{"id":3059,"date":"2012-06-22T19:14:18","date_gmt":"2012-06-22T19:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3059"},"modified":"2012-06-22T19:14:18","modified_gmt":"2012-06-22T19:14:18","slug":"moodys-rebaixa-classificacao-de-risco-de-15-dos-maiores-bancos-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3059","title":{"rendered":"Moody&#8217;s rebaixa classifica\u00e7\u00e3o de risco de 15 dos maiores bancos do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>A ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody&#8221;s anunciou ontem o corte das notas de 15 dos maiores bancos do mundo. O movimento faz parte de ampla revis\u00e3o de notas e pode prejudicar a obten\u00e7\u00e3o de recursos por essas institui\u00e7\u00f5es e afetar os mercados financeiros.<\/p>\n<p>Entre os bancos rebaixados est\u00e3o Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley, Royal Bank of Canada, dos Estados Unidos e do Canad\u00e1. A lista dos bancos europeus inclui Royal Bank of Scotland, Barclays, HSBC, Credit Suisse, UBS, BNP Paribas, Credit Agricole, Societ\u00e9 Generale e Deutsche Bank.<\/p>\n<p>Em 15 de fevereiro, a Moody&#8221;s anunciou que faria a revis\u00e3o, dizendo que a classifica\u00e7\u00e3o desses bancos globais &#8220;n\u00e3o captura os desafios crescentes de condi\u00e7\u00f5es de financiamento mais fr\u00e1geis, maiores spreads para obter cr\u00e9dito, aumento dos encargos regulat\u00f3rios e condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o mais dif\u00edceis&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os bancos afetados pelas a\u00e7\u00f5es de hoje t\u00eam uma exposi\u00e7\u00e3o significativa \u00e0 volatilidade e ao risco de perdas desproporcionais inerentes \u00e0s atividades dos mercados de capitais&#8221;, disse, em comunicado, o diretor de Global Banking da Moody&#8221;s, Greg Bauer.<\/p>\n<p>Dois bancos americanos que foram duramente atingidos pela crise ficaram com as classifica\u00e7\u00f5es mais baixas. O Citigroup e o Bank of America est\u00e3o agora avaliados em apenas dois n\u00edveis acima de &#8220;lixo&#8221; (junk).<\/p>\n<p>O rebaixamento \u00e9 um duro golpe para o setor banc\u00e1rio, que j\u00e1 est\u00e1 lidando com a crise da d\u00edvida soberana europeia, uma economia fraca americana e novas regulamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o de notas pela Moody&#8221;s faz parte de um amplo esfor\u00e7o para fazer uma an\u00e1lise mais rigorosa. A crise financeira manchou a reputa\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias de risco. Elas haviam dado notas altas para t\u00edtulos lastreados em hipotecas que mais tarde sofreram grandes perdas na crise imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a do rebaixamento j\u00e1 rondava os mercados h\u00e1 meses. A\u00e7\u00f5es do Morgan Stanley ca\u00edram 25% desde 15 de fevereiro, quando a Moody&#8221;s anunciou a possibilidade dos rebaixamentos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, executivos dos bancos, incluindo o CEO do Morgan Stanley, James P. Gorman, reuniram-se com analistas da Moody&#8221;s para argumentar que suas empresas n\u00e3o mereciam grandes rebaixamentos.<\/p>\n<p>Os executivos dos bancos pressionaram a Moody&#8221;s para reconhecer as medidas importantes tomadas por eles desde a crise financeira, para refor\u00e7ar seus neg\u00f3cios, incluindo aumentar a margem de seguran\u00e7a contra perdas. O capital do Morgan Stanley, de US $ 62 bilh\u00f5es no fim de mar\u00e7o, era o dobro do que o banco tinha no fim de 2007.<\/p>\n<p>Executivos de grandes bancos v\u00e3o agora tentar convencer os credores e clientes de grande porte que a Moody&#8221;s exagerou.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Ruptura na zona do euro \u00e9 quest\u00e3o de semanas&#8217;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Um evento de ruptura na zona do euro \u00e9 praticamente inevit\u00e1vel. Na verdade, \u00e9 necess\u00e1rio, pois s\u00f3 assim os pol\u00edticos agir\u00e3o para evitar o fim do euro. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio base do economista-chefe do banco holand\u00eas Rabobank International, um dos maiores daquele pa\u00eds, Jan Lambregts.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 &#8220;muito prov\u00e1vel&#8221; a chance de a Espanha precisar de um amplo socorro e 50% de chance de a Gr\u00e9cia sair do euro. Lambregts acredita, inclusive, que a bancarrota espanhola \u00e9 quest\u00e3o de semanas.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, no entanto, que ele espere o pior. &#8220;Acreditamos que a zona do euro vai sobreviver, mas h\u00e1 claramente grandes desafios a serem enfrentados.