{"id":30546,"date":"2023-06-17T20:54:49","date_gmt":"2023-06-17T23:54:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30546"},"modified":"2023-07-01T19:09:45","modified_gmt":"2023-07-01T22:09:45","slug":"quando-a-historia-chega-a-ser-escabrosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30546","title":{"rendered":"Quando a hist\u00f3ria chega a ser escabrosa"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/image-1-3.png?resize=747%2C420&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"420\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Muitas provas demonstram que somos governados por gente que transformou a pol\u00edtica numa teia de mentiras, viciou a democracia, joga com as vidas das pessoas como se nada valessem e n\u00e3o hesita em cultivar guerras criminosas.<\/p>\n<p>\u201cA OTAN n\u00e3o se mover\u00e1 uma polegada para Leste\u201d<\/p>\n<p>(Promessa dos dirigentes ocidentais a Gorbatchev em troca da liquida\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica)<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 mais do que conhecida. Foi declarada e repetida, em diversas circunst\u00e2ncias, no in\u00edcio dos anos noventa do s\u00e9culo passado, ao ent\u00e3o presidente sovi\u00e9tico, Mikhail Gorbatchev, pelos dirigentes dos mais importantes pa\u00edses da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica: o secret\u00e1rio de Estado norte-americano, James Baker; o chanceler alem\u00e3o, Helmut Kohl; o presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Mitterrand; o ministro alem\u00e3o dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Hans Dietrich Genscher; o primeiro ministro brit\u00e2nico, John Major; o ministro brit\u00e2nico dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Douglas Hurd. Eventualmente, outros mais.<\/p>\n<p>Est\u00e1 abundantemente comprovado, hoje em dia, que dessa promessa feita por honrados pol\u00edticos, modelos da democracia liberal e do \u201cnosso civilizado modo de vida\u201d, sem falar dos direitos humanos e da inquestion\u00e1vel superioridade moral, nada resta. Foi feita em p\u00f3, espezinhada, abatida a tiro e depositada sobre centenas de milhares ou mesmo milh\u00f5es de cad\u00e1veres humanos, resultantes de uma nova ordem mundial \u00e0 margem do direito internacional, fundada nesses tempos sobre os escombros da guerra fria e do muro de Berlim. Uma situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica, revoltante, tornada poss\u00edvel porque essas palavras n\u00e3o valeram nada, transformadas num vazio equivalente \u00e0 honra e ao respeito \u00e0 palavra dada dos dirigentes de Washington e de uma \u201cnova Europa\u201d colonizada pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica, ontem como hoje. H\u00e1 coisas que n\u00e3o mudam, porque foram estruturadas para serem assim com base na for\u00e7a militar, nos poderes olig\u00e1rquicos, na chantagem, no desprezo pelas pessoas, na sucess\u00e3o de chefes pol\u00edticos formados na submiss\u00e3o \u00e0s oligarquias econ\u00f3micas e financeiras e no exerc\u00edcio do controle autorit\u00e1rio sobre os mais fracos \u2013 os seus povos, em especial as camadas mais desfavorecidas. Para isso tornaram-se praticantes convictos da mentira, da manipula\u00e7\u00e3o, da falsifica\u00e7\u00e3o da democracia, tecendo classes pol\u00edticas humanamente deformadas e nas quais abundam os tra\u00e7os de sociopatia.<\/p>\n<p>Uma casta doente<br \/>\nDiz-se que a promessa n\u00e3o ficou escrita, pelo menos procuram convencer-nos dessa suposta insufici\u00eancia diplom\u00e1tica. Demonstraremos a seguir que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n<p>Para os opinantes que se multiplicam como cogumelos, sobretudo desde que a Academia se transformou num eco e numa servidora da corrente de opini\u00e3o uniformizada, com persegui\u00e7\u00e3o do contradit\u00f3rio como estipula a doutrina \u00fanica do neoliberalismo-neoconservadorismo, essa omiss\u00e3o parece ser um problema inultrapass\u00e1vel. Se n\u00e3o est\u00e1 escrito, n\u00e3o existe. Apertos de m\u00e3o, acordos de cavalheiros, seriedade da palavra dada s\u00e3o comportamentos anacr\u00f4nicos, n\u00e3o \u00e9 