{"id":30284,"date":"2023-04-13T13:50:53","date_gmt":"2023-04-13T16:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30284"},"modified":"2023-04-13T13:50:53","modified_gmt":"2023-04-13T16:50:53","slug":"duas-decadas-de-destruicao-do-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30284","title":{"rendered":"Duas d\u00e9cadas de destrui\u00e7\u00e3o do Oriente M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30268\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30267\/photo_2023-04-12_21-51-41\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/photo_2023-04-12_21-51-41.jpg?fit=1280%2C960&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1280,960\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"photo_2023-04-12_21-51-41\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/photo_2023-04-12_21-51-41.jpg?fit=747%2C560&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30268\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lavrapalavra.com\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/image-2023-04-13T125321.789.png?resize=747%2C560&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"560\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Oriente M\u00e9dio (Portugal)<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>O m\u00eas de mar\u00e7o \u00e9 especialmente fat\u00eddico como in\u00edcio das agress\u00f5es imperialistas sobre o Oriente M\u00e9dio: Iraque, L\u00edbia, I\u00eamen, por exemplo. O esfor\u00e7o imperialista em dominar esta regi\u00e3o \u00e9 todavia permanente, martirizando povos e pa\u00edses. Dura h\u00e1 demasiado tempo o mart\u00edrio do povo palestino, que o sionismo desejaria converter em genoc\u00eddio completo. Recordando acontecimentos das \u00faltimas d\u00e9cadas, o MPPM volta a sublinhar que, tal como n\u00e3o pode haver paz no Oriente M\u00e9dio sem o reconhecimento dos direitos inalien\u00e1veis do povo palestino, n\u00e3o pode haver paz no mundo sem haver paz no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o assinalaram-se 20 anos sobre a invas\u00e3o do Iraque pelos EUA, Reino Unido e seus aliados, numa guerra de agress\u00e3o que violou todas as normas do Direito Internacional. Tamb\u00e9m no m\u00eas de mar\u00e7o \u2013 que se revelou particularmente funesto para os povos do Oriente M\u00e9dio \u2013 passaram-se 12 anos desde o in\u00edcio dos bombardeamentos da OTAN sobre a L\u00edbia e da interven\u00e7\u00e3o na S\u00edria por parte das pot\u00eancias ocidentais e seus aliados regionais. Foi ainda no m\u00eas de mar\u00e7o que, em 2015, teve in\u00edcio a agress\u00e3o militar estrangeira ao I\u00eamen.<\/p>\n<p>A guerra contra o Iraque teve como pretexto mentiras acerca de inexistentes armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. Os bombardeios brutais sobre Bagd\u00e1 que come\u00e7aram em 19 de mar\u00e7o de 2003 faziam assumidamente parte da estrat\u00e9gia b\u00e9lica de \u00abShock and Awe\u00bb (\u00abChoque e Temor\u00bb), teorizada pelos estrategistas militares estadunidenses desde a d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo xx. O Iraque foi militarmente ocupado &#8211; uma ocupa\u00e7\u00e3o que, sob formas diversas, persiste at\u00e9 os nossos dias, com a presen\u00e7a de cerca de 2.500 soldados dos EUA, sem contar mercen\u00e1rios, apesar da exig\u00eancia da sua retirada pelo Parlamento iraquiano.<\/p>\n<p>O Iraque j\u00e1 fora devastado pela guerra Ir\u00e3-Iraque, a Guerra do Golfo de 1991 e uma d\u00e9cada de brutais e mort\u00edferas san\u00e7\u00f5es da ONU que levaram \u00e0 demiss\u00e3o de Denis Halliday e Kurt von Sponeck, dois altos funcion\u00e1rios da ONU, em protesto contra os efeitos criminosos das san\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o civil, em especial as crian\u00e7as. Nos \u00faltimos 30 anos, milh\u00f5es de iraquianos morreram ou foram feridos e milh\u00f5es mais ficaram desalojados ou tornaram-se refugiados. A economia e a sociedade iraquianas foram destro\u00e7adas.