{"id":3036,"date":"2012-06-19T19:45:28","date_gmt":"2012-06-19T19:45:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3036"},"modified":"2012-06-19T19:45:28","modified_gmt":"2012-06-19T19:45:28","slug":"alivio-com-eleicao-na-grecia-dura-pouco-e-espanha-volta-a-assustar-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3036","title":{"rendered":"Al\u00edvio com elei\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia dura pouco e Espanha volta a assustar o mercado"},"content":{"rendered":"\n<p>A lua de mel n\u00e3o durou mais do que algumas poucas horas e o aparente fim do suspense na elei\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia n\u00e3o deu al\u00edvio \u00e0 Europa. Ontem, a crise jogou a Espanha \u00e0 beira de um precip\u00edcio financeiro e mergulhou o continente numa indefini\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n<p>O resultado da elei\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia no fim de semana foi recebido com al\u00edvio, com a vit\u00f3ria de partidos que defendem o acordo de resgate com a Europa e a aparente forma\u00e7\u00e3o de um governo de coaliz\u00e3o entre a Nova Democracia e os socialistas. O resultado afasta a possibilidade de que um governo de extrema esquerda assumisse o poder e decretasse o fim dos acordos entre Bruxelas e Atenas, na pr\u00e1tica expulsando a Gr\u00e9cia da zona do euro.<\/p>\n<p>Para analistas, por\u00e9m, a elei\u00e7\u00e3o fracassou em dar garantias ao bloco e deixou claro que a crise grega apenas encobria uma incerteza generalizada. A lua de mel nos mercados foi mais curta do que se esperava. O foco de instabilidade se transferiu para a Espanha e deixou evidente a falta de estrat\u00e9gia da UE para lidar com a crise e o fato de que a quarta maior economia do bloco ainda n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o para a crise.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado escancarou uma realidade que os europeus descobrem a cada dia: a de que resolver a situa\u00e7\u00e3o de Atenas j\u00e1 n\u00e3o resolve a crise da UE&#8221;, disse um negociador europeu ao Estado.<\/p>\n<p>Dia ruim. Ontem a Espanha viveu seu pior dia nos mercados financeiros desde o in\u00edcio da crise. O risco pa\u00eds bateu novo recorde e a bolsa de Madri despencou, numa indica\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds est\u00e1 a ponto de ver as portas do mercado de cr\u00e9dito se fecharem.<\/p>\n<p>O dia come\u00e7ou com sinais positivos, com o resultado das elei\u00e7\u00f5es gregas. Madri chegou a ver a bolsa subir 2%. Mas o otimismo logo deu lugar a uma onda de tens\u00e3o sem precedentes na Espanha desde a cria\u00e7\u00e3o do euro.<\/p>\n<p>Madri anunciou h\u00e1 dez dias que havia fechado um acordo para um resgate de at\u00e9 100 bilh\u00f5es para seus bancos. Mas ontem a pr\u00f3pria UE admitiu que o pacote n\u00e3o estava pronto. Sem uma defini\u00e7\u00e3o de quem receberia esse dinheiro, quais seriam os crit\u00e9rios, quem ficaria respons\u00e1vel e nem mesmo quando o dinheiro chegaria, o mercado reagiu. A bolsa fechou em queda de 2,9%, mesmo \u00edndice de Mil\u00e3o. J\u00e1 a taxa de juros da d\u00edvida espanhola atingiu o recorde de 7,2%, o que, na pr\u00e1tica, impede que o governo tenha acesso sustent\u00e1vel a um financiamento no mercado.