2007 e 2010, sendo que no ano passado o Brasil se firmou com o sexto maior investidor no pa\u00eds. Qual a proje\u00e7\u00e3o para este ano?<\/p>\n<p>Jose Carlo Burga: At\u00e9 agora foram anunciados pelo menos dois grandes investimentos. Um da Braskem em parceria com a Petrobras, de US$ 4,5 bilh\u00f5es, e outro da Odebrecht com a CSN, de US$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Antonio Castillo: A perspectiva \u00e9 que os investimentos brasileiros alcancem US$ 20 bilh\u00f5es daqui a cinco anos. A diferen\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o investimentos s\u00f3 em mat\u00e9rias-primas ou em um setor, mas tamb\u00e9m em desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, como a Vale, que est\u00e1 produzindo fertilizantes ao inv\u00e9s de apenas comprar o fosfato. A Petrobras n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 extraindo g\u00e1s, mas construindo um parque petroqu\u00edmico. O Brasil precisa de zinco, ent\u00e3o a Votorantim est\u00e1 fazendo produtos ligados ao produto. H\u00e1 investimentos em a\u00e7o com o grupo Gerdau e a CSN. E todos esses projetos est\u00e3o com o setor privado.<\/p>\n<p>Valor: O Brasil \u00e9 o novo parceiro estrat\u00e9gico peruano?<\/p>\n<p>Castillo: A perspectiva \u00e9 que em cinco anos o Brasil se torne o maior investidor direto no Peru.<\/p>\n<p>Burga: Nossa economia n\u00e3o est\u00e1 mais ligada apenas a produtos prim\u00e1rios, estamos avan\u00e7ando na ind\u00fastria secund\u00e1ria. O que me surpreende na rela\u00e7\u00e3o entre Brasil e Peru \u00e9 que h\u00e1 oportunidades em muitos setores que ainda n\u00e3o foram explorados, como a agroind\u00fastria. A Odebrecht est\u00e1 trabalhando em um projeto de irriga\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de hectares potencialmente produtivos na costa norte peruana. Isso vai permitir que grandes empresas agr\u00edcolas brasileiras possam se instalar na regi\u00e3o, em um processo de abertura de uma nova \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Valor: Quais s\u00e3o as \u00e1reas com potencial de investimentos ainda pouco explorados?<\/p>\n<p>Burga: Em minera\u00e7\u00e3o e infraestrutura temos rela\u00e7\u00f5es consolidadas, tradicionais. O potencial de investimentos no Peru \u00e9 de cerca de US$ 90 bilh\u00f5es. Apenas em minera\u00e7\u00e3o, h\u00e1 oportunidades de US$ 53 bilh\u00f5es, pois 10% das reservas de min\u00e9rios ainda n\u00e3o foram exploradas. Em infraestrutura, o total de obras em andamento somam US$ 15 bilh\u00f5es, sendo que precisaremos de US$ 40 bilh\u00f5es para suprir nosso d\u00e9ficit nessa \u00e1rea nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Valor: O Brasil tamb\u00e9m tem problemas com infraestrutura deficit\u00e1ria e n\u00e3o tem conseguido tocar todas as obras a que se prop\u00f5e. E s\u00e3o as empresas brasileiras que est\u00e3o ligadas a essa expans\u00e3o no Peru. Elas v\u00e3o conseguir fazer os projetos nos dois pa\u00edses?<\/p>\n<p>Castillo: O tempo que as empresas brasileiras levam para construir no Peru \u00e9 muito menor do que no Brasil, pois temos menos burocracia e institui\u00e7\u00f5es mais \u00e1geis. O Brasil tem algumas dificuldades para desenvolver os projetos, mas as empresas possuem compet\u00eancia para isso. Tanto \u00e9 que agora estamos desenvolvendo um grande cluster petroqu\u00edmico, com a participa\u00e7\u00e3o da Petrobras na explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s, da Odebrecht na constru\u00e7\u00e3o do gasoduto, e da Braskem na constru\u00e7\u00e3o do polo petroqu\u00edmico. Temos usinas el\u00e9tricas sendo feitas por empresas brasileiras. Conversei h\u00e1 cerca de duas semanas com um grupo de empres\u00e1rios da Zona Franca de Manaus. Eles me disseram que estavam demorando s\u00f3 12 dias para importar autope\u00e7as da \u00c1sia e a um custo 35% menor de frete ao usar um porto peruano e a rodovia Transoce\u00e2nica para levar os produtos \u00e0 regi\u00e3o. O Brasil vai precisar desenvolver isso se quiser aumentar as exporta\u00e7\u00f5es. Usar a sa\u00edda peruana para o Pac\u00edfico para escoar para a China a produ\u00e7\u00e3o de soja e min\u00e9rios traz mais competitividade e rentabilidade ao produto brasileiro.