apenas no futebol que uma verdade de hoje pode deixar de s\u00ea-lo amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Mark Kremer, diretor de Estudos da Guerra Fria da Universidade norte-americana de Harvard, escreveu na revista Washington Quaterly de abril de 2009 que \u201cn\u00e3o foi feita qualquer promessa sobre uma expans\u00e3o da OTAN porque n\u00e3o havia nenhum documento escrito assinado entre os dois lados, incorporando-a\u201d. Mais diz Kremer: \u201cos materiais desclassificados mostram inequivocamente que tal promessa n\u00e3o foi feita. Podem ser apresentados argumentos v\u00e1lidos contra a expans\u00e3o da OTAN, mas este argumento espec\u00edfico \u00e9 esp\u00fario\u201d.<\/p>\n<p>Para apurarmos a seriedade do \u201cestudo\u201d basta ler que, segundo o mesmo Mark Kremer, \u201cem 7 de fevereiro de 1990, o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, James Baker, reuniu-se em Moscou com o ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros sovi\u00e9tico, Eduard Shevardnadze, usando a formula\u00e7\u00e3o do [ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros da Alemanha Ocidental, Hans Dietrich] Genscher, de que se a Alemanha (unificada) fosse inclu\u00edda na OTAN os Estados Unidos e seus aliados garantiriam \u2018que a jurisdi\u00e7\u00e3o ou as for\u00e7as da OTAN n\u00e3o se moveriam para o leste&#8221;\u2019.<\/p>\n<p>Ou seja, segundo este \u201chistoriador\u201d da Ivy League, a promessa existiu e, ao mesmo tempo, n\u00e3o existiu. O problema, segundo ele, \u00e9 que Mikhail Gorbatchev foi \u201cing\u00eanuo\u201d e \u201cotimista\u201d, dispondo-se a fazer o que os chefes da OTAN exigiram para ter em troca a garantia de que a OTAN ficaria no mesmo s\u00edtio (anexando apenas a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3) sem que o neg\u00f3cio ficasse escrito. Ao que consta, o pr\u00f3prio Shevardnaze aconselhou Gorbatchev a n\u00e3o se contentar com as promessas verbais, provavelmente por n\u00e3o confiar tanto nos interlocutores e tendo ainda em conta a envergadura hist\u00f3rica, social e geoestrat\u00e9gica das exig\u00eancias impostas ao dirigente sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>De acordo com os documentos sobre o assunto que t\u00eam vindo a ser desclassificados, e que exp\u00f5em mais uma vez a falta de car\u00e1ter de uma classe pol\u00edtica doente tanto na OTAN como em Moscou, seja nos anos noventa ou na atualidade, a tarefa imposta a Gorbatchev para garantir a imobilidade da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica foi de monta: extin\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, erradica\u00e7\u00e3o do socialismo, a instaura\u00e7\u00e3o de uma \u201cdemocracia ocidental\u201d, a unifica\u00e7\u00e3o da Alemanha e respectiva integra\u00e7\u00e3o no clube atlantista, o desmantelamento do Tratado de Vars\u00f3via.<\/p>\n<p>A realidade em que vivemos demonstra que o \u00faltimo presidente sovi\u00e9tico, ao mesmo tempo chefe da comiss\u00e3o liquidat\u00e1ria do seu pa\u00eds, cumpriu zelosamente a tarefa, enquanto os seus interlocutores procederam como se nada tivessem dito ou prometido. O que n\u00e3o surpreende quando o que estava em constru\u00e7\u00e3o era a \u201cordem internacional baseada em regras\u201d, a principal das quais \u00e9 a de que vale tudo, incluindo a chacina de seres humanos por atacado, desde que estejam em causa, seja em que lugar do mundo for, os \u201cinteresses\u201d coloniais e imperiais dos Estados Unidos, da OTAN e, por consequ\u00eancia, da Uni\u00e3o Europeia. Novos ventos fazem hoje oscilar essa estrutura, apesar de sustentada por profundas ra\u00edzes que v\u00eam at\u00e9 da Idade M\u00e9dia, mas s\u00e3o ainda tortuosos, e assustadores, os caminhos para uma nova realidade capaz de restaurar o primado do direito internacional.