<\/p>\n<p>Ontem, o governo espanhol se limitava a tentar dar garantias ao mercado, em v\u00e3o. Enquanto isso, no M\u00e9xico, a nova onda de turbul\u00eancia deixou a chanceler alem\u00e3 Angela Merkel sob forte press\u00e3o do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do restante do G-20, para que seja flex\u00edvel em seu receitu\u00e1rio para o continente e ofere\u00e7a uma nova alternativa para superar a crise. Em ano de elei\u00e7\u00e3o, Obama n\u00e3o quer ver a crise europeia atingir as costas americanas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Protesto re\u00fane mais de mil ind\u00edgenas diante do BNDES<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Cerca de mil ind\u00edgenas se reuniram em frente \u00e0 sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) na manh\u00e3 de ontem, no centro do Rio, para protestar contra a participa\u00e7\u00e3o da entidade financeira estatal em obras de infraestrutura realizadas em \u00e1reas ind\u00edgenas no Pa\u00eds, tais como a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no Rio Xingu (Par\u00e1).<\/p>\n<p>Com roupas t\u00edpicas, os corpos pintados e ostentando tacapes, arcos e flechas, eles exigiram que a realiza\u00e7\u00e3o dessas obras n\u00e3o prejudique o cotidiano das 3,5 mil tribos espalhadas pelo Brasil.<\/p>\n<p>O protesto come\u00e7ou no Aterro do Flamengo &#8211; onde paralelamente \u00e0 Rio+20 ocorre a C\u00fapula dos Povos. O grupo atravessou pistas de grande circula\u00e7\u00e3o apontando suas tradicionais armas em dire\u00e7\u00e3o a motoristas e pedestres, dan\u00e7ando e cantando.<\/p>\n<p>Houve confus\u00e3o na chegada \u00e0 sede do BNDES, quando alguns ind\u00edgenas invadiram as laterais do pr\u00e9dio e pularam as grades que cercam o local. Os edif\u00edcios do banco e da Petrobr\u00e1s, instalada nas proximidades, fecharam suas entradas principais.<\/p>\n<p>Representantes da ONG Causa Ind\u00edgena distribu\u00edram panfletos afirmando que a aus\u00eancia &#8220;de demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios agu\u00e7a os conflitos&#8221;. Ap\u00f3s meia hora de protesto, 12 lideran\u00e7as ind\u00edgenas foram recebidas pelo vice-presidente do BNDES, Jo\u00e3o Carlos Ferraz. Uma comiss\u00e3o com cinco representantes ind\u00edgenas ser\u00e1 formada para uma segunda reuni\u00e3o, que dever\u00e1 ocorrer em julho, quando o banco pretende expor a\u00e7\u00f5es de diminui\u00e7\u00e3o de impactos socioambientais dos projetos que participa.<\/p>\n<p>\u00c0 tarde, a sede do banco voltou a ser palco de um protesto, quando cerca de mil pessoas participaram da &#8220;Marcha \u00e0 R\u00e9 da Rio + 20&#8221;. Os manifestantes caminharam &#8220;de r\u00e9&#8221; em alguns trechos do percurso, que teve origem no Museu de Arte Moderna (MAM), no centro do Rio, para expor seu descontentamento com o que consideram retrocessos da pol\u00edtica ambiental do governo Dilma Rousseff .<\/p>\n<p>Mais cedo, tamb\u00e9m no centro do Rio, uma passeata organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Via Campesina reuniu cerca de 3 mil pessoas contra o &#8220;capitalismo verde e mercantiliza\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BC projeta PIB menor<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>O Banco Central dever\u00e1 reduzir a sua estimativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, dos atuais 3,5% para algo entre 2,5% e 3% \u2014 o an\u00fancio oficial ser\u00e1 feito no fim deste m\u00eas. Esse \u00e9 o consenso entre os analistas, que ontem voltaram a mostrar pessimismo em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho econ\u00f4mico do pa\u00eds, ao reduzirem, pela sexta vez consecutiva, as proje\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o da atividade. Em vez de 2,53%, agora eles apostam em um t\u00edmido salto de 2,30%. A tend\u00eancia \u00e9 de que esse n\u00famero continue baixando nas pr\u00f3ximas semanas, reflexo da desconfian\u00e7a que est\u00e1 minando o PIB brasileiro, conforme alertou o presidente do BC, Alexandre Tombini, em entrevista ao Correio no \u00faltimo domingo.