{"id":30380,"date":"2023-05-11T20:43:30","date_gmt":"2023-05-11T23:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30380"},"modified":"2023-05-11T20:43:30","modified_gmt":"2023-05-11T23:43:30","slug":"israel-armas-nucleares-e-o-governo-de-direita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30380","title":{"rendered":"Israel: armas nucleares e o governo de direita"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30381\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30380\/image-1-22\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?fit=1024%2C685&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,685\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?fit=747%2C500&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30381\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?resize=747%2C500&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?resize=900%2C602&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?resize=300%2C201&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?resize=768%2C514&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-1-1.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><br \/>\nA Primeira Ministra de Israel Golda Meir, o Presidente Nixon dos EUA e o Secret\u00e1rio de Estado Henry Kissinger na Sala Oval em 1\u00ba de novembro de 1973. Acredita-se que Nixon e Meir estabeleceram um acordo secreto em 1969 para manter sob sigilo a exist\u00eancia das armas nucleares de Israel, at\u00e9 mesmo de Kissinger. Uma d\u00e9cada depois, Israel conduziu testes nucleares com explos\u00f5es na costa da \u00c1frica do Sul, violando o Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Limitada de Testes Nucleares de 1963. (Cr\u00e9dito da foto: Acervo da Casa Branca \/ Arquivo Nacional, via Wikimedia Commons)<\/p>\n<p>O sil\u00eancio dos EUA sobre as armas nucleares de Israel e o governo israelense de direita<\/p>\n<p>Victor Gilinsky ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Ao que se diz, existe h\u00e1 mais de cinquenta anos um acordo secreto entre Israel e os EUA: estes n\u00e3o se pronunciam publicamente sobre o arsenal nuclear israelense. Os mesmos EUA que agitam o espantalho da produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares em outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, calam-se sobre o pa\u00eds que a\u00ed possui efetivamente essas armas. Armas cujo controle est\u00e1 agora nas m\u00e3os de sionistas ainda mais fan\u00e1ticos do que os que os antecederam, que est\u00e3o dispostos a \u201carrasar o Isl\u00e3\u201d. Na ambi\u00e7\u00e3o de preservar a sua hegemonia a caminho do colapso, os EUA aliam-se cada vez mais \u00e0 pior esc\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>Os protestos israelenses contra o seu novo governo de direita tocaram agora nas armas nucleares de Israel. Para sublinhar o que est\u00e1 em jogo, o antigo primeiro-ministro de Israel Ehud Barak p\u00f4s de lado a ambiguidade do governo sobre a posse de armas nucleares para advertir os seus compatriotas de que os diplomatas ocidentais est\u00e3o preocupados com a possibilidade de uma ditadura judaica messi\u00e2nica vir a controlar as armas nucleares de Israel.<\/p>\n<p>Uma coisa de que podemos ter a certeza \u00e9 que os Estados Unidos n\u00e3o estavam oficialmente representados entre esses diplomatas ocidentais. Os diplomatas estadunidenses &#8211; na verdade, todos os funcion\u00e1rios do governo dos EUA &#8211; s\u00e3o obrigados a fingir que n\u00e3o sabem nada sobre as armas nucleares israelenses. Uma vez que toda a gente sabe que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, o fingimento dificulta a pol\u00edtica dos EUA de conten\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o de armas nucleares no Oriente M\u00e9dio. O reconhecimento por Barak das armas de Israel, por mais indireto que tenha sido, deveria libertar os Estados Unidos desta ultrapassada omert\u00e1.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o popular para a morda\u00e7a dos EUA sobre as armas nucleares israelenses \u00e9 que ela \u00e9 exigida por um acordo de Setembro de 1969 entre Richard Nixon e a ent\u00e3o primeira-ministra de Israel, Golda Meir, segundo o qual os Estados Unidos aceitariam as armas nucleares em Israel e ambos manteriam em segredo a exist\u00eancia dos armamentos. A pol\u00edtica dos EUA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s armas nucleares israelenses foi de fato flexibilizada ap\u00f3s o encontro, mas, a julgar pelas mem\u00f3rias de Nixon, isso deveu-se ao fato de ele n\u00e3o se importar muito com a circunst\u00e2ncia de Israel as ter. O seu principal interesse era obter apoio israelense na Guerra Fria.<\/p>\n<p>Falaram a s\u00f3s, n\u00e3o tomaram notas e n\u00e3o disseram a ningu\u00e9m sobre o que tinham falado. Um memorando enviado dias depois ao presidente por Henry Kissinger, na altura seu conselheiro de seguran\u00e7a nacional, mostra que at\u00e9 ele pouco sabia sobre a conversa. Quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do secretismo, n\u00e3o precisavam de um acordo formal. Tanto Nixon como Meir compreenderam que um arsenal nuclear israelense declarado teria levado Moscou a ser pressionado a fornecer armas nucleares aos seus aliados \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Mais tarde, a burocracia e os acad\u00eamicos estadunidenses criaram um mito sobre um acordo nuclear, transformando uma acomoda\u00e7\u00e3o conveniente numa obriga\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua, e os presidentes subsequentes seguiram a mesma linha. Mas um acordo internacional do qual n\u00e3o existe registro n\u00e3o \u00e9 de nenhum modo um acordo.