<\/p>\n<p>Valor: Ent\u00e3o para chegar \u00e0 \u00c1sia a produ\u00e7\u00e3o brasileira vai passar antes pelo Peru&#8230;<\/p>\n<p>Castillo: N\u00e3o s\u00f3 isso. Estamos falando de constru\u00e7\u00e3o de dutos de g\u00e1s, dutos de soja entre os dois pa\u00edses, com as economias ficando mais interligadas. A Espanha, que \u00e9 o maior investidor no Peru, s\u00f3 tem alguns projetos, e todos em servi\u00e7os e bancos, que est\u00e3o tirando os investimentos por causa da crise. Os Estados Unidos est\u00e3o mais concentrados em minera\u00e7\u00e3o. Os investimentos brasileiros s\u00e3o de longo prazo, 30 anos.<\/p>\n<p>Burga: O Brasil n\u00e3o est\u00e1 comprando apenas uma mina de zinco, ou fazendo uma rodovia. O Porto de Bainova, que est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, vai movimentar oito milh\u00f5es de toneladas ao ano. \u00c9 investimento brasileiro para escoar a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Valor: Nos \u00faltimos sete anos o PIB peruano cresceu a uma taxa m\u00e9dia de 7%. A piora externa e a desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira n\u00e3o podem frear esse crescimento e minar os investimentos?<\/p>\n<p>Castillo: A nossa proje\u00e7\u00e3o de PIB para os pr\u00f3ximos anos \u00e9 de 6%. Nossa infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das menores do mundo, devendo ficar em 3% nesse ano. Nosso n\u00edvel de endividamento do PIB \u00e9 de 26% e nosso super\u00e1vit fiscal \u00e9 de 1,5%. Nossas reservas devem chegar a US$ 57 bilh\u00f5es no fim do ano. Pela base, temos uma economia est\u00e1vel. O nosso problema n\u00e3o \u00e9 crise e sim fazer novas reformas. Para esse salto para atividades mais diversificadas precisamos criar infraestrutura e novos focos de crescimento.<\/p>\n<p>Burga: A crise nos afeta no sentido de que n\u00e3o controlamos press\u00e3o na infla\u00e7\u00e3o, ou nossas vendas de algumas exporta\u00e7\u00f5es. Mas nosso crescimento \u00e9 baseado em demanda e explora\u00e7\u00e3o de riquezas internas, com uma base est\u00e1vel que favorece o investimento. S\u00f3 os projetos em infraestrutura garantem um crescimento entre 3% e 4% do PIB.<\/p>\n<p>Valor: Mas o Brasil est\u00e1 com proje\u00e7\u00e3o de crescimento menor, o que deve afetar os investimentos privados. E o BNDES \u00e9 o maior financiador desses projetos no Peru&#8230;<\/p>\n<p>Burga: N\u00e3o h\u00e1 sinais desse movimento dos empres\u00e1rios, pelo contr\u00e1rio. \u00c9 justamente nessa hora que as empresas est\u00e3o procuram novos projetos para crescer. E em rela\u00e7\u00e3o ao financiamento, h\u00e1 tamb\u00e9m bancos multilaterais e um mercado de cr\u00e9dito a juros baixos no Peru. Financiamento n\u00e3o \u00e9 problema.<\/p>\n<p>Valor: A corrente de com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses estabilizou em US$ 3 bilh\u00f5es desde 2008, com um leve crescimento no ano passado e super\u00e1vit a favor do Brasil. Quais as perspectivas para essa balan\u00e7a?<\/p>\n<p>Castillo: Se voc\u00ea olhar os n\u00fameros, o Brasil estagnou em cerca de US$ 2 bilh\u00f5es, enquanto as vendas peruanas est\u00e3o crescendo principalmente em manufaturas, que antes n\u00e3o vend\u00edamos. Mas com o aumento dos investimentos e a consolida\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 est\u00e3o em andamento, a troca de produtos deve se intensificar.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Investimento federal reage e cresce mais em maio<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os investimentos p\u00fablicos deram em maio um primeiro sinal de rea\u00e7\u00e3o. De acordo com levantamento feito pela Tend\u00eancias Consultoria com base em dados do Siga Brasil, sistema de informa\u00e7\u00e3o do Senado sobre or\u00e7amento p\u00fablico, o pagamento de investimentos p\u00fablicos pela Uni\u00e3o passou de R$ 592 milh\u00f5es em abril para R$ 1,03 bilh\u00e3o no \u00faltimo m\u00eas &#8211; crescimento de 46% em termos nominais sobre igual m\u00eas de 2011.