<\/p>\n<p>Diante desse quadro desolador, os especialistas passaram a crer em cortes ainda mais acentuados da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). Segundo a pesquisa realizada semanalmente pelo BC, o indicador, que est\u00e1 em 8,50%, dever\u00e1 ceder mais uma pontos percentuais, para 7,5% ao ano. At\u00e9 ent\u00e3o, o consenso era de apenas um corte de 0,5 ponto da Selic, para 8%. &#8220;No geral, os dados se mostram comportados no tocante \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. E isso abre margem para a autoridade monet\u00e1ria focar, com mais tranquilidade, em outros aspectos da pol\u00edtica econ\u00f4mica&#8221;, disse Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.<\/p>\n<p>Os analistas observam, contudo, que, em 2013, o quadro de pre\u00e7os da economia n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o confort\u00e1vel para o BC como neste ano e a Selic ter\u00e1 de ser mais uma vez elevada, pelo menos 9% ao ano. As proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e3o em 5,54% para o pr\u00f3ximo ano e em 5% para 2012. Em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, as previs\u00f5es endossam o discurso governista e mostram que o Brasil s\u00f3 dever\u00e1 acelerar no segundo semestre e, apenas em 2013, crescer mais pr\u00f3ximo de seu potencial, ao redor de 4,5%.<\/p>\n<p>No entender de Tombini, as medidas de est\u00edmulo dadas pelo governo \u00e0 economia, incluindo o corte de quatro pontos percentuais na taxa de juros desde agosto do ano passado, devem demorar mais tempo que o normal para mostrar resultados. Motivo: tanto os consumidores quanto os empres\u00e1rios est\u00e3o assustados com os problemas da Europa e dos Estados Unidos. Segundo o presidente do BC, a crise internacional aumentou esse &#8220;tempo de transmiss\u00e3o&#8221; e o Brasil deve dar uma arrancada mais para o fim do ano. At\u00e9 l\u00e1, os dados da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio continuam a rodar em ritmo aqu\u00e9m do ideal.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cr\u00e9dito do BNDES para os Estados pode sair at\u00e9 2014<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Apesar da expectativa do Pal\u00e1cio do Planalto de que a linha de financiamento especial a ser criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) para os Estados ajude a impulsionar a atividade da economia dom\u00e9stica imediatamente, parte dos recursos poder\u00e1 ser liberada apenas em 2013 e 2014. A medida, que tenta combater os efeitos da crise financeira global, foi anunciada sexta-feira, depois de reuni\u00e3o da presidente Dilma Rousseff com os governadores.<\/p>\n<p>Questionado se o lan\u00e7amento da linha teria algum impacto nas proje\u00e7\u00f5es de desembolsos do banco para este ano, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ponderou que o ano de 2012 j\u00e1 est\u00e1 na metade e as contrata\u00e7\u00f5es demandam algum tempo. &#8220;O impacto mais substancial ser\u00e1 em 2013, e talvez um peda\u00e7o em 2014. N\u00e3o antevejo um estresse sobre o funding do banco para 2012.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Coutinho, o governo discute os crit\u00e9rios para dividir entre os Estados os R$ 20 bilh\u00f5es liberados. &#8220;Reuni\u00f5es t\u00e9cnicas est\u00e3o sendo feitas em Bras\u00edlia. O que se discute de mais importante s\u00e3o os crit\u00e9rios de aloca\u00e7\u00e3o dos recursos, combinando redistribui\u00e7\u00e3o para os Estados mais pobres e com maior popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o crit\u00e9rio do Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Estados (FPE), com o outro lado, que \u00e9 a efic\u00e1cia. Existem Estados que t\u00eam carteiras de projetos mais maduras e, portanto, mais vi\u00e1veis a curto prazo. O que se deseja \u00e9 combinar as duas coisas&#8221;, explicou o presidente do BNDES.