{"id":30340,"date":"2023-05-02T23:14:19","date_gmt":"2023-05-03T02:14:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30340"},"modified":"2023-05-02T23:14:19","modified_gmt":"2023-05-03T02:14:19","slug":"trabalho-em-saude-e-luta-sindical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30340","title":{"rendered":"Trabalho em sa\u00fade e luta sindical"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30341\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30340\/image12\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?fit=750%2C375&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"750,375\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image(12)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?fit=300%2C150&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?fit=747%2C374&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30341\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?resize=747%2C374&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?w=750&amp;ssl=1 750w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image12.png?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>Por R\u00f4mulo Caires<\/p>\n<p>Sou camel\u00f4, sou do mercado informal<br \/>\nCom minha guia sou profissional<br \/>\n(Edson Gomes)<\/p>\n<p>Hoje em dia tornou-se lugar comum no campo progressista afirmar que a luta sindical est\u00e1 ultrapassada. Seja porque a classe trabalhadora brasileira e baiana se ocuparia majoritariamente de trabalhos informais, sem representa\u00e7\u00e3o sindical, seja porque as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas nas \u00faltimas d\u00e9cadas supostamente modificou t\u00e3o intensamente o mundo do trabalho e as rela\u00e7\u00f5es sociais, que a institui\u00e7\u00e3o sindical perdeu a sua raz\u00e3o de ser.<\/p>\n<p>Uma r\u00e1pida olhada nos notici\u00e1rios deveria no m\u00ednimo questionar tais formula\u00e7\u00f5es: trabalhadores de aplicativos se organizando em greves, trabalhadoras da enfermagem paralisando suas atividades em prol da efetiva\u00e7\u00e3o do piso salarial, metrovi\u00e1rios cruzando os bra\u00e7os por seus direitos, os exemplos poderiam se estender muito mais. Neste escrito defenderemos a atualidade da luta sindical, questionando o senso comum estabelecido sobre o tema. Partiremos da an\u00e1lise do trabalho em sa\u00fade e indicaremos o potencial organizativo do setor como uma das vias de reoxigenar a luta sindical em nossos tempos.<\/p>\n<p>Ao adentrarmos na hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora no Brasil um dos aspectos que salta aos olhos \u00e9 que desde o per\u00edodo colonial boa parte do \u201ctrabalho livre\u201d era feito por pessoas sem qualquer v\u00ednculo empregat\u00edcio formal. Aqueles que vivem de \u201cbicos\u201d ou de com\u00e9rcio no mercado informal n\u00e3o surgiram apenas no s\u00e9culo XXI, mas tal situa\u00e7\u00e3o atravessou a forma\u00e7\u00e3o social brasileira ao longo de sua hist\u00f3ria. Se observarmos a hist\u00f3ria do Brasil no s\u00e9culo XX notaremos que as m\u00faltiplas lutas sindicais que foram constru\u00eddas n\u00e3o dependeram necessariamente do v\u00ednculo de emprego formal e isso n\u00e3o impediu que a classe trabalhadora organizada efetivasse vit\u00f3rias no campo sindical.<\/p>\n<p>A luta sindical n\u00e3o delimita um espa\u00e7o homog\u00eaneo, mas constitui formas variadas que a classe trabalhadora encontrou para se defender das imposi\u00e7\u00f5es cegas do capital. Por si s\u00f3 o movimento sindical n\u00e3o tem aspecto revolucion\u00e1rio e muitas vezes apenas reproduz um tipo de consci\u00eancia que poder\u00edamos chamar de \u201ceconomicista\u201d, ou seja, que n\u00e3o \u00e9 capaz de enxergar para al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mais imediatas. E por que ainda sim a luta sindical \u00e9 importante para n\u00f3s, comunistas?<\/p>\n<p>A partir da an\u00e1lise do trabalho em sa\u00fade podemos iniciar uma resposta para tal quest\u00e3o. Como um primeiro aspecto \u00e9 importante observarmos que a luta sindical \u00e9 uma das vias de politiza\u00e7\u00e3o da economia. Sendo a economia a produ\u00e7\u00e3o material da vida social, e sendo o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista fundamentado em uma economia refrat\u00e1ria aos des\u00edgnios humanos, ou seja, estruturada apenas para reproduzir o lucro, sua continua\u00e7\u00e3o ocorre independente do sofrimento e da destrui\u00e7\u00e3o das for\u00e7as vitais da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Assim, o capital se reproduz naturalizando a ordem social, transformando condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em condi\u00e7\u00f5es eternas. A politiza\u00e7\u00e3o da economia significa a possibilidade de questionar essas formas de naturaliza\u00e7\u00e3o e pereniza\u00e7\u00e3o do capital. A partir da organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora em instrumentos pr\u00f3prios de luta e independentes do capital \u00e9 poss\u00edvel transformar a realidade dada, encontrar as tend\u00eancias inscritas no tecido social que apontem para um modo de vida alternativo.