<\/p>\n<p>\u201cIngenuidade\u201d ou \u201cotimismo\u201d de Gorbatchev? A procura de uma resposta levar-nos-ia noutra dire\u00e7\u00e3o que n\u00e3o a deste texto. Registremos apenas o fato de n\u00e3o ser segredo que o dirigente sovi\u00e9tico revelou uma invulgar admira\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 um deslumbrado orgulho provinciano, por conviver com a nata do Ocidente; isto \u00e9, personalidades t\u00e3o recomend\u00e1veis como os presidentes norte-americanos Ronald Reagan e George Bush (pai), os primeiros-ministros brit\u00e2nicos Margaret Thatcher e John Major, os chefes da OTAN e da Uni\u00e3o Europeia e at\u00e9 o Papa Jo\u00e3o Paulo II, que conspirou sem disfar\u00e7ar pela mudan\u00e7a de regime no seu pa\u00eds natal, a Pol\u00f4nia, e pelo fim do socialismo enquanto visitava o sanguin\u00e1rio Pinochet e se alinhava com a poderosa vaga neoliberal. Cujas consequ\u00eancias hoje conhecemos muito bem.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 significativo, para tentar aprofundar-se o verdadeiro papel hist\u00f3rico de Gorbatchev, que o presidente sovi\u00e9tico n\u00e3o tenha, em momento algum, tentado negociar a l\u00f3gica dissolu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos dois blocos militares: OTAN e Tratado de Vars\u00f3via. Seria o caminho natural para encerrar a guerra fria uma vez que, como se repetia, deixara de haver antagonismos ideol\u00f3gicos e militares dos dois lados da, supostamente demolida, cortina de ferro.<\/p>\n<p>Nas andan\u00e7as de c\u00fapula em c\u00fapula com t\u00e3o emp\u00e1ticos interlocutores, Mikhail Gorbatchev repetia, como um chav\u00e3o, uma frase atrav\u00e9s da qual pretendia fazer crer que se guiava pelos interesses do seu pa\u00eds e dos seus povos: \u201cconfia mas verifica\u201d.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que confiou, mas esqueceu-se de verificar. E, num \u00e1pice, os pa\u00edses membros do Tratado de Vars\u00f3via transferiram-se para a OTAN, juntando-se-lhes, pouco depois, os restos do sangrento esfacelamento dos Balc\u00e3s montado \u00e0 moda atlantista. A Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica cavalgou assim para as fronteiras da R\u00fassia anexando pa\u00edses emergentes dos escombros da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. At\u00e9 \u00e0 trag\u00e9dia da Ucr\u00e2nia, cozinhada em Washington com os temperos inconfund\u00edveis da OTAN, que nos coloca \u00e0 beira de uma hecatombe inimagin\u00e1vel.<\/p>\n<p>Inequ\u00edvoco padr\u00e3o mafioso<br \/>\nE, no entanto, a promessa de que a OTAN n\u00e3o se moveria \u201cuma polegada para leste\u201d existiu mesmo. Se d\u00favidas houvesse, documentos recentemente desclassificados e outros na altura deixados ao alcance de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas confirmam as garantias dadas pelos nobres representantes do Ocidente ao \u201ccr\u00e9dulo\u201d Gorbatchev. Trata-se de testemunhos escritos por v\u00e1rias personalidades que acompanharam o processo dito do \u201cfim da guerra fria\u201d e tomaram conhecimento direto das promessas feitas a Moscou, fazendo assim cair pela base as teorias de que a palavra dada s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida quando inscrita no sil\u00eancio do papel ou de qualquer suporte inform\u00e1tico.<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara dos Lordes brit\u00e2nica est\u00e1 depositado desde fevereiro de 2015 \u2013 significativamente em pleno desenvolvimento da crise da Ucr\u00e2nia gerada pelo golpe neoliberal-nazista \u2013 um documento de Rodric Braithwaite, antigo embaixador na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e na R\u00fassia, no qual confirma \u201cas garantias (a Moscou) que foram dadas em 1990 pelos Estados Unidos (James Baker, secret\u00e1rio de Estado) e pela Alemanha (Helmut Kohl, chanceler alem\u00e3o), e em 1991, em nome do Reino Unido (pelo ent\u00e3o primeiro-ministro, John Major, e pelo ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, Douglas Hurd) e da Fran\u00e7a (pelo presidente Fran\u00e7ois Mitterrand)\u201d. Ainda de acordo com o texto de Braithwaite, \u201ceste registo factual n\u00e3o foi contestado com \u00eaxito no Ocidente\u201d.