{"id":30542,"date":"2023-06-15T13:23:13","date_gmt":"2023-06-15T16:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30542"},"modified":"2023-06-15T13:23:13","modified_gmt":"2023-06-15T16:23:13","slug":"a-europa-continua-indefensavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30542","title":{"rendered":"A Europa continua indefens\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30543\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30542\/unnamed-11\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?fit=1080%2C1080&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1080,1080\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?fit=747%2C747&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30543\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?resize=747%2C747&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"747\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?resize=900%2C900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/unnamed-1.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Juliana Catinin (Militante do CNMO RJ e do PCB RJ)<\/p>\n<p>H\u00e1 setenta anos, Aim\u00e9 C\u00e9saire declarava a Europa como sendo indefens\u00e1vel. O crime? A sua hist\u00f3ria de colonialismo, nazi-fascismo e de racismo (e cito essas tr\u00eas palavras com receio de parecer pleonasmo). H\u00e1 poucas semanas, um novo epis\u00f3dio de racismo no futebol espanhol tomou conta dos notici\u00e1rios. Mais uma vez o caso foi de ofensas contra o jogador brasileiro do Real Madrid Vinicius (Vini) Junior. Digo mais uma vez, pois essa n\u00e3o foi a primeira, e infelizmente estou convencida de que n\u00e3o ter\u00e1 sido a \u00faltima. Vini foi xingado de \u201cmacaco\u201d praticamente o jogo inteiro entre Real Madrid e Valencia por grande parte do p\u00fablico no est\u00e1dio. \u00c0s vias de acabar o jogo, ele sofre uma agress\u00e3o, se defende e acaba sendo o \u00fanico expulso. Anteriormente ele j\u00e1 havia sido xingado em outros jogos e at\u00e9 um boneco representando o jogador havia sido arremessado de uma ponte, simulando um enforcamento.<\/p>\n<p>Infelizmente o racismo que vemos no futebol n\u00e3o \u00e9 descolado da sociedade. O que chegou para n\u00f3s atrav\u00e9s do contexto do futebol \u00e9 algo que faz parte da estrutura das rela\u00e7\u00f5es sociais europeias e est\u00e1 numa crescente\u2026 Talvez o futebol nem seja o principal term\u00f4metro para medirmos a que grau anda o racismo e o fascismo europeus. Podemos atentar tamb\u00e9m para nossa reflex\u00e3o sobre a ascens\u00e3o da extrema-direita na pol\u00edtica institucional. Dito de outra forma, isto corresponde a uma tend\u00eancia na Europa (e em outros lugares): quando em momentos de crise no capitalismo, h\u00e1 a ascens\u00e3o e o fortalecimento do fascismo, pois capitalismo e fascismo fazem parte de um mesmo processo hist\u00f3rico. E os movimentos de extrema-direita na Europa re\u00fanem ide\u00e1rios de supremacistas brancos, ide\u00e1rios do europeu como povo superior e a defesa de seus valores contra a suposta \u201cdegrada\u00e7\u00e3o\u201d feita por imigrantes. Por\u00e9m, a extrema-direita fascista n\u00e3o est\u00e1 mais na penumbra social (ali\u00e1s nem deveriam existir), mas est\u00e3o cada vez mais \u00e0 vontade para disseminar suas ideias ao ar livre. Seria tr\u00e1gico que eles se estabelecessem na pol\u00edtica institucional, n\u00e3o \u00e9? Pois \u00e9, talvez j\u00e1 tenhamos que lamentar.<\/p>\n<p>Esse movimento, expresso no futebol, conforme sinalizei, tamb\u00e9m \u00e9 visto na pol\u00edtica institucional e constata o qu\u00e3o estabelecidos e consolidados os grupos de extrema-direita est\u00e3o na Europa. Eles est\u00e3o t\u00e3o \u00e0 vontade, t\u00e3o bem organizados que est\u00e3o assumindo de forma acelerada vagas no parlamento de v\u00e1rios pa\u00edses do continente de alguns anos pra c\u00e1. A pr\u00f3pria Espanha, por exemplo. O Vox, partido de extrema-direita fundado em 2013, traz as pautas \u201ccl\u00e1ssicas\u201d de grupos desses tipos, como xenofobia, racismo, anticomunismo e negacionismo. Mas o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a defesa de uma altera\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria hist\u00f3ricas da ditadura franquista na Espanha por parte de seus quadros e eleitorado. Levando em considera\u00e7\u00e3o que o regime fascista no pa\u00eds s\u00f3 terminou nos anos 1970, a organiza\u00e7\u00e3o, a deforma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e o resultado de vota\u00e7\u00e3o expressiva em favor do partido me fazem pensar que a ascens\u00e3o da extrema-direita na Espanha \u00e9 algo que j\u00e1 passou da fase de alerta e j\u00e1 se encontra em fase de perigo eminente.<\/p>\n<p>A Espanha \u00e9 uma monarquia parlamentarista, portanto, o voto de cada eleitor vai para o partido que querem que o represente no parlamento. O Vox em 2018 obteve 11,1% dos votos e 12 dos 109 assentos no parlamento regional. Em 2019, obteve a terceira maior parcela de votos nas elei\u00e7\u00f5es gerais. E agora, com uma alian\u00e7a com a direita tradicional do pa\u00eds em v\u00e1rios munic\u00edpios e estados, fizeram com que a esquerda perdesse em v\u00e1rias regi\u00f5es onde j\u00e1 estava estabelecida. Se o Vox tinha 530 vereadores e representantes eleitos no pa\u00eds, com as elei\u00e7\u00f5es do dia 28 de maio deste ano, o n\u00famero aumentou para mais de 1,6 mil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a Espanha n\u00e3o \u00e9 nem o pior caso que temos na Europa. Pa\u00edses como Hungria e Pol\u00f4nia j\u00e1 v\u00eam sendo governados pela extrema-direita. No caso da Pol\u00f4nia, o partido de extrema-direita \u201cLei e Justi\u00e7a\u201d governa desde 2015, tendo como atual primeiro-ministro Mateusz Morawiec. O partido possui um discurso abertamente homof\u00f3bico, anti-imigrante e anticomunista como algumas das suas principais pautas.