<\/p>\n<p>Segundo fontes do Pal\u00e1cio do Planalto, o governo quer ver esses R$ 20 bilh\u00f5es despejados na economia o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Caso algum governo estadual n\u00e3o tenha projeto pronto, o governo deixou aberta a possibilidade de que esses recursos possam ser usados para pagar as contrapartidas dos Estados em obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) j\u00e1 contratadas e em andamento.<\/p>\n<p>Coutinho disse ainda, depois de participar do F\u00f3rum de Sustentabilidade Empresarial, na Rio+20, que um clube de bancos de fomento ao desenvolvimento sustent\u00e1vel, do qual o BNDES participa, anunciar\u00e1 hoje uma carta de compromisso. &#8220;Temos uma institui\u00e7\u00e3o chamada International Financial Development Club. S\u00e3o 19 bancos de v\u00e1rios pa\u00edses e temos trabalhado em conjunto, no sentido de pactuar um comprometimento das institui\u00e7\u00f5es com o desenvolvimento sustent\u00e1vel e inclusivo&#8221;, disse o presidente do banco.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mais bancos vendem cr\u00e9dito &#8216;podre&#8217;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em meio ao cen\u00e1rio de alta da inadimpl\u00eancia, mais bancos come\u00e7am a mostrar disposi\u00e7\u00e3o para vender carteiras de cr\u00e9ditos em atraso, atividade sem grande tradi\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. No fim do ano passado, Ita\u00fa BBA e Pine testaram esse mercado, segundo apurou o Valor. O Banco Mercantil do Brasil tem feito leil\u00f5es desses chamados cr\u00e9ditos podres h\u00e1 pelos menos dois anos, ajudando a engrossar uma lista que antes estava restrita a institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, como Santander, Citi e HSBC.<\/p>\n<p>A depender do crescimento do estoque de cr\u00e9dito (e da inadimpl\u00eancia) e de mudan\u00e7as da regulamenta\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, o grupo de institui\u00e7\u00f5es com inclina\u00e7\u00e3o para vender financiamentos em atraso s\u00f3 tende a aumentar.<\/p>\n<p>O pequeno volume das opera\u00e7\u00f5es feitas por Ita\u00fa BBA e Pine indica que os bancos ainda est\u00e3o tateando esse mercado. No caso do Ita\u00fa BBA, foram 15 financiamentos que totalizaram cerca de R$ 80 milh\u00f5es &#8211; valor de face dos ativos de cr\u00e9dito. O Pine fez quatro ou cinco opera\u00e7\u00f5es que somaram aproximadamente R$ 25 milh\u00f5es. Procurados, os bancos n\u00e3o atenderam \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Segundo fonte ouvida pelo Valor, dois grandes bancos de varejo que nunca venderam suas carteiras chegaram a conversar com potenciais compradores para suas d\u00edvidas vencidas h\u00e1 mais de 180 dias este ano, mas n\u00e3o fecharam neg\u00f3cio. A sondagem por parte das institui\u00e7\u00f5es cresce principalmente em torno das carteiras de ve\u00edculos, uma das modalidades em que a inadimpl\u00eancia mais avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Alguns dos motivos que mantiveram os bancos nacionais afastados do com\u00e9rcio de cr\u00e9ditos podres s\u00e3o a falta de tradi\u00e7\u00e3o, vontade de manter a opera\u00e7\u00e3o do cliente (corporativo, principalmente) e o estigma de &#8220;pouca solidez&#8221; a que um banco estaria sujeito a carregar caso optasse por se desfazer dos empr\u00e9stimos vencidos &#8211; como se a venda revelasse uma suposta necessidade de levantar recursos. Os estrangeiros, j\u00e1 acostumados a lan\u00e7ar m\u00e3o desse expediente l\u00e1 fora, v\u00eam alimentando essa ind\u00fastria no Brasil. Santander, o mais ativo deles, vendeu no primeiro trimestre deste ano uma carteira de R$ 700 milh\u00f5es, entre cr\u00e9ditos de varejo e para empresas.