{"id":30657,"date":"2023-07-24T15:04:11","date_gmt":"2023-07-24T18:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=30657"},"modified":"2023-07-26T17:40:26","modified_gmt":"2023-07-26T20:40:26","slug":"a-luta-das-mulheres-negras-na-america-latina-e-no-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30657","title":{"rendered":"A luta das mulheres negras na Am\u00e9rica Latina e no Caribe"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"30658\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30657\/image-3-9\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?fit=526%2C526&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"526,526\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (3)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?fit=526%2C526&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-30658\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?resize=526%2C526&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?w=526&amp;ssl=1 526w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/image-3-2.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Texto publicado na Agenda 2021 da Funda\u00e7\u00e3o Dinarco Reis<\/strong><\/p>\n<p>25 de julho \u00e9 o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. A data nasceu com o prop\u00f3sito de estimular a reflex\u00e3o sobre o papel das mulheres negras da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, em julho de 1992, no Primeiro Encontro de Mulheres Negras da Am\u00e9rica Latina e Caribe, em Santo Domingo, na Rep\u00fablica Dominicana, que contou com a presen\u00e7a de representantes de cerca de 70 pa\u00edses. A partir desse encontro, nasceu a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma data em que as mulheres negras, ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais refletem e fortalecem as organiza\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0s mulheres negras e suas diversas lutas. No Brasil, em 2014, foi institu\u00eddo, na mesma data, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando um s\u00edmbolo da resist\u00eancia, destacada lideran\u00e7a na luta contra a escravid\u00e3o,<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil corresponde a mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as pessoas que mais sofrem com a pobreza em nosso pa\u00eds. Al\u00e9m disso, \u00e9 muito maior o impacto do machismo sobre as mulheres negras, que t\u00eam suas vidas e corpos mercantilizados, os sal\u00e1rios mais rebaixados e suas vidas tornadas invis\u00edveis ao longo dos processos hist\u00f3ricos. \u00c9 muito mais dif\u00edcil ser mulher negra trabalhadora numa sociedade capitalista constru\u00edda a partir do patriarcado, do racismo e da opress\u00e3o da classe burguesa sobre o proletariado.<\/p>\n<p>Apresentamos abaixo 10 figuras hist\u00f3ricas de mulheres negras que se destacaram em revoltas populares, nas lutas pol\u00edticas e na cultura de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Tereza de Benguela (Brasil)<\/strong><br \/>\nNascida no s\u00e9culo XVIII, liderou o Quilombo Quariter\u00ea, nas proximidades de Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso. Conhecida como &#8220;Rainha Tereza&#8221;, ela chefiou a comunidade formada por cerca de cem pessoas, entre negros e ind\u00edgenas, entre 1750 e 1770. Respons\u00e1vel pela estrutura administrativa, econ\u00f4mica e pol\u00edtica da comunidade, a l\u00edder quilombola promoveu o crescimento militar e econ\u00f4mico do grupo ap\u00f3s a morte de seu companheiro, Jos\u00e9 Piolho, morto por bandeirantes. Ainda hoje h\u00e1 diverg\u00eancias sobre sua morte: alguns historiadores falam que ela foi morta por soldados do governo local e outros defendem que ela se suicidou por rejeitar viver sob a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Mar\u00eda Remedios del Valle (Argentina)<\/strong><br \/>\nNascida em 1776, foi militar combatente na Guerra da Independ\u00eancia da Argentina. Considerada a &#8220;m\u00e3e da P\u00e1tria&#8221;, foi capit\u00e3 em distintas batalhas hist\u00f3ricas no ex\u00e9rcito do General Manuel Belgrano (considerado o &#8220;pai da P\u00e1tria&#8221;). Faleceu em 8 de novembro de 1847. Em mem\u00f3ria \u00e0 sua morte, estabeleceu-se em 2013 o dia 8 de novembro como &#8220;Dia dos Afro-argentinos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Sanit\u00e9 B\u00e9lair (Suzanne B\u00e9lair &#8211; Haiti)<\/strong><br \/>\nNascida livre em 1781, Suzanne B\u00e9lair \u00e9 considerada uma das hero\u00ednas da Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana (1791 &#8211; 1804). Apelidada por amigos de &#8220;Sanit\u00e9&#8221;, B\u00e9lair foi sargenta e depois tenente das tropas de Toussaint Louverture, que puseram fim ao regime escravista no Haiti, participou dos combates de 1802, na cadeia montanhosa Matheux, no centro do pa\u00eds, contra a expedi\u00e7\u00e3o napole\u00f4nica composta por mais de 20 mil homens enviada para reestabelecer a escravid\u00e3o na col\u00f4nia. Foi fuzilada em outubro de 1802.