&#8221;<\/p>\n<p>Na verdade, o economista partilha a ideia de que &#8220;\u00e9 preciso piorar muito antes de melhorar&#8221;. E um desses dois eventos, que na verdade est\u00e3o interconectados, precipitaria a ado\u00e7\u00e3o de medidas mais dr\u00e1sticas por parte dos governantes europeus, levando a uma maior uni\u00e3o fiscal e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um eurob\u00f4nus (t\u00edtulo comum a todos os pa\u00edses). Sem esse evento, diz ele, os governos europeus n\u00e3o ceder\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A Europa precisa estar no limite, antes de os pol\u00edticos poderem voltar aos seus pa\u00edses e dizer: &#8220;fizemos o melhor acordo que poderia ser feito nessas circunst\u00e2ncias&#8221;&#8221;, disse, em entrevista ao Valor na quarta-feira.<\/p>\n<p>As medidas corretivas necess\u00e1rias, no entanto, t\u00eam efeitos de longo prazo. No meio da turbul\u00eancia, &#8220;um minuto antes da meia-noite&#8221;, como ele diz, uma a\u00e7\u00e3o tempestiva tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1ria e esse papel caber\u00e1 ao Banco Central Europeu (BCE), com a devida autoriza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;Espero que o BCE atue com algum tipo de empr\u00e9stimo ponte. Poderia, tamb\u00e9m, anunciar que n\u00e3o tolera, por exemplo, taxas [soberanas de dez anos] acima de 5% ao ano. Quando ele anunciar isso, ser\u00e1 cr\u00edvel e ele nem precisar\u00e1 comprar todo o volume.&#8221;<\/p>\n<p>O papel mais ativo do BCE \u00e9 imprescind\u00edvel tamb\u00e9m para igualar a perspectiva do euro \u00e0s outras moedas fortes. &#8220;Olhando do ponto de vista do mercado de b\u00f4nus soberano, pa\u00edses como Estados Unidos, Inglaterra e Jap\u00e3o se mostram mais atrativos, pois seus bancos centrais t\u00eam a prerrogativa de imprimir dinheiro, ao contr\u00e1rio do BCE.&#8221;<\/p>\n<p>Lambregts brinca dizendo que ainda n\u00e3o estamos no momento &#8220;um minuto para meia-noite&#8221;. Ainda faltam cinco minutos para a meia-noite, diz ele. Para se chegar l\u00e1, momento que pode demorar meses ou semanas, ele v\u00ea dois caminhos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>O primeiro passa pela necessidade de um resgate das economias espanhola e italiana. O outro seria a sa\u00edda da Gr\u00e9cia da zona do euro, que tamb\u00e9m levaria imediatamente para a quebra de Espanha e It\u00e1lia.<\/p>\n<p>No caso grego, mesmo com a possibilidade de renegocia\u00e7\u00e3o dos acordos fechados entre a Uni\u00e3o Europeia e a Gr\u00e9cia, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es do fim de semana (que para ele foi apenas um al\u00edvio tempor\u00e1rio), a administra\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega \u00e9 insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Se realizarmos testes mais conservadores do que os do FMI &#8211; que mostraram que a d\u00edvida chegar\u00e1 a 120% em 2020 &#8211; chegamos a um percentual maior, de 150%. Isso \u00e9 realmente muito alto. Pra l\u00e1 de insustent\u00e1vel. E sempre que os negociadores visitam o pa\u00eds, veem que as metas n\u00e3o foram cumpridas.&#8221;<\/p>\n<p>No caso espanhol, em meio ao que as autoridades chamam de &#8220;assist\u00eancia financeira&#8221; &#8211; mas ele prefere chamar de &#8220;resgate&#8221; &#8211; do sistema banc\u00e1rio, ningu\u00e9m est\u00e1 realmente seguro do tamanho do &#8220;buraco&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A crise est\u00e1 se acelerando. Acreditamos que em semanas, possivelmente meses, a press\u00e3o sobre a Espanha vai requerer um resgate mais amplo, incluindo a d\u00edvida soberana. Isso ser\u00e1 muito caro. T\u00e3o caro que vai consumir todos os fundos de resgate. E deve chegar aos port\u00f5es de Roma.&#8221;<\/p>\n<p>A interconectividade entre os pa\u00edses, e tamb\u00e9m entre os sistemas financeiros e as d\u00edvidas soberanas, est\u00e1 na origem do problema. &#8220;A crise \u00e9 sist\u00eamica porque a uni\u00e3o monet\u00e1ria foi feita em cima de links fracos, pela falta de uma uni\u00e3o fiscal. Os elos est\u00e3o se rompendo. O elo fraco agora \u00e9 a Gr\u00e9cia. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 a Gr\u00e9cia. Poderia ser qualquer pa\u00eds. O problema s\u00e3o os links fracos.&#8221;<\/p>\n<p>Lambregts continua. &#8220;Eles at\u00e9 tentaram [criar uma uni\u00e3o fiscal], mas n\u00e3o conseguiram. Ent\u00e3o decidiram, de um jeito bem europeu de ser, seguir em frente com a uni\u00e3o monet\u00e1ria e fazer uma reforma para incluir a uni\u00e3o fiscal no futuro. \u00c9 justamente o que est\u00e1 acontecendo agora. Mas ningu\u00e9m imaginou que seria t\u00e3o dram\u00e1tico e custoso.&#8221;<\/p>\n<p>Ele reconhece que esse tipo de comprometimento levaria a quest\u00f5es de soberania. &#8220;Eles v\u00e3o querer olhar sobre os ombros um do outro.&#8221; Ainda assim, \u00e9 preciso a uni\u00e3o para que se olhe para a m\u00e9dia dos pa\u00edses, seja em termos de d\u00edvida, seja em termos de crescimento, completa o economista. Sem isso, as distor\u00e7\u00f5es entre as posi\u00e7\u00f5es entre a Gr\u00e9cia e a Alemanha, por exemplo, continuar\u00e3o existindo e pressionando a periferia at\u00e9 que os problemas cheguem ao centro, finaliza.