<\/p>\n<p>Se somados tamb\u00e9m os restos a pagar de outros exerc\u00edcios, que em 2011 representaram cerca de 60% do total das despesas com investimento da Uni\u00e3o, os investimentos p\u00fablicos somaram R$ 3,7 bilh\u00f5es em maio deste ano, alta de 21,9% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano passado. Nos quatro primeiros meses de 2012, a m\u00e9dia de gastos nessa rubrica foi de R$ 2,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Felipe Salto, economista da Tend\u00eancias, pondera que os dados referem-se a apenas um m\u00eas e, por isso, \u00e9 cedo para tra\u00e7ar um cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos p\u00fablicos, que patinaram nos primeiros meses. O governo, diz ele, &#8220;est\u00e1 tentando ampliar disp\u00eandios com investimentos, mas vai ser dif\u00edcil por causa da arrecada\u00e7\u00e3o federal, que desacelerou.&#8221;<\/p>\n<p>No primeiro trimestre, a receita, que crescia 7% em termos reais ante igual per\u00edodo do ano passado, passou para um avan\u00e7o de 3% em abril, na mesma base de compara\u00e7\u00e3o. &#8220;Se essa taxa for observada ao longo do restante do ano, ainda ser\u00e1 poss\u00edvel cumprir a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio e manter o n\u00edvel de gastos previsto. Mas esse crescimento n\u00e3o comporta acelera\u00e7\u00e3o dos investimentos&#8221;, afirma Salto.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), o investimento p\u00fablico diminuiu na compara\u00e7\u00e3o anual. Entre janeiro e maio deste ano, a rela\u00e7\u00e3o foi, em m\u00e9dia, de 0,98%, inferior ao 1,15% observado no mesmo per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o consideram as invers\u00f5es financeiras e nem as despesas com subs\u00eddios ao Minha Casa Minha Vida, que desde janeiro deste ano passaram a ser computadas pelo Tesouro Nacional como investimentos. Antes, eram classificadas como despesas de custeio. Caso o programa habitacional fosse considerado, avalia Salto, a rela\u00e7\u00e3o entre investimentos p\u00fablicos e o Produto Interno Bruto (PIB) seria mais alta, de cerca de 1,3%.<\/p>\n<p>O baixo crescimento da economia no primeiro trimestre deste ano, de apenas 0,2% sobre os \u00faltimos tr\u00eas meses de 2011, elevou a preocupa\u00e7\u00e3o do governo com a atividade neste ano. Em algumas pastas, houve rea\u00e7\u00e3o mais forte ao fraco desempenho do come\u00e7o do ano. O Minist\u00e9rio dos Transportes, por exemplo, acelerou as despesas. Nos quatro primeiros meses do ano, a pasta, respons\u00e1vel por executar uma parte importante do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), gastou apenas R$ 41,8 milh\u00f5es, al\u00e9m de outros R$ 2,1 bilh\u00f5es em restos a pagar. Apenas em maio, as despesas com investimentos aceleraram para R$ 212 milh\u00f5es. Os restos a pagar, por sua vez, ficaram em linha com o observado nos dois meses anteriores e somaram R$ 616 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, que no ano passado foi respons\u00e1vel por um volume de investimentos inferior apenas \u00e0s pastas das Cidades e da Defesa, tamb\u00e9m apresentou acelera\u00e7\u00e3o do ritmo de gastos com essa finalidade. Entre janeiro e abril, em m\u00e9dia, a pasta dispendeu R$ 500 milh\u00f5es em investimentos, n\u00famero que saltou para R$ 825 milh\u00f5es em maio, considerando pagamentos e tamb\u00e9m restos a pagar.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Maioria absoluta fortalece Hollande<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O presidente Fran\u00e7ois Hollande conquistou ontem as melhores condi\u00e7\u00f5es para governar em seu in\u00edcio de mandato: o Partido Socialista (PS) obteve nas elei\u00e7\u00f5es legislativas a maioria absoluta de deputados na Assembleia Nacional. O resultado evita que o novo governo necessite do apoio de outros grupos de esquerda para aprovar no Parlamento suas reformas econ\u00f4micas e sociais, as quais dever\u00e3o incluir medidas de austeridade para conter o d\u00e9ficit p\u00fablico do pa\u00eds, como cortes no Or\u00e7amento e aumento de impostos. No plano europeu, o Pal\u00e1cio do Eliseu se fortalece politicamente em seu embate com a Alemanha da chanceler federal Angela Merkel pela aplica\u00e7\u00e3o de um programa de crescimento na zona do euro.