{"id":30361,"date":"2023-05-05T15:25:23","date_gmt":"2023-05-05T18:25:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30361"},"modified":"2023-05-05T15:25:23","modified_gmt":"2023-05-05T18:25:23","slug":"entrevista-do-momento-fran-rebelatto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30361","title":{"rendered":"Entrevista do Momento: Fran Rebelatto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30362\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30361\/entrevista_fran\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?fit=1200%2C675&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,675\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"entrevista_fran\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?fit=747%2C420&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30362\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?resize=747%2C420&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?resize=900%2C506&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/entrevista_fran.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Milton Pinheiro<\/p>\n<p>Jornal O MOMENTO &#8211; PCB da Bahia<\/p>\n<p>Fran Rebelatto \u2013 Cineasta, fot\u00f3grafa e professora de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA). Atua tamb\u00e9m como docente na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Latino-Americanos na Unila. Jornalista e Mestre em Ci\u00eancias Sociais pela UFSM e doutora em Cinema e Audiovisual pela UFF. \u00c9 diretora do ANDES-SN (gest\u00e3o 2021-2013), integra a Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da Corrente Sindical Unidade Classista e o Comit\u00ea Central do PCB. Candidata \u00e0 Secret\u00e1ria-geral pela Chapa 1 Andes pela base: Ousadia para Sonhar, Coragem para Lutar nas elei\u00e7\u00f5es do ANDES-SN.<\/p>\n<p>1) Voc\u00ea \u00e9 uma pesquisadora de cinema e fotografia. Como examina o cinema brasileiro no momento?<\/p>\n<p>O cinema brasileiro, assim como todos os campos das artes, se viu diante um cen\u00e1rio de muita apreens\u00e3o nos \u00faltimos anos com o desmonte deliberado das pol\u00edticas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Isso se deu depois de um processo relevante de democratiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e de sua descentraliza\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dos grandes centros urbanos tradicionalmente produtores de imagens do pa\u00eds. Com a reestrutura\u00e7\u00e3o da Ancine e de pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional a partir dos anos 2000 foi poss\u00edvel ver novas hist\u00f3rias emergindo desde o Brasil profundo. Com isso, a produ\u00e7\u00e3o deslocou-se para o Nordeste, para o interior de Minas Gerais, para Bras\u00edlia (para citar alguns exemplos) fazendo com que novas contradi\u00e7\u00f5es da realidade brasileira fossem reveladas pelo cinema nacional como \u00e9 o caso dos filmes da produtora Filmes de Pl\u00e1stico de Cataguazes em Minas Gerais, o cinema de Kleber Mendon\u00e7a revelando o avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria em Recife, o cinema de Adirley Queiroz na periferia de Bras\u00edlia, inclusive, com o recente filme \u2018Mato em Chamas\u2019, ou o primeiro longa-metragem produzido no Acre, \u2018Noites alien\u00edgenas\u2019 que trata das fac\u00e7\u00f5es nas periferias do Norte. Mais recentemente temos acompanhado tamb\u00e9m a reivindica\u00e7\u00e3o e a express\u00e3o do cinema negro brasileiro que tem ocupado as telas e tamb\u00e9m lutado por uma maior presen\u00e7a na frente e atr\u00e1s das c\u00e2meras. Tem muita produ\u00e7\u00e3o sendo feita no Brasil, em especial, a partir da chegada das plataformas de streaming e da produ\u00e7\u00e3o de s\u00e9ries, no entanto, se por um lado isso movimenta o mercado criando novos postos de trabalho, tamb\u00e9m traz todas as contradi\u00e7\u00f5es da precariza\u00e7\u00e3o que segue \u00e0 risca o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o que fez com que recentemente se organizasse a campanha de luta pela #jornadajusta, se normalizou na produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e do audiovisual jornada que ultrapassam, muitas vezes, mais de 12h di\u00e1rias. \u00c9 necess\u00e1rio estar atentos (as) e organizados (as), e reconhecer que a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e audiovisual brasileira t\u00eam nos ajudado a entender melhor o Brasil! E esse deve ser o seu papel.<\/p>\n<p>2) Foi lan\u00e7ado recentemente um filme de sua autoria, discutindo a vida das mulheres na tr\u00edplice fronteira. Quais foram as abordagens que apresenta nesse filme?