<\/p>\n<p>Em agosto de 2009, o antigo senador por New Jersey Bill Bradley, que foi candidato pelos democratas \u00e0 corrida presidencial de 2000, escreveu na revista Foreign Policy que, \u201cquando falei com Baker, ele concordou que disse a Gorbatchev que se a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica permitisse a reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha e a sua ades\u00e3o \u00e0 OTAN, o Ocidente n\u00e3o expandiria a alian\u00e7a \u2018um cent\u00edmetro para o Leste\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A palavra passa agora para Lawrence Wilkerson, coronel na reserva, pol\u00edtico republicano, ex-chefe de gabinete do secret\u00e1rio de Estado Collin Powell. Numa entrevista ao Real News Network em 3 de outubro de 2014 \u2013 igualmente quando se sentiam os primeiros efeitos do golpe ucraniano \u2013afirmou: \u201cEu estava l\u00e1 quando dissemos aos russos que \u00edamos torn\u00e1-los membros (da OTAN); primeiro seriam observadores e depois membros\u201d.<\/p>\n<p>Na realidade, em plena \u00e9poca de encantamento manifestado durante os contatos com os principais dirigentes ocidentais, Mikhail Gorbatchev solicitara a ades\u00e3o da URSS \u00e0 Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica, uma vez que, como se dizia e repetia \u00e0 boca cheia, os conflitos ideol\u00f3gicos e militares tinham sido ultrapassados. Foi o secret\u00e1rio de Estado James Baker, significativamente dedicado agora \u00e0 \u201cecologia\u201d, quem deitou \u00e1gua na fervura declarando que \u201ca seguran\u00e7a pan-europeia \u00e9 um sonho\u201d.<\/p>\n<p>Mary Elise Sarotte, historiadora, membro do influente Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Externas e titular de posi\u00e7\u00f5es destacadas nas Universidades Johns Hopkins e Harvard, onde preside ao Gabinete de Estudos Europeus, testemunhou que, no in\u00edcio de 1990, \u201cKohl (o chanceler alem\u00e3o) garantiu a Gorbatchev que \u2018naturalmente a OTAN n\u00e3o poderia expandir o seu territ\u00f3rio para o territ\u00f3rio da Alemanha Oriental\u2019\u201d. Acrescentou que, \u201cem conversa\u00e7\u00f5es paralelas, Genscher (ministro alem\u00e3o dos Neg\u00f3cios Estrangeiros) transmitiu a mesma mensagem ao seu hom\u00f3logo sovi\u00e9tico, Eduard Shevardnadze, dizendo: \u2018para n\u00f3s, mant\u00e9m-se firme: a NATO n\u00e3o se expandir\u00e1 para Leste\u2019\u201d. Duas publica\u00e7\u00f5es de Mary Elise Sarotte foram consideradas \u201clivros do ano\u201d por The Economist e Wall Street Journal.<\/p>\n<p>\u201cPro diabo com a promessa!&#8230;\u201d<br \/>\nOs testemunhos aqui deixados s\u00e3o conclusivos: os principais dirigentes ocidentais prometeram aos \u00faltimos dirigentes sovi\u00e9ticos que a OTAN continuaria a existir mas sem expandir o seu territ\u00f3rio, pelo menos \u201cpara Leste\u201d.<\/p>\n<p>Mais de trinta anos passados, vivendo a situa\u00e7\u00e3o aterradora de hoje e rememorando a maneira como aqui chegamos, percebe-se quanto vale a palavra dada pelos dirigentes ocidentais.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois documentos, por\u00e9m, que s\u00e3o absolutamente expl\u00edcitos e ilustram como podem ser escabrosas as metodologias do regime ocidental dominante nas suas vers\u00f5es de duas ou mais caras, em privado ou em p\u00fablico, verbalmente ou por escrito, oficialmente ou em segredo. Torna-se inequ\u00edvoco o padr\u00e3o mafioso desses comportamentos.<\/p>\n<p>Os documentos s\u00e3o as transcri\u00e7\u00f5es oficiais estadunidense e alem\u00e3, citadas tamb\u00e9m pela historiadora Mary Elise Sarotte, do encontro entre o presidente dos EUA George H.W. Bush e o chanceler alem\u00e3o Helmut Kohl, na noite de 24 de fevereiro de 1990, em Camp David.<\/p>\n<p>Quando o dirigente alem\u00e3o abordou o assunto do compromisso sobre a OTAN assumido com Moscou, a rea\u00e7\u00e3o de Bush (pai) foi hist\u00f3rica no pior sentido que o adjetivo possa ter: \u201cPro diabo com isso! Fomos n\u00f3s que vencemos, n\u00e3o foram eles!\u201d.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o nunca mais se ouviu falar oficialmente da promessa sobre o congelamento territorial da OTAN. A mensagem inequ\u00edvoca do presidente dos Estados Unidos, o verdadeiro comandante-em-chefe da alian\u00e7a, foi certamente transmitida por Kohl a todos os aliados, na verdade s\u00faditos.