<\/p>\n<p>O Iraque ocupado tornou-se sin\u00f4nimo de guerra e morte, mas tamb\u00e9m de tortura nas pris\u00f5es estadunidenses como Abu Graibe. O Museu de Bagd\u00e1 foi pilhado no dia da ocupa\u00e7\u00e3o da cidade pelas tropas dos EUA e com a sua coniv\u00eancia. Foram usadas armas com ur\u00e2nio empobrecido, cujos efeitos terr\u00edveis incluem a explos\u00e3o de malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, como est\u00e1 hoje amplamente documentado.<\/p>\n<p>Tentando esmagar a resist\u00eancia iraquiana, as tropas de ocupa\u00e7\u00e3o arrasaram cidades inteiras como Faluja. Um pa\u00eds anteriormente laico foi dividido segundo linhas confessionais e outras, dando sequ\u00eancia \u00e0 antiga estrat\u00e9gia de dividir para reinar; os conflitos internos foram instigados e alimentados pelas for\u00e7as ocupantes.<\/p>\n<p>O mart\u00edrio do Iraque \u00e9 uma n\u00f3doa na imagem de uma comunidade internacional que, ap\u00f3s anos de mort\u00edferas san\u00e7\u00f5es, procurou legitimar a ilegal ocupa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 1483 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (maio de 2003). O ent\u00e3o primeiro-ministro de Portugal, Dur\u00e3o Barroso, atrelou o pa\u00eds \u00e0s mentiras e crimes da invas\u00e3o, acolhendo nas Lajes a C\u00fapula com Bush, Blair e Aznar. Foi premiado, no ano seguinte, com a sua elei\u00e7\u00e3o para Presidente da Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O m\u00eas de mar\u00e7o assinalou tamb\u00e9m os anivers\u00e1rios de outras guerras que devastaram o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Foi em 19 de mar\u00e7o de 2011 que tiveram in\u00edcio os bombardeios da OTAN sobre a L\u00edbia, numa guerra de agress\u00e3o apoiada em grupos terroristas fundamentalistas que conduziu a uma fragmenta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e \u00e0 desestrutura\u00e7\u00e3o da sua soberania. E, tal como no Iraque, foi a mentira o motor que justificou mais uma guerra. O Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o de Neg\u00f3cios Estrangeiros da C\u00e2mara dos Comuns brit\u00e2nica reconheceu, em setembro de 2016, n\u00e3o ser verdade que o governo l\u00edbio tivesse bombardeado ou massacrado popula\u00e7\u00f5es civis, pretexto sob o qual foi lan\u00e7ada a agress\u00e3o da OTAN.<\/p>\n<p>A agress\u00e3o \u00e0 L\u00edbia destruiu o pa\u00eds com o mais alto \u00cdndice de Desenvolvimento Humano na \u00c1frica (Relat\u00f3rios do PNUD). Hoje, a L\u00edbia \u00e9 um pa\u00eds fragmentado e em guerra permanente, sujeito \u00e0s manobras das pot\u00eancias ocidentais, que procuram impedir que esse pa\u00eds possa ser soberano na gest\u00e3o dos seus enormes recursos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas, mar\u00e7o de 2011, ocorreu a militariza\u00e7\u00e3o dos protestos na S\u00edria por parte das pot\u00eancias ocidentais e seus aliados regionais. Esse armamento e financiamento externo, com \u00abcentenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares e dezenas de milhares de toneladas de armas\u00bb foi canalizado para grupos terroristas como a Al Qaeda, como reconheceu publicamente, em outubro de 2014, o ent\u00e3o Vice-Presidente Biden, num encontro com estudantes da Universidade de Harvard.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste caso, as pot\u00eancias ocidentais trouxeram a guerra, a morte, a destrui\u00e7\u00e3o, a fragmenta\u00e7\u00e3o, o caos, que permanecem at\u00e9 o presente. Grande parte da S\u00edria, nomeadamente a zona do pa\u00eds mais rica em petr\u00f3leo, permanece sob ocupa\u00e7\u00e3o pelas tropas dos EUA, em viola\u00e7\u00e3o da sua soberania. O ex-Presidente Trump tornou claro o objetivo desta presen\u00e7a ao declarar publicamente: \u00abvamos ficar com o petr\u00f3leo\u00bb.