<\/p>\n<hr \/>\n<p>IBGE indica que servi\u00e7os criam vagas sem aumento de renda<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A oferta de empregos cresceu nas regi\u00f5es metropolitanas em maio e provocou nova redu\u00e7\u00e3o na taxa de desemprego. Pelos dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) foram criadas 275 mil novas vagas no m\u00eas passado, a maioria no setor de servi\u00e7os. Com esse resultado, a taxa de desemprego recuou de 6% em abril para 5,8% no m\u00eas passado. O aumento da ocupa\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o foi acompanhado por um ganho de renda. O rendimento m\u00e9dio real recuou 0,1% entre abril e maio e as quedas mais expressivas foram justamente nos setores que mais contrataram no m\u00eas.<\/p>\n<p>O recuo no desemprego e o aumento forte das contrata\u00e7\u00f5es (cuja alta foi de 1,2% sobre abril e de 2,5% sobre maio de 2011) n\u00e3o estava no radar dos economistas consultados pelo Valor, que se surpreenderam com a guinada dada pelo indicador. Expans\u00e3o como a registrada entre abril e maio &#8211; 275 mil vagas e alta de 1,2% &#8211; n\u00e3o era vista desde junho de 2007. Ao todo, 23 milh\u00f5es de trabalhadores encontravam-se empregados em maio nas seis regi\u00f5es analisadas pelo IBGE, o maior contingente de ocupados da s\u00e9rie hist\u00f3rica, iniciada em mar\u00e7o de 2002.<\/p>\n<p>Para o IBGE, o mercado de trabalho est\u00e1 reagindo e a tend\u00eancia para os pr\u00f3ximos meses \u00e9 de novas contrata\u00e7\u00f5es. &#8220;N\u00e3o podemos fazer proje\u00e7\u00f5es, mas olhando a s\u00e9rie hist\u00f3rica da PME, observamos que a m\u00e9dia de desocupa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses deve cair&#8221;, diz o gerente da coordena\u00e7\u00e3o de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.<\/p>\n<p>&#8220;Em maio, o mercado de trabalho criou vagas e isso fez com que o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o aumentasse. A pesquisa mostra que o mercado de trabalho j\u00e1 come\u00e7ou a contratar, e a gera\u00e7\u00e3o de emprego \u00e9 de qualidade, com aumento das vagas com carteira assinada&#8221;, ressalta Azeredo. Dos 275 mil postos de trabalho abertos entre abril e maio, apenas 4 mil eram sem carteira assinada, enquanto os demais foram no setor privado com carteira, no setor p\u00fablico ou por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>O setor de servi\u00e7os puxou as contrata\u00e7\u00f5es no per\u00edodo, admitindo profissionais em todos os segmentos. A ocupa\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os dom\u00e9sticos aumentou 2,6% sobre abril, com a contrata\u00e7\u00e3o de 40 mil trabalhadores. Nos ramos de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica foram admitidos 100 mil profissionais, elevando a ocupa\u00e7\u00e3o em 2,7% na mesma compara\u00e7\u00e3o. Os servi\u00e7os prestados para empresas contaram com mais 68 mil trabalhadores e tiveram expans\u00e3o de 1,9%, ao passo que os demais servi\u00e7os aumentaram em 89 mil o quadro de empregados, ampliando a ocupa\u00e7\u00e3o em 2,2%, sempre em rela\u00e7\u00e3o a abril.<\/p>\n<p>Nesses setores, o aumento de contrata\u00e7\u00f5es n\u00e3o resultou em ganho de renda. O rendimento m\u00e9dio real caiu 1,4% em servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e setor p\u00fablico; 2,7% em outros servi\u00e7os e 0,9% em servi\u00e7os dom\u00e9sticos. A exce\u00e7\u00e3o foi o segmento que atende \u00e1s empresas, onde o rendimento subiu 0,2% sobre abril.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio e a ind\u00fastria tamb\u00e9m ampliaram postos de trabalho, em 0,4% e 0,6%, respectivamente. Retra\u00e7\u00e3o foi observada apenas na constru\u00e7\u00e3o, que fechou 55 mil vagas e reduziu a ocupa\u00e7\u00e3o em 2,9% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Economistas se surpreenderam com o vigor mostrado pelo setor de servi\u00e7os e levantam algumas hip\u00f3teses para justificar os n\u00fameros do IBGE. Caio Machado, da LCA Consultores, acredita que o \u00edmpeto do setor pode estar associado ao consumo das fam\u00edlias. &#8220;A renda vem se expandindo com for\u00e7a e o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo neste ano foi alto.&#8221; O reajuste foi de 14%.<\/p>\n<p>Machado ressalta que o setor de servi\u00e7os apresenta baixa produtividade, o que resulta em alto n\u00famero de contrata\u00e7\u00f5es. Mas, para ele, esse ritmo de gera\u00e7\u00e3o de vagas n\u00e3o deve ser mantido nos pr\u00f3ximos meses. &#8220;Como o n\u00edvel de atividade da economia n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o robusto, \u00e9 de se esperar uma desacelera\u00e7\u00e3o nas contrata\u00e7\u00f5es nos servi\u00e7os. Isso, entretanto, n\u00e3o deve afetar o emprego, porque no segundo semestre a ind\u00fastria deve voltar a contratar, reagindo aos incentivos dados pelo governo.