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Hungria o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente. Viktor Orban do Fidesz, da \u201cUni\u00e3o C\u00edvica H\u00fangara\u201d, est\u00e1 no poder como primeiro-ministro desde 2010. Sua ascens\u00e3o veio de discuss\u00f5es contra o imigrante e atualmente est\u00e1 focada em atacar os direitos LGBTQIA+. Ambos os casos s\u00e3o marcados por homofobia e racismo (racismo pois os imigrantes que eles n\u00e3o querem receber s\u00e3o racializados como n\u00e3o-brancos; lembremos dos jornalistas do continente descrevendo os imigrantes ucranianos que deveriam ser recebidos de bra\u00e7os abertos, pois \u201cs\u00e3o brancos como n\u00f3s [europeus]\u201d).<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses locais, podemos apontar o caso da Fran\u00e7a, em que a extrema-direita, representada na figura de Marine Le Pen da \u201cFrente Nacional\u201d, chegou ao segundo turno nas duas \u00faltimas vezes. Na Alemanha o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) cresceu rapidamente com sua agenda contra os migrantes. Na It\u00e1lia o partido \u201cIrm\u00e3os de It\u00e1lia\u201d, representado pela figura de Giorgia Meloni e com o slogan \u201cDeus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u201d, ocupa o cargo de primeira-ministra italiana. Na Su\u00e9cia os \u201cDemocratas Suecos\u201d alcan\u00e7aram apenas 5,7% dos votos nas elei\u00e7\u00f5es de 2010, mas cresceram para 12,9% em 2014 e 17,2% em 2018 e ano passado subiram para 20,5%, ficando em segundo lugar, atr\u00e1s dos sociais-democratas.<\/p>\n<p>Destaco esses casos para exemplificar como a extrema-direita est\u00e1 organizada a ponto de ganhar cargos nos parlamentos com um discurso abertamente homof\u00f3bico, racista e anticomunista, e isso pode significar que na sua base h\u00e1 coisa muito pior. A sociedade europeia insiste em se refugiar no distanciamento do passado, no fingimento, na hipocrisia, no esquecimento, na cegueira de tudo aquilo que ela n\u00e3o consegue justificar de sua hist\u00f3ria. O colonialismo n\u00e3o \u00e9 passado, pois n\u00e3o foi superado. Negar isso \u00e9 colaborar com a sua perpetua\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o se trata de um \u201ccaso isolado\u201d nos est\u00e1dios de futebol, mas uma marca hist\u00f3rica da sociedade europeia que sempre recorre ao fascismo em momentos de crise do capitalismo.<\/p>\n<p>A imprensa brasileira colocou seu holofote sobre o caso de racismo no futebol, mas ignora o movimento de extrema-direita fascista crescente no continente europeu, como se uma coisa n\u00e3o estivesse ligada a outra. O discurso contra o imigrante n\u00e3o-branco n\u00e3o \u00e9 algo que aparece apenas no futebol, muito pelo contr\u00e1rio. E um questionamento pertinente \u00e9: se quase um est\u00e1dio inteiro, lotado, se sente \u00e0 vontade para disparar ofensas racistas contra um dos melhores jogadores em atividade na Espanha (se encaminhando para ser o melhor jogador do mundo), o que um imigrante sem o status e o dinheiro do Vinicius Junior pode sofrer nesse territ\u00f3rio? Podemos n\u00e3o querer nem pensar, mas \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O que fazer para frear o crescimento do fascismo? Uma resposta curta e direta: s\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o socialista derrota o fascismo. Sabemos que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda do dia para a noite, mas sabemos tamb\u00e9m que sem um movimento comunista forte o fascismo anda sem constrangimento \u00e0 luz do dia, principalmente nos est\u00e1dios de futebol. Al\u00e9m disso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Europa que a extrema-direita vem ganhando espa\u00e7o, mas essa regi\u00e3o ainda possui grande interfer\u00eancia na pol\u00edtica global e se encaminha cada dia que passa para cen\u00e1rios mais sombrios. Para al\u00e9m disso, essa reflex\u00e3o tenta mostrar a conota\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia de uma transforma\u00e7\u00e3o radical de um sistema social opressor, colonizador e dominante em escala planet\u00e1ria. Essa \u00e9 uma luta que temos de construir no nosso dia a dia em diferentes bases de atua\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora internacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30542\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[124,65,4,382,10],"tags":[225],"class_list":["post-30542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c137-coletivo-minervino-de-oliveira","category-c78-internacional","category-s6-movimentos","category-negro","category-s19-opiniao","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7WC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30542"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30544,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30542\/revisions\/30544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}