<\/p>\n<p>Sob ocupa\u00e7\u00e3o permanecem igualmente uma parte do Norte do pa\u00eds, pela Turquia, e os Montes Gol\u00e3 s\u00edrios, conquistados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias de 1967 e anexados em 1981, com reconhecimento da anexa\u00e7\u00e3o pelos EUA durante a Presid\u00eancia Trump, em viola\u00e7\u00e3o a todas as resolu\u00e7\u00f5es da ONU sobre a quest\u00e3o. Esse reconhecimento foi mantido pelo atual Presidente Biden. Para al\u00e9m dessa ocupa\u00e7\u00e3o, Israel tem lan\u00e7ado frequentes ataques a\u00e9reos sobre v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds, incluindo Damasco, n\u00e3o se coibindo de o fazer mesmo depois do terremoto recente que atingiu o Norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m no m\u00eas de mar\u00e7o, em 2015, que teve in\u00edcio a agress\u00e3o militar estrangeira ao I\u00eamen, por parte da Ar\u00e1bia Saudita e dos Emirados \u00c1rabes Unidos, com o apoio pol\u00edtico e militar dos EUA, Reino Unido e outras pot\u00eancias, expresso tamb\u00e9m num bloqueio que tem atingido o aux\u00edlio humanit\u00e1rio. A guerra no I\u00eamen, em grande medida silenciada e ignorada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, tem sido uma enorme cat\u00e1strofe humana, com centenas de milhares de mortos e dram\u00e1ticos efeitos no plano alimentar e sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Estas e outras guerras, como a ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o ou a invas\u00e3o do L\u00edbano em 2006 e as repetidas guerras de Israel contra a popula\u00e7\u00e3o palestina sitiada na Faixa de Gaza, transformaram o Oriente M\u00e9dio numa regi\u00e3o devastada e destru\u00edda. Entre os respons\u00e1veis diretos por essa situa\u00e7\u00e3o contam-se as antigas pot\u00eancias coloniais, que sempre conviveram mal com a soberania conquistada pelos povos da regi\u00e3o durante o s\u00e9culo xx.<\/p>\n<p>Os autores materiais dessas guerras de agress\u00e3o, os EUA e outras pot\u00eancias da OTAN, mostram-se hoje chocados por guerras em outras paragens. Mas \u00e9 imposs\u00edvel esconder o seu total arb\u00edtrio no uso da for\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, bem como a sua responsabilidade direta pelo ataque sistem\u00e1tico \u00e0 legalidade internacional e \u00e0 soberania e integridade territorial dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio. Um arb\u00edtrio evidenciado tamb\u00e9m pelo comportamento face ao drama do povo palestino, cujos direitos inalien\u00e1veis continuam a ser ignorados ap\u00f3s d\u00e9cadas de promessas nunca cumpridas e sempre violadas. Foi tamb\u00e9m este uso arbitr\u00e1rio da for\u00e7a que abriu caminho ao risco real de uma cat\u00e1strofe de grandes propor\u00e7\u00f5es, com que a Humanidade se v\u00ea hoje confrontada.<\/p>\n<p>O MPPM, ao recordar estes acontecimentos das \u00faltimas d\u00e9cadas, volta a sublinhar que, tal como n\u00e3o pode haver paz no Oriente M\u00e9dio sem o reconhecimento dos direitos inalien\u00e1veis do povo palestino, n\u00e3o pode haver paz no mundo sem haver paz no Oriente M\u00e9dio. \u00c9 urgente p\u00f4r fim ao caminho de guerra, de viola\u00e7\u00e3o da soberania e dos direitos dos povos, de concep\u00e7\u00f5es coloniais e imperialistas nas rela\u00e7\u00f5es entre pot\u00eancias e os pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>4 de Abril de 2023<\/p>\n<p>A Dire\u00e7\u00e3o Nacional do MPPM<\/p>\n<p>https:\/\/www.mppm-palestina.org\/content\/mppm-evoca-duas-decadas-de-destruicao-do-medio-oriente-0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30284\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[233],"class_list":["post-30284","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Ss","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30284"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30287,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30284\/revisions\/30287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}