<\/p>\n<p>Precavendo a possibilidade de haver alguma disson\u00e2ncia entre Berlim e Paris, uma vez que Mitterrand tinha um peso que torna irrelevantes figuras como Macrons, Scholzs e Hollandes, Bush enviou um telegrama confidencial para o Eliseu informando que a OTAN continuaria a ser a organiza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a europeia e n\u00e3o qualquer outra entidade pan-europeia do g\u00e9nero Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, Uni\u00e3o Europeia, Ex\u00e9rcito Europeu.<\/p>\n<p>O imp\u00e9rio definira o futuro imediato \u2013 e a prazo indeterminado \u2013 do mundo e, sobretudo, do continente europeu, ditado pela fus\u00e3o fascistizante entre a ortodoxia econ\u00f4mica neoliberal e a teoria pol\u00edtica e social neoconservadora que assumira o poder no complexo militar, industrial e tecnol\u00f3gico dos Estados Unidos durante os consulados de Reagan (anos oitenta) \u2013 dissolvendo as j\u00e1 t\u00eanues fronteiras que ainda poderiam separar democratas e republicanos. Institucionalizando, em suma, o partido \u00fanico.<\/p>\n<p>William Clinton e Hillary Clinton iriam chegar em seguida para o demonstrar. Recordemos, apenas de passagem, as carnificinas na ex-Iugosl\u00e1via, na L\u00edbia e na S\u00edria e os pap\u00e9is nelas representados por cada um dos membros do casal.<\/p>\n<p>A OTAN desestabilizou primeiro e avan\u00e7ou depois para os Balc\u00e3s \u2013 os resultados est\u00e3o \u00e0 vista \u2013 e, um ap\u00f3s outro, e alguns simultaneamente, a esmagadora maioria dos pa\u00edses do Tratado de Vars\u00f3via, juntamente com os ex-territ\u00f3rios sovi\u00e9ticos do B\u00e1ltico, entraram de rompante na Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica. Em vez de uma polegada ou um cent\u00edmetro, a OTAN cavalgou sem freios mais de um milhar e meio de quil\u00f4metros, para as fronteiras da R\u00fassia. Onde Boris Ieltsin, o ex-secret\u00e1rio da organiza\u00e7\u00e3o de Moscou do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, se tornara presidente da rec\u00e9m-declarada Federa\u00e7\u00e3o Russa franqueando as portas para o saque neoliberal e sem limites das riquezas naturais e do aparelho produtivo e cient\u00edfico sovi\u00e9tico, ao mesmo tempo que hipnotizava os cidad\u00e3os com as maravilhas da sociedade de consumo e dos m\u00e1gicos poderes do mercado.<\/p>\n<p>O que George H.W. Bush dissera a Kohl, naquela noite de 24 de fevereiro de 1990, \u00e9 que o imp\u00e9rio pretende, ent\u00e3o como hoje, ter o poder sobre toda a Europa at\u00e9 a R\u00fassia e conquistar este pa\u00eds, desmantelando-o, garantindo o acesso irrestrito \u00e0s suas imensas riquezas. Isto \u00e9, retomar a saga sangrenta de Hitler e alcan\u00e7ar o que este n\u00e3o conseguiu, objetivo para o qual a guerra fria foi insuficiente.<\/p>\n<p>Mais de 50 dias depois de o presidente dos EUA ter deixado claro ao chanceler alem\u00e3o que as garantias dadas a Moscou eram falsas, o engodo lan\u00e7ado a Gorbatchev ainda continuava presente no discurso oficial. Manfred Woerner, o alem\u00e3o que ent\u00e3o exercia o cargo de secret\u00e1rio-geral da OTAN, como sempre um simples funcion\u00e1rio da Casa Branca, do Departamento de Estado e do Pent\u00e1gono, pronunciou em Bruxelas, em 19 de maio de 1990, um discurso que sabia ser fraudulento: \u201co simples fato de estarmos dispostos a n\u00e3o enviar tropas da OTAN para al\u00e9m do territ\u00f3rio da Rep\u00fablica Federal (da Alemanha) d\u00e1 \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica garantias firmes de seguran\u00e7a.\u201d Na mesma alocu\u00e7\u00e3o, Woerner recorreu ao mantra absurdo segundo o qual \u201ca nossa estrat\u00e9gia e a nossa Alian\u00e7a s\u00e3o exclusivamente defensivas\u201d. Sabemos muito bem o que isso quer dizer.