<\/p>\n<p><strong>Martina Carrillo (Equador)<\/strong><br \/>\nMartina Carrillo foi uma das l\u00edderes das revoltas de negros escravizados no Vale do rio Chota e do rio Mira, territ\u00f3rio marcado pelas comunidades afrodescendentes no Norte do Equador. Carrillo trabalhava na Fazenda Concepci\u00f3n, de onde fugiu com outros cinco escravizados, em 1778, e foi at\u00e9 Quito para denunciar abusos e maus tratos do administrador da fazenda, tais como quantidade insuficiente de comida, castigos f\u00edsicos rigorosos e injustificados. As reivindica\u00e7\u00f5es foram atendidas, mas, antes disso, Martina Carillo recebeu 300 chicotadas quando voltou para a fazenda.<\/p>\n<p><strong>Solitude (Guadalupe)<\/strong><br \/>\nProvavelmente nascida em 1772, Solitude foi uma das l\u00edderes da resist\u00eancia ao regime escravista na ilha de Guadalupe. Nascida escravizada, conquistou a liberdade em 1794, na primeira aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o nas col\u00f4nias francesas. Passou a integrar uma comunidade maroon &#8211; africanos escravizados que conseguiam escapar dos captores espanh\u00f3is e formavam grupos aut\u00f4nomos. Gr\u00e1vida de alguns meses, integrou as tropas que combateram a tentativa reestabelecer a escravid\u00e3o e envia batalh\u00f5es para as col\u00f4nias francesas no Caribe. Foi presa e condenada \u00e0 morte, tendo sido enforcada em 29 de novembro de 1802, um dia depois do nascimento do filho.<\/p>\n<p><strong>Mar\u00eda Elena Moyano (Peru)<\/strong><br \/>\nNascida em 1958, atuou contra a pobreza e pelos direitos das mulheres no Peru e foi opositora do Sendero Luminoso, grupo guerrilheiro com inspira\u00e7\u00e3o mao\u00edsta surgido nos anos 1960. Conhecida como &#8220;M\u00e3e Coragem&#8221;, participou de diferentes organiza\u00e7\u00f5es de mulheres. Foi assassinada aos 33 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>Argelia Laya (Venezuela)<\/strong><br \/>\nLiderou o sindicato de professores nos anos 1950, integrou o Partido Comunista da Venezuela, dirigiu as For\u00e7as Armadas de Libera\u00e7\u00e3o Nacional (FALN) e esteve na guerrilha venezuelana nos anos 60 sob o nome de &#8220;Comandante Jacinta&#8221;. Ajudou a fundar o Movimento pelo Socialismo (MAS), em 1971, partido que presidiu posteriormente e pelo qual se tornou parlamentar pelo estado de Miranda, no norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Virginia Brindis de Salas (Uruguai)<\/strong><br \/>\nNascida em Montevid\u00e9u em 1908, \u00e9 considerada a principal poeta afrouruguaia. Poeta autora de &#8220;Preg\u00f3n de Marimorena&#8221; (1946) e &#8220;Cien c\u00e1rceles de amor&#8221; (1949), foi a primeira mulher negra a publicar um livro na Am\u00e9rica Latina. Participou do C\u00edrculo de Intelectuais, Artistas, Jornalistas e Escritores Negros do Uruguai, associa\u00e7\u00e3o que buscava valorizar a cultura afro-uruguaia.<\/p>\n<p><strong>Sara Gomez (Cuba)<\/strong><br \/>\nPrimeira mulher a dirigir um longa-metragem em Cuba (&#8220;De Cierta Manera&#8221;, de 1974), G\u00f3mez foi uma cineasta revolucion\u00e1ria, preocupada em representar a comunidade afro-cubana, as quest\u00f5es femininas e a realidade das camadas marginalizadas da sociedade. Sua obra destacou as desigualdades de classe, bem como a discrimina\u00e7\u00e3o racial e de g\u00eanero. Ela usou as lentes de sua c\u00e2mera e o conhecimento etnogr\u00e1fico para narrar hist\u00f3rias sobre a vida cotidiana na Cuba revolucion\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/30657\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,124,180,4,382],"tags":[233],"class_list":["post-30657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-c137-coletivo-minervino-de-oliveira","category-feminista","category-s6-movimentos","category-negro","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-7Yt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30657"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30657\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30672,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30657\/revisions\/30672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}