{"id":3063,"date":"2012-06-23T21:55:00","date_gmt":"2012-06-23T21:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3063"},"modified":"2012-06-23T21:55:00","modified_gmt":"2012-06-23T21:55:00","slug":"o-golpe-paraguaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3063","title":{"rendered":"O GOLPE PARAGUAIO"},"content":{"rendered":"\n<p>O golpe sum\u00e1rio dado pelo Parlamento do Paraguai contra o presidente Fernando Lugo tem a marca registrada da classe dominante naquele pa\u00eds. Latifundi\u00e1rios associados a multinacionais, uma for\u00e7a armada corrompida e cooptada por interesses de grandes corpora\u00e7\u00f5es, bancos e os donos da terra.<\/p>\n<p>O Paraguai jamais se recuperou da guerra contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai (1864\/1870). O conflito foi estimulado pela Inglaterra, ent\u00e3o maior pot\u00eancia do mundo, em defesa de seus interesses econ\u00f4micos. O Paraguai n\u00e3o dependia de pa\u00edses da Europa, tinha uma ind\u00fastria t\u00eaxtil competitiva e era um dos grandes exportadores de mate, concorrendo com o imp\u00e9rio brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>O capital para a guerra foi dos ingleses e em meio ao conflito \u00e9 que, praticamente, se construiram as for\u00e7as armadas brasileiras, inteiramente despreparadas para um confronto de tal envergadura. Nos primeiros anos da guerra os soldados brasileiros passavam fome e os armamentos eram m\u00ednimos, insuficientes para o genoc\u00eddio que viria mais \u00e0 frente. Foi a conseq\u00fc\u00eancia inicial da avidez do governo imperial de aceitar as libras inglesas.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses que formaram a chamada Tr\u00edplice Alian\u00e7a, numa selvageria sem tamanho, mataram 70% da popula\u00e7\u00e3o paraguaia e at\u00e9 hoje a maioria acentuada entre os que nascem naquele pa\u00eds \u00e9 de homens.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1 o Paraguai tem sido governado por ditadores, numa sucess\u00e3o de golpes de estados e o breve per\u00edodo \u201cdemocr\u00e1tico\u201d que se seguiu \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o do \u00faltimo general, Alfredo Stroessner (morreu exilado no Brasil, era capacho da ditadura militar brasileira), encerra-se agora com a deposi\u00e7\u00e3o branca de Fernando Lugo. Um ex-bispo cat\u00f3lico, conhecido como o \u201cbispo dos pobres\u201d. O mandato de Lugo terminaria no pr\u00f3ximo ano. O vice-presidente \u00e9 do Partido Liberal, aquele jogo pol\u00edtico de amigos e inimigos cordiais, onde os donos se revezam no poder.<\/p>\n<p>O pretexto para a deposi\u00e7\u00e3o de Lugo foi um massacre de trabalhadores rurais sem terra, numa regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com o Brasil. Morreram manifestantes e integrantes das for\u00e7as de repress\u00e3o. De l\u00e1 para c\u00e1 Lugo enfrenta um inferno.<\/p>\n<p>Latifundi\u00e1rios brasileiros, a classe dominante paraguaia \u2013 subordinada a interesses do Brasil e de corpora\u00e7\u00f5es internacionais \u2013 se uniram contra Lugo e o apoio de empresas como a MONSANTO, a DOW CHEMICAL. o sil\u00eancio formal e proposital dos EUA, todos esses ingredientes foram misturados e transformados em golpe de estado.<\/p>\n<p>Tal e qual aconteceu em Honduras contra Manoel Zelaya. A nova \u201cf\u00f3rmula\u201d para golpes de estado na Am\u00e9rica Latina. A farsa democr\u00e1tica, o rito constitucional transformado em instrumento golpista na falta de pudor da classe dominante. No caso do Paraguai, como no de Honduras, miquinhos amestrados do capitalismo internacional.<\/p>\n<p>A elite paraguaia jamais permitiu ao longo desses anos todos, desde 1870, que o pa\u00eds se colocasse de p\u00e9 novamente. Tem sido um ap\u00eandice de interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos de corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras e do sub-imperialismo brasileiro. Carregam as malas dos donos enquanto submetem os trabalhadores a um regime desumano e cruel que n\u00e3o mudou e nem vai mudar enquanto n\u00e3o houver resist\u00eancia efetiva e nas ruas contra esse tipo de procedimento, contra essa subservi\u00eancia corrupta e golpista.<\/p>\n<p>E cumplicidade de governos vizinhos. Mesmo que por omiss\u00e3o, ou fingir que faz alguma coisa.