<\/p>\n<p>S\u00e3o assim sucessivos os casos comprovativos de que o discurso e os comportamentos dos dirigentes do chamado \u201cOcidente alargado\u201d se revelam, por regra, contradit\u00f3rios e traduzem uma estrat\u00e9gia contumaz de mentira. Enfim, gente n\u00e3o respeit\u00e1vel para quem as pessoas s\u00e3o meros instrumentos a manter sob controle f\u00e9rreo, se poss\u00edvel, mas n\u00e3o necessariamente, sob apar\u00eancia benigna dita democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Gente falsa, desprez\u00edvel e perigosa<br \/>\nDefinido o sentido da nova ordem na frase ditatorial de George H.W. Bush na noite de 24 de Fevereiro de 1990, as estruturas come\u00e7aram a ser desenvolvidas, funcionando como o enquadramento das \u201cregras\u201d que iriam suprimir, como suprimiram, o direito internacional do cen\u00e1rio geoestrat\u00e9gico de decis\u00e3o. Publicamente, Bush n\u00e3o assumiu na totalidade o objectivo tra\u00e7ado na reuni\u00e3o que teve com Kohl: limitou-se a proclamar no seu discurso de 1992 sobre o Estado da Uni\u00e3o que \u201cpela gra\u00e7a de Deus, a Am\u00e9rica venceu a guerra fria\u201d.<\/p>\n<p>Ainda em 1992, o secret\u00e1rio de Estado adjunto para os Assuntos Pol\u00edticos dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz, publicou o Guia de Planeamento da Defesa para os anos de 1994-1999, que deveria ter ficado secreto mas foi divulgado pouco depois pelo New York Times. Conhecido como \u201cdoutrina Wolfowitz\u201d, o documento estipula que \u201co nosso primeiro objetivo \u00e9 evitar o ressurgimento de um novo rival quer no territ\u00f3rio da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quer noutro local\u201d. Devemos, acrescenta, \u201cdissuadir ou derrotar os ataques de qualquer origem\u201d; \u201ctemos de manter os mecanismos para dissuadir os potenciais concorrentes de aspirar mesmo a um papel regional ou global mais vasto\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, ditou Wolfowitz, \u201ca ordem mundial \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, apoiada pelos Estados Unidos e ser\u00e1 um importante factor de estabilidade\u201d, porque \u201cn\u00e3o podemos permitir que os nossos interesses cr\u00edticos dependam exclusivamente de mecanismos internacionais que podem ser bloqueados por pa\u00edses cujos interesses possam ser muito diferentes dos nossos\u201d. A atualidade desta resenha da \u201cordem internacional baseada em regras\u201d \u00e9 flagrante e, funcionando na altura tamb\u00e9m como um recado firme \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, ajuda a perceber o papel secund\u00e1rio e de submiss\u00e3o reservado a esta entidade e que hoje se concretiza de maneira humilhante.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio program\u00e1tico surgira entretanto o \u201cProjeto para o Novo S\u00e9culo Americano\u201d, elaborado pela dupla democr\u00e1tica e republicana formada por William Kristol e Robert Kagan para promover \u201ca lideran\u00e7a mundial dos Estados Unidos\u201d. Dessa base te\u00f3rica nasceram os conceitos segundo os quais os Estados Unidos s\u00e3o \u201ca \u00fanica na\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel\u201d e \u201ca na\u00e7\u00e3o excepcional\u201d (o \u201cexcepcionalismo\u201d). Trata-se, segundo os autores, de prosseguir \u201ca pol\u00edtica reaganiana de poderio militar e de transpar\u00eancia moral\u201d \u2013 o dom\u00ednio \u201cde espectro total\u201d da associa\u00e7\u00e3o fascistizante entre a selvageria neoliberal e as pol\u00edticas sociais retr\u00f3gradas, o neoconservadorismo. O princ\u00edpio deste catecismo \u00e9 o de que \u201ca lideran\u00e7a americana \u00e9, ao mesmo tempo, boa para a Am\u00e9rica e para o mundo\u201d. A caminho do globalismo, como estipula o imp\u00e9rio principalmente atrav\u00e9s do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (Davos).<\/p>\n<p>Robert Kagan, um dos principais expoentes neoconservadores, \u00e9 esposo de Victoria Nuland, a secret\u00e1ria de Estado adjunta de Obama e Biden e a golpista operacional da ascens\u00e3o do nazi-banderismo ao poder em Kiev, em 2014, atrav\u00e9s da chamada \u201crevolu\u00e7\u00e3o de Maidan\u201d. Esta mudan\u00e7a de regime definida em Washington foi apresentada como um projeto de \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d e esteve na origem da guerra e do mart\u00edrio do povo ucraniano, que hoje continua.