&#8221;<\/p>\n<p>Alexandre Andrade, da Votorantim Corretora, comenta que os indicadores de confian\u00e7a n\u00e3o apontam para manuten\u00e7\u00e3o desse ritmo de contrata\u00e7\u00f5es no setor de servi\u00e7os. A Sondagem de Servi\u00e7os, feita pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), mostra que, desde mar\u00e7o, a confian\u00e7a do setor vem baixando, com arrefecimento tanto nas perspectivas para os pr\u00f3ximos meses quanto nas avalia\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o atual. &#8220;Ainda \u00e9 cedo para julgar o que est\u00e1 acontecendo com o setor de servi\u00e7os. Pode ser que o dado de maio seja um ponto fora da curva ou o in\u00edcio de uma tend\u00eancia. Precisamos aguardar mais indicadores para chegar a uma conclus\u00e3o&#8221;, avalia Andrade.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Serrano, do BES Investimento, lembra que a falta de ociosidade e de m\u00e3o de obra qualificada tem mantido o mercado de trabalho apertado. Ele ressalta que a economia tem se mostrado bastante heterog\u00eanea e, por isso, \u00e9 poss\u00edvel notar forte expans\u00e3o nos servi\u00e7os, enquanto a ind\u00fastria ainda fraqueja. &#8220;Os servi\u00e7os devem continuar contratando. O risco que corremos \u00e9 o de a economia demorar muito para reagir e a demanda perder impulso. Nesse caso, o setor poderia parar de contratar e at\u00e9 demitir.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Novo est\u00edmulo do BC dos EUA \u00e9 esperado para breve<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A sequ\u00eancia de fracos dados para a economia dos Estados Unidos desanima os investidores e as perspectivas de curto prazo n\u00e3o ganharam for\u00e7a suficiente para acalmar os mercados. Apesar da falta de agressividade por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter gerado certa decep\u00e7\u00e3o, alguns economistas acreditam que o an\u00fancio da opera\u00e7\u00e3o &#8220;Twist&#8221; \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio de um caminho que leva a uma terceira rodada de est\u00edmulos, o &#8220;quantitative easing&#8221; (QE) 3.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira, o Fed informou a extens\u00e3o por mais seis meses de seu programa &#8211; a opera\u00e7\u00e3o Twist -, que consiste na venda de t\u00edtulos da d\u00edvida dos EUA com vencimento de curto prazo e compra de ativos com prazo mais longo, na tentativa de empurrar para baixo os juros no longo prazo e estimular a economia local. O final da opera\u00e7\u00e3o estava inicialmente previsto para o m\u00eas de junho.<\/p>\n<p>Mais uma vez, o presidente do Fed, Ben Bernanke, voltou a afirmar que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta para agir e adotar medidas adicionais quando apropriado. A d\u00favida de muitos, no entanto, \u00e9 quanto tempo isso ir\u00e1 levar.<\/p>\n<p>Com uma vis\u00e3o mais pessimista, Michael Hanson, economista do Bank of America Merrill Lynch, acredita que o banco central americano n\u00e3o tem muito tempo para agir, considerando as atuais condi\u00e7\u00f5es da economia dos EUA. O mercado de trabalho fr\u00e1gil, as quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias do pa\u00eds e a possibilidade de cont\u00e1gio da crise da zona do euro seguem como fatores de preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o parecem ter uma solu\u00e7\u00e3o pronta.<\/p>\n<p>Hanson acredita que o &#8220;QE3&#8221; deve ser anunciado depois da reuni\u00e3o do Comit\u00ea Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em ingl\u00eas), que acontece nos dias 31 de julho e 1 de agosto, e j\u00e1 adianta um pacote em torno de US$ 500 bilh\u00f5es, um pouco abaixo dos US$ 600 bilh\u00f5es da \u00faltima opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado de trabalho est\u00e1 muito fraco e o Fed n\u00e3o prev\u00ea muita melhora. H\u00e1 uma s\u00e9rie de riscos para os EUA, inclusive a situa\u00e7\u00e3o da zona do euro. N\u00e3o se pode desconsiderar defaults dos pa\u00edses do grupo e o sistema banc\u00e1rio da Espanha segue como uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. O fim do jogo e o que causaria uma turbul\u00eancia generalizada seria a quebra do grupo [monet\u00e1rio europeu]. Apesar de n\u00e3o ser uma possibilidade considerada prov\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 totalmente descartada&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo o economista-chefe da CM Capital Markets, Darwin Dib, o intuito da opera\u00e7\u00e3o Twist \u00e9 tornar a curva de Treasuries &#8211; t\u00edtulos do Tesouro dos EUA &#8211; menos inclinada. O Fed compra t\u00edtulos de m\u00e9dio e longo prazo e se financia vendendo pap\u00e9is curtos, mas \u00e9 uma medida paliativa. &#8220;Voc\u00ea acha que algu\u00e9m vai decidir investir, produzir e consumir mais porque a curva dos Treasuries est\u00e1 ficando mais &#8220;flat&#8221; pela manipula\u00e7\u00e3o do Fed? Acredito que n\u00e3o. Medidas como essas costumam afetar no longo prazo apenas as vari\u00e1veis nominais&#8221;.