{"id":3038,"date":"2012-06-20T15:22:46","date_gmt":"2012-06-20T15:22:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3038"},"modified":"2012-06-20T15:22:46","modified_gmt":"2012-06-20T15:22:46","slug":"amaral-de-souza-nao-em-nosso-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3038","title":{"rendered":"Amaral de Souza: N\u00e3o em Nosso Nome!"},"content":{"rendered":"\n<p>Morreu na quarta-feira, 13 de junho, aos 82 anos, Amaral de Souza, entronizado no governo do Rio Grande do Sul, pelo regime ditatorial, contra a vontade e os direitos do povo sulino.\u00a0 Como deputado estadual, federal, vice-governador [1975-1979] e governador [1979-1983], conformou a base de apoio pol\u00edtico-administrativa da ditadura c\u00edvico-militar. Foi plena e conscientemente respons\u00e1vel pelos crimes praticados contra o povo rio-grandense e brasileiro em 1964-85.<\/p>\n<p>Como tantos outros apoiadores do Golpe, para fazer jus \u00e0s sinecuras com que a ditadura premiava seus servidores excelentes, Amaral de Souza desdobrou-se no papel de turifer\u00e1rio venal, incensando, defendendo e participando do regime que baniu, prendeu, torturou, desapareceu e matou os melhores filhos e filhas do Rio Grande e do Brasil. Ajudou e defendeu o confisco de direitos civis, pol\u00edticos e econ\u00f4micos da popula\u00e7\u00e3o rio-grandense e brasileira.<\/p>\n<p>Por al\u00e9m de suas posi\u00e7\u00f5es, o Brasil conheceu grandes e destemidos pol\u00edticos, de pequena estatura f\u00edsica, como Get\u00falio Vargas e Lu\u00eds Carlos Prestes. Em todos os sentidos, Amaral de Souza foi homem e pol\u00edtico min\u00fasculo, o que teria contribu\u00eddo para sua escolha como\u00a0<em>governador<\/em> de\u00a0<em>mentirinha<\/em>, pelos generais de plant\u00e3o, nos anos finais da ditadura. Esbofeteavam assim por uma \u00faltima vez o povo que al\u00e7ara ao governo estadual, pelo poder do voto, e n\u00e3o raro os defendera,\u00a0 pela for\u00e7a do fuzil, homens da dimens\u00e3o de J\u00falio de Castilhos, Borges de Medeiros, Flores da Cunha e Leonel Brizola.<\/p>\n<p>Da administra\u00e7\u00e3o Amaral de Souza, a hist\u00f3ria possivelmente registrar\u00e1 o servi\u00e7o policial mesquinho de<em>queima de arquivo<\/em>, ao mandar destruir os registros da DOPS, delegacia especializada na repress\u00e3o \u00e0 resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Tudo para suprimir as provas e registros das a\u00e7\u00f5es criminosas dos esbirros civis, policiais e militares do regime ditatorial e, quem sabe, informa\u00e7\u00f5es referentes a atos seus, diretos ou indiretos.<\/p>\n<p>\u00c9 obriga\u00e7\u00e3o de um Estado minimamente democr\u00e1tico reprimir as homenagens em vida e p\u00f3stumas \u00e0queles que violentaram direitos populares fundamentais. Em n\u00e3o poucos pa\u00edses, o\u00a0<em>negacionismo <\/em>dos crimes das ditaduras anti-populares \u00e9 prescrito e punido pela lei. Entre n\u00f3s, n\u00e3o! O Estado esfor\u00e7a-se para manter os criminosos impunes, quando vivos, e para homenage\u00e1-los, ap\u00f3s a morte. Atrav\u00e9s do pa\u00eds, ruas, pra\u00e7as, col\u00e9gios p\u00fablicos portam o nome de ditadores e de seus sequazes.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 \u00e9 tradicional, a grande imprensa sulina desdobrou-se para desculpar e elevar o pol\u00edtico<em>democraticida<\/em> e antipopular, procurando no elogio de seu passado promover a defesa poss\u00edvel da ordem ditatorial. Regime de exce\u00e7\u00e3o que expressou valores, interesses e classes sociais que,\u00a0<em>mutatis mutandis<\/em>, s\u00e3o os mesmos que defende e representa atualmente.<\/p>\n<p>Amaral de Souza foi apresentado como pol\u00edtico da\u00a0<em>distens\u00e3o<\/em>,\u00a0<em>di\u00e1logo, transi\u00e7\u00e3o. <\/em>Chegou-se ao desabuso de propor n\u00e3o ter contado com a &#8220;simpatia e afinidade&#8221; dos generais que o designaram como\u00a0<em>testa de ferro<\/em> no governo do RS! N\u00e3o houve refer\u00eancia aos seus servi\u00e7os \u00e0 ditadura, nos anos anteriores \u00e0 designa\u00e7\u00e3o como governador, e \u00e0s viol\u00eancias que ocorreram durante seus\u00a0<em>mandatos <\/em>de vice e governador.<\/p>\n<p>Sequer foi lembrado que, em novembro de 1978, Lilian Celiberti, seus dois filhos menores, e Universindo Diaz, ex-militantes uruguaios refugiados em Porto Alegre, foram presos, torturados e enviados para o Uruguai, tudo ao arrepio das pr\u00f3prias leis ditatoriais. Denunciado o ato criminoso por jornalistas e comunicadores corajosos, as autoridades civis e militares explicaram o seq\u00fcestro como retorno\u00a0<em>volunt\u00e1rio<\/em> ao Uruguai!<\/p>\n<p>Na mesma trilha, o atual governador do RS decretou luto oficial de tr\u00eas dias, em homenagem ao\u00a0<em>ex-governador de coturno<\/em>. Abriu amplamente o port\u00e3o nobre do Pal\u00e1cio Piratini para velar os restos do pol\u00edtico que for\u00e7ara as portas pequenas dos fundos da sede do governo do Estado, contra a vontade do povo sulino, apoiado apenas na raz\u00e3o e na for\u00e7a das baionetas.<\/p>\n<p>Sobretudo, envolveu diretamente o povo sulino na homenagem \u00e0 ditadura,\u00a0 ao proclamar: &#8220;O governo do Rio Grande do Sul lamenta profundamente a morte do ex-governador Amaral de Souza e transmite a sua fam\u00edlia os p\u00easames do povo ga\u00facho. Amaral de Souza teve sempre um papel destacado no cen\u00e1rio pol\u00edtico e passa para a mem\u00f3ria do povo ga\u00facho como um l\u00edder respeitado, que prestou servi\u00e7os importantes ao desenvolvimento do nosso Estado.&#8221;<\/p>\n<p>Por favor, senhor governador, diga o que quiser, mas n\u00e3o em nosso nome!<\/p>\n<p>M\u00e1rio Maestri, 63, \u00e9 historiador e professor do Curso e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UPF. E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:maestri@via-rs.net\" target=\"_blank\">maestri@via-rs.net<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/port.pravda.ru\/cplp\/brasil\/17-06-2012\/33225-amaral_souza-0\/\" target=\"_blank\">PRAVDA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PRAVDA\n\n\n\n\n\n\n\n\nM\u00e1rio Maestri*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3038\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-3038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-N0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}