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da fam\u00edlia Kagan-Nuland n\u00e3o fica por aqui porque Kimberly Kagan, cunhada de Victoria Nuland, fundou e dirigiu, a partir de 2007, o Instituto dos Estudos de Guerra, agora um dos think-tank mais influentes na propaganda da guerra na Ucr\u00e2nia, sobretudo atrav\u00e9s da manipulada comunica\u00e7\u00e3o social corporativa. Ainda em 2007, a pr\u00f3pria imprensa estadunidense batizou o casal Kagan como os \u201cwarmongers\u201d (fan\u00e1ticos da guerra, em tradu\u00e7\u00e3o livre) pela sua insist\u00eancia no \u201crefor\u00e7o\u201d da presen\u00e7a militar dos Estados Unidos e outros pa\u00edses da OTAN no Iraque.<\/p>\n<p>O peso dos neoconservadores nas administra\u00e7\u00f5es estadunidenses desde os anos oitenta, principalmente nas democratas porque foi menos evidente com Donald Trump, pode avaliar-se pela quest\u00e3o ucraniana e a aposta total na guerra, apesar de os resultados no terreno continuarem a ser desfavor\u00e1veis ao regime terrorista vigente na Ucr\u00e2nia Ocidental. E j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o dois ex\u00e9rcitos arrasados, enquanto o terceiro come\u00e7a a estar em risco.<\/p>\n<p>A Ucr\u00e2nia foi identificada, desde a extin\u00e7\u00e3o da URSS, como o pilar essencial da ordem internacional baseada em regras e consequente cerco intimidat\u00f3rio da R\u00fassia \u2013 tornado estrat\u00e9gico \u00e0 luz da doutrina Wolfowitz. Zbigniew Brzezinski, conselheiro de v\u00e1rios presidentes norte-americanos e autor do Grande Jogo de Xadrez, obra de refer\u00eancia considerada indispens\u00e1vel para conhecer o lado imperial da geoestrat\u00e9gia das \u00faltimas d\u00e9cadas, estipulou que \u201cquem dominar a Ucr\u00e2nia domina a Eur\u00e1sia\u201d. E quem domina a Eur\u00e1sia domina o mundo, pode deduzir-se.<\/p>\n<p>Na Ucr\u00e2nia reside assim o problema da sobreviv\u00eancia da ordem internacional baseada em regras na qual assenta atualmente o poder imperial. A doutrina Wolfowitz foi ultrapassada, entretanto, pela ascens\u00e3o consolidada da R\u00fassia, da China e das organiza\u00e7\u00f5es internacionais mobilizadas em torno da \u201calian\u00e7a estrat\u00e9gica\u201d estabelecida entre estas duas pot\u00eancias; o \u201cnovo s\u00e9culo americano\u201d est\u00e1 sendo posto seriamente em causa pela nova situa\u00e7\u00e3o gerada pela converg\u00eancia de interesses, pontuais ou mais alargados \u2013 sobretudo o da soberania nacional &#8211; entre pa\u00edses da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina reunindo cerca de 85% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Os quais come\u00e7am a perceber que podem escapar ao destino fatal da submiss\u00e3o a uma \u00fanica pot\u00eancia.<\/p>\n<p>Resta ao imperialismo \u201cexcepcionalista\u201d, levando a reboque as taras coloniais que persistem nos c\u00e9rebros distorcidos da maior parte dos dirigentes ocidentais, insistir no caminho tr\u00e1gico e afunilado da guerra da Ucr\u00e2nia para desmantelar e conquistar a R\u00fassia (ou o que dela restaria), conforme foi sentenciado em 24 de fevereiro de 1990 como objetivo da continua\u00e7\u00e3o de guerra fria, transformada em conflito armado. Da\u00ed as interroga\u00e7\u00f5es que permanecem enquanto os pa\u00edses ocidentais continuam a despejar bilh\u00f5es de euros e d\u00f3lares e milh\u00f5es de toneladas de armamentos no regime fracassado e de inspira\u00e7\u00e3o nazista em Kiev: o desespero ocidental levar-nos-\u00e1 \u00e0 \u201cTerceira Guerra Mundial\u201d, que seria o princ\u00edpio do fim da humanidade? Insistem os lun\u00e1ticos dirigentes ocidentais em alcan\u00e7ar o \u00eaxito onde Napole\u00e3o e Hitler fracassaram?<\/p>\n<p>Pelo caminho deste conflito ficaram os Acordos de Minsk de 2015 e at\u00e9 o acordo de Istambul, j\u00e1 em mar\u00e7o de 2022, que poderiam ter aberto oportunidades \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da guerra e \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o da paz. O seu fracasso, provocado pelos dirigentes atlantistas, comprova que, segundo Washington e os seus cobardes vassalos da OTAN, apenas a conquista e o desmantelamento da R\u00fassia podem ser os resultados aceit\u00e1veis desta guerra.