<\/p>\n<p>Dib afirma que a terceira rodada de afrouxamento quantitativo deve entrar em vigor nos pr\u00f3ximos dois meses e que o Fed s\u00f3 n\u00e3o fez o an\u00fancio na \u00faltima reuni\u00e3o do Fomc porque ainda precisa de justificativas convincentes e daquilo que chamou de um motivo nobre. &#8220;Os indicadores est\u00e3o apresentando uma piora bastante expressiva. A situa\u00e7\u00e3o na Europa continua incerta e a crise n\u00e3o deve dar tr\u00e9gua t\u00e3o cedo. Se fizermos uma interpreta\u00e7\u00e3o do discurso do Bernanke, vemos que ele est\u00e1 inclinado para essa decis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A economista do Santander Adriana Dupita n\u00e3o descarta um afrouxamento monet\u00e1rio ainda no terceiro trimestre, mas somente no caso de um agravamento da crise europeia ou se o governo americano n\u00e3o conseguir aprovar o corte de impostos sobre os sal\u00e1rios de 160 milh\u00f5es de trabalhadores. No in\u00edcio desde ano, o congresso dos EUA prorrogou at\u00e9 o fim de 2012 o corte dessas tributa\u00e7\u00f5es e estendeu os benef\u00edcios para os desempregados. &#8220;O tempo \u00e9 curto e se entrarmos no terceiro trimestre sem uma defini\u00e7\u00e3o, o Fed provavelmente precisar\u00e1 agir. A volta dos impostos pesaria bastante no bolso dos americanos e seria preciso adotar novos est\u00edmulos monet\u00e1rios para dinamizar o consumo e aquecer a economia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Dupita pondera que n\u00e3o havia justificativas para o Fed ter institu\u00eddo uma nova rodada de QE3. &#8220;Os mercados tendem a ter uma vis\u00e3o imediatista dos dados econ\u00f4micos. De fato, os \u00faltimos indicadores n\u00e3o vieram nada bons, mas, no geral, isso n\u00e3o significa que a economia n\u00e3o esteja se recuperando ou que ela est\u00e1 prestes a entrar em recess\u00e3o. Nessa fase de expans\u00e3o moderada \u00e9 natural que n\u00e3o haja uma uniformidade nos dados. Por isso, o Fed optou por n\u00e3o entrar ainda com o QE3.&#8221;<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano por parte do Fed, na opini\u00e3o de Hanson, do BofA, deixa claro que a institui\u00e7\u00e3o vai agir em breve. &#8220;N\u00e3o existe fuga. As previs\u00f5es de crescimento s\u00e3o ainda menores que as de janeiro, quando foram recebidas com surpresa. O comunicado mostra que eles est\u00e3o caminhando a um afrouxamento de forma gradual.&#8221;<\/p>\n<p>O Bank of America Merrill Lynch prev\u00ea acelera\u00e7\u00e3o da economia dos EUA no segundo semestre e estima expans\u00e3o de 1,9% em 2012. Essa proje\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 alterada desde setembro passado, e a extens\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o Twist para at\u00e9 o final deste ano, de acordo com Hanson, n\u00e3o \u00e9 motivo para uma revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma linha um pouco mais animadora, o UBS estima um crescimento de 2,3% do PIB de 2012. O segundo semestre deve mostrar acelera\u00e7\u00e3o da atividade, diz Sam Coffin, economista do banco su\u00ed\u00e7o, impulsionada pelo consumo interno, o que fortaleceria a confian\u00e7a de investidores.<\/p>\n<p>A atual desacelera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo observada nos EUA, segundo Coffin, n\u00e3o \u00e9 motivo para ofuscar perspectivas relativamente positivas para o pa\u00eds, o que n\u00e3o torna muito prov\u00e1vel, na opini\u00e3o do economista, o an\u00fancio do QE3.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Em 20 dias, Cade recebe 141 fus\u00f5es para julgar<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em 20 dias, o Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) recebeu 141 fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es para julgar. A raz\u00e3o do &#8220;boom&#8221; de fus\u00f5es foi a entrada em vigor na nova lei antitruste (n\u00ba 12.529), que prev\u00ea que esses neg\u00f3cios s\u00f3 v\u00e3o ser realizados com a autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do Cade.<\/p>\n<p>A lei entrou em vigor em 29 de maio. Para fugir da autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, as empresas aproveitaram um prazo adicional, que foi dado pelo \u00f3rg\u00e3o antitruste para a notifica\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios com base na lei antiga (n\u00ba 8.884, de 1994). Pela lei antiga, a empresa primeiro realiza a fus\u00e3o e, depois, notifica para julgamento do Cade.