<\/p>\n<p>O filme Pasajeras (2021) trata da vida das mulheres trabalhadoras que cotidianamente cruzam a fronteira entre o Paraguai e o Brasil, nas cidades de Ciudad del Leste e Foz do Igua\u00e7u. S\u00e3o mulheres conhecidas como \u2018paseras\u2019, ou seja, que trabalham centralmente com o \u2018leva e traz\u2019 de mercadorias de um pa\u00eds a outro. H\u00e1 muitos anos pesquiso a rela\u00e7\u00e3o entre os territ\u00f3rios de fronteiras e as imagens produzidas sobre esses territ\u00f3rios pela imprensa, na fotografia e no cinema. E nessas andan\u00e7as por diferentes territ\u00f3rios entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Col\u00f4mbia, dentre outros, sempre me chamou aten\u00e7\u00e3o o papel das mulheres trabalhadoras que est\u00e3o localizadas nos trabalhos mais precarizados. Quando cheguei a Foz do Igua\u00e7u para dar aula na Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (Unila) de imediato percebi que tamb\u00e9m nesta fronteira s\u00e3o as mulheres a carregar nas costas, nas caixas, nas bolsas a maior parte da mercadoria dos \u2018descaminhos\u2019. No entanto, em Foz do Igua\u00e7u temos algumas outras contradi\u00e7\u00f5es que se colocam, considerando que se trata de um dos principais destinos tur\u00edstico do mundo. Por ali, as mulheres, com destaque para as de nacionalidade paraguaia, n\u00e3o s\u00f3 cruzam para transportar mercadorias, mas tamb\u00e9m tem aquelas que cruzam com sua arte (dan\u00e7as e m\u00fasicas tradicionais paraguaias) para compor o cen\u00e1rio das express\u00f5es \u2018art\u00edsticas\u2019 vendidas aos turistas de passagem. O filme coloca lado a lado estas duas realidades: da mulher trabalhadora informal que carrega mercadoria, com a mulher artista que carrega sua arte e hist\u00f3ria do outro lado da fronteira. E mesmo massacradas pelo peso de suas hist\u00f3rias de viol\u00eancia e de explora\u00e7\u00e3o, essas mulheres sonham, encontram-se nas hist\u00f3rias de suas av\u00f3s, m\u00e3es, filhas e seguem na luta e na labuta. O filme est\u00e1 dispon\u00edvel na Plataforma Ita\u00fa Play Cultural podendo ser acessado de forma gratuita e tamb\u00e9m est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para ser exibido junto ao bom debate por todo Brasil.<\/p>\n<p>3) Para al\u00e9m de cineasta, voc\u00ea \u00e9 professora da Unila e militante do movimento docente. Quais s\u00e3o as quest\u00f5es centrais para se pensar a universidade no processo societ\u00e1rio atual?<\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 importante dizer que minha hist\u00f3ria de acesso \u00e0 universidade p\u00fablica \u00e9 uma daquelas que corresponde \u00e0 primeira pessoa da fam\u00edlia a entrar num curso superior ou at\u00e9 mesmo a uma das poucas jovens de toda uma gera\u00e7\u00e3o de uma pequena cidade do \u201cinterior\u201d que teve possibilidade a esse acesso. Filha de trabalhadores pobres do campo no Rio Grande do Sul, a universidade era muito distante, com isso, algo que estava associado a um processo de emancipa\u00e7\u00e3o. De fato, um \u2018mundo\u2019 se abriu quando passei na UFSM no curso de Jornalismo. No entanto, logo foi poss\u00edvel entender os limites dessa universidade p\u00fablica que carrega em si muitas contradi\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria sociabilidade capitalista. Ou seja, uma universidade, na maioria dos casos, com prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de acesso e perman\u00eancia para os (as) estudantes, com infraestruturas que n\u00e3o d\u00e3o conta das demandas de ensino, pesquisa e extens\u00e3o, com professores (as) ref\u00e9ns do produtivismo ou da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento voltada aos interesses do mercado. Uma universidade ainda muito branca e elitizada, mesmo que esse quadro j\u00e1 tenha se alterado um pouco nos \u00faltimos anos, mas ainda de forma insuficiente, em especial no corpo docente. Institui\u00e7\u00f5es que reproduzem processos de ass\u00e9dio e rela\u00e7\u00f5es de trabalho que se alimentam com l\u00f3gica da competitividade. Temos muito que avan\u00e7ar para construir uma universidade popular que v\u00e1 al\u00e9m do seu car\u00e1ter p\u00fablico e gratuito, mas que possa ser uma universidade discutida e constru\u00edda \u00e0 luz de um outro projeto societ\u00e1rio, a partir de um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o e que, hist\u00f3rias como a minha, n\u00e3o sejam exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra, mas que as (os) filhas e filhos da classe trabalhadora possam ocupar as nossas universidades e que possamos produzir conhecimento coletivo que atenda aos interesses do povo trabalhador e que supere todas as formas de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>4) Enquanto militante docente e dirigente do ANDES\/SN, como desenvolver uma participa\u00e7\u00e3o ativa em defesa dos direitos da categoria?