<\/p>\n<p>Como se sabe, atrav\u00e9s de confiss\u00f5es da ex-chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, do ex-presidente franc\u00eas Fran\u00e7ois Hollande e dos anterior e atual presidentes nazis-banderistas da Ucr\u00e2nia, Poroshenko e Zelensky, os Acordos de Minsk foram assinados pelo Ocidente para serem violados, como expediente com o objetivo de ganhar tempo e equipar militarmente a Ucr\u00e2nia de maneira a poder confrontar-se com a R\u00fassia e ganhar; e o acordo de Istambul foi inutilizado por uma expedi\u00e7\u00e3o colonial a Kiev do ex-primeiro-ministro brit\u00e2nico, B\u00f3ris Johnson, certamente a rogo de Washington.<\/p>\n<p>Merkel dizia ter em Helmut Kohl a sua refer\u00eancia; Hollande representava a heran\u00e7a pol\u00edtica de Fran\u00e7ois Mitterrand, que ali\u00e1s liquidou; Poroshenko e Zelensky s\u00e3o apenas idiotas \u00fateis para \u201cgarantir a lideran\u00e7a mundial dos Estados Unidos\u201d, replicando o papel de s\u00fabditos assumido pelos dirigentes dos pa\u00edses da OTAN.<\/p>\n<p>Num desenvolvimento seguindo uma l\u00f3gica irrepreens\u00edvel, os vergonhosos epis\u00f3dios relacionados com os acordos de Minsk e Istambul s\u00e3o r\u00e9plicas metron\u00f4micas dos argumentos inventados para desencadear as guerras imperiais do Iraque, do Afeganist\u00e3o, as chacinas na L\u00edbia, na S\u00edria, no I\u00eamen, as intermin\u00e1veis mentiras a prop\u00f3sito das quest\u00f5es palestiniana e do Sahara Ocidental; em suma, mais do mesmo no seguimento da falsidade das promessas sobre a imobiliza\u00e7\u00e3o territorial da OTAN feitas a Gorbatchev em troca, entre outras coisas, do desmantelamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Sempre o mesmo registro mafioso, s\u00f3 os nomes dos dirigentes se alteram e se sucedem neste processo explorador e mistificador de governo atrav\u00e9s da burla institucionalizada do qual s\u00e3o v\u00edtimas dezenas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os ainda convictos de que os seus votos contam para alguma coisa.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as provas, ao alcance da vista de quem as queira ou saiba avaliar, demonstrando que somos governados por gente desprez\u00edvel que transformou a pol\u00edtica numa teia de mentiras, viciou a democracia, joga com as vidas das pessoas como se nada valessem e, quando os \u201cinteresses\u201d exigem, n\u00e3o hesita em cultivar guerras criminosas; portanto, gente que exala polimento mas desumana, sem limites, muito perigosa. Ou, como diria o transtornado \u201cintelectual\u201d Robert Kagan, padrinho ideol\u00f3gico desta seita, trata-se de prosseguir \u201ca pol\u00edtica reaganiana de poderio militar e de transpar\u00eancia moral\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma avalia\u00e7\u00e3o comparativa com outros dirigentes ou situa\u00e7\u00f5es em outras partes do mundo. N\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 em causa. Ela \u00e9 o resultado da observa\u00e7\u00e3o e da leitura de provas proporcionadas, ao longo de d\u00e9cadas, pelos dirigentes do chamado \u201cmundo ocidental\u201d, aqueles que nos governam, que se consideram exemplares, impolutos, civilizados, sempre do lado certo da hist\u00f3ria. Uma hist\u00f3ria que, pelos exemplos arrolados, pode chegar a ser escabrosa.<\/p>\n<p>Cabe-nos p\u00f4r termo a esta deriva cada vez mais penalizadora das pessoas, dos seres humanos, recusar submeter-nos aos desvarios sociop\u00e1ticos dos governantes, deveras assustadores. Ou aceitamos ou rejeitamos, neste caso atrav\u00e9s da express\u00e3o leg\u00edtima de um inconformismo impar\u00e1vel e mobilizador, ser transformados em idiotas, continuar a ser burlados, zumbificados, anulados, tratados como lixo. Esse \u00e9 o combate pela liberdade e a democracia oper\u00e1ria que ainda temos de travar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30546\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[227],"class_list":["post-30546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7WG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30546"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30546\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30589,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30546\/revisions\/30589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}