<\/p>\n<p>Percebam que com essas defini\u00e7\u00f5es n\u00e3o apontamos para este ou aquele sindicato em particular, que sim podem estar tomados por pelegos e burocratas, mas indicamos uma forma imediata de defesa presente na pr\u00f3pria sociedade capitalista, que tem potencial de criar rachaduras nos consensos e avan\u00e7ar para formas mais complexas de organiza\u00e7\u00e3o como um partido revolucion\u00e1rio. Nesse sentido, chamamos de luta sindical aquela que organiza trabalhadores de um determinado setor com o intuito inicial de se defender da explora\u00e7\u00e3o capitalista, mas que pode avan\u00e7ar na produ\u00e7\u00e3o de germens de uma consci\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em texto anterior abordamos a import\u00e2ncia do complexo da sa\u00fade nas formas contempor\u00e2neas de acumula\u00e7\u00e3o de capital e a necessidade de organizar este setor para uma aut\u00eantica ofensiva da classe trabalhadora como um todo. N\u00e3o retomaremos os detalhes da argumenta\u00e7\u00e3o feita ali. Gostar\u00edamos apenas de ressaltar que a organiza\u00e7\u00e3o sindical do trabalho em sa\u00fade pode ser um momento fundamental dessa ofensiva. A maioria dos sindicatos em sa\u00fade s\u00e3o sindicatos de categorias como m\u00e9dicos, psic\u00f3logos, enfermeiras etc. H\u00e1 tamb\u00e9m alguns sindicatos mais gerais como \u201csindicatos de trabalhadores da sa\u00fade\u201d, que integram m\u00faltiplas categorias.<\/p>\n<p>Os sindicatos de categorias padecem do risco sempre presente de corporativismo. A categoria m\u00e9dica \u00e9 uma das mais afetadas por esse tipo de perspectiva. Por\u00e9m, ainda sim \u00e9 importante ressaltar que nas \u00faltimas d\u00e9cadas h\u00e1 uma tend\u00eancia crescente de aumento da sindicaliza\u00e7\u00e3o entre os m\u00e9dicos e iniciativas classistas podem tensionar o corporativismo em dire\u00e7\u00e3o a propostas de integra\u00e7\u00e3o sindical com outras \u00e1reas da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O trabalho deve ser focado principalmente entre trabalhadores do sistema privado, cada vez mais precarizados a partir de terceiriza\u00e7\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es operadas por Organiza\u00e7\u00f5es Sociais de Sa\u00fade. A partir da cr\u00edtica das formas atuais de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abrir vias para questionamentos mais amplos, que possam inclusive compreender as rela\u00e7\u00f5es entre SUS e capitalismo no Brasil ou a centralidade negativa da categoria m\u00e9dica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>Apesar de ainda ser uma categoria muito ligada ao \u201ctrabalho liberal\u201d, a psicologia tamb\u00e9m possui potencial sindical e iniciativas do tipo tem crescido no pa\u00eds. Os psic\u00f3logos tamb\u00e9m caem nos equ\u00edvocos corporativistas, mas os seus campos de atua\u00e7\u00e3o abrem a perspectiva de questionar a rela\u00e7\u00e3o entre sofrimento ps\u00edquico e sociedade capitalista, al\u00e9m de possibilitar a\u00e7\u00f5es conjuntas com as outras categorias da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O maior potencial ao nosso ver est\u00e1 na categoria da enfermagem. Al\u00e9m de possu\u00edrem sal\u00e1rios inferiores \u00e0 outras categorias, de vivenciarem jornadas extenuantes de trabalho, de reproduzirem os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero (a inferioriza\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade patriarcal conduz a naturaliza\u00e7\u00f5es de posi\u00e7\u00f5es como o lugar do cuidado), a categoria da enfermagem tem sido cada vez mais atuante na conjuntura atual. O enorme contingente de trabalhadoras da enfermagem, sua import\u00e2ncia no sistema privado de sa\u00fade, a superexplora\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho etc., s\u00e3o motivos que impulsionam as enfermeiras \u00e0 luta, como observamos nas jornadas a favor da efetiva\u00e7\u00e3o do piso salarial nacional.<\/p>\n<p>Pela import\u00e2ncia do complexo da sa\u00fade na sociedade, pelo grande contingente de trabalhadores, pelos regimes de trabalho cada vez mais prec\u00e1rios, enfim pelo potencial organizativo do setor sa\u00fade como um todo, devemos nos inserir cada vez mais nessas lutas, aumentar nossa incid\u00eancia nos sindicatos, agitar propostas classistas, propagandear formula\u00e7\u00f5es que possibilitem a politiza\u00e7\u00e3o das lutas econ\u00f4micas no sentido de fazer da classe trabalhadora da sa\u00fade um momento importante da constru\u00e7\u00e3o da vanguarda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30340\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[197,15],"tags":[222],"class_list":["post-30340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude","category-s18-sindical","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Tm","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30340"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30342,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30340\/revisions\/30342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}