<\/p>\n<p>O prazo para notificar neg\u00f3cios pela lei antiga venceu dia 19. Com isso, entre 29 de maio e 19 de junho, 141 neg\u00f3cios foram encaminhados ao Cade. O n\u00famero \u00e9 expressivo, considerando-se que, no ano passado, o \u00f3rg\u00e3o antitruste julgou 800 fus\u00f5es. Ele mostra que as empresas correram para escapar da nova lei. Apenas nos dias 18 e 19, chegaram 54 fus\u00f5es.<\/p>\n<p>Procurado, o Cade informou que n\u00e3o divulgar\u00e1 a lista dos 141 casos, pois h\u00e1 pedidos de sigilo por parte das empresas. Esses pedidos ser\u00e3o analisados antes da divulga\u00e7\u00e3o das empresas envolvidas nas fus\u00f5es, o que s\u00f3 deve acontecer a partir da semana que vem. O Cade tamb\u00e9m recebeu duas fus\u00f5es que foram notificadas para serem julgadas pela nova lei. Essas duas opera\u00e7\u00f5es s\u00f3 v\u00e3o ser realizadas ap\u00f3s o aval do \u00f3rg\u00e3o antitruste.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil e China fecham acordo para criar fundo de US$ 30 bi em moedas locais<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Brasil e China aproveitaram o encontro de seus governantes ontem, na Rio+20, para fechar acordos bilaterais, com o objetivo de estimular as economias e proteger os pa\u00edses de um poss\u00edvel agravamento da crise internacional.<\/p>\n<p>Entre os protocolos assinados pela presidente Dilma Rousseff e pelo presidente Hu Jintao est\u00e3o a constitui\u00e7\u00e3o de fundo de &#8220;swap&#8221; de US$ 30 bilh\u00f5es, a compra de jatos Legacy 650, da Embraer, pela China, o que pode render receita adicional de R$ 400 milh\u00f5es \u00e0 empresa, e novos investimentos chineses no setor de petr\u00f3leo e na ind\u00fastria brasileira de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>O acordo para a cria\u00e7\u00e3o do fundo de &#8220;swap&#8221; em moeda local deve ser assinado em breve. &#8220;O governo chin\u00eas poder\u00e1 sacar at\u00e9 o equivalente de R$ 60 bilh\u00f5es e utilizar em reservas no com\u00e9rcio de seu pa\u00eds. Assim como n\u00f3s poderemos sacar o equivalente em yuans&#8221;, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/p>\n<p>&#8220;Esse acordo permite que o Brasil saque em yuans da reserva chinesa, e que a China saque em reais da reserva brasileira. Aumenta nossa prote\u00e7\u00e3o em caso de agravamento da crise&#8221;, disse o ministro. &#8220;Digamos que haja um travamento no cr\u00e9dito exterior. Tendo este swap, o nosso comercio continua girando, porque teremos moeda \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. &#8220;, explicou.<\/p>\n<p>O protocolo \u00e9 parte inicial do acordo fechado em Los Cabos, no M\u00e9xico, h\u00e1 tr\u00eas dias, entre os cinco pa\u00edses que fazem parte dos Brics -al\u00e9m de Brasil e China, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia e R\u00fassia -, para montar um fundo de swap multilateral. &#8220;Quando os cinco pa\u00edses fecharem o acordo, ser\u00e3o US$ 4,5 trilh\u00f5es em reservas reunidas&#8221;, disse Mantega<\/p>\n<p>O presidente da Embraer, Frederico Curado, comemorou a decis\u00e3o da China de comprar avi\u00f5es da empresa. &#8220;Foi uma vit\u00f3ria de quase dois anos de esfor\u00e7os. Vai ser a primeira f\u00e1brica de aeronaves executivas da China.&#8221; Segundo o executivo, a expectativa \u00e9 que sejam vendidos entre 6 e 12 avi\u00f5es por ano do modelo Legacy 600\/650. Cada aeronave custa cerca de US$ 30 milh\u00f5es. &#8220;Estamos falando de US$ 200 milh\u00f5es a US$ 400 milh\u00f5es por ano&#8221;, estimou Curado.<\/p>\n<p>Os dois pa\u00edses tamb\u00e9m lan\u00e7ar\u00e3o sat\u00e9lites de fabrica\u00e7\u00e3o sino-brasileira. O primeiro, Cyber 3, ser\u00e1 lan\u00e7ado em janeiro, e o segundo Cyber 4, daqui a dois anos. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, disse que os pa\u00edses aumentaram o n\u00famero de estudantes que v\u00e3o se beneficiar do programa Ci\u00eancia Sem Fronteiras. &#8220;Hoje, temos 50 alunos estudando em universidades chinesas. Esse n\u00famero subir\u00e1 para 250 bolsas por ano.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Unasul tenta evitar destitui\u00e7\u00e3o de Lugo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Paraguai deve ter na tarde de hoje um novo presidente. \u00c0s 16h30 (17h30 em Bras\u00edlia), conclui-se um julgamento pol\u00edtico rel\u00e2mpago, instalado na noite de ontem pelo Congresso, para decidir a sorte de Fernando Lugo, no cargo desde 2008. Parlamentares de oposi\u00e7\u00e3o e de sua fr\u00e1gil base aliada de o acusam de n\u00e3o cumprir suas fun\u00e7\u00f5es na condu\u00e7\u00e3o de um dos piores conflitos sociais da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds &#8211; um enfrentamento entre policiais e camponeses que resultou na morte de 17 pessoas na semana passada.