<\/p>\n<p>Os socialistas e seus aliados conquistaram 314 cadeiras, um resultado confortavelmente superior ao patamar m\u00ednimo de 289 assentos para a obten\u00e7\u00e3o da maioria no Parlamento. Os conservadores, liderados pela Uni\u00e3o por um Movimento Popular (UMP), do ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficaram com apenas 229 assentos. A vota\u00e7\u00e3o foi marcada por um patamar recorde de absten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O campo socialista sofreu uma emblem\u00e1tica derrota nas urnas: Segol\u00e8ne Royal, candidata do partido na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2007 e ex-companheira de Hollande, n\u00e3o alcan\u00e7ou a maioria de votos para se eleger. Embora tamb\u00e9m tenha ficado de fora do Parlamento, a l\u00edder do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, comemorou a elei\u00e7\u00e3o de dois candidatos da legenda, entre eles sua sobrinha, Marion Mar\u00e9chal-Le Pen, que aos 22 anos se tornou a mais jovem deputada da Assembleia Nacional.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Hollande preferiu manter a discri\u00e7\u00e3o e n\u00e3o misturar sua condi\u00e7\u00e3o de presidente do pa\u00eds com as quest\u00f5es partid\u00e1rias. Coube ao seu primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, se dirigir aos eleitores que, com a vota\u00e7\u00e3o de ontem, conferiram uma maioria socialista nas duas casas parlamentares, o Senado e a Assembleia:<\/p>\n<p>-Voc\u00eas confirmaram a vontade de mudan\u00e7a. Voc\u00eas escolheram a coer\u00eancia, e os engajamentos do presidente da Rep\u00fablica poder\u00e3o ser colocados em obra &#8211; disse o premier socialista em pronunciamento na televis\u00e3o francesa.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m p\u00f4de comemorar a vit\u00f3ria do primeiro-ministro e de todos os ministros candidatos no pleito legislativo, poupando demiss\u00f5es por causa de derrota eleitoral, uma regra previamente determinada por Jean-Marc Ayrault. J\u00e1 o des\u00e2nimo era vis\u00edvel no lado perdedor.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um dia de derrota, e \u00e9 preciso reconhec\u00ea-la. Uma coisa est\u00e1 clara: n\u00f3s perdemos &#8211; admitiu Jean-Fran\u00e7ois Cop\u00e9, atual l\u00edder da UMP.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda da maioria na Assembleia, o partido da direita n\u00e3o conseguiu eleger alguns de seus caciques, como os ex-ministros Claude Gu\u00e9ant, Nadine Morano e Mich\u00e8le Alliot-Marie. O partido de centro, o MoDem, tamb\u00e9m saiu derrotado ao n\u00e3o conseguir reeleger seu l\u00edder, Fran\u00e7ois Bayrou.<\/p>\n<p>Brasileiro naturalizado franc\u00eas ter\u00e1 um assento<\/p>\n<p>Malograda em sua inten\u00e7\u00e3o de entrar para a Assembleia, a l\u00edder de extrema direita Marine Le Pen procurou minimizar seu fracasso pessoal, valorizar o desempenho do partido e alfinetar a direita tradicional da UMP:<\/p>\n<p>-N\u00e3o posso estar decepcionada quando se faz 49,9% contra todos. Perdi por apenas 114 votos de diferen\u00e7a. Mas o fato de estarmos representados na Assembleia \u00e9 um enorme sucesso. A UMP pagou um alto pre\u00e7o por suas contradi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e seus compromissos pol\u00edticos &#8211; declarou.<\/p>\n<p>O Brasil, de uma certa forma, estar\u00e1 representado na Assembleia Nacional francesa. O ga\u00facho Eduardo Cypel, 36 anos, naturalizado franc\u00eas em 1998, ganhou a elei\u00e7\u00e3o na 8\u00aa circunscri\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o de Seine-et-Marne, com 52,77% dos votos, e ter\u00e1 um assento no Parlamento, em Paris. Emocionado, e assegurando estar ciente da &#8220;honra e da responsabilidade&#8221; de cumprir um mandato legislativo, o brasileiro disse que a dif\u00edcil tarefa que o governo ter\u00e1 pela frente foi facilitada pelas urnas.<\/p>\n<p>&#8211; Nosso neg\u00f3cio agora \u00e9 trazer crescimento novo. J\u00e1 t\u00ednhamos dito que haveria medidas para a diminui\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. Mas \u00e9 preciso ter tamb\u00e9m medidas para estimular o crescimento econ\u00f4mico, tanto na Fran\u00e7a como na Europa. E \u00e9 claro que se governa melhor com uma maioria dependendo unicamente de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia pol\u00edtica. Mas o que conta \u00e9 a esquerda dentro desta Assembleia, que hoje \u00e9 bastante majorit\u00e1ria &#8211; disse Cypel ao GLOBO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3028\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3028","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-MQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3028\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}