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria a consci\u00eancia dos governos de pa\u00edses como o Brasil que situa\u00e7\u00f5es de golpe s\u00e3o inaceit\u00e1veis. Que a integra\u00e7\u00e3o latino americana \u00e9 fundamental e se faz com democracia e participa\u00e7\u00e3o popular. N\u00e3o com alian\u00e7as com Paulo Maluf.<\/p>\n<p>Fernando Lugo cometeu erros. O maior deles o de acreditar que era poss\u00edvel governar o pa\u00eds com grupos da direita. As pol\u00edticas de concilia\u00e7\u00e3o onde a elite \u00e9 implac\u00e1vel e medieval, as for\u00e7as armadas s\u00e3o agentes \u2013 em sua maioria esmagadora \u2013 de interesses estranhos aos nacionais e as for\u00e7as populares sistematicamente encurraladas pela viol\u00eancia e barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Ou se percebe que o golpe contra Lugo \u00e9 um golpe contra toda a Am\u00e9rica Latina, ou breve situa\u00e7\u00f5es semelhantes em outros pa\u00edses. Por tr\u00e1s de tudo isso, em maior ou menor escala, mas de forma direta os EUA e o que significam no mundo de hoje.<\/p>\n<p>No ano 2000 o economista C\u00e9sar Benjamin, numa palestra na cidade mineira de Juiz de Fora espantou os ouvintes ao dizer que \u201co s\u00e9culo XIX foi o dos grandes imp\u00e9rios colonizadores, o s\u00e9culo XX o do fim do colonialismo, o s\u00e9culo XXI vai assistir a um novo ciclo de coloniza\u00e7\u00e3o de pa\u00edses perif\u00e9ricos \u00e0s grandes pot\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p><strong>A previs\u00e3o est\u00e1 se confirmando.<\/strong><\/p>\n<p>O secret\u00e1rio geral da UNASUL, Ali Rodriguez disse em entrevista a v\u00e1rios jornalistas que \u201co Paraguai pode estar em meio a golpe de Estado devido \u00e0 rapidez do julgamento pol\u00edtico do presidente do pa\u00eds, Fernando Lugo\u201d e mostrou-se preocupado com um poss\u00edvel \u201cprocesso de viol\u00eancia. Tudo indica que uma decis\u00e3o j\u00e1 foi tomada e que pela rapidez com a qual os eventos est\u00e3o acontecendo, poder\u00edamos estar perante um golpe de Estado\u201d.<\/p>\n<p>Basta que pa\u00edses como o Brasil e a Argentina, por exemplo, asfixiem econ\u00f4mica e politicamente o novo governo para que ele n\u00e3o se sustente. Depende da vontade pol\u00edtica de um e outro de manter a democracia no Paraguai, mesmo fr\u00e1gil, de p\u00e9.<\/p>\n<p>A classe dominante paraguaia nunca deu muita import\u00e2ncia a isso, pois sempre consegue espa\u00e7o para se acomodar e continuar a transforma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em uma esp\u00e9cie de vag\u00e3o a reboque principalmente do Brasil. Desde o fim da guerra, em 1870 tem sido assim.<\/p>\n<p>Fernando Lugo foi acusado, entre as farsas v\u00e1rias, de humilhar as for\u00e7as armadas (existem, ou s\u00e3o esbirros do capitalismo?) e colocar-se ao lado dos trabalhadores sem terra.\u00a0\u00c9 velho e bo\u00e7al latif\u00fandio que no Paraguai \u00e9 a for\u00e7a econ\u00f4mica mais poderosa.<\/p>\n<p> \u00c9 preciso ir \u00e0s ruas em toda a Am\u00e9rica Latina e \u00e9 fundamental asfixiar essa elite que cheira a esgoto.<\/p>\n<p>Se o governo brasileiro quiser n\u00e3o tem golpe que sobreviva. O problema \u00e9 querer. A preocupa\u00e7\u00e3o hoje, no entanto, \u00e9 de \u201cconsenso poss\u00edvel\u201d (um fracasso na RIO+20) e as elei\u00e7\u00f5es de outubro.<\/p>\n<p>A m\u00eddia de mercado \u2013 f\u00e9tida tamb\u00e9m \u2013 no Brasil j\u00e1 desestimula qualquer atitude mais forte do governo.\u00a0O golpe no Paraguai fere o arremedo de democracia que sub existe no Brasil e outros pa\u00edses com o consentimento dos \u201cpoderes moderadores\u201d. As elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas s\u00e3o as mesmas, arcaicas, podres e totalit\u00e1rias. Quando querem colocam as garras de fora.<\/p>\n<p>Foi o que fizeram com Lugo. O que querem fazer com Ch\u00e1vez. Com Evo Morales e outros tan<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: imguol.com\n\n\n\n\n\n\n\n\nLaerte Braga\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3063\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-3063","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c40-paraguai"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Np","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3063\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}