<\/p>\n<p>Lugo disse que n\u00e3o vai renunciar ao cargo. Mas, a julgar pelo seu desempenho no embate pela abertura ou n\u00e3o do processo de impeachment, ontem no Congresso, suas chances de permanecer na Presid\u00eancia s\u00e3o nulas. Primeiro, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou o pedido de abertura do julgamento pol\u00edtico do presidente por 73 votos a 1. Horas mais tarde, no Senado, o Lugo foi derrotado pelo placar de 42 a 3.<\/p>\n<p>O julgamento come\u00e7ou j\u00e1 no final da tarde ontem, quando uma comiss\u00e3o de cinco deputados apresentou sua acusa\u00e7\u00e3o, baseada em cinco pontos, dentre os quais a m\u00e1 condu\u00e7\u00e3o do massacre da semana passada e o uso de um quartel para um ato pol\u00edtico. A defesa ter\u00e1 hoje duas horas para expor suas alega\u00e7\u00f5es, a partir do meio-dia. \u00c0s 16h30, o plen\u00e1rio do Senado realiza uma sess\u00e3o extraordin\u00e1ria para decidir o destino do presidente, em vota\u00e7\u00e3o nominal.<\/p>\n<p>Caso o impeachment seja aprovado, assume o vice-presidente Federico Franco, do Partido Liberal Radical Aut\u00eantico (PLRA), que rompeu com Lugo nos \u00faltimos dias, ap\u00f3s o massacre.<\/p>\n<p>A prov\u00e1vel deposi\u00e7\u00e3o do presidente ocorre a exatos dez meses da elei\u00e7\u00e3o de 21 de abril e representa o fim de um processo de eros\u00e3o do apoio pol\u00edtico a Lugo, que teve em seu \u00e1pice com o confronto entre camponeses e policiais que tentavam fazer a reintegra\u00e7\u00e3o de posse de uma fazenda em Curuguaty, a 400 km de Assun\u00e7\u00e3o, que resultou na ren\u00fancia do Ministro do Interior, Carlos Filizolla.<\/p>\n<p>O fr\u00e1gil apoio a Lugo erodiu de vez depois que ele nomeou para o cargo o ex-procurador-geral do Estado R\u00faben Candida Amarilla, ligado ao Partido Colorado, de oposi\u00e7\u00e3o. Nesta semana, o PLRA anunciou que deixaria a base de apoio de Lugo &#8220;Foi um erro terr\u00edvel, pois desagradou ao PLRA, os movimentos sociais e tamb\u00e9m a v\u00e1rios setores do Partido Colorado&#8221;, disse ao Valor o analista Francisco Caplis, da consultoria First, em Assun\u00e7\u00e3o. &#8220;H\u00e1 uma semana, ningu\u00e9m falava em deposi\u00e7\u00e3o, mas esse epis\u00f3dio encerrou qualquer apoio pol\u00edtico que Lugo poderia ter.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Capli, Lugo j\u00e1 vinha costurando com setores do Partido Colorado uma frente para concorrer \u00e0 Presid\u00eancia em 2013, iniciativa que rivais dentro da pr\u00f3pria legenda j\u00e1 vinham sabotando.<\/p>\n<p>&#8220;O massacre e seus desdobramentos geraram o momento certo para a oposi\u00e7\u00e3o tentar uma esp\u00e9cie de golpe no pa\u00eds&#8221;, afirmou Oswaldo Dehon, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais do Ibmec.<\/p>\n<p>Segundo as fontes, um poss\u00edvel impeachment de Lugo poder ter um desfecho violento. Para Dehon, apesar de desiludidos com Lugo, grande parte dos movimentos sociais devem dar apoio a ele, em caso de impedimento. E, segundo Capli, militantes pr\u00f3 e contra Lugo de v\u00e1rias partes do pa\u00eds se dirigiam a Assun\u00e7\u00e3o, para acompanhar o julgamento em frente ao Congresso. &#8220;Pode haver enfrentamentos.&#8221;<\/p>\n<p>As For\u00e7as Armadas, por enquanto, se mant\u00eam neutras. Em um comunicado, disseram que &#8220;se mant\u00eam dentro de suas fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, estabelecidas por lei&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Confer\u00eancia deixa como resultado um futuro incerto<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O ar-condicionado ligado \u00e0 plena carga criava uma atmosfera \u00e1rtica em diversos cantos do Riocentro &#8211; e inacreditavelmente insustent\u00e1vel. Este clima desconfort\u00e1vel e pouco estimulante marcou a Rio+20. A confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel caminhava para um final melanc\u00f3lico ontem, onde ningu\u00e9m parecia satisfeito e todos pareciam conformados com o futuro incerto que &#8220;O Futuro que Queremos&#8221;, o principal documento da confer\u00eancia, projeta para diante.<\/p>\n<p>Agora depende de o comprometimento dos pa\u00edses de levar em frente, por exemplo, uma nova medida econ\u00f4mica que considere componentes ambientais no c\u00e1lculo do PIB. At\u00e9 2015, se tudo der certo, o mundo pode ter objetivos de desenvolvimento sustent\u00e1vel (ODS) que tracem metas para energia, \u00e1gua, cidades, oceanos. Pode, tamb\u00e9m, dar for\u00e7a a um organismo ambiental competente, o Pnuma, que tem 40 anos, mas \u00e9 tratado pela comunidade internacional como um \u00f3rg\u00e3o de segunda categoria no sistema da ONU.<\/p>\n<p>Os governos se comprometeram a tornar concreto um programa de mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo que levou 8 anos para ficar pronto &#8211; mas que poderia ter sido aprovado antes da Rio+20, n\u00e3o fosse uma cita\u00e7\u00e3o, no pr\u00f3logo, aos Territ\u00f3rios Ocupados, o que fez com que fosse barrado, na Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, h\u00e1 alguns meses. Na Rio+20 ele saiu do papel.