{"id":30610,"date":"2023-07-11T15:02:07","date_gmt":"2023-07-11T18:02:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30610"},"modified":"2023-07-11T15:02:07","modified_gmt":"2023-07-11T18:02:07","slug":"o-fascismo-em-si-e-para-si-sobre-as-jornadas-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30610","title":{"rendered":"O fascismo \u201cem si\u201d e \u201cpara si\u201d (sobre as jornadas de 2013)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30611\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30610\/image-9\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?fit=1200%2C400&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,400\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?fit=300%2C100&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?fit=747%2C249&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-30611\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?resize=747%2C249&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?resize=900%2C300&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?resize=300%2C100&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?resize=768%2C256&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Tito Fl\u00e1vio Bellini*<\/p>\n<p>Pre\u00e2mbulo de 06 de julho de 2023<\/p>\n<p>Revolvendo os documentos e textos que escrevo de forma err\u00e1tica, localizei esse abaixo, escrito no calor das manifesta\u00e7\u00f5es de 2013. Passados 10 anos, n\u00e3o fiz nenhuma corre\u00e7\u00e3o, justamente para manter seu car\u00e1ter de testemunho. Nos anos seguintes ao texto, tivemos tanto o golpe contra da Dilma, o lavajatismo que condenou e prendeu Lula, o tornando ineleg\u00edvel e abrindo caminho para o nascimento do bolsonarismo. Fica abaixo, o retrato daquele momento.<\/p>\n<p>Texto escrito em 26 de junho de 2013:<\/p>\n<p>Tentando fazer um ensaio anal\u00edtico sobre os \u00faltimos acontecimentos no Brasil, entender as gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es que v\u00eam ocorrendo nos \u00faltimos dias, me coloquei em busca de interpreta\u00e7\u00f5es, textos de movimentos e partidos, gritos de ordem, gestos e pautas. Ap\u00f3s os dois \u00faltimos grandes protestos, principalmente, creio ser poss\u00edvel tentar tra\u00e7ar algumas linhas de interpreta\u00e7\u00e3o. Ainda que existam grandes diferen\u00e7as de organiza\u00e7\u00e3o, toler\u00e2ncia a pautas entre manifesta\u00e7\u00f5es realizadas por exemplo, em Belo Horizonte e S\u00e3o Paulo, h\u00e1 nos \u00faltimos dias uma tend\u00eancia homogeneizante por parte dos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa, que apontam para tr\u00eas discursos diferentes entre o in\u00edcio dos protestos e o momento atual.<\/p>\n<p>No primeiro momento, houve um recha\u00e7o por parte da grande imprensa, atribuindo as primeiras mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e0 a\u00e7\u00e3o de baderneiros e desocupados, buscando deslegitimar as reivindica\u00e7\u00f5es colocadas, a saber, um amplo debate sobre a concep\u00e7\u00e3o de cidade atrav\u00e9s da demanda imediata pela revoga\u00e7\u00e3o de aumentos na tarifa dos transportes p\u00fablicos. Foram a\u00e7\u00f5es articuladas por novas organiza\u00e7\u00f5es, como o MPL, e com ades\u00e3o ativa de organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, como o PSOL, o PSTU, o PCB, o PCO, MTST, MST, CONLUTAS, INTERSINDICAL, entre outros, incluindo-se at\u00e9 organiza\u00e7\u00f5es como a UJS e a pr\u00f3pria UNE. Todos, com suas diferentes bandeiras, atuavam sem constrangimento. A exce\u00e7\u00e3o eram os anarquistas, tamb\u00e9m em grande n\u00famero, que tamb\u00e9m portavam suas bandeiras pretas ou pretas e vermelhas, mas que questionavam a presen\u00e7a dos partidos de esquerda. As reivindica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m eram claras e precisas.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a come\u00e7a a ocorrer a partir do terceiro grande ato em 13 de junho, ap\u00f3s brutal viol\u00eancia policial amparada pelas ordens do governo estadual de S\u00e3o Paulo, do tucano Geraldo Alckmin (PSDB), onde a imprensa sofreu ataques a diversas pessoas, de variados meios de comunica\u00e7\u00e3o, que passaram ent\u00e3o a condenar a a\u00e7\u00e3o desproporcional repressiva.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0 repress\u00e3o ganha vulto nas ruas, com o aumento das mobiliza\u00e7\u00f5es e a infiltra\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de setores reacion\u00e1rios e conservadores, desde policiais at\u00e9 membros da juventude tucana, liberais da classe m\u00e9dia, skinheads e outras categorias fascistas e fascistizantes, que passaram a incorporar demandas morais, iniciando ent\u00e3o uma repress\u00e3o interna aos partidos pol\u00edticos, como se todos fossem iguais. Nesse sentido, a grande imprensa come\u00e7a a difundir uma linha de interpreta\u00e7\u00e3o perigos\u00edssima, pois contribuiu para enfatizar um certo \u201crecha\u00e7o\u201d a todos os partidos, mas sem precisar exatamente de onde tal rep\u00fadio partia. Partidos conservadores, como o PPS, passaram a