<\/p>\n<p>Daqui para frente, por\u00e9m, dois fatores devem estimular um n\u00famero maior de bancos a vender cr\u00e9ditos em atraso: a fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa do Banco Central sobre formas alternativas de concess\u00e3o de financiamentos e a implementa\u00e7\u00e3o das regras de Basileia 3, que definem os par\u00e2metros de capital das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>No caso da fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa, o incentivo para a venda de cr\u00e9ditos podres deve ter maior apelo entre bancos de m\u00e9dio porte, que costumam recorrer a fundos de investimentos em direitos credit\u00f3rios (FIDCs) para alavancar a capacidade de empr\u00e9stimo. A partir de 2013, a autoridade vai exigir que as institui\u00e7\u00f5es reservem capital para as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito que estiverem fora do balan\u00e7o. Portanto, os bancos que n\u00e3o quiserem arcar com provis\u00f5es &#8220;extra&#8221; para cr\u00e9ditos contabilizados dentro de fundos de investimento, por exemplo, estariam mais propensos a vender esses ativos em atraso.<\/p>\n<p>J\u00e1 o acordo de Basileia 3 tem potencial para trazer para esse mercado os grandes bancos de varejo, detentores de volumes bilion\u00e1rios de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios. Pelas novas regras, que entram em vigor gradualmente de 2013 a 2018, a maior parte dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios produzidos a partir da constitui\u00e7\u00e3o de provis\u00f5es para devedores deixar\u00e1 de ser contabilizada como patrim\u00f4nio de refer\u00eancia, o que acabaria por reduzir a capacidade de oferta de financiamento.<\/p>\n<p>Diante da iminente &#8220;perda&#8221; desses ativos fiscais do capital, os bancos, hoje avessos \u00e0 venda de cr\u00e9ditos podres, devem passar a considerar melhor a possibilidade. Quando cr\u00e9ditos podres (j\u00e1 provisionados) s\u00e3o vendidos, normalmente por um valor muito inferior ao de face, o banco realiza um preju\u00edzo. Isso permite acessar o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio para abater Imposto de Renda (IR) e a Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL).<\/p>\n<p>Hoje, quando cr\u00e9ditos acima de R$ 5 mil ficam em atraso por mais de um ano, os bancos declaram perda cont\u00e1bil mas a Receita Federal n\u00e3o permite que o valor seja abatido dos impostos at\u00e9 que se esgotem todas as tentativas de recupera\u00e7\u00e3o, inclusive judiciais, o que pode levar anos. Com as novas regras de Basileia 3, carregar esses cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios no balan\u00e7o significar\u00e1 consumir mais capital.<\/p>\n<p>O mercado de cr\u00e9ditos podres no Brasil est\u00e1 aqu\u00e9m do potencial. Pelos c\u00e1lculos de Salvatore Milanese, s\u00f3cio respons\u00e1vel pela \u00e1rea de reestrutura\u00e7\u00e3o da KPMG, que organiza a venda de carteiras vencidas para empresas e bancos, o volume de financiamentos com atraso de 60 a 360 dias e daqueles que j\u00e1 foram baixados para preju\u00edzo (e est\u00e3o nas contas de compensa\u00e7\u00e3o dos bancos) gira em torno de R$ 440 bilh\u00f5es. Em anos auspiciosos para a ind\u00fastria de cr\u00e9ditos podres como foi 2011, o montante comercializado, de R$ 27 bilh\u00f5es, n\u00e3o chega a representar 7% do estoque de cr\u00e9ditos em atraso.<\/p>\n<p>&#8220;Mat\u00e9ria-prima \u00e9 o que n\u00e3o falta&#8221;, observa Milanese. Para o especialista, a ades\u00e3o de mais bancos \u00e0 venda de carteiras vencidas \u00e9 quest\u00e3o de tempo. &#8220;O cr\u00e9dito responde s\u00f3 por 50% do PIB. \u00c0 medida que esse volume for aumentando, os bancos passar\u00e3o a ir a mercado [vender cr\u00e9dito podre]&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Estado de S. 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