<\/p>\n<p>No entanto, diz-se que os presidentes dos EUA, desde Bill Clinton, assinaram uma carta secreta em que se comprometiam a n\u00e3o interferir com as armas nucleares de Israel, e Israel agiu como se tivesse direito a esse compromisso por parte de todos os presidentes dos EUA que chegassem. E o conseguiu. Quando o Presidente Obama tomou posse em 2009, a primeira pergunta na sua primeira confer\u00eancia de imprensa televisiva, feita pela veterana rep\u00f3rter Helen Thomas, foi: \u201cSabe de algum pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio que tenha armas nucleares?\u201d A escorregadia resposta do presidente foi: \u201cN\u00e3o quero especular.\u201d Helen Thomas foi despedida pouco tempo depois e, embora isto se tenha devido aos seus coment\u00e1rios anti-Israel numa ocasi\u00e3o diferente, nenhum rep\u00f3rter fez a pergunta desde ent\u00e3o. Em fevereiro de 2017, o embaixador israelense Ron Dermer conseguiu enfurecer at\u00e9 mesmo os rec\u00e9m-chegados funcion\u00e1rios da Casa Branca de Trump, simp\u00e1ticos para com Israel, com as suas abrutalhadas exig\u00eancias de que o novo presidente assinasse \u201ca carta\u201d. Ainda assim, funcionou.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil uma mudan\u00e7a. Uma avalia\u00e7\u00e3o realista do governo dos EUA sobre as armas nucleares de Israel ter\u00e1 de ultrapassar n\u00e3o s\u00f3 a interven\u00e7\u00e3o israelense pelas suas pr\u00f3prias raz\u00f5es, mas tamb\u00e9m a resist\u00eancia do Departamento de Estado e da Casa Branca, em parte devido ao embara\u00e7o de tal admiss\u00e3o ap\u00f3s anos de nega\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m porque tal admiss\u00e3o poderia levar a complica\u00e7\u00f5es ao abrigo da lei dos EUA.<\/p>\n<p>H\u00e1 provas convincentes de que Israel detonou pelo menos uma explos\u00e3o nuclear de teste em 22 de setembro de 1979, a cerca de mil milhas ao sul da \u00c1frica do Sul. O sinal, detectado por um sat\u00e9lite Vela dos EUA, com provas que a corroboram, foi amplamente interpretado pela comunidade de informa\u00e7\u00f5es dos EUA e pela maioria dos analistas como proveniente de uma explos\u00e3o nuclear israelense.<\/p>\n<p>Embora a Casa Branca de Carter tenha afirmado publicamente o contr\u00e1rio, meses depois do acontecimento Carter escreveu no seu di\u00e1rio: \u201cOs nossos cientistas est\u00e3o cada vez mais convencidos de que os israelenses conduziram de fato uma explos\u00e3o de teste nuclear no oceano, perto do extremo sul da \u00c1frica.\u201d Tal explos\u00e3o constitu\u00eda uma viola\u00e7\u00e3o do Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Limitada de Testes Nucleares de 1963, do qual Israel era parte.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o de tal teste desencadearia tamb\u00e9m a Emenda Glenn de 1977 \u00e0 Lei de Controle da Exporta\u00e7\u00e3o de Armas, que imp\u00f5e duras san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e militares a qualquer Estado, para al\u00e9m das cinco pot\u00eancias nucleares autorizadas ao abrigo do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o, que detone uma bomba ap\u00f3s 1977. O presidente pode renunciar a esta san\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sem embara\u00e7o pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Enquanto o governo dos Estados Unidos anda pisando em ovos em rela\u00e7\u00e3o ao assunto, Israel gaba-se da sua for\u00e7a nuclear. Na cerim\u00f4nia de chegada, em 2016, do quinto submarino de fabrica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 que Israel equipou com m\u00edsseis nucleares de longo alcance, Netanyahu afirmou: \u201cA nossa frota de submarinos \u00e9 utilizada, antes de mais, para dissuadir os nossos inimigos que se esfor\u00e7am por nos extinguir. Eles t\u00eam de saber que Israel \u00e9 capaz de responder com for\u00e7a contra quem quer que nos queira fazer mal\u2026\u201d N\u00e3o falou em \u201cnuclear\u201d, mas a mensagem \u00e9 inequ\u00edvoca.<\/p>\n<p>Quem poderia imaginar que, tal como nos preocupamos com o fato de armas paquistanesas ca\u00edrem nas m\u00e3os de fan\u00e1ticos isl\u00e2micos, chegar\u00edamos ao ponto de ter de recear que as armas nucleares de Israel ca\u00edssem nas m\u00e3os de fan\u00e1ticos israelenses que, como explicou Ehud Barak, est\u00e3o \u201cdeterminados a atacar o Isl\u00e3\u201d. O nosso governo n\u00e3o pode lidar com estas quest\u00f5es se ignorar a exist\u00eancia de armas nucleares de Israel.<\/p>\n<p>No seu livro sobre o espi\u00e3o israelense Jonathan Pollard, Wolf Blitzer escreveu que existe \u201cuma atitude generalizada entre os funcion\u00e1rios israelenses de que Israel pode safar-se com as coisas mais ultrajantes. H\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o entre muitos israelenses de que os seus hom\u00f3logos americanos n\u00e3o s\u00e3o muito inteligentes, que podem ser \u2018manipulados\u2019\u201d. N\u00e3o dever\u00edamos continuar a tolerar isso. As raz\u00f5es de Guerra Fria para os EUA ficarem calados sobre as armas nucleares de Israel evaporaram-se h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/thebulletin.org\/2023\/05\/the-us-silence-on-israeli-nuclear-weapons-and-the-right-wing-israeli-government\/?utm_source=Newsletter&amp;utm_medium=Email&amp;utm_campaign=MondayNewsletter05042023&amp;utm_content=NuclearRisk_IsraeliNukes_05042023<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30380\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,181,255],"tags":[227],"class_list":["post-30380","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-asia","category-israel","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7U0","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30380"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30382,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30380\/revisions\/30382"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}