<\/p>\n<p>Um dos grandes desafios que temos nesta quadra hist\u00f3rica que nos coube atuar como militantes da categoria docente \u00e9 a necessidade de ampliar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos (as) professores (as) para que se sintam parte de um processo coletivo de luta em defesa da universidade p\u00fablica e referenciada nos interesses de classe, pela valoriza\u00e7\u00e3o da nossa carreira, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, com isso, ser contra as tentativas de transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o presencial humanizadora e cr\u00edtica em uma educa\u00e7\u00e3o voltada aos interesses exclusivos do mercado, desumanizada, mediada somente por tecnologias e pela l\u00f3gica empresarial. Tudo isso associado \u00e0 luta pela amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 universidade, em especial, para os estudantes negros (as), ind\u00edgenas, da periferia, filhas e filhos de nossa classe. E isso depende de instrumentos que tenham a capacidade de provocar a consci\u00eancia cr\u00edtica dos (as) professores (as) como \u00e9 o caso do sindicato. Temos o desafio de transformar nossos sindicatos de base, junto ao ANDES-SN, num espa\u00e7o de luta, debate, acolhimento e lugar de mobiliza\u00e7\u00e3o da nossa categoria. Entendo, no entanto, que esse movimento n\u00e3o pode estar descolado das lutas dos trabalhadores (as) t\u00e9cnicos, dos estudantes, dos (as) trabalhadores (as) terceirizados (as), mais do que isso, tem que estar associado \u00e0s pautas mais amplas do entorno da universidade, quais sejam, as lutas por moradia, por emprego, por terra, contra a precariza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho. Por isso, precisamos de um sindicato capaz de intervir lado a lado com os movimentos de juventude, movimentos sociais e populares na realidade e transformar nossas universidades, institutos e CEFETs em espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o das nossas lutas e de forma\u00e7\u00e3o humanizadora e cr\u00edtica.<\/p>\n<p>5) O ANDES\/SN est\u00e1 come\u00e7ando um processo de disputa eleitoral e voc\u00ea est\u00e1 como secret\u00e1ria geral da chapa 1. Quais s\u00e3o os eixos gerais que conformam a proposta dessa alternativa que quer dirigir o sindicato nacional?<\/p>\n<p>A Chapa 1 reivindica a hist\u00f3ria de luta do ANDES-SN nos seus erros e acertos e compreende que nosso sindicato \u00e9 um instrumento fundamental de luta no Brasil que tem se consolidado como um sindicato com independ\u00eancia de classe. Um sindicato aut\u00f4nomo, classista e constru\u00eddo por suas bases que hoje est\u00e1 enraizado em mais de 120 se\u00e7\u00f5es sindicais nas universidades federais, estudais e municipais, Institutos e CEFETs em todo territ\u00f3rio nacional. Articulamos no programa da Chapa 1 as reivindica\u00e7\u00f5es pelas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida da nossa categoria docente que est\u00e1 na ativa, mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de vida dos (as) professores (as) aposentados (as); a defesa da universidade p\u00fablica, gratuita, laica e referenciada nos anseios fundamentais do nosso povo trabalhador, para isso, defendemos uma ci\u00eancia e tecnologia popular e com financiamento p\u00fablico, ali\u00e1s, a quest\u00e3o da recomposi\u00e7\u00e3o do financiamento p\u00fablico \u00e9 algo central. Tamb\u00e9m, refor\u00e7amos a luta pelas liberdades democr\u00e1ticas, contra o fascismo e pelo reconhecimento da necessidade de contribuir para o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Para n\u00f3s, a classe trabalhadora n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, tem ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, territ\u00f3rio e cultura e isso nos exige uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s lutas contra as opress\u00f5es que entendemos como estruturais ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista brasileiro, por isso, nossa luta anticapitalista \u00e9 antirracista, antimachista, antiLGBTf\u00f3bica e anticapacitista, pois enquanto houver explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer processo de educa\u00e7\u00e3o emancipadora. Outra quest\u00e3o fundamental da nossa chapa \u00e9 a compreens\u00e3o de que n\u00e3o podemos cair no encanto do adesismo \u00e0s pol\u00edticas do novo governo \u2013 que apresenta muitas contradi\u00e7\u00f5es -, mesmo tendo representado uma vit\u00f3ria importante na luta contra o fascismo, ao mesmo tempo em que, n\u00e3o podemos deixar de estar alertas \u00e0 amea\u00e7a permanente do avan\u00e7o do fascismo e das for\u00e7as conservadores e de extrema-direita no pa\u00eds o que demanda esfor\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o de unidade em nossas lutas, por isso, tamb\u00e9m n\u00e3o podemos titubear diante de qualquer projeto pol\u00edtico sect\u00e1rio que nos impe\u00e7a de seguir avan\u00e7ando em nosso processo de reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>6) Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 militante e dirigente do PCB, qual \u00e9 o papel da pr\u00e1xis comunista na sua trajet\u00f3ria?