<\/p>\n<p>&#8220;Esta confer\u00eancia organizou muitos assuntos ambientais e de desenvolvimento que estavam orbitando&#8221;, diz um diplomata brasileiro. &#8220;Ela abriu processos e \u00e9 importante&#8221;, continua. &#8220;Vamos voltar a conversar sobre este resultado em tr\u00eas anos&#8221;, desafia.<\/p>\n<p>Um negociador europeu diz que ficou claro, na atua\u00e7\u00e3o do Brasil, que &#8220;a presidente Dilma quer tirar da pobreza 50 milh\u00f5es de pessoas, e n\u00f3s entendemos isso.&#8221; Depois, faz um mea culpa: &#8220;N\u00e3o soubemos explicar que a economia verde \u00e9 o melhor caminho para isso&#8221;. A Europa, apoiada pelos EUA, insistiu que a confer\u00eancia adotasse a ideia da economia verde &#8211; conceito controverso, visto com desconfian\u00e7a pelo mundo em desenvolvimento. Poderia ser mais uma embalagem para vender, caro, produtos e tecnologias que os ricos t\u00eam e os pobres n\u00e3o, vocalizavam representantes da Bol\u00edvia, Venezuela, Cuba, Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Todos reconhecem que acomodar interesses de 193 pa\u00edses em temas que v\u00e3o do uso dos recursos naturais \u00e0 redu\u00e7\u00e3o gradual do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, da mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de consumo a regras para a explora\u00e7\u00e3o da biodiversidade em alto mar, n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Antes da confer\u00eancia come\u00e7ar, muitos representantes de governos disseram que do Riocentro n\u00e3o ia sair nada &#8211; e agora jogam no colo do Brasil o desapontamento.<\/p>\n<p>&#8220;Mas o Brasil atuou como um operador de consensos, n\u00e3o como um l\u00edder&#8221;, alfinetou o negociador europeu. &#8220;Onde esteve a presidente do Brasil nos \u00faltimos tr\u00eas meses?&#8221; questionou outra negociadora. &#8220;Os diplomatas brasileiros s\u00e3o reconhecidamente competentes e v\u00e3o at\u00e9 o limite. Mas quem define os limites, definiu por baixo&#8221;, prosseguiu um observador.<\/p>\n<p>A Rio+20 teve momentos de trucul\u00eancia e constrangimento. Em uma sess\u00e3o, a negociadora da Su\u00ed\u00e7a manifestou sua oposi\u00e7\u00e3o a um determinado ponto. Os negociadores brasileiros tinham pressa em fechar o texto. Ela se opunha. &#8220;Ent\u00e3o ser\u00e1 a primeira vez que teremos um texto sem a participa\u00e7\u00e3o su\u00ed\u00e7a&#8221;, disse o brasileiro.<\/p>\n<p>Na \u00faltima rodada de negocia\u00e7\u00f5es, em Nova York, um alto executivo da ONU envolvido no processo criticou a falta de lideran\u00e7a do Brasil. A presidente Dilma teria ligado ao secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon e pedido a demiss\u00e3o do sujeito. Outro epis\u00f3dio nesta linha teria sido a chamada que a presidente teria dado a Ban Ki-moon, que abriu a c\u00fapula com um discurso dizendo que faltou ambi\u00e7\u00e3o ao texto final, e ontem se mostrou subitamente mais entusiasmado.<\/p>\n<p>O governo brasileiro manifestou claramente sua insatisfa\u00e7\u00e3o com as cr\u00edticas que teve que escutar por fechar um texto sem ambi\u00e7\u00e3o. Muitos diziam que o Brasil se escondeu atr\u00e1s dos Estados Unidos na quest\u00e3o do Pnuma. Os pa\u00edses africanos queriam fazer uma altera\u00e7\u00e3o editorial no texto: mudar o nome do Pnuma, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente, para Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente. Seria uma modifica\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica e simb\u00f3lica. Os EUA n\u00e3o quiseram conversa: &#8220;Se o texto for reaberto, principalmente na quest\u00e3o do Pnuma, abriremos outras quest\u00f5es&#8221;, amea\u00e7ou o chefe da delega\u00e7\u00e3o americana, Todd Stern, na plen\u00e1ria que aprovou o documento.<\/p>\n<p>Em muitos momentos o Brasil se viu diante da op\u00e7\u00e3o de a confer\u00eancia ficar sem um documento final, ou com um documento aguado. Na ter\u00e7a-feira, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores Antonio Patriota declarava qual havia sido a escolha do Brasil, ao dizer que iria se conseguir o texto &#8220;poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Uma piada era contada nos corredores do Riocentro nos \u00faltimos dias da confer\u00eancia. &#8220;O Brasil queria ter um texto antes da chegada dos chefes de Estado. E ponto&#8221;, comenta um negociador. &#8220;Foi uma sorte que tenha terminado logo, assim n\u00e3o perdemos mais do que foi acertado em 1992&#8221;. S\u00f3 em alguns anos dar\u00e1 para saber se a Rio+20 ficou s\u00f3 na promessa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nO Estado de S. 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