aplaudir esse recha\u00e7o, numa contradi\u00e7\u00e3o profunda e inaceit\u00e1vel. Talvez por isso est\u00e3o propondo a mudan\u00e7a de nome de partido para \u201cmovimento\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, temos o atual momento, em que as manifesta\u00e7\u00f5es hoje s\u00e3o \u201clideradas\u201d por setores da classe m\u00e9dia, da pequena burguesia, com uma epifania \u201cneonacionalista\u201d verde-amarela e com a\u00e7\u00f5es violentas e abertas contra os partidos socialistas, comunistas, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos populares. As bandeiras concretas at\u00e9 ent\u00e3o passam a ser brados entoados sem reflex\u00e3o alguma, mas que dariam orgulho aos milicos pr\u00e9-golpe de 1964 e, at\u00e9 mesmo, posteriormente ao golpe.<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia aos partidos pol\u00edticos \u00e9 tamb\u00e9m reflexo da p\u00e9ssima forma\u00e7\u00e3o de boa parte da juventude brasileira, consumista voraz de novas tecnologias, mas que pouco se aprofunda nas quest\u00f5es hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, sociol\u00f3gicas. Como resultado, passam a ser massa de manobra f\u00e1cil para discursos nacionalistas, homof\u00f3bicos, intolerantes, abrindo caminho para a xenofobia e para a rea\u00e7\u00e3o conservadora. A imagem do pr\u00e9dio da FIESP na Av. Paulista projetando a bandeira do Brasil em sua fachada chega a ser hil\u00e1ria. Posteriormente foi divulgado que tal imagem teve o intuito tamb\u00e9m de preparar reuni\u00e3o que ocorreu no dia seguinte entre o presidente da FIESP e militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (ECEME), alunos do Curso de Pol\u00edtica, Estrat\u00e9gia e Alta Administra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, conforme divulgado no site da pr\u00f3pria entidade patronal.<\/p>\n<p>Alguns apontam ainda para a exist\u00eancia de um car\u00e1ter de \u201cfrente\u201d nas principais manifesta\u00e7\u00f5es, com diferentes \u201cblocos\u201d ou \u201ccolunas\u201d, congregando inclusive movimentos antag\u00f4nicos. Creio que, neste momento, a disputa est\u00e1 acontecendo, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o aos governos, mas internamente, pela lideran\u00e7a propositiva das manifesta\u00e7\u00f5es. Os oportunistas da direita reacion\u00e1ria e fascista, estes sim, querem assumir a dire\u00e7\u00e3o de uma leg\u00edtima revolta popular para transform\u00e1-la em revolta nacionalista e reacion\u00e1ria. Temos que ser firmes e indicar: n\u00e3o passar\u00e3o! Ali\u00e1s, o t\u00edtulo desse artigo busca apontar que nem todos s\u00e3o fascistas declarados, como \u00e9 \u00f3bvio, mas sem a politiza\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o dos fundamentos da desigualdade e da crise das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, os setores sociais despolitizados e sens\u00edveis aos apelos e brados fascist\u00f3ides poder\u00e3o deixar de ser massa de manobra da direita reacion\u00e1ria para tornarem-se sujeitos ativos de tais concep\u00e7\u00f5es ultraconservadoras. A\u00ed reside o maior perigo.<\/p>\n<p>Cabe aos setores libert\u00e1rios enfatizar a necessidade de uma organicidade que se oriente teoricamente para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas societ\u00e1rias consistentes. Ao questionar apenas o setor pol\u00edtico e a moral, as atuais manifesta\u00e7\u00f5es mostram a incapacidade de entender a rela\u00e7\u00e3o profunda entre esse sistema econ\u00f4mico capitalista e sua necessidade premente de corromper a pol\u00edtica e a sociedade, como mecanismos de perpetua\u00e7\u00e3o no poder do grande capital, aparentemente sem rosto.<\/p>\n<p>O papel da esquerda libert\u00e1ria \u00e9 urgente e necess\u00e1ria, politizando as discuss\u00f5es, elevando o n\u00edvel das pautas para quest\u00f5es concretas das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores, indicando a urg\u00eancia da supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas do modelo econ\u00f4mico, mas do sistema capitalista em seu conjunto. Afinal, como enfatizava L\u00eanin, sem teoria revolucion\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Com bandeiras de movimentos e organiza\u00e7\u00f5es socialistas, como em Belo Horizonte, ou sem elas, contra a catarse fascista e o brado de uma horda despolitizada que grita \u201csem partido\u201d, devemos nos postar firmemente e gritar: \u201csem fascismo\u201d e \u201csocialismo\u201d!<\/p>\n<p>* Doutorando em Hist\u00f3ria e Cultura<\/p>\n<p>Docente da Universidade Federal do Tri\u00e2ngulo Mineiro<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio Pol\u00edtico do PCB-Franca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30610\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[226],"class_list":["post-30610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7XI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30610"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30612,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30610\/revisions\/30612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}