<\/p>\n<p>Se bem o ide\u00e1rio comunista se consolida em minha vida em per\u00edodo recente, fundamentalmente, depois de j\u00e1 estar organizada no movimento sindical docente e no PCB, os princ\u00edpios que movem nossa pr\u00e1xis comunista ancorada na camaradagem, na necessidade de mudan\u00e7a radical deste estado de coisas, no sentimento profundo de humanidade e solidariedade de classe e internacionalista sempre estiveram presentes na minha vida. Volto a mencionar um pouco da minha hist\u00f3ria: sou filha de uma mulher campesina que sempre esteve envolvida na luta sindical, na organiza\u00e7\u00e3o do sindicato rural e das lutas feministas das mulheres no campo, sendo hoje, inclusive, presidenta do Sindicato Rural de Charrua. Meu pai tamb\u00e9m sempre esteve presente na luta sindical, na luta pela agricultura familiar contra o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e no movimento contra as barragens. Me criei em uma comunidade rural onde os princ\u00edpios de solidariedade comunit\u00e1ria sempre estiveram presentes, estudei at\u00e9 a 5\u00ba s\u00e9rie em uma escola rural onde \u00e9ramos respons\u00e1veis pela autogest\u00e3o do espa\u00e7o coletivo da escola. Nasci em 1984 e, como sempre me lembra minha m\u00e3e, com um ano de idade ela me colocava dentro de uma \u2018bacia\u2019 e me levava para os \u2018movimentos\u2019, me criei nos \u2018movimentos\u2019 que, na d\u00e9cada de 80, lutaram pela constituinte. Fui pouco atuante no movimento estudantil mais organizado, na universidade acabei me envolvendo muito mais com projetos de extens\u00e3o em diferentes realidades de Santa Maria, foi ent\u00e3o no cinema e na comunica\u00e7\u00e3o no RS que me reencontrei com a milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Logo ao entrar na universidade como docente, foi o sindicato que me levou ao PCB, ao principal operador pol\u00edtico das lutas de nossa classe nestes \u00faltimos 101 anos. Me orgulho e sinto-me muito comprometida com a constru\u00e7\u00e3o do nosso partido, mais do que isso, movida pelos princ\u00edpios que balizam nossa pr\u00e1xis.<\/p>\n<p>7) Em um momento de condensa\u00e7\u00e3o da crise capitalista no Brasil, qual seria a principal bandeira que pode ser levantada para colocar a classe em movimento no atual cen\u00e1rio pol\u00edtico brasileiro?<\/p>\n<p>Precisamos intensificar nossa presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o no ch\u00e3o dos nossos locais de trabalho, de estudo, na rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com os movimentos populares de luta por moradia, por terra e por p\u00e3o. Estamos numa encruzilhada hist\u00f3rica que nos exige esfor\u00e7os militantes e uma leitura de conjuntura que nos levem a movimentos t\u00e1ticos no sentido da disputa da classe trabalhadora massacrada pela desesperan\u00e7a diante de um brutal cen\u00e1rio de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o e distante dos espa\u00e7os de organiza\u00e7\u00e3o coletiva, como os sindicatos. \u00c9 momento de disputar essa classe trabalhadora, de estar nas ruas, de apresentar com nitidez e entusiasmo as nossas bandeiras hist\u00f3ricas, com media\u00e7\u00e3o t\u00e1tica, a partir das condi\u00e7\u00f5es concretas da vida. \u00c9 momento de reorganiza\u00e7\u00e3o das nossas lutas, de assentar nossos esfor\u00e7os na constru\u00e7\u00e3o de um novo ciclo de luta, um ciclo que nos afaste do gosto amargo da derrota hist\u00f3rica que sofremos e que nos permita avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de outro modo de vida, que, na nossa compreens\u00e3o, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando superarmos o capitalismo. At\u00e9 l\u00e1 temos muito ch\u00e3o e boas lutas para pavimentar. \u00c9 momento de nos reorganizar e de disputarmos com mais \u00eanfase ainda os cora\u00e7\u00f5es e mentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30361\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[221],"class_list":["post-30361","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7TH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30361"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30363,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30361\/revisions\/30363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}